Em tempos, Henrique Monteiro contou uma história que uso para explicar a nossa tragédia. Contava ele que na aldeia onde nasceu, na Beira Alta, havia um maluco que dizia que, se mandasse, a ruas seriam só a descer.
Os seus conterrâneos esforçavam-se logo por mostrar que tal não seria possível. Mesmo assim, o homem insistia: se for eu a mandar as ruas serão só a descer.
Ideia que, segundo um meu colega historiador, tem autoria: João Camoesas, deputado (e ministro da Instrução Pública) do Partido Democrático, que, em finais da 1ª República, terá proposto a construção de estradas só a descer para poupar nos combustíveis.
Foi então que descobri que a ilusão de que a vontade política pode mudar a realidade tem tradição. Uma tradição de visionários que deixou marca no ensino e nas demais políticas públicas. Daí as vias abertas ao crescimento sem austeridade, aos direitos sem deveres e a mais e mais despesa. Até que a realidade deu sinal de vida e os credores entraram porta adentro. Mais uma vez. Mas tal não obsta ao elogio a quem nos arruinou e ao insulto a quem empresta. Daí a acusação ao Vítor de ser um tecnocrata ao serviço de estrangeiros.
Entretanto, o País imaginário da Constituição louva-se no consenso democrático e socialista, sem se reconhecer nos interesses instalados e desenvolvidos a coberto do Estado de Bem-estar. Ou será antes de Bem-estar do Estado?
Volta e meia a malta indigna-se: "Rua com a ‘troika'". O que faz crescer a popularidade de quem condena os sintomas e apoia as causas do nosso empobrecimento. Aqui entra a Imprensa, na disputa por comentadores com experiência política na condução por ruas só a descer. Com vivas ao consenso alargado e palco aos protegidos e medalhados do regime, agora em agonia. Será só maldade ou ignorância?
Resta - em tempo de lamento de cortes "cegos", sem nunca se propor cortes com visão - lembrar uma senhora que foi ontem a enterrar: o melhor homem político da altura. Filha de um merceeiro metodista e de uma modista, esta nascida "em casa com carne uma vez por semana e retrete no quintal" foi, mesmo assim, capaz de desafiar as elites conservadoras. Já entre nós, os grandes merceeiros tendem ao compromisso com os bem pensantes das ruas só a descer. Daí a nossa dificuldade em compreender a oposição de Thatcher à União (UEM). E mais ainda o seu aviso de partida: "Não sou um político de consensos, sou de convicções". Mas em Portugal persiste a ilusão e os avisos são outros: "Seguro exige a Passos e à ‘troika' recuo nos cortes para manter o consenso." E nem o recente aviso do primeiro- ministro da Finlândia - "não há atalhos para o céu" - nos permite ver que a superação da crise depende menos de recuos e mais de coragem para radicais cortes na despesa. Os mesmos que até agora, apesar das exigências da Troika, nunca foram feitos.
José Manuel Moreira, Professor Universitário e membro do Mont Pélerin Society
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Portugal: país de ruas só a descer
No Económico José Manuel Moreira:
VENEZUELANAS
O sucessor de Chávez se chama Maduro. Mas sua herança sociopolítica e econômica é podre mesmo.
Vitória de Maduro evidencia como o chavismo apodreceu as instituições democráticas venezuelanas.
Chávez deixou a Venezuela menos madura para a democracia.
Com Maduro como herdeiro, o chavismo apodrecerá mais rapidamente. Resta saber se levará a Venezuela junto.
Há algo de podre na eleição de Maduro.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Mas porque é que não lhes puseram uma burka?
Foto tirada durante um casamento islâmico de 24 casais, em Enfield (recebido por e-mail)
Ou um napperon...? Ou mesmo um abat-jour...? Ora leiam.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
O CÃO COM PULGAS
Portugal, saudade soldada no mapa
grande, mas pequena e apequenada
onde o velho Ocidente afunda no mar
o mesmo mar por que estendeste o Ocidente
até a vasta pequenez do Brasil
novo Ocidente enorme e anêmico
engrandecendo-te além do mesmo mar
para, assim, poder grandemente recuar
Por que tão grandemente recuaste
a grandeza de tua história explica e não aclara:
sabemos de tudo
da Revolução Industrial que os putos
dos ingleses fizeram enquanto ainda davas duro
para escravizar a África
da invasão do grande anão
que foi Napoleão
da perda sem remédio do Império
do tédio sem cura
e do excesso de curas
à beira do Tejo
da burra ditadura de Salazar
do sal e do azar de seres roubado
e arrombado para engordar
as gordas burras dos bancos
Sabemos tudo, mas esse saber é nada
pois nada impede o ímpeto com que afundas
no sombrio oceano do desânimo
O menor cão
é um gigante ante suas pulgas
Ser grande ou pequeno ou mesmo médio
não é fato, mas pura opinião
Fato é não fazer o mínimo sentido
um cão de qualquer dimensão
afundar ao peso ínfimo
de seu particular fardo de pulgas
Expulsa-as, Portugal
nem que tenhas de te arranhar
até arrancar a pele com elas
Mais vale viver livre e pelado
do que coberto
e encolhido por insetos
Crónicas do Planeta Alice...
A caminho do Estado “social”
Antigamente,
ou seja até há meia dúzia de dias, inúmeros portugueses criticavam o Governo
por apostar na receita e ignorar a despesa. Eu estava com eles. Desde que Vítor
Gaspar decidiu compensar os votos do Tribunal Constitucional (TC) mediante a
suspensão de determinados gastos públicos, muitos dos portugueses referidos
saltitam furiosos, a acusar o Governo de "chantagem" e
"vingança". Não estou com eles.
Se não
for pedir demasiado, convém que as pessoas decidam se preferem corrigir as
contas públicas pelo lado do emagrecimento da coisa pública ou pelo lado do
emagrecimento dos contribuintes (também existe aquela ala folclórica que
prefere não corrigir contas nenhumas, mas aqui falo de gente crescida). O que
não se pode é defender apenas o fisco que estrangula os outros ou a poupança
que não nos afecta. Condenar o aumento de impostos e, em simultâneo, atacar o
seu reverso é, sem ofensa, uma palermice.
Ainda por
cima quando o reverso é tão vago. Bem sei que os "telejornais" gostam
de começar em tom dramático. Porém, o "congelamento" dos gastos é
limitado no alcance e provisório na duração. Além disso, nem sequer é inédito,
visto que em Setembro passado aconteceu decisão similar e, talvez porque então
o PS ainda não revelava desesperada urgência em chegar ao poder, sem uma
fracção do drama actual. Histeria à parte, conforme aliás explicou Guilherme
d'Oliveira Martins, um reduto de sensatez em pleno manicómio, trata-se apenas
de um remendo destinado a ganhar tempo enquanto não se encontra uma alternativa
aos mil e trezentos milhões com que o TC embirrou. É uma necessidade, não uma
convicção.
Antes
fosse uma convicção, visto que um Governo austero com o dinheiro alheio é
melhor do que um Governo magnânimo. Infelizmente, o estranho
"liberalismo" do primeiro-ministro e do ministro das Finanças é na
essência pouquíssimo liberal. Sempre que não se entretêm a saquear os cidadãos,
os esforços deles dedicam-se a evitar reformas e a adiar os "cortes"
de 4 mil milhões, agora elevados a 5 mil e 300 milhões ou, há quem garanta, a 7
mil milhões. Caso alguma vez procedam de facto ao "corte" estrutural
de uns cêntimos será sob ameaça da troika, a qual, se continuarmos a brincar às
nações independentes, seca definitivamente a fonte e transforma-nos enfim no
Estado "social" com que tanto sonhamos. "Social" no sentido
de miserável, claro
Fascismo/antifascismo
Nos
campos da internet onde apascenta a extrema-esquerda, reina a felicidade graças
à morte de Margaret Thatcher, vulgo "a fascista". A aplicação do
epíteto, em Portugal de resto muito desprendida, é elucidativa do tipo de
estrutura mental que o aplica. A sra. Thatcher venceu três eleições populares?
Fascismo. A sra. Thatcher desembaraçou o Reino Unido do jugo sindical que a
generalidade da população não elegera? Fascismo. A sra. Thatcher encolheu o
peso do Estado em prol da escolha individual? Fascismo. A sra. Thatcher
modernizou económica e socialmente o Reino Unido? Fascismo. A sra. Thatcher
venceu nas Falkland uma guerra iniciada por uma ditadura decidida a vergar a
autodeterminação da comunidade local? Fascismo. A sra. Thatcher ajudou a
derrubar os totalitarismos do Leste europeu? Fascismo, fascismo, fascismo.
Se bem
percebo, um governante "fascista" é aquele que favorece a democracia,
promove a liberdade, desampara a vida dos cidadãos e, se possível, combate
regimes fascistas a sério. Em contrapartida, um líder "antifascista"
que se preze desrespeita eleições, professa a submissão dos cidadãos, arrasa a
economia e, se adicionar uns pozinhos de culto da personalidade e o adequado
castigo dos dissidentes, parece-se imenso com um fascista de facto. Ou a
extrema-esquerda é ainda mais tresloucada do que aparenta ou a ciência política
anda redondamente enganada há largas décadas. Por mim, aposto na segunda
hipótese.
Navegar é preciso
Não é um
bocadinho esquisito lamentar o surto de emigração enquanto se celebra o sucesso
do actor Diogo Morgado nos Estados Unidos? Das duas, uma: ou os jornalistas vão
para os aeroportos perguntar a quem parte se escreveu uma carta chorosa ao
Presidente da República ou escrevem textos entusiásticos sobre os
cachorros-quentes que o sr. Morgado partilhou com Oprah Winfrey. Por outras
palavras, ou decidem que emigrar é uma condenação ou decidem que é uma
oportunidade.
A verdade
é que ficar por aqui não nos leva longe, figurativa ou literalmente. Quando
andava por Portugal a ganhar a vida em telenovelas (é o que li), o sr. Morgado
era-me um completo desconhecido. E suspeito que mesmo os que o conheciam não
entravam em delírio patriótico à mera menção do seu nome. Os noticiários
televisivos, pelo menos, não dedicavam reportagens todas satisfeitas à inegável
popularidade e à alegada sensualidade do homem. Na América, o sr. Morgado
conseguiu o papel de protagonista do Novo Testamento numa versão filmada da
Bíblia e, hoje, é uma moderada celebridade.
E o mesmo
vale para as vedetas da bola e, apesar dos diversos níveis de fama e de
prestígio, para qualquer ofício: é absurdo festejar Cristiano Ronaldo e
criticar o processo que, em Manchester e Madrid, fez dele aquilo que ele é. Nem
todos os casos de emigração correm bem? Com certeza, embora aparentemente só os
casos de emigração podem correr muito bem. Limitarmo-nos à terrinha é
contentarmo-nos com a gastronomia, o clima e uma dimensão quase fatalmente
irrisória. É, de acordo com o carácter e o talento, uma escolha ou uma
necessidade legítimas. Não é o melhor dos mundos, que aliás existe neste mundo
mas não neste país. Se atendermos às probabilidades e ao bom senso, seria
impossível que existisse: em Lisboa ou em Figueiró dos Vinhos, um
cachorro-quente jamais é notícia.
O problema da habitação
A língua
portuguesa não tem tradução exacta para "gentrification", palavra
inglesa que define a transformação de um espaço urbano habitado por gente pobre
numa zona aburguesada. Mas, excepto se a "gentrificação" beneficiasse
subculturas específicas, como os artistas em Manhattan ou os homossexuais em
São Francisco, o jornalismo português e não só português tem o sentimentalismo
pronto a ser derramado sobre processos do género. Veja-se o exemplo do Bairro
do Aleixo, no Porto, onde a implosão de mais uma torre suscita inúmeras
reportagens lacrimosas e indignadas.
Vê-se
residentes compreensivelmente atarantados com a mudança brusca nas suas vidas.
Vê-se o oportunismo político a desfilar demagogia por entre os escombros. Vê-se
a sugestão de que Rui Rio, vulgo o Cruel, deseja suprimir uma comunidade pobre
em prol da libertação dos terrenos para condomínios de luxo. Não se vê muitas
alusões a um pormenor sem importância, o de que o Aleixo é um centro comercial
de drogas ditas "duras" e um entreposto da desgraça humana. E não se
vê nenhuma alusão a uma evidência: pior do que a decisão dos poderes públicos em
transladar à força os moradores de um bairro "social" foi a decisão
inicial de criar o bairro "social".
Não nego
que o país saído do golpe de Estado de 1974 exibisse graves carências de
habitação. O que parece amplamente provado é que enfiar largas centenas de pessoas
em aglomerados de betão resolve mal os problemas citados e inaugura outros.
Alternativas? Eis um assunto que, por uma vez, importaria ter sido debatido.
Porém, desde a primeira hora que o debate deu lugar à compra directa de votos e
à propaganda. E, hoje, as consequências da fraude dissolvem-se à custa de
compaixão simulada e relatos de "interesse humano" nos quais os
humanos são tratados com o maior dos desprezos.
domingo, 14 de abril de 2013
PARA COMEÇAR BEM A SEMANA
Para uma semana que vos desejo excelente em
todos os aspectos ("felizes no jogo e no amor", parafraseando
a frase célebre de Stendhal a rebours e contrariando fadários)
nada melhor que contemplarmos, por um par de minutos, qualquer coisa bela e
suscitadora. Excitante dum ponto de vista vital, não sei se me entendem.
E assim sendo, neste caso aponto para a Mostra
que abriu anteontem na Sala de exposições temporárias do castelo de Portalegre
e protagonizada por Rui Real - cinéfilo encartado, agricultor, cultor de
leituras muitas vezes heterodoxas que vão de Lovecraft a Lauro António,
passando por Bradbury, Philip José Farmer, Ridley Scott, etc.
E, já agora, uma estorinha real para
ilustrar (digamos assim, que ilustrações mesmo, tiradas na "vernissage", vão
em anexo):
- Anos atrás, não estando eu em cheiro
de santidade no bestunto de um sector que de forma atribiliária
semi-dominava pelos meios e com a velhacaria que lhes é hábito o ranço político
alentejano/portalegrense, um dos controladores dessa agremiação sugeriu/lançou
a ideia de que seria bom arranjarem forma de me processarem, visando o
corolário de me prenderem ou, no mínimo, me "darem cabo da
vida", como disse com doçura um dos artilhadores. (Isto tem sua piada,
pois se nos tempos da "velha senhora" me levaram de cana
(digamos desta maneira justamente rasca) por duas vezes - foi precisamente
por dar ajuda e protecção a membros dessa agremiação). Mas bom. O ambiente
ficara um pouco...nublado. Nas terras pequenas Vs. calculam como é. E foi então
que, num dia, me chegou um desenho carreando o trombil - muito melhorado,
confesso - deste que vos fala; e uma semana depois era-me dito pelo seu autor
que, para a minha peça de teatro ("Passagem de Nível") que eu
buscava dar a lume por esse tempo, ele teria muito gosto em ilustrar a página
de rosto.
O retrato tenho-o,
encaixilhado, na Casa da Muralha (Arronches) junto de outros da mão de
Mário de Oliveira, Cesariny, Juan Ribeyrolles, Carlos Texera, Miquel Elías,
etc. que com generosidade me frequentaram o frontispício. O desenho está no
livrito que de facto semanas depois saíu, também valorizado com capa de António
Luís Moita e introdução de João Garção).
Pronto, vendi meu peixe neste domingo
ensolarado. Fica, com a estima que sabem, os proverbiais abrqs e bjh deste
vosso confrade.
sábado, 13 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Nova canção do emigrante com provérbio afim (recebido por e-mail)
Voltei, voltei
Voltei de lá
Ainda ontem estava em França
E agora já estou cá
Vale mais um mês aqui
Do que um ano inteiro lá
Ainda ontem eu pensava
E sonhava cá voltar
Ai, eu já não suportava
Ficar longe do meu lar
Agora já estou aqui
Já me passou esta dor
Tanto, tanto que eu pedi
Este milagre ao Senhor
De um humor delicioso...!
"Excelente e
certeiro senso de humor. E, desta forma inteligente, mostra a realidade que só
os boquinhas-tortas e os lellos com dois éles não podem (não querem) ver: o
parisiense simulado é já uma figura caricatural, um sujeito e objecto de
charlotada.
Começou
como tragédia, vai acabar como comédia, como se diz da História chula. Um clown que
a pouco a pouco todos verão na sua real dimensão pindérica.
Prematuramente
embranquecida."
Foi este o comentário que deixei no post seguinte:
Sócrates: Alors, pá. Mostra lá
os resultados das audiências. Deve ter sido um massacre.
Silva Pereira: Lá isso foi.
Sócrates: Deixa cá ver... Va te
faire Paulô Futre!!!!
Silva Pereira: Tentei avisar-te…
Sócrates: Isto é do Car…rilhô.
Plus une semaine comme ça e ainda acabo a apresentar o Preço Certo. Em escudos.
Silva Pereira: Deixa lá, Zé. A culpa
não é tua.
Sócrates: Claro que não. Il te
donne para cada uma. De quem é que achas que é?
Silva Pereira : É da apresentadora.
Não é que as pessoas prefiram os comentários do Marcelo. Gostam é da
Judite.
Sócrates: Pois é. De qualquer
maneira, temos de fazer quelque chose.
Silva Pereira : Podias aconselhar uns
livros.
Sócrates: Não te armes em
crétin. Ganhei aversão à leitura desde os tempos dos parâitres do Tribunal de
Contas.
Silva Pereira : E se fizesses uns
números de ilusionismo.
Sócrates: Isso dos números e do
ilusionismo era com o Teixeira dos Santos… e não vou dar ao gajô o gosto de me
deslier o telefone dans la trombe.
Silva Pereira : Sim, até porque o gajo
era capaz de o fazer literalmente… Podias serrar um gajo ao meio em directo.
Sócrates: Tinha de ser um gajô
sem colomne vertebral para ser mais fácil…
Silva Pereira : O Lello?
Sócrates: Est capable de donner…
E se depois não conseguir colar o gajô outra vez?
Silva Pereira: Isso é o menos. Ninguém
ia reclamar…
Sócrates: Hmm. Vamos tomar
nota dessa. Portanto, quero uma coisa com mais impacto.
Silva Pereira: Já te disse que só em
francês é que pourtant vale como adversativa, certo?
Sócrates: De efeitos imediatos.
E sucesso garantido.
Silva Pereira: Distribuir magalhães?
Sócrates: Melhor ainda.
Silva Pereira : Não, não estás a
pensar em…
Sócrates: Estou.
Silva Pereira : Não eras capaz…
Sócrates: Sabes que sou… No
próximo Domingo vou distribuir aumentos aos funcionários públicos. O Marcelo
vai ficar a ver bateaux.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Exposição de Pintura - Rui Real
"É já amanhã, sexta-feira dia 12, que será inaugurada
na Sala do Castelo de Portalegre - mantendo-se aberta até 17 de Maio - a
Exposição "Visões paralelas" de Rui Real, sob o patrocínio do
município alto-alentejano.
Pintor desde a extrema juventude e, de há
uns anos a esta parte, agricultor na sua herdade situada nas planuras após os
contrafortes da Serra da Penha, o artista portalegrense que excursionou pela
ilustração, pela banda-desenhada e pelo design e apresentou os seus quadros
em diversos lugares expressos do país e se deu também a conhecer no
estrangeiro, mostra-nos agora um acervo da sua produção mais recente.
Grande cinéfilo, Real deixa espelhar nos seus
quadros muitos referentes cinematográficos, sempre sob a égide de um olhar que
encontra no fantástico os seus mais intensos motivos e se multiplica, noutra
face da Mostra, em revisitações da Natureza e dos seus cambiantes maiores.
Jorge Loeb Guelvada"
Só há dores de calos quando há calos
Quando começaram a desconfiar que os portugueses se estavam a
endividar descontroladamente, os "especuladores" apertaram a torneira e
esperaram a reacção. O arremesso espertalhaço de mocas foi de tal ordem
que eles ficaram a saber que já nem por arames a economia de Portugal
estava presa.
O ministro Gaspar fez o mesmo à máquina do estado e ficou a saber que havia camiões de dinheiro a desaparecer pela porta do cavalo.
Felizmente o bicho estatal de torrar dinheiro nunca e nada aprende.
O ministro Gaspar fez o mesmo à máquina do estado e ficou a saber que havia camiões de dinheiro a desaparecer pela porta do cavalo.
Felizmente o bicho estatal de torrar dinheiro nunca e nada aprende.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Mas que parvo - diz a barata não tonta
António José Seguro pretende ser primeiro-ministro mantendo o actual em funções.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
... e a voz do dono fez-se ouvir:
A Comissão Europeia espera que o governo "identifique rapidamente" as medidas que permitam "adaptar" o orçamento de 2013 por forma a garantir o cumprimento das metas orçamentais negociadas com a troika e que obrigam Portugal a atingir um défice orçamental de 5,5% do PIB este ano.Que tal começar por vender a TAP, o Palácio Ratton, a RTP a CP e mandar demolir as eólicas?
domingo, 7 de abril de 2013
Outras quatro crónicas exemplares...
(imagem obtida aqui)
... de Alberto Gonçalves:
Donzelas e galdérias
Sem pompa nem circunstância, encerraram
os Centros Novas Oportunidades. As NO responderam às carências do País em
matéria de certificações sem responder às carências do País em matéria de
aprendizagem. Ou seja, as pessoas entravam formal e tecnicamente desqualificadas
nos espaços de formação e, decorridos meses, deles saíam apenas tecnicamente
desqualificadas. Pelo meio, a troco de "histórias de vida" e conversa
fiada, ganhavam um papel que lhes garantia a posse do 9.º ou do 12.º ano. Mil e
oitocentos milhões de euros depois, 400 mil portugueses são os confusos
proprietários do tal papel e os candidatos ao desemprego ou a profissões
desvalorizadas que sempre haviam sido. Ao contrário do que alguns charlatães
chegaram a afirmar, criticar as NO não significava insultar os incautos que por
elas passaram: ao arregimentar incautos para efeitos de propaganda, as NO eram
o insulto. E a abolição de um insulto é uma boa notícia.
Estranhamente,
essa notícia não mereceu os festejos suscitados por uma segunda notícia feliz e
quase simultânea, a da demissão do ministro Miguel Relvas, que obtivera uma
licenciatura à custa do exacto tipo de equivalências imaginárias que
fundamentavam as NO. Mais estranho é que muitos dos que defendiam as NO sejam
os mesmos que, com alguma razão e escassa legitimidade, acharam o processo do
"dr." Relvas um atentado à democracia. Se o processo do
"dr." Relvas é misterioso, não se compara ao mistério das reacções
que fomentou.
Uma
reacção típica consistiu em afirmar que a demissão pecou por tardia. Nada a
obstar: por lealdade, necessidade ou pura dependência, o dr. Passos Coelho
deixou que os estragos provocados pelo currículo "académico" do
"dr." Relvas se prolongassem indefinidamente, com custos que o
Governo dispensava. Apesar disso, o "dr." Relvas lá acabou por sair,
o que nem sempre se pode dizer de governantes com licenciaturas igualmente
duvidosas que se agarraram ao poder e sobreviveram à revelação das trapalhadas
universitárias.
Outra
reacção à saída do "dr." Relvas indigna-se com Nuno Crato, que
alegadamente guardou por dias ou semanas o relatório da Inspeção-Geral da
Educação e Ciência acerca do famoso canudo. Os indignados esquecem-se de que é
inédito um ministro concordar com uma decisão que coloca em causa um seu
colega. Sobretudo esquecem-se de que o antecessor desse ministro contemplou
indiferente uma aldrabice similar à do "dr." Relvas (indiferente,
vírgula: fechou a universidade em questão sem beliscar os respectivos
beneficiados).
Uma
terceira reacção trata de esclarecer que o "dr." Relvas não era,
cito, "um ministro qualquer", logo a confirmação das habilidades
praticadas na Lusófona abala gravemente o Governo. Acho óptimo que abale, ainda
que ache esquisito o facto de governos anteriores escaparem ilesos à revelação
de habilidades semelhantes praticadas por um membro que também não era um
ministro qualquer: era o primeiro.
Entre as donzelas ofendidas com a
novela do "dr." Relvas há inúmeras galdérias em novelas passadas.
Hoje, puxam da virtude com o zelo com que ontem disfarçavam o vício. Levá-las a
sério é reduzir Portugal a uma anedota. Como o "dr." Relvas, mas não
só o "dr." Relvas.
Novas da Primavera
No
Egipto, que desde a deposição de Mubarak é uma terra devotada à democracia e à
liberdade de expressão, em dois dias a justiça local acusou dois comediantes
por blasfemarem contra o islão. Não só é uma óptima média como um sinal da
saúde da Primavera Árabe, que ao contrário da europeia não traz chuva nem
favorece o voto em palhaços. A propósito de palhaçadas, imagino a cara daqueles
que duvidavam do sucesso das revoluções no Médio Oriente e, ainda mais
ridículo, profetizavam a troca de ditaduras "habituais" pela tirania
de transtornados religiosos. Muito me tenho rido à custa deles, embora sempre
no maior respeito pelo islão.
A natalidade não é quando o Estado quiser
Solidário
como lhe compete, o ministro da Solidariedade mostra-se aflito com a baixíssima
natalidade em Portugal: "Uma mulher que pretenda ser mãe, mais do que a
disponibilidade financeira, reclama por disponibilidade para uma maior
dedicação. Se tempo tivesse para os acompanhar teria mais filhos", jura
Pedro Mota Soares, que propõe o trabalho em part-time da mãe ou do pai a fim de
promover a disponibilidade. O Estado, claro, subsidiaria os 50% restantes.
Não percebi se a isenção parcial do
trabalho seria atribuída apenas após o parto, para aumentar o período de
dedicação, ou também antes do parto, para aumentar as hipóteses de fecundação.
Neste último caso, convinha que ambos os progenitores beneficiassem do referido
subsídio, excepto na hipótese remota de o dr. Mota Soares querer incentivar o
adultério. Em qualquer dos casos, convinha apurar quem tomaria conta do bebé
durante a metade do expediente cumprida pelos pais.
Muitas
dúvidas, uma só certeza: a de que o voluntarismo do dr. Mota Soares não
encontra eco no mundo real. Até há 70 anos, as portuguesas não gozavam de licença
de maternidade. Em 1945, um contrato colectivo concedeu às trabalhadoras dos
lanifícios, uma minoria no sector "feminino" dos têxteis, 30 dias de
férias de parto pagas pela metade do salário. Na década de 1960, uma
funcionária pública dispunha de 15 dias de licença, duplicados no início da
década seguinte. Depois dos anos revolucionários de 1974 e 1975, a licença
passou para 90 dias. Hoje, anda pelos 120 ou 150. Progresso? É evidente, salvo
na quantidade de nascimentos propriamente ditos, os quais, indiferentes ao
progressismo, vêm diminuindo com notável regularidade. Se existisse uma relação
causal entre as políticas de estímulo à natalidade e a natalidade, seria fácil
concluir que tudo o que as primeiras conseguiram foi reduzir a segunda a valores
de facto irrisórios.
Sucede
que a relação causal não existe. Ainda que os burocratas julguem o contrário,
as pessoas não desenham a intimidade de acordo com leis, regulamentos ou
portarias. A procriação depende da época, do meio, da cultura e sobretudo da vontade
dos protagonistas crescidos da mesma - não depende da vontade do Estado. No
máximo, é possível que, se o Estado desimpedisse o caminho, as circunstâncias
económicas favoreceriam o nascimento de criancinhas. Mas nem isso está
garantido. Garantida, só a morte. E os impostos que atrapalham a vida.
A bancarrota é constitucional
Num país
em que ninguém parece acreditar na Justiça, na política e nos partidos, é
interessante verificar a estrita devoção de tantos às decisões do Tribunal
Constitucional, guardião de um documento ideológico e cujos membros resultam de
nomeação partidária. Por mim, tudo bem. Mas não é inconsequente o respeito do
TC por uma Constituição que desrespeita a realidade.
Ao
contrário do que alguns pensam e tal como outros desejam, os
"chumbos" do TC ao Orçamento não acabarão por correr apenas com o
Governo: por este andar, arriscam-se a enxotar a troika mais o dinheiro que nos
ajuda a fingir que ainda somos uma nação soberana e cheia de rigor legalista. Para
cúmulo, nem os senhores juízes pagam a diferença do bolso deles nem a
bancarrota é inconstitucional. Quando o dr. Seguro diz que quem criou o
problema dos 1300 milhões deve resolvê-lo, falhou o destinatário e, sem
surpresas, não acertou no resto.
A AVEZINHA DO SENHOR… PASSARÃO
Nicolau Saião, O passarão
MADURO AFIRMOU EM
CARACAS QUE CHAVEZ LHE APARECEU quando orava numa capela para que as eleições
lhe fossem favoráveis
(dos
jornais)
Das duas, uma: ou Maduro é um louco (veja-se a
estória que conta de Chávez lhe ter aparecido sobre a forma dum passarinho) ou é um manipulador deliberado,
abusando das superstições e debilidade dos pobres paisanos.
Como se pode confiar num tipo destes?
E foi este inqualificável indivíduo que chamou, no funeral do
antecessor, "irmão Sócrates" ao estudante parisiense. Ou seja,
chegou-se ao degrau mais baixo da demagogia... bolivariana.
Tenhamos medo, muito medo!
sábado, 6 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
O estranho caso da escrivaninha ribatejana
Lê-se aqui:
Um agricultor no Ribatejo
fez um achado insólito: mais de mil cheques da família de Sócrates, 263 do
próprio, escondidos numa escrivaninha que pertenceu a um primo do
ex-primeiro-ministro.
Na entrevista à RTP,
Sócrates assegurou aos portugueses nunca ter tido acções nem offshores e de
ser, precisamente há 25 anos, senhor de «uma única conta, na Caixa Geral de
Depósitos». E, uma vez que nunca fez poupanças, foi obrigado a contrair um
empréstimo na Caixa para fazer um mestrado em Paris.
No percurso de uma vida, há quem deixe pelo caminho espólios inéditos. Esta
é a circunstância que liga Sócrates a Nuno Caçador, que no último Natal fez uma
descoberta inusitada: num móvel abandonado na sua quinta do Ribatejo, encontrou
dezenas de livros de cheques por usar, de José Sócrates e de outros familiares.
Na gaveta fechada à chave de uma velha escrivaninha, que teve de abrir a
martelo, o agricultor descobriu 1.273 cheques, todos em branco e guardados ainda
nos respectivos envelopes de origem, a maioria por abrir.
À medida que corria as cadernetas, saltavam-lhe à vista os nomes de José
Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, do tio, da irmã e de três empresas da
família, nos mais variados bancos: BES, Fonsecas e Burnay, Totta & Açores e
Banco Português do Atlântico.
Dos 1.273 cheques, 263 são de uma conta de José Sócrates no Totta, 110 são
de uma conta do tio, António Pinto de Sousa, e 75 de uma conta da irmã, Ana
Maria. À época (1991), Sócrates era deputado e cortara o vínculo à Sovenco,
empresa na área dos combustíveis, na Amadora, que fundara com Armando Vara,
entre outros sócios.
Nuno Caçador interrogou-se: «Qual é o banco que entrega tantos cheques de
uma vez só a uma pessoa? Isto não é normal!».
quarta-feira, 3 de abril de 2013
OUTRA DE NUNO REBOCHO
João Garção, Portugal romântico
Este nosso confrade e amigo, que
depois de se alijar da Antena 2 rumou a Cabo-Verde para ser uma presença cidadã
na comunicação social desse país, volta às nossas páginas com outra
reminiscência saborosa do seu multifacetado percurso de vida.
Experiência cabo-verdiana
Não há apertos que desmotivem um
cabo-verdiano. De facto, há que esperar tudo deste gente que aprendeu aquilo
que o dianho amassou e que fica horrível desejar a quem quer que seja.
Sobretudo, há que o reconhecer, o cabo-verdiano aprendeu a esperar, dizendo
entre dentes a expressão muito crioula: “ave-maria,
paxenxa”. Isto, de resto, foi das primeiras coisas que aprendi mal pus os
pés no arquipélago. Eu conto.
Foi por volta de 2001. Estava desesperado,
aguardando que o Ministério das Finanças liberasse um cheque que fora obrigado
a fazer na convicção de que o Governo me pagaria conforme prometeu. Mas os dias
passavam e desse pagamento, nada. Eu desesperava. E mais desesperava por sempre
me faltar alguém no Ministério que pudesse ser meu interlocutor. Até que um
dia, furioso, desencabrestei pelo jardim em frente em busca de um graxate que
cuidasse dos meus sapatos. Reparando no meu semblante, o sujeito descalçou a
proverbial “morabeza”: o que eu tinha, o que não tinha. Lá me descosi. Que
estava sem dinheiro (situação a que os cabo-verdianos estão habituados), que o
Ministério arrastava o tempo, fingia que andava, mas não andava, e eu estava
farto: aquilo eram “más contas”.
O sujeito sorriu. E, no esgar, desembrulhou:
“Minin, má Kao Berdi é tera di speransa,
enton nu spera”, o que, traduzido, significa: “menino (assim me tratou),
mas Cabo Verde é terra de esperança, portanto a gente espera”. Guardei
sofregamente a máxima que tem servido de norte na minha bússola. E quando um
dia tomei conhecimento do que Eugénio Anacoreta Correia, então embaixador de
Portugal na cidade da Praia, afirmou a uma entrevista, percebi o desabafo.
Disse ele que Cabo Verde era “a única
terra do mundo onde havia tempo para ter tempo”. Então larguei em “aaah”,
que ainda hoje perdura.
Vou-me
habituando.
Nuno Rebocho
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