... e que também nunca é igual a eles?
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015
sábado, 13 de dezembro de 2014
A Instituição José Sócrates
Um dos fundadores do PS, António Campos, em visita ao seu amigo José Sócrates, disse aos jornalistas, à porta do Estabelecimento Prisional de Évora, que "a política é a política e a Justiça é a Justiça" e que, nesse caso, sendo um ex-primeiro ministro quem ali se encontrava detido, é a própria instituição democrática que está em causa.
Ora, segundo aquilo para que tudo aponta, é por
ter querido pôr em causa a instituição, aprisionando-a em proveito próprio
enquanto primeiro-ministro, que José Sócrates foi preso preventivamente para
libertar a instituição da sua eventual acção criminosa enquanto aguarda pela
conclusão das investigações.
Acrescento, assim, ao
que aqui disse:
Sócrates deveria, até, haver procedido e continuar a proceder de modo contrário ao que fez e faz. Em defesa
do Estado de direito, inocente do que o acusam, enquanto
ex-primeiro-ministro e democrata convicto vítima de uma cabala
tenebrosa, deveria ter-se apresentado voluntariamente para ser preso, convocando a
Comunicação Social e exigindo, ao mesmo tempo, uma investigação completa ao seu
caso. De modo a proteger-nos desse polvo que começara por querer aprisioná-lo.
E, já agora, pedido contenção pública nas
emoções aos amigos.
Acho eu.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Polvo à portuguesa
Assino por baixo este editorial de José António Saraiva, no jornal Sol.
DO QUE NOS LIVRÁMOS!
Em
2008, o BPN foi nacionalizado contra a vontade dos seus accionistas. Na altura,
poucas vozes contrárias se fizeram ouvir, até porque a nacionalização tinha o
aval do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.
Após
este acto, o Governo designou como administrador do BPN Francisco Bandeira, um
homem da confiança pessoal de Sócrates.
Entretanto,
no ano seguinte, na sequência de convulsões internas, o BCP seria
'governamentalizado', entrando para a administração Carlos Santos Ferreira e
Armando Vara, notórios amigos de Sócrates.
O
BES, por seu lado, era governado por Ricardo Salgado, cuja cumplicidade com
Sócrates se tornou a partir de certa altura evidente, ao ponto de - quebrando a
sua proverbial contenção nas referências ao poder político - elogiar por
diversas vezes o primeiro-ministro em público.
Quanto
à CGD, era tutelada pelo Governo.
Em
conclusão, exceptuando o BPI (de Fernando Ulrich), a partir de 2009 toda a
banca ficou 'nas mãos' de Sócrates ou dos seus amigos: CGD, BCP, BPN e BES -
para não falar do BdP, onde pontificava Constâncio.
Na
comunicação social a situação também não era famosa.
No
início do consulado de José Sócrates, o grupo Controlinvest (DN, JN e TSF), de
Joaquim Oliveira, foi logo identificado pelo primeiro-ministro como um
potencial aliado (até pela sua dependência da banca).
O
grupo Cofina (Correio da Manhã e Sábado), de Paulo Fernandes, também se
mostrava cauteloso nas referências ao Governo.
O
grupo Impresa (SIC, Expresso e Visão) mantinha-se na expectativa.
O
grupo RTP (RTP e RDP) pertencia ao Estado e mostrava-se dócil.
O
grupo Renascença não se metia em sarilhos.
Restava
o quê?
A
TVI e o Público - este dirigido por José Manuel Fernandes, considerado por
Sócrates persona non grata.
O
SOL só apareceria mais tarde.
Quando rebenta o caso Freeport, em 2009, as
coisas vão aquecer.
A
TVI estabelece um acordo com o SOL para a investigação daquele tema e torna-se
para Sócrates um inimigo declarado.
Manuela
Moura Guedes, a pivô do jornal televisivo de sexta-feira (que antecipa as
notícias do Freeport), é o primeiro alvo a abater - e Sócrates empenha-se em
afastá-la por todos os meios; mas tal não se mostra fácil, dado ser mulher do
director da estação, José Eduardo Moniz.
Em
desespero, Sócrates tenta usar a PT para comprar a TVI, mas o negócio borrega.
Também
há tentativas para fechar o SOL, através do BCP (que era accionista de
referência do jornal), comandadas por Armando Vara.
No
que respeita à Impresa, apesar de não fazer grande mossa ao socratismo, sofre
vários ataques, designadamente por parte de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora,
líderes da Ongoing e próximos de Sócrates, que tentam encostar Balsemão à
parede.
Finalmente,
sem se perceber porquê, Belmiro de Azevedo aceita a saída de Fernandes da direcção
do Público, e Moura Guedes e Moniz deixam a TVI (indo este estranhamente para a
Ongoing…).
O
SOL fica isolado - e só se salvará por ser adquirido por accionistas não
envolvidos na política interna.
Visto
o controlo substancial de Sócrates sobre a banca e a comunicação social,
olhemos para o poder político.
Sócrates
dominava naturalmente o Governo, de que era o chefe, e o Parlamento, onde o PS
tinha maioria absoluta - só lhe escapando a Presidência da República.
Por
isso, voltou contra Cavaco Silva todas as baterias.
O
PS e o Governo tentaram tudo para implicar Cavaco no caso BPN, por deter acções
do banco (embora as tenha vendido antes de ir para Belém).
Esta
campanha contra o Presidente da República ressuscitaria com estrondo nas
eleições presidenciais de 2011, com a cumplicidade - diga-se - de muita
comunicação social.
Outro
momento alto da guerra contra Cavaco foi o aproveitamento de uma gafe de um seu
assessor, Fernando Lima - que tinha falado a um jornalista sobre a possível
existência de escutas a Belém -, para tramar o Presidente.
Usando
uma técnica nele recorrente, Sócrates armou-se em vítima, virou os
acontecimentos a seu favor e tentou destruir Cavaco Silva, acusando-o de montar
uma cabala.
Outra
vez com a ajuda de muitos jornalistas, os socratistas exploraram o caso à
exaustão e o assunto foi objecto de intermináveis debates televisivos - onde se
chegou a dizer que o PR tinha de renunciar ao cargo!
A
campanha não matou Cavaco mas fez mossa, fragilizando o único bastião que não
era dominado por Sócrates na esfera do poder político.
Talvez
hoje alguns jornalistas percebam melhor o logro em que caíram.
Passando
finalmente à Justiça, Sócrates tinha no procurador-geral da República, Pinto
Monteiro, e no presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do
Nascimento, não propriamente dois cúmplices, como alguns disseram, mas duas
pessoas que pareceram sempre empenhadas em protegê-lo, fossem quais fossem as
razões.
Nesta
área, Sócrates contava ainda com um bom aliado: Proença de Carvalho, pessoa
influente nos meios judiciais (incluindo junto de Pinto Monteiro).
E
teve sempre o apoio do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto.
Portanto,
também aqui, o primeiro-ministro estava bem acolchoado.
Governo,
Parlamento, Justiça, comunicação social, banca: Sócrates controlava os três
poderes do Estado - executivo, legislativo e judicial - e estendia os seus
tentáculos ao quarto poder (os media) e ao poder financeiro (os bancos).
Talvez
muita gente não se tenha apercebido na época deste cenário aterrador.
Mas
olhando para trás - e sabendo-se o que hoje se sabe - temos noção do perigo que
o país correu: um homem sobre o qual pesam suspeitas tão graves chegou a deter
um poder imenso, que se alargava a todas as áreas de influência.
Só
de pensar nisto ficamos assustados - e é muito estranho que alguns dos que
privavam com ele não se tenham apercebido de nada.
Foi
lamentável ver pessoas de bem - como Ferro Rodrigues ou Correia de Campos -
fazerem tão tristes figuras, defendendo-o encarniçadamente até ao fim.
É
certo que, como bem disse José António Lima, a democracia venceu-o, afastando-o
do cargo.
Mas
também foi a democracia que permitiu que um homem como este chegasse a reunir
um poder tão grande em Portugal.
Isso
mostra a vulnerabilidade do sistema democrático.
P.
S. - No caso dos vistos gold, logo a seguir às detenções, deu-se por adquirido
que os arguidos eram culpados, considerou-se “inevitável” a demissão de Miguel
Macedo, e António Costa disse que o Governo ficava “ligado à máquina”. Uma semana
depois, as mesmas pessoas contestam a prisão de Sócrates, invocam a “presunção
de inocência” e acham “absurdo” falar na hipótese de demissão de António Costa.
Palavras para quê?
domingo, 7 de dezembro de 2014
No dia em que Mário Soares faz 90 anos...
... recorde-se o que o
(na altura) Bastonário da Ordem dos Advogados António Marinho Pinto escreveu sobre ele no
"Diário do Centro".
MÁRIO
SOARES E ANGOLA
A polémica em torno das acusações das
autoridades angolanas segundo as quais Mário Soares e seu filho João Soares
seriam dos principais beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levados
a cabo pela UNITA de Jonas Savimbi, tem sido conduzida na base de mistificações
grosseiras sobre o comportamento daquelas figuras políticas nos últimos anos.
Espanta desde logo a intervenção pública da generalidade das figuras políticas
do país, que vão desde o Presidente da República até ao deputado do Bloco de
Esquerda, Francisco Louçã, passando pelo PP de Paulo Portas e Basílio Horta,
pelo PSD de Durão Barroso e por toda a sorte de fazedores de opinião,
jornalistas (ligados ou não à Fundação Mário Soares), pensadores profissionais,
autarcas, "comendadores" e comentadores de serviço, etc. Tudo como se
Mário Soares fosse uma virgem perdida no meio de um imenso bordel. Sei que
Mário Soares não é nenhuma virgem e que o país (apesar de tudo) não é nenhum
bordel. Sei também que não gosto mesmo nada de Mário Soares e do filho João
Soares, os quais se têm vindo a comportar politicamente como uma espécie de
versão portuguesa da antiga dupla haitiana "Papa Doc" e "Baby
Doc". Vejamos então por que é que eu não gosto dele(s). A primeira ideia
que se agiganta sobre Mário Soares é que é um homem que não tem princípios mas
sim fins. É-lhe atribuída a célebre frase: "Em política, feio, feio, é
perder". São conhecidos também os seus zigue-zagues políticos desde antes
do 25 de Abril. Tentou negociar com Marcelo Caetano uma legalização do seu (e
de seus amigos) agrupamento político, num gesto que mais não significava do que
uma imensa traição a toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na
luta contra o fascismo.
JÁ DEPOIS DO 25 DE ABRIL, ASSUMIU-SE COMO O
HOMEM DOS AMERICANOS E DA CIA EM PORTUGAL E NA PRÓPRIA INTERNACIONAL
SOCIALISTA. Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e
executar o golpe contra Salvador Allende no Chile e que colocara no poder
Augusto Pinochet. Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas portugueses
como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e FOI AMIGO DE NICOLAU CEAUCESCU,
FIGURA QUE CHEGOU A APRESENTAR COMO MODELO A SER SEGUIDO PELOS COMUNISTAS
PORTUGUESES.
Durante a revolução portuguesa andou a gritar
nas ruas do país a palavra de ordem "Partido Socialista, Partido
Marxista", mas mal se apanhou no poder meteu o socialismo na gaveta e
nunca mais o tirou de lá. Os seus governos notabilizaram-se por três coisas:
políticas abertamente de direita, a facilidade com que certos empresários
ganhavam dinheiro e essa inovação da austeridade soarista (versão bloco central)
que foram os salários em atraso.
INSULTO
A UM JUIZ
Em Coimbra, onde veio uma vez como
primeiro-ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores com
salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o que Soares
tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores foram presos por
polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o tipo de crime em causa
exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve outro remédio senão libertar
os detidos no próprio dia. Soares não gostou e insultou publicamente esse
magistrado, o qual ainda apresentou queixa ao Conselho Superior da Magistratura
contra Mário Soares, mas sua excelência não foi incomodado. Na sequência, foi
modificado o Código Penal, o que constituiu a primeira alteração de que foi
alvo por exigência dos interesses pessoais de figuras políticas. Soares é
arrogante, pesporrento e malcriado. É conhecidíssima a frase que dirigiu,
perante as câmaras de TV, a um agente da GNR em serviço que cumpria a missão de
lhe fazer escolta enquanto presidente da República durante a Presidência aberta
em Lisboa: "Ó Sr. Guarda! Desapareça!". Nunca, em Portugal, um agente
da autoridade terá sido tão humilhado publicamente por um responsável político,
como aquele pobre soldado da GNR. Em minha opinião, Mário Soares nunca foi um
verdadeiro democrata. Ou melhor é muito democrata se for ele a mandar. Quando
não, acaba-se imediatamente a democracia. À sua volta não tem amigos, e ele
sabe-o; tem pessoas que não pensam pela própria cabeça e que apenas fazem o que
ele manda e quando ele manda. Só é amigo de quem lhe obedece. Quem ousar ter
ideias próprias é triturado sem quaisquer contemplações. Algumas das suas mais
sólidas e antigas amizades ficaram pelo caminho quando ousaram pôr em causa os
seus interesses ou ambições pessoais. Soares é um homem de ódios pessoais sem
limites, os quais sempre colocou acima dos interesses políticos do partido e do
próprio país. Em 1980, não hesitou em APOIAR OBJECTIVAMENTE O GENERAL SOARES
CARNEIRO CONTRA EANES, NÃO POR RAZÕES POLÍTICAS MAS DEVIDO AO ÓDIO PESSOAL QUE
NUTRIA PELO GENERAL RAMALHO EANES. E como o PS não alinhou nessa aventura que
iria entregar a presidência da República a um general do antigo regime, Soares,
em vez de acatar a decisão maioritária do seu partido, optou por demitir-se e
passou a intrigar, a conspirar e a manipular as consciências dos militantes
socialistas e de toda a sorte de oportunistas, não hesitando mesmo em
espezinhar amigos de sempre como Francisco Salgado Zenha. Confesso que não sei
por que é que o séquito de prosélitos do soarismo (onde, lamentavelmente,
parece ter-se incluído agora o actual presidente da República (Mário Soares),
apareceram agora tão indignados com as declarações de governantes angolanos e
estiveram tão calados quando da publicação do livro de Rui Mateus sobre Mário
Soares. NA ALTURA TODOS METERAM A CABEÇA NA AREIA, INCLUINDO O PRÓPRIO CLÃ DOS
SOARES, E NEM TUGIRAM NEM MUGIRAM, APESAR DE AS ACUSAÇÕES SEREM ENTÃO BEM MAIS
GRAVES DO QUE AS DE AGORA. POR QUE É QUE JORGE SAMPAIO SE CALOU CONTRA AS
"CALÚNIAS" DE RUI MATEUS?".
"DINHEIRO
DE MACAU"
Anos mais tarde, um senhor que fora ministro
de um governo chefiado por MÁRIO SOARES, ROSADO CORREIA, vinha de Macau para
Portugal com uma mala com dezenas de milhares de contos. *A proveniência do**
dinheiro era tão pouco limpa que um membro do governo de Macau, ANTÓNIO
**VITORINO, *foi a correr ao aeroporto tirar-lhe a mala à última hora. Parece
que se tratava de dinheiro que tinha sido obtido de empresários chineses com a
promessa de benefícios indevidos por parte do governo de Macau. Para quem era
esse dinheiro foi coisa que nunca ficou devidamente esclarecida. O caso EMAUDIO
(e o célebre fax de Macau) é um episódio que envolve destacadíssimos soaristas,
amigos íntimos de Mário Soares e altos dirigentes do PS da época soarista.
MENANO DO AMARAL chegou a ser responsável pelas finanças do PS e Rui Mateus foi
durante anos responsável pelas relações internacionais do partido, ou seja,
pela angariação de fundos no estrangeiro. Não haveria seguramente no PS ninguém
em quem Soares depositasse mais confiança. Ainda hoje subsistem muitas dúvidas
(e não só as lançadas pelo livro de Rui Mateus) sobre o verdadeiro destino dos
financiamentos vindos de Macau. No entanto, em tribunal, os pretensos
corruptores foram processualmente separados dos alegados corrompidos,com esta
peculiaridade (que não é inédita) judicial: os pretensos corruptores foram
condenados, enquanto os alegados corrompidos foram absolvidos.
Aliás, no que respeita a Macau só um país sem
dignidade e um povo sem brio nem vergonha é que toleravam o que se passou nos
últimos anos (e nos últimos dias) de administração portuguesa daquele
território, com os chineses pura e simplesmente a chamar ladrões aos
portugueses. E isso não foi só dirigido a alguns colaboradores de cartazes do
MASP que a dada altura enxamearam aquele território.
Esse epíteto chegou a ser dirigido aos mais
altos representantes do Estado Português. Tudo por causa das fundações criadas
para tirar dinheiro de Macau. Mas isso é outra história cujos verdadeiros
contornos hão-de ser um dia conhecidos. Não foi só em Portugal que Mário Soares
conviveu com pessoas pouco recomendáveis. Veja-se o caso de BETINO CRAXI, o
líder do PS italiano, condenado a vários anos de prisão pelas autoridades
judiciais do seu país, devido a graves crimes como corrupção. Soares fez
questão de lhe manifestar publicamente solidariedade quando ele se refugiou na
Tunísia. Veja-se também a amizade com Filipe González, líder do Partido
Socialista de Espanha que não encontrou melhor maneira para resolver o problema
político do país Basco senão recorrer ao terrorismo, contratando os piores
mercenários do lumpen e da extrema direita da Europa para assassinar militantes
e simpatizantes da ETA. Mário Soares utilizou o cargo de presidente da
República para passear pelo estrangeiro como nunca ninguém fizera em Portugal.
Ele, que tanta austeridade impôs aos trabalhadores portugueses enquanto
primeiro-ministro, gastou, como Presidente da República, milhões de contos dos
contribuintes portugueses em passeatas pelo mundo, com verdadeiros exércitos de
amigos e prosélitos do soarismo, com destaque para jornalistas. São muitos
desses "viajantes" que hoje se põem em bicos de pés a indignar-se
pelas declarações dos governantes angolanos. Enquanto Presidente da República,
Soares abusou como ninguém das distinções honoríficas do Estado Português. Não
há praticamente nenhum amigo que não tenha recebido uma condecoração, enquanto
outros cidadãos, que tanto mereceram, não obtiveram qualquer distinção durante
o seu "reinado". Um dos maiores vultos da resistência antifascista no
meio universitário, e um dos mais notáveis académicos portugueses, perseguido
pelo antigo regime, o Prof. Doutor Orlando de Carvalho, não foi merecedor,
segundo Mário Soares, da Ordem da Liberdade. Mas alguns que até colaboraram com
o antigo regime receberam as mais altas distinções. Orlando de Carvalho só veio
a receber a Ordem da Liberdade depois de Soares deixar a Presidência da República,
ou seja logo que Sampaio tomou posse. A razão foi só uma: Orlando de Carvalho
nunca prestou vassalagem a Soares e Jorge Sampaio não fazia depender disso a
atribuição de condecorações.
FUNDAÇÃO
COM DINHEIROS PÚBLICOS
A pretexto de uns papéis pessoais cujo valor
histórico ou cultural nunca ninguém sindicou, Soares decidiu fazer uma Fundação
com o seu nome. Nada de mal se o fizesse com dinheiro seu, como seria normal.
Mas não; acabou por fazê-la com dinheiros públicos. SÓ O GOVERNO, DE UMA SÓ VEZ
DEU-LHE 500 MIL CONTOS E A CÂMARA DE LISBOA, PRESIDIDA PELO SEU FILHO, DEU-LHE
UM PRÉDIO NO VALOR DE CENTENAS DE MILHARES DE CONTOS. Nos Estados Unidos, na
Inglaterra, na Alemanha ou em qualquer país em que as regras democráticas
fossem minimamente respeitadas muita gente estaria, por isso, a contas com a
justiça, incluindo os próprios Mário e João Soares e as respectivas carreiras
políticas teriam aí terminado. Tais práticas são absolutamente inadmissíveis
num país que respeitasse o dinheiro extorquido aos contribuintes pelo fisco. Se
os seus documentos pessoais tinham valor histórico Mário Soares deveria
entregá-los a uma instituição pública, como a Torre do Tombo ou o Centro de
Documentação 25 de Abril, por exemplo. Mas para isso era preciso que Soares fosse
uma pessoa com humildade democrática e verdadeiro amor pela cultura. Mas não.
Não eram preocupações culturais que motivaram Soares. O que ele pretendia era
outra coisa. Porque as suas ambições não têm limites ele precisava de um
instrumento de pressão sobre as instituições democráticas e dos órgãos de poder
e de intromissão directa na vida política do país. A Fundação Mário Soares está
a transformar-se num verdadeiro cancro da democracia portuguesa." O livro
de Rui Mateus, que foi rapidamente retirado de mercado após a celeuma que
causou em 1996 (há quem diga que "alguém" comprou toda a edição)”.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
"Devias ter feito uma fundação, pá..." ou De convicções está o inferno cheio
(imagem obtida aqui)
Dias
atrás, nos telejornais da hora do almoço, pudemos ver um Mário Soares
envelhecido, de saúde claramente debilitada, alterado, destrambelhado tanto nos
modos como no discurso, à saída do Estabelecimento Prisional de Évora, afirmar fora
de qualquer dúvida a inocência de José Sócrates bem como a existência de uma
conspiração, apoiada no aparelho de Justiça e na Comunicação Social, que visa
destruir a reputação desse ex-“primeiro-ministro exemplar”, de cuja seriedade ninguém
duvidará. Hoje, um familiar meu mostrou-me a frase que dá título a este post, posta
na boca de Soares dirigindo-se a Sócrates na foto acima, a circular na
internet.
A
frase insinua e a insinuação é algo que me repugna, a não ser quando visa o
óbvio, assim se mudando em subtileza do humor. Aproveitei-a, porém, porque, se
relacionada com o que se seguirá, reforça a compreensão do que, quanto a mim, a
detenção e prisão preventiva de José Sócrates trouxeram à superfície do
Portugal profundo, de um Portugal mais esquecido do que a mais recôndita das
suas aldeias.
Alguns
amigos, militantes do PS, perguntaram-me o que achava eu do ex-ministro do
Ambiente de António Guterres, à época em que ele se candidatou pela primeira
vez a secretário-geral do partido. Respondi-lhes – e, desde então, tenho-os
lembrado disso várias vezes – que seria uma péssima escolha não só para os
socialistas como para o país, uma vez que não encontrava nele nem perfil nem
capacidade quer para desempenhar as funções a que se propunha quer, muito
menos, para o cargo de primeiro-ministro que, em breve, com certeza viria a
ocupar. Agressivo, prepotente e, o que é pior, o paradigma, no plano político,
de um mestre d’obras com a correspondente visão sobre o desenvolvimento de
Portugal e os meios para o concretizar. Um “caudillo” maquilhado de europeu que
nada traria de bom, era o que me davam a entender as suas tiradas e acções
governativas e públicas. Riram-se.
Foi,
afinal, muito mas mesmo muito pior do que eu poderia esperar. José Sócrates
governou Portugal como um velho regedor de aldeia: berrando do alto do varapau
da maioria; fazendo descer o debate de ideias (desde sempre escasso) ao nível
da ausência; reinando, vingativo, pela divisão de todos e deste modo inibindo
em todos, por ressentimento ou medo, a livre expressão; impondo, com meios à
toa, medidas avulsas a que pomposamente chamou reformas, com elas
esfrangalhando a eito a estrutura do Estado sem critério nem dó. A meu ver,
foi, depois de Salazar, a catástrofe que o país mais poderia ter temido.
Durante
o período em que mandou no país, tive no blog Portugal e outras touradas, que criei em Maio de 2007 e encerrei,
de facto, em Julho de 2011, o meio de aliviar um pouco o sufoco que senti nesse
atoleiro quotidiano. Nele fui falando de tudo isto, à medida dos despautérios e
desastres consecutivos. Não o apaguei, continua online, e qualquer um pode verificar que foi sempre nos planos
político e social que me referi a Sócrates e ao seu governo, tal como a quem o secundou,
de perto ou de longe. Mesmo tendo em conta, entre outras coisas, o que aqui diz José Gomes
Ferreira, atento, tal como eu e muitos outros, aos sinais equívocos que emergiam
sobre o carácter do primeiro-ministro.
A
prisão preventiva de José Sócrates continua a não permitir, por agora, desfazer
ou confirmar as suspeitas que o levaram ao Estabelecimento Prisional de Évora.
Aguarda-se o resultado das investigações e, até lá, ao contrário de muita
gente, demasiada gente, pelo respeito devido a qualquer ser humano não me
permito o luxo de ter convicções num sentido ou noutro. Mas, por isso mesmo,
gostaria de deixar um pouco do que venho a reflectir acerca aqueles que vivem
acima das suas possibilidades de crença e certeza, e do nível de ostentação que
disso se permitem. Bem como da possível origem desse seu capital lógico e
ético.
Em
particular, o dos que se revoltaram em público quer com a detenção de José
Sócrates quer com o modo como ela ocorreu. Pois confesso que as operações
mentais utilizadas nesse seu empreendimento de indignação edificante são para
mim um mistério. Parecem-me de todo obscuras e, por isso, carentes de uma
investigação impeditiva de que os seus eventuais reflexos causem maiores
prejuízos na frágil economia moral da nação.
Com
um aviso prévio, porém. Dizia Sartre que se o nosso objectivo for
consciencializar uma família burguesa do horror que a sua vida constituiu não
bastará simplesmente gravá-la ou filmá-la e mostrar-lhe o resultado, porque, como
é natural, continuaria a nada estranhar no que visse e ouvisse. Teremos que
ampliar, acentuar os pormenores decisivos que lhe escapam ou que contribuem
para o seu torpor, numa palavra: até certo ponto, caricaturar. Não gosto de
Sartre por aí além, mas dou-lhe razão quanto a isto. O mesmo farei, portanto,
em relação a esses meus compatriotas indignados, e as imagens que utilizar
seguidamente assim deverão ser entendidas.
Consideram
eles, em primeiro lugar, que nem a detenção nem o modo como foi realizada são
compatíveis com o cidadão que a sofreu; que constituiu um procedimento
vergonhoso, por humilhante, para quem ocupou o mais alto cargo governativo. Mas
imaginemos (e, relembro-o, irei exagerar, caricaturar para melhor me fazer
entender) que Al Capone, no intuito de lograr um maior enriquecimento e poder
pessoais, ao invés de enveredar pela actividade criminosa explicitamente
violenta, mas local, se propusesse alcançar a presidência dos Estados-Unidos,
deitando mão de influências. E que, havendo-o conseguido, reforçasse e cimentasse
a rede de corrupção, valendo-se de favorecimentos e promoção de obras e
políticas públicas, apresentando-as como fazendo parte de um plano
desenvolvimento dos USA, mas que, na realidade, visariam apenas concretizar os
seus intentos e alargar em definitivo a sua riqueza e esfera de acção pessoais.
E que não tivesse pejo nem escrúpulos de, para tal, levar o país à beira da
bancarrota. O facto de ter ocupado a mais alta posição do Estado reverteria na
dignificação do seu carácter? Ou, antes, isso sim, em perversidade acrescentada,
que o próprio Estado, enquanto instrumento do bem-comum, deveria repudiar e
banir com maior vigor ainda?
Porque estaríamos num
plano onde criminalidade e política não se distinguiriam uma da outra, e a
extensão do delito se estenderia não somente a todo o país como também a mais
de uma geração – acusação, aliás, infelizmente muito pouco inédita, tantas
vezes ouvimos fazê-la a muitos dos chefes de Estado africanos e da América
Central e do Sul…
Relembrando-o
de novo: ninguém sabe se é este o caso (mitigado) de José Sócrates. Ninguém se
pode arrogar a emitir juízos que lhe sejam favoráveis ou acusatórios antes de
se apurar a verdade. Mas também ninguém, muito menos os que enaltecem
constantemente a igualdade dos cidadãos perante a lei, pode invocar o argumento
de que, por o havermos tido como governante, a Justiça e a polícia procederam
mal (criminosamente, nas palavras subentendidas de alguns) não lhe atribuindo
um tratamento de excepção, ao invés de procederem com ele como o fizeram, isto
é, da mesma maneira como procederiam com qualquer outro suspeito de actividades
ilícitas.
Admitamos,
porém uma segunda hipótese, a de nos encontrarmos perente um caso de distúrbio
de personalidade do tipo romanceado por Robert Louis Stevenson em O médico e o monstro. O caso em que
teríamos, ao mesmo tempo, um Sócrates “primeiro-ministro exemplar” (para
retomar a expressão de Mário Soares) e um outro, meliante mafioso nas horas
livres da governação, embora para tal se aproveitando dos conhecimentos e
influências que o cargo ocupado lhe facultavam. Quem deveria então a polícia
escolher para a detenção: o dr. Jekyll com Mr. Hyde à perna; ou Mr. Hyde
trazendo a reboque o dr. Jekyll? Uma escolha impossível julgo eu, já que tal
exigiria das autoridades um prévio conhecimento da psique de José Sócrates,
produto do exame que, tanto quanto se saiba, nunca foi realizado.
Chamo,
a propósito, a atenção para que a argumentação dos responsáveis maiores do PS e
de alguns dos defensores de Sócrates segue em paralelo com esta linha de
raciocínio, ao afirmarem que não se pode nem deve confundir o Sócrates político
com um eventual Sócrates criminoso. De outro modo: que podem existir em
sincronia, numa só pessoa, um brilhante e patriótico primeiro-ministro e um
escroque de primeira linha, que age em proveito próprio suportado pelas funções
que desempenha. A hipótese, como disse anteriormente, não é menosprezável, mas
terá que ser provada; e a polícia não é, nem costuma ir, à bruxa. Limitou-se,
pois, a proceder segundo as regras do mais elementar bom-senso quando se trata
de prender um suspeito de crimes graves.
Donde
virá, então, aquilo que me parece ser uma espécie de incoerência toldada pelas
emoções (ou por quaisquer outros factores desconhecidos…) por parte de quem se
indignou com a prisão de um antigo primeiro-ministro? Esta a pergunta a que,
como já disse ao início, me propus responder a mim próprio, mas que achei
pertinente o bastante para dever partilhá-la.
É
que neste “não se prende nem se trata assim um antigo primeiro-ministro!” há
qualquer coisa de “ancien régime” com cheiro a peúga de ex-seminarista, algo
entre o bafio e o cheiro a beco escuso e escuro da vontade. Algo que cheira a
“argumento de autoridade” e a “você sabe com quem está a falar?” que me
assombrou em menino com voz roufenha.
Juro:
estremeci de apreensão e um arrepio percorreu-me a espinha quando ouvi,
repetido até por quem não esperaria, aquele “não se prende nem se trata assim
um antigo primeiro-ministro”! Parecia-me que, como num vulgar filme de terror,
um grupo de zombies fazia ecoar, no país, a voz de quem houvesse feito das suas
cabeças sepultura, assombrando os vivos com os restos que de si nelas
permanecessem, antes de se tornar para sempre em pó.
A
simples possibilidade de enunciar tudo isto de forma explícita me constrange e
enoja. Respondi, portanto, à pergunta metaforicamente. Mas julgo que fui
bastante claro sobre a identidade desse avesso de Lázaro, doentio e violento,
que tão fundo cravou as suas garras na mente de Portugal. Mesmo nos que são (ou
se dizem) paladinos da democracia.
Voltando
ao tom anterior, e antes de terminar quero ainda, contudo, acrescentar algo que
julgo oportuno e de certa importância para alguns militantes socialistas.
Começo
por recordar os elogios que Miguel Macedo recebeu de toda a oposição quando, há
pouco tempo, pediu a demissão das suas funções de ministro da Administração
Interna. Fê-lo devido à prisão do responsável máximo do Serviço de Estrangeiros
e Fronteiras e de outros funcionários envolvidos em casos de corrupção. Gente,
note-se, cuja nomeação para as posições que ocupavam não fora feita por ele,
mas por quem o antecedera como responsável do MAI – não me lembro se o director
do SEF foi nomeado logo no início do primeiro governo de José Sócrates ou no
final do de Durão Barroso. Não teria necessidade de sair, mas demitiu-se em
benefício da credibilidade do regime enquanto aguarda pelo apuramento da
investigação e pela consequente decisão judicial.
Os
ministros são-no por convite do primeiro-ministro indigitado após as eleições.
Seriam, assim, da confiança de José Sócrates aqueles que integraram os seus
governos e discutiram as diferentes políticas sectoriais e as medidas
destinadas a implementá-las. Não ignoravam as motivações e os objectivos
apresentados pelo chefe da equipa governamental de que decidiram fazer parte.
Não podem, assim, afirmar que desconheciam o alcance e as implicações do plano
que ajudaram a estruturar e a fazer cumprir. Se não se aperceberam, serão
incapazes para desempenhar devidamente funções a esse nível. Se se aperceberam,
das duas uma: ou não se deram conta de eventuais irregularidades; ou, se deram,
serão cúmplices passivos ou activos de Sócrates.
Ora
alguém duvida de que a incapacidade de detectar crimes de lesa-pátria é
incomparavelmente mais grave do que o desconhecimento de um ministro sobre
actividades criminosas de um conjunto de funcionários de um dos sectores de um
ministério? Sem falar já na possibilidade de se ser suspeito de conivência…
Daí
o meu apelo aos antigos militantes do PS que colaboraram com Sócrates, a
começar por António Costa: a bem do regime democrático, demitam-se de todas as
suas funções políticas partidárias. Sigam o exemplo que – tão justamente e a-propósito
– elogiaram de Miguel Macedo e esperem pelo apuramento da verdade para as
retomarem, rebrilhando de inocência e verticalidade cívica.
E
que não vociferem como o pobre “pai da nossa democracia”, cada vez mais
fragilizado, que “aquilo não se faz a um antigo primeiro-ministro!”. Para que
os portugueses, eles próprios alheios ao fantasma ainda habita em muitos dos
seus maiores, mas tendo em mente o velho provérbio “diz-me com quem andas,
dir-te-ei quem és”, não discorram de modo tão distorcido como a frase inscrita
na foto deixa transparecer.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Sócrates e a banalidade do Mal ou A volta do condottieri (2)
Sem título, gravura de Nicolau Saião
Não nos deixemos equivocar: o caso Sócrates
não é fundamentalmente um caso de polícia ou de justiça, mas sim eminentemente
e no mais alto e triste grau um caso de política.
De política especiosa ou, mesmo, especial?
Talvez… Mas claramente um caso onde o que emerge é a panorâmica de uma prática política
que pelos anos fora - nos lugares expressos em que este sedutor aventureiro
político pôde estribar a sua maneira de estar e de fazer estar – foi criando um
estilo entre a arrogância, a agressividade e o descaramento demagógico que não
só colocaram o País à beira da bancarrota mas, ainda pior, à beira da falência
ética e moral.
Basta termos acompanhado, com algum
pormenor, durante o par de anos transactos, os espaços públicos onde a
mentalidade do condottieri (pois não é verdadeiramente, nem nunca foi, um
líder, mas claramente um condottieri, com toda a carga ideológica e pessoal que
essa condição arrastava) extravasava no exemplo dos seus partidários e áulicos,
para se entender tudo: a agressividade compulsiva, a arrogância pesporrente, a
ausência de ética nos escritos e nos ataques aos oponentes, em suma: a sombra
extremamente perceptível de um posicionamento a que poderemos dar a
classificação de cripto-fascista típica, jogando no revanchismo, na postergação
de uma atitude tolerante, muitas vezes descendo ao enxovalho e à violência
verbal desbragada.
O indivíduo político em causa cifrou na sua
figura e no seu estilo tudo o que de pior tem existido no ambiente conceptual
da nação. Por isso não admira que tenha sido o chefe sonhado e amado pelos seus
asseclas, para quem os antónios josés seguros e os antónios costas não passam
de passageiros secundários para a ocupação provisória da barca em que apostavam
por não terem outro remédio, mas que os não fazia esquecer do “chefe” real onde
se concentravam as suas nostalgias e as suas esperanças de poderem voltar a
dominar intangivelmente, mas muito consistentemente, o País que ajudaram a
depredar.
Os elogios e as declarações sistemáticas de
reverência ao condottieri, propiciadas pelos seus partidários intransigentes,
seduzidos pelo seu carisma de “animal
feroz da política” (expressão que traz bem o selo de um discurso
cripto-fascista típico, pela brutalidade da frase) não traduz senão a captura
por um tipo de prática política contra os interesses do Povo e da nação.
Não podem portanto os membros do Partido
Socialista, que por excesso ou por diferença consentiram no domínio
interiorizado da mentalidade e da postura material socrática, virem agora
eximir-se a responsabilidades alegando que uma coisa é a política em que se
mergulham e, outra, as responsabilidades do foro judicial em que ele – o
político que sempre epigrafaram e desculpabilizaram – está metido.
O caso de Sócrates é directamente dependente
de um estilo e uma prática política evidente, muito própria e muito marcada.
Pretenderem convencer-nos do contrário é
apenas uma simulação mais que agora tentam para sacudirem do capote a água
pantanosa em que se deixaram ir existindo!
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
É José Sócrates que está em causa...
... ou o país que, preguiçosamente, estupidamente, se alheou de tudo o que é aqui referido ao longo destes anos, com responsabilidades acrescidas para os militantes do PS?
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
O candidato presidencial que o PS deverá apoiar
(imagem recolhida aqui)
Eis um presidente verdadeiramente interventivo, ao modo e de cepa bem socialista (ver o vídeo com a cena total).
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
domingo, 13 de julho de 2014
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Alberto Gonçalves em grande forma
(imagem obtida aqui)
Duas crónicas suas, no DN (respectivamente aqui e aqui):
Quem se esquece do PS?
À semelhança de boa parte dos portugueses, as
trapalhadas internas do PS interessam-me tanto quanto um concurso filatélico.
Aliás, reconheço nem saber ao certo de que trapalhadas falamos. Parece que a
impopularidade do Governo e uns pulinhos difusos nas intenções de voto
convenceram o dr. Seguro de que chegara a sua hora. Parece que os herdeiros do
eng. Sócrates, entusiasmados pelos mesmos peculiares motivos, querem remover o
dr. Seguro e colocar alguém "confiável" no seu lugar. Parece que
António Costa, cuja enorme relevância começou anteontem a ser inventada, é a
escolha "natural" dos socialistas que se afirmam alternativa à
austeridade. Conforme avisei, a coisa é de facto aborrecida. Excepto para um
psiquiatra.
Fora do manicómio em que os políticos indígenas
cirandam, os estragos causados nos últimos anos bastariam para erradicar o PS
do mapa político. Dentro do manicómio, o PS não apenas se acha no direito de
reclamar o retorno antecipado ao poder como julga mais provável consegui-lo na
exacta versão que, de desastre em desastre, o levou a perder esse poder. O dr.
Seguro, faça-se-lhe a honra, quis mostrar-se envergonhado das proezas do
partido e, sem grandes resultados, tentou disfarçá-lo sob o verniz da
responsabilidade. O dr. Costa não tem vergonha nenhuma e, se o pernicioso
regresso aos mercados não lhe trocar as sondagens, pondera apresentar-se às
massas enquanto o orgulhoso representante dos desvarios que condenaram as
massas a apertos sem fim à vista. Se nada garante que tamanha extravagância vá
longe, a sua mera plausibilidade é suficiente para recear a falta de memória e
de juízo do bom povo.
Mesmo no futebol, que não será um universo
particularmente lúcido ou vital, é difícil imaginar os sócios do Benfica
ansiosos por devolver à presidência aquele fulano que costuma gravitar entre os
luxos de Londres e a cadeia. Na política, porém, é teoricamente possível
reabilitar com leveza o sicrano que, após reduzir uma população à penúria, experimenta,
alegadamente a expensas da família e da banca, as delícias de Paris (mas não,
salvo seja, a cadeia). Os apóstolos do sicrano andam desejosos de terminar o
lindo serviço que iniciaram, e o próprio já é um nome "óbvio" para
Belém. Um país assim dá sempre vontade de rir. Mas raramente dá vontade de
habitar.
American idol
Foi
exemplar a hesitação de Barack Obama quando, na tomada de posse, tropeçou ao
pronunciar o nome do próprio país. É difícil falar em Estados Unidos se, além
de cientificamente duvidoso (a referência dogmática ao "aquecimento
global" caiu ali a que propósito?), o discurso que o Presidente terminara
minutos antes constituiu uma tentativa de inventariar motivos de divisão e
conflito internos.
Escrevo
"tentativa" porque aludir à discriminação sofrida pelas mulheres,
pelos homossexuais e pelos imigrantes soa um bocadinho a anacronismo ou a erro
geográfico. Poucas nações exibem os índices de igualdade de género dos EUA.
Raríssimas nações são tão progressistas no tratamento legal (e informal) dos
homossexuais quanto os EUA. E, em última instância, decerto nenhuma nação
acolhe "naturalmente" os estrangeiros como os EUA, aliás definidos em
larga medida por esse milagre de integração.
Não digo
que, hoje e sobretudo ao longo da História, o milagre estivesse isento de
obstáculos. Digo que exagerar as diferenças num momento destinado à coesão
demonstra o tipo de estadista que Obama é: um delegado de cliques e parcelas,
para quem as políticas de "identidade" têm precedência face ao mundo
real. O mundo de Obama não é habitado por indivíduos, mas por grupos que o
elegem ou abominam e aos quais ele se preocupa em servir ou alienar. Não custa
prever que o segundo mandato reforce a tendência insinuada no primeiro: os
estados já estiveram de facto mais unidos. Vale que a partir de agora falta
cada vez menos para a reforma de um objecto de veneração e um sujeito que não a
justifica.
sábado, 20 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
Perplexidades - 2
Aquele discurso do Costa que é presidente da CML terá sido escrito por ele ou pelo secretário-geral do PS? E foi para dar nas vistas, aproveitando a ocasião? Ou para dizer que o 5 de Outubro é dele? Ou que a República é dele? Ou do PS?
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
COMO??!!
(imagem recolhida aqui)
Diz-se aqui:
O Tribunal Criminal de Lisboa acabou de dar como provados todos os pontos da acusação contra o deputado socialista Ricardo Rodrigues e condenou-o por um crime de atentado à liberdade de imprensa. O deputado apanhou 110 dias de multa e tem de pagar 4950 euros ao tribunal.
O Expresso contactou Ricardo Rodrigues. O deputado disse-nos que pensa recorrer da sentença, pelo que só a comentará depois de transitada em julgado.
Em abril de 2010, durante uma entrevista que decorria numa sala da Assembleia da República, Ricardo Rodrigues 'perdeu a cabeça' com uma pergunta sobre o seu envolvimento num caso de pedofilia nos Açores. O deputado levantou-se e pôs no bolso os dois gravadores que estavam sobre a mesa.
Ricardo Rodrigues foi tão rápido que os jornalistas da revista "Sábado", Fernando Esteves e Maria Henrique Espada, nem deram pela falta dos gravadores. Quando repararam, ainda confrontaram o deputado socialista, que recusou devolver o material. Mas Ricardo Rodrigues esqueceu-se de que a entrevista estava a ser filmada e as imagens foram divulgadas no site da revista e pelas televisões.
O deputado socialista, que é o representante no Parlamento no Centro de Estudos Judiciários, foi acusado pelo Ministério Público de atentado à liberdade de imprensa. Em tribunal, Ricardo Rodrigues alegou que as perguntas que lhe estavam a ser feitas eram ofensivas e alegou o direito à ação direta para se defender.
Pergunto:
- como pode o PS manter como militante alguém com o nível ético deste indivíduo, sem implicitamente se identificar com ele?
- como pode a AR tolerar, sem se rebaixar ao mesmo nível, que alguém como o sr. Rodrigues diga representar qualquer cidadão português?
- como podem os portugueses ficar calados perante isto, sem se sentirem responsáveis pela sua própria extinção?
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