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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O CONDOTTIERI ATACA DE NOVO…



Nicolau Saião, O monarca

   No diário Destak de ontem, José Luís Seixas, através da sua coluna de opinião, escreve o que se segue sobre o indivíduo que – perdida toda a contenção e num arroubo de insensato rancor por ter sido defenestrado do poder pelo povo que claramente despreza – numa entrevista ao Expresso, deu em côncavo e em convexo o seu perfil e o seu carácter de ex-político e de despejado por extenso.

  Aqui fica o texto, curto mas notável e corajoso a mais dum título.



COLUNA VERTICAL

O glossário de Sócrates

Ao longo do seu percurso político, Sócrates sempre transmitiu a imagem de um narciso empertigado e prepotente. O verniz foi estalando de quando em vez, como naquele abraço a Barroso, exclamando “porreiro, pá!”. Ou na expressão de incontido desprezo que marcou os debates parlamentares da época ao invetivar, salvo erro, Louçã, com um «a tua Tia!». Admito que possa ter sido «a tua Mãe», mas a minha recordação aponta mais para a colateral.
A entrevista da personagem ao Expresso é uma verdadeira pérola digna de arquivo para memória futura, não vá o diabo tecê-las. A pretexto de um «Sócrates íntimo», dedilhou qualificativos depreciativos sobre tudo e sobre todos, à exceção, claro está, dele próprio. Usou, com eloquência e supina elegância, o calão mais depurado que se tem lido em jornais supostamente de referência. Se um dos seus opositores é «um merdas», toda a direita já é «uma cambada de filhos da mãe» que, curiosamente, aspirava tê-lo por líder. Há um alemão que é um «estupor», ademais de partilhar o conceito anteriormente referido de filho da progenitora. «Canalhas» e «pulhas» são referidos a eito, embora com o seu – dele – critério. O resto são «tipos» e «gajos», «raios os partam a todos!»
Tem – ele – uma «boa vida» – coisa que os portugueses não conseguem partilhar – e «não sente nenhuma inclinação para voltar a depender do favor popular», que é como quem diz: “esse bando de ignaros, que é a populaça, não merece o meu génio”… Replicando expressões suas, apetece dizer ao “gajo” que pode estar tranquilo quanto ao favor do povo. Este costuma ser criterioso relativamente ao “filhos da mãe” que o deixou na penúria!”
Nota – Quando, num artigo dado a lume no TriploV, no Ablogando e, em periódicos, em Espanha, França e Brasil caracterizei o antigo premier como um aventureiro político com perfil não de líder mas de condottieri, não o fiz por hostilidade mas por tipificação realista-científica.
Os ulteriores procedimentos e bosquejos conceptuais do dito sujeito creio que me asseguraram que acertara no alvo.
É patente que, a pouco e pouco, se vão desvelando na sua figura em recorte os tiques a que Umberto Eco deu o nome de cripto-fascismo: a violência verbal desbragada carreando rancor, a pequena megalomania, o atiçar duma violência e duma brutalizada narrativa que não são normais em países civilizados – mas que são muito naturais num terceiro ou num quarto mundo.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O QUE NÓS QUEREMOS É FUTEBOL…





    Lembram-se? Se calhar não, pois tal frase, doce como um covilhete de marmelada, foi nos tempos do doutor Salazar, o tal que só se parecia com ele mesmo pois foi inimitável ainda que alguns, mesmo doutros quadrantes, tentem para mal dos nossos alguns pecados ficar parecidos.

   A Europa desse tempo andava em trancos e Portugal era um oásis de paz… Ou seja, se não fossem alguns problemazitos como a saúde meio morta, a educação meio torta e as finanças seguras por cordéis excepto para alguns privilegiados.

  Como agora, dirá o leitor mais expedito. Sim, está bem. Mas ao contrário.

  Porque agora é por cá que se anda aos trancos, com gente “indignada” a vociferar, os do partidão a perorar com raiva nos rostinhos, os outros a fingir que isto vai com a dança das cadeiras.

  Fala-se no Portas e no Seguro. Os tais que foram, como sambenitos, à reunião do Bilderberg, uma dessas em que se congeminam coisas de que nem será bom falar. Mesmo se soubéssemos. Porque os bilderbergs não brincam em serviço.

  E eu não percebo porque é que certa gente se admira de que o perspicaz Portas tenha dado agora com a perna na escudela. Com o Seguro a fazer de homenzinho de fato e gravata com o seu discurso de geniaço de sociedade recreativa.

  Poderia esperar-se outra coisa?

  Só um ingénuo como Passos ficou azabumbado. Mais uns comentadores da ordem a estrafegarem fingindo-se surpresos. Então mas não tinham ainda percebido que o denominado “fascismo doce” (ou seja, envolto em bailaradas, cantorias, talk shaws idiotas, etc) precisa de durante algum tempo lançar a confusão mais solerte para depois tomar conta do apartamento?

  A Nova Ordem internacional necessita de chumaceiras novas. O Seguro e o Portas aí estarão, com os coleguinhas, para tratarem na nova decoração da loja.


  Mesmo que a seguir não haja nada para vender ou para comprar.

quarta-feira, 27 de março de 2013

SÓCRATES E A BANALIDADE DO MAL OU A VOLTA DO CONDOTTIERI



Ecce homo

José Sócrates, ex-premier e actual comentador putativo, vendo bem é o menos culpado de vir para a TV pública (ou seja, paga pelos dinheiros do contribuinte) comentar de cátedra.

  Ele, como "condottieri" partidário que é (e não líder, na verdade), faz o que todos os aventureiros políticos fazem: tenta a sua chance usando todos os meios que lhe coloquem na órbita. Como perante o convite que lhe foi dirigido.

(imagem obtida aqui)

  Aproveitando as circunstâncias e tirando partido dos erros e caquexias dum governo fraco e pedante, disponibilizou-se com apresto e procura aparecer agora como um Chávez do jardim luso, como um Fidel desta nação (en)cavacada. Estando a política no degrau mais baixo da ética, fácil foi ter sido pescado pelos verdadeiros culpados de lhe ter sido fornecido um púlpito de onde, qual Savonarola, poderá sem contraditório eventualmente mentir, manipular, baralhar os pobres diabos populares que, no fundo, os adversos dizem que despreza e apenas utiliza.

(imagem obtida aqui)

Tão alegadamente cínico e ardiloso politicamente como no seu tempo o foi o mito manipulativo Roosevelt, que fingiu criar um New Deal para melhor levar ao engano (depois bem o pagaram!) os pobres ianques, Sócrates é determinado: cruel sem ser corajoso, habilidoso sem ser atilado, simulador sem ser sensato, é bem um “animal feroz político” (como diziam os que o incensavam) de traça peculiar. Daí que a seu propósito os asseclas falem em “liberdade de expressão”, quando não é isso que está em causa - ele podia escrever o que quisesse e mandar para os mídias, publicar livros, podia falar dentro do partido e na praça pública de qualquer cidadão (mas preferiu refugiar-se em Paris até deixar passar o maior ódio público pelos seus desmandos e inoperâncias governativas). Pois o que está realmente em causa é ter sido privilegiado com uma tribuna discricionária onde, de cátedra, se poderá eventualmente branquear.

(imagem obtida aqui)

   Os que o fizeram não o fizeram ingenuamente, pois não são idiotas inertes. Houve um propósito, que o dito "animal feroz da política" ou estimulou ou aproveitou. Comentador? Não. Tribuno partidário, como outros – sempre políticos na sua maioria! - fazendo a sua propaganda e dos seus áulicos, isso sim. E isto da parte de alguém que, conforme “vox populi” e até um magistrado, tentou acabar com liberdade de expressão e era useiro e vezeiro em ferozmente tentar defenestrar quem o contrariasse, afivelando uma expressão política dura e maldosa.

(imagem obtida aqui)

  Ele vem não para ajudar o país e a população portuguesa, vem sim para lançar a cizânia, a barafunda e a violência partidária. Conta com duas coisas: que o povo esqueça que, sendo expressamente partidário do "pedir emprestado e não pagar", nos colocou na dependência financeira e na pré-bancarrota; depois, que o povo mais primário atire para cima destes pobres diabos da governação de agora o ónus da miséria formal ("No tempo do Sócrates vivia-se melhor"...). Um tipo perigoso, mais perigoso hoje que dantes, pois vem agitar os díscolos revanchistas e os pervertidos com desejo de vingança - é ler-se na Net os textos brutais que eles bolsam.


  Sócrates só tentará ser presidente da República para, nesse posto, "todo lo mandar". Mas, como bom condottieri, o que ele gosta mesmo é de GOVERNAR (alegadamente falhado como académico, vulgar como scholar, fazedor, de acordo com conhecedores, de trabalhotes medíocres construídos “com a mão do gato”, o seu único lugar é na política, na governança, no mando – como reza o apólogo bíblico). Nisso, é bem um homem da Renascença – à guisa comparativa simbólica de um Del Dongo, de um Piero Negri, que à frente das suas hostes talaram e manobraram as cidades do que depois viria a ser a Itália.


  Banalizado o mal, esquecido o mal por indigência moral ou por labilidade de carácter duma parte do público em que a política de escada-abaixo destes tempos tristes se escora, tudo se abre na frente destes cavalheiros. "Irmão Sócrates", como carinhosamente lhe chamou no velório do sátrapa venezuelano o inenarrável Maduro?

   Sem dúvida. Ele sabia na prática a quem estava a dirigir tal epíteto... familiar!