sexta-feira, 7 de junho de 2013

Uma boa surpresa





   Ontem só adormeci lá pelas duas e picos da manhã.

  Por causa da febre dos fenos, por enfado de, num rasgo de tolice, ter ouvido num noticiário um salvador do povo bolsar as suas habituais inanidades que tanto nos têm atormentado?

  Nem por sombras.

  Acontece que uma hora antes captara no transístor o pivot a anunciar o programa que iria ser emitido: "Vozes da lusofonia", de Edgar Canelas. Bom, pensei eu com os meus botões do pijama, não fará talvez mal dar-me a ouvir uns minutinhos da emissão...

  Em boa, ainda que tardia, hora o fiz. Porque durante essa hora absolutamente ganha estive a ouvir, entre o encantamento e a surpresa, um cantor angolano de excepção. Acompanhado pela Orquestra Sinfónica de Londres, numa iniciativa do produtor Derek Nakamoto - que o ouvira fortuitamente e, de imediato, suscitado pela qualidade singular do artista, lhe propusera o ensejo - Waldemar Bastos apresentou trechos do seu recente trabalho (que já foi considerado internacionalmente um dos melhores discos do ano) Classics of my soul e, ainda por cima, teceu justíssimas considerações sobre a música, a arte de cantar, o seu percurso pessoal no mundo dos concertos, etc.

  Como se sabe (se sente) Portugal tem estado a atravessar uma das fases de maior mediocridade no capítulo radiofónico. Os programas são duma frouxidão, dum primarismo e duma auto-complacência que nos deixa siderados. Tudo se vai escoando p'las vias da bola, da música pimba ou desenxabida (ora pedante ora daquele romantismo lamecha) e da graçola ou alfacinhista ou matarruana, num cacharolete que, comparado com a rádio espanhola, nos desconsola, nos indigna e nos envergonha. E, como os radialistas são todos competentíssimos, depreende-se que é pecha, talvez, de epidemia societária...

 Daí que aquela hora, acompanhado pela conversa inteligente do entrevistador/realizador e pela voz poderosa do cantor, a tenha dado como muito bem empregue, como refrigério merecido e bem fruído de ouvinte que tem andado frequentemente "a apanhar bonés".

 No fim foi dito que em breve Waldemar Bastos, acompanhado pela Sinfónica da Gulbenkian, dará um concerto em Lisboa. Creio que fará sentido - e, com vossa licença, aqui fica o alvitre - ir-se ouvir este cantor angolano integrado na lusofonia.

 Não perderemos, creio, de forma alguma o nosso tempo.

 O abrqs de fim de semana


 Post-Scriptum - E, sem comentários (que me parecem desnecessários em função da excelência dos poemas que vos transcrevo no anexo) aqui vos entrego hoje o bloco referente a António Luís Moita, poeta excelso e alentejano pelo coração e pelas vivências.



ANTÓNIO LUÍS MOITA: Quatro poemas alquímicos
 seguidos de um OUTRO doado à memória




   Os poemas que a seguir se dão a lume pertencem ao livro Cidade sem Tempo, editado pelo A. e distribuído pela ULMEIRO.

   Executado em 1985 nas oficinas gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. dele foram tirados 800 exemplares, dos quais 100 numerados e assinados por ALM.

  Capa a partir de uma pintura de Alves Martins, arranjo gráfico de Fernando das Neves.

                           



    O livro está dividido em três capítulos - Do Amor; Da Morte; Das pequenas coisas - constituindo 133 páginas de texto.

   ALM ofereceu-me um exemplar no dia 24 de Março de 1990, antes do jantar com que honrávamos os convidados do programa semanal “Mapa de viagens” por mim realizado e emitido pela Rádio Portalegre das 22 às 24 horas de sábado.

   Na ocasião li, entre outros da autoria de Cristóvam Pavia, dois poemas dos que aqui se apresentam: “Reencontro: 13/10/68” e “Adepto”.

   Os poemas alquímicos, além das suas leituras e meditações próprias, reflectem o contacto do A. com Abel Teixeira, “irmão do orvalho” e seu amigo.
                                                                                                                  



                        





ADEPTO

Nunca morro da morte verdadeira
de que morrem os homens mais comuns .
Perseguido, renasço, intemporal,
sem ter morada certa nem fronteira.

De Júpiter sou filho – e do mistério.
Alberto ou Paracelso – quem me fez
sabe que nenhum túmulo me guarda
e que do amor perpétuo me acrescento.

Contudo, o Tempo dói-me. E, se não caibo
na pedra, a fonte humana me dá luz
(bebi demais no pó sanguinolento,
residual, da obra inteira, a vida).

Cumprido o ouro, louvo simplesmente,
com ele, o Pai.  Olvido-me de mim.
Nome não tenho. Nem sossêgo. Ardo.
Feiticeiro não sou, mas aprendiz.



ARIANA
                                       Ao Abel Teixeira
                        
Do pouco ou nada feito não revelo
qual o passo que dei ou que vou dar.
Do enxofre e mercúrio digo apenas
que se mordem, que mútuos se contêm,
que todo o sal é lágrima de Maio.

Poderei dizer mais: que o fogo é lento
e húmida é a via. A seca, não.
(Nunca o rápido amor me dá contento.
Nem há cultura fácil, fácil vento.
Qualquer trigo veloz sabe a traição).

Digo ainda, da via, que são sete
 as águas deste denso e longo mar.
Ao terceiro degrau já se promete
o peixe que prateia, a crepitar.
São porém as sereias. Não cardume.
O verdadeiro peixe – que é de lume –
a seu tempo virá, mas devagar.

Primeiro, há-de toldar-se em nevoeiro
o velo, vinte vezes (só morrendo
vinte vezes terríveis se renasce).
Entretanto, uma aberta: o arco-íris.
Depois, de novo, a noite, a fermentar-se.

Haverá, de manhã, menos indício
na espuma da maré, no barco estreito,
do que nos olhos puros de quem vê,
ou antes, adivinha.

- Tu,  que me segues, crê:
No ovo luz a vinha!



FULCANELLI

Ao microscópio, gotas de cristal.
Á vista desarmada, pó vermelho.
Uma pitada leve, como o sal,
um fervilhar – e eis prata o que era estanho.

Só que da mão depende o bem que tenho,
o gesto firme, próprio, sem o qual
teria tudo apenas o tamanho
que tem, antes da luz, a catedral.

Assoprador? Adepto? Não sei bem…
Sei que todo me dou, que nada espero,
que por amor somente transmutei
na semente mais viva o vil minério.

Prata quis. Prata fiz. Ouro farei
mordendo as águas turvas do mistério.



MANSÃO FILOSOFAL

Erguem-se os dedos. Crispam-se no todo.
Mas algo falta para o todo ser.
Algo que mora num dedal de fogo,
nessa palavra que não sei dizer

mas salta certa, célere, no sopro
irreprimível que de Urano vem
dar de repente vida nova ao corpo,
ceder razão ao que razão não tem.

É o dédalo negro, o labirinto,
a chave justa para libertar
no firmamento a névoa do que sinto.

Mas é também oráculo. O olhar.
O ver, sem fim, distinto, o indistinto
no desfazer da pedra tumular.


Nicolau Saião, Homenagem a Fulcanelli, técnica mista sobre cartão (80 x 140 cm)
              


Reencontro: 13/10/68
                                               À memória de CRISTÓVAM PAVIA
                                                 e de seu Pai
                                                 FRANCISCO BUGALHO
                                                 - meus amigos.


Quando o comboio surgiu
na curva do caminho
teu pai estava perto. E disse:

Não queria, meu filho, que viesses
tão cedo.
Tenho, porém, aparelhada e pronta
(oh, desde sempre!) a égua.
E, sem coleira, o velho cão te aguarda,
fiel e meigo como um sol de Outono.

Meu colo tens também à tua espera
e a força do meu braço, do tamanho
da noite e do silêncio da tapada.

A força do meu braço quis descê-la
a tempo, sobre ti, descê-la quando
imaginaste um rosto na paisagem
- rosto que, distraído, se desfez
num prado alheio ao teu.

Quis, sobre ti, descer esse meu braço
de força já não minha forte ainda.
Mas era tarde para projectar-te
em ruas mais propícias.

Quis dá-lo a tua mãe (como tu, só)
mas já não foi possível.

Quis entregá-lo a dois ou três amigos,
mas tinham compromissos
pessoais.

Mesmo assim não queria que viesses
tão cedo.
Muita coisa podia acontecer
(muita coisa acontece)
como um súbito barco, uma palavra
- glicínia, madrugada, madressilva –
para teu recomeço
e minha espera
maior.

Aguardo-te, porém.
E, comigo, o teu cão, a égua alada,
a inocente infância dessa fonte
fresquíssima, da quinta, onde bebemos
a água
única.

Regressa, inteiro, à terra iluminada,
nu de mitos, de pétalas, de pranto
e das outras humanas falsidades
(como dizias)
do mundo.

Entrega-te e regressa.
Transparente.

No fundo, desde o fundo, pelo fundo
esmaga-te em meu peito!

                               

João Garção, Pintura (lápis bougard e guache sobre cartão, 40 x 65 cm)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

E vão dois! Para que não haja dúvidas sobre todos os possíveis desenvolvimentos.





Autoridades de Moscovo descobriram uma autêntica cidade clandestina, com casino, cinema e local de culto, montada num antigo 'bunker'.

A polícia russa descobriu ontem que um antigo bunker subterrâneo estava a ser usado como uma minicidade onde viviam e trabalhavam imigrantes ilegais, segundo revela o jornal "The Moscow Times".

A BBC relata que os imigrantes produziam lâminas e agulhas para máquinas de costura. Porém, o jornal russo diz que no espaço sem luz do dia também eram fabricadas roupas.

O antigo bunker funcionava como uma pequena cidade e abrigava mais de 200 imigrantes clandestinos. O espaço abrangia um total de 200 hectares (cerca de 200 campos de futebol...), tinha quartos, espaço para restauração, um café turco com churrasqueira, cinema e até um casino de poker.

Os seus habitantes, maioritariamente de origem asiática, viviam como se estivessem numa cidade normal, mas sem sol. A estação de televisão britânica diz que o sítio tinha, inclusive, um local para o culto islâmico.

As autoridades russas suspeitam que os imigrantes ilegais nunca vinham à superfície e sobreviviam com mantimentos levados pelos grupos que os mantinham escondidos e isolados no subsolo.

bunker foi construído num terreno onde antigamente funcionava um mercado, entretanto fechado em 2009.

Já em 2011 as autoridades russas tinham desmantelado outro bunker idêntico, usado para o mesmo efeito. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Senilidade? Cegueira? Ou...?




O que pode justificar o que se segue, quando 80% dos franceses se declara ansiosa por ver Hollande pelas costas e Sarkozy, aproveitando a maré, parece preparar o regresso?

Soares tem esperança em Hollande nesta crise económica

O antigo Presidente da República Mário Soares manifestou hoje esperança no papel do chefe de Estado francês, François Hollande, no atual "momento de crise económica".

Após a entrega a Hollande do prémio Félix Houphouet-Boigny, na sede da UNESCO, em Paris, Mário Soares, manifestou o seu "sentimento de profunda satisfação" pela escolha do Presidente francês.

Mário Soares agradeceu ainda à diretora-geral da UNESCO pelo apoio que dá ao prémio que reconhece as intervenções que contribuem para a paz e estabilidade, que no caso da intervenção francesa no Mali "evitou a destabilização deste país".

O antigo Presidente da República português é presidente e membro do júri deste prémio que a UNESCO atribui anualmente a uma personalidade internacional.

Em discurso, a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, destacou a mobilização pessoal de François Hollande que promove a solidariedade entre os Estados.

Dioncounda Traoré, presidente do Mali, agradeceu a Hollande e a uma França de liberdade igualdade e fraternidade a intervenção no Mali.

Durante a cerimónia discursaram vários chefes de Estado africanos, a diretora-geral da UNESCO, Mário Soares e François Hollande.

Este prémio da UNESCO já foi atribuído a vários antigos chefes de Estado, casos de Lula da Silva (Brasil), Xanana Gusmão (Timor-Leste) e Nelson Mandela (África do Sul).


O presidente da República francês, François Hollande, recebeu o prémio Félix Houphouet-Boigny a título pessoal pela sua visão humanista de relações internacionais que contribui para a paz e estabilidade em África.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Agostinho da Silva e o capitalismo e por aí fora

Alberto Gonçalves continua imparável...




... como por aqui se pode ver:


Serões da província

Com o pretexto explícito de libertar Portugal da austeridade e o pretexto implícito de demitir o Governo, Mário Soares reuniu na Aula Magna o tipo de gente que hoje consegue reunir: socialistas do calibre de Ferro Rodrigues, comunistas do PCP e do Bloco, o redimido poeta Manuel Alegre e, através de mensagem escrita, Pacheco Pereira a título de pechisbeque dissidente.


Deve ter sido um espectáculo gracioso. O dr. Soares recuperou a tese do regicídio e, dando voz a um eleitorado que não lhe liga nenhuma, ameaçou Cavaco Silva com a violência popular caso não enxote depressa o dr. Passos Coelho. As menções ao presidente da República suscitaram gritos de "Palhaço!" na audiência. Uma senhora do Bloco declarou-se pronta para integrar a "convergência de esquerda" mal esta comece a mandar. Um deputado do PCP exigiu a devolução do que foi roubado. Cantou-se em coro a Grândola, vila morena. Queriam mais?


Queriam, com certeza. Um académico, por exemplo. A intervenção que emocionou a noite coube ao reitor da Universidade de Lisboa, um tal Sampaio da Nóvoa. O dr. Nóvoa parece carenciado em matéria de ligações à realidade, mas pródigo em lirismo. Sempre sob intensos aplausos, explicou que "Agora é preciso construir caminhos". E que "Um encontro [das esquerdas] pode decidir uma vida". E que "Não podemos perder a Pátria nem por silêncio nem por renúncia". E que "Abril abriu-nos à vida". E que "Sentimos este desespero de quem está a morrer na praia às mãos de visões curtas, estreitas e desumanas". E que "Podemos falar, podemos conversar e agir em conjunto". E que "É preciso renovar a política".


Convém notar que a reitoria da UL continua a primar pela excelência intelectual: a verborreia do dr. Nóvoa mantém os níveis estabelecidos por José Barata Moura, autor de Joana, come a papa. Convém notar ainda que a única esquerda assumida capaz de chegar ao poder esquivou-se, horrorizada, à demonstração de arrogância antidemocrática levada a cabo pelos diletantes da Aula Magna: até António José Seguro percebe que, a existir um dia, a sua legitimação nunca advirá da vontade de uma clique privilegiada e caduca que brinca, felizmente sem consequências, a decidir quem manda à revelia dos cidadãos. Não sei se António José Seguro percebe que, pelas comparações que suscitam, brincadeiras assim constituem uma rara justificação para a sobrevivência de um Governo em frangalhos.


À mesma hora, não muito longe do encontro salva-vidas, a direcção do Benfica jantava no Estádio da Luz com um grupo de deputados benfiquistas, lóbi que presumo informal. Os nossos políticos oscilam entre a ancestral promiscuidade com o futebol e uma intermitente promiscuidade com a demência.




Direito ao trabalho, dever do ócio

É escusado lembrar a história, não é? Numa edição recente do Prós e Contras, uma alegada professora universitária interrompeu o proprietário de 16 anos de um alegado sucesso comercial no sector dos têxteis para o interrogar sobre as condições dos trabalhadores chineses que fabricam as roupas que o rapaz, Martim Neves, vende. O rapaz esclareceu que as roupas são feitas em Portugal. A alegada professora saltou para o ataque à pequenez do nosso salário mínimo. O rapaz opinou que o salário mínimo é preferível ao desemprego. A alegada professora calou-se. Nos dias seguintes, os amigos e camaradas da alegada professora não se calaram.

Nas profundezas da internet, ociosos diversos recorreram a extraordinários argumentos para concluir que o negócio em causa é repugnante. Um dos argumentos, digamos, é o de que Martim Neves é, ou parece ser, um "menino da Linha" (do Estoril, presumo, e não da cocaína), logo um filho de privilegiados que beneficiou de ajuda paterna para realizar os seus sonhos empresariais. Não importa se isto é ou não verdade. Importa que para a esquerda a descendência da classe média ou média-alta está impedida à partida de trabalhar, excepto, claro, se se considerar trabalho ensinar insanidades na universidade, promover acções de protesto e verter ódio às próprias origens no Facebook ou em programas televisivos. Por motivos óbvios, a descendência das classes baixas também é desaconselhada a meter-se em trabalhos.

Trata-se da velha questão da igualdade de oportunidades: enquanto não existir em absoluto, ninguém deve mexer uma palha, uns porque estariam a aproveitar-se de vantagens injustas, os outros porque estariam a submeter-se ao jugo capitalista. Num sistema devotado às mais-valias, mais vale estar quieto. Para os militantes anti-Martim, o desemprego, sobretudo quando não os afecta directamente, é de facto preferível ao salário mínimo. E ao salário médio, que por cá é inegavelmente pequenino. E ao salário elevado, que como se sabe é típico de exploradores e - venha de lá a fatal palavra - "fascistas". O ideal é salário nenhum, já que além de evitar discriminações de berço alimenta a insatisfação popular necessária às revoluções e, consumadas estas, inaugura a sociedade perfeita. Isto na perspectiva do hospício.

No mundo real, os inúmeros defeitos do capitalismo são inegavelmente melhores para as pessoas do que as virtudes do igualitarismo. No primeiro caso, muitos arriscam a pobreza. No segundo, quase todos garantem a miséria - salvo pela nomenclatura de esclarecidos empenhada em provar que a fome sob os regimes comunistas constitui um triunfo moral sobre as dificuldades em pagar o Visa. Que, no Portugal de 2013, semelhante evidência ainda passe por polémica não abona em favor da "esperança" que as boas consciências gostam de convocar: a cegueira dedicada ao passado não é alheia ao presente nebuloso que temos e ao futuro radioso que não teremos. Pobre, mesmo que rico, Martim Neves.



Com os azeites

Somos um país atrasado? Depende: há assuntos fulcrais nos quais estamos adiantadíssimos. A co-adopção por casais do mesmo sexo e os galheteiros, por exemplo. No último caso, a Comissão Europeia propôs recentemente a obrigatoriedade do uso de embalagens invioláveis de azeite nos restaurantes de todos os Estados membros. Logo de seguida, ouviu os resmungos destes e retirou discretamente a proposta. Portugal, que desde 2006 iniciou esse indispensável passo rumo à modernidade, continua portanto a ser um dos raros lugares do continente onde a selvajaria do azeite despejado em garrafinhas abertas não tem hipóteses.

Segundo o Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, que ninguém percebia bem para que serve e afinal serve para coisas assim, o progressismo indígena na matéria não cederá às hesitações de Bruxelas. Galheteiros? Não, obrigado, mandamento que em vez de protestos suscitou, como é natural por cá, a apatia das massas e os aplausos da Confederação dos Agricultores de Portugal e de uma Casa do Azeite. O argumento, ao contrário do que se poderia pensar, não é o da protecção do lucro, mas o da protecção do consumidor.

Curioso. Seria de esperar que em largos séculos de provas a população de uma das principais nações produtoras de (óptimo) azeite já fosse capaz de distinguir entre uma maravilha de Mirandela e uma mistela adulterada. Pelos vistos, não é capaz, as mistelas abundam, as vítimas das mistelas acumulam-se nas urgências hospitalares e, durante a vigência da lei, a ASAE multou 69 estabelecimentos que ousaram servir o tempero nos bárbaros galheteiros. Enquanto aguarda que o cabrito chegue por esventrar à mesa, o povo, indefeso e cândido, agradece. É costume: sempre que os tratam como retardados, os portugueses fazem vénias. E uma linda figura.


Aprender com o Outro


Enquanto o parlamento nigeriano aprova a criminalização da homossexualidade, um escritor egípcio lançou uma campanha no Twitter para convencer as mulheres a deixarem os empregos em lojas e locais públicos que uma lei recente lhes concedeu. O sr. Al-Dawood, segundo a imprensa autor de livros de autoajuda, está preocupado com o assédio sexual que as senhoras sofrerão no trabalho, pelo que incentiva o povo a molestá-las de uma vez. É o velho método de dar um tiro na cabeça para evitar sofrer de pneumonia anos depois. Infelizmente, o Ocidente fechou-se numa redoma materialista e descura o enriquecimento espiritual que sopra do islão. Felizmente, o islão preocupa-se com o Ocidente e, com crescente regularidade, procura também autoajudar-nos.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

A BELEZA INSOFISMÁVEL DA MODERNIDADE

 
 
 
 


Enquanto nos demais países do Oriente Médio, pelo "inverno islâmico" ter sucedido a "primavera árabe", as mulheres se cobrem cada vez mais (e não por uma questão de temperatura), em Israel, elas se cobrem quanto querem. E se descobrem quando têm vontade. Pois além da liberdade de expressão e das liberdades individuais garantidas pela democracia, para não falar da modernidade geral e irrestrita, ali as mulheres ainda têm o particular poder advindo do serviço militar. Quem vai mexer com uma jovem beldade carregando elegantemente um fuzil-metralhadora?
As Forças de Defesa de Israel oficialmente não gostaram das fotos acima, postas na internet pelas próprias recrutas. Porque ferem o decoro militar, além de regras estritas sobre o uso do uniforme. Mas, no fundo, duvido que alguém tenha de fato desgostado (com exceção dos árabes israelenses e dos judeus ortodoxos: a religião é democrática em sua capacidade de envenenar corações e mentes). Pois essas três imagens resumem melhor do que mil palavras a sociedade israelense: livre, forte e sem celulite.

P. S. Os rostos das (presume-se) belas e bravas soldadas não foram borrados (único ato afinal censurável) pelas próprias, mas, sabe-se lá por que, pelos muitos meios de notícias que reproduziram as fotos (a informação consta de um deles).
P. S. 2 As formosas soldadas receberam uma "reprimenda" em função das primeiras fotos postadas. Sua reação: postar mais fotos (caso da terceira reproduzida acima). Belezas da democracia.
P. S. 3. Note-se que a segunda foto foi tomada numa área externa, e que há, ao fundo à esquerda, um soldado. Liberdade feminina é isso aí.
P. S. 4 Para concluir com uma pequena nota levemente machista (mas totalmente escusável, pelo que se trata), lembro-me do grande Millôr Fernandes: "Sou totalmente a favor do movimento feminino, principalmente o dos quadris".

A PRIMAVERA CHEGA À TURQUIA, AFINAL

         
  
Manifestante carrega bandeira turca com a imagem de Ataturk




Depois de sete dias de violentos protestos antigovernamentais nas maiores cidades do país, incluindo Istambul e Ancara, e após a terceira morte confirmada, a imprensa internacional começa a compreender o que se passa na Turquia, assim como seu significado.
De início era uma reação à reforma de um parque. Mas apenas os distraídos e os obtusos levaram tal motivação a sério por mais de um minuto. Algo estava acontecendo na Turquia. Algo está acontecendo na Turquia. Mas o que, exatamente?
O islamofascista mal disfarçado que é o primeiro-ministro Recep Erdogan, no melhor estilo ditador paranoico, acusa... o Twitter: “Há uma ameaça chamada Twitter. [...] Para mim, as redes sociais são a maior ameaça à sociedade”. Enquanto o próprio título da matéria resume e esclarece tudo, ainda que por negação: “Primeiro-ministro nega ‘Primavera Turca’ e culpa redes sociais por protestos” (http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2013/06/03/primeiro-ministro-nega-primavera-turca-e-culpa-redes-sociais-por-protestos.htm).
Sim, trata-se do início temporão da “primavera turca”. Mas por que, se a Turquia não é uma ditadura?

A Turquia não é uma ditadura, mas é uma democracia ameaçada. E a ameaça vem do próprio governo, que se autointitula “islâmico moderado”. Mas os turcos bem sabem que sua “moderação” não é sincera nem voluntária. Ou verdadeira.
A autoimputada “moderação” islâmica do atual governo turco advém, tão somente, da tradição de um século de laicismo do Estado turco, desde sua fundação por Kemal Ataturk em 1920, sob a tutela do exército. Mas esse laicismo sempre esteve ameaçado pela “Turquia profunda”. Daí o paradoxo de uma democracia mantida pela força. Pois sem o exército secular também deixado de herança por Ataturk, o islã teria há muito destruído essa democracia e esse laicismo.
Erdogan foi eleito pela “Turquia profunda”: pela periferia das cidades e pelo campo. E, desde o início, não fez outra coisa senão tentar enfraquecer, sistematicamente, as instituições laicas do Estado, a começar do próprio exército, hoje acuado por um judiciário controlado pelo governo, com inúmeros generais e outros oficiais aprisionados, a partir de um suspeito processo de conspiração militar.
A imprensa também é atacada: a Turquia tem hoje, ao lado da China, o maior número de jornalistas encarcerados em todo o mundo. E como o exército, a imprensa turca se acovarda. Daí os manifestantes a acusarem, justamente, de covardia, além de oficialismo e manipulação na cobertura das próprias manifestações.
Por isso Erdogan tem, afinal, razão: a culpa é da internet. Mas apenas como piada. Pois seria como culpar um carro por um atropelamento, em vez de o motorista. Por trás das críticas ao governo e das convocações aos protestos que tomaram conta das redes sociais turcas, está o segmento mais esclarecido da sociedade, que afinal reagiu, tardiamente, a um governo que utiliza a mesma tática de Chávez e outros liberticidas contemporâneos: chegar ao poder pela via eleitoral para, a partir daí, minar o mesmo sistema representativo que os levou ao poder.

Trata-se do que o grande arabista Bernard Lewis chamou de a tática do “um homem, um voto, uma vez”, para se referir à tentativa da Frente Islâmica de Salvação da Argélia, que, nos anos 1990, escancarou-a para ser, em seguida, derrubada pelo exército secular do país, antes de novas eleições serem convocadas, agora sem partidos islâmicos.
Os partidos islâmicos dos demais  países muçulmanos aprenderam a lição argelina. A tática do “um homem, um voto, uma vez” tem de ser implementada com alguma sutileza, fazendo o islã “comer” devagar e pelas bordas as instituições, as práticas e as mentalidades em países onde estas foram, em algum grau, laicizadas, seja por ditaduras ou por um grande reformador como Ataturk. Era o caminho de Erdogan. Vinha funcionando.

Mesmo porque, graças à pujança do capitalismo local (apesar das pressões islamizadoras do governo), esse governo retrógrado, num outro paradoxo turco, contou com grande popularidade até agora. Ou melhor, ainda conta com ela. Mas essa popularidade populista não amedronta mais os turcos urbanos, modernos e laicos que, desde a fundação da República, estiveram na liderança do país.
A Turquia é um solitário caso histórico de reforma modernizadora e democratizante razoavelmente bem sucedida no mundo muçulmano. Mas depois de quase um século, o modelo turco está sob forte ameaça. A melhor parte da sociedade turca sai enfim às ruas contra essa ameaça.



A chamada “primavera árabe” foi verdadeira apenas em parte: ter sido árabe. Pois quanto a ser primaveril, ou seja, significar o nascimento de um tempo novo e melhor, foi um engano, um engodo e uma ilusão. As revoltas árabes se deram contra ditaduras mais ou menos brutais, de Ben Ali na Tunísia a Assad na Síria, passando por Kadafi na Líbia e Mubarak no Egito. E todas elas eram seculares. A “primavera árabe” ocultava (mal) o “inverno islâmico” que, este sim, aflorou em seguida, com partidos religiosos autoproclamados “moderados” tomando previsivelmente o poder pela recém inaugurada via eleitoral (no caso sírio, grande parte da oposição armada ao governo genocida de Assad é formada por radicais islâmicos). A única “primavera” verdadeira no mundo muçulmano está a florescer agora. E ela não é árabe.
A “primavera turca” é verdadeira porque se trata de segmentos seculares protestando contra um governo islamizador. Ou reislamizador, considerando a história turca. Na Turquia, começou (melhor, recomeçou), afinal, o inevitável embate entre Alá e Ataturk. Que vença o melhor.

domingo, 2 de junho de 2013

Do CO2 amigo do homem, do CO2 comida para plantas, do CO2 ferramenta marxista para abater a civilização e, particularmente, a sociedade capitalista.


As plantas alimentam-se basicamente de CO2. Utilizam ainda outros nutrientes ou como catalisadores ou como constituintes mas, a larga maioria do crescimento dá-se pelo CO2 absorvido pelas folhas.

Havendo mais CO2 na atmosfera (ninguém sabem exactamente porquê) há mais crescimento de plantas.

«Cientistas chamam isso de “efeito de fertilização do dióxido de carbono.” Isso tem causado um aumento da biomassa gradual em regiões áridas da Terra 1982-2010.»

Bom domingo!

De como a natureza ignora os modelos "científicos" marxistas

De acordo com os dados, cerca de 95% da radiação solar é literalmente devolvida ao espaço pelo CO2 e pelo NO na atmosfera superior. Sem esses componentes básicos, em outras palavras, a Terra seria capaz de absorver quantidades potencialmente devastadoras de energia solar, que seriam verdadeiramente capazes de derreter as calotas polares e destruir o planeta.

 ...

Sem rodeios, o Dr. Hansen é um ativista do aquecimento global, como todos sabem, que ajudou a desencadear uma histeria artificial sobre as mudanças climáticas nas costas dos EUA em 1988. Logo após o lançamento desse novo estudo SABER, no entanto, o Dr. Hansen convenientemente se aposentou de sua carreira como climatologista da NASA e agora planeja gastar o seu tempo com a “ciência”, e em “chamar a atenção para suas implicações para os jovens”.

sábado, 1 de junho de 2013

Gavin Schmidt: "o falhanço dos modelos que não se adaptam ao mundo real"



Os marxistas do "aquecimento global", um a um, vão entregando as armas. Em Portugal, nada de significativo transparece.

É caso para se dizer que, na vida desta gente, nada se adapta ao mundo real: nem o marxismo nem o "aquecimento global".

....

No mesmo artigo, transcrevo o comentário de Anthony Watts. Fica por se saber quem nos devolve o dinheiro que nos foi rapado para queimar na luta contra o fantasmagórico aquecimento global.

And I think it is more than a bit unfair to us, that if he believes what he tweets, he should re-examine his own assumptions about climate modeling. We have economies, taxes, livelihood, etc. hinging (or perhaps failing) on the success of these models to predict the climate in the future. The models aren’t working, and Dr. Schmidt knows this. Unfortunately his job is tied to the idea that they do in fact work. I feel no regrets at making this comparison front and center. – Anthony


Via WUWT.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

ISLAMISMO, RELIGIÃO DE PAZ, LIBERDADE E PROGRESSO…




Diz-se e vê-se aqui:


Primeiro protesto em topless das Femen num país árabe

O alvo escolhido foi Tunes, na Tunísia. Três ativistas acabaram detidas

O grupo Femen fez o seu primeiro protesto num país árabe e não mudou a sua forma de atuação. Em topless, frases escritas no corpo e cartazes. Frente ao tribunal em Tunes, na Tunísia, gritaram pela libertação de Amina. Uma jovem detida por colocar fotografias suas, nua, na internet em Março último, alegando que o seu corpo «era seu e não a honra dos outros». No final, segundo a agência Associated Press, foram detidas três ativistas. Uma alemã e duas francesas.



A jovem Amina foi «escondida» pela família algum tempo, após vários religiosos radicais, a ameaçarem de morte. Mas no passado dia 19 de maio acabou detida. Deve ser presente a um juiz esta quinta-feira.

Mas além das ativistas, foram também detidos seis jornalistas que estavam no local a acompanhar o protesto. Segundo as autoridades, os meios de comunicação social estavam a alimentar o protesto. Poucas horas depois, os jornalistas foram libertados.



O incómodo causado pela nudez das jovens é bem visível nas imagens. Além da polícia, os próprios populares tentaram «tapar» as jovens seminuas.



Após a detenção de ontem, as Femen voltaram a protestar já esta quinta-feira, em Bruxelas, frente à embaixada da Tunísia.





Nota minha– E para quando a obrigatoriedade da burka? Hein?


(última imagem obtida aqui)