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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ainda sobre Niemeyer





Escreve Alberto Gonçalves, no DN:

O humanista que venerava Estaline

Uma ocasião, ao conduzir à toa por São Paulo, deparei com a Mão de Oscar Niemeyer. A Mão é uma escultura que integra o conjunto de edifícios do Memorial da América Latina, também projectado pelo arquitecto, e, grosso modo, representa o continente a sangrar. Naturalmente, foi concebida enquanto a típica denúncia da opressão que marcou e marca a história daquelas paragens. Contra os tiranos, tudo, não é verdade?

Parece que nem tanto. O autor da Mão manteve uma longa, jovial e pública amizade com o tirano mais duradouro dos séculos XX e, no fundo, XXI: Fidel Castro. Além disso, admirava o tirano mais mortífero de sempre, sob o argumento de que as suas acções se justificavam pela "defesa da revolução": "Estaline era fantástico", declarou numa entrevista.

Ou seja, Niemeyer legitimou através do exemplo os assassinos de que as suas criações fingiam queixar-se. Não se trata apenas de um caso em que a arte é maior do que a vida: a estética de Niemayer, do desconforto à "disfunção", é discutível; o carácter, uma vergonha sem discussão. Na hora da sua morte, os media chamaram-lhe humanista, conceito que não sendo irónico começa a parecer pejorativo. Ainda iremos a tempo de canonizar Albert Speer?