quarta-feira, 30 de outubro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
ISLAMISMO, RELIGIÃO DE PAZ E AMOR
Transcrevemos, sem quaisquer
comentários, a notícia que hoje mesmo correu mundo, para ilustrar os sublimes
costumes daquela conceção fideísta,
humanitária e suave.
“Os cadáveres de um homem e de uma mulher, que ao
que tudo indica viviam uma história de amor sem serem casados, foram
encontrados decapitados em Helmand, província ultraconservadora do Sul do
Afeganistão.
Os corpos das duas vítimas de 20 anos terão aparecido, na quarta-feira, num cemitério perto de Lashkargah, capital da província, de acordo com as fontes policiais.
As autoridades suspeitam que os dois jovens tenham sido sequestrados no dia anterior por um grupo de dez pessoas que terá invadido a casa do rapaz.
«A investigação revelou que as duas vítimas eram namorados e viviam uma história de amor às escondidas. A família da jovem pode estar por trás dos assassinatos», declarou à agência France Presse o inspetor Mohammad Ismail Hotak”.
Embora o irmão do jovem rapaz afirme que a vítima mortal queria casar com a namorada, a maioria dos casamentos no Afeganistão são arranjados”.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
É ASSIM QUE SE FAZ A HISTÓRIA
Quando, nos princípios do século em que nos
encontramos, num dos mais conhecidos blogs portugueses da altura – foi o tempo mais ou
menos heróico em que apenas o arqui-famoso “Barnabé” nos levava claramente a
palma no ranking da blogosfera –
escrevi que o defuncionado ex-“dirigente” da Líbia não passava de um
delinquente de direito comum elevado pelas torções da História ao papel de
grande-chefe, um coro de protestos, oriundo de uma pseudo-esquerda no género da
que em anos férteis tecia louvores a Stalin e a Beria, caiu-me em cima com o
intuito, sei lá, de me desvirginarem politicamente…
Um deles, mesmo (cujo nome nunca direi,
talvez por pura comiseração) e que usava pavonear-se com a designação de poeta,
chegou a aventar a ideia, ou a proposta – se assim se poderá designar… – de que seria interessante amaciarem-me as
costelas com um par de afagos certeiros, o que daria conforto a todos os que
eram adeptos dos amanhãs que cantavam.
(No entanto, ninguém seguiu os salutares
propósitos do dito bisnau e alguns terão quiçá, prudentemente, lembrado ao de
leve o facto de que eu fora nos tempos de menino e moço vice-campeão ibérico de
pugilismo militar, meios-médios ligeiros, o que é sempre uma desilusão para
guerrilheiros amadores).
Bom… mas adiante.
E eis senão quando a publicista francesa
Annick Cojean, de forma significativa, vem dar estas achegas à História e,
dentro dela, à petite histoire mais nauseabunda.
Mas, contudo, poderosamente esclarecedora
sobre os hábitos deste herói progressista – modelo de outros ainda que menos
operativos…
“Um novo livro
sobre Muamar Khadafi faz revelações bombásticas sobre a forma como o antigo
ditador líbio satisfazia os seus mais secretos desejos sexuais. A jornalista do
«Le Monde», Annick Cojean, conta como Khadafi raptava e violava jovens para se
satisfazer sexualmente.
Para fazer estas revelações, Annick Cojean dá voz a Soraya, uma menina levada para o harém de Khadafi quando tinha apenas 15 anos. Nessa altura, ela foi «escolhida» pelo antigo ditador durante uma visita que fez à escola onde a jovem estudava: quando ela lhe ofereceu um ramo de flores, ele colocou-lhe a mão sobre a cabeça, num ato paternalista. Esse era o sinal para os seguranças que o seguiam de que aquela menina tinha sido escolhida.
No dia seguinte, os homens de Khadafi foram buscar Soraya ao salão de cabeleireiro da mãe. Durante sete anos, conta que foi violada, espancada, forçada a consumir álcool e cocaína e depois integrada nas tropas das «amazonas» de Khadafi.
«Ele violou o meu corpo, mas perfurou também a minha alma com um punhal. A lâmina nunca saiu», conta Soraya no livro de Cojean.
Inúmeras mulheres, provavelmente dezenas ou mesmo centenas terão tido o mesmo destino de Soraya. Talvez nunca se saiba ao certo, já que o assunto ainda é tabu na Líbia.
No livro «O Harém de Khadafi», Annick Cojean diz que procura devolver um pouco de dignidade a mulheres cuja vida foi destruída por um monstro. A jornalista esteve meses em Tipoli para investigar a história de Soraya e diz que encontrou uma sociedade decadente, corrompida pelo crime e pela prostituição.
No livro, cujos excertos são avançados esta quinta-feira pela imprensa mundial, conta-se que Khadafi também abusaria de rapazes, em frente ao seu harém. O livro relata ainda os abusos de álcool, droga, tabaco e Viagra. Conta ainda como Khadafi usava as mulheres para se satisfazer sexualmente, mas também para exercer o poder: ao raptar as mulheres, o ditador subjugava os homens que estavam perto delas, como os maridos ou os pais.
Para fazer estas revelações, Annick Cojean dá voz a Soraya, uma menina levada para o harém de Khadafi quando tinha apenas 15 anos. Nessa altura, ela foi «escolhida» pelo antigo ditador durante uma visita que fez à escola onde a jovem estudava: quando ela lhe ofereceu um ramo de flores, ele colocou-lhe a mão sobre a cabeça, num ato paternalista. Esse era o sinal para os seguranças que o seguiam de que aquela menina tinha sido escolhida.
No dia seguinte, os homens de Khadafi foram buscar Soraya ao salão de cabeleireiro da mãe. Durante sete anos, conta que foi violada, espancada, forçada a consumir álcool e cocaína e depois integrada nas tropas das «amazonas» de Khadafi.
«Ele violou o meu corpo, mas perfurou também a minha alma com um punhal. A lâmina nunca saiu», conta Soraya no livro de Cojean.
Inúmeras mulheres, provavelmente dezenas ou mesmo centenas terão tido o mesmo destino de Soraya. Talvez nunca se saiba ao certo, já que o assunto ainda é tabu na Líbia.
No livro «O Harém de Khadafi», Annick Cojean diz que procura devolver um pouco de dignidade a mulheres cuja vida foi destruída por um monstro. A jornalista esteve meses em Tipoli para investigar a história de Soraya e diz que encontrou uma sociedade decadente, corrompida pelo crime e pela prostituição.
No livro, cujos excertos são avançados esta quinta-feira pela imprensa mundial, conta-se que Khadafi também abusaria de rapazes, em frente ao seu harém. O livro relata ainda os abusos de álcool, droga, tabaco e Viagra. Conta ainda como Khadafi usava as mulheres para se satisfazer sexualmente, mas também para exercer o poder: ao raptar as mulheres, o ditador subjugava os homens que estavam perto delas, como os maridos ou os pais.
(dos jornais)
Nota – Em
breve – ultrapassando este período em que o Tempo e o nosso tempo foi fértil em
assuntos momentosos que fazia sentido relevarem-se – voltaremos o enfoque para
as artes & letras, nomeadamente através de figuras cujo labor artístico de
primeira água faz a diferença em lugares como o Brasil, França, Espanha,
Portugal…
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
O CONDOTTIERI ATACA DE NOVO…
Nicolau Saião, O monarca
No diário Destak de ontem, José Luís Seixas, através da sua coluna de
opinião, escreve o que se segue sobre o indivíduo que – perdida toda a contenção
e num arroubo de insensato rancor por ter sido defenestrado do poder pelo povo
que claramente despreza – numa entrevista ao Expresso, deu em côncavo e em
convexo o seu perfil e o seu carácter de ex-político e de despejado por extenso.
Aqui fica o texto, curto mas notável e
corajoso a mais dum título.
“COLUNA VERTICAL
O glossário de Sócrates
Ao longo do seu percurso político, Sócrates sempre transmitiu a
imagem de um narciso empertigado e prepotente. O verniz foi estalando de quando
em vez, como naquele abraço a Barroso, exclamando “porreiro, pá!”. Ou na
expressão de incontido desprezo que marcou os debates parlamentares da época ao
invetivar, salvo erro, Louçã, com um «a tua Tia!». Admito que possa ter sido «a
tua Mãe», mas a minha recordação aponta mais para a colateral.
A entrevista da personagem ao Expresso é uma verdadeira pérola
digna de arquivo para memória futura, não vá o diabo tecê-las. A pretexto de um
«Sócrates íntimo», dedilhou qualificativos depreciativos sobre tudo e sobre
todos, à exceção, claro está, dele próprio. Usou, com eloquência e supina
elegância, o calão mais depurado que se tem lido em jornais supostamente de
referência. Se um dos seus opositores é «um merdas», toda a direita já é «uma
cambada de filhos da mãe» que, curiosamente, aspirava tê-lo por líder. Há um
alemão que é um «estupor», ademais de partilhar o conceito anteriormente
referido de filho da progenitora. «Canalhas» e «pulhas» são referidos a eito,
embora com o seu – dele – critério. O resto são «tipos» e «gajos», «raios os
partam a todos!»
Tem – ele – uma «boa vida» – coisa que os portugueses não
conseguem partilhar – e «não sente nenhuma inclinação para voltar a depender do
favor popular», que é como quem diz: “esse bando de ignaros, que é a populaça,
não merece o meu génio”… Replicando expressões suas, apetece dizer ao “gajo”
que pode estar tranquilo quanto ao favor do povo. Este costuma ser criterioso
relativamente ao “filhos da mãe” que o deixou na penúria!”
Nota – Quando, num artigo dado a lume no TriploV, no Ablogando
e, em periódicos, em Espanha, França e Brasil caracterizei o antigo premier como um aventureiro político com perfil não de líder mas de
condottieri, não o fiz por hostilidade mas por tipificação realista-científica.
Os ulteriores procedimentos e bosquejos conceptuais do dito
sujeito creio que me asseguraram que acertara no alvo.
É patente que, a pouco e pouco, se vão desvelando na sua figura
em recorte os tiques a que Umberto Eco deu o nome de cripto-fascismo: a
violência verbal desbragada carreando rancor, a pequena megalomania, o atiçar
duma violência e duma brutalizada narrativa que não são normais em países
civilizados – mas que são muito naturais num terceiro ou num quarto mundo.
Todo o burro come palha...
(de um jantar em Paris, em 2009)
No Diário Económico, agora mesmo:
Mais de mil pessoas no lançamento do livro de Sócrates
Dois antigos presidentes, Lula da Silva e Mário
Soares, irão realizar a apresentação do livro hoje às 18h30, no Museu da
Electricidade.
O lançamento do livro
de José Sócrates, marcado para as 18h30, já tem mais de mil pessoas
confirmadas, o que levou a abertura de mais uma sala no Museu da Electricidade,
em Lisboa, local onde vai decorrer o evento. "Tivemos que reservar mais
uma sala e teremos um projector", avança fonte da organização.
"A confiança no
mundo, sobre a tortura em democracia", é o título do livro, que é a tese
de mestrado que Sócrates fez nos dois últimos anos na escola parisiense
Sciences Po.
Dois
antigos presidentes, Lula da Silva e Mário Soares, irão realizar a apresentação
do livro.
Claudia
Prata, responsável de comunicação da Babel, a editora do livro, confirmou ao
Económico que este é o "maior evento da Babel, se não o maior do mercado
editorial" este ano. Já foram impressos 10 mil exemplares do livro e o
preço de capa ' e de 17 euros.
... e alguém duvida de que encontrar aqui um delinquente será como encontrar agulha em palheiro?
... e alguém duvida de que encontrar aqui um delinquente será como encontrar agulha em palheiro?
Gorda Antártida
Já nem a NASA se atreve a dizer o contrário. Este era o tal que estava a ser corroído pelo "aquecimento global" através correntes de água que fluíam na base do gelo.
Quem se atreverá agora a confessar que, para além da população do globo em geral, enganou em Portugal centenas de milhar de alunos?
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Portugal visto por...
Primeiro, o Governo deixa escapar a notícia do saque às pensões das viúvas. Depois, fingindo-se zangado, o Governo faz o anúncio oficial: o saque limita-se a três por cento das beneficiárias. Por fim, desvenda-se o Orçamento e instala-se a confusão acerca da percentagem do saque. Entretanto, cem por cento dos socialistas outrora inquilinos de Belém imitaram uma cantilena em voga e apelaram à insurgência das massas.
Evidentemente, o apelo não foi explícito. Jorge Sampaio, no estilo
críptico que desenvolve há sessenta anos, ofendeu-se sobretudo com o
desrespeito do sagrado Tribunal Constitucional e pediu "um assomo
patriótico", o que quer que isso seja. Mário Soares falou dos
"delinquentes" no poder e confessou temer que "o ódio do povo se
torne violento", formulação que numa cabeça matreira e pouco sofisticada
significa que espera com impaciência a sublevação das massas.
Não pretendo defender as aventuras dos Drs. Coelho e Portas, de
facto próximas do grotesco. Porém, é esquisito que alguns dos nossos mais
celebrados democratas tenham uma visão peculiar da democracia, maravilhosa
quando aclama os nossos, detestável quando premeia os restantes. Se não estou
em erro, o Governo em funções resultou de uma escolha dos cidadãos, chamados a
votar em eleições livres e justas. O Governo é mau? É, sim senhor, embora por
não cortar onde devia e não pelos motivos que o Dr. Soares e o Dr. Sampaio
sugerem. O Governo é ilegítimo? Não é, não senhor, excepto na opinião de
criaturas como o Dr. Soares e o Dr. Sampaio, para quem a legitimidade advém da
coincidência entre os titulares dos cargos e as suas simpatias pessoais.
Simular preocupação com a "pátria" ou o "povo" para tentar
impor as simpatias é estrategicamente compreensível. Mas é também uma trapaça.
Não me lembro de ouvir o Dr. Sampaio reclamar "assomos"
enquanto o Governo anterior inscrevia a pátria na sopa dos pobres europeia. E
sou capaz de jurar que, nesses gloriosos tempos, nunca o Dr. Soares avisou para
os riscos da plebe indignada. A verdade é que ambas as alminhas citadas
representam com brio o ramo do pensamento filosófico lusitano segundo o qual a
"direita" (ou o que em Portugal passa por direita) moralmente não
merece mandar. Se o povo real e bruto decidiu assim, há que imaginar um povo
iluminado capaz de decidir assado e correr com a "direita" à
bordoada.
Por enquanto, trata-se apenas da imaginação de dois antigos
presidentes da República, felizmente para nós e, no fundo, felizmente para
eles: nem sempre a fúria popular pendura uma comenda no pescoço dos respectivos
instigadores. Às vezes, limita-se a uma corda.
Uma amiga que trabalha no ramo falou-me recentemente e entre risos
do sofrimento de inúmeros pais no momento de deixar o rebento no infantário. Ao
que parece, a coisa não se distingue da despedida dos soldados que partiam para
o Ultramar, com lágrimas e tudo. Uma das poucas diferenças é que os combatentes
em África não estavam "monitorizados" (julgo ser o termo usado) por
um sistema de vigilância que informasse os familiares das suas actividades
diárias. Os rebentos começam a estar.
Vi no "telejornal". O sistema chama-se My Child, já foi
adoptado em Portugal por dezenas de creches e similares e consiste numa
"rede social" (também é o termo usado) que permite aos paizinhos
acompanharem no computador, através de fotografias e vídeos, o fascinante
quotidiano dos filhinhos. O filhinho come flocos ao pequeno-almoço? Os
paizinhos vêem. O filhinho desenha um rabisco? Os paizinhos observam. O
filhinho dorme a sesta? Os paizinhos contemplam. O filhinho bolsa? Os paizinhos
admiram, ao longo do dia e com provável prejuízo do trabalho pelo qual alguém
absurdamente lhes paga.
Não cabem aqui algumas considerações sobre as maleitas sociais e
psíquicas de que semelhante toleima é sintoma: a solidão e o vazio de tantas
vidas, a infantilidade dos padrões de comportamento, o alheamento face às
responsabilidades, a obsessão maníaca elevada a norma. Limito-me a lembrar que
o desmesurado zelo dedicado ao presente das crianças garante-lhes um futuro no
mínimo sombrio. E isso, se as circunstâncias não dessem vontade de rir, é que
mereceria copioso pranto.
Um modelo
Mário Soares, que diligentemente tenta bater o recorde de
afirmações esdrúxulas na mesma semana, estranhou que Cavaco Silva não fosse
julgado pelo "caso" BPN. Com a paciência que não dedica aos
jornalistas e populares que o insultam, o Prof. Cavaco remeteu o Dr. Soares
para os esclarecimentos que já prestara sobre a matéria e que, sendo
verdadeiros, o colocam na posição de simples depositante do banco em questão.
Segundo o Expresso, o Dr. Soares terá enviado um discreto pedido de desculpas
ao chefe da Casa Civil, confessando que não dera pelos ditos esclarecimentos.
Mas essa não é a questão.
A questão é a radiante facilidade com que o Presidente da
República está sujeito ao tipo de ataques que ninguém ousa lançar aos
ex-presidentes. Veja-se o mero exemplo da Fundação Mário Soares, que em 2014
receberá 210 mil euros do erário público, a juntar aos cerca de milhão e meio
que já recebeu entre 2008 e 2013. Não espantaria que, em tempos de crise
extremada, um populista pedisse o julgamento do Dr. Soares e dos benfeitores do
Dr. Soares por aquilo que qualquer cidadão menos cauteloso no verbo poderia
classificar de roubo, embora um roubo legalíssimo. O espantoso é que esse
populista não surgiu. O respeitinho que o Dr. Soares suscita é directamente
proporcional ao desrespeito que o próprio dedica ao mundo em seu redor, desde o
Chefe de Estado ao simples contribuinte. Em países normais, semelhante fenómeno
deveria servir de alerta. Aqui, serve de modelo.
A provocação e a serenidade
Para quem abomina a propriedade privada e venera a estatal, a CGTP
possui uma noção peculiar de ambas. Ao longo de um fascinante debate que durou
semanas, a central sindical exigiu dispor de duas pontes em Lisboa e no Porto
como se ambas pertencessem à espantosa multidão que presumivelmente viria
gritar contra o Governo, a austeridade, a troika e etc. Contas feitas, o
solitário motivo de espanto foi a pequenez da empreitada.
A cada dia, passam pela Ponte 25 de Abril cerca de 150 mil carros,
talvez 300 mil criaturas. Proibidos de desfilar a pé, os fiéis do sindicalismo
conseguiram que umas dúzias de autocarros percorressem o tabuleiro devagarinho.
À saída, em Alcântara, as notícias da "concentração" falam em
"milhares de pessoas", maneira genérica e simpática de descrever o
que, à hora a que escrevo, tresanda a fracasso.
No Porto, onde as previsões arriscavam 30 mil manifestantes e não
houve a divertida desculpa da chuva, "fracasso" tresanda a eufemismo:
a TSF contou "centenas" de indignados. A "capacidade de mobilização"
da CGTP só impressiona por comparação com a do microscópico Movimento Que Se
Lixe a Troika, que normalmente mobiliza com dificuldade a quantidade de
elementos de uma equipa de râguebi (sem suplentes). Ou por comparação com os
poderes místicos que comentadores de diversa índole lhe atribuem.
A única proeza que a CGTP cometeu no sábado prende-se com o facto
de as autoridades terem por sua causa encerrado ao trânsito uma série de ruas
nas duas maiores cidades do país, afinal subjugando o lendário interesse comum
à ambição imediata do extraordinário Arménio Carlos, leia-se atrapalhar a vida
alheia.
Sem
querer, e referindo-se ao FMI, o Sr. Arménio afirmou ao DN o essencial sobre a
relação do sindicalismo com a sociedade: "Aqui mandamos nós." É o que
parece, por muito que apeteça perguntar porquê. Ainda a propósito do FMI, o Sr.
Arménio prosseguiu: "Respondemos à provocação com serenidade." E nós,
incluindo os milhões que por óptimas ou péssimas razões já não aguentam o
Governo mas não se iludem com prepotentes e reaccionários no pior sentido,
pelos vistos também.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
DA SANTIDADE(?) COMO UMA DAS BELAS ARTES…
BISPOS ALEMÃES ESCONDEM PATRIMÓNIO
Na
diocese de Limburgo, foram transferidos nos últimos 65 anos 300 milhões de
euros de receitas fiscais religiosas para pequenas estruturas poucos
transparentes
Os bispos
da Igreja Católica alemã poderão estar a esconder milhões de euros de
património em orçamentos especiais, de acordo com uma investigação publicada
hoje pelo jornal Der Spiegel.
Nos
últimos dias, tem sido amplamente noticiado na Alemanha o caso do bispo de
Limburgo, Franz-Peter Tebartz-van Elst, criticado pelo estilo de vida luxuoso,
e por alegadamente ter mentido sob juramento, estando neste momento, de acordo
com a imprensa local, a ser discutida a sua permanência em funções.
"Há
muito tempo que não há uma ofensiva como esta à transparência na Igreja
Católica", diz o Der Spiegel,
citado pela France Presse.
Na
diocese de Limburgo, foram transferidos nos últimos 65 anos 300 milhões de
euros de receitas fiscais religiosas para pequenas estruturas poucos
transparentes, de acordo com o jornal.
"Nas
particularmente ricas arquidioceses de Colónia, Munique e Freising, os próprios
diretores financeiros ignoram a magnitude do património," os pontos do
jornal.
Na
Alemanha, os contribuintes declaram se são católicos, protestantes ou sem
religião e o Estado procede à consignação de entre 8 e 10% dos rendimentos dos
crentes declarados para as respetivas instituições.
Em 2012,
os 23 milhões de alemães que declararam ser católicos geraram receitas à Igreja
em torno de 5,2 mil milhões de euros com o imposto religioso.
(dos jornais)
É por estas e por outras, que Francisco tem estado
a procurar estancar, que determinados grupos, aliás já bem identificados, vêm
levando a efeito uma campanha de momento ainda discreta, mas que vai aumentando
a pouco e pouco nos meios eclesiais, contra o actual pontífice.
E foi por outras como estas, não esquecendo o “equívoco”
de Fátima que ele iria deslindar, que João Paulo I foi assassinado mediante
conjura, como hoje já é conhecido, artilhada nos altos escalões da ICAR.
Faz pois sentido a frase recentemente dada a lume
na revista oficial jesuíta, aconselhando o novel pontífice a precaver-se com um
colete protector anti-bala. Pois às vezes o dianho tece-as, como reza a frase
proverbial…
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
DA DEMOCRACIA (?) COMO UMA DAS BELAS-ARTES…
“Há um fenómeno a crescer em Portugal,
protagonizado por famílias que subsistem graças às refeições distribuídas
diariamente por associações solidárias, um sistema criado originariamente para
socorrer sem-abrigo. A perceção pertence a Pedro Nicolau, vice-presidente do
Centro de Apoio ao Sem-Abrigo, CASA. "Podem ter teto precário, um quarto
partilhado, mas enfrentam dificuldades tais que vêm pedir refeições quentes.
Chegam famílias inteiras", diz o responsável, na véspera do Dia
Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala esta quinta-feira.
"Com o agravar da crise, a curto e médio prazo, estas famílias podem
tornar-se sem-abrigo", referiu também Paula França, coordenadora do Núcleo
de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA), do Porto, na apresentação dos
resultados deste programa.”
(dos jornais)
Agradeço aos nossos diversos governantes
que, pelos tempos fora, têm levado a Nação a este sublime e próspero ambiente
de democracia real…
E decerto o progresso irá continuar.
Viva Portugal!
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
ASSIM QUE PASSEM 3 MESES…
A grande
delícia, que é também a grande aventura de leitores encartados, é apanharem-se
belos livros ao preço da uva mijona.
Nem
precisam de ser primeiras edições, que isso é apenas um quitute mais neste
esforço glorioso de se mercarem, mediante quantias modestas, exemplares que nos
saciem esta paixão relativamente douda de se terem obras amoráveis de autores
que sabem como se ergue um mundo muito próprio e que nos verdadeiros casos de
alto talento ou de génio não precisam de encómios dos habituais fogueteiros da
crítica que se esfalfam para fazer fins de meses ou de se auto-elevarem através
das qualidades dos outros.
Creio que me
faço entender. Ou seja, já me perceberam na perfeição...
E não falo
desses livros produzidos por cavalheiros/as que os obraram para uma dúzia de
anos de imortalidade (ou mais ou menos), mas de obras realmente poderosas,
suscitadoras e únicas, onde se sente o frémito que Samuel Pepys dizia exalar-se
das obras-primas.
Eu, com os
livros recebedores de Nobel, tenho tido experiências muito positivas.
Pecuniariamente falando.
Sabem como faço? Como é o meu procedimento ?
Pois é simples!
Tenho calma. Aguardo pacientemente como o chinês da
estorinha exemplar.
Sento-me, salvo seja, aos portões dos espaços de
leilões. Vou fumando uns cigarritos, deitando a terra umas cervejolas, olhando
a paisagem ensolarada ou contemplando o vasto céu nocturno. E enquanto trato da
saúde a umas bejecas e despacho uns paivantes, sinto-me assim como aquele filósofo
que contemplava o imutável mundo com um sorriso nos lábios.
Fico nisto
uns três quatro meses.
E a pouco e
pouco ei-los que começam a chegar: uns bem estimadinhos, outros com algumas
dobritas, uns vincos de cansaço – que, todavia, não lhe afectam o miolo…a
substância folhosa.
Passada a
novidade – engordada no anúncio na santa tv ou no florete do conspícuo jornal
literário cá da s’nhora pátria – degustada a novidade (salvas as naturais
excepções dos mangas que os lêem a valer e os guardam por real amor à escrita),
os tomos, como guerreiros que já cumpriram o seu dever, entram nesse limbo que
são os interactivos espaços de leilões, com os seus “licitação, tanto” e
“compre já, tanto”.
E como um guerreiro comanche ou um zulu, ali
estou eu (como outros da mesma bitola) à espreita.
Em suma:
da malta nobelizada (com excepção da saramagal figura, que dessa qu’é que
querem, não gasto) tenho apanhado quase tudo.
Daí que, para esta excelente Alice Munro deste
ano, me pareça que lá para fevereiro março irá cantar nas minhas estantes, na
minha banca-de-cabeceira, uma resmazita mui aprazível. Mercada a preçozinho
convidativo.
Como os pescadores
e os caçadores de tocaia, já aprontei o meu espingardum simbólico.
Alice,
grande senhora canadiana habitante desses lugares que me foram tão acolhedores
nas duas vezes que visitei o Ontário, cá a espero no fim do Inverno ou no
começo da Primavera.
Evohé!
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
A "geração mais bem preparada de sempre"
Para além da ignorância pura e dura, há várias coisas que espantam:
1 - A risota perante o falhanço
2 - As desculpas esfarrapadas
3 - Não terem a noção do quanto pouco sabem
4 - Não terem vergonha de exporem a sua mediocridade
Depois, há perguntas que têm que ser feitas:
A - Que pensa esta gente fazer da vida?
B - Que filhos terá esta gente e que educação lhes dará?
C - Em que mundo pensa esta gente viver?
D - A que critérios recorrerá para decidir em quem votar?
E - Pensará esta gente que o mundo se lhes adaptará para que a sua ignorância se torne uma qualidade?
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Da cobra-de-banha
Depois de ter lido isto que Mário Soares escreveu no Diário de Notícias...
«Passos Coelho tenta segurar Rui
Machete, como fez com Relvas, agora desaparecido e vaiado também por
portugueses no Brasil. Mas parece impossível que consiga fazer o mesmo com o
ministro dos Negócios Estrangeiros e com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque,
igualmente acusada de pouca seriedade e com pedidos do Parlamento para ser
também demitida. É caso para perguntar: que Governo é este que atrai tantos
delinquentes e que Pacheco Pereira, que é membro do PSD, teve a coragem de
afirmar que "está cheio de má-fé"?»
... e atendendo a que Rui Machete foi seu vice-primeiro ministro, não sei qual a conclusão mais próxima da verdade:
- Se a de que o sr. Soares está seguro de que os portugueses sofrem irremediável e maioritariamente da doença de Alzheimer;
- Se a de que o sr. Soares é já portador do grau de senilidade que faz desaparecer os mais ínfimos vestígios do decoro em quem o sofre;
- Se a de que o sr. Soares apenas confirma, até ao asco, o carácter de homus politicus de que padece desde que me lembro.
Por outras palavras:
- Se a de que o sr. Soares está doente ou é, ele próprio, uma doença;
- Se a de que o sr. Soares é apenas o sintoma visível do povo - único do Quarto Mundo - que organiza uma manifestação de vitória eleitoral à frente de uma cadeia.
Mais palavras só estragam.
domingo, 6 de outubro de 2013
Vacuidades
A propósito disto ...
1 - "o apelo ao exercício de uma cidadania plena"
O apelo ao exercício da cidadania que o apelante vê como cidadania. Implicitamente agrava o exercício que cada qual encara como a apropriada.
2 - "elogio do papel da Educação na formação de cidadãos conscientes, críticos e capazes de fazer viver o regime democrático para além das suas limitações circunstanciais"
Idem. O cidadão consciente é, aqui, novamente, a visão que o apelante tem de cidadão consciente, crítico, etc. Vacuidade atrás de vacuidade. É o pináculo daquilo que se conhece ser a promoção do mundo inexistente, o "cidadão" que julga pertencer a um mundo que não se lhe adapta.
3 - “o papel insubstituível dos professores”
Os professores são sempre insubstituíveis muito embora não se esgotem no mundo do ensino publico ou estatal. Professor é quem ensina algo a alguém. Trocado por miúdos resulta em mais uma vacuidade.
4 - Global Teacher Status Index
Nada daqui resulta em particular porque se no caso grego a excelente classificação que obtêm é proporcional à insipiência do país, em Portugal a insipiência do país revela-se no valor de apenas 27%. É a chamada estatística em circuite fechado em que cada qual se avalia a si próprio. O Brasil, uma das mais violentas e subdesenvolvidas (estando em acelerado recuo) sociedades do mundo (não vale a pena falar de África) mantém-se a par de Israel, uma das mais vibrantes economias e educadas sociedades. O Egipto ombreia com a Nova Zelândia. Mas, diz-se, em Portugal os professores estão "acima de outros actores sociais". Dá vontade de dizer que bosta produz bosta.
5 - "tem bastante confiança no seu desempenho"
Ter bastante confiança significa ter um papel medíocre mas no topo da medíocre media.
6 - "O problema é que a defesa da cidadania e o apelo ao seu exercício pelas gerações futuras não pode fazer-se ao mesmo tempo que se prolonga um constante ataque directo e indirecto às condições materiais e simbólicas do exercício da docência."
Quem diria que 27% de agrado não diz o contrário. Já parece a história dos 1% que representam 99%. É curioso que a fé nos dividendos futuros da "educação" é inversamente proporcional ao que dela resultou no passado. É o eterno futuro marxista.
7 - "Mais grave, quando há quem procure encontrar na Educação apenas o lucro, a hipótese de negócio, a mercantilização de uma função nobre, faltando-lhes o sentido ético e o apego à transparência de processos e argumentos."
É exactamente quem conta com os impostos pagos com lucro e até com o prejuízo dos outros, que se acha em condições para verter ódio à existência de lucro. O ódio à "mercantilização" explica a crescente incapacidade em perceber a armadilha que as luminárias montam na cabeça de quem mais longe vai na educação estatal. É esta gente que se propõe formar quem quer que seja para trabalhar de forma consistente e geradora de lucro (riqueza).
8 - "Atravessamos um período conturbado no qual o relativismo dos conceitos impera e as palavras são usadas de modo instrumental, arremessadas como armas ocasionais e não como algo com um significado próprio. Liberdade, democracia, cidadania, são conceitos que vão sendo manchados a cada vez que são mal usados, truncando ou distorcendo o seu real significado."
Vacuidade atrás de vaquidade. É o pináculo de 'o meu conceito é melhor que o teu' sem nada se consubstanciar.
9 - "Os professores têm como parte da sua missão ensinar e exemplificar o que eles significam, nem que seja do ponto de vista da História."
... nem que seja ... A caixa de pandora para venda de banha da cobra. Cabe aos professores ensinarem os factos históricos que se desenvolveram a partir desses conceitos. Tudo o resto é lavagem ao cérebro.
10 - "Mas, infelizmente, o tempo presente tinge de incredulidade os olhos dos alunos que, pelos exemplos quotidianos que lhes são dados a cada noticiário, desacreditam da eficácia do exercício da cidadania e da vida democrática."
Só pode. Quanto mais banha da cobra vender o professor mais o limbo escolar se afasta do mundo real, intra e além fronteiras. Essa desadequação vai virar-se contra quem está mais a jeito.
11 - "É função, explícita ou implícita, dos professores não deixar erodir em definitivo a crença das futuras gerações na bondade da democracia, na possibilidade de uma liberdade vivida com justiça e no imperativo de comportamentos éticos, praticados para além de credos ou interesses particulares."
Treta. Não é função dos professores venderem banha da cobra seja ela qual for. É função dos professores ensinarem a generalidade dos regimes políticos e a responsabilidade pela escolha caberá, a seu tempo, ao aluno. É exactamente por desconfiarem da democracia que os professores entendem ser seu dever injectar o seu particular entendimento de democracia.
12 - "Infelizmente, o seu trabalho é dificultado a cada dia, quase a cada noticiário, pelo exemplo degradante de quem tem do exercício de funções públicas uma noção estreita, facciosa e com uma perturbadora relação com a verdade, o rigor e a transparência, como se a manipulação, truncagem ou falsidade dos factos deixasse de ser mentira para se tornar mero detalhe de inadequação factual."
A perplexidade pelos desencontros que aos professores entram porta dentro colide com o espanto de quem fora do estado comenta "Mas estes gajos são parvos? Só agora perceberam o real significado e consequências de bancarrota? Pensam que somos obrigados a mantê-los no limbo para que possam continuar a disseminação de propostas que, implementadas, acabam sistematicamente em miséria e fome? Façam-se à vida. Se não sabem o que é ter que trabalhar para que haja resultados que permitam pagar os impostos que lhes servirão de salário e ainda sobrar para que tenhamos o nosso, já é tempo de irem aprendendo".
É o problema de quem insiste em manter-se isolado do mundo e da realidade. Nem percebem que se torna demasiado claro que pensam pertencer a uma casta chegando ao ponto de se convencerem que a própria propaganda é realidade.
1 - "o apelo ao exercício de uma cidadania plena"
O apelo ao exercício da cidadania que o apelante vê como cidadania. Implicitamente agrava o exercício que cada qual encara como a apropriada.
2 - "elogio do papel da Educação na formação de cidadãos conscientes, críticos e capazes de fazer viver o regime democrático para além das suas limitações circunstanciais"
Idem. O cidadão consciente é, aqui, novamente, a visão que o apelante tem de cidadão consciente, crítico, etc. Vacuidade atrás de vacuidade. É o pináculo daquilo que se conhece ser a promoção do mundo inexistente, o "cidadão" que julga pertencer a um mundo que não se lhe adapta.
3 - “o papel insubstituível dos professores”
Os professores são sempre insubstituíveis muito embora não se esgotem no mundo do ensino publico ou estatal. Professor é quem ensina algo a alguém. Trocado por miúdos resulta em mais uma vacuidade.
4 - Global Teacher Status Index
Nada daqui resulta em particular porque se no caso grego a excelente classificação que obtêm é proporcional à insipiência do país, em Portugal a insipiência do país revela-se no valor de apenas 27%. É a chamada estatística em circuite fechado em que cada qual se avalia a si próprio. O Brasil, uma das mais violentas e subdesenvolvidas (estando em acelerado recuo) sociedades do mundo (não vale a pena falar de África) mantém-se a par de Israel, uma das mais vibrantes economias e educadas sociedades. O Egipto ombreia com a Nova Zelândia. Mas, diz-se, em Portugal os professores estão "acima de outros actores sociais". Dá vontade de dizer que bosta produz bosta.
5 - "tem bastante confiança no seu desempenho"
Ter bastante confiança significa ter um papel medíocre mas no topo da medíocre media.
6 - "O problema é que a defesa da cidadania e o apelo ao seu exercício pelas gerações futuras não pode fazer-se ao mesmo tempo que se prolonga um constante ataque directo e indirecto às condições materiais e simbólicas do exercício da docência."
Quem diria que 27% de agrado não diz o contrário. Já parece a história dos 1% que representam 99%. É curioso que a fé nos dividendos futuros da "educação" é inversamente proporcional ao que dela resultou no passado. É o eterno futuro marxista.
7 - "Mais grave, quando há quem procure encontrar na Educação apenas o lucro, a hipótese de negócio, a mercantilização de uma função nobre, faltando-lhes o sentido ético e o apego à transparência de processos e argumentos."
É exactamente quem conta com os impostos pagos com lucro e até com o prejuízo dos outros, que se acha em condições para verter ódio à existência de lucro. O ódio à "mercantilização" explica a crescente incapacidade em perceber a armadilha que as luminárias montam na cabeça de quem mais longe vai na educação estatal. É esta gente que se propõe formar quem quer que seja para trabalhar de forma consistente e geradora de lucro (riqueza).
8 - "Atravessamos um período conturbado no qual o relativismo dos conceitos impera e as palavras são usadas de modo instrumental, arremessadas como armas ocasionais e não como algo com um significado próprio. Liberdade, democracia, cidadania, são conceitos que vão sendo manchados a cada vez que são mal usados, truncando ou distorcendo o seu real significado."
Vacuidade atrás de vaquidade. É o pináculo de 'o meu conceito é melhor que o teu' sem nada se consubstanciar.
9 - "Os professores têm como parte da sua missão ensinar e exemplificar o que eles significam, nem que seja do ponto de vista da História."
... nem que seja ... A caixa de pandora para venda de banha da cobra. Cabe aos professores ensinarem os factos históricos que se desenvolveram a partir desses conceitos. Tudo o resto é lavagem ao cérebro.
10 - "Mas, infelizmente, o tempo presente tinge de incredulidade os olhos dos alunos que, pelos exemplos quotidianos que lhes são dados a cada noticiário, desacreditam da eficácia do exercício da cidadania e da vida democrática."
Só pode. Quanto mais banha da cobra vender o professor mais o limbo escolar se afasta do mundo real, intra e além fronteiras. Essa desadequação vai virar-se contra quem está mais a jeito.
11 - "É função, explícita ou implícita, dos professores não deixar erodir em definitivo a crença das futuras gerações na bondade da democracia, na possibilidade de uma liberdade vivida com justiça e no imperativo de comportamentos éticos, praticados para além de credos ou interesses particulares."
Treta. Não é função dos professores venderem banha da cobra seja ela qual for. É função dos professores ensinarem a generalidade dos regimes políticos e a responsabilidade pela escolha caberá, a seu tempo, ao aluno. É exactamente por desconfiarem da democracia que os professores entendem ser seu dever injectar o seu particular entendimento de democracia.
12 - "Infelizmente, o seu trabalho é dificultado a cada dia, quase a cada noticiário, pelo exemplo degradante de quem tem do exercício de funções públicas uma noção estreita, facciosa e com uma perturbadora relação com a verdade, o rigor e a transparência, como se a manipulação, truncagem ou falsidade dos factos deixasse de ser mentira para se tornar mero detalhe de inadequação factual."
A perplexidade pelos desencontros que aos professores entram porta dentro colide com o espanto de quem fora do estado comenta "Mas estes gajos são parvos? Só agora perceberam o real significado e consequências de bancarrota? Pensam que somos obrigados a mantê-los no limbo para que possam continuar a disseminação de propostas que, implementadas, acabam sistematicamente em miséria e fome? Façam-se à vida. Se não sabem o que é ter que trabalhar para que haja resultados que permitam pagar os impostos que lhes servirão de salário e ainda sobrar para que tenhamos o nosso, já é tempo de irem aprendendo".
É o problema de quem insiste em manter-se isolado do mundo e da realidade. Nem percebem que se torna demasiado claro que pensam pertencer a uma casta chegando ao ponto de se convencerem que a própria propaganda é realidade.
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