quarta-feira, 24 de abril de 2013

PORQUE VIRARAM À DIREITA – E PARA QUAL DIREITA (PARTE I)



Nota introdutória
 
 
Há poucos dias, nosso grande José Gonsalo publicou neste sublime blogue um breve comentário sobre um importante livro recém-saído no Brasil, Por que virei à direita, em que três respeitados ensaístas, um deles o conhecido João Pereira Coutinho (acompanhado dos brasileiros Luiz Felipe Pondé e Denis Rosenfield), defendem o ideário liberal enquanto criticam o pensamento e a prática política de esquerda. Aproveito, então, para dar à luz em terras portuguesas uma análise que fiz há pouco do mesmo livro. Como a análise é extensa, será aqui publicada em três partes diárias consecutivas.

Na verdade, meu texto parte da análise do livro, mas nela não se detém. Porque seus argumentos permitem ampliar a discussão para duas outras questões igualmente importantes: as diferentes vertentes do pensamento conservador, incluindo a que chamo de obscurantista (neste caso, personificada por Luiz Felipe Pondé) e a possível insuficiência do pensamento conservador (apesar de qualquer virtude e da necessidade da crítica à esquerda).        


1. Direita, volver!


A esquerda surgiu, historicamente, durante a Revolução Francesa. Mas não tinha, então, o significado de alternativa ao sistema capitalista na economia e à democracia representativa na política – mesmo porque, o primeiro não estava inteiramente desenvolvido e a segunda não existia. A esquerda como a reconhecemos nasceu na segunda metade do século XIX – e teve como certidão de nascimento o Manifesto comunista de Marx e Engels (1848). Ela, porém, logo morreria, soterrada pela queda do muro de Berlim (novembro de 1989). Mas se o socialismo como alternativa de poder ao capitalismo deixou então de existir, isto não resultou nas duas consequências lógicas ou necessárias: 1) o abandono de um (agora) tardoesquerdismo tão impotente quanto renitente e, afinal, caricato (cuja figura recente exemplar é o “companheiro bolivariano” Hugo Chávez); 2) uma nova crítica radical do capitalismo, livre do fracasso histórico e do ranço ideológico da esquerda (e baseada, talvez, nos pressupostos do ambientalismo – se este conseguisse conceber um novo modelo socioeconômico, o que parece tão improvável quanto a múmia de Lênin se erguer na Praça Vermelha).

Enquanto o pensamento de esquerda sobreviveu como uma fantasmagoria ideológica, assombrando principalmente (mas não exclusivamente) a academia, em particular as ciências humanas, o pensamento de direita revelou-se incapaz de ir muito além da repetição de uma constatação histórica: o próprio fato de que a esquerda fracassou. Haveria uma justificativa para tal reiteração da direita: a insistência da mesma esquerda em seu discurso esvaziado, de negar ou desdenhar o capitalismo apesar de não poder mais sustentar um modelo alternativo. Assim, se o discurso de esquerda se recusa a incorporar a principal lição da história contemporânea (ou seja, que o capitalismo é o pior sistema socioeconômico, fora todos os demais), a direita parece disposta a não deixar o discurso da esquerda em paz. Além disso, e talvez mais importante, há as práticas residuais “de esquerda” ainda sustentadas ou defendidas por tal discurso, como o ridículo mas não inócuo “socialismo bolivariano” de Chávez, ou o “aparelhamento” do Estado brasileiro pelo lulo-petismo.

Por que virei à direita – três intelectuais explicam sua opção pelo conservadorismo (São Paulo, Três estrelas, 2012) contém exemplos das principais vertentes do discurso conservador. Como destaca a “orelha”, João Pereira Coutinho discute “os riscos das utopias propagadas pelas esquerdas”; Luiz Felipe Pondé, mais metafísico, insiste em que “o pensamento progressista tem uma falha essencial: ignora aquilo que é próprio do ser humano”; Denis Rosenfield, por fim, ao (re)analisar a “teleologia da esquerda, que vê o Estado como a encarnação máxima da moral, faz também dura crítica à ‘democracia participativa’ implementada pelo PT”.


2. Como virar à direita e se separar


João Pereira Coutinho, na verdade, revisita o conhecido receituário do (e alguns dos autores clássicos sobre o) “cético”, que, neste caso, é outro nome para o não-rousseauniano. Tenho plena simpatia pela antipatia de Coutinho (característica dos liberais) com o Rousseau de “os homens nascem bons e a sociedade os corrompe”. Porque este pressuposto é falso e autoritário (além de mera paráfrase do mito judaico-cristão do Paraíso e da queda): falso por não corresponder aos fatos, autoritário por se travestir de verdade axiomática. E porque apenas o nazifascismo seria capaz de cometer mais crimes do que o “campo rousseauniano”, nascido dessa crença do “homem bom versus sociedade má”.

Um dos méritos do texto de Coutinho é reiterar, a partir de Michael Oakeshott, o contraponto entre “fé” e “ceticismo” em política, além de explicitar que a “fé” é um mal que acomete, na verdade, tanto a esquerda quanto a direita, na forma de utopias cuja base é a crença (ou a “fé”) de que tal ou qual sistema “corrigirá” a sociedade, para adequá-la à “bondade natural” do homem. Daí o totalitarismo: pois para corrigir a sociedade é preciso, ora, corrigir a sociedade.

O texto de Luiz Felipe Pondé, em seguida, é, sob alguns aspectos, muito parecido com o de Coutinho. Há, porém, diferenças fundamentais. Começando pelas semelhanças mais evidentes, ambos os textos, de caráter ao mesmo tempo analítico e memorialístico, chegam à mesma conclusão/afirmação sobre seus autores: Coutinho se diz um “estrangeirado” em seu Portugal natal, com isso querendo dizer-se anglicizado: “As múltiplas referências anglo-saxônicas [...] denunciam-me como um ‘estrangeirado’” (p. 47). Pondé diz-se a mesma coisa: “Penso como um britânico” (p. 81). Não é por acaso: trata-se do bom e velho pensamento liberal inglês, da linhagem que liga Edmund Burke e David Hume a Isaiah Berlin. O primado do indivíduo, do ceticismo e do empirismo versus a primazia do coletivo, da fé e da teoria/ideologia. Ler os dois textos em seguida, porém, é revelador: pois suas semelhanças, incluindo a lista de autores citados, servem, afinal, para destacar suas profundas diferenças.

Há direitistas e direitistas. Só o esquerdista mais insano (ou mais estúpido) seria capaz de afirmar que Churchill e Mussolini significam a mesma coisa. Se todo fascista é conservador, nem todo conservador é fascista. Alguns (na verdade, muitos) são liberais. E ser liberal significa, de certa forma, não ser, sequer, de fato conservador. A direita é, talvez, ainda menos homogênea ou monolítica do que a esquerda.

Pois a esquerda, cujos métodos variam do reformismo gradualista da social-democracia “clássica” ao revolucionarismo voluntarista bolchevique, tem em comum a crença na existência (e no reconhecimento, pela própria esquerda) da verdadeira “natureza humana”, a bondade “natural” rousseauniana. O papel da política seria, então, criar uma sociedade que não a “corrompesse”, para usar o termo de Rousseau, como todas as sociedades históricas. No limite, isto leva, como já dito, ao totalitarismo, ou seja, ao stalinismo (cujo verdadeiro nome deveria ser leninismo). Existe igualmente, porém, o totalitarismo de direita, cuja expressão máxima é o nazismo. Nazismo que não deixa de ser também rousseauniano. A diferença fundamental está no nazismo ser particularista, e não universalista. Acredita, assim, na “bondade” ou “virtude” ou “pureza” de parte da humanidade, a “raça ariana” (corrompida, então, não por certa organização social, mas por outra “raça”, a judaica). E assim chegamos a uma diferença pouco conhecida ou reconhecida entre esquerda e direita: esta é, ao fim e ao cabo, mais contraditória (felizmente). Pois se, no fundo, toda esquerda é rousseauniana, parte da direita também o é, enquanto outra parte é radicalmente antirrousseauniana. Esta parte se chama liberalismo.

Tão importante quanto reiterar os conhecidos males do rousseaunismo/esquerdismo e o possível antídoto do liberalismo (o que os três textos, a seu modo, fazem), seria, no entanto, apontar as possíveis insuficiências do próprio liberalismo, o que principalmente Coutinho esboça.

Como referido no início, se o fim do socialismo como alternativa de poder ao capitalismo não matou o tardoesquerdismo, tampouco fez surgir uma nova crítica radical do capitalismo, livre do fracasso histórico e do ranço ideológico da esquerda. Faz sentido: pois, obviamente, essa nova crítica, se não poderia vir mais da esquerda, tampouco pode, apesar disso, vir da direita. Se a direita é perfeitamente capaz de fazer a crítica radical do esquerdismo como prática e como ideologia, como nos três ensaios do livro, não se mostra apetente em fazer a crítica radical do capitalismo. Mesmo porque, esta é uma característica do pensamento de esquerda. Dados o fracasso histórico deste e a inapetência daquela, fica o "capitalismo de consumo" atual livre de qualquer crítica abrangente, apesar de ainda possível e necessária.


3. A inveja narcísica e o chifre do unicórnio


No contexto do livro, em que o liberalismo é defendido com rigor e argúcia por Coutinho (enquanto Rosenfield se detém no caso particular da esquerda brasileira), Pondé revela-se, afinal, um liberal inconsistente, ou falso, porque não é um cético consistente, ou verdadeiro.

Assim como os esquerdistas acreditam haver e creem conhecer a essência ou a natureza humana, que seria a "bondade" rousseauniana, Pondé acredita haver e crê conhecer a mesma coisa, com a única diferença de uma troca de sinal, para a “maldade” no sentido cristão, ou decaimento pelo pecado original:


Ainda criança, comecei a ter esse temperamento de desconfiar das utopias, por perceber nelas um ódio essencial ao mundo tal como ele é – ódio que não sinto. Para mim, o mundo era antes de tudo uma das faces da insuficiência humana, carregando consigo a deformação de nossa dor crônica e infinita.
[i]


É difícil entender, a princípio, que Pondé não perceba suas gritantes inconsistências. Depois, desconfia-se fazerem parte da receita (que se descobre não ser original). Aqui ele se apodera de um dos principais argumentos dos céticos, dos laicos, dos descrentes e da ciência – que rejeitam a crença e os deuses, justamente, por aceitar o mundo tal como ele é, enquanto a religião, como se sabe, o odeia, repele e “condena”. O cristianismo, por exemplo (que Pondé não cansa de propagandear), vê o mundo real, o mundo do dia a dia, como um lugar de pecado, corrupção e concupiscência, e rejeita “a carne” em nome do “espírito”, o mundo material em nome do “reino do céu”, o presente em nome do futuro (qualquer semelhança com as utopias políticas não é coincidência). Numa palavra, rejeita a vida e adora a morte, que chama de verdadeira vida. Não satisfeito em aplicar o famoso argumento contra a crença religiosa às utopias, mas às utopias somente, livrando, assim, a crença religiosa, Pondé afirma, em seguida, que o “mundo tal como ele é” é insuficiente e deformado: “O mundo é antes de tudo uma das faces da insuficiência humana, carregando consigo a deformação de nossa dor crônica e infinita”...

A dor provocada por aquela tragédia e o silêncio raivoso [de um irmão do morto] são exemplos do que entendo como condição do homem diante de Deus. Relendo o mito da queda de Adão e Eva, muitos anos depois, vi que esse sentimento é a matriz do pecado: a revolta contra Deus era inevitável. É essa inevitabilidade da revolta, sustentada por uma inveja atroz da imortalidade dos deuses, que me fascina.
[ii]

A mim não fascina, mas espanta, por ser, no limite, incompreensível. Como se pode, em sã consciência, invejar o inexistente? Seria o mesmo que um cavalo invejar o chifre do unicórnio. Se invejasse o chifre do rinoceronte, vá lá. Mas um cavalo que invejasse o unicórnio estaria invejando uma miragem. Ou um mito. Tal cavalo não teria um verdadeiro problema existencial, já que unicórnios não existem, mas psicológico. A diferença pode ser sutil, mas é real. Se nosso cavalo imaginasse o unicórnio e desejasse ser como ele, estaria expressando um desejo, uma fantasia. Mas o passo seguinte, sentir inveja de seu objeto imaginário, de sua própria autoimagem idealizada, não é evidente nem necessário. É, na verdade, infantil – portanto, deveria ser normal (ou da norma, além da normalidade) apenas em crianças, não em cavalos nem em adultos. Pois seria o mesmo que um menino “invejar” o Super-homem. Essa “inveja” de uma fantasia pode ser verdadeiramente angustiante para uma criança, mas adultos são indiferentes a isso. Não porque ser adulto signifique ser perfeitamente lúcido, mas sim imperfeitamente fantasista: a imaginação infantil é maior. Um adulto pode invejar, e muitas vezes inveja, vidas que edulcora, mas habitualmente não vai além disso: acreditar que certa celebridade vive uma vida perfeitamente maravilhosa não é o mesmo que acreditar que tal pessoa possa levitar. Quem perderia tempo se angustiando por não poder levitar? Principalmente, angustiando-se por sentir inveja de certa pessoa que acredita poder levitar? Afinal, sabe-se que ninguém pode levitar. É contra a natureza das coisas. Ora, a imortalidade não é menos, mas muito mais fantasista do que a levitação. Apesar disso, a maioria das pessoas não é crente, ou seja, não acredita na existência real de seres imortais, os deuses? Sim. Mas, em primeiro lugar, a crença na existência de algo não é suficiente para que esse algo exista de fato; em segundo lugar, a verdade não é democrática. A verdade não depende da quantidade dos que a afirmam, mas da qualidade dos argumentos que a apontam (daí a fábula A roupa nova do rei). Um verdadeiro liberal sabe bem disso, como bem o sabia Alexis de Tocqueville, ao apontar a “ditadura da maioria” como um dos perigos da democracia moderna. Pondé, aliás, cita e recita Tocqueville, o que naturalmente não basta para torná-lo um liberal verdadeiro.

Ao contrário de Coutinho e também de Rosenfield, Pondé não se satisfaz, portanto, com a rejeição das utopias políticas da modernidade, mas dá mais um passo, assumindo, agressivamente, a rejeição da própria modernidade. Tal rejeição não evidencia o liberal, mas esconde (mal) o obscurantista.



[i] “A formação de um pessimista”, in Por que virei à direita, p. 51.
[ii] Idem, p. 52.

Albert Einstein NEVER BEFORE HEARD: plays Mozart KV378 Sonata for Violin and Piano in B-flat


sábado, 20 de abril de 2013

CORREIO DE FIM-DE-SEMANA – DOIS EXEMPLOS PARA RECREAR





   Creio que muitos dos caros confrades ainda se lembrarão dos tempos em que, sem trabalho dobrado mas apenas por boa estruturação dos velhos CTT, se recebia correio todos os dias. E, como diz a obra maestra de James Cain, o carteiro tocava sempre duas vezes…

   Durante anos, nos rankings da estrutura própria que mede esses desideratos, os Correios eram mesmo considerados um exemplo de boa condução enquanto empresa pública.

  Em certos países, nomeadamente os EUA, a Inglaterra, a França, etc, ainda assim é. Usando de uma hábil e competente coordenação, nesses países onde ainda existe um certo progresso não se deixa o cidadão e o continente societário, durante dois dias, a apanhar bonés no que à ausência de carteação ou outros contactos diz respeito.




  Felizmente que agora há a rede, a redezinha, esta interactiva que nos permite que também nos fins-de-semana nos cheguem coisas oportunas e interessantes, por belas e comprazedoras.

  Hoje, comigo, foi assim – e estes dois bons exemplos, gostosos e salutares,  um vindo do Brasil e outro de Cabo Verde (onde o seu autor agora reside), aqui ficam com o proverbial abrqs e desejo de que tudo vos siga correndo bem.



Uma recordação de Nuno Rebocho

Espiões e jornalistas: um relacionamento difícil

   Que as más relações entre a Comunicação Social e os serviços secretos são, em democracia política, mais do que escaldantes fica certo e sabido. É dos livros e o que vai por aí não foge à praxe. Quanto ao que se passava nos tempos da polícia política salazarenta e da estúpida e coronelesca censura nem é bom falar: basta me recordar dos tempos do jornal cor-de-rosa, o “Comércio do Funchal”, em que tive que usar pseudónimo (L. H. Afonso Manta) se quisesse ser impresso e ter voz, para ser assaltado por tanta memória que até apetece vomitar. Não vem agora ao caso falar desses amordaçados tempos de que tantas histórias há que contar, muito embora haja (infelizmente) muitos que, oportunisticamente se dizem “vítimas”, não passaram de obedientes colaboracionistas com o Estado Novo. Se fosse a contar… olhem, que não faltam provas… Eu, pelo menos, tenho-as, para que não venham com coisas.

   Bem, é da atual espionagem em Portugal que hoje saco da viola. Poucos sabem que essas más relações entre espiões e jornalistas datam de 1985/6 e nasceram no jornal “A Tarde” (que os estultos afirmam ser de “direita”, embora acobertasse mais anos de cadeia política no lombo da sua redação que o jornal comunista “Diário” – coisas que a porca propaganda oculta). Eu era na altura subchefe de redação de “A Tarde”, quando o fotógrafo, o Duarte, me veio alertar: “há movimentos estranhos em volta do jornal. Estão uns gajos parados na rua, sentados nos bancos e junto dos candeeiros, a fingir que estão a ler jornais mas a observar atentamente quem entra e quem sai daqui”.


   Avisado de que algo de estranho se estava a passar, mandei-o ir tirar, à socapa, fotos dos meliantes. Nas fotografias apareciam também uns tipos postados nas esquinas. Peguei, depois, nos “bonecos” e coloquei-os diante do diretor, o Jaime Nogueira Pinto. Pouco após, foi o bom e o bonito quando o Jaime telefonou para os Serviços Secretos, informando-os da situação e pedindo que executassem as necessárias providências - com surpresa, o homem desmontou-se em desculpas. Que os sujeitos eram, afinal, agentes da espionagem, acabados de se formar e tinham sido colocados ali, junto do jornal da Rua Augusta, “para prestar provas”! Má sorte a sua. Pediu-nos imensas desculpas e o caso foi “abafado”.

   Bem que então avisei o Nogueira Pinto: até seria “educativo” anunciar que os aprendizes dos nossos “bufos” foram apanhados com a boca na botija. Talvez assim eles aprendessem a respeitar a Imprensa e a tomar cuidado. Mas não: optou-se pelo facilitismo e agora andamos com a Ongoing às costas.

   Esta história que aqui recordo (e muito papalvo desconhece, por isso deita cá para fora um chorrilho de disparates e asneiras), não apaga que, por vezes, possam existir boas relações entre a espionagem e a Comunicação Social e, mesmo, dentro de determinados limites, uma leal colaboração. Por exemplo, eu próprio passei informações, em 1976, sobre os aprisionados em Angola pelo regime de Neto (e cujas cabeças era necessário salvar de um assassinato que, de outra forma, seria quase certo) a um agente da BOSS, o Peter – um jovem de origem russa que estava deslocado em Lisboa. Claro que foram respeitadas as normas éticas do Código Deontológico dos Jornalistas.


   E, anos mais tarde, enquanto chefe de redação do semanário “O Diabo” (em breve vos falarei desses tempos), sosseguei dois agentes da CIA que me visitaram na redação procurando recolher informações para acautelar a vinda a Portugal de Ronald Reagan, então Presidente dos Estados Unidos. Aí eram questões de segurança que imperavam e o bom nome de Portugal que estavam em causa.

   Se não houver conveniente e ajustado racionalismo neste relacionamento (nem tanto ao mar, nem tanto à terra: todos os fundamentalismos são um péssimo serviço e acabam por ser prejudiciais) dá-se prova de imbecil cegueira profissional e política. Livrem-se dela.
                                                                                                        Nuno Rebocho
                                                                          



Um poema de Floriano Martins


XXII

Acaso conheces o deus que quer morar em ti?
Tens idéia do que ele criaria uma vez em teu íntimo?
Residente em túmulo ou santuário,
ele seria um deus morto ou vivente?
A árvore erguida no centro dessa união,
sabes dizer a quem pertenceria?
A quem atribuir as faltas dele, seus pudores e pecados?
E como esperas que ele retribua as tuas oferendas?
Qual dos dois um dia apunhalaria o outro?
Não crês que todos os deuses se temam entre si?
Quem julga o outro mais sábio, justo ou soberano?
Por que não se sentam todos e compartem uma mesma fatia de luz?
À imagem e semelhança de quem exatamente foram criados?
E antes que não me escutes mais, quantos pensas que somos?


(imagem obtida aqui


(do livro LEMBRANÇAS DE HOMENS QUE NÃO EXISTIAM (2013),
poemas de Floriano Martins a partir de retratos do escultor Valdir Rocha)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

"Porque virei à direita"





Chegou-me às mãos, dias atrás, este livro, editado pela Três Estrelas, de S. Paulo. Com pouco mais de 100 páginas , é constituído por três textos de filosofia política, assinados por Luiz Felipe Pondé, Denis Rosenfield, ambos brasileiros, e pelo português João Pereira Coutinho. O prefácio é de Marcelo Consentino. Deixarei de lado os textos de Pondé e Rosenfield, para me centrar no de Pereira Coutinho.

Conhecia-o das suas participações em programas televisivos de debate sobre a actualidade política em Portugal bem como das crónicas que assina regularmente no jornal Correio da Manhã. Em ambos os casos, o que distingue as suas participações das dos restantes comentadores ou cronistas é a elegante irreverência e, frequentemente, a subtil ironia (haja alguém!) com que costuma responder ao que lhe perguntam ou tratar o que se sentiu motivado a abordar.

O texto incluído neste livro mantém essas características, aliadas a um tom mais intimista, tornando a sua leitura muitíssimo fluida. E surpreende ainda duplamente quem avalie a dimensão intelectual de João Pereira Coutinho pela inevitável maior leveza dessas suas intervenções públicas.

Em primeiro lugar, porque nele se organiza e estrutura, sinteticamente mas com rigor, uma reflexão documentada e aprofundada sobre a relação possível entre racionalidade, utopia e Estado, sobre as oposições entre “políticas de fé” e “políticas de cepticismo” (para utilizar os termos de um inspirador maior de qualquer dos três ensaístas: Michael Oakeshott  - cuja obra continua, quase completamente, por traduzir, sinal inequívoco do obscurantismo a que o reinante e opressivo quadro mental da esquerda nos conduziu). Em segundo lugar, porque consegue que as sucessivas conclusões, mesmo as mais complexas, sejam facilmente apreensíveis pela sua formulação numa linguagem do melhor (leia-se: mais sábio) e delicioso senso-comum.

Um texto a descobrir, com a urgência justificável pelo vazio de ideias que, dia a dia, vai engolindo irremediavelmente o país.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Portugal: país de ruas só a descer

No Económico José Manuel Moreira:
Em tempos, Henrique Monteiro contou uma história que uso para explicar a nossa tragédia. Contava ele que na aldeia onde nasceu, na Beira Alta, havia um maluco que dizia que, se mandasse, a ruas seriam só a descer.

Os seus conterrâneos esforçavam-se logo por mostrar que tal não seria possível. Mesmo assim, o homem insistia: se for eu a mandar as ruas serão só a descer.

Ideia que, segundo um meu colega historiador, tem autoria: João Camoesas, deputado (e ministro da Instrução Pública) do Partido Democrático, que, em finais da 1ª República, terá proposto a construção de estradas só a descer para poupar nos combustíveis.

Foi então que descobri que a ilusão de que a vontade política pode mudar a realidade tem tradição. Uma tradição de visionários que deixou marca no ensino e nas demais políticas públicas. Daí as vias abertas ao crescimento sem austeridade, aos direitos sem deveres e a mais e mais despesa. Até que a realidade deu sinal de vida e os credores entraram porta adentro. Mais uma vez. Mas tal não obsta ao elogio a quem nos arruinou e ao insulto a quem empresta. Daí a acusação ao Vítor de ser um tecnocrata ao serviço de estrangeiros.

Entretanto, o País imaginário da Constituição louva-se no consenso democrático e socialista, sem se reconhecer nos interesses instalados e desenvolvidos a coberto do Estado de Bem-estar. Ou será antes de Bem-estar do Estado?

Volta e meia a malta indigna-se: "Rua com a ‘troika'". O que faz crescer a popularidade de quem condena os sintomas e apoia as causas do nosso empobrecimento. Aqui entra a Imprensa, na disputa por comentadores com experiência política na condução por ruas só a descer. Com vivas ao consenso alargado e palco aos protegidos e medalhados do regime, agora em agonia. Será só maldade ou ignorância?

Resta - em tempo de lamento de cortes "cegos", sem nunca se propor cortes com visão - lembrar uma senhora que foi ontem a enterrar: o melhor homem político da altura. Filha de um merceeiro metodista e de uma modista, esta nascida "em casa com carne uma vez por semana e retrete no quintal" foi, mesmo assim, capaz de desafiar as elites conservadoras. Já entre nós, os grandes merceeiros tendem ao compromisso com os bem pensantes das ruas só a descer. Daí a nossa dificuldade em compreender a oposição de Thatcher à União (UEM). E mais ainda o seu aviso de partida: "Não sou um político de consensos, sou de convicções". Mas em Portugal persiste a ilusão e os avisos são outros: "Seguro exige a Passos e à ‘troika' recuo nos cortes para manter o consenso." E nem o recente aviso do primeiro- ministro da Finlândia - "não há atalhos para o céu" - nos permite ver que a superação da crise depende menos de recuos e mais de coragem para radicais cortes na despesa. Os mesmos que até agora, apesar das exigências da Troika, nunca foram feitos.

José Manuel Moreira, Professor Universitário e membro do Mont Pélerin Society

VENEZUELANAS




O sucessor de Chávez se chama Maduro. Mas sua herança sociopolítica e econômica é podre mesmo.


Vitória de Maduro evidencia como o chavismo apodreceu as instituições democráticas venezuelanas.


Chávez deixou a Venezuela menos madura para a democracia.



Com Maduro como herdeiro, o chavismo apodrecerá mais rapidamente. Resta saber se levará a Venezuela junto.


Há algo de podre na eleição de Maduro.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mas porque é que não lhes puseram uma burka?


Foto tirada durante um casamento islâmico de 24 casais, em Enfield (recebido por e-mail)

Ou um napperon...? Ou mesmo um abat-jour...? Ora leiam.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O CÃO COM PULGAS



Portugal, saudade soldada no mapa
grande, mas pequena e apequenada
onde o velho Ocidente afunda no mar
o mesmo mar por que estendeste o Ocidente
até a vasta pequenez do Brasil
novo Ocidente enorme e anêmico
engrandecendo-te além do mesmo mar

para, assim, poder grandemente recuar

Por que tão grandemente recuaste
a grandeza de tua história explica e não aclara:
sabemos de tudo
da Revolução Industrial que os putos
dos ingleses fizeram enquanto ainda davas duro
para escravizar a África
da invasão do grande anão
que foi Napoleão
da perda sem remédio do Império
do tédio sem cura
e do excesso de curas
à beira do Tejo
da burra ditadura de Salazar
do sal e do azar de seres roubado
e arrombado para engordar
as gordas burras dos bancos


Sabemos tudo, mas esse saber é nada
pois nada impede o ímpeto com que afundas
no sombrio oceano do desânimo

O menor cão
é um gigante ante suas pulgas


Ser grande ou pequeno ou mesmo médio
não é fato, mas pura opinião

Fato é não fazer o mínimo sentido
um cão de qualquer dimensão
afundar ao peso ínfimo
de seu particular fardo de pulgas

Expulsa-as, Portugal
nem que tenhas de te arranhar
até arrancar a pele com elas

Mais vale viver livre e pelado
do que coberto
e encolhido por insetos

Crónicas do Planeta Alice...








A caminho do Estado “social”

Antigamente, ou seja até há meia dúzia de dias, inúmeros portugueses criticavam o Governo por apostar na receita e ignorar a despesa. Eu estava com eles. Desde que Vítor Gaspar decidiu compensar os votos do Tribunal Constitucional (TC) mediante a suspensão de determinados gastos públicos, muitos dos portugueses referidos saltitam furiosos, a acusar o Governo de "chantagem" e "vingança". Não estou com eles.

Se não for pedir demasiado, convém que as pessoas decidam se preferem corrigir as contas públicas pelo lado do emagrecimento da coisa pública ou pelo lado do emagrecimento dos contribuintes (também existe aquela ala folclórica que prefere não corrigir contas nenhumas, mas aqui falo de gente crescida). O que não se pode é defender apenas o fisco que estrangula os outros ou a poupança que não nos afecta. Condenar o aumento de impostos e, em simultâneo, atacar o seu reverso é, sem ofensa, uma palermice.

Ainda por cima quando o reverso é tão vago. Bem sei que os "telejornais" gostam de começar em tom dramático. Porém, o "congelamento" dos gastos é limitado no alcance e provisório na duração. Além disso, nem sequer é inédito, visto que em Setembro passado aconteceu decisão similar e, talvez porque então o PS ainda não revelava desesperada urgência em chegar ao poder, sem uma fracção do drama actual. Histeria à parte, conforme aliás explicou Guilherme d'Oliveira Martins, um reduto de sensatez em pleno manicómio, trata-se apenas de um remendo destinado a ganhar tempo enquanto não se encontra uma alternativa aos mil e trezentos milhões com que o TC embirrou. É uma necessidade, não uma convicção.

Antes fosse uma convicção, visto que um Governo austero com o dinheiro alheio é melhor do que um Governo magnânimo. Infelizmente, o estranho "liberalismo" do primeiro-ministro e do ministro das Finanças é na essência pouquíssimo liberal. Sempre que não se entretêm a saquear os cidadãos, os esforços deles dedicam-se a evitar reformas e a adiar os "cortes" de 4 mil milhões, agora elevados a 5 mil e 300 milhões ou, há quem garanta, a 7 mil milhões. Caso alguma vez procedam de facto ao "corte" estrutural de uns cêntimos será sob ameaça da troika, a qual, se continuarmos a brincar às nações independentes, seca definitivamente a fonte e transforma-nos enfim no Estado "social" com que tanto sonhamos. "Social" no sentido de miserável, claro


Fascismo/antifascismo

Nos campos da internet onde apascenta a extrema-esquerda, reina a felicidade graças à morte de Margaret Thatcher, vulgo "a fascista". A aplicação do epíteto, em Portugal de resto muito desprendida, é elucidativa do tipo de estrutura mental que o aplica. A sra. Thatcher venceu três eleições populares? Fascismo. A sra. Thatcher desembaraçou o Reino Unido do jugo sindical que a generalidade da população não elegera? Fascismo. A sra. Thatcher encolheu o peso do Estado em prol da escolha individual? Fascismo. A sra. Thatcher modernizou económica e socialmente o Reino Unido? Fascismo. A sra. Thatcher venceu nas Falkland uma guerra iniciada por uma ditadura decidida a vergar a autodeterminação da comunidade local? Fascismo. A sra. Thatcher ajudou a derrubar os totalitarismos do Leste europeu? Fascismo, fascismo, fascismo.

Se bem percebo, um governante "fascista" é aquele que favorece a democracia, promove a liberdade, desampara a vida dos cidadãos e, se possível, combate regimes fascistas a sério. Em contrapartida, um líder "antifascista" que se preze desrespeita eleições, professa a submissão dos cidadãos, arrasa a economia e, se adicionar uns pozinhos de culto da personalidade e o adequado castigo dos dissidentes, parece-se imenso com um fascista de facto. Ou a extrema-esquerda é ainda mais tresloucada do que aparenta ou a ciência política anda redondamente enganada há largas décadas. Por mim, aposto na segunda hipótese.


Navegar é preciso

Não é um bocadinho esquisito lamentar o surto de emigração enquanto se celebra o sucesso do actor Diogo Morgado nos Estados Unidos? Das duas, uma: ou os jornalistas vão para os aeroportos perguntar a quem parte se escreveu uma carta chorosa ao Presidente da República ou escrevem textos entusiásticos sobre os cachorros-quentes que o sr. Morgado partilhou com Oprah Winfrey. Por outras palavras, ou decidem que emigrar é uma condenação ou decidem que é uma oportunidade.

A verdade é que ficar por aqui não nos leva longe, figurativa ou literalmente. Quando andava por Portugal a ganhar a vida em telenovelas (é o que li), o sr. Morgado era-me um completo desconhecido. E suspeito que mesmo os que o conheciam não entravam em delírio patriótico à mera menção do seu nome. Os noticiários televisivos, pelo menos, não dedicavam reportagens todas satisfeitas à inegável popularidade e à alegada sensualidade do homem. Na América, o sr. Morgado conseguiu o papel de protagonista do Novo Testamento numa versão filmada da Bíblia e, hoje, é uma moderada celebridade.
E o mesmo vale para as vedetas da bola e, apesar dos diversos níveis de fama e de prestígio, para qualquer ofício: é absurdo festejar Cristiano Ronaldo e criticar o processo que, em Manchester e Madrid, fez dele aquilo que ele é. Nem todos os casos de emigração correm bem? Com certeza, embora aparentemente só os casos de emigração podem correr muito bem. Limitarmo-nos à terrinha é contentarmo-nos com a gastronomia, o clima e uma dimensão quase fatalmente irrisória. É, de acordo com o carácter e o talento, uma escolha ou uma necessidade legítimas. Não é o melhor dos mundos, que aliás existe neste mundo mas não neste país. Se atendermos às probabilidades e ao bom senso, seria impossível que existisse: em Lisboa ou em Figueiró dos Vinhos, um cachorro-quente jamais é notícia.


O problema da habitação

A língua portuguesa não tem tradução exacta para "gentrification", palavra inglesa que define a transformação de um espaço urbano habitado por gente pobre numa zona aburguesada. Mas, excepto se a "gentrificação" beneficiasse subculturas específicas, como os artistas em Manhattan ou os homossexuais em São Francisco, o jornalismo português e não só português tem o sentimentalismo pronto a ser derramado sobre processos do género. Veja-se o exemplo do Bairro do Aleixo, no Porto, onde a implosão de mais uma torre suscita inúmeras reportagens lacrimosas e indignadas.

Vê-se residentes compreensivelmente atarantados com a mudança brusca nas suas vidas. Vê-se o oportunismo político a desfilar demagogia por entre os escombros. Vê-se a sugestão de que Rui Rio, vulgo o Cruel, deseja suprimir uma comunidade pobre em prol da libertação dos terrenos para condomínios de luxo. Não se vê muitas alusões a um pormenor sem importância, o de que o Aleixo é um centro comercial de drogas ditas "duras" e um entreposto da desgraça humana. E não se vê nenhuma alusão a uma evidência: pior do que a decisão dos poderes públicos em transladar à força os moradores de um bairro "social" foi a decisão inicial de criar o bairro "social".

Não nego que o país saído do golpe de Estado de 1974 exibisse graves carências de habitação. O que parece amplamente provado é que enfiar largas centenas de pessoas em aglomerados de betão resolve mal os problemas citados e inaugura outros. Alternativas? Eis um assunto que, por uma vez, importaria ter sido debatido. Porém, desde a primeira hora que o debate deu lugar à compra directa de votos e à propaganda. E, hoje, as consequências da fraude dissolvem-se à custa de compaixão simulada e relatos de "interesse humano" nos quais os humanos são tratados com o maior dos desprezos.

domingo, 14 de abril de 2013

PARA COMEÇAR BEM A SEMANA





 Para uma semana que vos desejo excelente em todos os aspectos ("felizes no jogo e no amor", parafraseando a frase célebre de Stendhal a rebours e contrariando fadários) nada melhor que contemplarmos, por um par de minutos, qualquer coisa bela e suscitadora. Excitante dum ponto de vista vital, não sei se me entendem.




 E assim sendo, neste caso aponto para a Mostra que abriu anteontem na Sala de exposições temporárias do castelo de Portalegre e protagonizada por Rui Real - cinéfilo encartado, agricultor, cultor de leituras muitas vezes heterodoxas que vão de Lovecraft a Lauro António, passando por Bradbury, Philip José Farmer, Ridley Scott, etc.




 E, já agora, uma estorinha real para ilustrar (digamos assim, que ilustrações mesmo, tiradas na "vernissage", vão em anexo):




 - Anos atrás, não estando eu em cheiro de santidade no bestunto de um sector que de forma atribiliária semi-dominava pelos meios e com a velhacaria que lhes é hábito o ranço político alentejano/portalegrense, um dos controladores dessa agremiação sugeriu/lançou a ideia de que seria bom arranjarem forma de me processarem, visando o corolário de me prenderem ou, no mínimo, me "darem cabo da vida", como disse com doçura um dos artilhadores. (Isto tem sua piada, pois se nos tempos da "velha senhora" me levaram de cana (digamos desta maneira justamente rasca) por duas vezes - foi precisamente por dar ajuda e protecção a membros dessa agremiação). Mas bom. O ambiente ficara um pouco...nublado. Nas terras pequenas Vs. calculam como é. E foi então que, num dia, me chegou um desenho carreando o trombil - muito melhorado, confesso - deste que vos fala; e uma semana depois era-me dito pelo seu autor que, para a minha peça de teatro ("Passagem de Nível") que eu buscava dar a lume por esse tempo, ele teria muito gosto em ilustrar a página de rosto.




  retrato tenho-o, encaixilhado, na Casa da Muralha (Arronches) junto de outros da mão de Mário de Oliveira, Cesariny, Juan Ribeyrolles, Carlos Texera, Miquel Elías, etc. que com generosidade me frequentaram o frontispício. O desenho está no livrito que de facto semanas depois saíu, também valorizado com capa de António Luís Moita e introdução de João Garção).




 Pronto, vendi meu peixe neste domingo ensolarado. Fica, com a estima que sabem, os proverbiais abrqs e bjh deste vosso confrade.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Nova canção do emigrante com provérbio afim (recebido por e-mail)





Voltei, voltei

Voltei de lá
Ainda ontem estava em França
E agora já estou cá

Vale mais um mês aqui
Do que um ano inteiro lá

Ainda ontem eu pensava
E sonhava cá voltar
Ai, eu já não suportava
Ficar longe do meu lar

Agora já estou aqui
Já me passou esta dor
Tanto, tanto que eu pedi
Este milagre ao Senhor



A democracia portuguesa parece padecer geneticamente de falta de vergonha?



De um humor delicioso...!




"Excelente e certeiro senso de humor. E, desta forma inteligente, mostra a realidade que só os boquinhas-tortas e os lellos com dois éles não podem (não querem) ver: o parisiense simulado é já uma figura caricatural, um sujeito e objecto de charlotada.
  Começou como tragédia, vai acabar como comédia, como se diz da História chula. Um clown que a pouco a pouco todos verão na sua real dimensão pindérica.
  Prematuramente embranquecida."

Foi este o comentário que deixei no post seguinte:

Sócrates: Alors, pá. Mostra lá os resultados das audiências. Deve ter sido um massacre.
Silva Pereira: Lá isso foi.
Sócrates: Deixa cá ver... Va te faire Paulô Futre!!!!
Silva Pereira: Tentei avisar-te…
Sócrates: Isto é do Car…rilhô. Plus une semaine comme ça e ainda acabo a apresentar o Preço Certo. Em escudos.
Silva Pereira: Deixa lá, Zé. A culpa não é tua.
Sócrates: Claro que não. Il te donne para cada uma. De quem é que achas que é?
Silva Pereira : É da apresentadora.  Não é que as pessoas prefiram os comentários do Marcelo. Gostam é da Judite.
Sócrates: Pois é. De qualquer maneira, temos de fazer quelque chose.
Silva Pereira : Podias aconselhar uns livros.
Sócrates: Não te armes em crétin. Ganhei aversão à leitura desde os tempos dos parâitres do Tribunal de Contas.
Silva Pereira : E se fizesses uns números de ilusionismo.
Sócrates: Isso dos números e do ilusionismo era com o Teixeira dos Santos… e não vou dar ao gajô o gosto de me deslier o telefone dans la trombe.
Silva Pereira : Sim, até porque o gajo era capaz de o fazer literalmente… Podias serrar um gajo ao meio em directo.
Sócrates: Tinha de ser um gajô sem colomne vertebral para ser mais fácil…
Silva Pereira : O Lello?
Sócrates: Est capable de donner… E se depois não conseguir colar o gajô outra vez?
Silva Pereira: Isso é o menos. Ninguém ia reclamar…
Sócrates:  Hmm. Vamos tomar nota dessa. Portanto, quero uma coisa com mais impacto.
Silva Pereira: Já te disse que só em francês é que pourtant vale como adversativa, certo?
Sócrates: De efeitos imediatos. E sucesso garantido.
Silva Pereira: Distribuir magalhães?
Sócrates: Melhor ainda.
Silva Pereira : Não, não estás a pensar em…
Sócrates: Estou.
Silva Pereira : Não eras capaz…
Sócrates: Sabes que sou… No próximo Domingo vou distribuir aumentos aos funcionários públicos. O Marcelo vai ficar a ver bateaux.