segunda-feira, 21 de outubro de 2013

DA SANTIDADE(?) COMO UMA DAS BELAS ARTES…




BISPOS  ALEMÃES  ESCONDEM  PATRIMÓNIO
  
Na diocese de Limburgo, foram transferidos nos últimos 65 anos 300 milhões de euros de receitas fiscais religiosas para pequenas estruturas poucos transparentes

Os bispos da Igreja Católica alemã poderão estar a esconder milhões de euros de património em orçamentos especiais, de acordo com uma investigação publicada hoje pelo jornal Der Spiegel.

Nos últimos dias, tem sido amplamente noticiado na Alemanha o caso do bispo de Limburgo, Franz-Peter Tebartz-van Elst, criticado pelo estilo de vida luxuoso, e por alegadamente ter mentido sob juramento, estando neste momento, de acordo com a imprensa local, a ser discutida a sua permanência em funções.

"Há muito tempo que não há uma ofensiva como esta à transparência na Igreja Católica", diz o Der Spiegel, citado pela France Presse.

Na diocese de Limburgo, foram transferidos nos últimos 65 anos 300 milhões de euros de receitas fiscais religiosas para pequenas estruturas poucos transparentes, de acordo com o jornal.

"Nas particularmente ricas arquidioceses de Colónia, Munique e Freising, os próprios diretores financeiros ignoram a magnitude do património," os pontos do jornal.

Na Alemanha, os contribuintes declaram se são católicos, protestantes ou sem religião e o Estado procede à consignação de entre 8 e 10% dos rendimentos dos crentes declarados para as respetivas instituições.

Em 2012, os 23 milhões de alemães que declararam ser católicos geraram receitas à Igreja em torno de 5,2 mil milhões de euros com o imposto religioso.
(dos jornais)


É por estas e por outras, que Francisco tem estado a procurar estancar, que determinados grupos, aliás já bem identificados, vêm levando a efeito uma campanha de momento ainda discreta, mas que vai aumentando a pouco e pouco nos meios eclesiais, contra o actual pontífice.

E foi por outras como estas, não esquecendo o “equívoco” de Fátima que ele iria deslindar, que João Paulo I foi assassinado mediante conjura, como hoje já é conhecido, artilhada nos altos escalões da ICAR.

Faz pois sentido a frase recentemente dada a lume na revista oficial jesuíta, aconselhando o novel pontífice a precaver-se com um colete protector anti-bala. Pois às vezes o dianho tece-as, como reza a frase proverbial…


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

DA DEMOCRACIA (?) COMO UMA DAS BELAS-ARTES…





 “Há um fenómeno a crescer em Portugal, protagonizado por famílias que subsistem graças às refeições distribuídas diariamente por associações solidárias, um sistema criado originariamente para socorrer sem-abrigo. A perceção pertence a Pedro Nicolau, vice-presidente do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo, CASA. "Podem ter teto precário, um quarto partilhado, mas enfrentam dificuldades tais que vêm pedir refeições quentes. Chegam famílias inteiras", diz o responsável, na véspera do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala esta quinta-feira.

 "Com o agravar da crise, a curto e médio prazo, estas famílias podem tornar-se sem-abrigo", referiu também Paula França, coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA), do Porto, na apresentação dos resultados deste programa.”

(dos jornais)


Agradeço aos nossos diversos governantes que, pelos tempos fora, têm levado a Nação a este sublime e próspero ambiente de democracia real

E decerto o progresso irá continuar.


Viva Portugal!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ASSIM QUE PASSEM 3 MESES…




  A grande delícia, que é também a grande aventura de leitores encartados, é apanharem-se belos livros ao preço da uva mijona.

  Nem precisam de ser primeiras edições, que isso é apenas um quitute mais neste esforço glorioso de se mercarem, mediante quantias modestas, exemplares que nos saciem esta paixão relativamente douda de se terem obras amoráveis de autores que sabem como se ergue um mundo muito próprio e que nos verdadeiros casos de alto talento ou de génio não precisam de encómios dos habituais fogueteiros da crítica que se esfalfam para fazer fins de meses ou de se auto-elevarem através das qualidades dos outros.




 Creio que me faço entender. Ou seja, já me perceberam na perfeição...

 E não falo desses livros produzidos por cavalheiros/as que os obraram para uma dúzia de anos de imortalidade (ou mais ou menos), mas de obras realmente poderosas, suscitadoras e únicas, onde se sente o frémito que Samuel Pepys dizia exalar-se das obras-primas.

  Eu, com os livros recebedores de Nobel, tenho tido experiências muito positivas.





Pecuniariamente falando.

Sabem como faço? Como é o meu procedimento ?

Pois é simples!

Tenho calma. Aguardo pacientemente como o chinês da estorinha exemplar.

Sento-me, salvo seja, aos portões dos espaços de leilões. Vou fumando uns cigarritos, deitando a terra umas cervejolas, olhando a paisagem ensolarada ou contemplando o vasto céu nocturno. E enquanto trato da saúde a umas bejecas e despacho uns paivantes, sinto-me assim como aquele filósofo que contemplava o imutável mundo com um sorriso nos lábios.

  Fico nisto uns três quatro meses.




 E a pouco e pouco ei-los que começam a chegar: uns bem estimadinhos, outros com algumas dobritas, uns vincos de cansaço – que, todavia, não lhe afectam o miolo…a substância folhosa.

  Passada a novidade – engordada no anúncio na santa tv ou no florete do conspícuo jornal literário cá da s’nhora pátria – degustada a novidade (salvas as naturais excepções dos mangas que os lêem a valer e os guardam por real amor à escrita), os tomos, como guerreiros que já cumpriram o seu dever, entram nesse limbo que são os interactivos espaços de leilões, com os seus “licitação, tanto” e “compre já, tanto”.

  E como um guerreiro comanche ou um zulu, ali estou eu (como outros da mesma bitola) à espreita.

   Em suma: da malta nobelizada (com excepção da saramagal figura, que dessa qu’é que querem, não gasto) tenho apanhado quase tudo.

  Daí que, para esta excelente Alice Munro deste ano, me pareça que lá para fevereiro março irá cantar nas minhas estantes, na minha banca-de-cabeceira, uma resmazita mui aprazível. Mercada a preçozinho convidativo.

  Como os pescadores e os caçadores de tocaia, já aprontei o meu espingardum simbólico.




  Alice, grande senhora canadiana habitante desses lugares que me foram tão acolhedores nas duas vezes que visitei o Ontário, cá a espero no fim do Inverno ou no começo da Primavera.


Evohé!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A "geração mais bem preparada de sempre"


Para além da ignorância pura e dura, há várias coisas que espantam:

1 - A risota perante o falhanço
2 - As desculpas esfarrapadas
3 - Não terem a noção do quanto pouco sabem
4 - Não terem vergonha de exporem a sua mediocridade

Depois, há perguntas que têm que ser feitas:

A - Que pensa esta gente fazer da vida?
B - Que filhos terá esta gente e que educação lhes dará?
C - Em que mundo pensa esta gente viver?
D - A que critérios recorrerá para decidir em quem votar?
E - Pensará esta gente que o mundo se lhes adaptará para que a sua ignorância se torne uma qualidade?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Da cobra-de-banha




Depois de ter lido isto que Mário Soares escreveu no Diário de Notícias...

«Passos Coelho tenta segurar Rui Machete, como fez com Relvas, agora desaparecido e vaiado também por portugueses no Brasil. Mas parece impossível que consiga fazer o mesmo com o ministro dos Negócios Estrangeiros e com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, igualmente acusada de pouca seriedade e com pedidos do Parlamento para ser também demitida. É caso para perguntar: que Governo é este que atrai tantos delinquentes e que Pacheco Pereira, que é membro do PSD, teve a coragem de afirmar que "está cheio de má-fé"?»

... e atendendo a que Rui Machete foi seu vice-primeiro ministro, não sei qual a conclusão mais próxima da verdade:

- Se a de que o sr. Soares está seguro de que os portugueses sofrem irremediável e maioritariamente da doença de Alzheimer;
- Se a de que o sr. Soares é já portador do grau de senilidade que faz desaparecer os mais ínfimos vestígios do decoro em quem o sofre;
- Se a de que o sr. Soares apenas confirma, até ao asco, o carácter de homus politicus de que padece desde que me lembro.

Por outras palavras:

- Se a de que o sr. Soares está doente ou é, ele próprio, uma doença;
- Se a de que o sr. Soares é apenas o sintoma visível do povo  - único do Quarto Mundo  - que organiza uma manifestação de vitória eleitoral à frente de uma cadeia.

Mais palavras só estragam.

domingo, 6 de outubro de 2013

Vacuidades

A propósito disto ...

1 - "o apelo ao exercício de uma cidadania plena"


O apelo ao exercício da cidadania que o apelante vê como cidadania. Implicitamente agrava o exercício que cada qual encara como a apropriada.

2 - "elogio do papel da Educação na formação de cidadãos conscientes, críticos e capazes de fazer viver o regime democrático para além das suas limitações circunstanciais"

Idem. O cidadão consciente é, aqui, novamente, a visão que o apelante tem de cidadão consciente, crítico, etc. Vacuidade atrás de vacuidade. É o pináculo daquilo que se conhece ser a promoção do mundo inexistente, o "cidadão" que julga pertencer a um mundo que não se lhe adapta.

3 - “o papel insubstituível dos professores”

Os professores são sempre insubstituíveis muito embora não se esgotem no mundo do ensino publico ou estatal. Professor é quem ensina algo a alguém. Trocado por miúdos resulta em mais uma vacuidade.




4 - Global Teacher Status Index

Nada daqui resulta em particular porque se no caso grego a excelente classificação que obtêm é proporcional à insipiência do país, em Portugal a insipiência do país revela-se no valor de apenas 27%. É a chamada estatística em circuite fechado em que cada qual se avalia a si próprio. O Brasil, uma das mais violentas e subdesenvolvidas (estando em acelerado recuo) sociedades do mundo (não vale a pena falar de África) mantém-se a par de Israel, uma das mais vibrantes economias e educadas sociedades. O Egipto ombreia com a Nova Zelândia. Mas, diz-se, em Portugal os professores estão "acima de outros actores sociais". Dá vontade de dizer que bosta produz bosta.

5 - "tem bastante confiança no seu desempenho"

Ter bastante confiança significa ter um papel medíocre mas no topo da medíocre media.

6 - "O problema é que a defesa da cidadania e o apelo ao seu exercício pelas gerações futuras não pode fazer-se ao mesmo tempo que se prolonga um constante ataque directo e indirecto às condições materiais e simbólicas do exercício da docência."

Quem diria que 27% de agrado não diz o contrário. Já parece a história dos 1% que representam 99%. É curioso que a fé nos dividendos futuros da "educação" é inversamente proporcional ao que dela resultou no passado. É o eterno futuro marxista.

7 - "Mais grave, quando há quem procure encontrar na Educação apenas o lucro, a hipótese de negócio, a mercantilização de uma função nobre, faltando-lhes o sentido ético e o apego à transparência de processos e argumentos."

É exactamente quem conta com os impostos pagos com lucro e até com o prejuízo dos outros, que se acha em condições para verter ódio à existência de lucro. O ódio à "mercantilização" explica a crescente incapacidade em perceber a armadilha que as luminárias montam na cabeça de quem mais longe vai na educação estatal. É esta gente que se propõe formar quem quer que seja para trabalhar de forma consistente e geradora de lucro (riqueza).

8 - "Atravessamos um período conturbado no qual o relativismo dos conceitos impera e as palavras são usadas de modo instrumental, arremessadas como armas ocasionais e não como algo com um significado próprio. Liberdade, democracia, cidadania, são conceitos que vão sendo manchados a cada vez que são mal usados, truncando ou distorcendo o seu real significado."

Vacuidade atrás de vaquidade. É o pináculo de 'o meu conceito é melhor que o teu' sem nada se consubstanciar.

9 - "Os professores têm como parte da sua missão ensinar e exemplificar o que eles significam, nem que seja do ponto de vista da História."

... nem que seja ... A caixa de pandora para venda de banha da cobra. Cabe aos professores ensinarem os factos históricos que se desenvolveram a partir desses conceitos. Tudo o resto é lavagem ao cérebro.

10 - "Mas, infelizmente, o tempo presente tinge de incredulidade os olhos dos alunos que, pelos exemplos quotidianos que lhes são dados a cada noticiário, desacreditam da eficácia do exercício da cidadania e da vida democrática."

Só pode. Quanto mais banha da cobra vender o professor mais o limbo escolar se afasta do mundo real, intra e além fronteiras. Essa desadequação vai virar-se contra quem está mais a jeito.

11 - "É função, explícita ou implícita, dos professores não deixar erodir em definitivo a crença das futuras gerações na bondade da democracia, na possibilidade de uma liberdade vivida com justiça e no imperativo de comportamentos éticos, praticados para além de credos ou interesses particulares."


Treta. Não é função dos professores venderem banha da cobra seja ela qual for. É função dos professores ensinarem a generalidade dos regimes políticos e a responsabilidade pela escolha caberá, a seu tempo, ao aluno. É exactamente por desconfiarem da democracia que os professores entendem ser seu dever injectar o seu particular entendimento de democracia.

12 - "Infelizmente, o seu trabalho é dificultado a cada dia, quase a cada noticiário, pelo exemplo degradante de quem tem do exercício de funções públicas uma noção estreita, facciosa e com uma perturbadora relação com a verdade, o rigor e a transparência, como se a manipulação, truncagem ou falsidade dos factos deixasse de ser mentira para se tornar mero detalhe de inadequação factual."

A perplexidade pelos desencontros que aos professores entram porta dentro colide com o espanto de quem fora do estado comenta "Mas estes gajos são parvos? Só agora perceberam o real significado e consequências de bancarrota? Pensam que somos obrigados a mantê-los no limbo para que possam continuar a disseminação de propostas que, implementadas, acabam sistematicamente em miséria e fome? Façam-se à vida. Se não sabem o que é ter que trabalhar para que haja resultados que permitam pagar os impostos que lhes servirão de salário e ainda sobrar para que tenhamos o nosso, já é tempo de irem aprendendo".

É o problema de quem insiste em manter-se isolado do mundo e da realidade. Nem percebem que se torna demasiado claro que pensam pertencer a uma casta chegando ao ponto de se convencerem que a própria propaganda é realidade.

78º Podcast do Mises Brasil - Olavo de Carvalho (Jun 2013)


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

António Victorino de Almeida ou Da subtilíssima ironia e do profundo nojo




(Texto e foto aqui)

Victorino d'Almeida afirma que o repertório musical mais apreciado é fraco

O maestro António Victorino d'Almeida, autor da mensagem da Sociedade Portuguesa de Autores para Dia Internacional da Música, que se celebra na terça-feira, afirma que o repertório musical mais apreciado é o mais fraco.

O maestro e compositor disserta sobre "os diversos graus de qualidade [da música] que vão do bom ao muito bom, do óptimo ao genial", afirmando que "não será tão desejável chafurdar numa pesquisa entre o mau e o muito mau, o péssimo e o horrendo".

"E eu estaria ainda tentado a citar o nada, que julgo ser um repertório cada vez mais promovido e mesmo apreciado, fenómeno que se reveste de uma lógica de mercado perfeitamente inatacável: os autores desse alegado nada podem desaparecer sem quaisquer problemas, de forma trágica ou prosaica, por falecimento ou entrada para a função pública, pois haverá sempre material em stock pronto a substituir o seu esforço criativo", escreve o maestro.

Numa mensagem de cerca de 4.000 caracteres, o músico realça que "antes de mais nada", é "necessário que se levante [...] o problema do subjectivismo que terá infalivelmente que presidir a um julgamento da qualidade" e questiona: "Haverá, com efeito, um critério rigoroso que possa de algum modo garantir que esta música é boa ou má, transcendente ou... até nada?!".

O compositor defende que "será correcto que se valorize a harmonia de um trecho em que o acorde sobre a qual assenta todo o discurso musical, a chamada tónica, apenas se desloca para o acorde do quinto grau, a chamada dominante, regressando logo de seguida ao ponto de partida, depois de um curta e prudente passagem pela subdominante, que fica quatro notas acima".

Autor de mais de 50 obras eruditas, como "Páscoa no Minho", para Victorino d'Almeida "os termos erudito ou sério sempre significaram alguém que 'sabe muito' ou alguém que cumpre o elementar preceito de ser honesto".

Ao longo da mensagem, o autor do "Fado do Campo Grande", desmonta os diversos conceitos em torno da música e a dado passo afirma: "eu nunca atribuí ao adjetivo ligeiro um sentido pejorativo, pois também sempre considerei que comer uma refeição ligeira não significa comer mal".

O maestro crítica "o vício de classificar e de qualificar [que] ainda se torna mais penoso quando as pessoas se esquecem de que há diversas situações em que uma certa música, seja qual for o estilo, pode tornar-se desejável ou aberrante, pois o sentido do Belo também se insere na eterna questão do Bom Senso e Bom Gosto".

A terminar, Victorino d'Almeida refere que "a sociedade portuguesa, ignora quase completamente todo um vastíssimo património de obras de arte geniais.

"É possível viver sem se conhecer nenhuma peça de Shakespeare, de Tchekov, muito confundido com Tchaikowsky em meios alegadamente mais cultos, pois os ignorantes puros nunca ouviram falar de tal gente, de Brecht ou de Samwel Becket", questiona.

"É possível, em suma, viver sem o Belo?", interroga o maestro para responder ele próprio: "Claro que é possível! É evidente que é possível, pois as pessoas podem inclusivamente viver castradas e encontrar formas mais ou menos divertidas de passar o tempo, [...] sem dúvida que é possível viver assim. Mas não é a mesma coisa...".

NOTA -  Repare-se no preciosismo e rigor jornalístico, que não só nos informa sobre o número de caracteres do texto escrito por Victorino de Almeida como nos dá conta da inestimável descoberta literária por ele feita: a de um tal Samwel Becket, que eclipsará a obra e a memória do outro Becket, Samuel.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O POETA E OS ISLAMISTAS


(imagem obtida aqui)


Um tiro na cabeça da poesia:

Kofi Awoonor

último adeus no Quénia




  Uma perda para o mundo das letras: O professor, poeta e diplomata Kofi Awoonor, um dos mais famosos escritores do Gana, foi morto dia 21 de Setembro no Quénia no ataque ao Centro Comercial Westgate em Nairobi, no Quénia. O professor Awoonor ia participar como orador no Storymoja Hay Festival do centro comercial, que visava aumentar as taxas de literacia entre as crianças quenianas, quando foi morto no ataque.

   Foi assim que no CULTURA, excelente jornal cultural angolano dirigido por José Luís Mendonça, se noticiou o assassinato - perpetrado por terroristas islâmicos - do grande poeta e romancista africano que por seu mal estava nesse dia num local condenado pelos bandidos.

   Os islamitas abatem indiscriminadamente quem lhes caia nessa rede de acaso que o fascismo verde coloca aleatoriamente nos seus planos sanguinários.

   Não passa pois duma falácia a narrativa brutalizadora de pseudo-esquerdistas que, de forma cruel e cobarde, justificam os actos dos fascistas verdes com o pretexto de que são dirigidos contra imperialistas brancos ou ocidentais em vista a “vingarem” o que estes teriam feito há séculos.

  O terrorismo islamita é inimigo de todos os que não aceitam o fanatismo nem partilham a “justificação” ou “compreensão” dos seus actos pró-totalitários.

  É, na expressão mais lídima, inimigo da Humanidade. Urge ser combatido sem temor ou intermitências.

  Como homenagem a todos os que tombam assassinados pelos terroristas corânicos, aqui fica um poema de Kofi Awoonor também colhido no CULTURA, a quem agradecemos a notícia veiculada pois é em si uma legítima acção democrática.
  

Canção de Lamento

Dzogbese Lisa tratou-me assim
Conduziu-me por entre as asperezas da floresta
Voltar não é possível
E avança-se com grande dificuldade
Os negócios deste mundo são como as fezes do camaleão
Nas quais pisei
Não as consigo limpar
Estou no extremo do mundo,
Não estou sentado na fila com os eminentes
Mas os afortunados
Sentam-se no meio e esquecem
Estou no extremo do mundo
Só consigo ir mais além e esquecer
Meu povo, estive algures
Se me viro para cá, sou fustigado pela chuva
Se me viro para lá o sol queima-me
A lenha deste mundo
É só para os que têm coragem
É por isso que nem todos podem apanhá-la.
O mundo não é bom para ninguém
Mas estás tão feliz com a tua sorte;
Ai! os viajantes estão de regresso
Todos cobertos de dívidas.
Algo me aconteceu
Coisas tão grandes que não posso chorar;
Não tenho filhos que disparem a arma quando eu morrer
Nem filhas que chorem quando eu fechar os lábios
Vagueei por lugares ermos
Pelo lugar ermo a que os homens chamam vida
A chuva fustigou-me,
E os cepos afiados cortam como facas
Vou mais além descansar.
Não tenho parente nem irmão,
A morte declarou guerra à nossa casa;
E a grande casa de Kpeti já não existe,
Só resta a cerca quebrada;
E os que não ousavam olhá-lo no rosto
Surgiram como homens.
Como o orgulho está com eles.
Que os que já partiram tomem nota
Trataram mal a sua descendência.
Porque estão a chorar?
Alguém morreu. O próprio Agosu
Ai! Fui mordido por uma cobra
O meu braço direito está partido,
E a árvore à qual me apoio está caída.
Agosi se lhes fores dizer,
Diz a Nyidevu, a Kpeti, e a Kove
Que nos fizeram mal;
Diz-lhes que a casa deles está a cair
E que as árvores da cerca
Foram comidas pelas térmitas;
Que os martelos os amaldiçoem.
Pergunta-lhes por que estão lá parados
Enquanto nós sofremos, e comemos areia.
E o corvo e o abutre
Pairam sobre as nossas cercas quebradas
E os estranhos caminham sobre o que é nosso.


(imagem obtida aqui)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Mais umas quantas crónicas exemplares...










Sua Excelência, o autarca

Há dias, li um jornalista jurar que a Lisboa actual está sempre em festa, cheia de animação, eventos culturais, artes de rua e "iniciativas" em geral, logo (sublinho o "logo"), o jornalista em causa apoia a reeleição de António Costa. Ainda que não fosse essa a intenção, é difícil resumir melhor a relação dos portugueses com o poder, e sobretudo com o poder local.

Para o cidadão comum, aquilo que acontece numa cidade, Lisboa ou outra, é necessariamente resultado das decisões - ou da falta delas - dos senhores que ocupam a autarquia. Se a cidade é pródiga em bares, espectáculos musicais, exposições e homens-estátua, o mérito é da câmara municipal. Se a cidade anda mortiça, a culpa é da câmara municipal. Os munícipes, criaturas sem vontade própria que seguem as decisões autárquicas como os zombies seguem mioleira fresquinha, não são para aqui chamados, excepto para exaltar a sumidade que espevitou a vida urbana ou criticar a nulidade que deixa a vida urbana desligar-se às sete da tarde. Aparentemente, ninguém é capaz de se instalar a servir copos, organizar concertos ou espirrar três vezes sem o aval, e talvez o patrocínio, de Sua Excelência, o autarca. A ausência de vida para além dos Paços do Concelho não só é uma concepção absurda: se calhar, é verdadeira.

Em países civilizados, é possível visitar uma cidade, ler sobre uma cidade ou espreitar um documentário alusivo a uma cidade e nem sequer notar a existência do senhor presidente da câmara. Em Portugal, isso seria tão estranho quanto um vereador balbuciar uma frase que não inclua a palavra "valências". Não há "apontamento de reportagem" acerca de qualquer lugarejo sem depoimento do senhor presidente. Não há jornal local sem 37 fotografias do senhor presidente. Não há procissão de Nossa Senhora dos Aflitos sem a presença do senhor presidente junto da protagonista. Não há instalação instalada em galeria sem autorização do senhor presidente. Não há garrafa de vodca aberta às duas da madrugada sem uma vénia ao senhor presidente, que afinal criou as "condições" para que os súbditos se embriagassem com galhardia. O senhor presidente, emanação do Estado, encontra-se por toda a parte, numa consumação assustadora das "políticas de proximidade" que o jargão da classe promete "incrementar".

Puro Terceiro Mundo? Obviamente. Ou, se não apreciarem a expressão, herança de séculos de pobreza e dependência, que mantêm o povo petrificado, à espera das migalhas largadas por quem manda. Se a "festa" lisboeta se deve de facto ao dr. Costa, a "festa" é uma exibição do nosso permanente atraso, hoje, aliás, celebrado em eleições.




Uma fraude e uma ofensa

Antes de mais, a boa notícia: um estudo da universidade inglesa de East Anglia confirmou que a Terra um dia se aproximará demasiado do Sol e nenhuma forma de vida sobreviverá. A má notícia é que esse dia só ocorrerá daqui a 1,75 mil milhões de anos, no mínimo, ou 3,25 mil milhões de anos no máximo. Ou seja, por um lado Keynes tinha razão quando sugeria que gastássemos à tripa forra, já que "no longo prazo", cito, "estaremos todos mortos". Por outro, teremos muito tempo para suportar as consequências de tão desvairada filosofia e a retórica de gente como António José Seguro.

Num discurso em Coimbra, durante a campanha das "autárquicas", o dr. Seguro explicou pela enésima vez que "O Estado social não é um capricho dos socialistas, mas uma necessidade dos portugueses para combater as desigualdades sociais". E acrescentou: "Quem defende um Estado mínimo, a única coisa que está a dizer é que os portugueses ficam entregues à sua sorte." A primeira frase é uma demonstração de iliteracia económica, a segunda um insulto pouco velado à população.

Vamos por partes. Mesmo sem perceber o que é que o "Estado mínimo" tem que ver com o Governo em funções e mesmo sem discutir as hipotéticas virtudes do Estado dito "social", no fundo uma maneira de submeter recursos aos critérios redistributivos de quem manda e, com frequência, um sistema de perpetuação da desigualdade, a verdade é que até as necessidades dos portugueses, ou pelo menos as necessidades decretadas pelo dr. Seguro, dependem dos meios existentes para financiá-las. Prometer maravilhas sem acautelar o dinheiro que as paga talvez excite a ala esquerda do PS e algum eleitorado, mas constitui de qualquer modo uma burla.

E a segunda frase acima constitui, repito, uma ofensa. Qual é o mal de os portugueses ficarem entregues à sua sorte? Salvo casos excepcionais de miséria ou invalidez, a posse do próprio destino é uma bênção e uma prerrogativa da liberdade. Infelizmente, os senhores que passeiam superioridade moral e preocupação para com o povo entendem que o povo padece de rematada estupidez. E, quando lhes confia a vida, o povo dá-lhes certa razão.




A carteira e a vida

É costume os media divulgarem extasiados que uma publicação ou um site quaisquer distinguiram Lisboa, ou o Porto, ou o Douro, ou o Algarve, ou o Cacém como o "melhor destino turístico" da Terra, ou da Europa, ou da Península Ibérica, ou dos países mediterrânicos cujo nome começa pela letra pê.

O êxtase foi menor quando um teste da Reader"s Digest colocou Lisboa no último lugar em honestidade entre 16 cidades. Ou no primeiro lugar em desonestidade. Eis o teste: espalharam-se 12 carteiras recheadas com documentos pessoais e 30 euros (ou o equivalente) por cada uma das cidades. E depois esperou--se a devolução. Em Helsínquia, 11 carteiras regressaram ao dono. Em Bombaim, nove. Em Nova Iorque e em Moscovo, oito. Em Lisboa, uma. Uma, abaixo de Madrid, Praga, Rio de Janeiro e Bucareste, os lugares seguintes na tabela da pilhagem de ocasião.

Conclusões? A dimensão e a aleatoriedade do teste não chegam para tanto. No máximo, o teste ajuda a desmontar o mito de que os pobres são menos propensos à rectidão. Curiosamente, trata-se de um mito tão propagado pela direita "darwinista" quanto pela esquerda "conscienciosa". Uma acha que a pobreza reflecte os traços de inferioridade dos que a sofrem, incluindo a preguiça ou a tendência para a trapaça. A outra sonha com uma multidão de pobres que subverta o "sistema" através do crime. No mundo real, naturalmente, as condições económicas não influenciam o carácter.

Mas isso já se sabia. E, no resto, o alcance da brincadeira do Reader"s Digest é limitado. Será que, por coincidência, o teste encontrou os únicos 11 indivíduos malformados a operar na capital? Será que no Porto, em Braga, em Faro ou em Coimbra os resultados mudariam ou o problema é nacional? Será que os turistas que confessam deixar cá um pedacinho de si estão a elogiar a hospitalidade pátria ou literalmente a constatar um facto?




Falar sobre o tempo

Parece-me que os peritos procuram novidades da crise económica internacional nos indicadores errados. A maior evidência de que o pior já terá passado está no regresso em força do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que anda outra vez a alertar para o Apocalipse.

Nos últimos cinco anos, em parte pelas falcatruas que desacreditaram o organismo, em parte pelo facto de as pessoas terem coisas mais sérias com que se ocupar, o IPCC praticamente sumiu do que agora se chama "espaço mediático". O "aquecimento global", e sobretudo o "aquecimento global" com origem na actividade humana, afinal o evangelho do IPCC, viu-se trocado na atenção pela "bolha" imobiliária, as complexas operações da alta finança, os resgates da banca, os gastos dos governos e, principalmente, os apertos das populações, mais preocupadas em chegar ao fim do mês do que em assegurar que o Pólo Norte chegue ao fim do século.

Assistir, em 2013, às manchetes sobre o clima que faziam furor em 2007 é, além de um consolo nostálgico, um sintoma de que a economia internacional se encontra em recuperação e de que, não tarda, poderemos voltar a consumirmo-nos com ninharias especulativas. As promessas do fim do mundo são sempre uma garantia de que o mundo vai benzinho, obrigado.




Novidades literárias

Não sei o que é mais engraçado, se o anúncio de que o eng. Sócrates escreveu um livro, se o facto de o livro versar a tortura, se a circunstância do prefácio ser assinado por Lula da Silva, esse fenómeno de integridade e rectidão que assolou - e, por interposta gente, ainda assola - o Brasil. Por este andar, assistiremos em breve ao lançamento da "Nova Gramática da Língua Portuguesa", obra de Manuel Almeida, candidato do PTP à autarquia de Gaia. Com prefácio de Jorge Jesus.