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domingo, 17 de junho de 2012

Pequeno mostruário para vampiros (6)




Do horror luso-nético nas suas obras vivas…

  Uns estão no ramo da diplomacia, outros no do professorado. Ainda outros e outras, prevalecem-se no meio-termo que é qualquer coisa pública, assessorias e jornalismos de meia-mantença. Ou de mantença completa. Propagam-se, como as orquídeas do deserto, digamos. Ou os malmequeres da estepe. E têm blogues e escrevem blogues e entesouram blogues. Não se masturbam, fornicam entre eles as frases com que se entesoam. Que andaram quase todos na mesma faculdade, a da notoriedade obrigada a mote.

   São gente fina e reivindicam-se gastrónomos. Ou dizem-se. Ou apelam-se. Comem do bom e bebem do fino. Quando acaso comem, banqueteiam-se e fotografam-se porque nunca perceberam que, como dizia Beau Brummel, “se tiveres necessidade de dizeres quem és, não és ninguém”. Vestem bem se lhes apetece e mal se lhes quadra. São solidários, dessolidários, inteligentes ou encenadamente estúpidos. Porque isso é belo lá entre eles. Ou outra palavra qualquer, porque o seu signo é a crueldade e o desdém que disso parte. Sem saberem, acederam à maior santidade, a da distracção no meio da lama. Por isso, de vez em quando vão de ventas à torneira.

  Para terem um bocadinho de sonho? Creio que nem isso. Usam a cara como se usa a petulância de um sorriso sardónico. Ou a sobranceria ratona de um pulidovalentismo de opereta. São portugueses portuguesas até à medula, mas só nos fundilhos. De esquerda ou de direita tanto faz, isso é apenas um detalhe inócuo. Mas que os ajuda a fingir que são de fora, como aquela pedante loira e depois morena e depois loira televisivamente que escrevendo como se escreve nos croniquentos jornalitos de cá se sentia redactora de grande semanário americano. Para se compensar de ser uma criada de políticos ratoneiros? Muito provavelmente. Velhacazita como um abutre com cio? Tão natural como a sua sede de urubu. De urubua. Pois o céu está-lhes prometido, a ela e aos seus parceiros de charneca.




  São da bela rapaziada. Decididos mas frascários. Canalhas mas vencedores. E se vencidos por qualquer razão, ficarão sempre na mó de cima. É da sua condição de classe média alta. Ou de fidalgotes que como a pescadinha antes de o ser já o era. Ainda que republicanos.

  Espertíssimos, mas o país que controlam jamais passou da cepa torta. Talentosos, mas o sarro nunca o tiraram das esquinas e das paredes da pátria. Quando rebentam, quando estoiram (não morrem, fundem-se, esta gente não é digna de morrer) imortalizam-se na conversa rôta dos seus pares.

   Nunca escrevem nada de permanente, de sóbrio, de fundacional e sincero. E da emoção apenas sabem a lágrima fácil. Que pode ser arroto. Ou peido. Mas nunca grito desgarrador e comovente.

  Pululam nos espaços interactivos. Unem-se em irmandades informais e em cooptações estarrecedoras. Ou afectuosas. Lusitanamente doloridos, mas no fundo do poço da alma, trazem nela a marca, o ferrete da hipocrisia mansa e do cinismo de bom tom.

  Nunca serão fuzilados num terreiro. Nem pendurados num carvalho da Califórnia. Nem empalados num zimbreiro da Transilvânia.

  Quase eternos, omnipresentes como piolhos por costura, nunca nos veremos livres deles.

  São a garantia da raça. E têm opiniões. Autónomos na sua infâmia civilizada e moderna, durarão até ao fim dos séculos. Ou mesmo um poucochinho mais.

   Mas nem dão nem darão p’ra tabaco.  

domingo, 3 de junho de 2012

PEQUENO MOSTRUÁRIO PARA VAMPIROS (5)




Um email que enviei há dias:


Como disse Leucipo, na frase canónica que muitas vezes é dita de outro modo mais "moderno", o azeite, como é mais leve que a água, fica sempre por cima, tal como a verdade, pois é mais leve que a mentira.

 E é de facto assim.

 Embora, por vezes, se sinta que ela demora a chegar - muito mais quando é entravada por sistemas lentos ou capturados em parte por sectores pervertidos, estimulados por mídias corrompidos eticamente ou decididamente canalhas.

 Refiro-me ao embuste que durante anos rodeou os portugueses, muitos dos quais ingenuamente e de boa-fé, quero crer, atacavam e caluniavam e difamavam quais autómatos (mas a pressão infame era muita...!) Fátima Felgueiras - anteontem como decerto terá visto nos órgãos de informação TOTALMENTE ABSOLVIDA em sentença confirmada pela Relação e vinda na sequência da absolvição em primeira instancia.



Salvador Dali, La main monstrueuse


 Como decerto saberá, por razões familiares eu tive conhecimento directo deste caso: assisti às calúnias que eram lançadas sistematicamente, vi tudo dum ponto privilegiado, por diversas vezes tomei posição contra os que - ora ingenuamente ora nefandamente - lançavam lama tentando aniquilar um ser humano, assassinar-lhe o carácter por razões pérfidas. E a maior parte nem sequer o conhecia, apenas "emprenhava pelos ouvidos" como sói dizer-se, manipulados por periódicos que tentavam o sensacionalismo e a "verdade de pacotilha".

 Também a mim me coube ser caluniado, enxovalhado e difamado nomeadamente, em acção, por um blogue e, por omissão, por um indivíduo que deu, nessa medida, certa "credibilidade" ao acto.

 Não pode estranhar-se que em breve o meu advogado avance com processos-crime, pois como diz o povo "quem não se sente não é filho de boa gente". E certas coisas não podem passar-se por alto! Para onde tentaram que fosse a verdade honrada nesta Nação à beira da desgraça económica?

 E passando a outro assunto: hoje em dia, em certos meios, a impostura pedante está a tentar aproveitar-se da inocência dos cidadãos. É isso que se releva, com frontalidade e ironia, no bloco que junto vos deixo (também em linha no Ablogando), com o velho abraqs de estima.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pequeno mostruário para vampiros (4)




   Em Lisboa como na província magna costumam aparecer, aproveitando-se da ingenuidade de disponíveis assistentes e dos pequenos velhacos organizativos, certos “mestres-escolas de tudo e oficiais de nada” conferencistas, que com o descaramento que a mediocridade e a petulância lhes facultam ousam perorar sobre assuntos que gostariam de ter próximos e fecundos, mas que lhes estão tão longe como Vega ou Canis Minor…

  Pesporrentes e à guisa de vendedores de banha da cobra, esses caramelos estabelecem maior confusão ainda nas orelhas dos que os ouvem, capturados pela sua audácia de pequenos jogadores das artes & letras.

  Em “homenagem” a esses sujeitos atravancadores, aqui se deixa um poema sobre uma figura singular, existente e de que maneira apesar de artilhado nos plainos da imaginação, o grande Pitta Raposo, o magnificente e sem par…



Nicolau Saião, Um Pitta Raposo



Perfil de um grande homem

É arteiro como um cigano                  
elegante e donairoso                           
- um magnífico fulano                        
o grande Pitta Raposo!
                       
Melífluo e insinuante                          
dá de si boa impressão                       
e com voz tonitruante                
é um belo cidadão!  
                            
É real homem de bem
nada há que lhe não valha
pois seguro prestígio tem
entre outros da mesma igualha.

Sabe aguentar a parada                      
para levar tudo a eito                           
 entra em qualquer titarada               
que lhe dê justo proveito.                   

Um fidalgote fogoso                             
mexido até dizer basta                         
- o grande Pitta Raposo                      
como ele gosta da pasta!                 

Com a mão esquerda arrebanha
com a direita arrebata.                                                                                                   
O que faz falta é ter manha,
o que é preciso é ter lata! 
   
Mesmo sem obra imponente
que o venha a cobrir de louros
deixará um nome ingente
aos lusitanos vindouros

E a Estória registará
o seu nome valoroso
mesmo sendo a escrita má.
- E viva o Pitta Raposo!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pequeno mostruário para vampiros (3)



Da esquerda como imagem fundamentada

  Como dizia o Outro, sem se calhar ter percebido que se atingia no cocoruto com uma bordoada conceptual, “uma imagem vale mais que mil palavras”.
  Lá teria as suas razões que, como nós hoje bem sabemos, eram grandes desrazões. Mas adiante…
  Ao pensar em coisas & loisas da chamada esquerda, cá e lá fora (o melífluo e incolor Hollande, o antigamente palavroso e sempre sugestivo Sócrates, o pestanejante Constâncio simultaneamente, ao que dizem, pernóstico e confundido, o sacrossanto e enredado Seguro, o persistente alegadamente Conde Rodrigues, o (des)influente Soares e o impersistente ainda que contundente Arménio,  and so on, eu concluo que de facto uma imagem pode valer por um milhar de palavrinhas críticas.
  Assim sendo, aqui vos deixo então, para iluminar, este flash da esferográfica pulcra do nosso colaborador Hermes Trimegisto, que me fez o favor de a ceder com a habitual cordialidade. 





quarta-feira, 25 de abril de 2012

PEQUENO MOSTRUÁRIO PARA VAMPIROS (2)



AMNISTIA INTERNACIONAL VEIO A PÚBLICO REFERIR QUE OS MUÇULMANOS “SÃO DISCRIMINADOS” NA EUROPA… - dos jornais
  
É preciso ser-se dono de um fenomenal descaramento, no mínimo, para vir como a A.I. terçar armas pelos muçulmanos duma forma no mínimo cínica ou enfermando de cegueira.
  
Reparem: em vista dos intuitos confessos dos chefes islamitas (apoiados pelos seus sequazes) que de forma expressa ou "branda" propagandeiam o seu desejo de domínio (califado), muito bem têm eles sido tratados. Nenhuma outra civilização consentiria tanto proselitismo descarado e subversivo letal portas adentro. Se compararmos com o que eles, nos seus redutos nacionais, fazem a outros fideístas (cristãos, judeus), que são até assassinados, perceberemos o cinismo politicamente correcto da AI, que nada diz sobre a intolerancia criminal dos adeptos de Alah. 



Nicolau Saião, Trio ao entardecer

Eu gostava de perguntar aos cínicos fingidamente humanistas da A.I. em que é que a burkka, a sharia, a discriminação das mulheres e o seu espancamento, o casamento de crianças, a excisão clitoridiana, o fechamento cultural e a submissão acéfala a postulados sectários concorrem para uma vida de qualidade, liberdade e felicidade humana geral.
  
Na verdade este prurido masoquista hipócrita da AI não é sério e é simplesmente um acto de propaganda e tenta estimular apoio ao fechamento islamita e às exigências absurdas com que procuram dominar as consciências que os não queiram ter como senhores totalitários.
  
Hipocrisia politicamente correcta, apenas.

terça-feira, 17 de abril de 2012

PEQUENO MOSTRUÁRIO PARA VAMPIROS (1)




SCIENCE FICTION

- Pois bem, meu senhores - disse o mais velho, que parecia ter ascendente sobre os outros - Façamos então o ponto de situação...o ponto em que estamos de momento. Pode começar você, Lestat...
- De momento, meu caro Vlad - disse repuxando a boca bem desenhada o jovem louro e atlético - temos gente nossa bem motivada em todas as cidades do globo. O discurso que lhes é comum insiste num ponto: o nosso direito a dispormos dos nossos ritmos místicos, da nossa… "ideologia" se assim me posso exprimir. É a tecla em que temos batido sem desfalecimentos. A questão de sermos uma comunidade vilipendiada, perseguida... discriminada... ofendida. Creio que me faço entender!
- Bem visto! - ronronou Vlad Tepes com um luzir nos olhos ardentes - E a nível de jornais, de gente que faz a diferença... como páram as modas? Você, Sagramor, pode elucidar-nos?
- É p'ra já, meus amigos - preambulou o negro de estatura elevada e de musculoso recorte na sua voz cantante e fascinadora - Para já, os homens de negócios que estão à frente desse sector já se juntaram em grande parte a nós. Intuíram que têm de ser compreensivos, modernos, que tem de haver tolerância com o nosso… colectivo. E na classe política e intelectual também existe um equilíbrio paralelo...Alguns dos homens de topo e mesmo outros medianos já entenderam a razão dos nossos… direitos. E são partidários do diálogo: já se começaram a desobstruir reuniões… O próprio Jorge, o próprio Soa…
- Não me venha com esses nomes! – cortou do lado a mulher de estatura coleante, sensual, de cabelos e olhos negros retintos, agitando a mão de unhas longas e pintadas de vermelho - Esses estão para onde lhes dá a brisa, Sagramor!






- Não seja exagerada, Carmilla... - disse Vlad Tepes censurando-a com algum vigor - Esse tipo de operadores sociais pode ser bem útil à nossa causa. Os fala-baratos também têm lugar na nossa demanda, não se esqueça. Tornam as massas maleáveis, compreendeu? E quanto ao seu sector? Isso é que interessa, o resto... é fantasia!
- Bom - disse Carmilla von Karnstein - O elemento feminino vai-se portando como se espera... Um pouco de moda, um pouco de tratamento televisivo, um bocado de romantismo e de doçura para adequar as meninges... Tem sido, posso dizê-lo, uma festa para o país… Percebem?
   O jovem Lestat riu com gosto, pondo à mostra os dentes brancos e fortes como os de um lobo viril. 
 - Certo, cara Carmilla, certo. Boa jogada! As senhoras também terão um grande papel nesta opereta... A paz, a brandura de coração...O idealismo… Também o usei com esmero lá nos lindos Estados do meu sul natal. Parece que foi há três dias…e já lá vai uma eternidade!
- Porque bem vêem, meus amigos - disse Vlad Tepes com discernimento - O importante é levar isto, por enquanto, com mansidão e equilíbrio. O que se ganha com violências bruscas junto do grosso da opinião pública? Isso devemos deixar, quando fizer falta, para as unidades de combate... Elas sabem como agir. Quanto a nós é irmos pela diplomacia. De contrário ainda nos aparece aí de novo esse metediço, esse violento do Van Helsing e as suas exagerações. Não acham?
(E na sala mergulhada em amena penumbra criada por pesados reposteiros de veludo escarlate, em volta da magnífica mesa de carvalho escuro, as cabeças dos confrades acenaram afirmativamente, como se fossem uma só).