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sábado, 6 de julho de 2013

Tem pai que é cego!




A propósito deste certeiro textículo do Rio d'Oiro, vejamos o que corre hoje pela habitual informação:

- Paulo Portas manter-se-á no governo, como vice e coordenador das decisões económicas:
- Álvaro Santos Pereira sairá, sendo substituído pelo meio-amigo de Portas, Pires de Lima, que poderá dividir algumas dessas decisões com o ex-demissionário ministro dos Negócios Estrangeiros;
- Será criado o ministério do Ambiente;
- A Energia, actualmente do âmbito da Economia, virá provavelmente a ser integrada no novo ministério.

Recorde-se ainda que Seguro (naturalmente) e Portas (...) foram convidados da reunião que o grupo Bilderberg fez em Londres, no mês passado.

Divirtam-se.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Discurso do filho-da-puta segundo o Correio da Manhã


(imagem obtida aqui)


Estendo a mão para o jornal acabado de chegar à mesa do café. Na página 2, na rubrica do sobe-e-desce, vejo a foto de Nuno Crato com setinha vermelha para baixo, ao lado. Aponta a setinha para o facto de uma avaria no sistema informático do Ministério da Educação ter deixado os registos clínicos de 271 professores ao léu por uns minutos. A setinha aponta isso ao ministro.

Lembro-me do Discurso do filho-da-puta, de Alberto Pimenta. Mas não, não é bem isso. Teria que ser Discurso filho-da-puta tosco do tosco pequeno filho-da-puta. Ou... Fecho cuidadosamente o jornal e ponho-o de novo a jeito de quem passe. Talvez alguém se lembre ainda de outros títulos mais... exactos.

domingo, 31 de março de 2013

"A entrevista"


(imagem obtida aqui)

Diz assim Alberto Gonçalves:

A única justificação plausível para a longa entrevista do eng. Sócrates à RTP passaria pela apresentação formal de um pedido de desculpas pelos erros cometidos em seis anos de desmiolada governação. Passou-se exactamente o contrário: o homem continua impermeável à realidade, não admitiu um só erro e distribuiu culpas por tudo o que se movia e move em seu redor. Portugal está como está graças à crise internacional, à Lehmann Brothers, a Cavaco Silva, ao actual Governo, ao "Correio da Manhã" e aos biltres sortidos que teimam em difundir "narrativas" (sic) mentirosas sobre a excelsa competência e personalidade do ex-primeiro-ministro. Ele acerta sempre, logo, por definição, os que dele discordam falham sempre.

Convém reconhecer que, apesar de intrinsecamente tontas, na prática estas alucinações funcionam. Não obstante a brutal inépcia de que já deu provas, o eng. Sócrates continua a dispor de um número considerável de seguidores fervorosos. Pior: mesmo entre os adversários há quem lhe atribua o tipo de características que constituem o chamado "carisma", virtude exaltada em sociedades primitivas e que quando não suscita veneração suscita uma espécie de asco respeitoso. Ou medo. Donde as expectativas de índole diversa fomentadas pelo regresso da criatura e o sucesso de audiências do regresso propriamente dito.

Perante isto, impõe-se uma questão: as pessoas andarão maluquinhas? Bem espremido, o eng. Sócrates merece tanta consideração quanto o título que precede o nome. Em matéria de ridículo, demonizá-lo equivale a beatificá-lo, no sentido de se lhe dar a importância que ele evidentemente não possui. O mito do "animal feroz", que o próprio mitómano inventou a ver se colava, colou de facto e tornou-se um dado adquirido a fiéis e a inimigos, os quais deveriam parar para pensar no exagero em que incorrem.

Descontado o folclore alusivo, a que se resume afinal o eng. Sócrates? A pouquito, uma mediocridade arrogante e uma calamidade política que subiu na carreira à custa de manha, sorte e atraso de vida. Foi justamente o atraso de vida que proporcionou o típico encanto de alguns face à prestação televisiva da passada quarta-feira.

Não importa que o eng. Sócrates tenha passado a entrevista a exprimir-se em língua-de-trapos (repetiu em 57 ocasiões a palavra "narrativa", nenhuma no contexto adequado), a contar mentirolas cabeludas, a desfilar desfaçatez e a exibir impertinência perante jornalistas aliás meigos. Não importa que compare uma dívida pública agravada em prol da propaganda eleitoral com os empréstimos necessários para atenuar os efeitos da bancarrota que a propaganda provocou. Não importa que explique o luxo de Paris com uma dívida privada e hilariante. Não importa que, com a discutível excepção do ataque às trapalhadas do PR, a prestação do eng. Sócrates roçasse o patético. Importa insistir que o "animal feroz" se mostrou preparadíssimo e mantém uma relação privilegiada com as câmaras. Mário Soares considerou a entrevista "brilhante" e, notoriamente excitado, um antigo funcionário do portento proclamou: "Sócrates ama a televisão e a televisão ama Sócrates."

Seria cruel interromper o idílio, que de resto prosseguirá em doses semanais a partir de Abril. Os fiéis do eng. Sócrates aproveitarão para se deliciar com o exercício e os que vêem no sujeito a origem do Mal poderão entreter-se a exorcizá-lo. Pelo meio, é possível que, programa após programa, laracha após laracha, uns tantos ganhem bom senso e comecem a reduzir aquela lamentável figura à sua verdadeira dimensão, a de um vendedor de patranhas que, orientado pela vaidade, fundamentado na inépcia e sustentado por pasmados e oportunistas, ajudou mais do que qualquer outro a arruinar o país. Sendo certo que os estudos em Paris não ensinaram nada ao eng. Sócrates, talvez os portugueses que por cá pagam a factura do seu intelecto aprendam uma ou duas coisinhas.

quarta-feira, 27 de março de 2013

SÓCRATES E A BANALIDADE DO MAL OU A VOLTA DO CONDOTTIERI



Ecce homo

José Sócrates, ex-premier e actual comentador putativo, vendo bem é o menos culpado de vir para a TV pública (ou seja, paga pelos dinheiros do contribuinte) comentar de cátedra.

  Ele, como "condottieri" partidário que é (e não líder, na verdade), faz o que todos os aventureiros políticos fazem: tenta a sua chance usando todos os meios que lhe coloquem na órbita. Como perante o convite que lhe foi dirigido.

(imagem obtida aqui)

  Aproveitando as circunstâncias e tirando partido dos erros e caquexias dum governo fraco e pedante, disponibilizou-se com apresto e procura aparecer agora como um Chávez do jardim luso, como um Fidel desta nação (en)cavacada. Estando a política no degrau mais baixo da ética, fácil foi ter sido pescado pelos verdadeiros culpados de lhe ter sido fornecido um púlpito de onde, qual Savonarola, poderá sem contraditório eventualmente mentir, manipular, baralhar os pobres diabos populares que, no fundo, os adversos dizem que despreza e apenas utiliza.

(imagem obtida aqui)

Tão alegadamente cínico e ardiloso politicamente como no seu tempo o foi o mito manipulativo Roosevelt, que fingiu criar um New Deal para melhor levar ao engano (depois bem o pagaram!) os pobres ianques, Sócrates é determinado: cruel sem ser corajoso, habilidoso sem ser atilado, simulador sem ser sensato, é bem um “animal feroz político” (como diziam os que o incensavam) de traça peculiar. Daí que a seu propósito os asseclas falem em “liberdade de expressão”, quando não é isso que está em causa - ele podia escrever o que quisesse e mandar para os mídias, publicar livros, podia falar dentro do partido e na praça pública de qualquer cidadão (mas preferiu refugiar-se em Paris até deixar passar o maior ódio público pelos seus desmandos e inoperâncias governativas). Pois o que está realmente em causa é ter sido privilegiado com uma tribuna discricionária onde, de cátedra, se poderá eventualmente branquear.

(imagem obtida aqui)

   Os que o fizeram não o fizeram ingenuamente, pois não são idiotas inertes. Houve um propósito, que o dito "animal feroz da política" ou estimulou ou aproveitou. Comentador? Não. Tribuno partidário, como outros – sempre políticos na sua maioria! - fazendo a sua propaganda e dos seus áulicos, isso sim. E isto da parte de alguém que, conforme “vox populi” e até um magistrado, tentou acabar com liberdade de expressão e era useiro e vezeiro em ferozmente tentar defenestrar quem o contrariasse, afivelando uma expressão política dura e maldosa.

(imagem obtida aqui)

  Ele vem não para ajudar o país e a população portuguesa, vem sim para lançar a cizânia, a barafunda e a violência partidária. Conta com duas coisas: que o povo esqueça que, sendo expressamente partidário do "pedir emprestado e não pagar", nos colocou na dependência financeira e na pré-bancarrota; depois, que o povo mais primário atire para cima destes pobres diabos da governação de agora o ónus da miséria formal ("No tempo do Sócrates vivia-se melhor"...). Um tipo perigoso, mais perigoso hoje que dantes, pois vem agitar os díscolos revanchistas e os pervertidos com desejo de vingança - é ler-se na Net os textos brutais que eles bolsam.


  Sócrates só tentará ser presidente da República para, nesse posto, "todo lo mandar". Mas, como bom condottieri, o que ele gosta mesmo é de GOVERNAR (alegadamente falhado como académico, vulgar como scholar, fazedor, de acordo com conhecedores, de trabalhotes medíocres construídos “com a mão do gato”, o seu único lugar é na política, na governança, no mando – como reza o apólogo bíblico). Nisso, é bem um homem da Renascença – à guisa comparativa simbólica de um Del Dongo, de um Piero Negri, que à frente das suas hostes talaram e manobraram as cidades do que depois viria a ser a Itália.


  Banalizado o mal, esquecido o mal por indigência moral ou por labilidade de carácter duma parte do público em que a política de escada-abaixo destes tempos tristes se escora, tudo se abre na frente destes cavalheiros. "Irmão Sócrates", como carinhosamente lhe chamou no velório do sátrapa venezuelano o inenarrável Maduro?

   Sem dúvida. Ele sabia na prática a quem estava a dirigir tal epíteto... familiar!

Crónicas do nacional-bandalhismo





Fá-las Alberto Gonçalves, no DN. As que se seguem, por exemplo.


Sócrates, serviço público

A SIC Notícias anuncia repetida e orgulhosamente o seu leque de novos comentadores. Os anúncios tendem para o solene, com imagens de Jorge Coelho a examinar o oceano, de Francisco Louçã a contemplar obras de "arte" contemporânea e de Bagão Félix a folhear um livro no jardim. Os comentadores são os citados (além, dizem-me, de Marques Mendes, cujo spot não vi), nomes de indiscutível notoriedade, duvidoso esclarecimento e nulo contributo para o progresso da nação. Mais curioso ainda, são todos políticos.

Em todo o mundo civilizado, e em boa parte do mundo incivilizado, seria inconcebível que sujeitos de reconhecida militância partidária (ou com escancaradas pretensões à dita) fossem chamados a opinar regularmente acerca do universo dos partidos. Por cá, é o costume. Já o era quando há menos de um ano diversos correspondentes da imprensa estrangeira em Portugal confessavam à Sábado nunca terem testemunhado semelhante. E hoje, principalmente nas televisões mas não apenas nas televisões, é quase lei.

Não vale a pena tentar perceber os motivos que levam as direcções a decidir assim. Porém, a fim de aferir a dimensão da excentricidade, talvez conviesse imaginar um documentário de David Attenborough sobre o reino animal sem a participação do conhecido naturalista britânico e com o rumo do programa entregue a gastrópodes, marsupiais e batráquios. Engraçado? Com certeza. Sucede que a graça haveria de se perder, coisa que infelizmente não aconteceu com a paciência do público.

O público, que gosta de fingir rebelar-se contra a "partidocracia" na política, aceita sem objecções a partidocracia na análise da política. Excepto, pelos vistos, no caso de José Sócrates, que a RTP se lembrou de contratar para emitir palpites. É verdade que os palpites do homem ajudaram imenso à ruína do país. É verdade que ao contribuinte custará muito pagar um novo salário (em numerário ou em tempo de propaganda) a quem tanto contribuiu para a sua penúria. É verdade que dói ver facultar a liberdade de expressão a um seu incessante inimigo. É verdade, em suma, que o "serviço público" decidiu adicionar o insulto à injúria. Porém, julgo excessivo que a indignação das massas, traduzida numa série de petições inflamadas, recaia exclusivamente em cima do ex-primeiro-ministro, ex-estudante de Filosofia e actual vendedor de medicamentos na América Latina.

No mínimo, há o risco de o pormenor obscurecer o princípio. E o princípio é o de que nada aconselha a que A Vida na Terra seja comentada por caracóis, cangurus e rãzinhas. A circunstância de uma das rãs ostentar um passado particularmente repulsivo é um detalhe, não a autêntica questão. Os consumidores, que durante anos legitimaram a promiscuidade, carecem de argumentos para os queixumes de agora: aberta a porta do zoo, a bicharada em peso sai à rua e entra nos estúdios televisivos. Aqui, a selecção natural é uma falácia.

E se apetecer a algum leitor escrever-me a notar que, ao contrário dos bichos, os animais políticos se distinguem pela inteligência, recomendo que pense duas vezes. Ou uma: uma deverá bastar.


Para quem é, 'Grândola' basta

No Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa, alguns estudantes receberam o primeiro-ministro aos gritos de "demissão" e "Coelho sai da toca". Fizeram muito bem. Se a mocidade sente o impulso de berrar qualquer coisa, ao menos que não seja a Grândola. A melodia é quase inexistente. As harmonias são pobres. A letra é um refogado de lugares-comuns e, para cúmulo, mentirosos, já que da única vez que visitei a "vila morena" não vi nenhum amigo à esquina: vi um automóvel ultrapassar-me a uma velocidade pouco recomendável. Um par de quilómetros depois, o automóvel despistara-se e o condutor jazia meio morto no chão.

Mas fujo do assunto. Grândola, a cantiga, é tão maçadora quanto a generalidade das mais célebres cantigas ditas de "intervenção". Os autores do género, nacionais ou estrangeiros, acham que as massas só apreendem produtos simplórios na música e na lírica. Além de ser um pressuposto falso (Brother, Can You Spare a Dime, escrita em 1930 pelo então comunista "Yip" Harburg, é um raro exemplo de que uma canção de protesto relativamente sofisticada pode comover imensa gente), é um pressuposto revelador da opinião que os intelectuais ao serviço do povo têm do povo que servem. Mesmo José Afonso guardava os ocasionais momentos de inspiração para canções alheias ao comentário "social" (ocorre-me Era um redondo vocábulo). Nos momentos de indignação, lá vinha a Grândola ou o enervante "tiriririri" de Venham mais cinco e desgraças afins. E Sérgio Godinho, outro "baladeiro" que compôs meia dúzia de coisas esteticamente decentes, concentrava a indecência estética em misérias comoLiberdade ("A paz, o pão/ habitação/[etc.]"). Nos restantes "cantautores" indígenas não vale a pena procurar: o lixo é omnipresente.

Se os paladinos dos "oprimidos" lhes servem lixo quando são contrapoder, imagine-se o que lhes serviriam no poder. E quem não for dado à imaginação dispõe de pacotes de viagens a Cuba, pérola das Caraíbas e consumada terra da fraternidade.


O descaramento ilimitado

Para início de conversa, esclareço que, na minha opinião, uma lei ideal limitaria os mandatos autárquicos a cerca de uma semana, período a partir do qual os senhores autarcas começam a definir a rede de interesses que servirão. Também defendo que a lei deveria impedir as candidaturas dos vereadores, chefes de gabinete, secretários, assessores, compinchas, conhecidos e primos até terceiro grau do autarca cessante. Por fim, acho que a lei faria bem em limitar em quantidade as próprias autarquias, pormenor que aliás parecia constar do "memorando" assinado com a troika e que o Governo varreu airosamente para debaixo do tapete.

Quanto à lei que temos, é uma vergonha em matéria de clareza jurídica e um portento de matéria de clareza política. O PSD, que apresenta a votos diversos veteranos de outras freguesias (ou câmaras, para ser exacto), entende que a limitação incide nos municípios e não nas funções. O Bloco, que praticamente não é para aqui chamado, entende que a limitação incide nos municípios e nas funções. O PCP, que tenciona mudar dois ou três caciques alentejanos, entende que a limitação incide nos municípios e não nas funções. O CDS, uma fortaleza de convicção, entende que a limitação incide nos municípios e nas funções, excepto no caso de Lisboa. E o PS, que não viu interesse estratégico na transladação de candidatos, finge que o assunto não lhe diz respeito e pretende passar por exemplo ético.

Eis o perfeito retrato dos princípios que fundamenta o sistema partidário: com a lógica natural numa empresa, cada partido faz os cálculos, antecipa perdas e ganhos e decide de acordo com o respectivo interesse imediato, vendido aos simples sob o rótulo de "interesse nacional" e não, surpreendentemente, de Relatório & Contas. Resta apurar o número de simples que ainda engolem a patranha e confiam apaixonadamente nos partidos como nunca confiariam numa empresa. As eleições autárquicas serão um óptimo indicador e, suspeito, o péssimo sinal do costume.


Teste à amnésia

A estratégia não é complicada - dadas as cabecinhas que a conceberam, não podia ser. A ala "socrática" usou António Costa para apear António José Seguro, acusado de traição aos ideais que enfiaram o País na bancarrota. Inicialmente convencido de que o partido e o povo o desejavam com ardência, o dr. Costa ensaiou o avanço para a liderança. Posteriormente esclarecido de que o partido não o estima e o povo mal o conhece, o dr. Costa consumou uma retirada airosa e, sem surpresas, acabou acusado de cobardia. A ala "socrática" continuava sem um herói para recuperar o "seu" PS. Um belo dia, alguém propôs o próprio Sócrates e este, perito em despachar licenciaturas, voltará em Abril para desfilar sapiência na RTP. O dr. Seguro já afirmou que isto não põe em causa o seu posto, afinal uma confissão de que acha o contrário. Se funcionar, a estratégia mostrará que, além do PS, Portugal bateu no fundo.

terça-feira, 26 de março de 2013

"Hitler na escola"




É o título de um artigo de Esther Mucznik, no PÚBLICO, cuja leitura , pelo que consegue transmitir do actual estado de coisas em Portugal, recomendo com carácter de urgência (via Lisboa-Telaviv).

Dias Loureiro e a bandalheira na guerra das audiências



Ouvindo a Verdade na Rádio Moscovo


É a minha vez de transcrever uma apreciação deixada na caixa de comentários do post anterior do José Gonsalo:


Noticiou ontem o Correio da Manhã que a administração da RTP endereçara também um convite, para ser comentador, a DIAS LOUREIRO.


Este senhor é neste momento um dos arguidos do infame caso BPN e, até ser julgado e talvez condenado, goza do estatuto de inocente. Foi também o célebre ministro do Interior de Cavaco, tendo-se especializado numa gerência musculada, como usa dizer-se liricamente.



Infere-se pois que a dita administração da RTP (estação televisiva cujas audiências são neste momento as mais baixas do ranking) estará eventualmente apostada num violento esforço de melhorar as quotas através do alegado sensacionalismo de cariz que não classificamos.



A contratação do filósofo proto-parisiense não terá portanto sido ditada por um amor estrénuo à liberdade de expressão, como os seus bosses pretendem mentalizar, mas por algo que andará a meio caminho entre o puro oportunismo e a falta de capacidade de erguer uma tv verdadeiramente de serviço público.



Ou jogada política e das rombas. E o resto... será conversa?

Rodrigo de Menezes

segunda-feira, 25 de março de 2013

Sócrates e nuestros hermanos




Dou aqui relevo ao comentário de um leitor a este post do Joaquim Simões:

O espanto dos espanhóis deve-se a isto: eles, apesar de viverem aqui ao pé, não conhecem de facto os cumes de cinismo, falta de vergonha e pura canalhice a que os gestores, nomeadamente de um mídia, são capazes de descer. Zapatero, para eles, é um has been. Para estes de cá, Socas é, apesar de estar envolto em coisas alegadamente muito sujas, um potencial presidente da República, pois a bandalhice de certa gente tornou-se norma. Daí, por temerem a volta do "irmão Sócrates", pois cá tudo é possível, é que os chefões do Sist.judic. continuam a não o investigar e têm tapado o homem até às fezes. Ou seja, o que vigora cá, neste tipo de gente, é a moral de gangsters. Porque, com 120 mil ou dez assinaturas é o mesmo: uma república de fascistas disfarçados, para melhor fazerem render o peixe (podre), não larga o povinho, usa-o como o Socas fez e vai continuar a fazer com a ajuda dos lellos todos que o acolitam.

domingo, 24 de março de 2013

Do que não cabe na cabeça de um tinhoso e também não cabe na de um espanhol



(cartoon recolhido aqui)
Pode ler-se aqui:
Em Espanha a imprensa mostra-se surpreendida com a contratação do ex-primeiro ministro para comentar a actualidade política nacional.
"A ninguém em Espanha passaria pela cabeça ver José Luís Zapatero a comentar a actualidade política na TVE", escreve o jornal espanhol La Vanguardia.
"Em Espanha a ninguém passava pela cabeça que no principal canal da TVE, logo após o telejornal da noite, aparecesse o ex-primeiro-ministro José Luíz Zapatero a comentar a actualidade política semanal. Mas em Portugal é possível e é o que vai acontecer a partir de Abril, quando o antigo líder passar a integrar o painel de comentadores da televisão pública RTP", escreve o La Vanguardia, na edição de hoje, num artigo com o título "El comentarista José Sócrates" e com o antetítulo "A televisão lusa contrata o ex-primeiro ministro como 'opinador', justamente na altura que se inicia o declínio do Governo de Passos".
Já o El Confidencial e o El Mundo dão conta das duas petições (uma contra e uma a favor) e da elevada adesão dos cidadãos à petição contra a contratação de Sócrates.
O El Mundo escreveu um artigo sobre o tema com o título "de primeiro-ministro a tertuliano".
A notícia da adesão da população à petição contra Sócrates como comentador da RTP, que já passa as 120 mil assinaturas, foi alvo de notícia na generalidade dos jornais do país vizinho.

quinta-feira, 14 de março de 2013

ALTO E PÁRA O BAILE ou UM HOMEM NÃO É DE PAU!




   Por vezes um tipo tem mesmo de se assustar. De ficar com os olhos não digo em bico mas redondos como berlindões esbugalhados. E o caso não é para menos…

   Pois não é que estávamos todos mais ou menos postos em sossego, apesar de tristes (snif) devido à morte do nosso querido líder Chávez, filado por um simples e honesto cancro – e de repente, como nos filmes do Hitchcock, ficamos todos a saber que, segundo revelou o camarada Maduro (este nome vale um soneto!) o comandante fora catrafilado sim por um truque minaz dos americanos que (de acordo com o mesmo maduro, vai ser provado por cientistas mundiais requisitados para o efeito) lho cravaram no pelo à má fila?




  Um homem não é de pau, c’um raio, esta marotice faz-nos ficar de unhas encravadas! Que é como quem diz. Trocado por miúdos: a malta do Tio Sam tem para estas maldades tecnologia que só visto.




  Mas antes de termos tempo de respirar profundamente, devido à surpresa estralejante, o mesmo nosso maduro revelou outra, se não tão bicuda pelo menos mais excitante dum ponto de vista conceptual: o oposicionista Cabrilles, que anda lá a chatear os bolivarianos com a mania das democracias não-populares e populistas, afinal… é panasca. Ou, por outras palavras, homossexual, como o excelente Maduro disse educadamente ao dirigir-se à população daquele “fim-do-mundo” sul-americano (para citarmos a expressão já histórica do bom Papa Francisco).




  Ele há coisas levadas do diabo, passe a expressão. E até ao lavar dos cestos (ou seja, até ao fim das eleições, em que o Maduro se verá posto em figura verdadeiramente presidencial, carago, ainda que não embalsamado) de certezinha que outras revelações bombásticas, de maior ou menor fino recorte, serão dadas ao Povo, para ir tirando a fotografia aos malandrecos dos não chavistas ou maduristas (não partidários das madurezas, se assim me posso exprimir).




  É só, creio eu, darmos tempo ao tempo…



segunda-feira, 11 de março de 2013

Planeta muçulmano ou Arrufos ideológicos fascistas




A foto verdadeira (à direita) e a montagem que surgiu em alguns sites iranianos (à esquerda)Fotografia © DR


Título, texto e foto retirados daqui.


Ahmadinejad debaixo de fogo por consolar mãe de Chávez

Na cerimónia fúnebre de adeus ao líder venezuelano, o Presidente iraniano foi fotografado com o rosto junto ao da mãe de Chávez e de mãos dadas. Os muçulmanos estão proibidos, por tradição, de tocar em mulheres que não sejam da sua família e em alguns sites iranianos, a foto foi alterada.

A divulgação da imagem gerou uma onda de críticas no Irão. Um membro da Sociedade do Clero Combativo de Teerão, Hojat al-Islam Hossein Ibrahimi, disse segundo o site Al Monitor que "em relação ao que é permitido (halal) e o que é proibido (haram), sabemos que nenhuma mulher que não seja familiar pode ser tocada a não ser que se esteja a afogar ou precise de tratamento médico".

Alegadamente, os apoiantes do Presidente tentaram proibir a publicação da fotografia, sem sucesso. Depois, a versão online do Iran Newspaper, chamada Shabakeye Iran, terá vindo em defesa de Ahmadinejad, dizendo que o Presidente tentou cumprimentar a mãe de Chávez, Elena Frías, juntando as mãos e levantando-as, mantendo a distância, como fez noutras ocasiões com outras mulheres.

Mais tarde, começou a circular uma fotomontagem na qual, em vez de Elena Frías, o rosto de Ahmadinejad surge junto ao de um homem. Este é apresentado como sendo um tio do falecido presidente venezuelano. O site conservador Entekhab, que tinha criticado Ahmadinejad, apressou-se a pedir desculpa ao presidente, pensando que esta era a verdadeira fotografia e acusando o jornal britânico 'Daily Telegraph' de ser o responsável pela "fotomontagem" em que se via a mãe de Chávez.

Mas algumas horas depois, retiraram o pedido de desculpa, ao descobrir que o homem da segunda foto é Mohamad El Baradei, o antigo diretor da Agência Internacional de Energia Atómica e atual figura figura da oposição egípcia. Na foto original, El Baradei cumprimentava o presidente do Parlamento egípcio, Ali Larijani.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Do fascismo anti-fachista...


(imagem obtida aqui)

... escreve Henrique Raposo aqui:


O fascismo do "Grândola Vila Morena"

Sophia de Mello Breyner cunhou uma expressão engraçada para classificar as tácticas inquisitoriais dos companheiros de estrada do PCPo "fascismo do anti-fascismo" .

Esta intolerância de esquerda foi criada antes do 25 de Abril e, como é óbvio, agressividade dos virtuosos reemerge. Nos últimos dias, por exemplo, têm caído alguns pinguinhos: meninos e meninas têm usado "Grândola Vila Morena" como forma de calar outras pessoas. Uma música criada para promover a liberdade de expressão foi assim transformada numa arma contra a liberdade de expressão.

Os novos cantadeiros do "Grândola Vila Morena" dizem que sãoanti-fascistas. Bom, sobre isso nada sei, mas sei que são bons aprendizes de fascistas. Têm todas as sementes do bicho. Em primeiro lugar, revelam uma total intolerância em relação ao outro lado; há que malhar na "direita" (assim mesmo: a "direita", um bloco compacto, monolítico, desumanizado, desprezível e espezinhável). Em segundo lugar, respiram e transpiram ódio, um ódio que escorre pelos cartazes, pelos rostos, pelas vozes. E, de forma mui fascista, esta malta tem orgulho nesse ódio. Aquilo que os define é o amor que têm pelo seu ódio, adoram odiar a "direita" ou seja lá o que for. Esta elevação do ódio à categoria de virtude é a marca do fascista, seja ele castanho ou vermelho. Em terceiro lugar, temos a consequência lógica das duas premissas anteriores: o culto da violência. Se a "direita" é espezinhável, se não vale a pena ouvir o outro lado, se o ódio é uma virtude que confere uma legitimidade superior, então a violência é legítima e não faz mal dar uns carolos no Relvas. Aliás, só faz bem dar uns tabefes no Relvas.

Para terminar, só queria dizer que gosto bastante deste PREC cantado. É que assim já não tenho de recorrer à história para explicar a profunda intolerância das extremas-esquerdas portuguesas . Agora basta-me apontar para o presente. Ela, a intolerância progressista e revolucionária, está aí, anda por aí. Até peço uma coisa: aumentem o volume da violência, continuem a mostrar que não sabem viver em democracia, que não sabem aceitar opiniões contrárias, continuem a ameaçar, continuem a ser fascistazinhos de vão de escada.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Da indignada solidariedade


(imagem obtida aqui)

Muito mais do que curioso, é significativo até à náusea o facto de toda esta gente se "manifestar" contra o videirinho ministro Relvas, mas NINGUÉM se haver manifestado contra a imoralidade de "estudantes" terem entrado, desde há uns cinco anos, nas universidades públicas com médias propulsionadas ao escalão dos 18 e 19 pelas "oportunidades" socráticas. Médias que constituíram verdadeiras burlas legalizadas e que permitiram a quem não tinha nem saber real superior (frequentemente, nem sequer igual) ao nível do 9º Ano nem qualquer currículo ou experiência justificativa, usurpar o lugar que seria, de direito, de verdadeiros estudantes, cujas médias ficaram, por isso, a uma e mesmo a meia décima de lhes permitir o ingresso na faculdade ou no curso que pretendiam.

(imagem obtida aqui)

Repito: não me lembro de NINGUÉM se manifestar contra a burla ou sequer fazer ouvir por todo o lado a sua solidariedade com aqueles que ficaram com as suas vidas adiadas por, pelo menos, um ano  - porque, no ano seguinte, voltariam a ter a concorrência deste surto inédito de genialidade. Ou que foram obrigados a frequentar estabelecimentos de ensino, públicos ou privados, a distâncias muito superiores, arcando por isso com despesas enormemente acrescidas. Ou que, por esse motivo, desistiram.

(imagem obtida aqui)

Pois é. À solidariedade académica com o copianço, à incompetência generalizada, ao estatuto dado pela ignorância vestida de canudo para subir na vida, pisca-se-lhes o olho, cúmplice. Desde que se seja "da cor" e "da corda", é claro. A "rapaziada" e o "bom povo" que a esquerda defende e pelos quais é constituída, gente "felizmente ainda viva", é mesmo assim: hipócrita até à medula e burra como o Big-Bang os fez.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ratzinger e a social-comunicação



(imagem recolhida aqui)



Este artigo de Henrique Monteiro, no Expresso, é bem elucidativo do que vai pelos meandros da comunicação social e de como a "opinião pública", o "bom povo", os idiotas úteis e os "inconformistas", mais ou menos aguerridos, são fácil e gostosamente manipulados para servirem aos "progressistas" desejosos de imporem as suas luzes a este mundo inferior, indigno deles.



Da estupidez como critério jornalístico


 

Leio em diversa imprensa internacional (o primeiro a chamar-me a atenção foi o Hunffington Post) e também portuguesa que a nomeação pelo Papa do novo presidente do banco do Vaticano é controversa. Primeiro, pensei que era por ser alemão ou amigo do Papa (este desmentiu conhecê-lo sequer), mas verifiquei que, afinal, era porque o nomeado Ernst Von Freyberg preside a uma empresa de construção naval que fez barcos de guerra para os nazis.

Pensei, então, que Von Freyberg fosse um idoso. Mas não, nasceu em 58, já a guerra e os nazis tinham acabado há 13 anos. É mais novo do que eu, que nasci em 56. A suspeita não é sobre Freyberg, mas sobre a empresa. Mas será que isso faz sentido?

E a Grundig (agora comprada por investidores turcos), quando se chamava Fuerth, Grundig & Wurzer, não vendeu rádios aos nazis? E a Siemens, fundada em 1847, não aproveitou a mão-de-obra de campos de concentração? E a célebre Volkswagen (que traduzido é o carro do povo), não foi fundada por uma organização nazi em 1937?

Isto tudo se sabe em três minutos de pesquisa na Internet. Eu sei que muitos jornalistas dirão que são os críticos de Freyberg que estão a levantar essas dúvidas e não os próprios jornais. Mas, a verdade é que editar um jornal é também escolher o que tem sentido. E, neste caso, a ligação de Freyberg ao nazismo é forçada e ridícula. Até que porque nem sequer tem idade para isso. A História é a História. Também em Portugal há empresas relacionadas - e muito - com o colonialismo, com o salazarismo, com a escravatura, provavelmente... E de que culpa podemos acusar os seus responsáveis atuais.

Pensar um pouco não faz mal a ninguém. Assim como não pode valer tudo para criticar uma decisão, independentemente de ela ser boa ou má, coisa que eu não faço ideia, embora ultimamente tudo o que rodeie o Banco do Vaticano (ou o Instituto das Obras Religiosas, como oficialmente se chama) tenha sido sempre objeto de controvérsia.

Mas sinceramente choca-me que a necessidade de ser notado tenha feito o jornalismo chegar a este ponto...






A ignorância e a má-fé


Não preciso de escrever muito mais do que isto que o Henrique Monteiro escreveu. Ontem à noite apanhei no Twitter uns excitados a partilhar uma notícia que dizia que o Papa Bento XVI teria nomeado alguém ligado ao nazismo. Ao ler a notícia reparei que o crime do senhor era ter trabalhado para uma empresa que forneceu o regime nazi, apesar de ter nascido apenas em 1958. Logo apontei os exemplos da Mercedes, da Krups, da BMW ou da Allianz, como tantas outras, que também forneceram o regime nazi. E se os ignorantes quiserem explorar um bocadinho mais o tema, até encontram as americanas Ford, General Electric ou as inofensivas Kodac e Nestlé na lista de fornecedores dos nazis. Será que também vão andar a dizer que todos os que trabalham nestas companhias têm ligações ao nazismo? Santa Paciência.