segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os funcionários públicos não pagam impostos

No Fiel Inimigo:

[Em resposta a uma leitora, deixei esta nota (aqui retocada) no FaceBook do Professor Ramiro Marques]

Na Função Pública ninguém paga impostos.

Imagine que ganha 4000 euros e recebe 1000. Dirá que paga 75% de impostos. Quer isso dizer que a sua entidade patronal (o Estado) vai entregar 3000 (que lhe descontou) a alguém? Não. Entrega-lhe 1000 e estamos conversados.

Imagine agora que ganha 2000 euros e recebe 1000. Dirá que paga 50% de impostos. Quer isso dizer que a sua entidade patronal vai entregar 1000 (que lhe descontou) a alguém? Não.  Entrega-lhe 1000 e estamos conversados.

Imagine que ganha 1000 euros em chapa batida sem, portanto, pagar impostos. Continua tudo como dantes.

Aliás, há uma 20 e tal anos os funcionários públicos não pagavam impostos e o mundo funcionava. Só que à população esta coisa fazia muita confusão e às Finanças problemas para uniformizar software. Vai dai, e Cavaco, salvo erro, resolveu (de memória) aumentar a FP em 30% passando a cobrar, em impostos (cerca de 23%), o valor desse aumento. O estado podia ter-lhes aplicado um aumento de 100% cobrando 50% de impostos que tudo ficaria na mesma (faça as contas). Podia ter aumentado 300% e passado a cobrar 75% de impostos (faça igualmente as contas para ver que é verdade).

Quando o estado aumenta os "impostos" aos funcionários públicos está-lhes, simplesmente, a baixar o salário. Pura e simplesmente a baixar o salário.

Na coisa privada não é assim porque o dinheiro de impostos não fica nem na mão do trabalhador nem da entidade patronal, vai todo parar a uma terceira entidade: o estado.

....

Conviria que os funcionários públicos e os professores em particular tivessem disto pormenorizada noção para deixarem de fazer as figuras tristes que fazem.

4 comentários:

António Gomes disse...

Caraças sempre a mesma porcaria!!

Sou funcionário público, sou trabalhador por conta de outrém.
Ganho o meu salário, pago os meus impostos.

NÃO SOU contribuinte fictício.


Gostava de receber mais respeito. Nunca faltei ao respeito aos "privados"...

Trabalho e o que me cobram em impostos não é pouco, por isso ouvir constantemente que não pago impostos e apenas represento despesa de estado é no mínimo surreal.

repito: NÃO SOU contribuinte fictício.

Manuel Graça disse...

Caro António Gomes

É contribuinte fictício.

O salário base daquilo que lhe pagam no estado pode ser o que o estado entender escrever na sua folha de pagamento porque, para o estado, não tem qualquer significado real. A única coisa que interessa é quanto o estado gasta consigo e, para além do salário, nada mais gasta.

António Gomes disse...

Eu falo do meu ponto de vista e não do ponto de vista do estado.

Não sou contribuinte ficticio. Tenho um contrato e contribuo para o país.

O que vcs argumentam é que somos trabalhadores inferiores aos privados porque não contribuimos para este país.

Mas garanto-lhe que contribuo e bem.

Manuel Graça disse...

Contribuem trabalhando, no estado, para aqueles que, fora dele, pagam impostos.

Qual é o problema?

Não percebe que quando diz que o estado lhe cobra impostos ele (estado) está a fazer um 'negócio' com ele próprio?

Se o estado deixar de lhe cobrar impostos mantendo o que lhe entrega em chapa batida, o estado não gasta mais nem menos consigo e o caro não recebe nem mais nem menos. Fica tudo como dantes e, por milagre, o caro 'deixa de pagar impostos'.

O caro ficará, eventualmente, com problemas de consciência por coisa nenhuma.

Quanto os funcionários públicos começaram a "pagar impostos" a coisa foi feita por duas razões: para calar os tótós que passavam a vida a acusar os funcionários públicos de não pagarem impostos e para homogeneizar o software da máquina fiscal.