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sábado, 15 de setembro de 2012

A nuvem amaricana




(vem aqui, no JN)

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, acusou os EUA de desviarem as nuvens que se dirigem para o país e de serem os responsáveis pela seca no Irão. Não é a primeira vez que Ahmadinejad acusa os EUA de conspirarem contra o seu pais mas desta vez, segundo analistas, pode ter ido longe de mais.

Mahmud Ahmadinejad acusou os EUA de desviarem as nuvens que se dirigem para o Irão. Aquele país tem um dos climas mais secos do planeta e, am algumas regiões, persiste uma seca endémica.

Para o presidente do Irão, os responsáveis por tudo isto são os norte-americanos que "estão a desenvolver um projeto sinistro para evitar que as nuvens de chuva cheguem ao nosso país e provocar, deste modo, a seca".

"O inimigo está a destruir as nuvens que avançam para o nosso país mas esta é uma guerra que ganharemos", afirmou Mahmud Ahmadinejad numa declaração que tem sido repercutida em vários orgãos de comunicação social no país.

Esta não é a primiera vez que o presidente iraniano acusa os EUA, com quem mantem uma relação hostil, de conspiração através de vários meios. Ainda assim, os analistas consideram que desta vez Mahmud Ahmadinejad pode ter ido longe de mais.

Também Hugo Chávez é exemplo de declarações semelhantes. Aquando do sismo que assolou o Haiti, em janeiro de 2010, o presidente venezuelano afirmou que este se devido "a uma arma experimental da Marinha norte-americana" que possibilitava provocar sismos. Segundo Chávez, esta arma seria usada para atacar o Irão.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Liberdade, igualdade, normalidade



Alberto Gonçalves, a 13 de Maio, no DN:

Enquanto obedece à tradição local e enche a boca de fanfarra nacionalista para falar de "la France", François Hollande gosta de se proclamar "um homem normal". A imprensa, por lá e por cá, gostou do auto-retrato e, decerto para evitar canseiras, desatou a usá-lo com abundância nas manchetes da vitória: "uma presidência 'normal'"; "um senhor 'normal' no Eliseu"; "a vitória de um homem 'normal'", etc. O adjectivo define menos o sr. Hollande do que a concepção que o sr. Hollande e, pelos vistos, boa parte dos jornalistas têm da normalidade.

Basta espreitar o currículo do sujeito. Em 1974, ainda estudante universitário, o sr. Hollande voluntariou-se para a campanha de François Mitterrand. Mal se licenciou, conseguiu emprego numa comissão governamental. Aos 25 anos, inscreveu-se no Partido Socialista. Aos 27, concorreu ao Parlamento nacional. Não ganhou, mas viu o esforço recompensado com um cargo de conselheiro do então recém-eleito Mitterrand. Em 1983 foi vereador de uma cidadezinha do interior e, em 1988, chegou enfim a deputado, posto que perdeu em 1993 e recuperou em 1997. Pelo meio, divertiu-se em tricas partidárias e Lionel Jospin escolheu-o para porta-voz do PS. Nem de propósito, em 1997 tornou-se líder do PS, honra que lhe caberia por mais de uma década. Em 2001, pairou pela autarquia de Tulle. Desde 2008, o sr. Hollande prosseguiu o tirocínio numa presidência regional. Agora, é presidente da República.

Um homem normal? Normalíssimo, se a palavra definir as criaturas que passam a vida inteira sem, digamos, trabalhar. Esta linha de pensamento olha de viés os que algum dia arriscaram colocar o pé fora da política e experimentaram uma profissão a sério. O sector privado é coisa de excêntricos e, convenhamos, de excêntricos pouco confiáveis. Na França e aqui, o Estado é a norma.

As ideias do sr. Hollande também são normais. Naquilo que nos toca, conheço-lhe uma: a austeridade é má. E não custa nada encontrar gente, igualmente normal, que partilha a opinião. Só em Portugal, Francisco Louçã reclama o fim da austeridade, Mário Soares jura que a austeridade não faz sentido e António José Seguro, que naturalmente tomou o triunfo do sr. Hollande a título pessoal, acha a austeridade excessiva e dispõe-se a sair à rua em protesto.

É inacreditável como é que ninguém se lembrou disto antes. Afinal, a solução não passa por apertos que nos atormentam a bolsa e a existência: passa, obviamente, pelo crescimento, definição lata para a estratégia que consiste em gastar acima das possibilidades, viver de prometidos mundos e fundos, contemplar a descida das promessas à Terra, acumular dívida, rebentar com estrondo e atribuir a culpa de tudo às agências de rating, à sra. Merkel e, grosso modo, ao capitalismo selvagem.

Para surpresa de uns poucos (muito poucos), a solução dos problemas implica o regresso ao estilo descontraído que alimentou os problemas. E se a solução talvez não seja o sr. Hollande, entretanto já empenhado em desmentir os delírios de campanha e prevenir os franceses para as maçadas que os esperam, é garantido que a solução virá, no mínimo espiritualmente, de França. Chama-se José Sócrates e é, para sermos educados, outro homem normal.