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domingo, 13 de janeiro de 2013

"A realidade não passará?" e "Os denunciantes"




(imagem obtida aqui)


São os títulos de duas crónicas de Alberto Gonçalves no DN, respectivamente aqui e aqui, que transcrevo de seguida.




A realidade não passará?

Agora é oficial: as exactas forças políticas que criticam os aumentos de impostos também não aceitam reduções na despesa. Se não tivesse outras virtudes, o relatório do FMI teria o mérito de confirmar que, perante um Governo indeciso, há uma oposição que sabe muito bem o que quer. Por acaso, quer o impossível, conforme já reivindicavam os "realistas" do Maio de 1968. E se as consequências de uns garotos mimados a berrar disparates não são graves, as consequências de partidos apesar de tudo representativos imitarem os garotos arriscam dar para o torto.

Sem surpresas, os "argumentos" contra os cortes no Estado não diferem dos "argumentos" contra a carga fiscal. Os cortes são ideologicamente orientados (como se os seus adversários agissem em nome de uma pureza desprovida de ideologia e de interesses). Os "cortes" não constam do Memorando assinado com a troika (como se se defendessem os "cortes" que constam do Memorando e se achasse este documento, afinal, louvável). Os "cortes" violam a Constituição (como se estraçalhar as finanças públicas à custa de negociatas e em seguida deslizar para Paris não violasse o artigo que prevê a punição política, civil e criminal das "acções e omissões" que os governantes "pratiquem no exercício das suas funções"). Etc.

Sobretudo o zelo constitucional é curioso. Aqui e ali, gente indignada fareja com regularidade incumprimentos da sacrossanta lei fundamental sem perceber, ou fingindo não perceber, que o problema não passa por aí. A situação para que, directa ou indirectamente, tantos entusiastas do legalismo arrastaram o País força o País a esquecer a constitucionalidade e a preocupar-se com a realidade. A primeira, apesar do escândalo, ainda é contornável; a segunda, cujo carácter imperativo não carece de tribunal próprio, não. De que adianta uma Constituição "garantir" a todos os cidadãos o direito ao Maserati na garagem se o stand de automóveis deixou de vender fiado?

Descontado o exagero, a retórica que vinga por aí teima no Maserati (ou no Opel, vá lá) e na isenção de o pagar. Para citar um recente convidado do Expresso da Meia-Noite, "temos de definir o padrão de vida de que não estamos dispostos a abdicar e então pedir solidariedade europeia". E não, o convidado não se chamava Artur Baptista da Silva, mas Nãoseiquê Nazaré, figura que suponho ligada aos futebóis e aos socialismos e que, diga-se, limitou-se a repetir a loucura vigente. Aos portugueses, compete respeitar escrupulosamente a Constituição. Aos europeus do Norte, cabe-lhes desprezar as constituições deles a fim de nos sustentar a folia, perdão, o padrão de vida de que não abdicamos. É a solidariedade unilateral.

De qualquer modo, a histeria geral está mal direccionada: o primeiro-ministro correu a avisar que o relatório do FMI "não é a Bíblia" e Paulo Portas admite que o dito relatório possui "coisas discutíveis" e "coisas inaceitáveis". Mesmo sendo verdade, o importante é o frenesim do Governo em abraçar a luta que o une aos que o desejam enxotar. No que depender de nós, nada muda. Feliz ou infelizmente, hoje pouco depende de nós. E, por este andar, amanhã ainda menos.




Os denunciantes

Ao arrepio da timidez típica na classe política, o Bloco de Esquerda não teme erguer a voz contra as injustiças. Há dias, o seu líder parlamentar denunciou um caso de negligência no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, onde um homem de 25 anos foi mandado para casa sem realizar qualquer exame e acabou por morrer devido a um aneurisma.

O único problema desta história, além de uma morte prematura, é a circunstância de ser tudo mentira - excepto, infelizmente, a morte. Afirmando-se triste com o uso da dor alheia para fins políticos, a própria mãe do falecido esclareceu que no estabelecimento hospitalar em causa "tiveram todos os cuidados, acompanharam-no sempre, realizaram todos os exames com diagnóstico imediato". Quanto ao BE, voltou-se contra as "incongruências" da fonte que lhe cedeu a informação e nem por instante admitiu que o pormenor de o Hospital de São Sebastião ser um exemplo pioneiro de gestão empresarial no Serviço Nacional de Saúde espevitou os apetites da rapaziada por expor as "falhas" do recurso aos métodos do sector privado (o sector público, escusado recordar, é imaculado).

Quem aqui falhou foi, como sempre, o BE. Desta vez fê-lo com espalhafato. Na maioria das vezes fá-lo à revelia do escrutínio público. Mas a repugnante natureza da coisa não muda: os senhores do BE sentem-se tocados pela graça, ungidos cuja missão na Terra é a de acusar, com o dedinho a tremer, as respectivas iniquidades, ainda que as iniquidades nem sequer existam ou ainda que as acusações escondam a defesa de iniquidades piores. De resto, a pior iniquidade é o BE.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Por Artur Baptista da Silva!

(foto obtida aqui)

Pc reparado, volto hoje para sugerir a constituição de um movimento cívico, com vista a levar Artur Baptista da Silva mais alto do que até hoje conseguiu ir politicamente: a lista distrital do PS que foi derrotada pela de António Costa. Os socialistas não o merecem.


O lugar legitimamente reclamável por Artur Baptista da Silva  dentro do actual panorama político e social português, nunca poderá, pelo sucedido, ser inferior ao da chefia de um grande órgão de comunicação social. Mas o posto que verdadeira e honrosamente lhe compete é: ou o de futuro chefe do Governo que substitua o actual; ou o de próximo Presidente da República.


Porque jamais qualquer responsável deste país pôde ou poderá, tão dignamente como Artur Baptista da Silva, escolher a seguinte frase como lema de campanha: "Não engano ninguém!"

(foto obtida aqui)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Estabilidade na carreira

Num país normal estas promoções seriam um escândalo, mas em Portugal não são. Com o país falido e as promoções e progressões da função pública congeladas para a maioria dos funcionários, o Governo tem-se desdobrado em exceções e encontrado sempre maneira de promover alguns. Se com os militares o argumento é a especificidade militar, com as forças de segurança a justificação é a estabilidade na carreira, que é do mais esfarrapado que poderia encontrar. Qualquer carreira da função pública entra em instabilidade se for congelada, pelo que este argumento pode ser aplicado a qualquer funcionário. Mas como não é,  não se percebe o motivo pelo qual exceções destas passam despercebidas e não provocam qualquer clamor, ao contrário de assuntos, como o do falso funcionário da ONU, que continuam a ocupar capas de jornais.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"Incongruências"




(imagem obtida aqui)



Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão." Vendo o que se diz sobre a crise nota-se enorme falta de lógica e coerência. Isto é normal em tempos assim. Aliás o estranho e precioso em Portugal é que, por enquanto, as discussões, apesar de vociferantes, são pacíficas e a economia vai ajustando. Mas a paz e os progressos não impedem os disparates.

Para compreender os erros comecemos numa das poucas afirmações consensuais: o ensino obrigatório deve ser gratuito. Uma pseudo-ameaça a este princípio suscitou há pouco os maiores sobressaltos. Mas logo a seguir ouvimos os protestos das escolas e dos professores contra a redução dos seus gastos. Afinal a educação gratuita fica muito cara. Quem a paga então?

Dizer que deve ser o Estado é tolice, pois todo o dinheiro que ele gasta sai do nosso bolso. Só que os mesmos que querem educação gratuita e manutenção dos gastos das escolas também protestam contra a subida dos impostos. Assim se completa a incongruência. Como as coisas gratuitas e caras não se limitam à educação, a coisa fica mesmo grave. Pensões e apoios, polícia e tribunais, saúde e energia, embaixadas e militares, estradas e esgotos, entre tantos outros, constituem pesadíssimos encargos. E falar de pagamentos dos utentes, das portagens às taxas moderadoras, implica sempre novos protestos ruidosos. Podem ser compreensíveis, mas não são coerentes, violando as leis da aritmética.

Muitos julgam escapar à falácia apelando a mitos. Um dos mais populares, que o Governo também divulga, é cortar as "gorduras" do Estado. Os opositores usam uma variante da mesma ideia, falando de carros e gabinetes ministeriais, erros e corrupções administrativos. É verdade que existem muitos desperdícios, vícios, exageros e entorses na máquina pública. Mas um problema deste tamanho não se soluciona só com dieta. É precisa cirurgia estrutural. Devemos manter o essencial, na educação, saúde, estado social, etc., mas a aritmética exige que tudo seja alinhado com os impostos que podemos suportar. Recusar a mudança é perigosa ilusão.

Outro mito comum é achar que os ricos pagam a crise. Claro que quem mais tem mais deve pagar. Só que, não só não temos ricos suficientes, mas se abusarmos desse expediente quem beneficia é a Espanha e Inglaterra, para onde irão os nossos ricos, aumentando a nossa miséria. Também as empresas não podem ser sobrecarregadas de tributação se quisermos criar emprego e crescimento. Mais uma vez a lógica impõe-se. A verdade é que só cá estamos nós, e querer serviços gratuitos, despesas altas e impostos baixos não é possível. A não ser que alguém nos empreste.

Esta última ilusão é aquela que hoje nos custa couro e cabelo. A crise resultou directamente da acumulação de quinze anos de dívida externa. Aqui surge uma outra incongruência, quando descarregamos os nervos, não sobre os culpados, mas precisamente naqueles que nos querem ajudar.

É bom lembrar que Passos Coelho e Vítor Gaspar não geraram a doença, mas tentam curá-la. O mesmo se diga da troika. Só conseguimos o nível de vida dos últimos anos porque os alemães e outros europeus nos emprestaram as suas economias. A dívida externa bruta do País, incluindo Estado e privados, atingiu 386 mil milhões de euros em Junho. É isto a crise. Os credores não querem que saldemos essa dívida, mas apenas que demos garantias de conseguir ir pagando os juros. Foi esse medo que nos fechou os mercados em 2010 e criou a crise.

Ficar zangado com quem nos ajudou é estranho. Mais estranha é a continuação. A recuperação portuguesa interessa-nos a nós tanto quanto aos credores, que perderiam tudo se falíssemos. Por isso, em resposta às nossas dificuldades, eles decidiram emprestar-nos mais 78 mil milhões de euros, impondo em troca que sigamos uma cura exigente dos desequilíbrios. Estas condições são muito melhores que a generalidade dos países gastadores tiveram ao longo dos séculos. Face a isto fará sentido insultar a troika? São concebíveis alternativas melhores? Podemos ralhar, mas não temos razão.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A "Palestina"




(imagem obtida aqui)

A propósito da visita de agradecimento a Portugal do Ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, transcrevo este artigo de Alberto Gonçalves, no DN, publicado dias atrás:

"Nascida" na sequência da Guerra dos Seis Dias, a Palestina é uma artimanha, uma estratégia de afronta, um instrumento político. Curiosamente, durante décadas foi um instrumento ao serviço da propaganda "sionista", ou pelo menos assim o garantiam inúmeros representantes árabes e os historiadores menos inclinados para o lado israelita da história. Basta ler uns livrinhos para perceber que, enquanto lhes deu jeito, isto é, sobretudo até 1948, os vizinhos de Israel deram-se a consideráveis trabalhos para desvalorizar a ideia de um povo independente, ou sequer específico, chamado palestiniano. A opinião consensual era a de que tal povo não era mais do que parte integrante da Síria, e sírios, ou em certos casos turcos, era aquilo que os próprios "palestinianos" se achavam. Depois veio Israel, as ofensivas falhadas contra Israel e, à custa do terrorismo de Arafat e, posteriormente, do Hamas, legitimou-se uma nação inventada sobre o racismo e a opressão das minorias, que pelos vistos só importam às vezes.

Esta semana, o nosso parlamento congratulou-se por unanimidade com o voto favorável de Portugal à admissão da Palestina como Estado observador da ONU. Qualificar o voto e os deputados que o festejaram implicaria o uso de linguagem inadequada a um jornal sério.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"E se um Marinho e Pinto quiser ser presidente da República?"





É este o título do artigo de FilomenaMartins, no DN, que transcrevo de seguida:

Apesar de ainda faltarem três anos e picos para as presidenciais em Portugal, várias figuras começaram já a posicionar-se. Interessa perceber quais e com que intenções. Além dos nomes oficiais que cada partido irá escolher, há uma longa lista de protocandidatos da esquerda à direita: começa em Carvalho da Silva e acaba em Durão Barroso, mas engloba, ou pode vir a englobar ainda, Francisco Louçã, António Guterres, Carlos César, o próprio José Sócrates, Jaime Gama, Marcelo Rebelo de Sousa ou até Mota Amaral. E seguramente que me estão a falhar alguns. Mas a este rol faz todo o sentido acrescentar uma figura da tendência que cada vez ganha mais força entre os portugueses, alguém que emane da dita sociedade civil, independente e, digamos assim, apartidário. Marinho e Pinto, o bastonário da Ordem dos Advogados está claramente a fazer esse caminho.

Comecemos pelos mais óbvios. À esquerda, Carvalho da Silva tenta há mais de um ano uma candidatura mobilizadora, que conta com um apoio que ainda tem um significativo peso público: Mário Soares. As ligações ao PCP, de que nunca se demarcou totalmente, e o suporte sindical, onde fez carreira, serão a sua base de partida que pode pescar muitas outras franjas partidárias. O ex-líder da CGTP corre agora o risco de poder ter como concorrente Francisco Louçã, que liberto das funções no Bloco e da tribuna da Assembleia da República ganhou uma espécie de estatuto de senador da República.

Já à direita, o duelo pode ser muito mais complicado. Os dois nomes que saltam à vista "marcam-se" mutuamente. Durão Barroso seria a candidatura mais consensual, mas talvez ache que ainda não está na idade nem no tempo de regressar ao País a que um dia virou as costas, preferindo prosseguir a sua carreira internacional, na Europa ou no mundo, provavelmente até no sector privado. Por via das dúvidas, Marcelo Rebelo de Sousa vem fazendo os trabalhos de casa. Tirando partido da força do seu espaço televisivo, arma-se todas as semanas no crítico do regime, na voz da consciência do Governo, porque sabe que assim ganha pontos na opinião pública. Quer tornar-se um híbrido partidário. Mas como não é fácil descolar do papel que teve, e tem, dentro do PSD, pode ter de jogar em antecipação e formalizar a sua intenção para obrigar Passos Coelho - ou quem for o líder do partido na altura - a definir-se. Seja como for, é um nome fortíssimo.

E chegamos então ao PS. Se fosse possível convencer António Guterres a voltar ao pântano da pátria - agora ainda mais lamacento -, poderia estar tudo resolvido. Mas se Guterres preferir a ONU ou a UNICEF, José Sócrates, que no seu retiro parisiense assiste de camarote ao facto de ser o atual Governo quem mais faz pela limpeza do seu nome, é sempre uma hipótese. Mas só o tempo dirá se será o tempo certo.

E é aqui, ao centro, que melhor se pode posicionar um nome como o de Marinho e Pinto. Até os menos atentos se terão apercebido de como o bastonário da Ordem dos Advogados se tem desdobrado em declarações, conferências, presenças e tomadas de posição. Ainda que algo conotado com o socratismo, Marinho e Pinto é, concorde-se ou discorde-se, a voz do povo, dos "descamisados" contra os poderosos. Está à frente dos advogados como podia estar a guiar o táxi onde a maioria dos portugueses viaja. E entre todas as guerras em que se mete, as polémicas em que se autoenvolve e os erros que comete, é preciso dizê-lo, traz para a discussão muitas verdades que se perdem na enxurrada. O poder odeia-o e seguramente escorraçá-lo-á. Mas o povo gosta e revê-se nele. O seu populismo, a roçar a demagogia, insisto, pode fazer caminho. Até acho que um qualquer José Manuel Coelho faz sempre falta. Mas Marinho e Pinto é muito mais perigoso: por ele próprio e pela votação que pode conseguir. Não se riam. Foi a isto que chegámos. Foi isto que criámos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Eco de um tolo...? Tolo será quem pense que a velha jogada não estava apenas à espera de um pretexto!




(imagem obtida aqui)

Escreveu Henrique Medina  (as letras a cheio são dele):

O nome do ex-ministro das Finanças fazia ontem a manchete de um jornal - o 'Sol'. Dizia assim: "Apanhado na rede" e informava que a "investigação do caso Monte Branco (...) apanhou um nome totalmente improvável". A fotografia de Medina Carreira era a maior mancha gráfica da primeira página.

O ex-ministro e comentador reagiu com calma, dizendo que tinham ido a sua casa e ao seu escritório e nada tinham encontrado. Não ficou sequer como arguido.

Hoje, diversos jornais, entre os quais o Expresso, indicam que o nome de Medina Carreira seria um código usado na rede Monte Branco (e referente a outra pessoa), nada tendo a ver com a participação na rede do advogado e fiscalista que foi ministro das Finanças nos anos 70.

Vamos, pois, reconstituir a notícia: um nome aparece em documentos apreendidos num processo de investigação; a justiça naturalmente investiga e, aparentemente, chega à conclusão de que a pessoa a que corresponde esse nome nada tem a ver com o caso.

Pelo meio, alguém ligado à investigação, revela a um jornal o nome concreto que surgiu em documentos e o jornal espeta-o na primeira página.

Na verdade, como muito bem disse o visado Medina Carreira, não tem de haver aqui nenhuma conspiração ou cabala. Basta existir, como existiu, digo eu, um agente ligado à investigação completamente idiota ou tolo, uma jornalista que gosta de servir de eco a esse tipo de tolos e um jornal que publica qualquer coisa que lhe chegue sem tentar aprofundar, confirmar ou contrastar.

Gostava que houvesse uma investigação a sério e que, pelo menos, se soubesse quem é o agente tolo... porque a jornalista sabe-se que é costumeira neste tipo de andanças.
Digam lá agora se não é verdade que mais vale não haver segredo de Justiça. Ao menos, desse modo, ficaríamos com a história toda, contada por ambos os lados e não apenas com a versão do agente tolo e da jornalista eco.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Do intolerável





Ouvi eu, com estes que a terra há-de comer, num debate transmitido, poucos dias atrás, num dos três canais noticiosos televisivos, entre Francisco Assis, Ângelo Correia, Ribeiro e Castro e Francisco Louçã, o ex-coiso do BE afirmar, africano no europeu, algo que jamais lhe passou pela cabeça dizer anteriormente em público, no parlamento ou fora dele: que os portugueses consomem medicamentos a mais e que aquilo em que ele se opõe à política do governo é somente o facto de este retirar aos mais humilhados e oprimidos a possibilidade de tomarem aqueles de que necessitam.

Gostaria de haver anotado tudo aquilo que, de há dois meses para cá, fui apanhando da boca de políticos e jornalistas deste país, que dão bem a medida dos “políticos” e “jornalistas” que dominam o “país”. Não tive tempo para isso e muito menos para o deixar aqui registado.

Mas ontem, quando os órgãos de “comunicação” amplificaram o babujar de Mário Soares que, qual malandro sul-americano ou padrinho mafiento, sugere, por acção de interposto povo indignado, a eventualidade de uma futura-próxima ameaça à integridade física do primeiro-ministro, julgo que não restam a ninguém quaisquer dúvidas sobre a natureza e a qualidade dos vermes que refocilam na lixeira que criaram e que se dispõem a proteger o seu habitat contra qualquer tentativa de alterar o ambiente que lhes serve e os serve.

E que, afinal, não preciso de dizer mais.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

À atenção da esquerda, do sr. Arménio Carlos e dos portugueses em geral



(imagem obtida aqui)

Vem escrito aqui (julgo que, pelo menos, parte disto também se encontra estabelecido na Alemanha):


A maneira como se vive e pensa o trabalho em Portugal tem muito pouco a ver com o modo como os países do Norte da Europa o perspectivam. A questão é debatida esta quarta-feira à tarde na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, pelos embaixadores da Noruega, da Finlândia, da Dinamarca e da Suécia em Portugal, com a participação do secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins. 

A Renascença falou com alguns dos protagonistas para saber que medidas concretas Portugal deveria "importar" e aplicar no mercado de trabalho nacional. 


Governo com papel secundário nas negociações laborais na Noruega 
O embaixador da Noruega, Uva Thorsheim, considera que as negociações em matéria laboral devem ser menos centralizadas – ou seja, o Governo deve ter um papel secundário, para que as relações entre patrões e empregados sejam mais transparentes.

“As negociações são tripartidas, temos os empregados, temos os trabalhadores com as uniões sindicais e depois, se necessário, temos o Governo. Não começamos com o Governo. Temos como ponto de partida que a paz é bom para os lucros e ambos, empresa e trabalhadores, vivem dos lucros. E concordamos em que os trabalhadores recebam parte dos lucros”, explica. 

O embaixador norueguês destaca também alguns benefícios sociais que permitem melhorar a competitividade dos trabalhadores, como a possibilidade de ficar em casa se os filhos ficarem doentes sem ter o salário reduzido. 

“Isso permite que as pessoas admitam depois ter dias de trabalho mais longos. São condições de trabalho que tornam possível ter uma família e trabalhar ao mesmo tempo”, defende Uva Thorsheim. 


Negociação laboral ajudou a recuperar emprego na Finlândia 

A Finlândia já viveu um período negro. Na década de 90, teve uma elevada taxa de desemprego. O seu representante em Lisboa, Asco Numinen, diz que uma das medidas que ajudou à recuperação da economia do país foi a negociação laboral: é descentralizada, feita ao nível local, empresa a empresa, entre patrões, sindicatos e empregados. 

“As negociações são feitas por comissões industriais, que têm lugar ao nível das empresas e são resolvidos ao nível das empresas de acordo com a situação económica de cada uma delas”, conta. 

O diplomata destaca a ainda a mobilidade no trabalho existente no seu país, factor que contribuiu para melhorar a competitividade. Mas Asco Numinen lembra que existe uma lei na Finlândia específica para proteger a segurança na mudança. 

“Se tiver uma empresa que vá à falência, por exemplo, de acordo com esta lei há uma obrigação da companhia de cooperar com as pessoas que ficaram desempregadas e o Estado também tem de participar com o seu contributo, de modo a garantir que nenhum desempregado fique sem ajuda. Terá formação para poder ser reintegrado noutra empresa”. 


Dinamarca aposta em mobilidade e protecção 
Para o embaixador da Dinamarca em Lisboa, Hans Micaell Koloed-Hansen, a mobilidade no trabalho é a chave para melhorar a competitividade num país, mas para tal, reforça, tem de haver protecção para quem fica no desemprego. 

“Na Dinamarca, as pessoas mudam de emprego com grande frequência, em média de três a quatro anos. Na maior parte das vezes, com um salário melhor, mas esse não é o ponto. Número dois, isto só é possível porque os empregados assim o desejam ou porque patrões querem mudar. Por outro lado, existe um elevado nível de protecção social para todos aqueles que estão sem trabalho”, explica o diplomata. 

Por outro lado, Hans Micaell Koloed-Hansen considera ser necessário que a negociação laboral seja feita pelos trabalhadores e patrões: são eles que conhecem a realidade das empresas. 

“Nós desenvolvemos um modelo em que os patrões, os empregados e os sindicatos podem e devem decidir porque são eles que conhecem bem a situação local…e são eles que sabem o que é preciso fazer”, descreve. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Do ridículo

Ninguém explica a Heloísa Apolónia do PEV que os seus discursos no parlamento são completamente ridículos? Apolónia, ou não tem a mínima noção da figura que faz, ou então julga que disse alguma coisa de jeito com aquela conversa de indignado de café.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

"Jogos perigosos"



(imagem obtida aqui)


Este é o título do polémico editorial do Jornal de Angola, que transcrevo daqui, e que me fez recordar a quadra de António Aleixo: Para a mentira ser segura/e atingir profundidade/tem que trazer à mistura/qualquer coisa de verdade.

Não julgo necessário sublinhar o que quer que seja.


Camões, faminto de tudo, até de pão, na hora da partida desta vida, descontente, ainda foi capaz de um último grito de amor. Morreu sem nada, mas com a sua ditosa e amada pátria no coração. Ele que sofreu as agruras do exílio e foi emigrante nas sete partidas, escorraçado pelos que se enfeitavam com a glória de mandar e a vã cobiça, morreu no seu país.

O mais universal dos poetas de língua portuguesa deixou-nos uma obra que é o orgulho de todos os que falam a doce e bem-amada língua de Camões. Mas também deixou, seguramente por querer, a marca das elites nacionais que o desprezaram e atiraram para a mais humilhante pobreza. O seu poema épico acaba com a palavra Inveja. Desde então, mais do que uma palavra, esse é o estado de espírito das elites portuguesas que não são capazes de compreender a grandeza do seu povo e muito menos a dimensão da sua História. Nós em Angola aprendemos, desde sempre, o que quer dizer a palavra que fecha o poema épico, com chave de chumbo sobre a masmorra que guarda ciosamente a baixeza humana. A inveja moveu os primeiros portugueses que chegaram à foz do Rio Zaire e encontraram gente feliz, em comunhão com a natureza. Seres humanos que apenas se moviam para honrar a sua dimensão humana e nunca atrás de riquezas e honrarias.

A inveja fez mover os invasores estrangeiros nesta imensa terra angolana. Inveja foi o combustível que alimentou os beneficiários da guerra colonial. Inveja foi o estado de alma de Mário Soares quando entrou na reunião do Conselho da Revolução, que discutia o reconhecimento do novo país chamado Angola, na madrugada de 10 para 11 de Novembro de 1975. Roído de inveja e de cabeça perdida porque a CIA não conseguiu fazer com êxito o seu trabalho sujo contra Angola, disse aos conselheiros, Capitães de Abril: não vale a pena reconhecerem o regime de Agostinho Neto porque Holden Roberto e as suas tropas já entraram em Luanda. Uma mentira ditada pela inveja e a vã cobiça.

A inveja alimentou em Portugal o ódio contra Angola todos estes anos de Independência Nacional. E já lá vão 37! Os invejosos e ingratos para com quem os quer ajudar estão gastos de tanto odiar. Que o diga a chanceler Angela Merkel, que ajudou a salvar Portugal da bancarrota, mas é todos os dias insultada. Recusam aceitar que foram derrotados depois de alimentarem décadas de rebelião em Angola, de braço dado com as forças do apartheid de uma África do Sul zelosa guardiã da humilhação de África.

As elites políticas portuguesas odeiam Angola e são a inveja em figura de gente. Vivem rodeadas de matilhas que atacam cegamente os políticos angolanos democraticamente eleitos, com maiorias qualificadas. Esse banditismo político tem banca em jornais que são referência apenas por fazerem manchetes de notícias falsas ou simplesmente inventadas. E Mário Soares, Pinto Balsemão, Belmiro de Azevedo e outros amplificam o palavreado criminoso de um qualquer Rafael Marques, herdeiro do estilo de Savimbi.

Os angolanos estão em festa pela Independência Nacional. Em Portugal, a nova Procuradora-Geral da República foi a Belém onde deve ter explicado a Cavaco Silva as informações que no mesmo dia saíram na SIC Notícias e no Expresso, jornal oficial do PSD, que fizeram manchetes insultuosas e difamatórias visando o Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, que acaba de ser eleito com mais de 72 por cento dos votos dos angolanos. Militares angolanos com o estatuto de Heróis Nacionais e ministros democraticamente eleitos foram igualmente vítimas da inveja e do ódio do banditismo político que impera em Portugal, neste 11 de Novembro, o Dia da Independência Nacional. A PGR portuguesa é amplamente citada como a fonte da notícia. A campanha contra Angola partiu do poder ao mais alto nível. Mas como a PGR até agora ficou calada, consente o crime. As relações entre Angola e Portugal são prejudicadas quando se age com tamanha deslealdade. A cooperação é torpedeada quando um ramo mafioso da Maçonaria em Portugal, que amamentou Savimbi e acalenta o lixo político que existe entre nós, hoje determina publicamente o sentido das nossas relações, destilando ódio e inveja contra os angolanos de bem. Da boca para fora, são sempre amigos de Angola e dos angolanos, da Alemanha e dos alemães. Enchem os bornais de dinheiro, à custa de Angola, comem à custa da Alemanha. Sobrevivem à miséria, usando como último refúgio a antiga “jóia da coroa”, feliz expressão do capitão de Abril Pezarat Correia. Mas na hora da verdade, conspiram e ofendem angolanos e alemães, usando a sua máquina mediática.“De sorte que Alexandre em nós se veja,/ sem à dita de Aquiles ter inveja.” Estes são os dois últimos versos de Camões no seu poema épico. Os restos do império, que estrebucham na miséria moral, na corrupção e no embuste, deviam render-se à evidência. Angola não é um joguete! Nós somos Aquiles! Tão grandes e vulneráveis como ele. Mas não tenham Inveja do nosso êxito, porque fazemos tudo para merecê-lo.

domingo, 11 de novembro de 2012

"A Oeste nada de novo"



(imagem obtida aqui)


É este o título da crónica de Alberto Gonçalves, no DN, que transcrevo de seguida:


O extraordinário não é que António José Seguro se afirme "preparado para governar", nem que o faça sob o divertido argumento de que o "investimento" público garante o crescimento económico.


O extraordinário é que, se as eleições se realizassem hoje, o PS do dr. Seguro e os argumentos do dr. Seguro sairiam muito provavelmente vencedores. Já chega de culpar os políticos pela desgraça do País: o País desceu a isto por culpa do bom povo. Crise de representação? Nem vê-la. Feitas as contas, os nossos representantes representam-nos com esmero.

É preciso notar que o eleitorado, ou pelo menos a parte do eleitorado que pesa, não está descontente com os senhores da coligação do poder por estes terem demorado ano e meio a iniciar, segundo consta, um esboço de reforma estatal. O eleitorado anda irritado porque o Governo vem aumentando os impostos para evitar bulir no Estado. Quando, e se, bulir, o eleitorado andará irritadíssimo. Poucos são os que desejam reformas, "refundações" ou mudanças: milhões de criaturas sonham com a imobilidade absoluta, mesmo após constatarem que essa imobilidade possui um custo que, a pronto ou habitualmente a crédito, não poderemos continuar a pagar.

Paradoxal? Os paradoxos não nos atrapalham. É por isso que enquanto nos queixamos da crise estamos dispostos a legitimar nas urnas o exacto partido que apressou a crise e as exactas alucinações que tornaram a crise obrigatória. Como o maluquinho que volta a enfiar o dedo na tomada depois de cada choque, uma impressionante quantidade de portugueses não aprende. E é duvidoso que venha a aprender.

A verdade, que quase ninguém admite para não ferir susceptibilidades, é que não percebemos a razão de acontecer o que nos acontece. Descontados os casos de má-fé, as reacções à visita da sra. Merkel exibem o desnorte que por aí vai. Não falo dos arruaceiros, nitidamente empenhados em reinar sobre as ruínas. Falo dos bem-intencionados como Marcelo Rebelo de Sousa, que patrocinou um filmezinho destinado a mostrar aos alemães que do Minho ao Algarve há gente boa (parece que as autoridades berlinenses deitaram o filmezinho ao lixo). E falo da empresa de Marco de Canaveses que quer oferecer à chanceler um cabaz com azeite, vinho do Porto, enchidos, queijo e "outras iguarias" (suspeito que o cabaz não chegará ao destino).

Isto seria genial se o drama pátrio fosse a Alemanha supor que somos antipáticos e incapazes de produzir uma morcela decente. Sucede que o problema não é esse: o problema é precisarmos do dinheiro alemão para não nos afundarmos de vez à conta da estroinice indígena. E nada indica que o contribuinte de lá ceda à filantropia após provar um vintage da Ramos Pinto. No meio disto, sobra a sra. Merkel, suficientemente atenta aos perigos da implosão do Sul para nos amparar a austeridade e suficientemente atenta aos votantes dela para impedir que o amparo seja incondicional. E só. Se não respeitamos a realidade, é altamente duvidoso que a realidade venha a respeitar-nos. De qualquer modo, é enternecedor ver Portugal explicado por quem não o compreende.

Ameaça aos privilégios

Ameaça à pátria ou ameaça aos seus privilégios? A pergunta é meramente retórica, porque não é difícil  perceber o que move estes senhores militares. E só não é mais fácil porque a imprensa portuguesa anda entretida a instalar em Portugal uma psique revolucionária e não tem tempo para reportagens sobre as passagens à reserva e sistemas de saúde corporativos.

Os donos dos pobres

Bastou uma frase de Isabel Jonet sobre a pobreza para o Bloco de Esquerda finalmente revelar aquilo que pensa sobre o assunto, mas nunca tinha tido a coragem de dizer. Os bloquistas julgam-se donos dos pobres e qualquer iniciativa para os ajudar, que fuja à sua cartilha ideológica, é imediatamente rotulada de fascista. Foi o que Louçã fez hoje ao marcar Jonet com o autocolante do Movimento Nacional Feminino. Sem se dar conta o Bloco de Esquerda mostrou aquilo que é e sempre foi: um partido extremista, radical e intolerante.

sábado, 10 de novembro de 2012

O remoinho

Está a começar a formar-se um remoinho com a visita de Merkel a Portugal. A chanceler ainda não chegou mas as  televisões já estão a entrevistar indignados a queixar-se da austeridade alemã. A seguir virão as manifestações, as gritarias, os diretos intermináveis e as milhares de imagens no facebook, que irão colorir mais esta onda de histerismo e repulsa. Só é pena que os indignados não sintam o mesmo fastio pelo dinheiro alemão.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"A busca da chave"





(imagem obtida aqui)



Todos conhecem a anedota do homem que, perdendo à noite a chave à porta de casa, vai procurá-la debaixo do candeeiro da rua por aí ter luz. Os portugueses fazem isto há muito, insistindo numa solução nacional por sucessivos governos falhados, sem notar a realidade socioeconómica que passa ao lado.

Na recessão o pêndulo da popularidade anda mais depressa. O anterior Governo, que nos trouxe à crise, caiu em desgraça ao fim de uns anos. Foi substituído pelo actual que, após poucos meses de esperança, já o seguiu no descrédito. É espantoso, mas ainda há quem acredite que mudar o Executivo fará diferença. Há séculos que se repete o ciclo, sem que se aprenda. Continuamos fiéis adeptos do Estado mas violentos inimigos do Governo da altura. A política há-de ter a solução nacional, embora os políticos não prestem. O paradoxo merece reflexão, em especial no momento em que o Governo, de forma totalmente inesperada, conseguiu algo espantoso. E é violentamente zurzido por isso.

Em 2011, pela primeira vez desde 1950, o total da despesa pública desceu em termos nominais. Caso único nos últimos 60 anos, é fenómeno histórico que ninguém achava possível. A responsabilidade é partilhada, porque nesse ano o Ministério das Finanças foi dirigido por Teixeira dos Santos até 9 de Julho e Vítor Gaspar depois. Embora o maior esforço seja do segundo, a execução orçamental dos primeiros seis meses, de acordo com o Relatório do OE para 2012 (quadro II.2.1.), reduziu a despesa total em 1.9%, boa ajuda para a descida de 5,5% nominais no ano. Mais impressionante, o feito repetiu-se em 2012, em que haverá uma descida da despesa total em 10,2% nominais, algo a que ninguém vivo assistiu.

E não se prevê que volte a assistir, pois as contas para 2013 já dão uma subida nominal e real da despesa. Mas ao menos contaremos aos nossos netos que vimos o impossível: o Estado cortou a despesa duas vezes. Todos os Governos, em democracia ou ditadura, falam disso há décadas. Todos têm rigor e contenção, mas houve um que teve mesmo. E é considerado o pior Governo de sempre por causa disso. Não admira que ninguém o volte a fazer.

Governos criticados são a sina nacional pelo menos desde o Dr. João das Regras. Nunca se viu um executivo de quem a opinião pública tenha boa opinião e só será louvado anos depois, como argumento para atacar o sucessor. Mas há aqui algo errado. Ouvindo as opiniões comuns acerca da péssima qualidade das políticas e ministros, a única conclusão razoável é que Portugal está tão mal quanto o Zaire. Como constatamos que, mesmo com crise, somos mais ricos que a Coreia do Sul, alguma coisa falta na análise.

O motivo é que passamos a vida a procurar no lado errado. A capacidade da nossa sociedade e economia são espantosas e têm conseguido ao longo das décadas resultados únicos. Desta vez, perante o choque brutal da crise internacional e austeridade interna, de novo se estão a notar excelentes capacidade de ajustamento, flexibilidade e imaginação por parte das nossas famílias, empresas, trabalhadores e cidadãos. No meio dos sofrimentos fazemos maravilhas. Na taxa de poupança, balança externa, transformação sectorial, criatividade empresarial há efeitos rápidos e inesperados que, embora devidos ao choque e desespero, farão o País sair da crise. Só que ninguém nota por todos estarem fascinados com a dança nas cadeiras ministeriais.

Talvez o mais incompreensível seja encontrar tantos economistas que, esquecendo aquilo que aprenderam, se sentam à porta do Parlamento e ministérios, esperando daí o processo de desenvolvimento. Dado que o Estado tem de fazer dieta, é evidente para eles que a economia não poderá crescer, como se estivesse nas páginas do Orçamento a origem da dinâmica produtiva. Por isso boa parte das análises que ouvimos devem mais ao Conselheiro Acácio e Conde de Abranhos que a Adam Smith e Paul Samuelson. Os intelectuais portugueses continuarão a procurar a chave debaixo dos holofotes partidários. Felizmente a economia não espera por eles para arrumar a casa.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Bons princípios



Esta a notícia que pode ser lida no Diário Económico:


Universidades com cursos gratuitos para desempregados
Projecto piloto já arrancou na Universidade Nova. Vai ser alargado e visa a requalificação dos licenciados sem emprego.
As universidades portuguesas vão arrancar com cursos gratuitos de gestão para licenciados desempregados com o objectivo de os requalificar e facilitar a sua integração no mercado de trabalho. O  Governo escolheu a Nova School of Business and Economics para avançar com o projecto piloto, que arrancou na semana passada com uma turma de 50 alunos. E dentro de duas semanas começarão as aulas da próxima turma, igualmente de 50 alunos.
Pedro Silva Martins, secretário de Estado do Emprego, explicou ao Diário Económico que a iniciativa do Instituto de Emprego e Formação Profissional visa "dar maiores perspectivas de empregabilidade aos licenciados desempregados" e admitiu estar já em contacto com outras universidades para alargar a iniciativa. "Vão ter aulas sobre várias competências da gestão aplicada como negociação, marketing, contabilidade, etc. que lhes vai enriquecer o currículo", sublinha Pedro Silva Martins. E há aqui um outro aspecto muito importante, que é o de fazerem ‘networking'. "Numa situação de desemprego, é muito importante vencer o isolamento", diz ainda o secretário de Estado.
O curso dura duas semanas, em regime intensivo de oito, nove horas por dia. No final desse período, são seleccionados 25 alunos para fazerem mais uma semana dedicada ao empreendedorismo, onde farão um plano de negócio.
São candidatos a este tipo de curso todos os licenciados inscritos nos centros de emprego, neste caso da Região de Lisboa e Vale do Tejo, excepto os que têm formação em Gestão. E é dada particular atenção aos que tenham projectos de empreendedorismo, admite responsável do Governo.
Do lado da Nova SBE, o responsável pela formação de executivos, Nadim Habib, esclarece: "Vamos testar o ensino da gestão num segmento difícil. Os alunos são jovens e menos jovens, alguns desempregados há muito tempo, outros nem tanto, vêm de cursos tradicionalmente com mais desemprego: História, Antropologia, Filosofia, etc. Queremos ensiná-los a falar gestão, a entenderem como uma organização funciona, como o seu talento pode acrescentar valor, etc.".
A iniciativa insere-se na Medida Viva Activa na vertente de desempregados licenciados, que tem uma verba de quatro milhões de euros para requalificação de um universo até dez mil pessoas, que engloba não só estes cursos nas instituições de ensino superior como outras acções de formação nos centros de emprego.
"Vamos usar a nossa experiência na formação de executivos e tentar encontrar maneiras de activar o talento. Por vezes, aquilo que as pessoas são boas a fazer tem pouco a ver com a área de formação", frisa Nadim Habib.
Também o ISEG lançou, recentemente, um curso em parceria com o BNP Paribas para ajudar jovens à procura do primeiro emprego e desempregados a encontrar um lugar no mercado de trabalho no sector da banca.