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terça-feira, 25 de junho de 2013

De volta de Arronches com passagem por Espanha





Caros/as confrades

  Ontem, depois de um fim-de-semana em Arronches acompanhado a sardinhada e a Monte do Rei - dado que não consegui mercar por fraqueza no stock o benquisto e sapientíssimo Reynolds Tinto (que só se apanha por preço mais módico precisamente no market daqui, na terra onde fica a quinta do prudente criador desta iguaria sem par) - fui cumprir num salão em Espanha uma promessa já com algum tempo de "repouso": efectuar uma palestra com tema a meu gosto.

 Lá fui e lá orei.

 Eu escolhera uma coisita potável, "As Metamorfoses de Ovídio na pintura moderna", o que deu ensejo a que com ardil creio que puro e justificado pudesse excursionar por autores do meu prazer: Renoir, Picasso, Saura e, the last but not the least como gosta de dizer um certo crítico luso com a mania dos monstros, Pedro Moro e os seus touros surpreendentes transfigurados em cavalheiros espanhóis provavelmente de boas famílias.

 Dentre o público, como depois vim a saber vários professores assistiam amavelmente. Um deles, no fim do cavaco (se assim o digo...), teve a fineza de se me dirigir para, revelou-mo, concretizar alguns pontos nomeadamente sobre a maravilhosa edição que Albert Skira artilhou um dia com os buris e os carvões do fogoso malaguenho.

 Palavra puxa palavra, veio-nos à baila a questão do professorado. Na Ibéria.

 Durante alguns momentos apenas, porque se fazia tarde, ouvi-o encantado pelo bom-senso que se soltava do que dizia, pela justeza dos conceitos que explanava. O seu falar não tinha qualquer sabor a rolha nem aquele jargão que, de certas bocas amoráveis, se solta com chavões politicões à mistura. (Não havia necessidade...).

 Tempos atrás, de um outro professor que é também confrade triplóvico e para mim muito querido (claro!) recebi um textinho que, sendo de pequena talha, me calou fundo pela justeza singela do que nele era dito. E tenho para mim que muito do que de mais acertado se vai dizendo, afinal, é fácil de dizer e fácil de entender - se, é claro, estivermos e lhe dermos a direcção adequada...

 Poderá, igualmente, com outro grau de robustez e profundidade devido aos temas que os enformam (Hieronymus Bosch, a construção de novas sociabilidades mediante a Arte, enfoques sobre Raul Proença, entre outros), ler textos (e ver pinturas) deste confrade na Revista Sibila, no preclaro TriploV e na acerada Agulha, da Fortaleza que é também a minha debilidade.

  Bom Verão e boa semana vos desejo.


...................§§...................


          "É com muito gosto que aqui vos deixo umas palavras que expressam, enquanto vosso Professor e Coordenador do Curso de Animação Sociocultural, o apreço que temos por vós.

         Na verdade, ao longo destes anos sempre fostes alunos interessados, de trato afável e cordial, nunca mostrando estar dependentes de preconceitos e modas, de superstições espúrias e de desonestidades intelectuais, que maculam o espírito humano e enegrecem a sua liberdade interior, inevitavelmente limitando o seu florescimento na comunidade em que nos foi dado viver.


João Garção, Sabedoria


         Não procurámos, somente, dar-vos informações e transmitir-vos métodos e técnicas, visando cumprir meros formalismos académicos. Tentámos, sobretudo, criar conjuntamente um estimulante ambiente relacional, assente em princípios éticos irrenunciáveis, que permitisse que pensamentos e práticas mostrassem a sua beleza e a sua utilidade e onde, afinal, pudesse ter lugar o ‘jogo’ da construção, destruição e reconstrução que é intrínseco à maravilhosa aventura que constitui a edificação do Saber.

         ‘Liberdade cor de Homem’, escreveu um dia, apropriadamente, André Breton. Em Educação (como nos demais domínios da Vida, assim o cremos), a exaltação da Liberdade, da Coragem e da Dignidade humana é tão importante como os apelos ao estudo dedicado, ao trabalho árduo e à responsabilidade individual. De outra forma, não haverá quem volte a roubar o fogo aos Deuses nem quem insista em saber ‘o que está para lá da montanha’, para parafrasear Rudyard Kipling…


João Garção, Pintura


         É esta atitude perante a Vida que deixamos nas vossas mãos, esperando que a acarinhem e a façam brilhar pelos anos vindouros. Sabemos que não será em tempos difíceis - como estes que estamos a viver – que os ‘heróis’ se forjam; mas acreditamos que é neles que os ‘heróis’ se revelam. Por isso, fazemos votos para que não vacilem, não cedam nem abdiquem dos vossos sonhos, dos vossos direitos (e deveres!) e da vossa dignidade, como seres humanos irrepetíveis que são - e com os quais, para nosso privilégio, temos tido o gosto de conviver.

        Bem hajam e obrigado por aquilo que nos têm dado. E muitas felicidades, é claro!

                               O Coordenador do Curso de Animação Sociocultural
                                                                                                         
João Garção
                                              
(Docente do Instituto Superior de Ciências Educativas de Felgueiras, onde leciona diversas Unidades Curriculares a cursos de Licenciatura e de Mestrado e onde é Coordenador do Curso de Animação Sociocultural.
 Pequeno texto escrito em junho deste ano, a solicitação de alunos, para ser incluído num álbum de caricaturas de finalistas daquele Instituto).

...............

 PSCriptum - Em próximos envios: "As Paredes de C.Ronald", "Imagens que me chegaram pelo Tempo", "Louvor de Cruzeiro Seixas"," António Salvado, simplesmente", etc. 

 Nota - Neste, como em qualquer texto de sua autoria (incluindo os falados...) o autor não segue os preceitos do chamado Acordo Ortográfico.

terça-feira, 26 de março de 2013

"Hitler na escola"




É o título de um artigo de Esther Mucznik, no PÚBLICO, cuja leitura , pelo que consegue transmitir do actual estado de coisas em Portugal, recomendo com carácter de urgência (via Lisboa-Telaviv).

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Como se molda o carácter e se procura construir um país habitável



(imagem obtida aqui)

Transcrevo integralmente uma notícia, publicada hoje no DN, cuja leitura recomendo ao governo, em particular a Nuno Crato; aos pedagogos do ME; a todas as instituições de ensino públicas e privadas; ao aparelho judicial e respectivas Ordens (em especial ao bastonante advogado justiceiro, que se limitou a pedir repetição do exame para os candidatos a juízes que nele copiaram, aqui há tempos, em vez da total proibição de virem a exercer quaisquer funções no sector público); aos esquerdófilos humanistóides, que associam a medida da honra ao do volume do alimento contido no estômago; e ao povo português em geral, do mais virtuoso ao mais ordinário.


Harvard suspende 60 alunos por terem copiado

Cerca de 60 estudantes da Universidade de Harvard foram suspensos e outros alvos de processos disciplinares no âmbito de um escândalo de fraudes que atingiu a instituição de elite, disse a administração na sexta-feira.

O diretor da Faculdade de Artes e Ciências, Michael Smith, disse que "um pouco mais de metade" dos casos sob investigação que acabou com os estudantes a serem "suspensos da universidade durante um período de tempo".
"Nos casos restantes, metade dos estudantes foram alvo de processos disciplinares, embora não tenham sido levadas a cabo ações disciplinares", disse Smith num correio eletrónico enviado para todo o campus da universidade situada no estado de Massachussetts.
Quando o escândalo veio a público em agosto, a Universidade de Harvard informou que cerca de 125 alunos eram suspeitos de terem copiado num exame final.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Os tentáculos do polvo





Por mero acaso, sintonizei mesmo agora o novo canal 10 da Zon, um canal com séries e telenovelas da Globo. Por esta hora transmite Brado Retumbante, e devo dizer que "fiquei cliente" logo nos primeiros minutos, ao ver como no episódio se desmascara frontalmente a acção deturpadora, nas escolas, da História do Brasil, pelo esquerdismo, ignorante, fanático e oportunista, ao mesmo tempo que se não minimiza o perigo que isso constitui, apresentando-o como algo de muito grave para o próprio país. Uma lição sobre o oportunismo e o maquiavelismo político, bem como o perigo que correm as próximas gerações, ideologicamente manipuladas sem qualquer escrúpulo... com lucros chorudos para as editoras e os autores "ONGianos"convenientemente iluminados.

Mas não apenas da educação trata o que vi, também muitos outros problemas foram já aflorados, nomeadamente a corrupção na esfera do poder político, com igual frontalidade.

A não perder. Sem dúvida.

Quem for cliente da Zon, pode ver a repetição deste episódio, o terceiro, às 3 da manhã.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Bons princípios



Esta a notícia que pode ser lida no Diário Económico:


Universidades com cursos gratuitos para desempregados
Projecto piloto já arrancou na Universidade Nova. Vai ser alargado e visa a requalificação dos licenciados sem emprego.
As universidades portuguesas vão arrancar com cursos gratuitos de gestão para licenciados desempregados com o objectivo de os requalificar e facilitar a sua integração no mercado de trabalho. O  Governo escolheu a Nova School of Business and Economics para avançar com o projecto piloto, que arrancou na semana passada com uma turma de 50 alunos. E dentro de duas semanas começarão as aulas da próxima turma, igualmente de 50 alunos.
Pedro Silva Martins, secretário de Estado do Emprego, explicou ao Diário Económico que a iniciativa do Instituto de Emprego e Formação Profissional visa "dar maiores perspectivas de empregabilidade aos licenciados desempregados" e admitiu estar já em contacto com outras universidades para alargar a iniciativa. "Vão ter aulas sobre várias competências da gestão aplicada como negociação, marketing, contabilidade, etc. que lhes vai enriquecer o currículo", sublinha Pedro Silva Martins. E há aqui um outro aspecto muito importante, que é o de fazerem ‘networking'. "Numa situação de desemprego, é muito importante vencer o isolamento", diz ainda o secretário de Estado.
O curso dura duas semanas, em regime intensivo de oito, nove horas por dia. No final desse período, são seleccionados 25 alunos para fazerem mais uma semana dedicada ao empreendedorismo, onde farão um plano de negócio.
São candidatos a este tipo de curso todos os licenciados inscritos nos centros de emprego, neste caso da Região de Lisboa e Vale do Tejo, excepto os que têm formação em Gestão. E é dada particular atenção aos que tenham projectos de empreendedorismo, admite responsável do Governo.
Do lado da Nova SBE, o responsável pela formação de executivos, Nadim Habib, esclarece: "Vamos testar o ensino da gestão num segmento difícil. Os alunos são jovens e menos jovens, alguns desempregados há muito tempo, outros nem tanto, vêm de cursos tradicionalmente com mais desemprego: História, Antropologia, Filosofia, etc. Queremos ensiná-los a falar gestão, a entenderem como uma organização funciona, como o seu talento pode acrescentar valor, etc.".
A iniciativa insere-se na Medida Viva Activa na vertente de desempregados licenciados, que tem uma verba de quatro milhões de euros para requalificação de um universo até dez mil pessoas, que engloba não só estes cursos nas instituições de ensino superior como outras acções de formação nos centros de emprego.
"Vamos usar a nossa experiência na formação de executivos e tentar encontrar maneiras de activar o talento. Por vezes, aquilo que as pessoas são boas a fazer tem pouco a ver com a área de formação", frisa Nadim Habib.
Também o ISEG lançou, recentemente, um curso em parceria com o BNP Paribas para ajudar jovens à procura do primeiro emprego e desempregados a encontrar um lugar no mercado de trabalho no sector da banca.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"A criança de 5 anos a criança de 5 anos"


Uma crónica de Ferreira Fernandes, no DN:


Numa escola, uma criança não pode ser castigada por um erro que se sabe que ela não cometeu. Dito isto, passemos ao recreio. Há pais que não pagam o almoço escolar do filho, mas não prescindem das cervejolas que custam o mesmo? Sim, tá bem, adiante... O almoço nas escolas devia ser grátis? Sim, claro, e fechar os olhos às notícias também... A diretora da escola, como mostrou o cameraman, pinta as unhas? Pois, e as jornalistas vão para as reportagens de camisa coçada... Uma deputada da oposição interpelou o ministro pela desgraça da fome? Claro, e deve ter deixado de falar aos colegas que andam de Audi A5 público... Fim do recreio. Voltemos ao tutano: uma criança de cinco anos foi separada dos colegas e levada para uma sala onde não lhe deram almoço, deram-lhe outra coisa, porque os pais não pagaram a alimentação dela. E se calhar lá em casa o televisor é de plasma... Parou! Já disse que acabou o recreio. Estou-me nas tintas para os pais, para a diretora, para o raio que os parta. Aqui é a criança que conta, só ela. Aos cinco anos, elas são finas como jamais voltarão a ser: a castigada e as colegas perceberam que ela foi humilhada. Isso é que conta. E o extraordinário é que esse facto revoltante foi dissolvido em discussões laterais. Aqueles cinco anos segregados, para a sala ao lado e para ao lado do almoço, tornaram-se um mero pretexto. Tantas causas, tão pouca compaixão.

domingo, 29 de julho de 2012

Albino Almeida, o PPP


Escola Secundária Sebastião e Silva

Retoiçava eu cerca de uma semana atrás, mais ou menos distraído, pela relva noticiosa da TVI24, quando, subitamente, as palavras do tratador, perdão, do pivot comunicador (ou ao contrário) zuniram com a força de um raio que me houvesse atingido os tímpanos, deixando-me em vertiginoso estado de desequilíbrio momentâneo. Num esforço quase sobre-humano, consegui, porém, retomar a presença de espírito necessária para perceber o que me acometera e dar-me conta das evoluções do fenómeno.

A força do que quase me derrubara provinha do inesperado do seu carácter: num qualquer concelho, cujo nome o choque me fez esquecer, autarquia, sindicatos de professores e associações de pais concordaram em que a extinção, decretada pelo ME, de onze (onze!) escolas era benéfico para as crianças, as quais passarão agora a frequentar uma outra, a estrear, maior e com melhores condições. Nem vestígios de bullying político, sindical ou outro. Harmónico consenso e tal.

Quase pensei ter acordado senão no céu pelo menos noutro país. Era bom demais e os (suponho eu) igualmente desorientados jornalistas deverão ter pensado o mesmo mas na perspectiva oposta, a do “ai!, que lá se vai o nosso negócio!, ai!, que querem dar cabo do nosso lindo Portugal!”. Pelo que terão ido a correr, em meio de atarantados tropeções, na direcção do telefone, ligar ao sr. presidente da CONFAP, o dr. Albino Almeida, que nunca lhes falhou com o sustento da indispensável tirada crítica.



Foto obtida aqui

Quando o presidente de todos os papás de Portugal entrou no ar, já eu me refizera o suficiente para o ouvir com uma atenção que se foi transformando em espanto: é que o PPP (presidente de  - todos -  os papás portugueses) nada tinha a dizer quanto ao fenómeno em si mesmo! Mas de Albino Almeida ainda o país terá muito a esperar, sem que sequer precise de gerar regularmente cidadãos pela vida fora ou sequer de os adoptar, para, deste modo, manter o estatuto que lhe permitiu alcandorar-se à nobre missão a que há anos se dedica. Pelo que não surpreenderá que, em quem o ouviu, haja ido diminuindo gradualmente o espanto, substituído uma vez mais pela admiração face à adequada, justa e subtil argumentação que desenvolveu perante os aplaudentes e reconhecidos profissionais da notícia.


Foto obtida aqui

Não se referindo, pois, ao assunto, frisou, todavia, Albino, algo que é vital ter em conta: se estas novas escolas foram construídas para resolver o problema do isolamento dos alunos que a diminuição da taxa de natalidade provocou nos pequenos agregados populacionais e, em simultâneo, proporcionar-lhes melhores condições de aprendizagem, o acentuar dessa diminuição fará, a médio prazo, que igual problema se ponha quanto às que agora se inauguram. E que é indispensável começar, desde já, a encarar frontalmente o problema e prover, na medida do possível, às suas consequências. Porque isto vai ser um “grave problema para o ensino” em Portugal.

Fiquei a matutar no significado profundo das palavras do PPP. A justeza do que apontou é indesmentível, a verificar-se a continuidade da tendência para a diminuição da natalidade. Não me parecia, no entanto, que isso pudesse vir a constituir um problema para o ensino e para a educação em si mesmos, a não ser que se considere como tal a redução do número de professores necessários para essa tarefa. Até porque, por outro lado, tal permitirá, tanto a alunos como a professores, usufruir de um maior espaço disponível para libertar e multiplicar e desenvolver as suas eventuais capacidades criativas e de investigação.

Lembrei-me, aliás, das escolas do regime do ditador Salazar da minha infância. O Liceu Nacional de Oeiras, por exemplo, a actual E. S. Sebastião e Silva, única escola secundária pública existente, até 1969, entre Algés e Cascais, foi construída para ser frequentada por 500 alunos. Disseram-me que, na década de 80, chegou a ser de 3000 a sua população escolar, e que, dadas as suas dimensões e estruturas, o ME terá mesmo pensado em instalar ali uma Faculdade. Imagine-se o potencial que, hoje, essa mesma escola não representaria para os alunos, em número para o qual foi originalmente planeada, num país livre e que promovesse um verdadeiro ensino.


Foto obtida aqui

Voltando, pois, àquilo que me motivou a escrever estas linhas de fim-de-semana. Posta de parte, por absurda e indigna do brilho da sua mente, a interpretação literal das palavras do dr. Albino Almeida (a não ser no caso de um oportuno, mas para todos impensável, mano-a-mano pontual com Mário Nogueira) apenas me restava supor nelas a existência de um outro significado, de carácter mais profundo e, como já disse, subtilmente enunciado. E foi então que o génio de Freud irrompeu na minha mente, não para que aplicasse os meus parcos conhecimentos de psicopatologia ao Querido Líder da paternidade lusa, mas antes a mim próprio. Porque, sem aparente razão plausível, irrompeu na minha zona de consciência uma frase de Tony Blair em simultâneo com uma outra, que se podia ver a cada passo em cartazes governamentais, nos anos 80 e 90. Passo a explicar.

Nenhum país  - Portugal, nesta fase da sua História, muito menos -  poderia prescindir de um cidadão com a envergadura intelectual e o dinamismo de Albino Almeida. O seu estofo levá-lo-á, quase inevitavelmente, a assumir, mais tarde ou mais cedo, um cargo governativo onde possa desenvolver uma acção decisiva para o sucesso do nosso destino colectivo. E o dr. Almeida, dotado de imparável argúcia, já se terá disso apercebido há muito tempo: a nação anseia por alguém com uma visão como a sua. Sendo, contudo, o PPP  - como Cavaco Silva -  um homem simples, que utiliza uma estratégia chã e directa na abordagem dos problemas mais complexos, não poderia, nesse plano, afirmar-se e competir com os chamados políticos de carreira, que utilizam nos seus discursos uma linguagem quase sempre aproximativa e, com frequência, metafórica. Pelo que haveria que adoptá-la e adaptar-se-lhe.


 Foto obtida aqui

Esta intervenção de Albino Almeida terá, provavelmente, dado o sinal de partida para o seu futuro percurso político, com um grau de elegância equivalente à deslocação que o sr. Presidente da República fez, em 1985, à Figueira da Foz, para rodar o seu novo Citröen. Aproveitando uma das mais recentes manifestações de preocupação do Professor Doutor Cavaco com o Portugal do século XXI, o PPP reforçou-a e apelou indirectamente à nação para resolver o verdadeiro problema, o que se encontra na raiz mesma do das escolas abandonadas.

A única solução é, efectivamente, aumentar a taxa de natalidade ou, em linguagem popular, fazer filhos. Cavaco já disse aos seus concidadãos que é dever de todos gerá-los, que a Pátria precisa de meninos. Nisso se opõe a Tony Blair que incitava os ingleses a fazerem mais sexo oral. E foi também no decorrer dos governos de Cavaco Silva que houve um enorme incremento de incentivos ao FEDER, que em múltiplas obras se viam cartazes em que se podia constatar o apoio que o FEDER lhes dera. Freud, tal como o algodão, não me enganou nos seus caminhos ínvios.


Foto obtida aqui

O dr. Albino não o disse, porque seria pouco aconselhável ir assim directamente ao assunto. Mas terá assumido, em espírito, e exprimido, sugestivamente, essa linha traçada por aquele que poderá vir a ser, um dia, um seu antecessor  - afinal, em que é que o dr. Albino Almeida é menos do que o dr. Fernando Nobre para poder encabeçar qualquer candidatura de cidadania? Pois bem, eu declaro desde já a minha decisão de, nesse caso, lhe dar o meu voto. Nada me agradaria mais do inserir-me incondicionalmente na acção patriótica para que o seu discurso aponta, da qual sou um adepto entusiasta desde muito novo.

A minha única dúvida reside no mote da campanha que, para maior contundência, Albino Almeida deveria adoptar. Num tom assertivo, de comando, talvez

QUE SE FODA A NAÇÃO!

ou, tout-court,

FODA-SE!

Não sei, mas sei que ganhei aquele dia. É que se a espertalhice me enoja, a inteligência encanta-me.


Foto obtida aqui


À atenção de Mário Nogueira!


Vi, há pouco mais de uma hora, na TVI, uma reportagem sobre a aldeia de Bemposta, Penamacor, onde a população menor de 60 anos não ultrapassa as 20 pessoas e apenas existe uma criança, de 4 anos de idade.

A escola está fechada!

Os professores passaram do horário zero ao plantio de couves na Zona Pedagógica!

Professores, todos a Bemposta!

JÁ!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Nogueira & Albino, a mesma luta

Alguma vez em Portugal um ministro da Educação reuniu simultaneamente com sindicatos de professores, sindicatos de funcionários, sindicatos de inspetores, associações de pais e associações de diretores? Não há memória de uma coisa dessas, por isso aquilo que se passou hoje no ministério da Educação mais não foi do que uma coreografia destinada a desgastar Nuno Crato: Nogueira & Albino apareceram lado a lado para reunir com o ministro e o malvado não os recebeu.
A Fenprof e Confap andam agora ao mesmo, porque lá bem no fundo são farinha do mesmo saco. É completamente irrelevante aquilo que Albino fez aos professores no passado, desde que a Escola Socialista seja defendida.

terça-feira, 10 de julho de 2012

No tempo da outra senhora

No tempo da outra senhora os resultados dos exames eram excelentes, o processo decorria sem falhas, o sistema educativo atingia altos níveis de desempenho fruto de uma política educativa avançada e o  primeiro-ministro apareceria durante 15 dias na televisão a receber os parabéns dos alunos e os louros dos pais.
No tempo atual não é bem assim: o ministro mostra-se insatisfeito com os resultados e o Albino não se conforma com o nível de dificuldade dos exames. A outra senhora é que era fixe.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um texto de Teolinda Gersão sobre a «nova gramática» (recebido por email)





Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles. Aqui ficam, e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. ”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados; almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas.

Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente. No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa. No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço? A professora também anda aflita. Pelos vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice.
 
Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim.
 
Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão.

E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros, não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: “Ó João, onde está a tua gramática?” Respondo: “Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.”

João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).

domingo, 3 de junho de 2012

O novo estatuto do aluno

Foi anunciado mais um estatuto do aluno, com as habituais promessas de penalizações para os alunos e de benesses para os professores, vulgo, reforço da sua autoridade. No essencial trata-se do repetir os sound-bites do passado, que todos os governos já fizeram, e que até hoje não tiveram qualquer impacto positivo nas escolas. E com maioria de razão porque desde que Nuno Crato é ministro nada de substancial mudou  no ensino.
As medidas agora anunciadas voltam a repetir os erros dos estatutos anteriores. Onde antes estava um burocrático PIT, que só servia para castigar o diretor de turma, aparecem agora umas tarefas a favor da comunidade, que soam a benaventês do mais retinto. Nem se imagina a quantidade de papeis que o pobre diretor de turma terá de preencher antes de conseguir colocar um dos alunos mal comportados a varrer o pátio. Já para não falar das inúmeras comunicações que terá de fazer para a CPCJ e para o SASE. As novas intenções ministeriais ficarão paralisadas na imensa cultura de burocracia que impera nas escolas. É quase inacreditável que a atual equipa governativa não saiba que é isto que vai acontecer.
Se o ministério da educação quiser realmente tratar da indisciplina, deve primeiro reconhecê-la como o principal problema do ensino português, depois deve dar mais ouvidos aos professores para realmente saber o que se passa no terreno, e por fim adotar algumas medidas para diminuir a balbúrdia generalizada:  1 - tornar os atuais processos disciplinares hiper-burocratizados em processos disciplinares sumários e simplificados, onde a aplicação de sanções seja fácil, rápida e barata; 2 - incluir o comportamento dos alunos no seu registo de avaliação, classificando-o de um a cinco e contabilizando-o para efeitos de aprovação/reprovação como se de uma disciplina se tratasse; e 3 - criar um cargo de professor-instrutor a tempo inteiro, unicamente para tratar dos casos de indisciplina da escola. Para começar chegava. Basta quererem.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Preparem-se: vêm aí os coristas do humanismo!


A proposta para o novo estatuto do aluno, aprovada hoje em conselho de ministros, prevê que os pais de alunos faltosos ou indisciplinados possam ser punidos pelo comportamento dos filhos através do pagamento de multas ou da redução dos apoios sociais.
De acordo com a proposta, que terá ainda de ser discutida e aprovada no Parlamento, as escolas passarão a ter de comunicar obrigatoriamente à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco ou ao Ministério Público sempre que o aluno, depois de ultrapassar o limite de faltas, continuar a não ir às aulas ou tiver uma suspensão superior a cinco dias. Nestes casos, os encarregados de educação poderão ter de frequentar programas de "educação parental", por exemplo.



As famílias mais carenciadas, cujos filhos são apoiados pela Ação Social Escolar, poderão perder os apoios relativos à compra de manuais escolares, em substituição do pagamento da multa.



Já os alunos poderão ser obrigados a reparar e indemnizar os danos causados na escola ou às pessoas. Filmagens e difusão de vídeos ou fotos captados sem autorização no estabelecimento de ensino terão de ser punidos. 


Trabalho comunitário 




Para reforçar a autoridade dos professores, o diploma alarga de um para três dias a possibilidade de o diretor suspender um aluno, sem  ter de abrir um processo mais formal, bastando, para isso, a audição do estudante ou do encarregado de educação, no caso daquele ser menor.



O Governo quer ainda tornar mais rígido o atual regime de faltas. Se um aluno é expulso da sala de aula, terá obrigatoriamente marcação de falta injustificada. Até aqui, cabia ao professor a decisão de assinalar ou não essa falta. Também os atrasos e o esquecimento do material escolar vão ser equiparados às faltas de presença.
A proposta põe fim à realização obrigatória de planos individuais de trabalho - que contemplavam provas avaliadas pelos professores - por parte dos alunos faltosos. Caberá à escola decidir quais as medidas a aplicar a estes estudantes, que poderão passar por "tarefas socialmente úteis" para a escola ou para a comunidade, após o período de aulas.



O novo "Estatuto do Aluno e Ética Escolar" confirma o agravamento das penas em 1/3 em relação a crimes praticados contra professores.

domingo, 27 de maio de 2012

Benaventismo-Rodriguismo

Os resultados de anos e anos de ensino socialista começam a surgir: vem ai uma catástrofe nos teste intermédios de matemática. É a ressaca do 'eduquês' das competências, do ensino centrado no aluno, do ensino inclusivo, da burocracia labirintica, da indisciplina galopante, do facilitismo, da perseguição e desautorização dos professores, dos planos disto e daquilo, dos projetos de fachada, do show-off, das montanhas de papel, da relação com a comunidade, das ações de formação em dança tibetana, dos coitadinhos dos alunos, dos pais a mandar na escola, dos psicólogos a mandar nas aulas,  de todos a mandarem nos professores e do direito ao sucesso
Alguém que peça contas à parelha Ana Benavente/Lurdes Rodrigues.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A mentira da Educação



Diz Ramiro Marques, no ProfBlog (via Fiel Inimigo):



A nossa Educação Pública vive há décadas sobre uma mentira: a ideia romântica e inquestionável de que todas as crianças e adolescentes são capazes de chegarem até onde elas ou os pais delas quiserem.

Toda a gente finge que acredita neste axioma. Na verdade, ninguém acredita nele mas todos fingem que este axioma é uma verdade inquestionável.
Quem ousa manifestar dúvidas, apontando exemplos de crianças e adolescentes que, por mais que os professores se esforcem, não conseguem chegar onde os pais querem que elas cheguem, é estigmatizado de diversas maneiras. A mais comum é levar com a etiqueta de conservador.

Chegámos a uma situação em que é de mau tom afirmar aquilo que todos conhecem: há crianças muito inteligentes, outras que o são medianamente e outras ainda que são muito lentas a aprender. E há crianças que se esforçam muito, outras que se esforçam pouco. E há algumas que adoram aprender e outras que se cansam facilmente.

E, por fim, há crianças que adoram a escola e outras que a detestam.

A falácia da escolaridade obrigatória e de uma via única para todos é aceite de forma inquestionável. O resultado está à vista: os gastos com a Educação não cessam de subir e os resultados não passam da mediocridade.

Todos nós sabemos isso mas fingimos que não é verdade. E vamos repetindo até à exaustão o contrário. Fazê-mo-lo em todo o lado: nos relatórios que elaboramos, nos planos que desenhamos, nos trabalhos que redigimos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Foi bonita a festa

Depois de ter ajudado a arruinar o país e de ter enterrado os professores e o ensino, a insuportável ex-ministra da educação Lurdes Rodrigues vem agora gabar-se que a Parque Escolar é um exemplo de boa prática de gestão, chegando ao ponto de declarar que a construção de escolas foi uma grande festa. Grande e cara, que o digam os contribuintes portugueses que terão de arcar com os 3 mil milhões de dívidas deixados pelo grande salto em frente que decretou para o ensino.
O nível de descaramento dos ex-governantes não tem limites e está mais que visto que voltariam a fazer tudo outra vez.