terça-feira, 6 de agosto de 2013

Aquecimento global e os inventores de realimentação positiva

Via Espectador Interessado:

Dos defensores do "natural"

No Brasil, a reserva índia que retirou trabalho aos índios expulsando a generalidade deles e condenando todos a vegetar dependentes de subsídios estatais. Entretanto, fazendas produtivas e empregadoras desapareceram dando lugar ao nada.

Não consta que os esquerdalhos legisladores sob inspiração do ar-condicionado tenham para lá ido exercitar o modo de vida que defendem.


domingo, 4 de agosto de 2013

Programação na escola

Para além de haver interesse em que crianças aprendam a usar um computador (para tarefas realmente úteis e não como ferramenta de contentamento ou para contorno de esforço mental), interessa que aprendam a fazer alguma programação. É de programadores que nasce o desenvolvimento, seja com ferramentas que produzem código pré-digerido seja escrevendo código de baixo nível.

A indústria está geralmente dependente de sistemas de controlo muito pequenos em que microcontroladores são programados em linguagem de substancial baixo* nível.

*Linguagens de baixo nível não são coisa para tótós.


sábado, 3 de agosto de 2013

Divulgação





Exposição de Pintura de Pedro Olaio (filho)

Abertura: Sábado, 03 de Agosto, às 16h00, na Quinta Outeiro da Luz, Chaque, Branca - Albergaria-a-Velha

Laudator: Professora Doutora Isabel Faria

Momento musical: Fado de Coimbra por Pedro Olayo (filho)


Referências biográficas:

Pedro Olayo nasceu a 2 de Setembro de 1930, em Coimbra, onde sempre viveu. Aprendeu a arte com os mestres José Contente e Edmundo Tavares. Viajou e estudou pela Europa do Sul, sobretudo em Madrid e Paris. Acabou por escolher Itália para a graduação, licenciando-se em Belas Artes, pela Academia Araldica Internacionale Il Marzocco, em Florença.

É, acima de tudo, um espatulista, mas também trabalha a aguarela como poucos. A sua primeira exposição foi em 1951, na saudosa na Galeria de “O Primeiro de Janeiro”, na Rua Ferreira Borges. Esteve na fundação do futuro Círculo de Artes Plásticas. Expôs um pouco por todo o mundo. Está representado em inúmeras colecções.

Está representado nos Museus Machado de Castro (Coimbra), Museu Regional da Guarda, Museu da Marinha, Casa Museu Maria da Fontinha (Castro Daire), Fundação Dionísio Pinheiro (Águeda), Museu Municipal de Santos Rocha (Figueira da Foz), Museu de Arte Moderna e em museus de Copenhaga, Estocolmo, Amesterdão, Barcelona, Madrid, Málaga, Leon, Haia, Londres, Paris, Lyon, Marselha, e Luxemburgo e ainda no Bristol Community College Arts Center de Mass (Estados Unidos da América).

Foi premiado na Exposição de Artes Plásticas na Universidade de Filadélfia, bem como na Venezuela, México, Argentina, Brasil e Japão. Está representado nas colecções particulares da Rainha Isabel II de Inglaterra e de Hassan II, de Marrocos.
É uma honra e um privilégio receber Pedro Olayo (Filho), um dos mais talentosos pintores portugueses ou dos mais consagrados da ambiência ibérica.


Horário da Exposição:


Sábados – das 09h00 às 12h00; Domingos – das 15h00 às 18h00; Quartas – das 18h00 às 20h00; ou por marcação 963994458 / 960389076





domingo, 21 de julho de 2013

Lembram-se daquela velha anedota?




Na África do Sul, antes do fim do apartheid, dois negros são atropelados por um branco. Um deles entra no automóvel pelo pára-brisas; o outro é projectado à distância.
O caso vai a tribunal e o juiz condena ambas as vítimas: a primeira, por invasão de propriedade; a segunda, por fugir do local do crime.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

4 crónicas 4...


(imagem obtida aqui)





Crise e castigo

Na quarta-feira, mal Cavaco Silva terminou a comunicação ao País, as televisões encheram-se de especialistas empenhados em interpretar a mensagem presidencial e explicá-la aos simples. Naturalmente, cada um apresentou uma interpretação distinta, conforme à respectiva filiação ideológica e à opinião que tem do actual Presidente da República. Houve quem acusasse o prof. Cavaco de interferir excessivamente no quadro político e quem o acusasse de fugir das responsabilidades. Houve quem acusasse o prof. Cavaco de evitar eleições antecipadas e quem o acusasse de promover eleições antecipadas. Houve quem acusasse o prof. Cavaco de rigor constitucionalista e quem o acusasse de ignorar a Constituição. Houve quem acusasse o prof. Cavaco de salvar um Governo inviável e quem o acusasse de sabotar um Governo viável. Houve quem acusasse o prof. Cavaco de servir os interesses da troika e quem o acusasse de desprezar a reacção dos mercados. Houve quem acusasse o prof. Cavaco de não saber escolher uma gravata que combine com o fato e quem o acusasse de não saber escolher um fato que combine com a gravata (esta última é inventada, embora por pouco). E os escassos especialistas que gostam do prof. Cavaco aplaudiram-no por quase todas as posições acima descritas. Obviamente, o cidadão comum não percebeu nada. Desconfio que os especialistas também não.

A verdade é que, à semelhança dos alienígenas que de longe a longe visitam o planeta, o prof. Cavaco cometeu a proeza de deixar inúmeras mensagens talvez indecifráveis. Com a desvantagem de que, ao contrário dos alienígenas, o prof. Cavaco em princípio não é fruto da nossa imaginação. Do que disse, ficou por exemplo clara a exigência de um acordo entre os três partidos não comunistas, mas a clareza murcha quando o PR não explicita se o acordo exigido é de natureza parlamentar ou implica a partilha do mando a três, e a clareza foge em debandada quando o PR defende a manutenção do acordo depois das eleições antecipadas para 2014, o que no fundo tornaria estas irrelevantes.

A propósito, eis um tema em que o prof. Cavaco mostrou inabalável firmeza: não haverá eleições em 2013. Repito, a fim de dissipar as dúvidas: não haverá eleições em 2013. Só mais uma vez: não haverá eleições em 2013. Excepto, lá está, se as eleições constituírem uma das "outras soluções no quadro do nosso sistema jurídico-constitucional" com que o PR ameaça caso o misterioso acordo partidário não se confirme - desfecho que, aliás, o PR suspeitará ser provável.

É, porém, nítida a forma como o prof. Cavaco avaliou o Governo - "na plenitude das suas funções" -, afirmando sem espaço para hesitações que as decisões do dr. Passos Coelho dispõem de total legitimidade, a menos, note-se, que o dr. Passos Coelho teime em transferir competências para o dr. Portas, que não obtenha o tal acordo com o PS e que não aceite a supervisão do acordo por parte de uma misteriosa "personalidade de reconhecido prestígio", a qual decerto chegará montada a cavalo. Ou seja, o Governo existe desde que abdique de existir. Parece-me justo.

Agora a sério. Cansado da liderança de garotos que brincam aos países e da oposição de lunáticos que juram preferir a riqueza à austeridade na presunção de que há escolha, julgo que o prof. Cavaco decidiu alinhar no pandemónio e, mediante represálias, aumentá-lo. Mas se os castigos ao dr. Passos Coelho, ao dr. Portas e ao dr. Seguro são inteiramente merecidos, castigar Portugal em peso é possivelmente um exagero


Patriota aos 43 anos

Foi com alegria e orgulho que li as notícias sobre a queima de bandeiras portuguesas na Bolívia. A alegria deve-se ao facto de a bandeira não ser das mais bonitas da Terra (a par das do Benin, da Etiópia, do Burkina Faso e, olha a coincidência, da Bolívia) e a Constituição proibir que seja maltratada de alguma forma, esquecendo-se de que os autores de semelhante combinação cromática é que cometeram um atentado estético. O orgulho deve-se ao facto de - ainda que com dificuldade - alguém ter reparado em nós. Recordemos os pormenores da história.

A 2 de Julho, o avião em que seguia o Presidente boliviano viu-se impedido de sobrevoar e de aterrar no espaço aéreo francês, italiano, espanhol e português, na suspeita de que transportava, recolhido em Moscovo, Edward Snowden, o antigo agente da CIA que os Estados Unidos hoje perseguem. Ao que consta, o avião correu riscos de se despenhar por falta de combustível e a afronta a Evo Morales correu a indignar as ruas do país que este chefia.

Nos dias seguintes, os "telejornais" mostraram imagens dos indígenas a insultar repetidamente a França, a Itália e a Espanha, e a injustiça doeu. Portugal, que dedicou ao sr. Morales o exacto tratamento dedicado pelos seus vizinhos europeus, não suscitou uma declaração de guerra ou sequer um insulto gratuito por parte daquele povo em fúria. Era como se não existíssemos, e as nossas acções, bem ou mal intencionadas, não possuíssem consequências. Contemplei o espectáculo deprimido e, pelo vistos, sozinho na depressão. Ainda pensei ter companhia quando o PCP pediu explicações acerca do caso ao ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas não: naturalmente, o PCP estava preocupado com a atenção dada por Portugal aos EUA, não com o desprezo a que o mundo inteiro vota Portugal. A tristeza arrastou-se.

Até que, uma semana depois dos acontecimentos e sem que os mais optimistas o pudessem prever, uma visão encantada irrompeu nos noticiários: a bandeira nacional começou a arder nas ruas bolivianas e o nosso país passou a integrar os alvos explícitos do ódio local. Talvez aguardassem que uma fábrica de têxteis estampasse o tecido, talvez o MNE mexesse cordelinhos diplomáticos. A verdade é que me comovi, e não chorei por pouco. Afinal, existimos. Afinal, não somos menos do que os outros. Não ligo a desporto, e por isso, a bandeira a subir no mastro não me disse nada quando dos feitos olímpicos de Carlos Lopes, Fernanda Ribeiro e Rosa Mota. Já a bandeira em chamas à sombra dos Andes representou uma epifania patriótica que não esperava. Obrigado, dr. Portas. Obrigado, sr. Morales. Obrigado, pirómanos anónimos de La Paz.


Cortes

A barafunda política distraiu os portugueses de um drama de proporções arrepiantes. Falo, como deveria ser escusado dizer, da luta dos funcionários da Carris contra o capitalismo selvagem e a favor do corte de cabelo à borla. Passo a explicar.
A Carris, muito naturalmente e com base na cláusula 69.ª do contrato colectivo de trabalho, disponibiliza uma rede de barbearias que presta serviços gratuitos aos seus funcionários, activos ou reformados. Infelizmente, essa conquista histórica do operariado está em perigo dado que, pelo menos segundo o testemunho do PCP, a empresa fechou ou tenciona fechar as barbearias em causa, vergonha que levou o grupo parlamentar daquele partido a rabiscar um requerimento justamente indignado. Por seu lado, o Ministério da Economia garante que as barbearias se encontram operacionais e prontas a aparar a mais densa guedelha. Entretanto, e na aparente impossibilidade de se verificar se as barbearias existem ou não, os sindicatos da Carris propõem um compromisso: a administração desiste de garantir os cuidados capilares e começa a pagar 12 euros mensais a cada funcionário para que este trate do penteado onde entender. A concretizar-se, os carecas sairão beneficiados do arranjinho. Mas o arranjinho abre portas a inomináveis atentados aos direitos adquiridos.

Hoje, corta-se no cabelo, perdão, no barbeiro. E amanhã? Não estará para breve o momento em que a sanha do lucro e o desprezo pelo ser humano imponham aos assalariados dos transportes públicos o corte nas manicuras, nas esteticistas e nos profissionais de aromaterapia? Alguém acredita que um curso de reiki custa meros 12 euros? Por este andar, ainda veremos maquinistas da CP a financiar as próprias aulas de ioga e fiscais da Metro do Porto a contrair dívidas à banca de modo a frequentar as ancestrais sessões de depilação. Enquanto não compreendermos que o esboroar do Estado social não é apenas uma questão económica mas também moral, não vamos lá. O povo está pelos cabelos, para cúmulo desgrenhados.


A disfunção pública

Um pequenino bando de sindicalistas da função pública com imenso tempo livre entrou nas galerias da Assembleia da República e desatou aos berros. A presidente da AR mandou remover o bando, sugeriu a hipótese de impedir à partida badernas futuras e citou Simone de Beauvoir: "Não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes." Alguém descobriu que, na origem, a frase se aplicava aos nazis e a fúria contra Assunção Esteves começou a animar as donzelas do costume. Curiosamente, ninguém se zangou com a senhora pelo péssimo gosto na escolha dos autores. Mas a curiosidade maior é o facto de uma gente que acusa de nazismo todos os que defendem regimes livres, por oposição aos totalitarismos da sua preferência, se escandalizar quando alguém retribui o piropo, provavelmente exagerado, comparativamente adequado.

domingo, 14 de julho de 2013

Nazismo fresco

O Estalinismo continua vivo e há quem o recomende. Hoje os capitalistas, amanhã a classe alta, depois a média, finalmente os que "são irrecuperáveis fac e à revolução", no espiral de morte que sempre caracterizou todos os regimes marxistas. Depois venham dizer que O PCP não é um partido nazi.

A corja que despreza a constituição que se ponha a pau. É que, se o meu direito à saúde, educação, pensão, trabalho, habitação, não valem nada, então, também os seus direitos à propriedade provada, aos lucro, à integridade física e moral deixam de ter valor. E nós somos mais que eles.

Miguel Tiago, deputado do PCP.

http://oinsurgente.org/2013/07/14/a-extrema-esquerda-tal-como-ela-e/

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Da "primavera" do Brasil

No Brasil, mais uma "primavera". Também lá há especialistas em determinar quando os outros podem trabalhar ou não.

"O balanço do dia de hoje é terrível para aqueles que são amantes da liberdade e da ordem. Rodovias interditadas, transportes coletivos paralisados,vias urbanas tomadas pelas multidões vociferantes. São tempos pré-revolucionários."

(http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/07/11/protestos-bloqueiam-rodovias-pelo-brasil.htm)



Divulgação




Exposição de Pintura “Princesas e Desconcertos” de Lina Nóbrega

Abertura: Sábado, 13 de Julho, às 16h00 na Quinta Outeiro da Luz, Chaque, Branca - Albergaria-a-Velha

Laudator: Nuno Mendonça, editor de vídeo e profissional de Artes Visuais

Música: Patrick Ganster, guitarra acústica e canto (Pop Acústico)

A entrada é gratuita


A “Arcádia – Arte e Cultura em Diálogo”, associação sem fins lucrativos, direcionada para o fomento e desenvolvimento da arte e da cultura em todas as suas vertentes, vem solicitar a Vossa colaboração no sentido da divulgação do evento “Princesas e Desconcertos” da pintora Lina Nóbrega, licenciada em estudos artísticos, a decorrer na galeria Arcádia, a 13 de Julho de 2013 às 16h00, na Quinta Outeiro da Luz, Rua Pe. Artur Pires Conceição 11, Chaque, Branca, ALB. (vila no IC2 entre Oliveira de Azeméis e Albergaria-a-Velha).

Biografia da pintora:

Lina Nóbrega, natural de Portalegre, licenciada em Estudos Artísticos pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, começou o seu percurso artístico pelo Teatro amador e mais tarde pelo Teatro profissional.

Despertou o gosto pela pintura desde muito cedo, inspirada pela pintura naïf que o seu pai praticava.

Encorajada pela aceitação que teve com a sua primeira colecção " Animal Collection", pôs mãos à obra e em 2013 apresenta pela primeira vez os seus trabalhos pertencentes a este mundo de "Princesas e Desconcertos" que originou o título desta exposição na Galeria Arcádia, Quinta Outeiro da Luz com o apoio da Associação Arcádia.

A Exposição encontra-se aberta ao público de 13 de Julho a 1 de Agosto.

Abertura ao público de 14/7 -1.08.2014; Sáb. 9 às 12 h, Dom. 15-18h, Quartas 18-20h, ou após acordo telefónico: 963994458.


  Pela Direcção da ARCÁDIA - Associação de Arte e Cultura em Diálogo

António da Cunha Duarte Justo




www.arcadia-portugal.com

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O cair da burka... deles





Egito - Irmandade Muçulmana apela à revolta 

(dos jornais)


   Os islamitas, que a princípio de forma "branda" e insidiosa tentaram antidemocraticamente instaurar uma ditadura Corânica com o pretexto de terem um presidente eleito, mostram agora a sua verdadeira face: fanatismo, totalitarismo, agressividade que vai até ao terrorismo, violência contra as mulheres e os que não perfilharem os seus absurdos credos obscurantistas e medievais.







  A exemplo de Hitler, buscam subverter a Democracia com o que a democracia lhes facultou.








  Fascistas, conforme a designação de Umberto Eco, a má-fé é o seu credo real.









   Façamos-lhes frente, sem temor e com coragem!




Gustave Courbet, A origem do mundo


sábado, 6 de julho de 2013

Tem pai que é cego!




A propósito deste certeiro textículo do Rio d'Oiro, vejamos o que corre hoje pela habitual informação:

- Paulo Portas manter-se-á no governo, como vice e coordenador das decisões económicas:
- Álvaro Santos Pereira sairá, sendo substituído pelo meio-amigo de Portas, Pires de Lima, que poderá dividir algumas dessas decisões com o ex-demissionário ministro dos Negócios Estrangeiros;
- Será criado o ministério do Ambiente;
- A Energia, actualmente do âmbito da Economia, virá provavelmente a ser integrada no novo ministério.

Recorde-se ainda que Seguro (naturalmente) e Portas (...) foram convidados da reunião que o grupo Bilderberg fez em Londres, no mês passado.

Divirtam-se.

"A manifesta parvoíce"





A propósito das centenas de pessoas que obedeceram, perdão!, responderam à convocatória da CGTP e se encontravam, há pouco, em frente ao Palácio de Belém, reproduzo aqui esta crónica de Alberto Gonçalves, publicada no DN do passado domingo:


No entendimento dos sindicatos, cada greve geral é sempre a maior de sempre, o que se por um lado significa que as anteriores eram comparativamente pelintras, por outro pretende significar que a capacidade de mobilização da CGTP nunca esteve tão viçosa. A greve de quinta-feira parece ter sido a excepção: já antes Arménio Carlos previa apenas "uma grande adesão"; depois, confessou que não passara de "uma grande greve", enquanto recusava mencionar números e implicitamente admitia o fracasso. Mesmo nas fantasias que os amigos do sr. Arménio costumam elaborar, é certo que esta não foi a maior greve de sempre. Em compensação, as manifestações com que se entretêm os grevistas foram sem dúvida das mais ridículas.

Após o pífio ajuntamento promovido pela central sindical à porta da Assembleia da República, susceptível de envergonhar qualquer animador de massas grego ou brasileiro, duzentas e vinte e seis insatisfeitas alminhas, algumas menores de idade, decidiram apimentar o protesto. Vai daí, rumaram às Amoreiras e, em sinal de desafio aos senhores da troika, tentaram interromper o acesso à Ponte 25 de Abril. Dado ser altamente improvável que o sr. Selassie circulasse por Alcântara àquela hora, os prejudicados com a proeza resumiam-se aos desgraçados que, por falta de consciência de classe ou excesso de sensatez, ocuparam o dia a trabalhar e regressavam a casa à tardinha. Não constituiu, portanto, surpresa que a polícia recordasse aos intrépidos activistas o facto de ainda habitarmos um arremedo de Estado de direito e detivesse o bando para identificação. Naturalmente, a polícia errou.

Errou porque acreditou tratar-se de um conjunto de criminosos inflexíveis. No máximo, tratava-se do popular agrupamento Precários Inflexíveis. No mínimo, tratava-se de criminosos mariquinhas, que mal se viram rodeados pela autoridade desataram a pedir água e idas ao WC. Valeu a brevidade da detenção, ou os valentes acabariam a exigir limonada, bolachinhas e a visita dos papás.


Valha-me Deus: são estes os nossos indignados? Quem, em democracia, se dispõe prejudicar terceiros deve aceitar que os terceiros, ou os seus representantes, no caso a polícia, também os prejudique. Por outras palavras, quem se prepara para dar tem de estar preparado para levar. Com dignidade e sem lamúrias. Já é embaraçoso ver os insurgentes que, no Brasil, lançam cocktails Molotov num instante para no instante seguinte gritarem "Ai, meu Deus" sob o bastão das forças ao serviço da amável comunista Dilma Nãoseiquantos. Porém, roça o surrealismo que os insurgentes caseiros corram a queixar-se aos media da brutalidade policial quando a brutalidade em causa consistiu na falta de um serviço de catering e sanitários. Parecem, e se calhar eram, crianças, donde um conselho: cresçam e apareçam. Ou, de preferência, desapareçam.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Nivaldo Cordeiro: Lições das ruas efervescentes


"A partir do artigo de Fernando Gabeira (http://www.estadao.com.br/noticias/im...) e do editorial de hoje do Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/im...), eu faço algumas reflexões sobre o momento político atual, com as manifestações de massa nas ruas."