Faleceu hoje, no Porto, Óscar Lopes, político, professor e ensaísta.
Inegavelmente talentoso, a sua formação e mentalidade marxista limitou-lhe com certo relevo a qualidade e o discernimento, dado o intrínseco autoritarismo dessa filosofia que o norteava.
Daí que muitas vezes tivesse sido exagerado, falhando o enquadramento do que escrevia e, por outro lado, fosse inadequado nas suas avaliações e análises.
Isso explica que, não vendo nem querendo ver os erros e crimes do comunismo, tenha emprestado o seu nome e a sua presença a uma aberração como era e segue sendo o Comité Central do ainda estalinista e tendencioso PCP, no qual se apoia a Coreia do Norte e se compreende gente como Amadinejhad ou Castro.
As suas melhores páginas, entretanto, talvez estejam no "História da Literatura Portuguesa", escrita em conjunto com António José Saraiva.
Também interessante e significativo o livro que arrola a sua correspondência com este e onde se nota de forma muito clara a diferença existente, significativa, entre dois talentos de igual porte, mas um vindo do livre espírito (Saraiva) e outro (Lopes) do espírito obrigado a mote partidário e ideológico.
Desejamos paz à sua alma, apesar de ele não crer no Além.
