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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Alberto Gonçalves em grande forma




(imagem obtida aqui)


Duas crónicas suas, no DN (respectivamente aqui e aqui):





Quem se esquece do PS?


À semelhança de boa parte dos portugueses, as trapalhadas internas do PS interessam-me tanto quanto um concurso filatélico. Aliás, reconheço nem saber ao certo de que trapalhadas falamos. Parece que a impopularidade do Governo e uns pulinhos difusos nas intenções de voto convenceram o dr. Seguro de que chegara a sua hora. Parece que os herdeiros do eng. Sócrates, entusiasmados pelos mesmos peculiares motivos, querem remover o dr. Seguro e colocar alguém "confiável" no seu lugar. Parece que António Costa, cuja enorme relevância começou anteontem a ser inventada, é a escolha "natural" dos socialistas que se afirmam alternativa à austeridade. Conforme avisei, a coisa é de facto aborrecida. Excepto para um psiquiatra.


Fora do manicómio em que os políticos indígenas cirandam, os estragos causados nos últimos anos bastariam para erradicar o PS do mapa político. Dentro do manicómio, o PS não apenas se acha no direito de reclamar o retorno antecipado ao poder como julga mais provável consegui-lo na exacta versão que, de desastre em desastre, o levou a perder esse poder. O dr. Seguro, faça-se-lhe a honra, quis mostrar-se envergonhado das proezas do partido e, sem grandes resultados, tentou disfarçá-lo sob o verniz da responsabilidade. O dr. Costa não tem vergonha nenhuma e, se o pernicioso regresso aos mercados não lhe trocar as sondagens, pondera apresentar-se às massas enquanto o orgulhoso representante dos desvarios que condenaram as massas a apertos sem fim à vista. Se nada garante que tamanha extravagância vá longe, a sua mera plausibilidade é suficiente para recear a falta de memória e de juízo do bom povo.


Mesmo no futebol, que não será um universo particularmente lúcido ou vital, é difícil imaginar os sócios do Benfica ansiosos por devolver à presidência aquele fulano que costuma gravitar entre os luxos de Londres e a cadeia. Na política, porém, é teoricamente possível reabilitar com leveza o sicrano que, após reduzir uma população à penúria, experimenta, alegadamente a expensas da família e da banca, as delícias de Paris (mas não, salvo seja, a cadeia). Os apóstolos do sicrano andam desejosos de terminar o lindo serviço que iniciaram, e o próprio já é um nome "óbvio" para Belém. Um país assim dá sempre vontade de rir. Mas raramente dá vontade de habitar.


American idol

Foi exemplar a hesitação de Barack Obama quando, na tomada de posse, tropeçou ao pronunciar o nome do próprio país. É difícil falar em Estados Unidos se, além de cientificamente duvidoso (a referência dogmática ao "aquecimento global" caiu ali a que propósito?), o discurso que o Presidente terminara minutos antes constituiu uma tentativa de inventariar motivos de divisão e conflito internos.



Escrevo "tentativa" porque aludir à discriminação sofrida pelas mulheres, pelos homossexuais e pelos imigrantes soa um bocadinho a anacronismo ou a erro geográfico. Poucas nações exibem os índices de igualdade de género dos EUA. Raríssimas nações são tão progressistas no tratamento legal (e informal) dos homossexuais quanto os EUA. E, em última instância, decerto nenhuma nação acolhe "naturalmente" os estrangeiros como os EUA, aliás definidos em larga medida por esse milagre de integração.




Não digo que, hoje e sobretudo ao longo da História, o milagre estivesse isento de obstáculos. Digo que exagerar as diferenças num momento destinado à coesão demonstra o tipo de estadista que Obama é: um delegado de cliques e parcelas, para quem as políticas de "identidade" têm precedência face ao mundo real. O mundo de Obama não é habitado por indivíduos, mas por grupos que o elegem ou abominam e aos quais ele se preocupa em servir ou alienar. Não custa prever que o segundo mandato reforce a tendência insinuada no primeiro: os estados já estiveram de facto mais unidos. Vale que a partir de agora falta cada vez menos para a reforma de um objecto de veneração e um sujeito que não a justifica.

domingo, 22 de julho de 2012

Três crónicas exemplares...




... de Alberto Gonçalves, no Diário de Notícias, que achei por bem ilustrar com obras de Escher:





Imagine-se uma minoria cujos membros foram historicamente perseguidos a pretexto das suas preferências sexuais. Imagine-se que à discriminação activa se acrescentava com frequência as purgas, as prisões arbitrárias, os julgamentos sumários, a tortura e, não raras vezes, a morte. Imagine-se que, pela força da lei e do terror, os indivíduos em causa abandonaram os hábitos que os distinguiam ou passaram a praticá-los em segredo. Imagine-se que, assim subjugada ou dissimulada, essa minoria apesar de tudo resiste na América dos nossos dias. Imagine-se que uma parte da América dos nossos dias acha natural que, além de oprimir por via legislativa os comportamentos da minoria, se enxovalhe em público os comportamentos de que a dita minoria abdicou ou simula abdicar. Imagine-se que a parte da América em questão é, teórica e ironicamente, a mais progressista.

Imagine-se agora que nada disto depende da imaginação, que a minoria referida são os mórmons e que, graças à candidatura presidencial de Mitt Romney, gozar com a seita é preconceito indispensável aos activistas contra o preconceito. Recentemente, coube à comediante Wanda Sykes, conhecida pela série "Curb Your Enthusiasm" e pela absoluta falta de graça, parodiar a poligamia que Romney, ao que se sabe, nunca praticou. A sra. Sykes, preta e homossexual, achincalha as características e costumes que não possui, mas desconfio que não gostaria de ver as suas características e costumes achincalhados por outrem. A discriminação está apenas nos olhos de quem a vê - e de quem vota em Barack Obama, claro, os únicos habilitados a distinguir os estigmas pérfidos dos estigmas engraçados.

É também claro que a sra. Dykes, perdão, Sykes não passa de um mero exemplo. Quando não satirizam George W. Bush, o anterior presidente, incontáveis vedetas de Hollywood passaram a divertir-se com um presidente eventual. No presidente de facto é poucos se atrevem a tocar, sob pena de exílio nas franjas do sistema ou o puro desemprego, os castigos reservados pelos guardiães da tolerância àqueles que não toleram. Se a indústria do espectáculo é um sintoma desta América "racista", o sr. Obama, funcionário público simpático e talvez perigoso, é o seu símbolo maior. É discutível que Romney mereça chegar à Casa Branca. Por isto e por aquilo, é recomendável que o sr. Obama a deixe.






Em nome da "igualdade", o Tribunal Constitucional vetou a supressão dos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos (ainda que não tenha vetado, em nome do mesmo princípio, a média salarial do sector). Confrontado com isto, Pedro Passos Coelho percebeu num ápice a oportunidade de aplicar um imposto aos subsídios de quem trabalha no "privado". Valeu-nos, momentaneamente, a "troika": o chefe de missão local do FMI, por exemplo, explicou que as medidas "compensatórias" devem vir do lado da despesa e não da receita. Mas nem a "troika" nos vale, já que o Governo, como todos os governos, decidiu então reduzir a única despesa que não cessa de encolher: a nossa. Se não fica bem inventar novos impostos, espremem-se os velhos.

O truque, aliás habitual, chega tipicamente disfarçado de "combate à evasão fiscal". Desde tempos imemoriais, ou há cerca de uma década, que os governos da pátria combatem essa entidade maligna, sob o argumento de que se os contribuintes em falta pagarem o que devem, os contribuintes ordeiros pagarão menos. Você paga menos? Eu, que mantenho as minhas relações com o fisco num rigor próximo do masoquismo, não pago menos. Pelo contrário. Muito pelo contrário.

Em artigo no "Jornal de Negócios", Camilo Lourenço lembra o óbvio: quanto mais o Estado arrecada, mais gasta. Por diferentes palavras, a "justiça fiscal" não passa de propaganda, por definição destinada a enfeitar o abuso que constitui o modus operandi das quadrilhas, perdão, dos senhores que nos tutelam. É por isso que embora em teoria ofenda ver os representantes da hotelaria e restauração prometerem revoltar-se contra a anunciada obrigatoriedade da "facturinha", na prática a atitude consola.

No contexto actual, não existe nenhuma razão que legitime a transferência, até ao último cêntimo possível, do dinheiro ganho pelo proprietário de um café para um Estado calão e trapaceiro. Mesmo que o primeiro esbanje irresponsavelmente o que lhe pertence, o segundo arranjará sempre maneira de esbanjar pior o que retira aos outros. Chegámos assim ao ponto em que um Estado indigente é capaz de ser a única hipótese para termos um país remediado, na economia e na moral. Por azar, a hipótese é remota.






Curioso. Meio mundo tem uma opinião sobre os privilégios académicos de Miguel Relvas, mas quase ninguém menciona o fundamento desses privilégios. E nem é necessário grande capacidade dedutiva. O "dr." Relvas é maçon, variante Grande Loja do Oriente Lusitano. O presidente da Lusófona também é maçon, e também membro da mesma "loja". Em 2006, ano da matrícula do "dr." Relvas naquela universidade, ambos já eram "irmãos" na sociedade que se desejaria secreta.

Percebe-se o secretismo: fica bem a um homem adulto o pudor em revelar que, nas horas livres, gosta de vestir aventais e cair na brincadeira. Mas perceber não é sinónimo de aceitar. O "caso" Relvas, explorado até à exaustão devido à antipatia natural que o protagonista suscita e, palpita-me, à respectiva área ideológica, é apenas um fragmento de um "caso" muito mais vasto chamado maçonaria.

Não pretendo dizer que a maçonaria é tema ausente do noticiário caseiro. De vez em quando, o bando obtém honras de manchete e debate graças a um pequeno escândalo, conforme há meia dúzia de meses aconteceu com a divulgação de segredos de Estado numa história que envolvia o entretanto lendário Jorge Silva Carvalho, ex-director do SIED, sócio da "loja" Mozart e - o mundo é pequeno - correspondente por sms do "dr." Relvas.

O problema é que, à semelhança de inúmeras desgraças pátrias, a maçonaria ocasionalmente irrompe em força nos "media", fomenta discussões apaixonadas, produz gritos indignados e, após uns dias em que se jura que nada voltará ao que era, tudo permanece intacto. E "tudo" não é força de expressão: as personagens, os cargos, as trocas, os favores, os interesses, as ilicitudes, as trafulhices, etc. Quem acha que o país está óptimo como está deve dar os parabéns à maçonaria, que em larga medida os merece. Quem acha o contrário, deve dar à maçonaria outra coisa qualquer. Talvez uma ordem de despejo.

Não sou apreciador de proibições. Porém, não faltam por aí entusiastas. Do sal ao açúcar, do tabaco às emissões de dióxido de carbono ataca-se diária e galhardamente as chagas sociais sem nunca beliscar a maior delas: porque é que não se erradica a maçonaria? Numa época em que a crise encerra tantas lojas inocentes, algumas não deixariam saudades. No mínimo, tomava-se à letra a inclinação da seita pela privacidade e impedia-se aos seus devotos o desempenho de funções públicas. Alegadamente, os maçons não querem ser conhecidos. Comprovadamente, nós só ganhamos em desconhecê-los.





quarta-feira, 23 de maio de 2012

Excelente imprensa

O novo presidente francês ainda não aqueceu o lugar, mas já dispõe de um excelente imprensa. Por todos os órgãos de comunicação social florescem parangonas com Hollande isto, Hollante aquilo. A notícias sobre a cimeira da NATO em Chicago são disso exemplo, parece que só lá estiveram dois presidentes: Hollande, e claro Obama.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O preço do pugresso



Aqui:

Poucas horas depois de ter anunciado o seu apoio ao casamento gay, Barack Obama enviou um email aos seus apoiantes no qual explicou, detalhadamente, o porquê daquele anúncio, apelando no fim para que todos contribuam com doações para a campanha.
Por um lado, o Presidente americano, que procura ser reeleito no dia 6 de Novembro, explicou que acredita que os casais do mesmo sexo devem ter direito a casar-se.
"Sempre julguei que os gays e lésbicas deviam ser tratados com justiça. Durante anos, fui relutante em usar o termo casamento devido às poderosas tradições que evoca. Mas depois percebi que para os casais homossexuais negar-lhes o direito a casarem-se é considerá-los aos seus olhos, aos olhos dos seus filhos, familiares e amigos cidadãos de segunda", lê-se no comunicado.
A explicação prolongou-se por mais alguns parágrafos.
No final, Barack Obama pede aos apoiantes que, caso concordem com ele, que se juntem à campanha democrata. "Mais de 1,9 milhões de americanos como você ajudam a mover esta campanha. Se puder, faça uma doação hoje", pediu o Presidente americano.