segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Do Estado e do crime




Confrades e amigos/as

  Num "órgão de informação", que por higiene mínima não identificarei, um caramelo sugeriu que eu - ultimamente, que ando e andarei em tratos literários, em Espanha brevemente e, depois, em França - com egoísmo já não me importava com o que se passa no real quotidiano societário. Estaria pois a render-me ao desinteresse pela cidadania.

 Não é verdade.

 O que se passa é que tenho andado ocupado com a feitura de dois discursos e outras "intervenções espontâneas" (risos)para responder a futuras entrevistas e nisso sou muito cuidadoso, pois gosto de dar ao leitor, ao público por extenso, o melhor e mais digno do pouco que sei.

 Mas para acabar definitivamente com algumas ideias relativamente desadequadas, vou tomar posição neste momento em que se iniciou a corrida descendente para a governação social-democrata (e só se podem queixar deles mesmos):


O governo luso actual, que ganhou as eleições opondo-se ao do díscolo parisiense, todavia a seguir mentiu ao povo português e agrediu-o nos seus direitos constitucionais, forçando-o através do arbítrio que protege ricos e fundações e desanca pecuniariamente reformados.

"Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública." - Direito de resistência, Art.21 da Constituição da República.

  As declarações, sensatas e claras, dum dos representantes dos polícias, que referiu que o governo tem tentado arteiramente usá-los contra o povo manifestante legal, não deixa margem para dúvidas. 

Assim sendo, o povo tem o direito de insurreição ante esta gerência que se colocou fora da lei. Devemos pois preparar-nos para essa eventualidade, amarga mas legítima!

 Todavia, isso não passa por ataques armados a ministros ou sedes de partidos políticos. Ninguém, que eu saiba, propôs até hoje tal insensatez. Ninguém tanto quanto sei sugeriu, como se está a fazer em Espanha e França, que as moradas de magistrados pervertidos ou colaboracionistas dos turiferátrios oficiais sejam postas em agenda, para na altura própria se lhes "apresentar cumprimentos". Nem ninguém aventou a ideia de se vigiarem atentamente assessores potencialmente abusadores ou corruptos para se lhes "apertar a mão..." quando rebentar a "bernarda". Ou que deputados dos que o dr. Paulo Morais, presidente do Observatório Anti-Corrupção, classificou como "vendilhões relapsos" pois fazem da Assembleia da República verdadeiro coio de ilegalistas, sejam sumariamente pendurados nas árvores da Avenida da Liberdade, a exemplo do que sucedeu a 5 delegados do ministério público italiano, mancomunados com a Mafia, no decorrer da operação Mãos Limpas.



 Insurreição significa algo bem diferente!

 Significa a contestação, através da presença nas ruas e em todo o lado onde isso legitimamente se possa exercer, dos cidadãos usando do seu direito inalienável de ser gente contra os abusos à pala da governação. E que não é passível de negociação, mesmo num País onde vigora uma "sociedade criminal" (ou seja, como eu referi e perdoem-me se me cito, no meu "O crime e a sociedade", aquela onde o crime é consentido pelos esteios do Estado quando não por ele incrementado, como entre nós se verifica).

  Neste momento, o que vem na sequência da governança do denominado popularmente "Pinóquio", a Nação lusa já não é uma Democracia real ou por extenso, mas um Estado cripto-fascista devido aos actos de políticos e seus manteúdos (utilizantes do sistema judicial, que bloqueiam a justiça mediante a colocação, em locais estratégicos, de apaniguados ou áulicos estipendiados moral e materialmente), membros das polícias secretas - que não visam a defesa da Nação mas dos que a usam como uma coutada - e correlegionários partidários, verdadeiros homens-de-mão dos que tripudiam sobre a pátria lusa a seu bel-prazer.

 Estes homens, que agora parece tiraram definitivamente a máscara, não são economicistas ou tecnocratas! São, isso sim, verdadeiros apaniguados que tentam tapar o estado ruinoso a que os seus capangas, quando não eles mesmos em parte, levaram Portugal.

  O estado a que se chegou não é culpa da população, o que eles tentam injectar através de uma insidiosa, mentirosa e cínica propaganda.

  O povo comete erros. É ingénuo, por vezes mesmo desleixado. Mas não é globalmente criminal, tanto mais que numa "democracia aproximativa" não tem tido, geralmente, senão que ratificar eleições ratonas! Manipulado pela incultura induzida, pala futebolite, pelas telenovelices e pela beatice dos "parlapatões tonsurados", como dizia Eça, muito tem ele tolerado.

 Num país menos pacífico já teriam rolado cabeças. E não falo por simbolicamente...!

  Quando um Constâncio, que não conseguiu perceber que nos bancos algo de apodrecido estava a dar-se, vem "dar sentenças" e conselhos de comadrinha; quando um Vítor Gaspar de discurso roboticamente sincopado vem tentar convencer-nos de que o amarelo é azul e o verde castanho às pintinhas; quando outros cavalheiros tentam fazer passar a ideia de que para salvar a nação é necessário ficarmos sem calças, sem camisa e, se calhar, sem cuecas (passe a justa ironia) - é tempo de dizer BASTA, tendes de mudar de rumo!

  Temo-lo sugerido a bem. Seria grave que nos obrigassem a DIZÊ-LO A MAL! Depois não se queixem.

  Viva Portugal!

O povo e a barricada

No Combustões:

[...]

Algumas dezenas de milhares de portugueses saíram ontem às ruas. Tanto importa que fossem 10.000 como 100.000 ou dois milhões. Não tinham razão, pois foram cúmplices. O que ontem aconteceu foi o protesto da dita "classe média", a mesma que votou sempre pela "vida confortável", que aplaudiu Cavaco, Guterres, Ferro Rodrigues e as fantasias sem pensar nas consequências. Essas pessoas têm dores, passam por sofrimentos, angústias e até desespero, mas não é o povo. O povo, na acepção sociológica de classe de baixos rendimentos - isto é, o salário mínimo - nunca saiu à rua. Tem vivido do banco alimentar e da caridade das ONG's, de associações católicas e até da Jerónimo Martins, tão atacada por todos, mas que garante 60% do total de contribuições que assistem as vítimas da fome.
 
Ontem, cantaram a Vila Morena e o Povo Unido Jamais Será Vencido. Sei que custa perder o sentido da vida e os mitos, mas há que abrir os olhos e ter um mínimo de lucidez. Afinal, não se ouviu uma ideia. Não têm qualquer ideia de como sair da situação. O governo tem feito o que se deveria ter feito há vinte ou trinta anos. Mas não, ninguém quis saber. Queriam "viver bem", queriam ser "europeus". Isso acabou. A crise pode ser boa conselheira. O governo que comece a pensar num plano de resgate económico, não se atenha às finanças e dê exemplo, começando por atacar os vergonhosos privilégios da matulagem que vive do sistema. A "classe média" que pense, mas proponha saídas. Afinal, com tanto "intelectual" e tanto "quadro", só se limitam a pedir direitos. Os direitos estão na lei, mas mais importante que os direitos de cidadania são os deveres, que estão na ética. É só!

Empresários fracos e os Chibo Velho

Uma das acusações que em qualquer conversa com malta de esquerda vem à tona é a de que os nossos empresários são fracos e o estado tem que se lhes substituir.

...

Os empresários são como toda a gente. Procuram fixar-se onde são bem-vindos, onde lhes não infernizam a vida, onde podem criar projectos e destrui-los caso não tenha pés para andar (implicando despedimentos) para logo criar outros, onde a regulamentação lhes permita não só criatividade como criatividade aos trabalhadores, onde a sua actividade de empresário e de cidadão individual não sejam misturadas pelo estado, onde a justiça lhes permita cobrar a quem não paga (sendo cobrados caso façam o mesmo), onde a segurança os não faça alvo de "voluntários" protectores, onde não exista um tentáculo do estado a cada negócio, onde a concorrência seja leal (não haja empresas de regime ou monopólios), onde os lucros da actividade não sejam encarados como mais-valias a nacionalizar. Portugal não preenche nenhum destes requisitos e a "europa" não preenche a maioria deles. Um regime onde reinem estas características chama-se liberal.

Que sobra a Portugal? O empresário que tem que ganhar tudo num foguete e num foguete fazer 'desaparecer' esse lucro, o empresário que usa empresas para concentrar prejuízos fechando-a após um interminável processo de salários em atraso, misturar-se nas teias-de-aranha do estado onde, manobrando com mais flexibilidade, destrona a dona da teia, misturar-se com partidos, deputados, autarcas, etc, por forma a ancorar-se no regime e na generalidade dos portugueses sem que mais valia significativa daí advenha, manobrar, usar os 'bons contactos' para infernizar a vida a empresas que não joguem no baralho oficial, fazer 'aparecer' legislação (para que serviriam as âncoras ferradas no regime?) adequada ao seu caso e a cada um dos seus negócios. Chama-se a este regime, crroy-capitalism ou capitalismo doentio.

O capitalismo doentio, pode ser encarado de outra forma, e é esta outra forma que interessa ao ponto de vista do votante: o desastre de um regime que puxando os cordelinhos a interpostas empresas que supõe controlar sem ser controlado, pretende toda a sociedade indirectamente mas de rédea curta dirigir. Este controlo redunda num descontrolo porque os governos não conseguem ser tão competentes quanto as empresas a defender o que a cada um diz respeito. Trata-se de um regime socialista, socializante, nacionalizante, que mantêm a propriedade provada como fachada para o sistemático desbaratar do dinheiro do contribuinte em medidas timoneiras como quem deixa açúcar junto a um carreiro de formigas.

Ao povo, hoje dito "geração mais bem formada" soa bem! É o estado a fazer o seu papel, a fazer o que os ignorantes, incompetentes capitalistas de casino não sabem fazer por só pensarem neles.

Este segundo regime tropeça sistematicamente em dois percalços: nunca dá origem ao tipo de empresas que o sua mais aguerrida militância defensora reclama, a empresas que paguem adequadamente aos funcionários e a fornecedores, paguem impostos e progridam sem o adubo do contribuinte, e acaba a patinar afogado em dívidas.

Porque deve interessar ao votante a estirpe do comportamento do governo e não das empresas que dele tiram partido? Porque o cidadão não vota em empresas. A tentativa de deslocar a conversa, sob  forma de culpa, sistematicamente, para os empresários, é cortina de fumo que pretende não mais que desviara a atenção para as consequências da inevitável má governação de cariz socializante e nacionalizante, não para defesa da democracia mas para a menorizar e reclamar ainda mais controlo estatal, mais socialismo, mais nacionalização. A nacionalização não precisa ser da propriedade propriamente dita, basta regulamentar métodos e comportamentos e aturar às empresas 'recalcitrantes' os cães de fila (ASAEs) "fiscalizadores". As empresas de regime manobram na teia de aranha e as outras desaparecem ou afastam-se. Sobra a tralha, auto-coordenda em sessões de bruxas e aventais.


Não sei se o país não estará já irremediavelmente habituado a viver no reino das 400 bruxas que rejeite um governo capaz de mandar ao ar umas tantas caralhadas. Este, anda demasiado delicodoce e arrisca-se a ficar na história como mais um chibo velho a que seguirá mais uma Internacional de chibos velhos. Eles andem aí.

Nivaldo Cordeiro - Marcos Valério e seu advogado


"A matéria da revista Veja com a entrevista de Marcos Valério estava de forma estranha. Era entrevista mas não era, usando um formato indireto, com declarações de terceiros. Hoje fui ver a repercussão na imprensa e vi a reprodução de um release do PT, na Folha e no Estadão, desqualificando a revista. Só no final do dia a coisa ficou clara, quando Ricardo Noblat deu nota no seu blog dizendo que houve a entrevista, gravada, mas o advogado de Marcos Valerio, Marcelo Leonardo, vetou a divulgação. O abafa para livrar a cara de Lula foi total"

domingo, 16 de setembro de 2012

Onde estavam vocês?

No Blasfémias:


Perguntaram-me onde estava ontem e qual a razão de não ter ido à manifestação.

Onde estavam vocês quando, em quase quatro décadas de democracia, nenhum governo teve a decência moral de gastar apenas o que recebe em impostos? Onde estavam vocês quando, nos anos a seguir à Revolução de Abril, se confiscou centenas de empresas para empregar milhares de retornados e, mesmo assim, em 1977, o primeiro-ministro Mário Soares teve de pedir ajuda ao FMI para pagar as contas? Onde estavam vocês quando, em 1983, o primeiro-ministro Mário Soares pediu empréstimo ao FMI, aumentou impostos e desvalorizou o escudo sem fazer as necessárias reformas estruturais? Onde estavam vocês quando, depois da entrada na Comunidade Económica Europeia, mesmo recebendo milhões em fundos perdidos (sem necessidade de reembolso), o primeiro-ministro Cavaco Silva não conseguiu equilibrar as contas do Estado e “subornou” funcionários públicos com um sistema retributivo que veio a integrar o que hoje designamos de “Monstro”? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Guterres assumiu paixão pela Educação e fez crescer o número de cursos superiores inúteis? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Durão Barroso disse que “o país está de tanga” e as únicas soluções que encontrou para baixar o défice foram receitas extraordinárias? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Sócrates, tendo em mãos uma crise orçamental, decidiu gastar ainda mais? Onde estavam vocês quando se decidiu esbanjar centenas de milhões no Centro Cultural de Belém, Expo 98, Euro 2004, SCUT, TGV, aeroporto de Beja, metros de Lisboa e Porto, Casa da Música, computadores Magalhães, Rendimento Social de Inserção, Parque Escolar, etc. etc. etc. e etc? Onde estavam vocês quando, nas eleições do ano passado, nenhum partido político concretizou, nos seus programas eleitorais, as medidas necessárias para o Estado reduzir o défice e pagar o empréstimo da “troika”?

Durante décadas os governantes fizeram vida de país rico e – agora que chegou a factura – vocês querem mandar a “troika” às urtigas? Tudo bem! Mas discutam, primeiro, quais devem ser as medidas para, já no próximo ano, fazer reduzir o défice a zero. Sim ZERO, porque, fora a “troika”, mais ninguém empresta dinheiro ao Estado português.

E não venham apenas com medidazinhas de taxar mais os ricos ou cortar nos benefícios dos políticos! Para reduzir o défice de cerca de 8.000.000.000 euros é necessário aumentar impostos à classe média e/ou (a minha opção!) cortar drasticamente nas despesas do Estado. Ahhh, e ficam já avisados que a maior parte da Despesa Pública recai nos ministérios da Educação, Saúde e Segurança Social.

Nota: também têm a opção de sair do euro e desvalorizar rapidamente a nova moeda; tem o mesmo efeito que a actual redução real dos salários e continua-se a adiar as reformas…

Somos, em Portugal, a geração mais instruída de sempre? Então, antes de saírem à rua, tenham a necessária discência de fazer todas as contas de somar e subtrair.

Só à força do Botas?


No Fiel Inimigo:


FR:

"Uma tutela que não queira ser cúmplice manda fechar os cursos não vendáveis."

Lá vem outra vez o estado como solução. O estado-papá, o estado-mamã, o estado-social.

As pessoas que abram os olhos, olhem o mundo, assumam as suas responsabilidades e o seu próprio destino.

Mas, se bem pergunto, se nem milhares de professores, já encanunados, duplamente encanudados, foram capazes ou estiveram interessados em assumir as suas próprias responsabilidades e foram manifestar-se em ladainha de "oh tempo volta pr'a trás" reclamar pelo retorno de um passado que deu a bota que deu, haverá alguém capaz de lhes valer que não seja tão botas quanto eles foram? O Botas, talvez.

Vítor Bento - 15 de Setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

A nuvem amaricana




(vem aqui, no JN)

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, acusou os EUA de desviarem as nuvens que se dirigem para o país e de serem os responsáveis pela seca no Irão. Não é a primeira vez que Ahmadinejad acusa os EUA de conspirarem contra o seu pais mas desta vez, segundo analistas, pode ter ido longe de mais.

Mahmud Ahmadinejad acusou os EUA de desviarem as nuvens que se dirigem para o Irão. Aquele país tem um dos climas mais secos do planeta e, am algumas regiões, persiste uma seca endémica.

Para o presidente do Irão, os responsáveis por tudo isto são os norte-americanos que "estão a desenvolver um projeto sinistro para evitar que as nuvens de chuva cheguem ao nosso país e provocar, deste modo, a seca".

"O inimigo está a destruir as nuvens que avançam para o nosso país mas esta é uma guerra que ganharemos", afirmou Mahmud Ahmadinejad numa declaração que tem sido repercutida em vários orgãos de comunicação social no país.

Esta não é a primiera vez que o presidente iraniano acusa os EUA, com quem mantem uma relação hostil, de conspiração através de vários meios. Ainda assim, os analistas consideram que desta vez Mahmud Ahmadinejad pode ter ido longe de mais.

Também Hugo Chávez é exemplo de declarações semelhantes. Aquando do sismo que assolou o Haiti, em janeiro de 2010, o presidente venezuelano afirmou que este se devido "a uma arma experimental da Marinha norte-americana" que possibilitava provocar sismos. Segundo Chávez, esta arma seria usada para atacar o Irão.


Os ricos

É sobre os ricos que, em Portugal, se afiam, qual fio de catana, os mais finos ataques. E qual o motivo de tão viperina cacetada? Não há trabalho, não há dinheiro, há demasiada corrupção, demasiada gente pendurada directamente e indirectamente do Estado e, consequentemente, do contribuinte e demasiado poucas perspectivas de não ser assim, e os ricos têm dinheiro e, tendo-o, podem tapar o buraco.

As manifestações que têm ocorrido lembram as das "primaveras árabes". No médio oriente pedia-se liberdade mas acabou-se em regimes ainda mais duramente teocráticos. Nunca foi pedida a separação estado, igreja e justiça nem direito à livre informação e expressão nem à livre iniciativa. Feitas as contas, pedia-se dinheiro. Mais dinheiro sem se pretender saber de onde iria ele sair. Em Portugal reclama-se por mais dinheiro mas ninguém reclama que mais empresas apareçam instaladas nem que sejam removidos os obstáculos à instalação de empresas (não penduradas no Estado).

Em Portugal, 90% das empresas são minúsculas ou pequeninas, e nelas trabalha a maioria das pessoas. Nesta perspectiva, estas empresas dificilmente poderão ter a pedalada necessária para ir além do baixo salário porque o trabalho é essencialmente manual em consequência de curto investimento. Digamos, que os donos destas empresas são, em termos de 'rico', pelintras.

E os ricos, os realmente ricos?

Para os ricos, muito ricos, ter dinheiro ou 10 fábricas cheias da mais requintada tecnologia é indiferente desde que não brinquem com o dinheiro deles, como quem diz, não atentem contra o património seja em dinheiro seja em maquinaria. Para eles, destruir uma máquina que custa milhões de euros é tão grave quanto rapar-lhes igual quantia em impostos. Para eles o dinheiro (como para o pequeno empresário) não tem o mesmo significado que para o comum cidadão. Para eles o dinheiro é uma mercadoria que tão depressa existe sob a forma de uma maquina como em depósito num banco.

Portugal está de tanga e sobrevive sem fome generalizada e desemprego a raiar os 60-80% apenas porque uma tal troika, tendo tomado as rédeas dos destinos do país num velado e esquisito golpe de estado não apenas consentido como de nossa iniciativa (o que tem que ser tem muita força), obriga Portugal a fazer o mínimo que se impõe deixando escorrer uma quantos milhões para que o que se impõe posa ser executado com algum sossego. Já agora, reclamar insistentemente pela constituição de Portugal nas condições reais de distribuição de poder é, no mínimo, caricato.

Voltando às manifestações, ninguém pede ao governo que remova as encrencas burocráticas,a inoperância dos tribunais, as diatribes do fisco, etc, que assustam os ricos e que impedem que eles aqui invistam. Ninguém pede, também, que o ensino deixe de dar aos alunos 'assim umas quantas noções giras e pós modernas do que deve ser o mundo' e passe a ensinar matéria, pura e dura para que conveniente resposta possa ser dada a quem se apresentar como investidor. Ninguém exige que sejam sistematicamente tornados públicos todos os contratos assinados pelo estado (pelo menos a partir de determinado valor).

Até lá, convém não esquecer a resposta de uma aluno à razão por que os seres vivos precisam comer: "porque se não comerem só subsistem empalhados". As manifestações parecem respostas de bicho empalhado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quanto vale Portugal?

Não se trata de uma pergunta em termos patrimoniais históricos, culturais, etc, mas, quanto vale Portugal em termos de algo que é capaz de se suster a si próprio? Ninguém sabe.

No pós 25 de Abril, havia uma ideia de quanto valia o país. Menos com nacionalizações, mais com privatizações, havendo alguma indústria mais substancial noutros menos, havia uma ideia do que valia Portugal.

Valia pouco, a avaliar pela necessidade que então havia em reparar manualmente uma guarda-lamas em alternativa à pura substituição, demasiado cara, mas valia alguma coisa e, principalmente, havia uma noção do que valia.

Com a fluxo de dinheiro da então CEE, foi deixando de se perceber quanto valia o país. Passou a valer também por pertencer, mais ou menos formalmente à "europa". Traduzindo por miúdos, passo a valer também em função do dinheiro com que era alimentado: a chamada solidariedade "europeia". Passou a valer por ... acompanhar com ricos.

Percebeu-se finalmente que a solidariedade é uma estrada de dois sentido e, quem se solidariza, gosta de ver que algo concreto resulta dessa solidariedade. À falta de melhor, a solidariedade para com Portugal apenas gerou, numa primeira fase, necessidade de mais solidariedade, numa segunda, necessidade de dinheiro fosse como fosse o que quer dizer, em dívida até à raiz dos cabelos.

O valor (aparente) de Portugal aumentou mas não se teve em atenção que património construido com dinheiro alheio só seria do país quando estivesse pago. Também não se teve em atenção que a maioria desse património não geraria riqueza, apenas despesa, pelo que se tratava não só de investimento encravado como infectado. Todos os disparatados investimentos foram feitos (virtuosos, como se lhes chamava) que não só não geravam per si riqueza, mas a torravam (eólicas, PPPs, Parque Escolar etc).

Paralelamente o pais foi ficando empestado em regulamentação proveniente da "europa", sempre localmente levada às últimas consequências.Os reguladores, manifestamente incompetentes, tudo desregularam e tudo fazem parar, para além de próprias estruturas de inspecção do cumprimento da regulamentação que quanto mais actuam mas cacos espalha.

O país vai consumindo cada vez mais, cada vez mais pagando esse consumo com dinheiro injectado na economia pelas mais diversas vias mas todo proveniente de dívida, até chegar o momento em que os emprestadores desconfiam que o rei vai nu e que o país está absolutamente dependente não só de eterna dívida mas de endividamento galopante. Apertam ligeiramente a torneira e a reacção das "forças vivas" do pais é de tal ordem que fica estabelecida a certeza de que Portugal vivia basicamente à custa de dinheiro alheio.

Quanto vale Portugal agora? Ninguém sabe. Ninguém sabe mas todos sabemos ou devíamos saber que o valor é baixo e que teremos que nos começar a habituar a viver com aquilo que valemos e, já agora, em, matéria de investimento, que mais importante que gastar é ter um alto grau de certeza que o retorno desse investimento não tardará a surgir.

Há um valor de riqueza criado anualmente. Esse valor terá que chegar para se viver. Esse valor será distribuído pelos canais habituais, que vão dos impostos à peixaria, onde sardinha asada ou por assar, mais uns quantos nacos de carvão, transformarão a pouca riqueza criada em mais umas horas de energia no sistema circulatório humano. Se o dinheiro não chegar, há que distribuir menos, o que provocará um retracção do consumo com reflexos na criação de riqueza criada. E isto pode acabar no zero? Pode. Seria sinal de que nada valeríamos. E pode acabar abaixo de zero? Pode. Parece-me ser o caso da Grécia. E qual é o valor de Portugal incluindo a dívida na equação? Suponho que abaixo de zero. Daí a importância voltar aos mercados apenas para a manter estabilizada (pedir apenas para pagar dívidas antigas).

Na minha opinião, valemos ainda qualquer coisa, mas valeríamos mais se o estado deixasse de chatear, de estar em toda a parte e de meter o bedelho em tudo - soltem a malta e deixem de chatear. Se a "europa" deixa ou não, não sei. Eles gastaram connosco rios de dinheiro em solidariedade e são bem capazes de não gostar de coabitar com precedentes no extraordinário castelo nazi-socialista que, entretanto, têm vindo a montar, e que, aliás, também lhes está a deixar o couro pejado de carraças.

Zero

Seguro vai votar contra o Orçamento de Estado. Soluções é que não apresentou nenhumas. Zero. Ou melhor, apresentou a proposta de um imposto sobre as PPP impossível de aplicar porque o anterior governo socialista blindou os contratos. Os socialistas não têm emenda.

De bestas a bestiais

Não será de estranhar se perigosos neoliberais como Cavaco Silva, Medina Carreira ou Manuela Ferreira Leite, passarem de repente a defensores do povo trabalhador. Os rótulos serão sempre o que a esquerda quiser.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Entrevista a Carlos Pimenta...




... mas não o das "alternativas", recolhida aqui,  que transcrevo a propósito do comentário que deixei ontem no post do Manuel Graça, e cujo período final me abstenho de comentar:


Haveria tamanha crise se a União Europeia não andasse de abraços com o crime organizado, a fraude e a corrupção? E o que é que Portugal tem a ver com isso?
"Agora sabemos que é tão perigoso ser governado pelo dinheiro organizado como pelas máfias organizadas." Não, a frase não é atual. Quer dizer, atual até é, mas foi proferida em 1936 pelo Presidente dos EUA, Roosevelt, na ressaca da Grande Depressão. "É uma frase totalmente aplicável aos nossos dias", garante Carlos Pimenta, do Observatório de Economia e Gestão de Fraude da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (OBEGEF).
As palavras de Roosevelt podem até inspirar a conferência que o Observatório organizará, por estes dias, no Porto, com a "nata" do País e do estrangeiro no estudo e investigação da fraude e da corrupção. Afinal, "a crise que estamos a viver está muito ligada a situações dessas. Começou nos EUA, com o subprime, mas também é resultado das más políticas da União Europeia, promotora de medidas que, do ponto de vista científico, foram abandonadas há muitos anos", resume Carlos Pimenta.
Não se assuste, mas o resultado é este: "A Europa concentra hoje um grande número de off-shores e 'câmaras' de corrupção entre bancos sem qualquer registo de movimentos. É benévola para o crime organizado e comporta-se como um grande paraíso fiscal", resume o catedrático de Economia.
Faça-se um exercício sobre o desconhecido: quem reparou na adesão ao euro de países que não integram a UE e que, por vezes, nem nos lembramos que o são? Vaticano, São Marino, Kosovo e outros territórios constituem, segundo Carlos Pimenta, "o centro do tráfico internacional" e conquistaram o melhor de dois mundos: usam a moeda única, mas não respondem perante as leis europeias. "O dinheiro que ali circula fica automaticamente lavado." Não admira, pois, ver a Europa "extremamente vulnerável".
Portugal, galinheiro de serviço
Não sendo ainda um paraíso para as máfias, a verdade é que a moldura europeia, mais jeitinho menos jeitinho, cabe na perfeição a Portugal, país onde as raposas encontram sempre o galinheiro aberto, e à discrição, para se empanturrarem. Carlos Pimenta socorre-se da metáfora de Jean-François Gayraud - autor de diversas obras sobre fraudes e crime organizado - para ilustrar o nacional-porreirismo nestas matérias, conivente e irresponsável. "As crises e o endividamento do Estado geram situações de grande fragilidade. Degrada-se a situação social, abre-se a porta a negociatas", refere o economista. A estratégia de rapina é fácil e dá milhões: "As organizações criminosas não têm falta de liquidez. Além de facilitarem o crédito, tomam conta de empresas em situação difícil e dos negócios legais, através de jogos de influência e de branqueamento de capitais. As privatizações são um dos alvos", explica Carlos Pimenta.
Os sinais são variados e estão para durar. É "o cancro do off-shore da Madeira, onde Portugal só tem a perder". São as Parcerias Público-Privadas (PPP´s), "onde era bom saber quantas foram negociadas em situação de conflito de interesses". São os negócios entre Portugal e Angola, com "exemplos de uma relação pouco clara entre empresários portugueses e angolanos e onde a diplomacia secreta aparece em grande". Há tempos, em Luanda, Carlos Pimenta ouviu mesmo da boca de responsáveis da polícia económica angolana uma frase curiosa: "Disseram-se espantados com o facto de empresários falidos em Portugal serem um sucesso por lá." Por cá, valham-nos o Ministério Público e a PJ que, "mesmo sem recursos, têm sido extremamente corajosos. Nos últimos anos, foram trazidos a público e investigados casos que, noutros tempos, nunca viam a luz do dia".
Neste momento, de acordo com as estimativas de Carlos Pimenta, a "economia sombra" representa já 35% do PIB. Em 2007, o cenário corresponderia a uma pilha de notas de cem euros, quase do tamanho da Torre dos Clérigos. "Agora, são várias torres", ironiza.
Entretanto, "a comunidade pacífica de revoltados" de que falava Torga parece manter a fervura, sem levantar a tampa. Somos até "muito tolerantes com a fraude e a corrupção autárquica", sobretudo ao serviço da máxima "rouba, mas faz", mas continuamos impressionáveis quando o aparelho de Estado dá nas vistas. Os exemplos, esses, já não vêm de cima. "As revistas sociais alteraram o padrão de ética das pessoas", afirma Carlos Pimenta. "As referências, hoje, são tipos que vão à TV, alguns bandidos e vira-casacas." Tudo bons rapazes, portanto.
Elite nacional e mundial no Porto
Susan Rock-Ackerman, uma das maiores autoridades mundiais na área da fraude e da corrupção, e Friedrich Schneider, autor de um estudo sobre economia paralela na UE, são dois dos oradores da conferência Percepção Interdisciplinar da Fraude e Corrupção, organizada pelo OBEGEF e que decorre de hoje, 12, até sábado, 15. Na abertura do evento será divulgado o mais recente Índice de Economia Não Registada, da autoria do Observatório. Paula Teixeira da Cruz (ministra da Justiça) Cândida Almeida (diretora do DCIAP), João Amaral Tomaz (administrador do Banco de Portugal) e Carlos Tavares (presidente da CMVM), serão alguns dos oradores.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Medina Carreira «Se Governo não tem autoridade deve sair»


Medina Carreira (MC) vê bem o filme mas escapam-lhe enquadramentos que ele detecta nuns casos e noutros não. De resto, concordo com ele.

MC diz que a subtracção de rendimentos via impostos não permite sustentar a procura. O que ele diz é verdade, deixemos para depois se a coisa seria ou não evitável. Entretanto MC defende que o nº de funcionários do Estado seja substancialmente reduzido mas, a menos que deixem de receber qualquer espécie de rendimento, nada o Estado pouparia e, neste caso, a procura de consumo seria igualmente afectada.

MC refere que o Governo não pode deitar mãos a impostos para desviar para as PPPs e haverá que chamar os concessionários e declarar-lhes que o Estado está falido e .... Eu parece-me que do ponto de vista da jurisprudência, o Estado não pode falir. Tenho muito pena se não se conseguir despachar ao galheiro as PPPs e o negócio ruinoso das eólicas e afins mas, pelo andar da carruagem, ou há uma revisão constitucional qualquer (e mesmo assim não sei que diriam instâncias do direito internacional) ou o TC se convence que, de facto, Portugal tem a soberania mo prego e com ele a soberania do TC, ou a coisa está encravada.

MC refere que um governo que tem maioria não deve ter medo. O governo tem medo dos que o elegeram porque sabe que o conhecimento de causa do eleitor é quase nulo. Esta luta para que Portugal não caia no abismo tem a desvantagem de esconder a dura realidade e a percepção do que está, de facto, em causa. A população em geral não percebe que o estado está, de facto, falido e bem falido. É uma desgraça que assim seja, mas o Portugal é uma desgraça.

MC tem razão quando ao secretismo das PPPs inclusive por haver demasiada gene com as mãos no caldeiro, mas há a hipótese (optimista) de que isso esteja a ser usado como forma de pressão sobre os gangs das PPPs e eólicas. Não sabemos ainda que ramificações internacionais há nisto tudo, particularmente entre os nossos credores.

É verdade que o governo não sabe comunicar (já passou a fase em que se podia dar ao luxo do silêncio), particularmente não sabe falar grosso.

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A nossa dívida externa é de 500.000 milhões de euros, a "grande" medida de apoio económico aprovada pelo Tribunal Constitucional alemão para ajuda à Grécia, à Itália, a Portugal e a Espanha (pelo menos) é de 190.000 milhões de euros.

Leitura complementar: "Pelos disparates que fizemos, até estamos a pagar barato

Will Cameron sit like a paralysed rabbit in the EU's headlights?

Nigel Farage takes on the Eurocrats about the meaning of democracy


An emerging, creeping euro dictatorship - Nigel Farage


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Luta

Para defender o outrora "consumismo neo-liberal exacerbado", hoje apelidado pela mesma esquerda como protecção ao consumo, dever-se-ia antecipar as comemorações do 1º de Maio de 2013 direccionando-as para uma gigantesca excursão de compras no Pingo Doce.

Portugal e os maravilhosos tótós

No Fiel Inimigo:

Vivemos numa época em que saltam tótós de todas as esquinas. A esta, a da Confederação das Micro, Pequenas e Médias Empresas, canta o mor João Pedro Soares:
«Se estamos a retirar verbas a este circuito económico interno nacional e estamos a retirar essa verba do bolso das pessoas e dos consumidores, naturalmente que isso vai fazer que o valor de baixa da Taxa Social Única não vá compensar a falta de mercado», adiantou.
Não ocorre ao "representante" que bastará que os seus representados entreguem ao trabalhador a verba que o Estado lhes vai deixar de cobrar para anular o nefasto efeito anunciado? Que está ele à espera para se virar para trás e propor o que evitaria os arrepios que lhe correm pela espinha?

Entretanto diz mais:
«farão com que algumas grandes empresas, que têm muitos empregados, vão encaixar valores que nem conseguimos contabilizar».
Quererá isto dizer que as empresas que ele representa gostariam de encaixar idênticos valores tendo menos trabalhadores?

O Tribunal Constitucional e a escravidão ao impossível

No Fiel Inimigo:

Relativamente à recente caldeirada entornada pelas medidas do governo, aqui fica um comentário que deixei no FaceBook de Ramiro Marques:
Há uns 20-25 anos, a PT ficou em condições técnicas para enviar com a factura a listagem das chamadas telefónicas realizadas.

Pouco tempo depois, uma senhora que tinha um part-time extraconjugal ficou escamada com a PT por ter permitido, pela factura, que o marido ficasse a saber da sua apetência pela especial interactividade.

A senhora apresentou queixa aos tribunais reclamando que era abusivo que uma pessoa (o assinante) tivesse conhecimento dos números para quem outra pessoa do mesmo agregado ligasse.

A coisa escalou até ao Tribunal Constitucional pois tratava-se de uma invasão da vida privada. O TC deu razão à senhora e as facturas passaram a conter apenas alguns dígitos dos números de telefone sendo os outros substituídos por 'x'.

O tempo passou e passou a ser possível aos próprios telefones instalados em cada casa a memorizar todos os números ligados e duração da chamada. A coisa voltou ao TC e ele sentenciou (de memória): já não sendo possível manter a privacidade por manifesta impossibilidade de proibição da existência desse tipo de aparelhos, a sentença anterior (a inicial, da senhora que gostava de part-times) fica sem efeito.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os funcionários públicos não pagam impostos

No Fiel Inimigo:

[Em resposta a uma leitora, deixei esta nota (aqui retocada) no FaceBook do Professor Ramiro Marques]

Na Função Pública ninguém paga impostos.

Imagine que ganha 4000 euros e recebe 1000. Dirá que paga 75% de impostos. Quer isso dizer que a sua entidade patronal (o Estado) vai entregar 3000 (que lhe descontou) a alguém? Não. Entrega-lhe 1000 e estamos conversados.

Imagine agora que ganha 2000 euros e recebe 1000. Dirá que paga 50% de impostos. Quer isso dizer que a sua entidade patronal vai entregar 1000 (que lhe descontou) a alguém? Não.  Entrega-lhe 1000 e estamos conversados.

Imagine que ganha 1000 euros em chapa batida sem, portanto, pagar impostos. Continua tudo como dantes.

Aliás, há uma 20 e tal anos os funcionários públicos não pagavam impostos e o mundo funcionava. Só que à população esta coisa fazia muita confusão e às Finanças problemas para uniformizar software. Vai dai, e Cavaco, salvo erro, resolveu (de memória) aumentar a FP em 30% passando a cobrar, em impostos (cerca de 23%), o valor desse aumento. O estado podia ter-lhes aplicado um aumento de 100% cobrando 50% de impostos que tudo ficaria na mesma (faça as contas). Podia ter aumentado 300% e passado a cobrar 75% de impostos (faça igualmente as contas para ver que é verdade).

Quando o estado aumenta os "impostos" aos funcionários públicos está-lhes, simplesmente, a baixar o salário. Pura e simplesmente a baixar o salário.

Na coisa privada não é assim porque o dinheiro de impostos não fica nem na mão do trabalhador nem da entidade patronal, vai todo parar a uma terceira entidade: o estado.

....

Conviria que os funcionários públicos e os professores em particular tivessem disto pormenorizada noção para deixarem de fazer as figuras tristes que fazem.

Cambalhotas de eterna esquerda

Uma das coisas muito interessantes dos últimos tempos, é que a esquerda, reclamando que a austeridade retira poder de compra de que resulta o abrandamento do consumo, se tornou defensora do "desenfreado consumismo neo-liberal e burguês".

Tira aqui põe ali

No Fiel Inimigo:

[Deixei este comentário no FaceBook do Professor Ramiro Marques]
"Os trabalhadores do estado e do setor público ficam na mesma; is trabalhadores do setor privado têm uma redução salarial de 7%."
 Não será exactamente assim.
 À entidade patronal, descontar esses 7% e entregá-lo ao estado ou ao trabalhador é a mesma coisa. É despesa.
 Vão seguir-se duas coisas:
  1 - Haverá empresas que entregarão ao trabalhador os 7% que anteriormente entregavam ao estado para que seja o trabalhador a entregar ao estado essa quantia, haverá empresas que não o farão. Umas poderão ou não*, outras porque, podendo, não quererão.
 2 - Vamos ver se os sindicatos explicam aos trabalhadores que essa possibilidade está em cima da mesa.
* Arrecadando esses 7% a empresa pode melhorar, de facto, melhorar a sua competitividade.

domingo, 9 de setembro de 2012

EGIPTO QUO VADIS?



É o título deste texto de António Justo:


“O Islão não oferece soluções”

“Segundo estimativas de especialistas, os militares egípcios, com pessoal em uniforme e civil, são hoje os maiores dadores de emprego no país”, como descreve a notável revista alemã “Cicero”, August 2012, num artigo sobre o Egipto. O negócio dos generais cifra-se entre 10 e 40% da economia egípcia, refere ainda a revista.

Agora, com o islamista Mohammed Mursi na presidência, os militares perderam influência no aparelho do Estado. Apesar disto, Mursi (que vem do seio da radical Irmandade Muçulmana), terá de se moderar nas suas pretensões de maior islamização do país, se pretende conseguir impulsionar a economia que só será viável num clima de estabilidade política e social. Também não poderá renunciar às receitas do turismo, outro factor modernizador a domar o zelo e a fúria inicial de forças islamistas que pretendiam irradiar da cultura egípcia o que não fosse islâmico.

Também a rivalidade vigente, entre o Tribunal Constitucional, Militares e Presidente, pode revelar-se como factor moderador das intenções do Presidente e impedir confrontações. Entretanto os islamistas, com a sua maioria parlamentar, demonstraram que não tinham soluções para os problemas do país: alimentação, escola e hospital. Até setembro terá de ser elaborada uma nova constituição a ser aprovada por plebiscito.

“O Islão não oferece soluções” disse Amr Mohammed Musa, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Egipto em entrevista a “Cícero”. Amr Musa  foi escolhido para ministro das Relações Exteriores, a desejo dos militares, para indicar uma certa continuidade pró-ocidental e que a política anti-israelita não será o caminho da política externa.

O ministro dos meios de comunicação social (estatais) é Salahedin al Maksud, também ele, membro eminente da Irmandade Muçulmana. O programa de promoção do islamismo encontra-se assim em boas mãos. Uma inovação da TV estatal egípcia revelou-se no facto de o noticiário passar a ser apresentado, depois de 50 anos, por uma jornalista com véu islâmico na cabeça. Esta inovação foi exibida como sendo uma “vitória da Revolução de 25 de Janeiro”. A agenda da “Irmandade Muçulmana” é longa; agora que se encontra no poder, exercê-lo-á com decretos, não precisando, para já, de recorrer à violência física. Entretanto a censura acentua-se e a insegurança nas comunidades não muçulmanas também. O objectivo declarado da Irmandade Muçulmana fundada em 1928 é estabelecer uma ordem social subjugada à moral do Corão e à jurisprudência da Sharia islâmica.


Informação estrutural enganosa ou factual descontextuada


Nos sistemas muçulmanos, a formação de uma oligarquia militar corresponde, por vezes, por muito contraditório que pareça, a um elemento diferenciador duma sociedade de cunho religioso monolítico e hegemónico onde perspectivas seculares civis se tornam difíceis. Os militares, tal como na Turquia, formam como que uma pequena nobreza, que se tem revelado como elemento correctivo do islamismo absorvente e omnipresente. Ao contrário da democracia ocidental que favorece a alternância dos partidos mais fortes no governo, o sistema hegemónico muçulmano favorece o fenómeno dual: dum lado os militares e do outro, os imames (cabeças das mesquitas: o seu poder de mobilização política pode verificar-se nas demonstrações organizadas e realizadas às sextas-feiras logo a seguir às orações nas mesquitas) e a revolta terrorista. Por muito estranho que pareça os militares têm-se revelado como parceiros mais sérios em relação ao estrangeiro atendendo aos interesses comuns. De lembrar, neste contexto o ataque sistemático dos grupos islâmicos radicais contra a formação de exércitos e a organização policial estatal, no Afeganistão, Iraque, etc.

Se aos países ocidentais, o que mais os une é o sistema liberal capitalista (competição em torno do trabalho/consumo), aos países muçulmanos/árabes une-os a religião muçulmana que é ao mesmo tempo programa de vida e ideal político…

Nas sociedades muçulmanas não se tem revelado possível o desenvolvimento duma cultura cívica/secular (possibilitadora duma democracia aberta) por razões teológicas, antropológicas e sociológicas. Enquanto o ocidente se orienta pela fórmula cristã “dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César” (princípio de distinção entre realidade secular e realidade religiosa: Homem por um lado como ser divino e por outro como ser secular), as sociedades de cunho árabe não conhecem esta dualidade deixando tudo para Deus, sem nada para o Homem numa atitude de súbdito e, consequentemente, de ser definido e controlado apenas pela religião. A mitologia ocidental ao conceber o Homem como filho de Deus reconhece no Homem os genes divinos e consequentemente o direito do Homem à individuação e à personalização. No Islão não há o conceito de Homem como filho de Deus nem tão-pouco o Homem pode ter comunhão com Alá tanto no aquém como no além. Isto ocasiona diferentes antropologias e diferentes sociologias, com as consequentes maneiras de estar no mundo e de se compreender o Homem e a política. Se nos países de influência cristã o Homem é concebido como ser autónomo, anterior ao religioso, nos países de influência islâmica o Homem é concebido como súbdito, só tendo sentido dentro do religioso, da Uma (a grande comunidade islâmica). Aqui, o ser humano individual não tem consistência pessoal, só grupal. Daí o facto de, quando se fala em democracia, assim como quando se fala em direitos humanos, os ocidentais e os árabes compreenderem coisas totalmente diferentes.

Geralmente, os jornalistas e os políticos ocidentais, quando avaliam os acontecimentos nos estados árabes e quando falam de integração de estrangeiros equivocam-se porque julgam que as palavras e as manifestações públicas duma cultura são equivalentes às da outra, quando, muitas vezes expressam precisamente o contrário do que se diz delas. Enquanto o Ocidente aposta sobretudo na força militar e na expansão económica os países de influência árabe apostam tudo na religião e na expansão da procriação.

O entusiasmo e optimismo dos meios de comunicação ocidental nas notícias sobre o Norte de África e outros conflitos internacionais leva o público a avaliações não aferidas à realidade meramente factual.

A informação publicada, além de ser equacionada em perspectivas políticas condicionadas pela própria localização política, sofre do equívoco de falar de realidades que, muitas vezes, não passam de projecções da própria mundivisão sobre a dos outros. Temos assim uma informação estrutural do satus quo enganosa ou factual descontextuada.

Por vezes tem-se a impressão de se viver no século V do império romano, assolado, ao mesmo tempo, interna e externamente. Os tempos que se aproximam para o norte de África e para a Europa pressagiam muita instabilidade! Todos terão de mudar muito a nível de mentalidades e de estratégias de poder!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Da bolha socialista de canudos furados

No Fiel Inimigo: 

Toda a gente gostaria que todos os alunos fossem bons alunos, mas isso não acontece. E não acontece apenas por haver eventuais problemas de maus hábitos, ambiente familiar, etc, mas porque alguns, felizmente poucos, (não falo nos casos mais graves) não dão uma para a caixa. Não dão e, seja ou não politicamente aceitável referi-lo, todos têm disso consciência. Todos, à excepção dos inconscientes ou militantes do solipsismo.

Os maus hábitos, ambiente familiar, etc, podem ser contrariados mas a escola não o está, regra geral, a fazer também por razões ideológicas que remetem para a militância na pura estupidez. É a história da "outra cultura" que a nada corresponde porque essa "entidade" apenas se manifesta em locais onde os alunos nunca tiveram contacto substantivo com essa dita cultura. No local de origem desse fantasma nada se passa como se diz pensar (evidentemente que há disso consciência, mas o politicamente correcto...).

Voltando aos que infelizmente não dão uma pr'a caixa, cedo se percebe que a coisa não pode, de forma alguma ir longe. A estes casos há que atribuir mais ou menos atabalhoadamente o 4º ano e despachá-los para algo que não meta papel e caneta, muito menos computador. Há que se criar saída para estes casos ou serão casos para sempre encravados seja em que turma for. Quando mais "progredirem" mais encravados ficam. Seja qual o canudo que lhes seja mais ou menos administrativamente atribuído, nunca esse facto será tido em conta fora do âmbito do Estado. Já toda a gente sabe que os canudos que por aí circulam tem várias utilidades mas nada garantem. Não são pura e simplesmente tidos em conta sem dupla verificação pela hipotética entidade patronal. Os que não corresponderem à promessa ...

Mutatis mutandis, a mesma aproximação é perfeitamente aplicável aos restantes níveis de ensino remetendo os alunos que não dão uma para a caixa para outras saída apropriadas. Neste caso acabaríamos com uma 'saída airosa' para o 4º ano, outra para o 9º, outra para o 12º, etc.

Na minha opinião, quem saísse 'airosamente' no 1º ciclo sairia com o 4º ano, quem saísse 'airosamente' no 9º ou antes de lá chegar ficaria com o 6º, quem saísse 'airosamente' do 12º ficaria com o 9º. Em qualquer dos casos seria enviado para uma via alternativa que lhe permitisse adquirir conhecimento para viver honradamente obtendo um grau académico que não se confundisse com os existentes mas que correspondesse a uma verdade. Uma Educação Real.

Entretanto, alguém se convenceu e ajudou a convencer que por mais estapafúrdia que fosse a via académica escolhida pelo aluno, seria função da "sociedade", eufemismo para Estado, resolver-lhe o problema dando-lhe emprego (não necessariamente trabalho).

Aparentemente convencidos de que tudo é possível, batalhões de alunos tiraram canudos que não têm qualquer aplicação prática para mais que casos pontuais. Foram enganados e deixaram-se enganar.

Um licenciado em sociologia faz uma pós-graduação em teatro. Muito giro. E vai fazer o quê e onde?

A verdade é que tudo está feito para que alguém saiba (espera-se) fazer alguma coisa apenas quando ganhar um diploma de uma qualquer faculdade e nessa ilustre posição está sistematicamente à espera de um lugar de chefia que nunca aparece.

Uma boa parte dos encravados são os que entraram na faculdade mas não têm unhas para trepar ao poste do presunto. Desistem, não serão parvos de todo mas não sabem fazer nada de substantivo. Por que não podem eles frequentar formação profissional no Estado que, para além do já conseguido 12º lhes dê uma certificação profissional para o exercício de um ofício ou profissão?

Por que não pode um aluno que não consegue trepar ao 12º sair com o 9º dando entrada numa alternativa ao nível do 9º?

Por que não pode um aluno que não consegue trepar ao 9º, sair com o 6º e entrar numa alternativa ao nível do 6º?

Por que não pode um aluno que não consegue o 6º entrar numa alternativa ao nível dos que saíram com o 4º ano 'emprestado'?

Por que carga de água insistir que todos têm que chegar ao 12º, uma boa parte dos quais arrastando-se e atrapalhando os restantes? Os próprios nada ganham, os restantes, também não.

É evidente que a coisa não se pode perpetuar, não se pode manter um aluno em formação profissional (ou o que se lhe quiser chamar) indefinidamente. A ser assim, dê-se-lhe uma abébea ao primeiro canudo (com limite de tempo), aplique-se uma propina à segunda, uma propina correspondente ao valor real da coisa à terceira e, se estiver disposto a pagar, que continue toda a vida a "estudar" por sua conta e risco.

Entretanto, estão as novas escolas da Parque Escolar em condições de receber equipamentos para ensino profissional? Terão que ser demolidas? Terá sido uma forma de tentar perpetuar a inexistência de outras vias de ensino? Pura estupidez? Apenas para "festa"?

Mais sobre o modelo sueco

Via O Insurgente:

Executive Summary:
  • Sweden did not become wealthy through social democracy, big government and a large welfare state. It developed economically by adopting free-market policies in the late 19th century and early 20th century. It also benefited from positive cultural norms, including a strong work ethic and high levels of trust.
  • As late as 1950, Swedish tax revenues were still only around 21 per cent of GDP. The policy shift towards a big state and higher taxes occurred mainly during the next thirty years, as taxes increased by almost one per cent of GDP annually
  • The rapid growth of the state in the late 1960s and 1970s led to a large decline in Sweden’s relative economic performance. In 1975, Sweden was the 4th richest industrialised country in terms of GDP per head. By 1993, it had fallen to 14th.
  • Big government had a devastating impact on entrepreneurship. After 1970, the establishment of new firms dropped significantly. Among the 100 firms with the highest revenues in Sweden in 2004, only two were entrepreneurial Swedish firms founded after 1970, compared with 21 founded before 1913.
  • High levels of equality and favourable social outcomes were evident before the creation of an extensive welfare state. Moreover, generous welfare policies have created numerous social problems, including high levels of dependency among certain groups.
  • Descendants of Swedes who migrated to the USA in the 19th century are characterised by favourable social outcomes, such as a low poverty rate and high employment, despite the less extensive welfare state in the USA. The average income of Americans with Swedish ancestry is over 50 per cent higher than Swedes in their native country.
  • Third World immigrants have been particularly badly affected by a combination of high welfare benefits and restrictive labour market regulations. In 2004, when the Swedish economy was performing strongly, the employment rate among immigrants from non- Western nations in Sweden was only 48 per cent.
  • Since the economic crisis of the early 1990s, Swedish governments have rolled back the state and introduced market reforms in sectors such as education, health and pensions. Economic freedom has increased in Sweden while it has declined in the UK and USA. Sweden’s relative economic performance has improved accordingly.

domingo, 2 de setembro de 2012

Estratégia para Totós

Esta simples declaração diz tudo o que são os socialistas. Faliram o país, deixando um défice de 10%,  uma divida monstruosa e um desemprego galopante, e agora, uma vez na oposição, são contra toda e qualquer  correção dos erros que fizeram - não querem austeridade. Surgem aos portugueses como o partido bonzinho que se preocupa com as pessoas. O Governo que faça o papel de mau e que se amanhe com a batata quente que lhe deixaram.
A atual estratégia socialista, que roça o básico de tão primitiva que é, tem no entanto um erro de palmatória: parte do principio que os portugueses são atrasados mentais e que já se esqueceram que foi esse partido que os pôs na bancarrota. Um principio errado, porque se nem Sócrates com a sua imensa propaganda os conseguiu enganar eternamente, não vai ser o atual aprendiz de líder a consegui-lo.

Nivaldo Cordeiro - STF: o Estado é maior que o partido



"Ontem foi um dia histórico, no qual o STF completou a condenação de João Paulo Cunha e os demais réus do mensalão. A fala sóbria, didática e lógica do ministro Cesar Peluso marcou a sua despedida como magistrado, em momento de inspiração. Mas o que realmente emocionou foi o libelo ético-político do ministro Celso de Mello, como quem dissesse, falando em nome da Corte: o Estado é maior que o partido. O ministro Gilmar Mender se perguntou "como puderam fazer aquilo com o Banco do Brasil". Emendou dizendo que nunca caímos tão baixo em práticas políticas. Vê-se que a Corte puxou para si o papel que outrora estava reservado aos militares, de dar um basta na orgia de corrupção. A maioria sólida calou os dois únicos ministros alinhados com as ordens partidárias, Ricardo Lewandowski e Dias Tóffoli. A situação desses dois está insustentável perante a opinião pública e os cultuadores das letras jurídicas. O STF deu um brado de força e ordem. Enquadrou a semente maligna do totalitarismo."

Thomas Sowell - Economic Decision Making

Homens devem poder recusar paternidade

No Insurgente:

Discordo da proposta porque discordo da existência de um “direito a abortar” mas, no contexto do aborto livre, a lógica da argumentação parece-me fazer todo o sentido: Homens devem poder recusar paternidade

A lei portuguesa devia reconhecer aos homens o direito de recusar a paternidade de um filho nascido contra a sua vontade. A tese está contida na investigação A igualdade na decisão de procriar, defendida por Jorge Martins Ribeiro, no âmbito do mestrado em Direitos Humanos na Universidade do Minho.
Na óptica do investigador, é uma questão de igualdade. “Do mesmo modo que a mulher tem o direito legalmente reconhecido de abortar ou não abortar, perante uma gravidez não planeada, o homem deve poder decidir se quer ou não ser pai”, sustenta.
Desde 1967 que o ordenamento jurídico português (alicerçado no direito da criança a conhecer a sua identidade e ascendência biológica) impõe a obrigatoriedade de o Estado, perante o registo de um recém-nascido sem identificação do pai, desencadear uma acção oficiosa de paternidade, mesmo se contra a vontade dos progenitores. Neste âmbito, os presumíveis pais podem ser sujeitos a um teste de ADN e, sendo este positivo, à obrigatoriedade de perfilharem a criança. “Criou-se assim uma geração de pais à força”, sustenta o investigador, insistindo que, “do mesmo modo que um homem não pode coagir uma mulher a abortar, esta não devia poder coagir o homem a ser pai”. Quanto ao superior interesse da criança, “um sistema que permite o não nascimento por via de um aborto também pode permitir o nascimento sem atribuição da filiação paterna”.

Querubins em pimenteiro

Carlos Pimenta, engenheiro e ex-secretário de Estado do Ambiente*, defende que deve haver concorrência no mercado dos combustíveis e está optimista quanto à liberalização do mercado da electricidade.
Mas que coisa tão gira. Aquele que está à frente da EDP renováveis, cujos preços exorbitantes de energia cobrada aos clientes são garantidos por legislação, preocupa-se porque nos sectores dos combustíveis ... não há concorrência.

Haverá alguma relação esta outra coisa esquisita, cuja utilidade é igualmente inexistente, e este surto de comichão de Carlos Pimenta?


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*Governo PSD - Cavaco Silva e posteriormente deputado ao Parlamento "Europeu" também pelo PSD onde muito galhardamente lutou contra a falta de respeito pela dignidade das galinhas e outros animais de capoeira não partidária.

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Para outras tiradas orgásticas da referida personagem seguir estes links:

Carlos Pimenta e a passagem

Referendo Irlandês a Lisboa

Se bem percebi

Thomas Sowell - The Quest For Cosmic Justice

There are two conflicting concepts of justice. One is unattainable. (1999 - Harvard Club, NY)


Minuto 12:23 -  [Minha tradução livre] - "De alguma forma, as pessoas que são apanhadas pela visão da justiça cósmica, são também vítimas porque após terem demonizado outras pessoas eles vêe-se impedidos de voltar à estaca zero e reexaminar as evidências e descobrir se aquilo que defenderam produziu o resultado que pretendiam ou outros, totalmente diferentes. Ficam fechados dentro da sua visão por haver demasiado em jogo que lhes permita pensar em algo diferente."

- Estás à procura de quê? - Não sei ... o meu capitão só me mandou procurar!

É muito interessante assistir a este espernear da justiça relativamente ao "desaparecimento" de documentos sobre a aquisição de submarinos no Ministério da Defesa.

Há perguntas que não podem deixar se ser feitas aos fiteiros:

1 - Demoraram meia dúzia de anos a dar a alarme?

2 - Estiveram a dormir este tempo todo ou precisavam justificar o banzé de um processo que não leva a coisa nenhuma?

3 - Fizeram desaparecer a papelada para poderem deixar uma acusação eternamente no ar?

4 - Não sabem mesmo onde pode ser encontrada a papelada?


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Já agora, coisas giras sobre as quais a esquerdalha indignácara barafustou mas que 'parece', entretanto, ter-se esquecido:
Francisco Louçã "sugeriu" à Justiça que "procure nas 61 mil fotocópias" que Paulo Portas "levou para casa" quando abandonou a pasta da Defesa o contrato dos dois submarinos comprados à Alemanha durante o Governo PSD/CDS-PP. 
Já perceberam porque respondeu Paulo Portas, com aquele sorriso maroto, que estava de férias? Já perceberam porque não insistiram os "jornalistas", limitando-se ao frete 'do que parece mas não é'?

Forças a(r)madas

Progressive organizations behind White House policy have crafted specific, second-term plans for President Obama to transform the U.S. Armed Forces into a social work-style organization designed to combat “global warming,” fight global poverty, remedy “injustice,” bolster the United Nations and increase “peacekeeping” forces worldwide.

Emmanuel Nunes



Buraco Obama vai despejar mais dinheiro

Obama quer agora despejar dinheiro por cima de tudo quanto é indústria. Quem lhe suceder ponha os olhos no que aconteceu pós Sócrates.
“I said, I believe in American workers, I believe in this this American industry, and now the American auto industry has come roaring back,” he said. “Now I want to do the same thing with manufacturing jobs, not just in the auto industry, but in every industry.
“I don’t want those jobs taking root in places like China, I want those jobs taking root in places like Pueblo.”

sábado, 1 de setembro de 2012

Nota

A pedido do editor do blogue República das Santas Bicicletas, retirámos o respectivo link da nossa lista "Debaixo d'olho".