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sábado, 10 de maio de 2014

ELES QUE FALEM COM AS FORMIGAS!


Nicolau Saião, Monstrinhos lusitanos

Por um abstencionismo criativo

Segundo a tese de Alain Lancelot,  professor catedrático de Sociologia no Colégio de França, normalmente os abstencionistas exercem quase sempre papéis sociais subordinados, são indivíduos mal integrados, correndo-se com eles o risco de as eleições se transformares num debate entre privilegiados. O abstencionismo é, assim, a não participação no sufrágio ou em actividades políticas, equivalendo a apatia ou indiferença.




Normalmente… Quase sempre…

Mas pode não ser assim…

Nos Estados Unidos, na Grécia, na Suécia, no Reino Unido, etc., cresce cada vez mais um movimento espontâneo, consciente, a que chamaremos Abstencionismo Criativo.
As pessoas, os cidadãos, cada vez percebem melhor que são, de facto, desenquadrados, desintegrados, desprezados pelo sistema de castas políticas, verdadeiros malandrins sociais, que ocuparam os cinzentos corredores da actividade governativa ou de poder.


Em suma, o poder está a fazer, e por vezes descaradamente, de nós todos pessoas e cidadãos supranumerários.



A melhor forma de lhes mostrarmos o nosso repúdio e oposição é deixarmos de lhes ligar meia. Não como objectos de análise do professor francês, mas como cidadãos conscientes e que se respeitam. Que é isso de fazerem pouco de nós, de nos prejudicarem a cada passo? Com as suas mentiras ou, dito de forma politicamente correcta (risos), inverdades?


Como somos pessoas dignas, mandemo-los à fava, deixemo-los a falar com as formigas.

Mostremos que somos possuidores de espinha dorsal e não meros bonecos que eles manipulam a seu bel-prazer.


Não votemos. Deixemo-los o mais possível sós e mergulhados nos seus sujos joguinhos de interesse. Mandemo-los bugiar.
Vamos à praia, vamos até ao campo, vamos passar umas belas horinhas com a amada e vice-versa, vamos ao museu ou a uma biblioteca – caso os encerrem, fiquemos em casa a ouvir Cimarosa, Mozart, Schubert, o Ennio Morricone…

Gustave Courbet, A origem do mundo

A pouco e pouco, crescendo o nosso desprezo por eles, crescerá também o justo ressalto, numa cidadania atenta, exigente, que não vai mais em cantigas de vigarista encartados.

Pratiquemos um Abstencionismo Criativo!

Nicolau Saião, Representante Europeu


Nicolau Saião / Manuel Caldeira
(Portalegre / Londres)

Nota – Os autores deste texto não seguem os preceitos do chamado Acordo Ortográfico. Em escrita ou mesmo a falar…


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Passagens de nível e Iniciações




 Introdução

…E eis senão quando, a pouco e pouco e ao ritmo dos relatos paulatina e sabiamente doseados pelos “órgãos de comunicação” (capitaneados pelos tabloides), o país que ainda lê e que muito vê televisão e lateralmente ouve a rádio, acordou para um epifenómeno que se habituara a simplesmente relancear ou, quando muito, a contemplar em diagonal: a brutalidade ou o desaforo das chamadas “praxes” académicas.

Brutalidade e desaforo esses, exercidos não em todos os lugares, não em todos os “estabelecimentos de ensino” (como reza a novilíngua do luso neo-liberalismo primário e queirosiano por essência), é claro. Mas encrespados em todos eles, seja numa versão soft e controlada pelo provincianismo e a timidez dos “jovens”(como se tornou clássico dizer nos textos governativos ou nos relatórios policiesco-judiciais) com a complacência mais ou menos paternalista (oportunista?) das direcções, seja num tom mais marcado embora sem atingir, como parece ter sido o caso do Meco, proporções criminais e absurdamente envoltas em negrume.

As ditas praxes académicas constituem, encaradas apropriadamente, um meio-termo específico entre a “iniciação” e a “passagem de nível” e são um epifenómeno circunstancial nas sociedades de sedimentação ocidentalizada, de conformação mais ou menos democratizante (ou partidocratizante, como é o caso da nossa sociedade onde vigora o denominado tecnicamente cripto-fascismo - ou ur-fascismo ou, ainda, fascismo doce – serve dizer, aquele onde a população não é constrangida pela repressão mas mediante manipulação por meios específicos naturais e consentidos) de tendência cleptocrata e judicialmente desqualificada a nível ético.

São, digamo-lo com adequação e lucidez, um verdadeiro ersatz daqueles dois fenómenos aludidos, pois não visam uma qualificação  (como entre os artesãos medievais, que tinham de efectuar determinadas práticas e trabalhos até se verem aceites nas corporações respectivas) ou uma iluminação, assim dita (tal como se pratica nas maçonarias ou irmandades herméticas diversas).

Mas que tipo de integração visam atingir? Que tipo de conformidade fundacional essa “integração” procura, se é que procuram alguma?

Veremos isso a seguir, mas primeiro detenhamo-nos um pouco sobre o tipo de iniciações e passagens de nível entre determinadas etnias – onde aqueles dois fenómenos tinham foros de necessidade civilizacional ou grupal pois buscavam uma subida de estatuto prático e operativo e constituem exemplos acabados e profundamente colectivos: os índios norte-americanos, os africanos da região centro-sul e os esquimós.




Pequeno enfoque histórico

Nas sociedades vivendo conceptualmente no neolítico, ainda que inscritas no tempo moderno ou contemporâneo, como era o caso das tribos de índios norte-americanos, dos esquimós, dos pigmeus do Congo e dos masai do Grande Rift, para nos referirmos apenas a estas etnias, as passagens de nível bem como as iniciações correspondiam e eram efectivadas visando uma qualificação prática de subsistência ou de sociabilidade encarada dum ponto de vista lato. Assim, entre os índios, cumpriam-se ritos de passagem tais como suportar a dor pendurados por ganchos de madeira presos na pele do peito (entre os Lakotas e os Pawnees), irem para o campo – bosques, pradarias, montanhas, desertos – só com uma tanga e apenas com um “tomahawk”(machado) ou uma faca e sem comida, devendo voltar passados dias sãos e salvos (Cheyennes, Kiowas…) ou, ainda, isolarem-se numa serra, monte, rio, sem comer ou dormir até terem uma visão iluminadora à qual seguidamente ficariam ligados por esta passar a ser o seu totem ou definição. Noutras tribos (hopi, apaches, navajos) tinham de se submeter por vezes a ritos que incluíam o uso do peyotl ou da mescalina, em circunstâncias específicas, para poderem ascender ao estatuto de guerreiros; ou de roubar cavalos, sem portarem armas, a tribos adversárias ou inimigas ou aos “white eyes” (brancos)  - e não “rostos-pálidos”, invenção holiúdesca.

Todas estas passagens de nível/iniciações se envolviam numa razoabilidade compreensível e actuante: ter fibra de guerreiro ou de caçador capaz, de saber tomar conta dum agregado tribal e de estar nuclearmente inserido na boa condução dos assuntos ou ritmos do respectivo grupo ou etnia.

Assim era entre os bosquímanos do Calaári, os inuit/esquimós ou entre os masai e os pigmeus da África central, como já se referiu, que efectuam passagens de nível para serem caçadores e pastores experientes ou, como nas caçadas às grandes feras, poderem proteger quando necessário o conjunto da comunidade.

E nas chamadas confrarias ocidentais, maçonarias ou carbonárias, ou outras irmandades (rosas-cruz, “agricultores celestes” ou “irmãos do orvalho”) o procedimento é semelhante, tendo apenas graus de selectividade que lhe são próprios.

O que se visa é uma adequação peremptória ou uma iluminação funcional.

Actuação bem diferente é a existente nas denominadas, grosso-modo, mafias ou seitas criminais, sejam elas laicas ou fideístas: a passagem de nível decorrente do estatuto criminal próprio e intrínseco, acentuo e sublinho, tem sempre um cariz ora obnóxio ora retintamente perverso e criminal senão criminoso: entre, por exemplo, os traficantes mexicanos/sul americanos, a obrigatoriedade de eliminar uma ou mais pessoas para ascender ao grau de “soldado” (conforme a terminologia da Mob norte-americana ou italiana…) ou efectivar outros sinistros actos que não só “iniciam” como jungem o oficiante a uma eventual pressão ulterior. É o mesmo procedimento feito noutras associações criminosas como, por exemplo, a dos yakuza nipónicos.

Como explicar, entretanto, o ordálio das praxes académicas ou militares (pois também acontecem entre nós e noutros locais)? Uma vez que não visam adequação para ascensão de mérito ou crescimento específico (ou seja, um estudante de física por ser praxado não se torna melhor cientista, um de matemática não passa a entender melhor a teoria de Einstein ou a do “conjunto de grupos” de Evariste Galois…).

Para que servem ou, ainda mais esclarecedoramente, o que visam os ritos praxistas como os do nefando Meco?


João Garção, Colagem


Do Meco e outras malas-artes

Segundo é dito por membros praxistas ou observadores tendenciais como alguns especialistas em “sacudir a água do capote” ou partidários das “expectativas de milagre”, as praxes dest’arte visam integrar(?) o novo aluno (vulgarmente denominado caloiro pelos trintanários). Mas integrar como e onde ou em que partis pris regimental? Uma vez que o aluno, enquanto aluno, está já integrado e mesmo submetido às disposições em código, legal ou consuetudinário, que regulamentam o estatuto do discente?

Se analisarmos as premissas com uma liminar penetração ou suficiente informação e perspicácia, dando com bonomia de barato que as praxes são sucessos/actos decorrentes de uma tradição, vazando-as desta forma num território de festejo ou de emanação lúdica, meio-goliarda meio-turística propiciada, mantida e acatitada por mancebos e mancebas ad corda, nada haveria a antepor. Tratar-se-ia duma mensagem, duma comunicação pró-imergível numa alegria de viver característica de grupos etários, de gente à entrada dos posteriores e sérios assuntos adultos.

No entanto, o caso aqui fia mais fino. A talhe de foice trazemos à colação, respigada com vénia dum escrito a nós dirigido por uma profunda conhecedora de certas classes de hermetismos, a grã-senhora carbonária Maria Estela Guedes, uma indicação esclarecedora.

E o que ela nos diz é que, e cito, é que “Afinal a última Carbonária Portuguesa, a mais importante, fundou-a Luz de Almeida com estudantes da Maçonaria Académica. Praxes e iniciações maçónicas estão interligadas”. Sem dúvida.

Então, assim sendo e chamando a atenção para certas passagens do seu lúcido texto publicado no TriploV, a explicação que enquadra e faz luz sobre o porquê das “narrativas brutalizadoras” (como agora se diz na senda dum conhecido uomo publici …) uma vez que as irmandades são de jure ou de facto “gente de bem”, opostas pois a turiferárias, terá de ser procurada noutro plano. E qual? Precisamente no plano do societário e, dentro deste, dentro do que se sabe ou convencionou ser o imaginário português, um imaginário dominado (mais grave – determinado!) por um tipo de continente social e colectivo de índole não democrática, onde faz lei o compadrio, os sentidos de casta e de família (como se dizia em Espanha, de cunhadismo), de classe e de privilégio, no limite de corrupção moral, ética e conceptual e da exacção cleptocrata.

As praxes de que nos ocupamos, no seu sentido mais exacto, visam pois adequar o praxado, depois praxante quase sempre, a adquirir o sentido da humilhação e da prepotência, signo maior da tardo-sociedade lusa onde os proverbiais “doutores e engenheiros” - que serão os presuntivos futuros governantes ou “assessorantes” – em todo o caso a casta que tem dominado de forma geralmente espúria a intendência e o armazém luso de há dois séculos a esta parte, verdadeiros vagomestres que em grande parte se certificam na sociedade de que decorrem.

(É esta, ainda, a formulação que explica ou descripta o esforço quase heróico de certos mandantes partidários que, a todo o custo, tentam a colação de grau engenheiral ou doutoral sem esforço ou suor mensuráveis…)

É esta pois a integração a que, (ora com inadequação ora com cinismo), certa gente bem determinada onde até avultam governantes mais ou menos nauseabundos – para usar esta expressão grata a Tomás de Figueiredo – alude  com não despicienda maneira de ser onde se nota o desplante.

Daqui se infere que é lançar poeira nos olhos do vulgo pecus, ainda que o façam apenas por tolice e não por maldade, vir ejacular-se a ideia de que uma legislação repressiva podia melhorar o tema…a questão. Não! As praxes existem desta forma nefanda porque à sociedade portuguesa, melhor, aos mandantes grupais portugueses interessa instilar nos mansos cérebros juvenis – e por osmose em todos os outros – que há o dono (que foi submetido a sofrimentos que lhe caucionam o instalado bem-estar académico ou outro) e há o futrica, sendo o povo, todo o povo que não recebe prebendas nem benesses, futrica potencial ou de facto.

A praxização em estilo meco, usemos este neologismo irónico-magoado, é verdadeiramente a antecâmara do sentimento-acto de domínio sobre este povo macerado, desprezado pelos diversos condottieris que num outro plano privilegiam os interesses dos argentários enquanto esmifram o zé-povinho até às fezes.

Os estilos e as acções estilo Meco terminarão quando não houver espaço para bosses autoritários ou conceptualmente cavernícolas, quando em suma vigorar na sociedade lusa academizada ou geral, capturada de há décadas a esta parte pela apagada e vil tristeza em que sobrevivemos, uma real, digna e limpa democracia – não um arremedo de carnaval seja nas ruas ou nas academias do reino… destes barões “republicanos”.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Alguém duvida de que isto seja inaceitável e escandaloso?




Alguém duvida de que isto seja inaceitável e escandaloso para os pedagogos "igualitários" que sufocam o ensino em Portugal desde os tempos de Roberto Carneiro?

Dois a dizerem o óbvio





Por um lado, Helena Cristina Coelho:



A má memória de Soares

"O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de recta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro". O texto foi-me recordado por uma amiga de boa memória, que se lembra de quem o escreveu há 29 anos. 

E foi igualmente repescado por outras figuras, como José Manuel Fernandes, que o replicaram para recordar as palavras e, sobretudo, o seu autor: Mário Soares, em Maio de 1984, quando era primeiro-ministro. O país não estava como agora, estava bem pior. Havia empresas a fechar portas e os salários em atraso tornaram-se uma chaga social, havia bolsas de fome e protestos irados nas ruas, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou.E o que fez o governo de bloco central? Acabou a estender a mão para assinar um memorando de entendimento e receber dinheiro do FMI. Foi então o tempo de ouvir pequenas pérolas de austeridade como a de que "Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos" ou que "a única coisa a fazer é apertar o cinto" ou ainda que "não se fazem omoletas sem ovos, evidentemente teremos de partir alguns". O autor? Acertou: Mário Soares.

Não há notícia de que alguém na altura tenha partido as pernas ao primeiro-ministro como represália por estas declarações ou pela dureza das medidas - nem mesmo quando teve de enfrentar manifestantes violentos na Marinha Grande, na campanha de 1986. Aliás, foi premiado por essa valentia e acabou por ganhar as eleições.

A política não tem a virtude (nem sequer a presunção) de ser coerente. E, se faltarem provas, Mário Soares está a encarregar-se disso. Aquilo que usou como sua defesa enquanto governante, é exactamente aquilo que hoje ataca sem pudor. Não pode ser apenas um problema de memória e a idade não pode ser desculpa para algo que não é só irresponsável:é inflamável. Com o país ainda de garrote apertado, polícias a escalaram o Parlamento para darem sinais do que são capazes, sindicalistas a invadirem ministérios para expressar indignação, uma simples palavra pode ser incendiária e deitar tudo a perder.

Independentemente de se gostar ou não da figura ou do seu passado, Mário Soares teve um papel relevante na história do país. Só por isso, e porque pelos vistos continua a reclamar a paternidade da democracia (que ninguém quer aniquilar) e de uma ideologia de esquerda (com óbvias crises de identidade), devia ser o primeiro a preservá-la. Mas não é isso que está a acontecer: ao atacar o presente (leia-se, quem hoje governa o país) de uma forma tão agressiva e estéril, Soares está a destruir um passado que passou por si e a hipotecar um futuro que devia ajudar a construir. E um país sem memória não pode ter grande futuro. Soares devia ser o primeiro a lembrar-se disso.

Por outro, Alberto Gonçalves:


Cabeças perdidas

Manuel Alegre (poeta). Vítor Ramalho (soarista). Carlos do Carmo (fadista). Boaventura Sousa Santos (latinista). Vasco Lourenço (abrilista). Marisa Matias (bloquista). Ruben de Carvalho (comunista). Pedro Silva Pereira (socrático). Jorge Sampaio (sampaísta). António Capucho e Pacheco Pereira (embaixadores do "centro-direita"). Pinto Ramalho (general). Helena Roseta. Maria de Belém. Carlos Zorrinho. Alberto Martins. Ferro Rodrigues. Jorge Lacão. João Semedo. António Costa. Manuel Tiago. Domingos Abrantes. Almeida Santos.

Estas são algumas das personalidades que, através de mensagem de apoio ou presença corpórea, disseram "sim" à convocatória de Mário Soares e iluminaram a Aula Magna a fim de alegadamente defender a Constituição e o Estado "social". Na verdade, o exercício versou mais o ataque ao Governo e ao presidente da República, a quem se exige imediata demissão a bem ou posterior remoção a mal. As sugestões de violência, os apelos à violência e as ameaças de violências foram tantos e tão explícitos que apenas a transmissão televisiva do evento nos lembrou não se tratar de uma reunião da Carbonária a conspirar o regicídio. O Dr. Soares "aconselhou" os governantes (e Cavaco) a regressar a casa pelos próprios pés enquanto podem. Vasco Lourenço incitou que os corressem, cito, "à paulada". Helena Roseta defendeu que "a violência é legítima para pôr cobro à violência". E, visto que as camisas de força nunca chegaram, um longo etc.

Talvez não valha a pena notar que, em 2013, a "família real" em causa foi eleita pela maioria dos cidadãos. Vale a pena notar que ninguém elegeu os revolucionários em questão. Sobretudo ninguém lhes passou procuração. Os amiguinhos do Dr. Soares falam em nome de um "povo" que, abençoadamente, não existe. O "povo" que existe pode não gostar do Governo e lamentar o Prof. Cavaco, mas boa parte da população é capaz de abominar com maior empenho o bando de privilegiados da Aula Magna, que no entender de muitos devia estar na cadeia pelo que outrora fez ao país ou pelas desmioladas soluções que agora propõe.

Sou avesso a excessos. É claro que umas centenas de malucos fechados numa sala (de que infelizmente não se perdeu a chave) não definem o espírito do tempo. O que o define é a importância que se dá à coisa. Assim de repente, os augúrios não são simpáticos: sem discernível ironia, os media dedicaram ao encontro a seriedade que se dispensaria a um encontro de gente séria, e quando se vê comentadores solenes interpretarem as palavras do Dr. Soares como interpretariam as de alguém digno de atenção, é lícito constatar que a democracia não atravessa um período radioso. Não discuto que o Governo não seja um paradigma de incompetência. Digo que enquanto a alternativa reconhecida implicar múltiplas exibições de demência, aliás em nítido desrespeito pelo Código Penal, isto não vai longe.

De resto, não imagino se o "povo" um dia pegará em armas e varrerá a tiro ou à paulada os poderosos. Porém, tenho a certeza de que o "povo" não berra a uma só voz e sem dúvida não pensa pelos cerebelos do Dr. Soares e respectivo séquito de parasitas: o trágico caos que se seguiria à hipotética sublevação varreria também a estirpe de poderosos que inflama as massas por diletantismo ou preservação de regalias. Os Robespierres de trazer por casa já perderam a cabeça no sentido figurado. Vê-los perdê-la no sentido literal seria, para os menos piedosos, o único alívio cómico do caos.

sábado, 2 de novembro de 2013

O TRIUNFO DOS PORCOS


Nicolau Saião, A besta

   No seu famoso livro deste título, George Orwell referiu que, naquele cenário onde decorria a acção (e que na verdade era o mundo do politicamente correcto avant la lettre) “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”.
  O indiferentismo moral ganhava ali foros de realidade, assentava praça na estratégia ditatorial de esmagar o ser humano.
  Eis aqui, noticiado pelos jornais em geral, um exemplo actual claro/escuro:

  O ex-basquetebolista norte-americano, Dennis Rodman, descreve os norte-coreanos como "pessoas normais" que gostam de "beber cocktails e dar umas boas gargalhadas".
  Para Dennis Rodman Kim Jong-Un, o líder da Coreia do Norte, é "uma boa pessoa", com "bom coração", que oferece tequila aos convidados na sua ilha privada. Rodman falou da sua amizade com o líder norte-coreano em Londres durante a promoção de um jogo de basquetebol entre uma equipa escolhida por ele próprio e uma equipa norte-coreana, que irá coincidir com a celebração do 31º aniversário de Kim Jong-Un e 8 de janeiro.
  Segundo o jornal británico "The Guardian", Rodman afirmou que não mantém relações de amizade com a Coreia do Norte por dinheiro."Não preciso de dinheiro, o que eu quero fazer é diminuir a distância que existe entre a Coreia do Norte e o resto do mundo. Eles têm muito para oferecer e querem fazê-lo", disse.
  Rodman descreve a sua visita à ilha privada de Kim Jong-Un como "uma visita ao Hawai ou a Ibiza, apenas com a diferença de que ele é o único que lá vive", adiantando que o líder norte-coreano "tem sempre 50 ou 60 pessoas à sua volta, pessoas normais, que bebem cocktails e dão gargalhadas durante a maior parte do tempo". Para o basquetebolista, tudo o que Kim Jong-Un faz "é o máximo".
  Rodman não critica Kim nem a Coreia do Norte, afastando-se assim das questões políticas. "Não me interessa o que ele faz lá, o que faz aqui ou o que faz em qualquer lado. A Coreia do Norte é tão má como o Japão, a China ou Hong Kong, a única coisa que me diz respeito é que somos amigos e isso é tudo o que importa", diz.


NOTA - Este Rodman é um semelhante dos que, no tempo deles, visitavam a Alemanha nazi e achavam Hitler um homem inspirado e um sujeito estupendo. Ou dos que visitavam a Moscovo do papá Staline e só viam nela um universo excepcional. Nem campos de concentração, nem calabouços, nem muros de fuzilamento - só locais aprazíveis.

   Eram amorais, babujadores de baixo estofo e totalmente destituídos de escrúpulos. Em suma, cúmplices dos crimes desses regimes. Como este repelente Rodman, casos patentes de baixeza moral, de falsa ingenuidade, de cinismo infame.

  O exemplo do perfeito canalha com discurso inocentinho.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

“E o burro sou eu…?”


Nicolau Saião, O burro sábio


O presidente da Venezuela acredita que viu a cara de Hugo Chávez refletida numa rocha durante a escavação do metropolitano de Caracas. Nicolás Maduro veio a público mostrar algumas fotos onde diz que consegue ver o seu antecessor.

«Vejam esta figura que apareceu aos trabalhadores. Podem perguntar-lhes. (...) É uma cara. E quem está nesta cara? É um olhar, o olhar que está em todos os lados, inclusivamente nos fenómenos sem explicação. (...) Para que vejam que o que dizemos é verdade - Chávez está em toda a parte, Chávez somos todos nós», sublinhou o atual presidente da Venezuela.

Esta não é a primeira vez que Nicolás Maduro diz ter presenciado uma aparição do ex-líder venezuelano, que morreu dia 5 de março, vítima de cancro. Durante a campanha para as eleições presidenciais, o atual presidente da Venezuela revelou que um passarinho que o acompanhara durante uma oração era o espírito de Chávez e assumiu também ter feito reuniões governamentais junto ao túmulo do antigo líder.


(Da imprensa internacional)


Evidentemente que os líderes como Chávez podem aparecer onde lhes der na gana. E dentro em breve começará a fazer milagres, como certas personagens fideístas como as que nós bem conhecemos dos livros sagrados, dos relatos de pequenos videntes, etc.

Por enquanto o ambiente pró-popular, naquele grande país irmão do anterior governo socrático (“Mi casa és tu casa”, recordam-se?) cifra-se neste aparecimento e no simultâneo desaparecimento de inúmeros bens essenciais das lojas e outros locais de venda…

Maduro sabe o que faz (e o morto-vivo também). Espera-se que os índices de aparições vão subindo graciosamente, acompanhando o progresso e o bem-estar que se poderá adivinhar…milagrosamente.

Contra factos (a governação inspirada de um vivente apoiada por um defunto muito operacional) não há argumentos.

 Mesmo de tipo freudiano. E o resto é conversa!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O CONDOTTIERI ATACA DE NOVO…



Nicolau Saião, O monarca

   No diário Destak de ontem, José Luís Seixas, através da sua coluna de opinião, escreve o que se segue sobre o indivíduo que – perdida toda a contenção e num arroubo de insensato rancor por ter sido defenestrado do poder pelo povo que claramente despreza – numa entrevista ao Expresso, deu em côncavo e em convexo o seu perfil e o seu carácter de ex-político e de despejado por extenso.

  Aqui fica o texto, curto mas notável e corajoso a mais dum título.



COLUNA VERTICAL

O glossário de Sócrates

Ao longo do seu percurso político, Sócrates sempre transmitiu a imagem de um narciso empertigado e prepotente. O verniz foi estalando de quando em vez, como naquele abraço a Barroso, exclamando “porreiro, pá!”. Ou na expressão de incontido desprezo que marcou os debates parlamentares da época ao invetivar, salvo erro, Louçã, com um «a tua Tia!». Admito que possa ter sido «a tua Mãe», mas a minha recordação aponta mais para a colateral.
A entrevista da personagem ao Expresso é uma verdadeira pérola digna de arquivo para memória futura, não vá o diabo tecê-las. A pretexto de um «Sócrates íntimo», dedilhou qualificativos depreciativos sobre tudo e sobre todos, à exceção, claro está, dele próprio. Usou, com eloquência e supina elegância, o calão mais depurado que se tem lido em jornais supostamente de referência. Se um dos seus opositores é «um merdas», toda a direita já é «uma cambada de filhos da mãe» que, curiosamente, aspirava tê-lo por líder. Há um alemão que é um «estupor», ademais de partilhar o conceito anteriormente referido de filho da progenitora. «Canalhas» e «pulhas» são referidos a eito, embora com o seu – dele – critério. O resto são «tipos» e «gajos», «raios os partam a todos!»
Tem – ele – uma «boa vida» – coisa que os portugueses não conseguem partilhar – e «não sente nenhuma inclinação para voltar a depender do favor popular», que é como quem diz: “esse bando de ignaros, que é a populaça, não merece o meu génio”… Replicando expressões suas, apetece dizer ao “gajo” que pode estar tranquilo quanto ao favor do povo. Este costuma ser criterioso relativamente ao “filhos da mãe” que o deixou na penúria!”
Nota – Quando, num artigo dado a lume no TriploV, no Ablogando e, em periódicos, em Espanha, França e Brasil caracterizei o antigo premier como um aventureiro político com perfil não de líder mas de condottieri, não o fiz por hostilidade mas por tipificação realista-científica.
Os ulteriores procedimentos e bosquejos conceptuais do dito sujeito creio que me asseguraram que acertara no alvo.
É patente que, a pouco e pouco, se vão desvelando na sua figura em recorte os tiques a que Umberto Eco deu o nome de cripto-fascismo: a violência verbal desbragada carreando rancor, a pequena megalomania, o atiçar duma violência e duma brutalizada narrativa que não são normais em países civilizados – mas que são muito naturais num terceiro ou num quarto mundo.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

DA SANTIDADE(?) COMO UMA DAS BELAS ARTES…




BISPOS  ALEMÃES  ESCONDEM  PATRIMÓNIO
  
Na diocese de Limburgo, foram transferidos nos últimos 65 anos 300 milhões de euros de receitas fiscais religiosas para pequenas estruturas poucos transparentes

Os bispos da Igreja Católica alemã poderão estar a esconder milhões de euros de património em orçamentos especiais, de acordo com uma investigação publicada hoje pelo jornal Der Spiegel.

Nos últimos dias, tem sido amplamente noticiado na Alemanha o caso do bispo de Limburgo, Franz-Peter Tebartz-van Elst, criticado pelo estilo de vida luxuoso, e por alegadamente ter mentido sob juramento, estando neste momento, de acordo com a imprensa local, a ser discutida a sua permanência em funções.

"Há muito tempo que não há uma ofensiva como esta à transparência na Igreja Católica", diz o Der Spiegel, citado pela France Presse.

Na diocese de Limburgo, foram transferidos nos últimos 65 anos 300 milhões de euros de receitas fiscais religiosas para pequenas estruturas poucos transparentes, de acordo com o jornal.

"Nas particularmente ricas arquidioceses de Colónia, Munique e Freising, os próprios diretores financeiros ignoram a magnitude do património," os pontos do jornal.

Na Alemanha, os contribuintes declaram se são católicos, protestantes ou sem religião e o Estado procede à consignação de entre 8 e 10% dos rendimentos dos crentes declarados para as respetivas instituições.

Em 2012, os 23 milhões de alemães que declararam ser católicos geraram receitas à Igreja em torno de 5,2 mil milhões de euros com o imposto religioso.
(dos jornais)


É por estas e por outras, que Francisco tem estado a procurar estancar, que determinados grupos, aliás já bem identificados, vêm levando a efeito uma campanha de momento ainda discreta, mas que vai aumentando a pouco e pouco nos meios eclesiais, contra o actual pontífice.

E foi por outras como estas, não esquecendo o “equívoco” de Fátima que ele iria deslindar, que João Paulo I foi assassinado mediante conjura, como hoje já é conhecido, artilhada nos altos escalões da ICAR.

Faz pois sentido a frase recentemente dada a lume na revista oficial jesuíta, aconselhando o novel pontífice a precaver-se com um colete protector anti-bala. Pois às vezes o dianho tece-as, como reza a frase proverbial…


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

DA DEMOCRACIA (?) COMO UMA DAS BELAS-ARTES…





 “Há um fenómeno a crescer em Portugal, protagonizado por famílias que subsistem graças às refeições distribuídas diariamente por associações solidárias, um sistema criado originariamente para socorrer sem-abrigo. A perceção pertence a Pedro Nicolau, vice-presidente do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo, CASA. "Podem ter teto precário, um quarto partilhado, mas enfrentam dificuldades tais que vêm pedir refeições quentes. Chegam famílias inteiras", diz o responsável, na véspera do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala esta quinta-feira.

 "Com o agravar da crise, a curto e médio prazo, estas famílias podem tornar-se sem-abrigo", referiu também Paula França, coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA), do Porto, na apresentação dos resultados deste programa.”

(dos jornais)


Agradeço aos nossos diversos governantes que, pelos tempos fora, têm levado a Nação a este sublime e próspero ambiente de democracia real

E decerto o progresso irá continuar.


Viva Portugal!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Da cobra-de-banha




Depois de ter lido isto que Mário Soares escreveu no Diário de Notícias...

«Passos Coelho tenta segurar Rui Machete, como fez com Relvas, agora desaparecido e vaiado também por portugueses no Brasil. Mas parece impossível que consiga fazer o mesmo com o ministro dos Negócios Estrangeiros e com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, igualmente acusada de pouca seriedade e com pedidos do Parlamento para ser também demitida. É caso para perguntar: que Governo é este que atrai tantos delinquentes e que Pacheco Pereira, que é membro do PSD, teve a coragem de afirmar que "está cheio de má-fé"?»

... e atendendo a que Rui Machete foi seu vice-primeiro ministro, não sei qual a conclusão mais próxima da verdade:

- Se a de que o sr. Soares está seguro de que os portugueses sofrem irremediável e maioritariamente da doença de Alzheimer;
- Se a de que o sr. Soares é já portador do grau de senilidade que faz desaparecer os mais ínfimos vestígios do decoro em quem o sofre;
- Se a de que o sr. Soares apenas confirma, até ao asco, o carácter de homus politicus de que padece desde que me lembro.

Por outras palavras:

- Se a de que o sr. Soares está doente ou é, ele próprio, uma doença;
- Se a de que o sr. Soares é apenas o sintoma visível do povo  - único do Quarto Mundo  - que organiza uma manifestação de vitória eleitoral à frente de uma cadeia.

Mais palavras só estragam.