sexta-feira, 10 de maio de 2013

PARA UM FIM DE SEMANA SALUBRE...



(imagem obtida aqui)

     …nada melhor que um poema (intemporal, hélas!) dos que nos abrem a alma à delícia de sabermos e podermos ler (ainda) sem sermos obrigados a mote (pseudo-prafrentex).

   Agora que, em certos sectores, de forma mui discreta (ou seja, descarada) se tenta solapar – a pretexto de um novo PREC que mais não visa que colocar em epígrafe gente tão nefasta como alguma que ora nos rapa a paciência e os tostões – quem mostre veleidades de pensar pela própria cabeça e não embarque em demagogias que só procuram que saltemos da frigideira para cairmos no lume, vozes e escritos de gente livre fazem cada vez mais sentido.
   Desta feita é António Luís Moita (há meses falecido mas que, para nosso gosto, continua muito presente e cujos poemas, desde os de recorte lírico e alquímico aos mais interventivos estão perfeitamente potáveis) que nos fará companhia por uns minutos… ou talvez mais que isso.

(imagem obtida aqui)

                                                
MONÓLOGO DO ELEITOR

Acabaram-se as Direitas?
Dissiparam-se no Centro?
Serão as Direitas feitas
de esquerdino movimento?

Sendo as Esquerdas sujeitas
ao mesmo vaivém do vento,
vão, com as nuvens, direitas
à parte esquerda do Centro?

E o Centro? O que é o Centro?
Em que centro se situa?
No centro do Centro-Centro
de um satélite da lua?

É um Centro direitista
para a Esquerda cor-de-rosa?
Ou a tendência sinistra
da dextra silenciosa?

Que Centro é esse? Um sinal
de não comprometimento?
Ou, ao contrário, um invento:
manobra do Capital?

Será o Centro a Direita?
Fascismo com meiga fala?
Medo? Angústia? Um olho à espreita
com raiva de não ser bala?

E a Esquerda? O que é a Esquerda?
Para a Direita, agonia?
Para o Centro, mesmo Esquerda?
Para a Esquerda mais esquerda
retrocesso à burguesia?

E a esquerda Extrema-Esquerda
- a que tudo desagrega –
o que será quando vemos
que a Direita se lhe pega?

Será mesmo Extrema-Esquerda
a pedir terra queimada?
Ou um braço que a Direita
manipula encapuçada?

Será cravo de pureza
ou goivo de gula grada?
Lirismo? Farsa? Utopia?
Concreta antropofagia,
fim do dia ou alvorada?

Ou nem sequer há Direitas
nem Esquerdas, nem mesmo Centro,
sendo isto ideias estreitas
em que aprendiz me concentro?

Serei eu, nascido outrora
quando só Direita havia,
que ga-ga-gaguejo a História
da De-de-democracia?


(imagem obtida aqui)

                                                           ALM
                                                           in “Poemas Temporais”
(Este poema foi-me enviado pelo A. para ser dito numa das emissões do programa “Mapa de Viagens” que eu então realizava numa das rádios portalegrenses).

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Provedor de Justiça demonstra extrema incompetência

O provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, deveria demitir-se de imediato por manifesta incompetência em perceber a sua função.

O Provedor de Justiça existe para defender as pessoas das arbitrariedades do estado. O país está a sofrer horrores em resultado do enorme elefante branco que o estado se tornou. A economia não aguenta o estado que tem porque este gasta tanto que arrasa qualquer hipótese da economia de desenvolver.

O iluminado Provedor de Justiça, incapaz de compreender qual sua relação com a função e com o país que, de rastos, o sustenta, deve apresentar, de imediato, a sua demissão.

PALESTINA: HISTÓRIA E GEOPOLÍTICA DE UM NOME



1

Não há tema geopolítico contemporâneo mais complexo do que o conflito do Oriente Médio. Além da complexidade, o interesse político contribui para fazer de boa parte dos textos a respeito mera propaganda travestida de análise. Se isto vale para os argumentos pró-israelenses, não vale menos para os pró-palestinos.

Ao mesmo tempo, tornou-se senso comum a ideia de que o “excesso de história” não ajuda a compreensão do conflito. Creio, porém, que o excesso de propaganda sem respeito à história tampouco ajude. Retorno, então, a ela, tendo por guia a história de um nome.

Os povos que passaram pela região, ou nela viveram, são conhecidos: cananeus, judeus, filisteus, egípcios, babilônios, fenícios, gregos, romanos, bizantinos, árabes, turcos, ingleses. Um “povo palestino” não faz parte da história. Mas se não faz, por que o conflito é hoje chamado de “israelense-palestino”?


2

A explicação está no fato de que palestino é, na verdade, uma variação/derivação do nome de um daqueles povos antigos, os filisteus. O nome que os árabes da região hoje adotam (na forma filastin) tem, por ironia, uma origem hebraica: peleshet – que, em outra ironia, significa invasor e divisor.

O termo foi usado originalmente pelos antigos israelitas para se referir a um invasor que se estabeleceu, em torno de 1200 a. C., na região da faixa de Gaza. Tratava-se dos conhecidos “povos do mar”, de origem grega, cuja expansão, a partir de um epicentro no mar Egeu, foi registrada por inúmeros documentos da época, incluindo egípcios e fenícios.

O pouco que se pode afirmar com certeza sobre os “povos do mar”, incluindo os pelesht que se estabeleceram em Gaza, em função de palavras de sua língua incorporadas ao hebraico e de achados arqueológicos, é que, ao contrário dos demais povos do Mediterrâneo oriental, como fenícios, cananeus e judeus, eles não eram semitas, mas indo-europeus (como micênicos e gregos).

Quando da ocupação da região por Nabucodonosor, em 587 a. C., além do exílio dos israelitas e da famosa destruição de Jerusalém, as principais cidades flilisteias, Ashdod, Ashkelon, Ekrom, Gate e Gaza, também foram destruídas. O Império Babilônio seria em seguida tomado pelo rei persa Ciro, o Grande, em 539 a. C. Ciro, então, permitiu o retorno dos judeus a Israel, pondo fim ao chamado "Cativeiro Babilônio", enquanto a região da faixa de Gaza foi reocupada pelos fenícios. Os filisteus (e todos os demais “povos do mar”) desapareceram da história.

Porém a evolução de seu nome continuou através de referências gregas posteriores, que registram a forma Palaeistina (transliteração do hebraico Philistia). Do grego Palaeistina originou-se, por fim, o latim Palaestina.

3


A adoção do termo latino para se referir aos territórios dos antigos reinos de Israel e Judá se daria em torno do ano de 135 d. C., com o fim do longo período das “guerras judaicas” contra a ocupação romana, iniciadas em 66 d. C. Esmagada a revolta, com a destruição do segundo templo de Jerusalém e a expulsão dos judeus (início da Diáspora), Roma cria uma nova província, batizada de Palaestina, segundo muitos historiadores, a fim de dissociar a região das reivindicações judaicas. A Palestina original, que passaria à história moderna como Palestina Romana, é, portanto, o próprio reino de Israel. Com o fim do Império Romano, também se extinguem suas províncias, incluindo a de Israel-Palestina.

O território seria, ao longo dos séculos seguintes, subdividido entre províncias bizantinas, árabes e otomanas, sem readquirir o nome ou a definição geopolítica que tivera no tempo da Palestina Romana (com exceção de um curto período de reunificação pelos cruzados, no século 13). No período do Califado, por exemplo, em seguida à invasão árabe no século 7, o território seria divido em dois jund, ou distritos, o do norte e o do sul.

O mapa abaixo mostra a região conforme sua realidade geopolítica no fim do Império Otomano:


                                              

                                                                     [1]


As províncias turcas, ou vilayet, dividiam-se em unidades menores, os sanjaks. A maior parte do que fora o antigo reino de Israel e depois a Palestina Romana integrava, agora, a província ou Vilayet de Beirute, que englobava o atual Líbano e o norte de Israel e da Cisjordânia, e estava dividida em Sanjak de Beirute, Sanjak de Acre e Sanjak de Nablus. Ao sul, um sanjak foi separado da província: o Sanjak Autônomo de Jerusalém, englobando o sul de Israel e da Cisjordânia, Gaza e o nordeste do Sinai.

Tanto o traçado geopolítico quanto o nome Palestina seriam retomados somente em 1922, depois de quase dois mil anos de seu uso romano original. E somente pelos 25 anos que duraria a Palestina Britânica – cujo nome foi inspirado na antiga província romana –, até ela ser extinta pela ONU em 1947. Antes de 1922 e depois de 1947, portanto, não existiu Palestina alguma.

4


Em fins do século 19, os sionistas começaram a emigrar, então, não para a Palestina (é absurda a afirmação de que se possa estabelecer em terras de um Estado inexistente), sequer para qualquer território árabe, mas para o Império Turco-Otomano e suas províncias.

O projeto sionista era o de constituir uma nação judaica numa região do multiétnico Império, região que, apesar de habitada majoritariamente por árabes, nem era exclusivamente árabe (mas também turca, curda, persa, armênia) nem se constituía num Estado árabe. E que, entre seus habitantes, sempre contara com uma significativa população judaica, por ser o antigo território de Israel-Palestina.

Cabe observar que, no fim do século 19, não era possível prever o desaparecimento do Império Otomano. Mas ele aconteceu, em 1920, com seus antigos territórios e províncias sendo então refundidos, alguns, em novas províncias europeias (como a Palestina Britânica), outros, em novos Estados árabes, no contexto do fim da Primeira Guerra Mundial, em que o Império Otomano, que se aliara à Alemanha, foi derrotado e desfeito.

Quando, em 1947, um Estado árabe tornou-se possível na Palestina Britânica por determinação da ONU, os árabes o recusaram. Os árabes, não os “palestinos”. Na própria resolução que estabeleceu a partilha da Palestina Britânica não há qualquer referência a “palestinos”; os únicos nomes usados são “judeus” e “árabes”: “Os [futuros] Estados independentes judeu e árabe...” (Resolução 181, I, 3).
[2] Nem poderia ser diferente, pois todos os habitantes do território da Palestina Britânica, árabes, judeus e ainda armênios, turcos, etc., eram então igualmente chamados de palestinos, como se pode comprovar nos documentos da época (o nome original do jornal hebraico Jerusalem Post, por exemplo, era Palestine Post).

5

A relevância da questão do nome reside no fato de ele não ser árabe em qualquer aspecto: etimológico, histórico, cultural ou geopolítico. Mas se o termo palestino não tem originalmente qualquer relação com os árabes, por que, hoje, designa a mais célebre causa nacional árabe?

Em meados do século 20, sob a liderança do Mufti de Jerusalém, os árabes locais não reconheciam nem a definição britânica do território nem o nome Palestina, de utilização colonial. Defendiam, então, o pan-arabismo, segundo o qual os árabes constituem um único povo, dividido primeiro pela fragmentação política do antigo Califado de Maomé, depois pelas províncias otomanas, em seguida pelas províncias britânicas e francesas. Seu objetivo era, portanto, a criação de uma unidade geopolítica que englobaria, de início, os atuais territórios do Líbano, da Síria, da Jordânia e de Israel – daí recusarem a partilha determinada pela ONU.

Seria apenas com a derrota histórica do pan-arabismo, face à consolidação das ex-províncias inglesas e francesas em novos Estados-nação, que os árabes da ex-Palestina Britânica viram-se, pouco a pouco, forçados a caminhar para uma solução individual, ou seja, um projeto nacional próprio.

Uma vez afinal criado, nos anos 1960, um movimento nacionalista dos árabes da Palestina (a OLP seria fundada em 1964), ele manteria, porém, como referência geopolítica a antiga colônia britânica de 1922, e não o traçado legalmente determinado pela ONU em 1947. A recusa árabe da partilha se torna, então, o conflito israelense-palestino, pois os árabes da antiga Palestina Britânica, junto à antiga referência territorial, adotam, afinal, também o antigo nome colonial (os refugiados palestinos não eram, ainda nos anos 1950, referidos como refugiados palestinos, mas como refugiados da Palestina).

6

Nos distúrbios do fim do império inglês, incluindo, entre outros, a partilha da Índia entre Índia, Paquistão e Bangladesh em 1947, e também a guerra árabe-israelense de 1948, o destino dos árabes da Palestina dividiu-se, grosso modo, em cinco. Uma parte foi para a ex-província francesa do Líbano, onde não seriam reconhecidos como cidadãos; uma parte foi para a Transjordânia, atual Jordânia, ex-colônia britânica, onde foram reconhecidos como cidadãos (constituindo, hoje, a maioria da população); outra parte ficou em Israel, onde igualmente adquiriu cidadania; outra parte se dispersou pelo mundo; outra, enfim, permaneceu em partes dos territórios da antiga Palestina Britânica destinadas pela ONU para constituir um “Estado árabe”, ou seja: Gaza e Cisjordânia.

Entre 1948 e 1967 não havia, em tais territórios, nenhum soldado israelense. Eles estavam, na verdade, sob domínio árabe: respectivamente, do Egito e da Jordânia. Não obstante, os árabes de Gaza e da Cisjordânia não exigiram do Egito nem da Jordânia que lhes entregassem tais territórios para constituírem ali seu Estado. Porque seu objetivo político não era construir um Estado nesses territórios – daí jamais o terem feito entre 1948 e 1967 –, mas destruir o Estado de Israel, visando reconstituir a antiga Palestina Britânica na forma de uma Palestina Árabe.

Em 1964, sob auspícios de Nasser, seria criada no Cairo a Organização para a Libertação da Palestina, ou OLP. Não para a libertação dos territórios de Gaza e da Cisjordânia da ocupação israelense, naturalmente, pelo simples motivo de que tais territórios não estavam sob ocupação israelense em 1964. Mas, então, para a “libertação” do restante da ex-Palestina Britânica: Israel. O verdadeiro nome da organização deveria ser, portanto, Organização para a Destruição de Israel, ou ODI.

Ironicamente, seria o Estado de Israel que daria afinal legitimidade à OLP e ao próprio movimento palestino, originalmente ilegítimo, ao demandar não a construção de um Estado, mas a destruição de outro. Pois ao ocupar, em 1967, Gaza e a Cisjordânia, Israel forçou a substituição do objetivo original de destruí-lo pelo de libertar a Cisjordânia e Gaza. Havia, enfim, uma causa palestina legítima.

7


O objetivo original do movimento palestino, porém, não foi esquecido. Não somente porque foi seu único objetivo político por 20 anos (entre 1948 e 1967), ou seja, por toda uma geração, mas também porque o novo objetivo não foi escolhido pelos palestinos, e sim imposto por Israel. É por isso que, na verdade, a partir de 1967, jamais houve uma causa palestina, mas duas: construir o Estado palestino em Gaza e Cisjordânia e destruir o Estado de Israel. O que pressupõe o massacre da população israelense, em cujo quadro ideológico se explica a opção histórica por atentados contra civis, em vez de soldados. Explica-se grandemente, também, o próprio fracasso histórico da “causa” palestina.

Não é por acaso que a “causa” palestina seja a única, de todas as grandes causas nacionais da segunda metade do século 20 (excluindo somente a curda), a ter fracassado. Argelinos, sul-africanos e africanos em geral, indianos e timorenses, chineses e vietnamitas, todos venceram. O caso vietnamita é exemplar: lutaram contra as mais poderosas forças armadas da história. Não é, portanto, nenhum poderio militar israelense que explica a derrota histórica palestina. Os vietnamitas, na verdade, jamais venceram as forças armadas americanas. Os EUA foram derrotados por sua própria opinião pública, que passou a considerar injusta a intervenção militar no país asiático, forçando a retirada. Se isso jamais aconteceu em Israel, não é porque a população israelense seja pérfida, como acreditam os anti-israelenses e os antissemitas. Nem porque os grupos políticos israelenses que querem manter a ocupação sejam irresistíveis, como não foram irresistíveis os grupos americanos que queriam continuar a guerra do Vietnã. O motivo é que, ao contrário da causa vietnamita, que não incluía a destruição dos EUA, a “causa” palestina, desde 1967, sempre hesitou, oscilou e se dividiu entre duas causas, entre dois objetivos, um legítimo e um ilegítimo: o que não ajuda a clareza do discurso e dos objetivos, a concentração e a objetividade das forças políticas nem a solidariedade internacional. A recente eleição do Hamas em Gaza não foi um acidente histórico. Ela é a expressão política de uma dessas causas.

8

O projeto sionista, nascido no século 19, não tinha um mapa definido (mas vários). Esse mapa afinal emergiu em 1922, e foi traçado, não pelos sionistas, mas pelo Império Britânico: a Palestina Britânica, criada pela fusão de antigas províncias otomanas. Assim, quando em 1947 a ONU a dividiu, destinando uma parte a Israel e outra a um Estado árabe, dividiu igualmente o movimento sionista. A parte dominante do movimento, liderada por Ben Gurion, foi a que aceitou a partilha, fundando o Estado de Israel (a outra parte, naturalmente, era a dos que sonhavam em incorporar Gaza e a Cisjordânia, e que ganhariam um novo impulso com as ocupações de 1967). No lado árabe, ao contrário, a parte amplamente dominante de seu espectro político, liderada pelo Mufti de Jerusalém, foi a que recusou a partilha, criando o objetivo geopolítico original de destruir o Estado de Israel.

Além da ironia de Israel afinal dar legitimidade à OLP e ao próprio movimento palestino em 1967, outra grande ironia é o fato de que a causa palestina original, reconstituir a antiga Palestina Britânica numa Grande Palestina, de certa forma legitimaria aqueles grupos políticos israelenses que, desde a aceitação da partilha por Ben Gurion, sempre quiseram a mesma coisa. A diferença é o meio: os palestinos, para consegui-lo, devem destruir Israel, enquanto esses grupos israelenses apenas precisam impedir que se construa o Estado palestino. Para isso, contam com o apoio involuntário dos próprios grupos palestinos que ainda querem destruir Israel e, deste modo, atrapalham as forças políticas palestinas que afinal escolheram construir um Estado palestino – além de impedir que a população israelense possa vir a apoiar maciçamente sua criação.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

STEPHEN HAWKING E OS LIMITES DA INTELIGÊNCIA


 
Considerado um dos maiores físicos da atualidade, o britânico Stephen Hawking acaba de aderir à infame campanha internacional de boicote acadêmico contra as instituições acadêmicas israelenses. Além de infame, a coisa é tão absurda que precisa ser explicada: trata-se de acadêmicos individuais e, em alguns poucos casos, de instituições acadêmicas que boicotam, não o governo ou o Estado de Israel, mas seus pares acadêmicos israelenses.

 A decisão de Hawking marca uma importante vitória na campanha internacional para boicote, desinvestimento e sanções contra instituições acadêmicas israelenses. Outras adesões importantes ocorreram em abril, com o sindicato dos Professores na Irlanda e a Associação de Estudos Americanos e Asiáticos, nos EUA (“Stephen Hawking adere ao boicote acadêmico a Israel”,
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/28774/stephen+hawking+adere+ao+boicote+academico+a+israel.shtml)
 
Não creio que o Sindicato dos Professores irlandeses seja uma “importante adesão”, e duvido que a Associação de Estudos Americanos e Asiáticos norte-americana seja um de seus centros de excelência, dominada que deve estar por multiculturalistas em particular e antiocidentalistas em geral, ou seja, por antimodernistas e obscurantistas de todos os tipos e matizes. O certo é que tal campanha é parte de uma campanha maior, de deslegitimização de Israel, a fim de impor ao país a condição de pária entre as nações, o que por sua vez abriria caminho para ações mais drásticas, incluindo boicote econômico e político-institucional, tendo por alvo final o enfraquecimento do país a fim de abrir as portas da possibilidade de sua extinção, seja política ou militar, o que jamais saiu da agenda tanto dos grupos políticos palestinos quanto dos islamitas quanto dos esquerdistas em geral. O fim de Israel seria uma espécie de vingança histórica contra o fim da URSS para uns, e uma desforra para a mediocridade geral em que o mundo muçulmano patina há séculos para outros. Além disso, faria a alegria desmesurada de todos os antissemitas do planeta.

Não é de surpreender que isso esteja vingando na academia ocidental, pois há muito grande parte dela se tornou reduto de irracionalistas, anticientificistas (nas ciências humanas) e toda uma extensa fauna que não tem mais vergonha de expor sua face, seja de antimodernistas ou de simpatizantes do islamofascismo.

Durante anos, fomos ficando escandalizados e angustiados com a tendência intelectual de certos círculos da academia americana. Vastos setores das ciências sociais e das humanidades parecem ter adotado uma filosofia que chamaremos, à falta de melhor termo, de "pós-modernismo": uma corrente intelectual caracterizada pela rejeição mais ou menos explícita da tradição racionalista do Iluminismo, por discursos teóricos desconectados de qualquer teste empírico, e por um relativismo cognitivo e cultural que encara a ciência como nada mais que uma "narração", um "mito" ou uma construção social entre muitas outras (Alan Sokal e Jean Bricmont, Imposturas intelectuais, Rio de Janeiro, Record, 1999, p. 15)
 
Mais adiante, questionam os dois autores, ambos também físicos renomados:

O que virá após o pós-modernismo? Uma vez que a principal lição a ser aprendida do passado é que prever o futuro é arriscado, podemos apenas listar os nossos temores e as nossas esperanças. Uma possibilidade é uma reação que conduza a alguma forma de dogmatismo, misticismo (por exemplo, Nova Era) ou fundamentalismo religioso. Isto poderia parecer pouco provável, pelo menos em círculos acadêmicos, mas a perda da razão foi suficientemente radical para pavimentar o caminho para um irracionalismo mais extremado (p. 228) [grifo nosso]

Tais afirmações são dos anos 1990. Hoje, esse “irracionalismo extremado” que vem insidiosamente tomando conta, há décadas, de boa parte das ciências humanas ocidentais (que de ciência mantêm apenas o nome, presa que são da ideologia e do referido irracionalismo), além de ter se tornado coisa “natural”, pois corriqueira, começa a extrapolar para as ciências naturais, como o demonstra o caso de Stephen Hawking.

A ciência é e sempre foi universalista. O boicote às instituições acadêmicas de um país inteiro, condenando-as a priori, assim como seus membros, além de um ato da mais grave e infame injustiça, é um ataque brutal não só à liberdade de pensamento como à própria ciência, aqui jogada na lata de lixo dos preconceitos ideológicos pelos próprios acadêmicos ocidentais. Trata-se, enfim, de um gesto fascista e de caráter totalitário, que faria inveja ao camarada Mao da “Revolução Cultural” e ao camarada Pol Pot da perseguição sistemática à intelectualidade cambojana. Que esse tipo de fascismo acadêmico seja capaz de seduzir um homem da grandeza intelectual de Stephen Hawking não espanta quem conhece a história, pois homens como Werner Heisenberg, um dos criadores da física quântica, aderiram alegremente ao nazismo. Ainda assim, é assustador o poder duradouro de convencimento do obscurantismo.

Do alfinete e dos encalacrados

A Comissão Europeia resolveu anunciar que pretende integrar e uniformizar o sistema de energia da "europa".

A "europa" caracteriza-se hoje pela bizarra bitola em que ninguém pode ter qualquer espécie de vantagem endógena relativamente aos restantes membros. Se o país A é bom produtor de trigo, há que o regulamentar para que a sua vantagem desapareça face ao país B, onde o trigo não cresce tão bem. Se o país B tem uma qualquer vantagem do ponto de vista dos recursos energéticos há que lha retirar para garantir igualdade de patamar em relação a um outro país A.

O resultado é que todos se vêm encalacrados no voluntarismo de aproveitar decentemente as vantagens próprias, e o que se torna prevalecente são as desvantagens comuns. O resto do mundo, em particular o oriental, ri-se a bom rir com a pacovice dos iluminados do 'comum' e, pouco a pouco, a "europa" vai-se tornando uma coisa esquisita, inviável, cheia de gente com a mania que o resto do mundo lhe deve loas.

Nigel Farage é um dos pouquíssimos deputados que tem o discernimento que se esperaria da generalidade. Este discurso é de referência.



Buraco Obama: Pilha de 2m de regulamentação contendo 140.000 codigos

Apenas os gambozinos ficaram de fora.


Os 13 mil códigos vão ser substituídos por ... 140 mil códigos que os médicos têm que seleccionar.

Exemplo: Não confundir atacado por um pato com mordido por um pato. E se for um desmaio provocado por uma grasnadela de pato? E se for uma cagadela de pato? E se o pato não morder mas aplicar uma unhada?

Há 5 códigos para diferentes tipos de incidente com perus.

Viva a infinita regulamentação socialista.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O fim do mundo em 'sim', 'não' ou 'talvez'

Quando por volta do ano 2000 os marxistas alarmistas do aquecimento global perceberam que a teoria estava furada, tentaram metamorfosear o "fenómeno" em "alterações climáticas" (posteriormente em rupturas climáticas e outros também alternativos disparates).

 Anteriormente, todos os "voluntaristas" estudos apontavam para aquecimento, mas posteriormente as coisas começaram a complicar-se sem que, aparentemente, tal tivesse sido antecipado. De facto, "alterações climáticas" nada quer dizer e o resultado foi o aparecimento de estudos contraditórios, todos devidamente propagandeados apontando o mesmo armagedão: o fim do mundo em "alterações". Chegou ao pondo de se anunciar que a maior e mais garantida prevista alteração climática seria a ...excessiva estabilidade.

Foi recentemente revelado mais um desses casos.


segunda-feira, 6 de maio de 2013

O ATAQUE DE ISRAEL E A SOBREVIVÊNCIA DA TRAGÉDIA SÍRIA

 
 
Os ataques de Israel neste domingo a instalações militares sírias do regime genocida de Bashar Assad não terão outros efeitos imediatos além dos pretendidos por Israel, defender-se da transferência de armas, possivelmente de destruição em massa, como as químicas, para o grupo terrorista libanês Hezbolah, xiita como o regime etnocrático de Assad (isto é, como os alauítas, grupo que domina o estado sírio). O Hezbolah tem participado ativamente da guerra civil síria, enviando combatentes e armas através das porosas fronteiras entre Síria e Líbano. A entrega de armas ao grupo libanês pelo regime de Assad cumpriria ao menos três funções: proteger esses estoques, pagar o grupo por seu apoio e estender a luta pela manutenção no poder dos xiitas sírios, que têm no Hezbolah libanês uma reserva estratégica (além do não desprezível "efeito colateral" de aumentar gravemente a ameaça a Israel). Por outro lado, no plano internacional, os ataques escancaram o óbvio: o regime é mais vulnerável do que se pretende, suas “famosas” defesas antiaéreas não são o que se propagandeia, e ele não resistiria a uma ação maciça de bombardeio aéreo que visasse ao mesmo tempo suas instalações militares e políticas, como as sedes do Partido Baath e dos serviços de segurança, além dos palácios de Assad. Israel agiu porque não pode se omitir: o aumento do poder bélico do Hezbolah é uma ameaça direta à sua segurança. Já as potências ocidentais não agem porque, sem controle do terreno, o que implicaria na invasão terrestre, o que nenhum governo ocidental tem hoje condições políticas de bancar, o fim repentino do regime não poria um fim à guerra civil, mas provavelmente a intensificaria, com os diversos grupos étnicos e religiosos lutando desesperadamente para tomar o poder, com o respectivo apoio de poderes regionais, como Irã, Arábia Saudita e Turquia, sem falar no próprio Hezbolah. O presente do povo sírio é trágico, seu futuro, um prolongamento sangrento desse presente. De certa forma, trata-se da cruel e cruenta guerra civil da Bósnia em escala ampliada. Na Bósnia foi possível chegar a um modus vivendi, depois de muita protelação e muita carnificina, porque se tratava da Europa, e porque houve intervenção da OTAN e dos EUA. Mas na grande Bósnia que é a Síria, a escala, a região, o poder de fogo dos envolvidos e a presença de grupos jihadistas cada vez mais fortes condenam o povo sírio a sangrar até que a oposição demonstre ter força para tomar o poder assim que Assad cair, além de estar controlada por grupos seculares politicamente razoáveis e confiáveis. Como isto está longe de acontecer, longe está o dia de o povo sírio reencontrar a paz.

P.S. Novas informações acrescentam que, além de armas químicas, os recentes ataques também visaram carregamentos de mísseis Fateh 110, de fabricação iraniana, que estariam na Síria de passagem, para ser entregues ao Hezbolah. Tais mísseis, precisos e com alcance de 300 km, poriam Israel inteiro sob a mira do Hezbolah, e deveriam servir de dissuasão ou retaliação em caso de um ataque israelense às instalações nucleares iranianas. Neste caso, trata-se de um lance do explosivo xadrez israelense-iraniano jogado no sangrento tabuleiro sírio.

Ilegítimo?

O PCP considera ilegítimo o Governo que os portugueses escolheram há menos de dois anos em eleições democráticas, limpas e válidas. É este o partido que anda constantemente com as palavras democracia e constituição na boca.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

No Brasil, a sovietização das forças armadas?

No Brasil, a sovietização das forças armadas. O assalto final das forças revolucionárias do PT contra a nação.

Um novo avanço do Brasil rumo ao totalitarismo onde a Venezuela definitivamente chegou.

NOVO ATENTADO EXPLODE VELHOS ARGUMENTOS


 
Há alguns argumentos principais e outros subsidiários que sempre vêm à tona, como “verdades” goebbelsianas, quando ocorre um novo atentado por terroristas islâmicos. Com o da maratona de Boston não seria diferente. Vou, sucintamente, concentrar-me aqui apenas nos dois principais.

Começo pela questão da dificuldade de integração dos muçulmanos na UE e, agora, também nos EUA. Ora, até o atentado de Boston, os EUA eram usados como modelo e “prova” de que o problema era europeu. Ou seja, que o problema eram os europeus. Mas se cidadãos muçulmanos naturalizados norte-americanos fazem o mesmo que os terroristas de Londres e Madrid, entre vários outros, o problema não são os europeus.

Resta a dificuldade de integração em si. Mas se sociedades com passados e culturas migratórias diferentes, e que tratam os imigrantes de modo distinto, como EUA e UE, não conseguem igualmente integrar os imigrantes muçulmanos, o problema, ao mesmo em parte, tem de estar no fator comum, os próprios imigrantes muçulmanos. Isto seria evidente se não fosse “politicamente incorreto”. Pois tanto os EUA quanto a UE recebem imigrantes de todos os continentes, de todas as culturas e de todas as religiões. Mas os terroristas são sempre muçulmanos. Tem de haver um motivo. Porém o motivo da particular dificuldade de integração dos muçulmanos como causa de atentados também explodiu em Boston.

Em primeiro lugar, essa dificuldade é afinal em parte, ou em grande parte, responsabilidade dos próprios muçulmanos, cuja cultura e religião não é apenas diferente em muitos aspectos essenciais da cultura ocidental moderna (mesmo caso de chineses do interior da China ou de africanos em geral), mas também orgulhosa e agressivamente rejeitadora de cultura ocidental moderna, ou seja, da sociedade aberta. Em segundo lugar, as dificuldades de integração não “explicam” mais os atentados porque, além de eles não serem europeus nem terem atacado na Europa, os irmãos de Boston eram perfeitamente integrados...

O mais velho se casara com uma americana cristã e praticava boxe. O mais novo fazia simplesmente tudo o que faz uma americano comum de sua idade, de fumar maconha a frequentar bons colégios particulares, além ser “popular”, o que nessa idade, nos EUA, é uma espécie de prêmio social. Logo, nem a dificuldade de integração, nem a facilidade de integração, explicam coisa alguma (os chineses do interior da China e os africanos em geral que o digam).

O segundo argumento principal é a vingança. No caso particular dos irmãos de Boston, foram citados o Iraque e o Afeganistão como “motivos”. O que logo gera um coro surdo de “compreensão” que ecoa do lado esquerdo do espectro político. Mas o que tem a ver o menino de 8 anos assassinado na frente da família com as decisões do governo do ex-presidente Bush? O que tem a ver a imigrante chinesa também ali assassinada com o mesmo governo? E desde quando, numa sociedade aberta, ações governamentais criticáveis o são pela morte aleatória e em massa de inocentes? Mesmo a vingança, para além da crítica, nada justifica nem pode justificar. Primeiro, porque inocentes são inocentes. Simples assim. Não se vingam culpados matando inocentes. Isto é puro e completo absurdo. Segundo, porque existe o sistema judiciário. Não é fácil levar a julgamento um poderoso norte-americano. Mas não é impossível. Além disso, a completa liberdade de manifestação e de ação políticas franqueia a carreira política a qualquer um. Os terroristas muçulmanos, se quisessem, poderiam ser políticos muçulmanos, tanto nos EUA quanto na UE, e assim tentar influir nas políticas públicas.

A verdade é que as famosas dificuldades de integração dos muçulmanos, assim como seu “desejo de vingança”, não fazem qualquer sentido verdadeiro à luz terrível mas clara das explosões.

O verdadeiro motivo pelo qual há terroristas muçulmanos de massa, e apenas terroristas de massa muçulmanos, não é apontado porque “não pode” ser dito. Esse motivo é o islã como ideologia política e visão de mundo, que luta por uma sociedade diferente da moderna sociedade aberta. Mas isto ainda não é tudo. Porque o terrorismo político sempre existiu. A diferença é que o terrorismo político, por definição, tinha alvos políticos, em vez de atacar massas de inocentes. O terrorismo islâmico é um terrorismo de massa porque sua ideologia envolve o desprezo e a rejeição – aqui sim –, pelos radicais islâmicos, não só do Ocidente e da cultura moderna, mas também dos ocidentais em si. A morte de “infiéis” simplesmente não é relevante. Mas pode ser eventualmente útil.

ÁLVARO DE CAMPOS, THOMAS MANN E O FIM DA EUROPA


 
1

Recebo de presente de Joaquim Simões uma belíssima reprodução fac-similar virtual do número 1 da revista Orpheu, e passo de imediato a me deliciar com os aspectos gráficos, da cor do papel à tipologia à ortografia à diagramação, enquanto avanço o cursor página a página e começo a ler ou reler em sequência os textos ali publicados, “Para os ‘Indícios de oiro’”, de Sá-Carneiro, Poemas, de Ronald de Carvalho, o “drama estático” O marinheiro, de Pessoa, Treze sonetos, de Alfredo Pedro Guisado, as “prosas” de Frizos, de Almada-Negreiros, os Poemas de Côrtes-Rodrigues e, por fim, “Opiário” e “Ode triunfal”, de Álvaro de Campos. Alguma ideia, ou antes, certa sensação foi se formando em meu cérebro enquanto lia, que, como num golpe de serendipidade, só viria à luz da consciência quando, ao terminar de reler “Opiário”, deparei-me com a data de sua redação: “1914, março”.

O ano antes do mês me chamou a atenção, como uma lanterna no olho – principalmente com o mês em seguida. Estava-se a quatro meses da Primeira Guerra Mundial... Claro que isto é um fato conhecido, ou seja, que alguns dos principais poemas de Álvaro de Campos precederam a Grande Guerra e expressavam uma postura crítico-cínico-cética com a cultura europeia da época que, a posteriori, ou “pelo retrovisor”, chega a parecer premonitória. Mas isto não é premonição do autor, e sim anacronismo do leitor. Relendo a revista com a consciência de terem seus poemas sido escritos ou antes da guerra, como “Opiário” e outros, ou depois de seu início, como “Taciturno” de Sá-Carneiro (agosto de 1914), enquanto a própria revista só veio a público no início de 1915, alguns aspectos tornam-se, em todo caso, evidentes.

A leitura seguida dos poemas do número 1 de Orpheu suscitou-me, enfim, uma série de reflexões: por exemplo, nos poemas de Sá-Carneiro ali coligidos, não há diferenças sensíveis, como seria talvez de se esperar, entre os escritos antes do início da guerra e depois, como o citado “Taciturno”. Sua “atmosfera” geral pode ser sintetizada num verso do poema “16”: “Resvalo em pontes de gelatina e bolores...” (p. 12, maio de 1914). O verso inteiro é uma obra-prima e um tour de force de abstracionismo verbal, tomando o termo em seu sentido denotativo, do latim abstrahere, separar. Em linguagem, abstrato é o separado de um referente (daí a pintura abstrata, que não se refere a nada além dela mesma, ficando assim separada de referências externas, ao contrário da arte figurativa, que, ora, figura alguma coisa). A primeira palavra do verso é o verbo resvalar, que é tocar sem tocar, se esquivar, passar por entre, ou seja, tentar se manter fora (separado, “abstraído”) enquanto se está dentro. O segundo termo é ponte, um caminho erguido no ar, e, portanto, descolado, separado, “abstraído” do entorno imediato. O terceiro e o quarto termos dispensam comentários sobre seu abstracionismo sem aspas, pois tanto gelatina quanto bolores são coisas sem forma firme ou definida, com o reforço semântico de bolor lembrar uma mistura, uma impregnação, ou seja, o esvaecimento da linha que define vida e morte, pois bolor é mofo, que recorda decomposição, enquanto o próprio mofo, sendo um fungo, constitui uma forma (informe) de vida. Esse “abstracionismo” semântico-imagético, que poderia ser uma indicação de alguma manifestação de desejo ou intuição de afastamento, de separação (logo, de recusa), de uma Europa à beira da catástrofe, impregna-se, porém, em Sá-Carneiro, de um eu lírico marcado por outro tipo de abstracionismo, caracterizado por metáforas e expressões cujo âmbito não é o da separação, mas o do alheamento. Não traduzem, então, o indivíduo que intui dever ou querer se apartar, ainda que em espírito, de uma Europa “gelatinosa” e “embolorada” que logo se afundará na gelatina dos coágulos e no bolor espesso das trincheiras, mas sim o sujeito que se sente fora dela, por inadequado, ou mesmo por inadequada. O verso anterior ao acima analisado basta para sintetizar essa vertente de alheamento por impregnação abstrata de si, em contraste com o distanciamento pela abstração das coisas do mundo: “Já não é o meu rastro o rastro d´oiro que ainda sigo...”.

Depois de começada a guerra, em agosto de 1914, Sá-Carneiro escreve, em “Taciturno”, de um modo que me lembra certo Baudelaire, já a partir do título (do âmbito do tema do ennui e do spleen). Portanto, o que neste era modernidade, naquele começa a parecer desconexão com ela:

Há Ouro marchetado em mim, a pedras raras,
Ouro sinistro em sons de bronzes medievais –
Joia profunda a minha Alma a luzes caras,
Cibório triangular de ritos infernais. [p. 9]

Pois este soneto “baudelairiano” foi escrito quando a mesma Europa poetizada por Baudelaire já começara a estertorar, ao som dos passos de milhões de botas que marchavam orwellianamente para uma luta kafkiana ou borgeana nos labirintos de trincheiras sem fim no espaço e no tempo. Em suma, Sá-Carneiro me parece, de fato, alheado de sua época.

Num sonho d´Iris, morto a ouro e brasa,
Vem-me lembranças doutro Tempo azul
Que me oscilava entre véus de tule –
Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa.
[“Distante melodia”, p. 13, junho de 1914]

O que dizer, neste sentido e naquele contexto, desta estrofe de Côrtes-Rodrigues:
 
Transcendências nublóticas, metafísicas raras,
Modelei a minha Obra com minhas mãos avaras.
Litanias litúrgicas de febre de paixão,
Crepúsculos de fogo ardendo em sentimento.
Colunas de Além-Sonho, arcos de comoção,
Claustros de Arquitristeza aonde o Pensamento
Vive longe do mundo, em funda adoração...
[“Abertura do Livro da vida”, p. 63, 1914]

2

Outra reflexão que me ocorreu foi sobre o que torna um artista maior do que outros. Neste caso, Fernando Pessoa – que, na persona de Álvaro de Campos (não levo a sério o “teatro de máscaras” dos “heterônimos”, nem creio que Pessoa o levasse), ao aparecer no final da revista, desde o primeiro verso de “Opiário”, tem o efeito de uma bomba com a densidade de uma bola de chumbo. Há um realismo, um cinismo, uma lucidez, uma acidez... Claro, estamos a falar de Álvaro de Campos (portanto, de Fernando Pessoa: as diferenças de estilo entre os “heterônimos” são, para mim, expressões do balzaquiano projeto manifesto de Pessoa de dar conta de toda a literatura europeia, da “Arcádia” greco-filosófico-pastoril de Caeiro ao “futurismo” de Álvaro de Campos, passando pelo “camonismo” de Mensagem etc., mas isto é para outro texto).

Em “Opiário” não há tédio, como em Sá-Carneiro: há desdém. Não há alheamento, mas o afastamento ativo da ironia. Isto para não falar que o poema se centra no Outro e nos outros de fato, ou seja, na terceira pessoa, enquanto em Sá-Carneiro o “Outro” é apenas uma abstração, um problema abstrato (e tedioso) para o eu lírico. Aqui, trata-se do navio que atravessa o canal de Suez, do canal de Suez e dos personagens, reais ou realistas, que o ocupam. O Suez é a ligação entre a Europa e o Oriente, ou seja, o fim da Europa e o início do Oriente. Sim, Pessoa também trata ali do tema do alheamento. Aliás, o tema do alheamento seria tomado de assalto por ele a ponto de parecer seu domínio exclusivo ou por excelência. Mas isto não é verdade. Nos dois sentidos: primeiro, quanto aos seus contemporâneos, este era um tema useiro e vezeiro, como fica patente neste mesmo número 1 de Orpheu; segundo, quanto ao próprio Pessoa, ele nunca foi de fato alheio a nada, bastando lembrar que aquele que seria talvez “sempre o da mansarda” (ainda que não morasse nela...), lugar apartado, isolado e alto, usa-a, na verdade, como ponto de vista privilegiado para ver o mundo abaixo como sob um microscópio ao mesmo tempo pragmático, circunstancial e existencial, captando desde detalhes como o chocolate na mão da pequena (e sua embalagem de papel de prata, que é de folha de estanho), até a condição geral de seus semelhantes, de “escravos cardíacos das estrelas”, passando pela placa da tabacaria, seu destino longínquo e enorme (o Nada) e o pequeno gesto sutil e efêmero do Esteves sem metafísica. Deixando o tabaco pelo ópio, e saindo da mansarda para voltar ao Suez, é toda uma Europa em sinédoque que parece habitar passageiramente (em mais de um sentido) o navio. Esse navio que vaga no limite entre Ocidente e Oriente é a própria Europa, um clone ou fantasma ou repetição como farsa do Titanic – com a diferença de que se trata de repetição como tragédia, pois o navio-Europa, no período de algumas semanas de uma viagem marítima, a partir daquele março de 1914 do poema, logo afundará em um mar de sangue.

Pessoa então não o sabia, naturalmente, mas o “sabia”. Não gosto da crença ingênua na literalidade da metáfora de Pound dos poetas como “antenas da raça”, mas é um fato que, de alguma forma, os grandes artistas captam sua época de um modo mais profundo e sensível que os demais, e daí advém boa parte de sua grandeza. É por isso, aliás, por sua densidade afinal histórica, mesmo que como regra não haja historicismo explícito em tais obras (basta pensar em Kafka), que o que chamamos de grandes obras suportam o teste do tempo. Todos os poemas do número 1 de Orpheu envelheceram mal, com exceção de dois que se tornariam, ao contrário, obras-primas paradigmáticas de seu tempo e clássicos automáticos da poesia em língua portuguesa, “Opiário” e “Ode triunfal”, ainda que por motivos distintos.

Meu objetivo, aqui, é tentar compreender a grandeza de “Opiário”, sem desconsiderar tudo o que sobre o poema já foi dito e bem dito, a partir de sua relação temporal com a tempestade que se avizinhava da Primeira Guerra Mundial e do contraste que, ao parecer pressenti-la, Pessoa demonstra com seus pares de geração e, neste caso, de edição.

Seria preciso ainda falar da sintaxe de “Opiário”, que também o distingue de seus pares de Orpheu. Mesmo porque, outros elementos, incluindo temas, imagens e construções que comumente se considera característicos ou mesmo particulares de Pessoa, não o são.

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio
[“7”, p. 7]
 
Fujo de mim como um perfume antigo
foge ondulante e vago de um missal
e julgo uma alma estranha andar comigo,
dizendo adeus a uma aventura irreal.
[“A alma que passa”, p. 21]

As minhas sensações – barcos sem velas –
Erram em mim. Ocaso roxo. Sismo.
Meus olhos de Não-ver-me são janelas
Dando sobre o abismo.

Abismo d´Outro ser. E a Hora chora
Nostálgica de Si, mas eu de vê-las
Erro de Ser-me, e a noite sem estrelas
Apavora.
[“Poente”, p. 64, 1014]

A primeira estrofe é de Sá-Carneiro, a estrofe do meio, de Ronald de Carvalho, e as duas últimas, de Côrtes-Rodrigues. E todas têm algo de “pessoano”, ao menos do Pessoa de uma de suas vertentes mais conhecidas, a do eu lírico existencial e sintaticamente estranhado.

Para falar, enfim, da sintaxe de “Opiário”, ela é mais direta, mais seca, mais rápida e, portanto, mais moderna, do que se vê no restante da revista, o que se casa com um vocabulário mais concreto e imagens mais imediatas e realistas. Se ainda há lugar para estrofes “baudelairianas” ou “fin-de-siècle”, como a terceira (“Em paradoxo e incompetência astral / Eu vivo a vincos de ouro a minha vida, / Onda onde o pundonor é uma descida / E os próprios gozos gânglios do meu mal”), elas convivem com imagens e termos modernos, como “engrenagens” e “mecanismos”, presentes já na estrofe seguinte (“É por um mecanismo de desastres, / Uma engrenagem com volantes falsos, / Que passo entre visões de cadafalsos / Num jardim onde há flores no ar, sem hastes”), enquanto o poema evolui consistente e crescentemente para a modernidade substantiva e objetiva referida no início (“A vida a bordo é uma coisa triste, / Embora a gente se divirta às vezes. / Falo com alemães, suecos e ingleses / E a minha mágoa de viver persiste // Eu acho que não vale a pena ter / Ido ao Oriente e visto a Índia e a China. / A terra é semelhante e pequenina / E há só uma maneira de viver”).

Voltando agora à “narrativa” existencial e circunstancial do poema, é com essa “mágoa de viver que persiste” que o narrador retorna à Europa, apesar de não querê-lo (“Volto à Europa descontente”), entre alemães, suecos e ingleses. Ingleses satirizados numa estrofe magistral, que parece uma síntese do futuro romance de Graham Greene, The quite american (O americano tranquilo – ou ingênuo): “Os ingleses são feitos pra existir. / Não há gente como esta pra estar feita / Com a Tranquilidade. A gente deita / Um vintém e sai um deles a sorrir”. Essa ingenuidade satisfeita, confiante e crédula, que Graham Greene detectará décadas depois em outro poderoso povo saxão às vésperas de uma guerra, os americanos que começam a se envolver no Vietnã sem se aperceber da realidade imediata e tranquilamente assentes em suas crenças, é muito semelhante à que Pessoa flagra nesses ingleses que cruzam o Suez ingenuamente de volta à Europa, onde, por uma corrida armamentista naval entre a Grã-Bretanha e a Alemanha do kaiser Guilherme (motivo principal de a primeira entrar na guerra e assim “mundializá-la”, inclusive pelo Império Britânico, deixando de ser um conflito continental europeu como tantos outros), a grande guerra na verdade já começara, anos antes de o primeiro tiro ser disparado em Sarajevo.

É, enfim, nas estrofes finais que percebo o que seria certa percepção de Pessoa daquele momento histórico, a poucas semanas do início da Primeira Guerra Mundial.

Febre! Se isto que tenho não é febre,
Não sei como é que se tem febre e sente.
O fato essencial é que estou doente.
Está corrida, amigos, esta lebre.

Veio a noite. Tocou já a primeira
Corneta, pra vestir para o jantar.
Vida social por cima! Isso! E marchar
Até que a gente saia pla coleira!

Porque isto acaba mal e há-de haver
(Olá!) sangue e um revólver lá pró fim
Deste desassossego que há em mim
E não há forma de se resolver.

E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida... Ora! um rapaz...
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.

Ah quanta alma viverá, que ande metida
Assim como eu na Linha, e como eu mística!
Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?

[...]


Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.

O absurdo, como uma flor da tal Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro farto de cansar-se.
A minha vida mude-a Deus ou finde-a ...

Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira.

Ah que bom que era ir daqui de caída
Pra cova por um alçapão de estouro!
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.

E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!

Se o que se quer é fé e calma, é porque a calma e a fé estão perdidas, e em seu lugar há “sensações confusas” de um inútil de monóculo e com febre... Tudo isso, afinal, fez-me lembrar, nesta releitura de “Opiário” à luz de sua data de redação e desse navio-Europa a vagar vagarosamente rumo ao desastre, de A montanha mágica.

Thomas Mann apresenta em seu livro uma Europa-montanha que é, ao mesmo tempo, uma Europa-sanatório, onde se discutem febrilmente ideias febris, no famoso debate entre Settembrini e Naphta pela “alma” do “ingênuo” (mais uma vez) Hans Castorp, par geracional do narrador de “Opiário”. Para não me estender aqui sobre esse debate, que ocupa dezenas e dezenas de páginas, cito a síntese “brutal” de Fritz Kaufmann em Thomas Mann: The World As Will And Representation (Nova York, Cooper Square, 1973): “o advogado do progresso e da organização racional da vida humana” versus “o espírito absoluto e sobrenatural” (p. 245). Iluminismo versus niilismo, racionalismo versus espiritualismo, cientificismo versus religiosidade, classicismo versus romantismo, democracia versus individualismo aristocrático. A Europa da modernidade versus a Europa da persistência do Antigo Regime.

3

The persistence of the Old Regime, cujo subtítulo é Europe to the Great War, do historiador norte-americano Arno J. Mayer, subverte a interpetração tradicional da história europeia recente, que seria a crônica da irresistível ascensão da modernidade à custa do definhamento do Antigo Regime. E, como sintetizado pelo subtítulo, pode assim lançar uma luz de clareza surpreendente sobras as causas mais profundas que levaram à Primeira Guerra Mundial. Daí eu introduzi-lo algo repentinamente aqui.
[1]

A catástrofe da primeira metade do século XX, que soma os milhões de mortos da Primeira Guerra Mundial às dezenas de milhões de mortos da Segunda Guerra, não seria simplesmente debitável na conta do capitalismo, da razão instrumental e, em suma, da modernidade, como afirma certa vulgarização do pensamento de Adorno. Ao contrário desse raciocínio simplista e maniqueísta, além de antimodernista, uma análise mais abrangente e complexa indica que a catátrofe deve ser debitada a um enfrentamento catastrófico final entre as forças modernas de mudança e as de persistência do Antigo Regime, de origem medieval.
 
Mesmo depois da Revolução Francesa, o retorno à antiga ordem, determinado pelo Congresso de Viena após a derrota de Napoleão, levaria a uma “Europa legitimista, reacionária e clerical”.[2] É justamente essa Europa que, ao longo do restante do século XIX, tentará ser, apesar disso, e ao lado disso, revolucionária, materialista e deslegitimadora de todas as tradições.

A [Primeira] Grande Guerra foi antes a expressão da decadência e queda da antiga ordem, lutando para prolongar sua vida, que do explosivo crescimento do capitalismo industrial, resolvido a impor sua primazia. Por toda a Europa, a partir de 1917, as pressões de uma guerra prolongada afinal abalaram e romperam os alicerces da velha ordem entricheirada, que havia sido sua incubadora. Mesmo assim, à exceção da Rússia, onde se desmoronou o antigo regime mais obstinado e tradicional, após 1918-1919 as forças da permanência se recobraram o suficiente para agravar a crise geral da Europa, promover o fascismo e contribuir para a retomada da guerra total em 1939.
[3]

Se a barbárie do século XX, iniciada na Primeira Guerra Mundial (que opôs impérios a reinos – e apenas duas repúblicas, a França e os EUA –, com seus exércitos de massa comandados por estamentos aristocráticos), é, na verdade, o resultado das ainda poderosas forças de resistência à modernidade fazendo uso das enormes forças da própria modernidade, como a economia capitalista e a sociedade industrial, a fim de tentar manter-se apesar de tudo no poder, a modernidade não resultou afinal em catástrofe pelo pecado congênito da “arrogância” moderna, mas pelo fracasso em vencer política, social e culturalmente, de modo ainda mais profundo e cabal, as forças e a visão de mundo pré-modernas, portanto, antimodernas, incluindo a Igreja – que apesar de tudo, no início do século XX, ainda eram mais fortes, além de fortemente acuadas por seu enfraquecimento constante, do que a Europa urbana, capitalista e industrial fazia parecer. Ou queria crer. Daí Settembrini ainda ter de disputar com Naphta a “alma” da juventude europeia.
 
Febre! Se isto que tenho não é febre,
Não sei como é que se tem febre e sente.
O fato essencial é que estou doente.
Está corrida, amigos, esta lebre.


Essa “lebre” que já “está corrida” não era afinal outra senão a do destino da Europa. Daí o título deste artigo: o fim da Europa como centro (porque criadora) da civilização ocidental, lugar que ocupou desde que Alexandre da Macedônia destruiu o Império Persa e eliminou a região da Mesopotâmia e do planalto iraniano como centro civilizacional euroasiático concorrente, criando ao mesmo tempo a civilização helênica que seria em seguida incorporada (em todos os sentidos) pelo Império Romano, sucedido pela Cristandade e, esta, pela modernidade iniciada nos séculos XIV e XV e realizada pelas grandes navegações do século XVI, o fim da Europa começou, como se sabe, com a Primeira Guerra Mundial – fruto paradoxal e fratricida do ápice de seu poder econômico, geopolítico, tecnológico, artístico e cultural. E é disto que tratam, conscientemente, A montanha mágica (iniciado em 1912, portanto antes da guerra, mas finalizado apenas em 1924) e, intuitivamente, “Opiário”.



[1] A força da tradição [tradução ruim de A persistência do Antigo Regime], São Paulo, Cia das Letras, 1987, pp. 13-4. Arno Mayer, naturalmente, não está sozinho. Outros historiadores importantes, mesmo quando não adotam diretamente sua tese, chegam a conclusões semelhantes, ainda que de modo menos sistemático. Cf. Jacques Godechot, As revoluções (1770-1799), São Paulo, Pioneira, 1976.
[2] J. B. Duroselle, A Europa de 1815 aos nossos dias, São Paulo, Pioneira, 1985, p. 11.
[3] Mayer, opus cit., p. 14.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Nigel Farage on "wholesale, violent revolution" in Europe


O nazismo-cubano-socialista segue o seu caminho.

A Guestapo, como a KGB, fuzila-los-iam simplesmente. Nos dias de hoje, daria muita raia.

Diputados opositores vuelven a ser agredidos en Parlamento venezolano

Significa que os cubanos perderam as eleições e sabem-no.

Com uma horda de nazis-camisas-negras-guardiões-da-virgindade-da-revolução rastejando por toda a parte, a culpa, será, claro está, do Pinochet que se lhes seguir. Para a esquerda será esse o culpado de tudo.