quinta-feira, 18 de abril de 2013

Portugal: país de ruas só a descer

No Económico José Manuel Moreira:
Em tempos, Henrique Monteiro contou uma história que uso para explicar a nossa tragédia. Contava ele que na aldeia onde nasceu, na Beira Alta, havia um maluco que dizia que, se mandasse, a ruas seriam só a descer.

Os seus conterrâneos esforçavam-se logo por mostrar que tal não seria possível. Mesmo assim, o homem insistia: se for eu a mandar as ruas serão só a descer.

Ideia que, segundo um meu colega historiador, tem autoria: João Camoesas, deputado (e ministro da Instrução Pública) do Partido Democrático, que, em finais da 1ª República, terá proposto a construção de estradas só a descer para poupar nos combustíveis.

Foi então que descobri que a ilusão de que a vontade política pode mudar a realidade tem tradição. Uma tradição de visionários que deixou marca no ensino e nas demais políticas públicas. Daí as vias abertas ao crescimento sem austeridade, aos direitos sem deveres e a mais e mais despesa. Até que a realidade deu sinal de vida e os credores entraram porta adentro. Mais uma vez. Mas tal não obsta ao elogio a quem nos arruinou e ao insulto a quem empresta. Daí a acusação ao Vítor de ser um tecnocrata ao serviço de estrangeiros.

Entretanto, o País imaginário da Constituição louva-se no consenso democrático e socialista, sem se reconhecer nos interesses instalados e desenvolvidos a coberto do Estado de Bem-estar. Ou será antes de Bem-estar do Estado?

Volta e meia a malta indigna-se: "Rua com a ‘troika'". O que faz crescer a popularidade de quem condena os sintomas e apoia as causas do nosso empobrecimento. Aqui entra a Imprensa, na disputa por comentadores com experiência política na condução por ruas só a descer. Com vivas ao consenso alargado e palco aos protegidos e medalhados do regime, agora em agonia. Será só maldade ou ignorância?

Resta - em tempo de lamento de cortes "cegos", sem nunca se propor cortes com visão - lembrar uma senhora que foi ontem a enterrar: o melhor homem político da altura. Filha de um merceeiro metodista e de uma modista, esta nascida "em casa com carne uma vez por semana e retrete no quintal" foi, mesmo assim, capaz de desafiar as elites conservadoras. Já entre nós, os grandes merceeiros tendem ao compromisso com os bem pensantes das ruas só a descer. Daí a nossa dificuldade em compreender a oposição de Thatcher à União (UEM). E mais ainda o seu aviso de partida: "Não sou um político de consensos, sou de convicções". Mas em Portugal persiste a ilusão e os avisos são outros: "Seguro exige a Passos e à ‘troika' recuo nos cortes para manter o consenso." E nem o recente aviso do primeiro- ministro da Finlândia - "não há atalhos para o céu" - nos permite ver que a superação da crise depende menos de recuos e mais de coragem para radicais cortes na despesa. Os mesmos que até agora, apesar das exigências da Troika, nunca foram feitos.

José Manuel Moreira, Professor Universitário e membro do Mont Pélerin Society

VENEZUELANAS




O sucessor de Chávez se chama Maduro. Mas sua herança sociopolítica e econômica é podre mesmo.


Vitória de Maduro evidencia como o chavismo apodreceu as instituições democráticas venezuelanas.


Chávez deixou a Venezuela menos madura para a democracia.



Com Maduro como herdeiro, o chavismo apodrecerá mais rapidamente. Resta saber se levará a Venezuela junto.


Há algo de podre na eleição de Maduro.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mas porque é que não lhes puseram uma burka?


Foto tirada durante um casamento islâmico de 24 casais, em Enfield (recebido por e-mail)

Ou um napperon...? Ou mesmo um abat-jour...? Ora leiam.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O CÃO COM PULGAS



Portugal, saudade soldada no mapa
grande, mas pequena e apequenada
onde o velho Ocidente afunda no mar
o mesmo mar por que estendeste o Ocidente
até a vasta pequenez do Brasil
novo Ocidente enorme e anêmico
engrandecendo-te além do mesmo mar

para, assim, poder grandemente recuar

Por que tão grandemente recuaste
a grandeza de tua história explica e não aclara:
sabemos de tudo
da Revolução Industrial que os putos
dos ingleses fizeram enquanto ainda davas duro
para escravizar a África
da invasão do grande anão
que foi Napoleão
da perda sem remédio do Império
do tédio sem cura
e do excesso de curas
à beira do Tejo
da burra ditadura de Salazar
do sal e do azar de seres roubado
e arrombado para engordar
as gordas burras dos bancos


Sabemos tudo, mas esse saber é nada
pois nada impede o ímpeto com que afundas
no sombrio oceano do desânimo

O menor cão
é um gigante ante suas pulgas


Ser grande ou pequeno ou mesmo médio
não é fato, mas pura opinião

Fato é não fazer o mínimo sentido
um cão de qualquer dimensão
afundar ao peso ínfimo
de seu particular fardo de pulgas

Expulsa-as, Portugal
nem que tenhas de te arranhar
até arrancar a pele com elas

Mais vale viver livre e pelado
do que coberto
e encolhido por insetos

Crónicas do Planeta Alice...








A caminho do Estado “social”

Antigamente, ou seja até há meia dúzia de dias, inúmeros portugueses criticavam o Governo por apostar na receita e ignorar a despesa. Eu estava com eles. Desde que Vítor Gaspar decidiu compensar os votos do Tribunal Constitucional (TC) mediante a suspensão de determinados gastos públicos, muitos dos portugueses referidos saltitam furiosos, a acusar o Governo de "chantagem" e "vingança". Não estou com eles.

Se não for pedir demasiado, convém que as pessoas decidam se preferem corrigir as contas públicas pelo lado do emagrecimento da coisa pública ou pelo lado do emagrecimento dos contribuintes (também existe aquela ala folclórica que prefere não corrigir contas nenhumas, mas aqui falo de gente crescida). O que não se pode é defender apenas o fisco que estrangula os outros ou a poupança que não nos afecta. Condenar o aumento de impostos e, em simultâneo, atacar o seu reverso é, sem ofensa, uma palermice.

Ainda por cima quando o reverso é tão vago. Bem sei que os "telejornais" gostam de começar em tom dramático. Porém, o "congelamento" dos gastos é limitado no alcance e provisório na duração. Além disso, nem sequer é inédito, visto que em Setembro passado aconteceu decisão similar e, talvez porque então o PS ainda não revelava desesperada urgência em chegar ao poder, sem uma fracção do drama actual. Histeria à parte, conforme aliás explicou Guilherme d'Oliveira Martins, um reduto de sensatez em pleno manicómio, trata-se apenas de um remendo destinado a ganhar tempo enquanto não se encontra uma alternativa aos mil e trezentos milhões com que o TC embirrou. É uma necessidade, não uma convicção.

Antes fosse uma convicção, visto que um Governo austero com o dinheiro alheio é melhor do que um Governo magnânimo. Infelizmente, o estranho "liberalismo" do primeiro-ministro e do ministro das Finanças é na essência pouquíssimo liberal. Sempre que não se entretêm a saquear os cidadãos, os esforços deles dedicam-se a evitar reformas e a adiar os "cortes" de 4 mil milhões, agora elevados a 5 mil e 300 milhões ou, há quem garanta, a 7 mil milhões. Caso alguma vez procedam de facto ao "corte" estrutural de uns cêntimos será sob ameaça da troika, a qual, se continuarmos a brincar às nações independentes, seca definitivamente a fonte e transforma-nos enfim no Estado "social" com que tanto sonhamos. "Social" no sentido de miserável, claro


Fascismo/antifascismo

Nos campos da internet onde apascenta a extrema-esquerda, reina a felicidade graças à morte de Margaret Thatcher, vulgo "a fascista". A aplicação do epíteto, em Portugal de resto muito desprendida, é elucidativa do tipo de estrutura mental que o aplica. A sra. Thatcher venceu três eleições populares? Fascismo. A sra. Thatcher desembaraçou o Reino Unido do jugo sindical que a generalidade da população não elegera? Fascismo. A sra. Thatcher encolheu o peso do Estado em prol da escolha individual? Fascismo. A sra. Thatcher modernizou económica e socialmente o Reino Unido? Fascismo. A sra. Thatcher venceu nas Falkland uma guerra iniciada por uma ditadura decidida a vergar a autodeterminação da comunidade local? Fascismo. A sra. Thatcher ajudou a derrubar os totalitarismos do Leste europeu? Fascismo, fascismo, fascismo.

Se bem percebo, um governante "fascista" é aquele que favorece a democracia, promove a liberdade, desampara a vida dos cidadãos e, se possível, combate regimes fascistas a sério. Em contrapartida, um líder "antifascista" que se preze desrespeita eleições, professa a submissão dos cidadãos, arrasa a economia e, se adicionar uns pozinhos de culto da personalidade e o adequado castigo dos dissidentes, parece-se imenso com um fascista de facto. Ou a extrema-esquerda é ainda mais tresloucada do que aparenta ou a ciência política anda redondamente enganada há largas décadas. Por mim, aposto na segunda hipótese.


Navegar é preciso

Não é um bocadinho esquisito lamentar o surto de emigração enquanto se celebra o sucesso do actor Diogo Morgado nos Estados Unidos? Das duas, uma: ou os jornalistas vão para os aeroportos perguntar a quem parte se escreveu uma carta chorosa ao Presidente da República ou escrevem textos entusiásticos sobre os cachorros-quentes que o sr. Morgado partilhou com Oprah Winfrey. Por outras palavras, ou decidem que emigrar é uma condenação ou decidem que é uma oportunidade.

A verdade é que ficar por aqui não nos leva longe, figurativa ou literalmente. Quando andava por Portugal a ganhar a vida em telenovelas (é o que li), o sr. Morgado era-me um completo desconhecido. E suspeito que mesmo os que o conheciam não entravam em delírio patriótico à mera menção do seu nome. Os noticiários televisivos, pelo menos, não dedicavam reportagens todas satisfeitas à inegável popularidade e à alegada sensualidade do homem. Na América, o sr. Morgado conseguiu o papel de protagonista do Novo Testamento numa versão filmada da Bíblia e, hoje, é uma moderada celebridade.
E o mesmo vale para as vedetas da bola e, apesar dos diversos níveis de fama e de prestígio, para qualquer ofício: é absurdo festejar Cristiano Ronaldo e criticar o processo que, em Manchester e Madrid, fez dele aquilo que ele é. Nem todos os casos de emigração correm bem? Com certeza, embora aparentemente só os casos de emigração podem correr muito bem. Limitarmo-nos à terrinha é contentarmo-nos com a gastronomia, o clima e uma dimensão quase fatalmente irrisória. É, de acordo com o carácter e o talento, uma escolha ou uma necessidade legítimas. Não é o melhor dos mundos, que aliás existe neste mundo mas não neste país. Se atendermos às probabilidades e ao bom senso, seria impossível que existisse: em Lisboa ou em Figueiró dos Vinhos, um cachorro-quente jamais é notícia.


O problema da habitação

A língua portuguesa não tem tradução exacta para "gentrification", palavra inglesa que define a transformação de um espaço urbano habitado por gente pobre numa zona aburguesada. Mas, excepto se a "gentrificação" beneficiasse subculturas específicas, como os artistas em Manhattan ou os homossexuais em São Francisco, o jornalismo português e não só português tem o sentimentalismo pronto a ser derramado sobre processos do género. Veja-se o exemplo do Bairro do Aleixo, no Porto, onde a implosão de mais uma torre suscita inúmeras reportagens lacrimosas e indignadas.

Vê-se residentes compreensivelmente atarantados com a mudança brusca nas suas vidas. Vê-se o oportunismo político a desfilar demagogia por entre os escombros. Vê-se a sugestão de que Rui Rio, vulgo o Cruel, deseja suprimir uma comunidade pobre em prol da libertação dos terrenos para condomínios de luxo. Não se vê muitas alusões a um pormenor sem importância, o de que o Aleixo é um centro comercial de drogas ditas "duras" e um entreposto da desgraça humana. E não se vê nenhuma alusão a uma evidência: pior do que a decisão dos poderes públicos em transladar à força os moradores de um bairro "social" foi a decisão inicial de criar o bairro "social".

Não nego que o país saído do golpe de Estado de 1974 exibisse graves carências de habitação. O que parece amplamente provado é que enfiar largas centenas de pessoas em aglomerados de betão resolve mal os problemas citados e inaugura outros. Alternativas? Eis um assunto que, por uma vez, importaria ter sido debatido. Porém, desde a primeira hora que o debate deu lugar à compra directa de votos e à propaganda. E, hoje, as consequências da fraude dissolvem-se à custa de compaixão simulada e relatos de "interesse humano" nos quais os humanos são tratados com o maior dos desprezos.

domingo, 14 de abril de 2013

PARA COMEÇAR BEM A SEMANA





 Para uma semana que vos desejo excelente em todos os aspectos ("felizes no jogo e no amor", parafraseando a frase célebre de Stendhal a rebours e contrariando fadários) nada melhor que contemplarmos, por um par de minutos, qualquer coisa bela e suscitadora. Excitante dum ponto de vista vital, não sei se me entendem.




 E assim sendo, neste caso aponto para a Mostra que abriu anteontem na Sala de exposições temporárias do castelo de Portalegre e protagonizada por Rui Real - cinéfilo encartado, agricultor, cultor de leituras muitas vezes heterodoxas que vão de Lovecraft a Lauro António, passando por Bradbury, Philip José Farmer, Ridley Scott, etc.




 E, já agora, uma estorinha real para ilustrar (digamos assim, que ilustrações mesmo, tiradas na "vernissage", vão em anexo):




 - Anos atrás, não estando eu em cheiro de santidade no bestunto de um sector que de forma atribiliária semi-dominava pelos meios e com a velhacaria que lhes é hábito o ranço político alentejano/portalegrense, um dos controladores dessa agremiação sugeriu/lançou a ideia de que seria bom arranjarem forma de me processarem, visando o corolário de me prenderem ou, no mínimo, me "darem cabo da vida", como disse com doçura um dos artilhadores. (Isto tem sua piada, pois se nos tempos da "velha senhora" me levaram de cana (digamos desta maneira justamente rasca) por duas vezes - foi precisamente por dar ajuda e protecção a membros dessa agremiação). Mas bom. O ambiente ficara um pouco...nublado. Nas terras pequenas Vs. calculam como é. E foi então que, num dia, me chegou um desenho carreando o trombil - muito melhorado, confesso - deste que vos fala; e uma semana depois era-me dito pelo seu autor que, para a minha peça de teatro ("Passagem de Nível") que eu buscava dar a lume por esse tempo, ele teria muito gosto em ilustrar a página de rosto.




  retrato tenho-o, encaixilhado, na Casa da Muralha (Arronches) junto de outros da mão de Mário de Oliveira, Cesariny, Juan Ribeyrolles, Carlos Texera, Miquel Elías, etc. que com generosidade me frequentaram o frontispício. O desenho está no livrito que de facto semanas depois saíu, também valorizado com capa de António Luís Moita e introdução de João Garção).




 Pronto, vendi meu peixe neste domingo ensolarado. Fica, com a estima que sabem, os proverbiais abrqs e bjh deste vosso confrade.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Nova canção do emigrante com provérbio afim (recebido por e-mail)





Voltei, voltei

Voltei de lá
Ainda ontem estava em França
E agora já estou cá

Vale mais um mês aqui
Do que um ano inteiro lá

Ainda ontem eu pensava
E sonhava cá voltar
Ai, eu já não suportava
Ficar longe do meu lar

Agora já estou aqui
Já me passou esta dor
Tanto, tanto que eu pedi
Este milagre ao Senhor



A democracia portuguesa parece padecer geneticamente de falta de vergonha?



De um humor delicioso...!




"Excelente e certeiro senso de humor. E, desta forma inteligente, mostra a realidade que só os boquinhas-tortas e os lellos com dois éles não podem (não querem) ver: o parisiense simulado é já uma figura caricatural, um sujeito e objecto de charlotada.
  Começou como tragédia, vai acabar como comédia, como se diz da História chula. Um clown que a pouco a pouco todos verão na sua real dimensão pindérica.
  Prematuramente embranquecida."

Foi este o comentário que deixei no post seguinte:

Sócrates: Alors, pá. Mostra lá os resultados das audiências. Deve ter sido um massacre.
Silva Pereira: Lá isso foi.
Sócrates: Deixa cá ver... Va te faire Paulô Futre!!!!
Silva Pereira: Tentei avisar-te…
Sócrates: Isto é do Car…rilhô. Plus une semaine comme ça e ainda acabo a apresentar o Preço Certo. Em escudos.
Silva Pereira: Deixa lá, Zé. A culpa não é tua.
Sócrates: Claro que não. Il te donne para cada uma. De quem é que achas que é?
Silva Pereira : É da apresentadora.  Não é que as pessoas prefiram os comentários do Marcelo. Gostam é da Judite.
Sócrates: Pois é. De qualquer maneira, temos de fazer quelque chose.
Silva Pereira : Podias aconselhar uns livros.
Sócrates: Não te armes em crétin. Ganhei aversão à leitura desde os tempos dos parâitres do Tribunal de Contas.
Silva Pereira : E se fizesses uns números de ilusionismo.
Sócrates: Isso dos números e do ilusionismo era com o Teixeira dos Santos… e não vou dar ao gajô o gosto de me deslier o telefone dans la trombe.
Silva Pereira : Sim, até porque o gajo era capaz de o fazer literalmente… Podias serrar um gajo ao meio em directo.
Sócrates: Tinha de ser um gajô sem colomne vertebral para ser mais fácil…
Silva Pereira : O Lello?
Sócrates: Est capable de donner… E se depois não conseguir colar o gajô outra vez?
Silva Pereira: Isso é o menos. Ninguém ia reclamar…
Sócrates:  Hmm. Vamos tomar nota dessa. Portanto, quero uma coisa com mais impacto.
Silva Pereira: Já te disse que só em francês é que pourtant vale como adversativa, certo?
Sócrates: De efeitos imediatos. E sucesso garantido.
Silva Pereira: Distribuir magalhães?
Sócrates: Melhor ainda.
Silva Pereira : Não, não estás a pensar em…
Sócrates: Estou.
Silva Pereira : Não eras capaz…
Sócrates: Sabes que sou… No próximo Domingo vou distribuir aumentos aos funcionários públicos. O Marcelo vai ficar a ver bateaux.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Exposição de Pintura - Rui Real




"É já amanhã, sexta-feira dia 12, que será inaugurada na Sala do Castelo de Portalegre - mantendo-se aberta até 17 de Maio - a Exposição "Visões paralelas" de Rui Real, sob o patrocínio do município alto-alentejano.


 Pintor desde a extrema juventude e, de há uns anos a esta parte, agricultor na sua herdade situada nas planuras após os contrafortes da Serra da Penha, o artista portalegrense que excursionou pela ilustração, pela banda-desenhada e pelo design e apresentou os seus quadros em diversos lugares expressos do país e se deu também a conhecer no estrangeiro, mostra-nos agora um acervo da sua produção mais recente.



 Grande cinéfilo, Real deixa espelhar nos seus quadros muitos referentes cinematográficos, sempre sob a égide de um olhar que encontra no fantástico os seus mais intensos motivos e se multiplica, noutra face da Mostra, em revisitações da Natureza e dos seus cambiantes maiores.



 Jorge Loeb Guelvada"


Só há dores de calos quando há calos

Quando começaram a desconfiar que os portugueses se estavam a endividar descontroladamente, os "especuladores" apertaram a torneira e esperaram a reacção. O arremesso espertalhaço de mocas foi de tal ordem que eles ficaram a saber que já nem por arames a economia de Portugal estava presa.

O ministro Gaspar fez o mesmo à máquina do estado e ficou a saber que havia camiões de dinheiro a desaparecer pela porta do cavalo.

Felizmente o bicho estatal de torrar dinheiro nunca e nada aprende.

terça-feira, 9 de abril de 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Portugal, Política, Economia, Finanças, António Borges, Álvaro Santos Pereira e por aí fora

... e a voz do dono fez-se ouvir:

A Comissão Europeia espera que o governo "identifique rapidamente" as medidas que permitam "adaptar" o orçamento de 2013 por forma a garantir o cumprimento das metas orçamentais negociadas com a troika e que obrigam Portugal a atingir um défice orçamental de 5,5% do PIB este ano.
Que tal começar por vender a TAP, o Palácio Ratton, a RTP a CP e mandar demolir as eólicas?

domingo, 7 de abril de 2013

Outras quatro crónicas exemplares...


(imagem obtida aqui)




Donzelas e galdérias

Sem pompa nem circunstância, encerraram os Centros Novas Oportunidades. As NO responderam às carências do País em matéria de certificações sem responder às carências do País em matéria de aprendizagem. Ou seja, as pessoas entravam formal e tecnicamente desqualificadas nos espaços de formação e, decorridos meses, deles saíam apenas tecnicamente desqualificadas. Pelo meio, a troco de "histórias de vida" e conversa fiada, ganhavam um papel que lhes garantia a posse do 9.º ou do 12.º ano. Mil e oitocentos milhões de euros depois, 400 mil portugueses são os confusos proprietários do tal papel e os candidatos ao desemprego ou a profissões desvalorizadas que sempre haviam sido. Ao contrário do que alguns charlatães chegaram a afirmar, criticar as NO não significava insultar os incautos que por elas passaram: ao arregimentar incautos para efeitos de propaganda, as NO eram o insulto. E a abolição de um insulto é uma boa notícia.

Estranhamente, essa notícia não mereceu os festejos suscitados por uma segunda notícia feliz e quase simultânea, a da demissão do ministro Miguel Relvas, que obtivera uma licenciatura à custa do exacto tipo de equivalências imaginárias que fundamentavam as NO. Mais estranho é que muitos dos que defendiam as NO sejam os mesmos que, com alguma razão e escassa legitimidade, acharam o processo do "dr." Relvas um atentado à democracia. Se o processo do "dr." Relvas é misterioso, não se compara ao mistério das reacções que fomentou.

Uma reacção típica consistiu em afirmar que a demissão pecou por tardia. Nada a obstar: por lealdade, necessidade ou pura dependência, o dr. Passos Coelho deixou que os estragos provocados pelo currículo "académico" do "dr." Relvas se prolongassem indefinidamente, com custos que o Governo dispensava. Apesar disso, o "dr." Relvas lá acabou por sair, o que nem sempre se pode dizer de governantes com licenciaturas igualmente duvidosas que se agarraram ao poder e sobreviveram à revelação das trapalhadas universitárias.

Outra reacção à saída do "dr." Relvas indigna-se com Nuno Crato, que alegadamente guardou por dias ou semanas o relatório da Inspeção-Geral da Educação e Ciência acerca do famoso canudo. Os indignados esquecem-se de que é inédito um ministro concordar com uma decisão que coloca em causa um seu colega. Sobretudo esquecem-se de que o antecessor desse ministro contemplou indiferente uma aldrabice similar à do "dr." Relvas (indiferente, vírgula: fechou a universidade em questão sem beliscar os respectivos beneficiados).

Uma terceira reacção trata de esclarecer que o "dr." Relvas não era, cito, "um ministro qualquer", logo a confirmação das habilidades praticadas na Lusófona abala gravemente o Governo. Acho óptimo que abale, ainda que ache esquisito o facto de governos anteriores escaparem ilesos à revelação de habilidades semelhantes praticadas por um membro que também não era um ministro qualquer: era o primeiro.
Entre as donzelas ofendidas com a novela do "dr." Relvas há inúmeras galdérias em novelas passadas. Hoje, puxam da virtude com o zelo com que ontem disfarçavam o vício. Levá-las a sério é reduzir Portugal a uma anedota. Como o "dr." Relvas, mas não só o "dr." Relvas.


Novas da Primavera

No Egipto, que desde a deposição de Mubarak é uma terra devotada à democracia e à liberdade de expressão, em dois dias a justiça local acusou dois comediantes por blasfemarem contra o islão. Não só é uma óptima média como um sinal da saúde da Primavera Árabe, que ao contrário da europeia não traz chuva nem favorece o voto em palhaços. A propósito de palhaçadas, imagino a cara daqueles que duvidavam do sucesso das revoluções no Médio Oriente e, ainda mais ridículo, profetizavam a troca de ditaduras "habituais" pela tirania de transtornados religiosos. Muito me tenho rido à custa deles, embora sempre no maior respeito pelo islão.


A natalidade não é quando o Estado quiser

Solidário como lhe compete, o ministro da Solidariedade mostra-se aflito com a baixíssima natalidade em Portugal: "Uma mulher que pretenda ser mãe, mais do que a disponibilidade financeira, reclama por disponibilidade para uma maior dedicação. Se tempo tivesse para os acompanhar teria mais filhos", jura Pedro Mota Soares, que propõe o trabalho em part-time da mãe ou do pai a fim de promover a disponibilidade. O Estado, claro, subsidiaria os 50% restantes.

Não percebi se a isenção parcial do trabalho seria atribuída apenas após o parto, para aumentar o período de dedicação, ou também antes do parto, para aumentar as hipóteses de fecundação. Neste último caso, convinha que ambos os progenitores beneficiassem do referido subsídio, excepto na hipótese remota de o dr. Mota Soares querer incentivar o adultério. Em qualquer dos casos, convinha apurar quem tomaria conta do bebé durante a metade do expediente cumprida pelos pais.

Muitas dúvidas, uma só certeza: a de que o voluntarismo do dr. Mota Soares não encontra eco no mundo real. Até há 70 anos, as portuguesas não gozavam de licença de maternidade. Em 1945, um contrato colectivo concedeu às trabalhadoras dos lanifícios, uma minoria no sector "feminino" dos têxteis, 30 dias de férias de parto pagas pela metade do salário. Na década de 1960, uma funcionária pública dispunha de 15 dias de licença, duplicados no início da década seguinte. Depois dos anos revolucionários de 1974 e 1975, a licença passou para 90 dias. Hoje, anda pelos 120 ou 150. Progresso? É evidente, salvo na quantidade de nascimentos propriamente ditos, os quais, indiferentes ao progressismo, vêm diminuindo com notável regularidade. Se existisse uma relação causal entre as políticas de estímulo à natalidade e a natalidade, seria fácil concluir que tudo o que as primeiras conseguiram foi reduzir a segunda a valores de facto irrisórios.

Sucede que a relação causal não existe. Ainda que os burocratas julguem o contrário, as pessoas não desenham a intimidade de acordo com leis, regulamentos ou portarias. A procriação depende da época, do meio, da cultura e sobretudo da vontade dos protagonistas crescidos da mesma - não depende da vontade do Estado. No máximo, é possível que, se o Estado desimpedisse o caminho, as circunstâncias económicas favoreceriam o nascimento de criancinhas. Mas nem isso está garantido. Garantida, só a morte. E os impostos que atrapalham a vida.


A bancarrota é constitucional

Num país em que ninguém parece acreditar na Justiça, na política e nos partidos, é interessante verificar a estrita devoção de tantos às decisões do Tribunal Constitucional, guardião de um documento ideológico e cujos membros resultam de nomeação partidária. Por mim, tudo bem. Mas não é inconsequente o respeito do TC por uma Constituição que desrespeita a realidade.

Ao contrário do que alguns pensam e tal como outros desejam, os "chumbos" do TC ao Orçamento não acabarão por correr apenas com o Governo: por este andar, arriscam-se a enxotar a troika mais o dinheiro que nos ajuda a fingir que ainda somos uma nação soberana e cheia de rigor legalista. Para cúmulo, nem os senhores juízes pagam a diferença do bolso deles nem a bancarrota é inconstitucional. Quando o dr. Seguro diz que quem criou o problema dos 1300 milhões deve resolvê-lo, falhou o destinatário e, sem surpresas, não acertou no resto.

A AVEZINHA DO SENHOR… PASSARÃO




Nicolau Saião, O passarão  


MADURO AFIRMOU EM CARACAS QUE CHAVEZ LHE APARECEU quando orava numa capela para que as eleições lhe fossem favoráveis
(dos jornais)


   Das duas, uma: ou Maduro é um louco (veja-se a estória que conta de Chávez lhe ter aparecido sobre a forma dum passarinho) ou é um manipulador deliberado, abusando das superstições e debilidade dos pobres paisanos.

    Como se pode confiar num tipo destes?

    E foi este inqualificável indivíduo que chamou, no funeral do antecessor, "irmão Sócrates" ao estudante parisiense. Ou seja, chegou-se ao degrau mais baixo da demagogia... bolivariana.

    Tenhamos medo, muito medo!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O estranho caso da escrivaninha ribatejana





Lê-se aqui:

Um agricultor no Ribatejo fez um achado insólito: mais de mil cheques da família de Sócrates, 263 do próprio, escondidos numa escrivaninha que pertenceu a um primo do ex-primeiro-ministro.


Na entrevista à RTP, Sócrates assegurou aos portugueses nunca ter tido acções nem offshores e de ser, precisamente há 25 anos, senhor de «uma única conta, na Caixa Geral de Depósitos». E, uma vez que nunca fez poupanças, foi obrigado a contrair um empréstimo na Caixa para fazer um mestrado em Paris.

No percurso de uma vida, há quem deixe pelo caminho espólios inéditos. Esta é a circunstância que liga Sócrates a Nuno Caçador, que no último Natal fez uma descoberta inusitada: num móvel abandonado na sua quinta do Ribatejo, encontrou dezenas de livros de cheques por usar, de José Sócrates e de outros familiares.


Na gaveta fechada à chave de uma velha escrivaninha, que teve de abrir a martelo, o agricultor descobriu 1.273 cheques, todos em branco e guardados ainda nos respectivos envelopes de origem, a maioria por abrir.

À medida que corria as cadernetas, saltavam-lhe à vista os nomes de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, do tio, da irmã e de três empresas da família, nos mais variados bancos: BES, Fonsecas e Burnay, Totta & Açores e Banco Português do Atlântico.


Dos 1.273 cheques, 263 são de uma conta de José Sócrates no Totta, 110 são de uma conta do tio, António Pinto de Sousa, e 75 de uma conta da irmã, Ana Maria. À época (1991), Sócrates era deputado e cortara o vínculo à Sovenco, empresa na área dos combustíveis, na Amadora, que fundara com Armando Vara, entre outros sócios.

Nuno Caçador interrogou-se: «Qual é o banco que entrega tantos cheques de uma vez só a uma pessoa? Isto não é normal!».


quarta-feira, 3 de abril de 2013

OUTRA DE NUNO REBOCHO



João Garção, Portugal romântico


  Este nosso confrade e amigo, que depois de se alijar da Antena 2 rumou a Cabo-Verde para ser uma presença cidadã na comunicação social desse país, volta às nossas páginas com outra reminiscência saborosa do seu multifacetado percurso de vida.


                   Experiência cabo-verdiana


   Não há apertos que desmotivem um cabo-verdiano. De facto, há que esperar tudo deste gente que aprendeu aquilo que o dianho amassou e que fica horrível desejar a quem quer que seja. Sobretudo, há que o reconhecer, o cabo-verdiano aprendeu a esperar, dizendo entre dentes a expressão muito crioula: “ave-maria, paxenxa”. Isto, de resto, foi das primeiras coisas que aprendi mal pus os pés no arquipélago. Eu conto.

   Foi por volta de 2001. Estava desesperado, aguardando que o Ministério das Finanças liberasse um cheque que fora obrigado a fazer na convicção de que o Governo me pagaria conforme prometeu. Mas os dias passavam e desse pagamento, nada. Eu desesperava. E mais desesperava por sempre me faltar alguém no Ministério que pudesse ser meu interlocutor. Até que um dia, furioso, desencabrestei pelo jardim em frente em busca de um graxate que cuidasse dos meus sapatos. Reparando no meu semblante, o sujeito descalçou a proverbial “morabeza”: o que eu tinha, o que não tinha. Lá me descosi. Que estava sem dinheiro (situação a que os cabo-verdianos estão habituados), que o Ministério arrastava o tempo, fingia que andava, mas não andava, e eu estava farto: aquilo eram “más contas”.

   O sujeito sorriu. E, no esgar, desembrulhou: “Minin, má Kao Berdi é tera di speransa, enton nu spera”, o que, traduzido, significa: “menino (assim me tratou), mas Cabo Verde é terra de esperança, portanto a gente espera”. Guardei sofregamente a máxima que tem servido de norte na minha bússola. E quando um dia tomei conhecimento do que Eugénio Anacoreta Correia, então embaixador de Portugal na cidade da Praia, afirmou a uma entrevista, percebi o desabafo. Disse ele que Cabo Verde era “a única terra do mundo onde havia tempo para ter tempo”. Então larguei em “aaah”, que ainda hoje perdura.

Vou-me habituando.
                                                                                        Nuno Rebocho