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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Da requisição civil na TAP ou Do particular interesse público




(retirado daqui)

Guterres tentou vender a TAP. Sócrates tentou vender a TAP. E Passos Coelho está a tentar vender a TAP. Diferenças, há uma: desta vez é muito provável que aconteça. E a iminência da privatização assustou muita gente que, passados estes anos, subitamente encontrou nessa intenção um plano neoliberal. Não me vou alongar aqui acerca da privatização, que vejo como necessária para salvaguardar a prestação de um serviço público de qualidade. O que pretendo é discutir a opção do Governo pela requisição civil e este tipo de greves drásticas como “arma” negocial. (…)

(…) alguns alegam que não são interesses particulares que estão em jogo, mas sim a verdadeira defesa do interesse público – neste caso, a resistência à privatização da TAP. Desculpem, mas não é verdade. Primeiro, porque se a questão é a privatização, esse é um dossier político, a ser debatido pelos partidos políticos com o Governo, e não pelos pilotos. Segundo, porque nesta greve sempre estiveram em causa assuntos particulares, e não de interesse público.
Para o confirmar, basta consultar a irrealista lista de exigências dos sindicatos da TAP. E basta ver a razão que levou a que não se conseguisse acordo entre estes e o Governo: os pilotos querem uma fatia maior das acções da companhia, sem contrapartidas financeiras. Agora expliquem-me: de que modo é que a pretensão dos pilotos, que impediu o acordo entre sindicatos e Governo, é parte da defesa do interesse público?
O que me choca realmente é que este tipo de iniciativas sindicais – irrazoáveis e claramente motivadas por interesses particulares – reúna tamanho apoio na opinião pública. Mas aí está a hipocrisia do debate: ninguém quer saber o que motiva os sindicatos, desde que a oposição ao Governo seja feroz e provoque danos políticos. Daí que haja tamanho aproveitamento político destas iniciativas sindicais por parte de partidos políticos cuja representação na Assembleia da República é minoritária. É neste ponto que estamos: o que verdadeiramente interessa a todos é que estas greves são o mais apreciado e eficaz instrumento político para encostar ministros à parede.
Ora, isso parece justificar tudo. Incluindo afirmar, como faz Mariana Mortágua, que esta greve defende os emigrantes portugueses, mesmo que estes ficassem privados de passar o Natal em família (como se a privatização acabasse com as rotas aéreas). Se as razões acima não fossem suficientes, até para combater esta hipocrisia a requisição civil foi uma boa solução.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Jornalismo de excelência


Teresa Caeiro chega à ação de campanha


Não conheço a senhora deputada Teresa Caeiro. Nem me inspira especial simpatia. Quanto ao seu consorte, a quem também nunca fui apresentado, provoca-me irreprimível repugnância intelectual e de carácter. Feitios...

Ao ler, porém, esta notícia, publicada no sábado passado pelo DN...

por Valentina Marcelino, 21 setembro 2013

A deputada Teresa Caeiro esteve na feira de artesanato de Porto Salvo a dar apoio à campanha de Paulo Freitas do Amaral. Deixou sorrisos nos rostos que a conheceram

A chegada de Teresa Caeiro não podia ter sido mais notada. De boleia no Mini-cooper descapotável de um dos elementos da comitiva ("o meu carro é um 'Golf' com mais de 15 anos", apressou-se a informar), calças brancas, blusa de seda preta, óculos clássicos Ray Ban e os seus cabelos louros brilhantes. Ao lado Paulo Freitas do Amaral, o candidato do CDS à câmara de Oeiras e um grupo com cerca de duas dezenas de apoiantes.

A versão feminina do tradicional "Paulinho das feiras" (do tempo em que o presidente do CDS fazia campanhas na rua, o que não aconteceu ainda nestas eleições autárquicas) chegou e deixou, pelo menos, um sorriso, em cada banca por onde passava. A "Teresinha das feiras" é envolvente. Pára, conversa, pega no rosto da pessoas e dá beijos sentidos e abraços apertados. A meio da visita ouviu-se a voz aguda de Flora Varela, uma das feirantes: "ninguém me compra carteiras, não há dinheiro, quem me compra qualquer coisa?" perguntava. Teresa Caeiro aproximou-se "De que se queixa esta querida senhora?", questionou. Flora respondeu "Queixo-me da falta de emprego, de falta de dinheiro, de filhos a mais e de abonos a menos". A deputada acenou com a cabeça, "compreendo a senhora". E abraçaram-se. "Tão simpática", sorria Flora.

Mas a banca que mereceu o maior tempo de Teresa Caeiro foi a de Inês, uma jovem, com trissomia 21. Ali a 'estrela' Teresinha demorou-se. Falou com a mãe de Inês, Manuela, que se queixou da falta de projetos para a sua filha e a falta de apoios para os jovens com necessidades especiais. Inês manifestou o seu descontentamento com os políticos e disse que ia votar em branco. Teresa disse-lhe que compreendia, "mas não podia deixar de dizer que era "muito injusto, porque nem todos o políticos são iguais. Era a mesma coisa que agora dizer que todos os feirantes são aldrabões", explicou. Inês aquiesceu e baixou os olhos. Numa banca ao lado Teresa não resistiu a comprar mas rifas. "Sou viciada em rifas", admitiu e questionada pelo DN sobre que políticos gostaria de "rifar" nesta campanha, respondeu: "todos os que andam a denegrir a política e a democracia a tentar comprar votos com porcos, dinheiro ou promessas inacreditáveis que nunca vão cumprir". Não quis "fulanizar", mas Paulo Feitas do Amaral não pode deixar de recordar que a "campanha do PSD anda a dar porco assado nos bairros sociais".

Já de saída da feira, a caminho do mini-cooper ouve-se uma voz a chamar Teresa. É Inês, que vem ofegante. Oferece-lhe um quadrado de bolo de chocolate, embrulhado em celofane, com um laço azul. "Fui eu que fiz. É isto que eu faço", declarou, emocionando Teresa. Há tempo que nunca é perdido. Nem em campanha eleitoral.

... fico a pensar se a jornalista a teria redigido da mesma forma caso Teresa Caeiro houvesse chegado ao local num veículo familiar, como, por exemplo, o popular Citroën Picasso, cujo preço  é superior ao do Minicooper. Descapotável.

Pressinto, não sei porquê, que tal lhe diminuiria a excelência da prosa e o desafio que esta faz à argúcia do leitor. O que constituiria uma perda lamentável para a qualidade do jornalismo que demonstra ser sua intenção oferecer aos compatriotas.

Adenda (às 15:08)

Ligou-me mesmo agora um amigo dizendo-me que dois candidatos, de diferentes partidos de esquerda, aos cargos autárquicos locais ou municipais de onde ele reside, também possuem automóveis descapotáveis. Mas nunca, nunca andam neles durante as eleições.
Que pena! O colorido que nos fazem perder estas renúncias...!