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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ventos político-financeiros




Não consigo perceber a insistência histérica do PCP em exigir a nacionalização do BES.

Ou será que percebo...?

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

“E o burro sou eu…?”


Nicolau Saião, O burro sábio


O presidente da Venezuela acredita que viu a cara de Hugo Chávez refletida numa rocha durante a escavação do metropolitano de Caracas. Nicolás Maduro veio a público mostrar algumas fotos onde diz que consegue ver o seu antecessor.

«Vejam esta figura que apareceu aos trabalhadores. Podem perguntar-lhes. (...) É uma cara. E quem está nesta cara? É um olhar, o olhar que está em todos os lados, inclusivamente nos fenómenos sem explicação. (...) Para que vejam que o que dizemos é verdade - Chávez está em toda a parte, Chávez somos todos nós», sublinhou o atual presidente da Venezuela.

Esta não é a primeira vez que Nicolás Maduro diz ter presenciado uma aparição do ex-líder venezuelano, que morreu dia 5 de março, vítima de cancro. Durante a campanha para as eleições presidenciais, o atual presidente da Venezuela revelou que um passarinho que o acompanhara durante uma oração era o espírito de Chávez e assumiu também ter feito reuniões governamentais junto ao túmulo do antigo líder.


(Da imprensa internacional)


Evidentemente que os líderes como Chávez podem aparecer onde lhes der na gana. E dentro em breve começará a fazer milagres, como certas personagens fideístas como as que nós bem conhecemos dos livros sagrados, dos relatos de pequenos videntes, etc.

Por enquanto o ambiente pró-popular, naquele grande país irmão do anterior governo socrático (“Mi casa és tu casa”, recordam-se?) cifra-se neste aparecimento e no simultâneo desaparecimento de inúmeros bens essenciais das lojas e outros locais de venda…

Maduro sabe o que faz (e o morto-vivo também). Espera-se que os índices de aparições vão subindo graciosamente, acompanhando o progresso e o bem-estar que se poderá adivinhar…milagrosamente.

Contra factos (a governação inspirada de um vivente apoiada por um defunto muito operacional) não há argumentos.

 Mesmo de tipo freudiano. E o resto é conversa!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

É ASSIM QUE SE FAZ A HISTÓRIA




  Quando, nos princípios do século em que nos encontramos, num dos mais conhecidos blogs portugueses da altura – foi o tempo mais ou menos heróico em que apenas o arqui-famoso “Barnabé” nos levava claramente a palma no ranking da blogosfera – escrevi que o defuncionado ex-“dirigente” da Líbia não passava de um delinquente de direito comum elevado pelas torções da História ao papel de grande-chefe, um coro de protestos, oriundo de uma pseudo-esquerda no género da que em anos férteis tecia louvores a Stalin e a Beria, caiu-me em cima com o intuito, sei lá, de me desvirginarem politicamente…

  Um deles, mesmo (cujo nome nunca direi, talvez por pura comiseração) e que usava pavonear-se com a designação de poeta, chegou a aventar a ideia, ou a proposta – se assim se poderá designar… – de  que seria interessante amaciarem-me as costelas com um par de afagos certeiros, o que daria conforto a todos os que eram adeptos dos amanhãs que cantavam.

  (No entanto, ninguém seguiu os salutares propósitos do dito bisnau e alguns terão quiçá, prudentemente, lembrado ao de leve o facto de que eu fora nos tempos de menino e moço vice-campeão ibérico de pugilismo militar, meios-médios ligeiros, o que é sempre uma desilusão para guerrilheiros amadores).

  Bom… mas adiante.

 E eis senão quando a publicista francesa Annick Cojean, de forma significativa, vem dar estas achegas à História e, dentro dela, à petite histoire mais nauseabunda.

  Mas, contudo, poderosamente esclarecedora sobre os hábitos deste herói progressista – modelo de outros ainda que menos operativos…


“Um novo livro sobre Muamar Khadafi faz revelações bombásticas sobre a forma como o antigo ditador líbio satisfazia os seus mais secretos desejos sexuais. A jornalista do «Le Monde», Annick Cojean, conta como Khadafi raptava e violava jovens para se satisfazer sexualmente.

Para fazer estas revelações, Annick Cojean dá voz a Soraya, uma menina levada para o harém de Khadafi quando tinha apenas 15 anos. Nessa altura, ela foi «escolhida» pelo antigo ditador durante uma visita que fez à escola onde a jovem estudava: quando ela lhe ofereceu um ramo de flores, ele colocou-lhe a mão sobre a cabeça, num ato paternalista. Esse era o sinal para os seguranças que o seguiam de que aquela menina tinha sido escolhida.

No dia seguinte, os homens de Khadafi foram buscar Soraya ao salão de cabeleireiro da mãe. Durante sete anos, conta que foi violada, espancada, forçada a consumir álcool e cocaína e depois integrada nas tropas das «amazonas» de Khadafi.

«Ele violou o meu corpo, mas perfurou também a minha alma com um punhal. A lâmina nunca saiu», conta Soraya no livro de Cojean.

Inúmeras mulheres, provavelmente dezenas ou mesmo centenas terão tido o mesmo destino de Soraya. Talvez nunca se saiba ao certo, já que o assunto ainda é tabu na Líbia.

No livro «O Harém de Khadafi», Annick Cojean diz que procura devolver um pouco de dignidade a mulheres cuja vida foi destruída por um monstro. A jornalista esteve meses em Tipoli para investigar a história de Soraya e diz que encontrou uma sociedade decadente, corrompida pelo crime e pela prostituição.

No livro, cujos excertos são avançados esta quinta-feira pela imprensa mundial, conta-se que Khadafi também abusaria de rapazes, em frente ao seu harém. O livro relata ainda os abusos de álcool, droga, tabaco e Viagra. Conta ainda como Khadafi usava as mulheres para se satisfazer sexualmente, mas também para exercer o poder: ao raptar as mulheres, o ditador subjugava os homens que estavam perto delas, como os maridos ou os pais
.

(dos jornais)

Nota – Em breve – ultrapassando este período em que o Tempo e o nosso tempo foi fértil em assuntos momentosos que fazia sentido relevarem-se – voltaremos o enfoque para as artes & letras, nomeadamente através de figuras cujo labor artístico de primeira água faz a diferença em lugares como o Brasil, França, Espanha, Portugal…

sexta-feira, 21 de junho de 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013

PRIMAVERA ESCALDANTE


(foto obtida aqui)



Em Tunes os bondosos militantes islamitas, sob a sua capa salafista invadiram o centro da cidade e, para não ficarem mal na fotografia como mansarrões, escavacaram quanto lhes apareceu na frente. A certa altura a polícia, farta de levar garrafadas, pedradas e alguns tiritos para compor a festa, puxou dos galões e deixou-se de cantigas: prendeu 200 mais aguerridos.

E fez muitíssimo bem, para desespero contudo dos grandes democratas do Hamas e do Hezbollah, que já juraram ir pôr tudo a ferro e fogo.

Os esquerdistas de todo o mundo, cuja característica mental/intelectual é pensarem tudo ao contrário (citando o Prof. Jorge Gaillard Nogueira, assumirem "expectativas de milagre") fartaram-se de apregoar uma tal "primavera árabe", que afinal qualquer pessoa lúcida suspeitava ia ser um"inverno salafista". Ou seja, negrume islamita.

E aí está a dura realidade, insofismável, real como punhos. Ou será que, como refere por seu turno o ensaísta Pedro Lopes Cardigos, eles sabiam isso, apenas simulavam para, dessa forma, darem apoio ao fascismo verde? A dúvida faz sentido.

Curiosa é esta aliança, aparentemente contranatura, entre a verbosidade esquerdista e as acções muçulmanas. Os "bons espíritos"encontram-se?

quinta-feira, 14 de março de 2013

ALTO E PÁRA O BAILE ou UM HOMEM NÃO É DE PAU!




   Por vezes um tipo tem mesmo de se assustar. De ficar com os olhos não digo em bico mas redondos como berlindões esbugalhados. E o caso não é para menos…

   Pois não é que estávamos todos mais ou menos postos em sossego, apesar de tristes (snif) devido à morte do nosso querido líder Chávez, filado por um simples e honesto cancro – e de repente, como nos filmes do Hitchcock, ficamos todos a saber que, segundo revelou o camarada Maduro (este nome vale um soneto!) o comandante fora catrafilado sim por um truque minaz dos americanos que (de acordo com o mesmo maduro, vai ser provado por cientistas mundiais requisitados para o efeito) lho cravaram no pelo à má fila?




  Um homem não é de pau, c’um raio, esta marotice faz-nos ficar de unhas encravadas! Que é como quem diz. Trocado por miúdos: a malta do Tio Sam tem para estas maldades tecnologia que só visto.




  Mas antes de termos tempo de respirar profundamente, devido à surpresa estralejante, o mesmo nosso maduro revelou outra, se não tão bicuda pelo menos mais excitante dum ponto de vista conceptual: o oposicionista Cabrilles, que anda lá a chatear os bolivarianos com a mania das democracias não-populares e populistas, afinal… é panasca. Ou, por outras palavras, homossexual, como o excelente Maduro disse educadamente ao dirigir-se à população daquele “fim-do-mundo” sul-americano (para citarmos a expressão já histórica do bom Papa Francisco).




  Ele há coisas levadas do diabo, passe a expressão. E até ao lavar dos cestos (ou seja, até ao fim das eleições, em que o Maduro se verá posto em figura verdadeiramente presidencial, carago, ainda que não embalsamado) de certezinha que outras revelações bombásticas, de maior ou menor fino recorte, serão dadas ao Povo, para ir tirando a fotografia aos malandrecos dos não chavistas ou maduristas (não partidários das madurezas, se assim me posso exprimir).




  É só, creio eu, darmos tempo ao tempo…



segunda-feira, 11 de março de 2013

Planeta muçulmano ou Arrufos ideológicos fascistas




A foto verdadeira (à direita) e a montagem que surgiu em alguns sites iranianos (à esquerda)Fotografia © DR


Título, texto e foto retirados daqui.


Ahmadinejad debaixo de fogo por consolar mãe de Chávez

Na cerimónia fúnebre de adeus ao líder venezuelano, o Presidente iraniano foi fotografado com o rosto junto ao da mãe de Chávez e de mãos dadas. Os muçulmanos estão proibidos, por tradição, de tocar em mulheres que não sejam da sua família e em alguns sites iranianos, a foto foi alterada.

A divulgação da imagem gerou uma onda de críticas no Irão. Um membro da Sociedade do Clero Combativo de Teerão, Hojat al-Islam Hossein Ibrahimi, disse segundo o site Al Monitor que "em relação ao que é permitido (halal) e o que é proibido (haram), sabemos que nenhuma mulher que não seja familiar pode ser tocada a não ser que se esteja a afogar ou precise de tratamento médico".

Alegadamente, os apoiantes do Presidente tentaram proibir a publicação da fotografia, sem sucesso. Depois, a versão online do Iran Newspaper, chamada Shabakeye Iran, terá vindo em defesa de Ahmadinejad, dizendo que o Presidente tentou cumprimentar a mãe de Chávez, Elena Frías, juntando as mãos e levantando-as, mantendo a distância, como fez noutras ocasiões com outras mulheres.

Mais tarde, começou a circular uma fotomontagem na qual, em vez de Elena Frías, o rosto de Ahmadinejad surge junto ao de um homem. Este é apresentado como sendo um tio do falecido presidente venezuelano. O site conservador Entekhab, que tinha criticado Ahmadinejad, apressou-se a pedir desculpa ao presidente, pensando que esta era a verdadeira fotografia e acusando o jornal britânico 'Daily Telegraph' de ser o responsável pela "fotomontagem" em que se via a mãe de Chávez.

Mas algumas horas depois, retiraram o pedido de desculpa, ao descobrir que o homem da segunda foto é Mohamad El Baradei, o antigo diretor da Agência Internacional de Energia Atómica e atual figura figura da oposição egípcia. Na foto original, El Baradei cumprimentava o presidente do Parlamento egípcio, Ali Larijani.

domingo, 10 de março de 2013

Elogios da loucura



(imagem obtida aqui)


Um novo texto, a não perder, de Alberto Gonçalves, no DN:


O que falta dizer sobre Hugo Chávez que ainda não tenha sido dito? Quase tudo. Embora as convenções aconselhem a não insultar um morto recente, o bom senso dispensaria a veneração respeitosa que por aí vai, mais adequada a um santo do que a uma personagem pouco recomendável.

Imagine-se um insignificante militar transformado em agitador, que jovialmente mistura a leitura de três citações de Marx com a incarnação de Simon Bolívar, por acaso um ódio particular daquele. Imagine-se que o agitador promove sucessivas conspirações "anticapitalistas" até tentar, e falhar, um golpe de Estado. Imagine-se que, após breve passagem pela cadeia, regressa à agitação e, mediante um talento inato para o populismo, alcança finalmente o poder pela via democrática, que se apressa a demolir de modo a perpetuar o seu reinado. Imagine-se que não falamos de Berlim em 1933, mas de Caracas em 1998: eis Chávez, cujas semelhanças com o velho führer terminam aí.

Privado da força necessária, Chávez não invadiu os seus inimigos, limitando-se a atirar-lhes adjectivos e fúria analfabeta. No resto, só moderadamente difamou e perseguiu a comunidade judaica, só se aliou a líderes psicopatas para efeitos simbólicos e só causou estragos em terceiros no que toca à paciência. Se descontarmos certa influência nas repúblicas das bananas vizinhas, a acção devastadora de Chávez circunscreveu--se à Venezuela, que sob o carismático da praxe viu suprimida a liberdade de expressão, incrementada a violência (oficial e civil), saqueada a propriedade privada, potenciada a corrupção e reduzida a economia à estrita dependência do petróleo, o qual, mal por mal, impediu a bancarrota absoluta. Os simpatizantes de ditaduras aplaudem as "políticas sociais", leia-se as migalhas com que a nomenclatura do regime, crescentemente multimilionária, comprou os votos dos miseráveis. Em determinadas franjas do Ocidente do século XXI, o estereótipo do "pai da pátria" continua a suscitar ternura.

Sem surpresas, em Portugal o falecimento de Chávez não ajudou a lembrar estas trivialidades. A generalidade dos media, vergada ao alegado fascínio do "comandante", tratou a coisa com desmesurada pompa e inusitado detalhe, decidindo esclarecer-nos pela enésima vez que um tirano, logo que prospere à custa da invocação dos oprimidos, é um "revolucionário". Quanto à classe política indígena, que ao dito alto nível já celebrara Chávez em vida (ver, por favor, a comenda atribuída por Jorge Sampaio, as vénias de Mário Soares e a admiração aparentemente sincera de José Sócrates), resolveu cobrir o ditador de elogios fúnebres, menos grotescos à direita (o "amigo de Portugal", de acordo com Paulo Portas) do que à esquerda (o combatente do "liberalismo e do capitalismo selvagem", de acordo com Alberto João Jardim).

Em qualquer dos casos, as opiniões são irrelevantes: a obra de Chávez revela-se no seu legado, desde os herdeiros políticos que recuperam a hilariante tese do cancro infligido (pelos EUA, claro) ao típico encobrimento da doença (há um par de semanas, a Embaixada da Venezuela acusou-me de exagerar a respectiva gravidade), desde o cortejo de luminárias presentes no funeral (Ahmadinejad, o segundo Castro e o sr. Lukashenko da Bielorrússia tiveram dieito a lugares de primeira fila; Kadhafi não durou o suficiente) até ao embalsamento do cadáver (à semelhança, garantiu o sucessor Nicolás Maduro, "de Ho Chi Min, Lenine e Mao Tsé-tung"). Por enquanto, a loucura folclórica do "chavismo" sobrevive ao seu mentor.


terça-feira, 5 de março de 2013

Do apartheid islâmico e do fascismo sonso





Leia-se, com atenção, o que aqui se diz:


A terceira Maratona Internacional de Gaza foi cancelada depois do movimento islâmico Hamas proibir a participação das mulheres na prova, anunciou hoje a Agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), que organiza a corrida.

«A UNRWA lamenta anunciar o cancelamento da terceira maratona da agência, que se iria realizar no dia 10 de abril. Esta decisão dececionante surge no seguimento de conversas com as autoridades de Gaza, que proíbem o envolvimento de qualquer mulher», pode ler-se no comunicado emitido pelo organismo.

De acordo com a agência humanitária, estavam inscritas 807 pessoas, divididas entre cidadãos locais e estrangeiros, sendo que cerca de metade dos participantes seriam do sexo feminino.

«O Hamas não permite a participação das mulheres nesta prova tão importante. Eles [Hamas] estabeleceram essa condição há algum tempo e, apesar das negociações, não conseguimos», disse o porta-voz da UNRWA em Gaza, Adnan Abu Hasna.

Em edições anteriores, cidadãos estrangeiros participaram na corrida ao lado de centenas de mulheres palestinas com indumentárias tradicionais – vestidos compridos e lenços na cabeça.

«Lamentamos a decisão de cancelar a maratona, mas não queremos que os homens e mulheres estejam juntos», declarou o secretário-geral do governo do Hamas, Abdessalam Siyam.

Repare-se como o "lídimo representante da resistência e da coragem do heróico povo mártir palestiniano" é, subitamente, na boca sonsa da canalha da social-comunicação, despojado das suas acções e funções políticas, para passar a ser somente "um movimento islâmico", uma coizeca do caixote do lixo da História do pugressismo muitàfrente.

Repare-se como a canalha do Hamas é subtraída pela canalha da social-comunicação à visão do que realmente é: o agente de uma mentalidade opressora, assente numa religião que, desde o seu aparecimento, no século VII, se traduz num projecto, politicamente fascista, de expansão fulminante e violenta, que pratica a discriminação e o apartheid entre seres humanos e que, por isso, é incapaz de conviver com a sociedade israelita de homens livres.

Repare-se como, no mesmo dia, a nauseabunda canalha da social-comunicação procura desviar a atenção desse abjecto apartheid com base no sexo que se encontra na raiz da própria visão muçulmana e do Estado que ela origina e  sustenta, dando voz a uma qualquer representante de não sei quê, hipócrita (ou apenas estupidamente) indignada com o apartheid que a medida de segurança determinada pelas autoridades israelitas, pela qual os "palestinianos" passam a ter autocarros à parte, constituiria.

Repare-se, em suma, como, através de tal expediente, a canalha da social-comunicação procede na linha da melhor tradição hitleriana,  instituindo a mentira como virtude pugressista-sucialista de tasca de fina intelectualidade do Bairro Alto e afins.

Repare-se. Mas repare-se bem.

domingo, 3 de março de 2013

Que se lixe a lucidez




Uma vez mais Alberto Gonçalves, no DN:


Questionada por um canal televisivo, uma das organizadoras do movimento "Que se Lixe a Troika" explicou que um Governo que não cumpre o programa eleitoral deve ser demitido, pressuposto que tornaria inúteis quaisquer governos e, consequentemente, quaisquer eleições. Aliás, suspeito que o objectivo não anda longe disso: quando a seguir lhe perguntaram se defendia a marcação de "legislativas" antecipadas, a senhora hesitou e, um bocadinho contrariada, lá acabou por responder que "essa é uma das formas", ainda que o importante seja atender à "vontade do povo". A senhora esqueceu-se de descrever como é que a "vontade do povo" se expressa na ausência de sufrágio universal, embora não custe imaginar que a coisa passaria por um sumário processo "directo" que depositasse a senhora e os heróis/amigos/primos da senhora no poder e merecidamente desprezasse os escassos milhões de reaccionários que teimam em votar no PSD e no PS.

Não pretendo insinuar que os milhares de participantes nas manifestações de ontem partilham esta curiosa interpretação da democracia. Sucede que, ao participarem na folia, acabam por legitimar as alucinações dos respectivos mentores. E as alucinações são diversas.

Uma das mais bizarras está explícita na designação daquilo. Mandar lixar a troika é um gesto nobre. Infelizmente, é também um gesto estúpido, sobretudo quando não se parece estar preparado para suportar as consequências da exclusão dos famosos mercados, talvez do euro e, um épico dia, da União Europeia. Para já, enxotar a troika equivale a abdicar dos empréstimos que mantêm isto a funcionar e, apesar dos apertos, conferem ao País um simulacro de normalidade. Os manifestantes do "2 de Março" (a profusão de datas "históricas" tende a preencher o calendário inteiro) não pensam assim.

Na verdade, dificilmente se pode dizer que pensem de todo. O "raciocínio", desculpem o exagero, é o seguinte: na ausência da troika, a austeridade termina e Portugal, na prática sem dinheiro para mandar cantar Stevie Wonder, fica teoricamente abonado e, enquanto diminui os impostos, volta a apostar no "investimento público", na "modernidade" e no "progresso social". Dito de outra maneira, recuse-se o crédito, diminua-se a receita e aumente-se a despesa, tese que para um leigo faz tanto sentido quanto doar uma prótese dentária a um cadáver decapitado, mas que para os especialistas em economia que desfilam pela ruas constitui a solução evidente. Meus caros, contas assim são compreensíveis no cerebelo do sr. Arménio da CGTP, nos peculiares empresários da CIP e nas medidas regeneradoras do dr. Seguro, não em cidadãos que se querem responsáveis.

Ou se calhar não querem. Se quisessem, antes da troika teriam mandado lixar os sujeitos que tornaram a troika inevitável. Se quisessem, antes da austeridade marchariam contra o Estado cuja preservação obriga à austeridade. Se quisessem, antes de berrar lugares--comuns, reflectiriam no absurdo dos mesmos. O Governo é péssimo? Com certeza, porque assalta os cidadãos a fim de garantir o statu quo de que os cidadãos, pelo menos os que desfilam em protesto, não abdicam. Que, com os seus defeitos, interesses e ilusões, a troika insista em patrocinar semelhante manicómio não é um cataclismo: é um milagre. E, a prazo, provavelmente uma inutilidade.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Quatro apontamentos de Alberto Gonçalves...



(imagem obtida aqui)


... aqui, no DN:



Os fascistas espontâneos

O adjectivo mais divertido para qualificar o movimento de pândegos que calam e insultam governantes ao som de Grândola, Vila Morena é "espontâneo". Aparentemente, os pândegos não se conhecem de lado nenhum, por sorte encontram-se em eventos que contam com a presença de ministros e, num fenómeno que desafia a lei das probabilidades, desatam a entoar a referida cantilena e a gritar "Fascistas!" em uníssono.

Notável, não é? Os pândegos podiam não se ter cruzado, podiam ter ido à bola ou ao circo, podiam ter cantarolado um sucesso de Shakira e gritado "Olha o robalo fresquinho!". Mas não. Uma e outra e outra e outra vez acertaram na hora, no local, na cantilena e na palavra de ordem. Tudo, claro, de forma espontânea. Desde que um gémeo comeu ostras e o irmão apanhou uma intoxicação alimentar que não havia notícia de coincidência assim. Nem de patranha assado.

A tentativa de sublinhar a "espontaneidade" destes episódios não é inocente. O facto de os incidentes serem encomendados (e convocados via Facebook) pelos grupinhos do costume, especialistas em recorrer à tolerância do regime para treinarem os sonhos do derrube do regime, não cai tão bem. Tratar a Grândola e os insultos como obra do acaso confere à coisa uma aura inevitável e genérica. No fundo, sugere-se que o povo em peso ciranda por aí a silenciar "fascistas" com a sua indignação.

E há quem não se fique pela sugestão. Numa coluna lindamente intitulada "Keynesiano, graças a Deus", Nicolau Santos, director-adjunto do Expresso, jura que "as pessoas" estão "fartas, fartissimas [sic], de políticos que não respeitam e a quem não reconhecem um pingo de credibilidade." Logo, prossegue o dr. Nicolau, "o facto de não o deixarem falar em público só mostra que o ministro Relvas não percebe isso mesmo: que foi julgado e condenado."

Naturalmente, o dr. Nicolau confunde, ou finge confundir, os inúmeros cidadãos que desconfiam dos méritos académicos do dr. Relvas com as dúzias de intérpretes ambulantes da Grândola. O dr. Nicolau não percebe, ou finge não perceber, que o bizarro exercício de censura a membros de um Governo eleito é uma afronta aos que o elegeram. Por fim, o dr. Nicolau esquece-se, ou finge esquecer-se, de que a falta de credibilidade do político que aldraba o currículo é idêntica à do jornalista que promove um currículo aldrabado - e ao que se vê nenhuma implica necessariamente a demissão.

Em matéria de "keynesianos", prefiro, Deus me perdoe, Augusto Santos Silva. Embora movido pela (defensável) vontade de reprovar a apatia de Cavaco Silva, o ex-ministro socialista afirmou, sem nenhum dos habituais "mas" pelo meio, que a praga de "Grândolas" é um comportamento, cito, "anti-democrático": "O que esteve em causa foi uma limitação ilegítima à liberdade de expressão de uma pessoa."

Nunca fui admirador do dr. Santos Silva e nunca deixarei de achar que a permanência de Miguel Relvas consome escusadamente um Governo com consumições de sobra. Porém, nunca, quer no apogeu da tragédia "socrática" quer na demência fiscal dos seus sucessores, me passou pela cabeça que não podia haver pior. Pode, sim senhor, e os bandos de cançonetistas "espontâneos" dissipam todas as dúvidas a propósito. Perante tais emanações totalitárias, na boca das quais a palavra "fascistas" é uma afirmação identitária e não um ataque, uma pessoa quase se sente inclinada a gostar do "dr." Relvas e a pedir-lhe que se demore no ministério um bocadinho. Só um bocadinho.


A procuradora Cândida

Para que serviu a excelentíssima senhora procuradora Cândida Almeida, agora enxotada das funções no DCIAP? Para, entre outras coisas bonitas, chefiar a investigação a uma série de casos duvidosos ligados à política e à finança, do Freeport aos submarinos, do Monte Branco às Parcerias Público-Privadas, e, no fim, concluir jovialmente que "os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos, Portugal não é um país corrupto".

Cândida, de facto. O Índice de Percepção da Corrupção, elaborado pela Transparência Internacional (TI), coloca-nos em 33.º lugar na matéria em 2012, três degraus acima do lugar de 2011 mas, ainda assim, nos fundilhos do Ocidente. Salvo pelo último ano, Portugal mostra uma tendência longa e inabalável para se afundar na tabela, onde por exemplo em 2006 ocupava o 26.º posto. De resto, mesmo sem a ajuda de instituições externas, o cidadão médio é capaz de concluir sem dificuldades que os negócios caseiros assentam mais na impunidade do que na honestidade. Ou o cidadão médio é idiota e a TI trapaceira ou a excelentíssima senhora procuradora não procurou bem.


Assédio ideológico

Não me compete julgar o caso de D. Carlos Azevedo, suspeito de assédio sexual a pelo menos um sacerdote católico. Em primeiro lugar, não sou juiz. Em segundo lugar, não sou crente. Em terceiro lugar, consta que as eventuais indiscrições do bispo envolvem cidadãos adultos. Em quarto e espero que último lugar, todos recordamos histórias nas quais suspeitos similares, inclusive de pedofilia, acabaram celebrados pelos representantes do povo no edifício da Assembleia da República. No que respeita a sexo, nosso e dos outros, é preciso cautela.

De resto, o julgamento que tinha a fazer de D. Carlos Azevedo já o fiz há muito, sempre que essa prestigiada figura da Igreja irrompia a proclamar a "indecência" do sistema económico ocidental, o fim do capitalismo "mercantilista" e a "selvajaria" da "gestão neoliberal". Pior do que um devasso, o homem parece-me um dos muitos especialistas instantâneos que disparam frases sem sentido de modo a caçar a simpatia dos pasmados. Não é crime, mas aborrece.


Os trabalhadores querem ganhar mais ou ganhar menos?

Não é novidade a exibição da figura do saudoso "Che" Guevara em manifestações a favor de melhores salários. Novo, pelo menos para mim, é o recurso a bandeiras da Venezuela em eventos similares. Trata-se de um inequívoco progresso nos objectivos. O salário mínimo cubano ronda os 3 (três) euros sob uma inflacção de 4%. O salário mínimo venezuelano subiu recentemente para cerca de 300 euros, mesmo que fundamentado numa conversão fictícia para o dólar e sob uma inflacção de 8%. É, sem dúvida, muito melhor, embora ainda bastante abaixo dos indicadores portugueses, os quais constituem o alvo do protesto dos trabalhadores embalados pela CGTP.

Corrijam-me se estiver enganado, mas não seria preferível ostentar iconografia de países onde, com ou sem salário mínimo definido, se ganha muito mais do que aqui, género Holanda e Alemanha? Porque é que os desfiles da CGTP não incluem crachás em forma de moinho e t-shirts com o rosto de Angela Merkel? Idolatrar economias arruinadas é como marchar contra a pedofilia empunhando cartazes de crianças despidas: uma confissão de estupidez e um argumento de peso em prol dos ordenados baixos ou de ordenado nenhum.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Do fascismo anti-fachista...


(imagem obtida aqui)

... escreve Henrique Raposo aqui:


O fascismo do "Grândola Vila Morena"

Sophia de Mello Breyner cunhou uma expressão engraçada para classificar as tácticas inquisitoriais dos companheiros de estrada do PCPo "fascismo do anti-fascismo" .

Esta intolerância de esquerda foi criada antes do 25 de Abril e, como é óbvio, agressividade dos virtuosos reemerge. Nos últimos dias, por exemplo, têm caído alguns pinguinhos: meninos e meninas têm usado "Grândola Vila Morena" como forma de calar outras pessoas. Uma música criada para promover a liberdade de expressão foi assim transformada numa arma contra a liberdade de expressão.

Os novos cantadeiros do "Grândola Vila Morena" dizem que sãoanti-fascistas. Bom, sobre isso nada sei, mas sei que são bons aprendizes de fascistas. Têm todas as sementes do bicho. Em primeiro lugar, revelam uma total intolerância em relação ao outro lado; há que malhar na "direita" (assim mesmo: a "direita", um bloco compacto, monolítico, desumanizado, desprezível e espezinhável). Em segundo lugar, respiram e transpiram ódio, um ódio que escorre pelos cartazes, pelos rostos, pelas vozes. E, de forma mui fascista, esta malta tem orgulho nesse ódio. Aquilo que os define é o amor que têm pelo seu ódio, adoram odiar a "direita" ou seja lá o que for. Esta elevação do ódio à categoria de virtude é a marca do fascista, seja ele castanho ou vermelho. Em terceiro lugar, temos a consequência lógica das duas premissas anteriores: o culto da violência. Se a "direita" é espezinhável, se não vale a pena ouvir o outro lado, se o ódio é uma virtude que confere uma legitimidade superior, então a violência é legítima e não faz mal dar uns carolos no Relvas. Aliás, só faz bem dar uns tabefes no Relvas.

Para terminar, só queria dizer que gosto bastante deste PREC cantado. É que assim já não tenho de recorrer à história para explicar a profunda intolerância das extremas-esquerdas portuguesas . Agora basta-me apontar para o presente. Ela, a intolerância progressista e revolucionária, está aí, anda por aí. Até peço uma coisa: aumentem o volume da violência, continuem a mostrar que não sabem viver em democracia, que não sabem aceitar opiniões contrárias, continuem a ameaçar, continuem a ser fascistazinhos de vão de escada.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Da indignada solidariedade


(imagem obtida aqui)

Muito mais do que curioso, é significativo até à náusea o facto de toda esta gente se "manifestar" contra o videirinho ministro Relvas, mas NINGUÉM se haver manifestado contra a imoralidade de "estudantes" terem entrado, desde há uns cinco anos, nas universidades públicas com médias propulsionadas ao escalão dos 18 e 19 pelas "oportunidades" socráticas. Médias que constituíram verdadeiras burlas legalizadas e que permitiram a quem não tinha nem saber real superior (frequentemente, nem sequer igual) ao nível do 9º Ano nem qualquer currículo ou experiência justificativa, usurpar o lugar que seria, de direito, de verdadeiros estudantes, cujas médias ficaram, por isso, a uma e mesmo a meia décima de lhes permitir o ingresso na faculdade ou no curso que pretendiam.

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Repito: não me lembro de NINGUÉM se manifestar contra a burla ou sequer fazer ouvir por todo o lado a sua solidariedade com aqueles que ficaram com as suas vidas adiadas por, pelo menos, um ano  - porque, no ano seguinte, voltariam a ter a concorrência deste surto inédito de genialidade. Ou que foram obrigados a frequentar estabelecimentos de ensino, públicos ou privados, a distâncias muito superiores, arcando por isso com despesas enormemente acrescidas. Ou que, por esse motivo, desistiram.

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Pois é. À solidariedade académica com o copianço, à incompetência generalizada, ao estatuto dado pela ignorância vestida de canudo para subir na vida, pisca-se-lhes o olho, cúmplice. Desde que se seja "da cor" e "da corda", é claro. A "rapaziada" e o "bom povo" que a esquerda defende e pelos quais é constituída, gente "felizmente ainda viva", é mesmo assim: hipócrita até à medula e burra como o Big-Bang os fez.

domingo, 13 de janeiro de 2013

"A realidade não passará?" e "Os denunciantes"




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São os títulos de duas crónicas de Alberto Gonçalves no DN, respectivamente aqui e aqui, que transcrevo de seguida.




A realidade não passará?

Agora é oficial: as exactas forças políticas que criticam os aumentos de impostos também não aceitam reduções na despesa. Se não tivesse outras virtudes, o relatório do FMI teria o mérito de confirmar que, perante um Governo indeciso, há uma oposição que sabe muito bem o que quer. Por acaso, quer o impossível, conforme já reivindicavam os "realistas" do Maio de 1968. E se as consequências de uns garotos mimados a berrar disparates não são graves, as consequências de partidos apesar de tudo representativos imitarem os garotos arriscam dar para o torto.

Sem surpresas, os "argumentos" contra os cortes no Estado não diferem dos "argumentos" contra a carga fiscal. Os cortes são ideologicamente orientados (como se os seus adversários agissem em nome de uma pureza desprovida de ideologia e de interesses). Os "cortes" não constam do Memorando assinado com a troika (como se se defendessem os "cortes" que constam do Memorando e se achasse este documento, afinal, louvável). Os "cortes" violam a Constituição (como se estraçalhar as finanças públicas à custa de negociatas e em seguida deslizar para Paris não violasse o artigo que prevê a punição política, civil e criminal das "acções e omissões" que os governantes "pratiquem no exercício das suas funções"). Etc.

Sobretudo o zelo constitucional é curioso. Aqui e ali, gente indignada fareja com regularidade incumprimentos da sacrossanta lei fundamental sem perceber, ou fingindo não perceber, que o problema não passa por aí. A situação para que, directa ou indirectamente, tantos entusiastas do legalismo arrastaram o País força o País a esquecer a constitucionalidade e a preocupar-se com a realidade. A primeira, apesar do escândalo, ainda é contornável; a segunda, cujo carácter imperativo não carece de tribunal próprio, não. De que adianta uma Constituição "garantir" a todos os cidadãos o direito ao Maserati na garagem se o stand de automóveis deixou de vender fiado?

Descontado o exagero, a retórica que vinga por aí teima no Maserati (ou no Opel, vá lá) e na isenção de o pagar. Para citar um recente convidado do Expresso da Meia-Noite, "temos de definir o padrão de vida de que não estamos dispostos a abdicar e então pedir solidariedade europeia". E não, o convidado não se chamava Artur Baptista da Silva, mas Nãoseiquê Nazaré, figura que suponho ligada aos futebóis e aos socialismos e que, diga-se, limitou-se a repetir a loucura vigente. Aos portugueses, compete respeitar escrupulosamente a Constituição. Aos europeus do Norte, cabe-lhes desprezar as constituições deles a fim de nos sustentar a folia, perdão, o padrão de vida de que não abdicamos. É a solidariedade unilateral.

De qualquer modo, a histeria geral está mal direccionada: o primeiro-ministro correu a avisar que o relatório do FMI "não é a Bíblia" e Paulo Portas admite que o dito relatório possui "coisas discutíveis" e "coisas inaceitáveis". Mesmo sendo verdade, o importante é o frenesim do Governo em abraçar a luta que o une aos que o desejam enxotar. No que depender de nós, nada muda. Feliz ou infelizmente, hoje pouco depende de nós. E, por este andar, amanhã ainda menos.




Os denunciantes

Ao arrepio da timidez típica na classe política, o Bloco de Esquerda não teme erguer a voz contra as injustiças. Há dias, o seu líder parlamentar denunciou um caso de negligência no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, onde um homem de 25 anos foi mandado para casa sem realizar qualquer exame e acabou por morrer devido a um aneurisma.

O único problema desta história, além de uma morte prematura, é a circunstância de ser tudo mentira - excepto, infelizmente, a morte. Afirmando-se triste com o uso da dor alheia para fins políticos, a própria mãe do falecido esclareceu que no estabelecimento hospitalar em causa "tiveram todos os cuidados, acompanharam-no sempre, realizaram todos os exames com diagnóstico imediato". Quanto ao BE, voltou-se contra as "incongruências" da fonte que lhe cedeu a informação e nem por instante admitiu que o pormenor de o Hospital de São Sebastião ser um exemplo pioneiro de gestão empresarial no Serviço Nacional de Saúde espevitou os apetites da rapaziada por expor as "falhas" do recurso aos métodos do sector privado (o sector público, escusado recordar, é imaculado).

Quem aqui falhou foi, como sempre, o BE. Desta vez fê-lo com espalhafato. Na maioria das vezes fá-lo à revelia do escrutínio público. Mas a repugnante natureza da coisa não muda: os senhores do BE sentem-se tocados pela graça, ungidos cuja missão na Terra é a de acusar, com o dedinho a tremer, as respectivas iniquidades, ainda que as iniquidades nem sequer existam ou ainda que as acusações escondam a defesa de iniquidades piores. De resto, a pior iniquidade é o BE.