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sexta-feira, 29 de março de 2013

E começou a discussão...!



Lê-se aqui:
Um estudo do Bundesbank concluiu que o património das famílias alemãs é inferior ao das espanholas ou ao das italianas.
Um estudo do Bundesbank conclui que o património das famílias alemãs é inferior ao das espanholas ou ao das italianas e foi muito criticado na Alemanha, por se basear numa metodologia considerada pouco fiável.
A edição do Spiegel Online, citada hoje pela AFP, estimava na sexta-feira que o estudo do banco central alemão tem uma série de problemas metodológicos, nomeadamente no que se refere ao universo abrangido, ao património considerado e às datas de referência.
De acordo com o Bundesbank, as famílias alemãs detêm, em média, 195.200 euros, enquanto as francesas têm 229.300 euros e as espanholas 285.800 euros.
O património mediano (o nível acima do qual se situa a média das famílias) seria apenas de 51.400 euros na Alemanha, ou seja, duas a três vezes menos do que em França (113.500), em Espanha (178.300) e em Itália (163.900).
Face a estes números, que suscitaram espanto, a principal explicação apontada pelo Bundesbank é a baixa proporção de alemães proprietários de casa por comparação aos outros países da Europa.
Apenas 44,2% dos alemães é dono da sua habitação, contra 57,9% dos franceses e 82,7% dos espanhóis, de acordo com o banco central alemão, que estima que os proprietários imobiliários são, em média, mais ricos do que os outros.
O estudo foi amplamente mediatizado na Alemanha, numa altura em que a chanceler alemã, Angela Merkel, está sob pressão para defender os interesses dos contribuintes germânicos, embora seja criticada pelos outros países do euro por falta de solidariedade.
O relatório foi também muito criticado pelas datas de referência consideradas: por exemplo, o património detido pelos espanhóis refere-se a dados de 2008, sendo que os preços das casas caíram depois da bolha imobiliária em Espanha.
Além disso, o estudo também não considera os direitos à reforma nem as prestações sociais, que representam a quase totalidade da riqueza das famílias mais pobres.
Comparar o património das famílias, e não das pessoas individuais, coloca também um problema, na medida em que a dimensão média é maior nos outros países europeus do que na Alemanha, que tem muitas pessoas que vivem sozinhas.
Interrogado na sexta-feira, um porta-voz do Bundesbank escusou-se a fazer comentários, mas esclareceu que o estudo incide sobre as famílias alemãs e que, "para as comparações internacionais, é preciso esperar pelos números do Banco Central Europeu".

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O vespeiro europeu

(imagem obtida aqui)

Também poderia ser intitulada assim, esta crónica de Ferreira Fernandes publicada hoje no DN:

Não há vespas más


Têm nome suave que mais parece um nespresso, velutina, mas são máquinas de guerra invasoras. Como num filme de ficção científica, chegaram ao porto de Bordéus talvez escondidas num vaso chinês, em 2004 ou perto, subiram já até Paris e a Alemanha treme com a chegada delas, desceram pelo País Basco e descobriram-se, há dias, 40 ninhos no Minho. Diz-se que em poucos anos a Vespa velutina nigrithorax pode dar cabo das colmeias europeias. O eurodeputado Nuno Melo perguntou ao Parlamento Europeu o que pensa e este respondeu como na crise financeira: que cada país se safe. A lenda diz que 40 destas recém-chegadas vespas conseguem dar cabo de 30 mil abelhas (uma colmeia pode ter 80 mil). Carnívoras, despedaçam a abelha, desperdiçam a cabeça, asas e patas, ficam só com o abdómen, que levam para o ninho, para alimentar as suas larvas. Lá longe, as abelhas japonesas têm um truque para sobreviver a uma vespa mais terrível, a mandarina: deixam-na entrar na colmeia, fecham as entradas e aquecem o ambiente abanando as asas. Com 43 graus, matam a vespa que é mais sensível ao calor do que as abelhas. Sempre mais inteligentes os japoneses. Mas como importar essa sabedoria?... Os cientistas franceses, os europeus mais aplicados no estudo da velutina, tentam acalmar dizendo que não há vespas más. O povo está assustado. E, como já vimos, as autoridades empurram a solução com a barriga. A Europa é previsível qualquer que seja o assunto.

domingo, 25 de novembro de 2012

Branca de Neve procura emprego - Alberto Gonçalves (4)






É provável que uma hipotética saída da União Europeia agravasse ainda mais a nossa situação económica. Mas talvez melhorasse a nossa saúde mental. No meio de uma crise que coloca a sua própria existência em risco, o Parlamento Europeu dedica-se a demonstrar que não se perderia muito: não satisfeito por possuir uma absurda Comissão dos Direitos da Mulher e Igualdade dos Géneros, o PE permite que a dita comissão se alivie de palpites acerca de matérias que sempre os dispensaram.

Até agora, essa destravada fraternidade tentava interferir no mundo real e entretinha-se a propor quotas em empresas e delírios assim. Agora, soube por Helena Matos (blasfemias.net), a referida Comissão avança para o mundo da ficção e quer abolir das escolas ou no mínimo temperar a influência das obras literárias infanto-juvenis que atribuem papéis "tradicionais" aos elementos masculinos e femininos da família. Livrinho em que o pai saia para o trabalho e a mãe fique a cuidar da prole irá, se a coisa vingar, directamente rumo ao index dos eurodeputados.

O index será vasto. Não estou a ver nenhum clássico da literatura do género em que a personagem do marido passe os dias a mudar fraldas e a da esposa assuma um lugar de relevo na sociedade. Mesmo na "Branca de Neve", que está longe de representar um agregado familiar retrógrado (conheço pouquíssimas senhoras que coabitem em simultâneo com sete cavalheiros, para cúmulo de estatura alternativa), a verdade é que a heroína trata das arrumações caseiras enquanto os seus sete parceiros labutam nas minas. E quanto a Huckleberry Finn, criado na ausência da mãe e na presença de um pai alcoólico, erradica-se ou não? E os órfãos de Dickens? E, uns degraus abaixo, os pobres sobrinhos sem tia da Disney? Além disso, a Comissão dos Direitos da Mulher e Etc. é omissa no que toca às fábulas. Se, por exemplo, é indesmentível que, ao invés da cigarra, a formiga trabalha como uma desgraçada, nem Esopo nem La Fontaine sugerem que a dita seja fêmea e unida pelo matrimónio a um formigo que colabora nas tarefas do lar e respeita o "espaço" da companheira. Que obras, em suma, corresponderão aos requisitos de igualdade? Há uma imensidão de dúvidas.

Por sorte, há um PE recheado de certezas, que reivindica à Comissão Europeia legislação capaz de regulamentar (um verbo predilecto) o equilíbrio conjugal nas histórias para petizes - no papel e também no cinema, na televisão, na publicidade e onde calhar. O argumento (digamos) é o de que os "estereótipos negativos de género" minam a "confiança" e a "auto-estima" das jovens, limitando as suas "aspirações, escolhas e possibilidades para futuras possibilidades [a repetição não é gralha] de carreira". Quem fala assim não é gago: é semianalfabeto na medida em que escreve com os pés, arrogante na medida em que submete a liberdade criativa à engenharia social e um bocadinho maluco na medida em que confunde a fantasia com o quotidiano.

Não tenho opinião sobre os modelos imaginários que devem orientar as criancinhas. Em compensação, parecem-me evidentes os modelos palpáveis de que as criancinhas devem ser protegidas a todo o custo - a menos, claro, que os pais lhes desejem um emprego em Bruxelas, a incomodar o próximo para entreter o ócio e realizar uma vocação.