Mostrar mensagens com a etiqueta F... pá. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta F... pá. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de julho de 2013

Tem pai que é cego!




A propósito deste certeiro textículo do Rio d'Oiro, vejamos o que corre hoje pela habitual informação:

- Paulo Portas manter-se-á no governo, como vice e coordenador das decisões económicas:
- Álvaro Santos Pereira sairá, sendo substituído pelo meio-amigo de Portas, Pires de Lima, que poderá dividir algumas dessas decisões com o ex-demissionário ministro dos Negócios Estrangeiros;
- Será criado o ministério do Ambiente;
- A Energia, actualmente do âmbito da Economia, virá provavelmente a ser integrada no novo ministério.

Recorde-se ainda que Seguro (naturalmente) e Portas (...) foram convidados da reunião que o grupo Bilderberg fez em Londres, no mês passado.

Divirtam-se.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Da implosão pelo absurdo




Texto e foto aqui.

Governo repreendeu Casa da Moeda

Erros em leis publicadas em Diário da República são frequentes. Presidente da INCM, depois de queixas do Governo, emitiu uma ordem dura para ninguém alterar uma vírgula nos textos.

Parece mentira, mas não é. Os diplomas publicados em Diário da República são muitas vezes ‘retocados’ e com isso alterado o sentido original. Os casos têm sido de tal forma frequentes que originaram um puxão de orelhas do Governo à Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM). O presidente deste organismo difundiu uma ordem interna para ninguém alterar uma vírgula aos textos originais, sob a ameaça de sanções disciplinares.

«As regras de legística devem ser observadas pelo legislador pelo que ninguém, mas rigorosamente ninguém na INCM pode, sob que pretexto for, intervir sem consentimento expresso do gabinete do secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros no conteúdo submetido para publicação no Diário da República», afirma a deliberação do conselho de administração da INCM, a que o SOL teve acesso – datada 13 de Dezembro e que recebeu o nome de «Gralhas do Diário da República Electrónico».

No final da semana passada, foi noticiado que a lei publicada em Diário da República sobre a limitação de mandatos autárquicos, de 2005, não era igual ao que fôra aprovado: em vez de estar ‘presidente da câmara’ passou a estar ‘presidente de câmara’. Numa altura em que está acesa a polémica sobre se aquela lei limita a três os mandatos consecutivos na mesma autarquia ou permite candidaturas a outros municípios, findos os três mandatos, abria-se aqui uma nova frente de discussão. E reveladora de como a mudança de uma só letra não é inócua.

Este assunto, contudo, não vai levar a nenhuma rectificação da lei. O prazo para correcção de erros é de 60 dias, que há muito já passaram. E nenhum partido quis clarificar a lei, deixando esse assunto para os tribunais. O PS recusa-se a fazê-lo, por ter decidido politicamente não recandidatar qualquer dinossauro, contornando eventuais problemas. Enquanto o PSD considera que não há problema em recandidatá-los, com base numa interpretação da Constituição da República.

O último caso: a fusão de freguesias

Este foi só um exemplo recente de erros da responsabilidade da INCM. Mais recentemente, outros problemas ocorreram. Por exemplo, relacionados com nomes das novas freguesias que resultaram da reorganização administrativa. Aqui, o problema passou-se com a Assembleia, de onde veio a ordem de fusão de freguesias: a INCM quis alterar alguns dos nomes das novas ‘super-freguesias’, intenção que foi travada no último minuto pelos deputados.

Na sua ordem interna, o presidente da instituição, António Osório, chega ao ponto de dizer claramente que, «quando o que parecer um lapso, mesmo por demais evidente, deve ser consultado o gabinete do secretário de Estado da PCM, no sentido de saber qual o comportamento a tomar». E acrescenta: «Um acto legislativo é algo de muito importante para o país. Quem o adulterar, por distracção, negligência ou má fé, terá que ser sancionado tão severamente como a gravidade do seu acto».

Em Dezembro, foi publicada uma portaria que aprovava a Declaração Mensal de Remunerações que remetia para «a Lei nº [...] de 2012 que aprovou o Orçamento de Estado para 2013», ou seja, sem referência ao número da lei, que nem sequer estava ainda promulgada. Mas nessa ocasião o Ministério das Finanças acabou por reconhecer o lapso.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ISTO O MUNDO ANDA TODO MALUCO!



(imagem recolhida aqui)


  Dizem dizem e se calhar é verdade. Um gajo até já nem sabe o que é que há-de pensar. Fica-se meio azabumbado... como se andassem a gozar co'a malta, carago!

  Então não é que ontem me chegaram notícias que me deixam assim... meio camoesas? Um bocado encabulado, não sei se me entendem. O facto é que um marmelo me mandou a provado delito, como diria um qualquer chefe duma qualquer força policiesca, e então é assim: um exemplar em A4 dactilografado cá pelo mangas do meu Residência Fixa (que arrola o Fábrica Nocturna e o Poemas Breves), com a capa, ilustrada, também por mim feitinha manualmente e com prefácio do Mário Cesariny, está a atingir   alfarrabística e interactivamente o preço de venda de 500 Eur!


(imagem recolhida aqui)

   Mas há mais… Artistas do caneco!

   De França (uma terra de incréus e de valdevinos!) escrevem-me a contar que a tapeçaria executada por Noelle Reynaud sobre o meu cartão


África

atingiu no leilão da Galerie du Parc o montante de 38 mil Eur e houve um palerma que o adquiriu! (Enganámo-lo bem, o frascário...).

  Para tornar o caso ainda pior, o que mostra que não é só o ministro Gaspar que anda meio-choné com as Phinanças, os exemplares de que anos atrás, para me divertir e depois de ter empolgado uns uísques, fiz as capas (exemplares únicos),ou sejam


O violino do Diabo

de Peres Escrich; o


Nero

de Augusto Bailly; e o


Abdul Hamid, o sultão vermelho

de Alma Wittlin, tinham sido comprados por um bisnau qualquer por, respectivamente, 460, 350 e 320 Eur...

  Foram decerto burgueses de letras grossas os desastrados compradores. Ah caraças, que é um gosto aldrubiar assim a burguesada...!

  ...E também, rai's me partam, infirmar um político relativamente bastante conhecido, meu comparsa alentejano nos tempos post-25 de Abril em que andei na militância da época, que para me xingar tempos atrás me dizia com um ricto honesto no trombil: "Ainda andas nisso das pinturas e escritas? Mas olha ó pá, olha qu'isso não dá dinheiro...!".

   Sim. Não dará tanto como um bancozito, uma asessoriazita. Mas sempre vai dando algum, cafolhos me radem!


(imagem recolhida aqui)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

TEXTOS DIVERSOS (4)




O macaco e a essência


   Tempos atrás vi na TV uma cena que me esclareceu para sempre sobre as misérias e as grandezas da actividade pública – política, religiosa, militar, desportiva, judicial. Com um famoso condutor de massas, um desses seres excepcionais que movem multidões? 

  Nem por sombras!

  O protagonista que me elucidou foi um humilde vigarista de bairro.

  Melhor dizendo: modesto, insinuante. Com uma forma de estar na vida que depressa conquistou – pois participava num talk show posto a correr por uma esbelta serigaita das nossas noites televisivas – a assistência que o ouvia, quase fascinada.

  O inspector da polícia que em tempos o prendera, também presente no programa, bem se fartou de prevenir os espectadores de que era mesmo aquela a técnica de que o indivíduo se servia para perpetrar os seus golpes. E que propiciava que um simples mortal, depois de o ouvir, lhe entregasse tudo o que ele queria. “Já vos conquistou a todos!” - dizia o pobre chui (polícia) em desespero de causa – “ Digam lá se agora não entravam no negócio que ele vos propusesse…”. E o simpático vigarista, com um sorriso fraternal no rosto aberto e franco, saiu do cenário coroado por uma enorme salva de palmas.



Da série "Monstrinhos lusitanos"


   Eu e milhares como eu, decerto, acolhemos com proveito a inapreciável lição que ali nos fora dada.

  Lembrei-me disto e também de uma notícia referente ao ex-ministro Alain Joupé, que tinha tempos atrás sido condenado a 18 meses de prisão, com pena suspensa (é sempre pena suspensa a que estes ilustres cidadãos apanham), para além de 10 anos de impedimento de se candidatar a qualquer cargo – por ter cavilosamente manipulado uns dinheiritos chegados aos seus bolsos de forma esquisita.

  Ora o Supremo Tribunal, instado a pronunciar-se, reduziu para catorze meses a pena aplicada, além de considerar que lhe bastava um aninho de travessia do deserto. E o nosso homem agora soma e segue…

  Em 1999, num encontro sobre Literatura Policial numa cidade francesa, defendi a tese de que “o sistema judicial é o cancro que está a destruir a Democracia”, a qual foi bem acolhida pela assistência que me quis ouvir. E disse ainda que o sistema judicial politicamente correcto, eticamente corrompido até à medula, não o era devido a magistrados receberem dinheiros desta ou daquela entidade mas sim por no seu coração e no seu cérebro – com as naturais excepções - aceitarem o jogo de que os poderosos são seus irmãos de cena e portanto credores de cuidados especiais, aliás generosamente dispensados.

   Mediante o estatuto granjeado pelas suas qualificações pessoais – companheirismo de formatura, de família (pessoal ou política), lábia poderosa e poderoso desembaraço, preparação e cultura – o homem público cai no goto do vulgus pecus e daí em diante praticamente tudo lhe é consentido. Passou-se com Joupé como se tem passado com outros simpáticos safardanas europeus e mundiais, que quais sempre-em-pés logo se erguem e seguem triunfantes ou pelo menos perdoados mal os atira a terra uma vigarice ou um acto assacanado. Ou o simples desprezo que acalentam pelo povo, sobre o qual tripudiam com o beneplácito dum universo societário podre e complacente para com esses irmãos naturais, que aliás lhe pagam com juros deixando os seus próceres bem ancorados no seu específico conforto corporativo.

   E tudo isto é mais eficaz – e muito mais inquietante - que a simples vigarice dum tratantezito de bairro…

  in As vozes ausentes

sexta-feira, 27 de julho de 2012

PASCOALINAS (1)




"Proibidos contratos de 12 meses nos ginásios"


O Tribunal da Relação de Lisboa considera que os clientes de Ginásios não têm obrigação de pagar uma fidelização de serviço por doze meses, especialmente quando esse período obrigatório não traz vantagens diretas para o cliente.
                                                                              in  Fórum Diário de Notícias

 Um dos comentários rezava como segue:

  Foi importante e sensata esta decisão. É desta forma que o até aqui muito pervertido Sistema Judicial se limpa pela positiva, assim agissem todos os magistrados - com prudente consciência. Caso contrário fica-se nas mãos destes...operadores.

  Outros também apostam nessa coisa das fidelizações: recentemente a Optimus, que aliás deixei, tentou obrigar-me a pagar 250 Eur com o pretexto de que me fizera um desconto de 10 eur em dois meses já, e isso "fidelizaria". Só me largaram quando apresentei queixa na DECO e ameacei queixar-me à Procuradoria.

 "Contratos" leoninos? Ora, ora...!

                                                                 André Gameiro

terça-feira, 17 de julho de 2012

MOMENTO DE POESIA, novo fado português



 Nicolau Saião, O caçador (desenho a tinta-da-china)

   Dias atrás um confrade meu, grande poeta brasileiro (um dos maiores que aquele país irmão possui) enviou-me uma das suas habituais missivas – que sempre recebo com gosto – e a certa altura lamentava impressamente que eu perdesse tempo a escrever coisas políticas (sic), pois o que ele achava digno era eu dar-vos poemas, poesia própria e alheia (e eu agradeço o mimo de considerar que faz sentido eu dar aqui a lume o material de fabrico próprio a par do de fabrico alheio…).

  É capaz, mas não o iria asseverar, de ser verdade. De ter ele razão. No entanto, ao mesmo tempo que o lia, sentia bater-me nas orelhas a frase lúcida de António Maria Lisboa, que rezava e ainda reza “A crítica é a razão da nossa permanência”, a par daqueloutra de Manuel de Castro “Chama-se UM HOMEM àquele que sabe o que está fazendo” e, “the last but not de least” como usa dizer o famoso crítico lusitano cujo nome não me ocorre de momento, ainda a de Camus, que arruma, creio eu, a questão definitivamente: “A poesia e a prosa nunca devem esquecer que se são feitas por um impulso que não tem por norma o testemunho ético não passam de actos desumanos ou, no limite, de egoísmos ou mesmo de canalhices”. (E não devemos esquecer que há a crise que nos sufoca, provocada por estimáveis homens públicos ladrões e/ou caloteiros – e agora nós é que temos de esportular as lecas para encher o buraco que esses amáveis bandidos escavaram…Porque havemos de passar em branco as suas malfeitorias?).

   Mas como sou, creio eu, um tipo tolerante e – talvez por ser fraquito e um pouco medroso – um esforçado gerador de consensos, pensei que podia conciliar as coisas e dar poesia que, simultaneamente, tivesse algum pequenino gesto social.

  Vai daí saíu-me o que aqui vos deixo, com o xi-coração de sempre pelo menos para as minhas estimadas leitoras:


FADO PORTUGUÊS

Vamos lá falar a sério:
a nação está estragada.
Só há uma solução:
- malta, vamos p'rá porrada!

Até sou um tipo afável
mas isto assim não dá nada...
Temos justificação:
- malta, vamos p'rá porrada!

Tudo limpinho e às claras.
Em segredo não vale nada
e os da “secreta” vigiam…
- malta, vamos p'rá porrada!

O Sócrates lá na estranja
leva vida regalada
e nós aqui a tinir…
- malta, vamos p'rá porrada!

O Constâncio melhorou
recebe uma batelada!
Aqui, perdeu quem poupou
- malta, vamos p’rá porrada!

Até o Cavaco ganhou,
tem vidinha prestigiada
pois engrola o que sempre engrolou…
- malta, vamos p'rá porrada!

Diz ao povo para ter calma.
É uma treta pegada,
ele quer é safar os gandulos…
- malta, vamos p’rá porrada!

Confiava no sô Lima…
e o Loureiro figura amada
merecia-lhe toda a estima…
- malta, vamos p’rá porrada!

O Arménio propagandeia
e é só conversa fiada.
Quanto ao Xico, é um varre-feiras…
- malta, vamos p’rá porrada!

O Seguro é um alfenim
de cantiga bem cantada,
mas andou co’ Sócrates ao colo!
Malta, vamos p’rá porrada.

Mandantes? Urina neles
pois é tudo uma cambada.
Só há uma coisa a fazer
- malta, vamos p'rá porrada!

Vamos agir em conjunto,
está a pátria ameaçada.
Sem temor, tratemos deles...
- malta, vamos p'rá porrada!

O caminho é só já esse:
ou nós ou a Força Armada.
Temos de salvar o país!
- malta, vamos p'rá porrada!

Viram como foi lá fora?
É uma coisa danada,
estes gajos só percebem
se a malta for p'rá porrada!

Por isso, nada de medos.
E de cara levantada
sem coisas clandestinas:
- MALTA, VAMOS P'RÁ PORRADA!!!