sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fanatismo disciplina o Modernismo secularista




Um novo texto enviado por António Justo.


O Estado protege Criminosos e negligencia os Cumpridores da Lei

A maneira como a política e a sociedade reagem à provocação de caricaturistas e à violência islâmica favorece a confusão das mentes. Uma arte banal e de mau gosto quer provocar os sentimentos religiosos de pessoas crentes, mostrando Maomé nos braços duma mulher nua, o Papa de nádegas nuas, Jesus como homossexual, etc. Quer-se desviar a atenção das pessoas dos problemas reais para discussões paralelas, servindo-se assim os extremistas muçulmanos e uma economia liberalista agressiva e desumana, como se os valores do Ocidente se reduzissem à liberdade de expressão. Nos baixios de sociedades em desgraça domina a satisfação baixa do rir-se uns dos outros.

No que diz respeito à avaliação da liberdade de expressão na arte, a sociedade ocidental usa dois pesos e duas medidas. De facto, um Islão militante consegue conquistar compreensão e até respeito pelas manifestações violentas contra a sua difamação, como se vê na discussão pública e na reacção da política. A violência e o medo, daí resultante, determinam a lógica e a argumentação pública. Segundo comentários políticos, a gravidade não vem do acto em si mas das possíveis reacções a ele. A arbitrariedade dos argumentos a favor e contra ultrapassa a razão e a ideia de liberdade.

Chega o cinismo duma caricatura, o fanatismo de "Innocence of Muslims", ou a ganância duma editora que, para atrair as atenções, publica uma caricatura de Maomé na certeza que as mesquitas movimentarão (às sextas-feiras, depois das orações rituais) enormes massas, chegando aí a serem legitimados actos de violência criminosa.

Há um vídeo anti-islâmico. Há também muitos filmes e caricaturas anticristãos. Por exemplo, aqui na cidade de Kassel a "Caricatura" tem uma exposição de caricaturas. Numa delas Deus Pai diz para o filho Jesus na cruz: "Eh tu, eu fodi a tua mãe!" Os responsáveis de “Caricatura”, apesar do protesto escrito de cristãos, continuam a exibir tal caricatura em nome da arte e da liberdade de expressão.


A publicação de caricaturas ridicularizadoras do maometanismo é considerada perturbação da ordem pública por ferir os seus sentimentos religiosos; a ridicularização de símbolos cristãos não é relevante. O mesmo público que condena a acção provocadora de caricaturistas ofensores do Islão, acha normal e até sinal de liberdade a difamação de símbolos cristãos. Será que se pensa que os cristãos não têm sentimentos religiosos ou que são demasiado tolerantes?

Se o radicalismo e a violência passam a ser o critério de orientação para avaliação e decisão na sentença pública, então a política e a opinião publicada dá a perceber que os cristãos para serem tomados a sério e ouvidos, teriam de se tornar violentos e radicais. Dado a política tomar mais a sério a violência/medo do que a atitude pacífica descrimina a agressão pela positiva e a atitude cristã pela negativa. No mundo ocidental chegou-se ao extremo de quem nega as suas fontes (greco-judaico-cristãs) e difama o cristianismo é considerado progressista e defendido como representante da modernidade.

Um secularismo impúdico ao apoderar-se das democracias e dos órgãos de Estado dá cada vez mais margem ao extremismo, numa tática de submeter a razão ao medo e ao oportunismo. A perversidade do pensamento e da moral encontra-se na ordem do dia e agindo em nome duma democracia medrosa e envergonhada. Nela parece valer cada vez mais a máxima: direito recebe-o quem perturba a paz pública ou os lóbis parasitas que se assenhorearam dos Estados!

Naturalmente que aqui está mais em jogo do que a mera liberdade de expressão!

Ao fanatismo do "Innocence of  Muslins", segue-se o fanatismo de massas maometanas; à tolerância cristã, nas sociedades ocidentais, segue-se o abuso do fanatismo secular.


Por outro lado, Estados de cultura árabe estão habituados a mandarem na sua terra ao ponto de incendiarem igrejas, perseguindo crenças não maometanas, sem que alguém os moleste por isso. Além disso querem mandar na casa dos outros sob o manto da hegemonia da religião. A reacção da política e dos Média, bem como a intervenção da Nato nas suas regiões, tem-lhes dado razão.

O abuso com filmes e com caricaturas contra a religião cristã tem sido protegido e querido pela política ocidental. Agora chegam estes estrangeiros a chamá-la à reflexão. Será um abuso eles quererem impor a sua ordem na casa dos outros?

Também é um facto que o secularismo tem abusado e engordado à custa do sentimento religioso cristão. O medo do poder secular da Europa perante o sentimento religioso muçulmano irá fazer aplicar leis anti-difamatórias da religião, de que indirectamente aproveitarão os cristãos. Os de fora vêm impor respeito pela religião! E de que maneira! Pelos vistos o braço secular parece entender mais de violência do que de paz!

Encontramo-nos perante um paralelismo intrigante: depois dos Descobrimentos as vítimas de perseguições religiosas na Europa emigraram para a América em fuga ao fanatismo reinante; essa mesma Europa vê hoje o seu liberalismo extremo questionado pelo fanatismo árabe. Há que procurar uma nova estratégia de diálogo sem recorrer à blasfémia, à difamação, à exploração nem a grosserias; segundo a desleixada máxima cristã: na humanidade reside a divindade! Cada pessoa, crente ou descrente, é filho de Deus!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Dedicado à manifestação pela Severa




Tempo Volta Para Trás -- António Mourão, Composição: Eduardo José Dantas
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A severa foi-se embora o tempo para mim parou,
o passado foi com ela para mim não mais voltou,
as horas para mim são dias, as horas para mim são dias
os dias para mim são anos,
recordação é saudade, recordação é saudade
saudades são desenganos
Ó tempo volta para trás, traz-me tudo o que eu perdi
tem pena e dá-me a vida, a vida que eu já vivi,
ó tempo volta para trás, mata as minhas esperanças vãs,
vê que até o próprio sol volta todas as manhãs.
Porque será que o passado e o amor são tão iguais,
porque será que o amor quando vai não volta mais,
mas para mim a severa, mas para mim a severa
é o eco dos meus passos,
eu tenho a saudade á espera, eu tenho a saudade á espera
que ela volte para os meus braços.
Ó tempo volta para trás, traz-me tudo o que eu perdi
tem pena e dá-me a vida, a vida que eu já vivi,
ó tempo volta para trás, mata as minhas esperanças vãs,
vê que até o próprio sol volta todas as manhãs.

A esquerdalha à anexação da Alemanha

No Fiel Inimigo:

Face ao "medo" que a Alemanha tem que Portugal não venha a pagar o que deve, ou, sequer, o juro dos empréstimos que, por "sede especulativa" e "neo-liberal", é incapaz de não nos conceder, deixo a seguinte sugestão:

Convoca-se mais uma manifestação pelo retorno da Severa.

Recoloca-se a dita figura no poder.

Pede-se à Alemanha quantidades industriais de dinheiro não importa a que juro até que a Alemanha claudique e fique de joelhos. Nessa altura Portugal declarará, sem mexer uma palha, a anexação do território que nos ficará eternamente agradecido. O novo território será rebaptizado Angeola e a Merkel será concedido asilo político.

A Severa indigitará o Anacleto como governador geral do território cuja província de leste ficará a cargo de Jerónimo de Sousa. A Ana Gomes será entregue o controlo das polícias.

Mário Crespo comenta custos diários da RTP para os contribuintes portugueses

A esquerda e a obsessão pela marxista forma de mentir

Ainda em relação a esta encrenca, chamemos de volta o parágrafo que merece mais detalhada análise:
Cravinho diz que o erro "podia ter sido evitado", e o negócio "mais prudente". Mas justificou-o com a necessidade de partilhar o "receio quase patológico" dos potenciais concorrentes à concessão e revitalizar a CP, que estava "uma bagunça".
Trata-se de um excelente exemplo da corrupção* que é intrínseca a toda a esquerda: PS, PCP, BE e a excrescência "Os Verdes".

Reparem que perante o óbvio, Cravinho é incapaz de simplesmente afirmar que os concorrentes à concessão tinham razão mas que o PS foi incompetente em dar-lha por estar convencido que sabia da poda. Cravinho escolhe a via de declarar a verdade como patológica e de justificar o seu colossal disparate declarando que foi o PS a vítima da "patológico receio" alheio.

Sem fugir à verdade mas adjectivando-a correctamente, a obsessão patológica pela realização da disparatada obra levou o PS a um extraordinariamente ruinoso negócio responsabilizando o contribuinte por tapar o buraco que a sua absurda incapacidade em olhar a realidade acarretou.

Como dizia Marx, façam a trampa mas culpem a direita. Foi assim com esta obra e com todas as outras, e tudo indica que a Severa voltará a ser "vítima".

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*sempre em sentido lato

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Solipsismo: doença que sistematicamente afecta toda a esquerda

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça [bold meu]:

«O serviço ferroviário acabou concessionado à Fertagus, negócio adjudicado por Cravinho, e "o que foi apresentado como uma parceria sem custos para o Estado português acabou por ter um custo de 102 milhões de euros", em verbas que o Estado devolveu para reequilíbrio financeiro e prestação de serviço público, criticou Mendes Bota. O deputado social-democrata recordou, ainda, os 33 milhões de euros que a Fertagus já distribuiu pelos accionistas.

Cravinho diz que o erro "podia ter sido evitado", e o negócio "mais prudente". Mas justificou-o com a necessidade de partilhar o "receio quase patológico" dos potenciais concorrentes à concessão e revitalizar a CP, que estava "uma bagunça".

Mais tarde, o antigo secretário de Estado do Orçamento João Carlos Silva reconheceu que os "contratos leoninos devem ser alterados se geram prestações desequilibradas entre as partes e não respeitam expectativas". Mas considera "um absurdo" lançar um imposto sobre as PPP.»

E então, o receio dos concorrentes à concessão era "patológico" ou a coisa NÃO TINHA MESMO pés para andar?

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A ter em conta

No Blasfémias:

a) Constrói-se o TGV
b) Arrisca-se o pagamento da indemnização
c) Rasga-se o contrato, grita-se  “Fim à austeridade. Queremos as nossas vidas” e depois espera-se para ver o que acontece
Estávamos no tempo em que a esquerda, toda inteirinha, desprezava quem se preocupava com as rendas. Hoje, os mesmos zotes, reclamam que o governo não é capaz de desfazer a trampa que ele fizeram e blindaram.

COMUNICADO DE ÚLTIMA HORA!


    
  Como decerto os caríssimos/as confrades e amigos tiveram conhecimento, começou depois da hora do almoço (o que deu azo a que os mídias o difundissem em pormenor no horário nobre sequente) que o geralmente honesto mas pontualmente atarantado - e por vezes titubeante, mas isso é característica vocal que até lhe dá um certo charme democrático-constitucional- Professor Cavaco e Silva, que como é sabido tem estado presidente da República, teria na manga uma excelente jogada de reserva se as coisas se puserem feias para os membros da actual gerência governativa em geral e os cidadãos portugueses em particular.



   E, aqui o confirmamos em primeira mão e por enquanto em exclusivo, corresponde integralmente à verdade que o estadista em apreço congeminará (se os mentideros não estão a "reinar com a maralha" e se o bem informado Camilo Leirenço não nos contrariar de imediato) que o Senhor Professor Doutor José Jagodes SERÁ EVENTUALMENTE INDIGITADO A SEU TEMPO PARA ENCABEÇAR UM GOVERNO DE SALVAÇÃO NACIONAL, caso seja necessário ao bem-comum.
  Logo a seguir ao discurso do Dr. Pablo Portas - que com o seu ar determinado ainda que franco e benevolente deixou os apreciadores do Dr. Paços em "carne de galinha" como usa dizer-se no léxico social-democrata depois das peripécias que rodearam o... Dr. Relvas (não me ocorre de momento o seu primeiro nome, pelo que peço desculpa aos leitores e ao dito homem-público) - ainda se pensou, por uns extensos 20 minutos ou coisa, que o mais indicado seria indigitar-se o Dr. Ruy Rio. Mas o coro de vociferações foi tão vigoroso (segundo alguns demasiado vigoroso, pois a seu ver o ainda autarca azul não mereceria tais opiniões quase cruéis), um rumor começou a difundir-se... a ideia começou a fazer carreira...!

   "Doutor Jagodes ao Poder!", ouviu-se por aquelas instâncias.



   Cientes do nosso dever de patriotas e de publicistas, logo buscámos tirar a coisa a limpo. Fizemos os nossos contactos, demos os nossos passos (passe o termo...) e, porque sempre mantivémos boas relações, diríamos mesmo privilegiadas, com o assessor do Doutor, o ex-comandante Tomás Figueira (antigo agente secreto que conquistado pela sua qualidade de pensador e de figura pública passou, como seu Chefe da Casa Civil e Militar, para os Serviços de Apoio do autor de "Para uma política responsável - Introdução ao pensamento de um opositor às diatribes senis Soaristas", um dos best-sellers da rentrée) e vimos confirmada por ele "a realidade dos factos", para citarmos a sua frase justa e com o seu habitual senso-de-humor.



   E conseguimos uma entrevista em exclusivo!
  Dentro de dias - e não antes para não perturbarmos os trabalhos do Conselho de Estado que ameaça vir por aí (e que tem como facto mais giro o pequeno Gaspar, dizemos assim com ternura, ter de ir explicar aos outros meninos, ai, aos outros conselheiros o porquê das suas "brincadeiras") a sensacional "cacha" será dada a lume em primeira mão.

  O Doutor Jagodes falará de muita coisa. Se calhar alguns até preferiam que o não fizesse. Mas então a "liberdade de palavra", seja de qualquer cidadão seja até do Boquinha Torta ou do Malhador, não é uma conquista dos cravos? Atão...
 Saudações cordiais para todos.

Nota - Esclarecemos desde já, antes que as habituais "folhas de couve" criem a normal confusão, que não confirmamos irmos putativamente ser o porta-voz oficial do futuro Chefe do Governo, se a entrada jagodiana se vier a consumar!



Tudo o que assinaram não estava lá!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Do Estado e do crime




Confrades e amigos/as

  Num "órgão de informação", que por higiene mínima não identificarei, um caramelo sugeriu que eu - ultimamente, que ando e andarei em tratos literários, em Espanha brevemente e, depois, em França - com egoísmo já não me importava com o que se passa no real quotidiano societário. Estaria pois a render-me ao desinteresse pela cidadania.

 Não é verdade.

 O que se passa é que tenho andado ocupado com a feitura de dois discursos e outras "intervenções espontâneas" (risos)para responder a futuras entrevistas e nisso sou muito cuidadoso, pois gosto de dar ao leitor, ao público por extenso, o melhor e mais digno do pouco que sei.

 Mas para acabar definitivamente com algumas ideias relativamente desadequadas, vou tomar posição neste momento em que se iniciou a corrida descendente para a governação social-democrata (e só se podem queixar deles mesmos):


O governo luso actual, que ganhou as eleições opondo-se ao do díscolo parisiense, todavia a seguir mentiu ao povo português e agrediu-o nos seus direitos constitucionais, forçando-o através do arbítrio que protege ricos e fundações e desanca pecuniariamente reformados.

"Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública." - Direito de resistência, Art.21 da Constituição da República.

  As declarações, sensatas e claras, dum dos representantes dos polícias, que referiu que o governo tem tentado arteiramente usá-los contra o povo manifestante legal, não deixa margem para dúvidas. 

Assim sendo, o povo tem o direito de insurreição ante esta gerência que se colocou fora da lei. Devemos pois preparar-nos para essa eventualidade, amarga mas legítima!

 Todavia, isso não passa por ataques armados a ministros ou sedes de partidos políticos. Ninguém, que eu saiba, propôs até hoje tal insensatez. Ninguém tanto quanto sei sugeriu, como se está a fazer em Espanha e França, que as moradas de magistrados pervertidos ou colaboracionistas dos turiferátrios oficiais sejam postas em agenda, para na altura própria se lhes "apresentar cumprimentos". Nem ninguém aventou a ideia de se vigiarem atentamente assessores potencialmente abusadores ou corruptos para se lhes "apertar a mão..." quando rebentar a "bernarda". Ou que deputados dos que o dr. Paulo Morais, presidente do Observatório Anti-Corrupção, classificou como "vendilhões relapsos" pois fazem da Assembleia da República verdadeiro coio de ilegalistas, sejam sumariamente pendurados nas árvores da Avenida da Liberdade, a exemplo do que sucedeu a 5 delegados do ministério público italiano, mancomunados com a Mafia, no decorrer da operação Mãos Limpas.



 Insurreição significa algo bem diferente!

 Significa a contestação, através da presença nas ruas e em todo o lado onde isso legitimamente se possa exercer, dos cidadãos usando do seu direito inalienável de ser gente contra os abusos à pala da governação. E que não é passível de negociação, mesmo num País onde vigora uma "sociedade criminal" (ou seja, como eu referi e perdoem-me se me cito, no meu "O crime e a sociedade", aquela onde o crime é consentido pelos esteios do Estado quando não por ele incrementado, como entre nós se verifica).

  Neste momento, o que vem na sequência da governança do denominado popularmente "Pinóquio", a Nação lusa já não é uma Democracia real ou por extenso, mas um Estado cripto-fascista devido aos actos de políticos e seus manteúdos (utilizantes do sistema judicial, que bloqueiam a justiça mediante a colocação, em locais estratégicos, de apaniguados ou áulicos estipendiados moral e materialmente), membros das polícias secretas - que não visam a defesa da Nação mas dos que a usam como uma coutada - e correlegionários partidários, verdadeiros homens-de-mão dos que tripudiam sobre a pátria lusa a seu bel-prazer.

 Estes homens, que agora parece tiraram definitivamente a máscara, não são economicistas ou tecnocratas! São, isso sim, verdadeiros apaniguados que tentam tapar o estado ruinoso a que os seus capangas, quando não eles mesmos em parte, levaram Portugal.

  O estado a que se chegou não é culpa da população, o que eles tentam injectar através de uma insidiosa, mentirosa e cínica propaganda.

  O povo comete erros. É ingénuo, por vezes mesmo desleixado. Mas não é globalmente criminal, tanto mais que numa "democracia aproximativa" não tem tido, geralmente, senão que ratificar eleições ratonas! Manipulado pela incultura induzida, pala futebolite, pelas telenovelices e pela beatice dos "parlapatões tonsurados", como dizia Eça, muito tem ele tolerado.

 Num país menos pacífico já teriam rolado cabeças. E não falo por simbolicamente...!

  Quando um Constâncio, que não conseguiu perceber que nos bancos algo de apodrecido estava a dar-se, vem "dar sentenças" e conselhos de comadrinha; quando um Vítor Gaspar de discurso roboticamente sincopado vem tentar convencer-nos de que o amarelo é azul e o verde castanho às pintinhas; quando outros cavalheiros tentam fazer passar a ideia de que para salvar a nação é necessário ficarmos sem calças, sem camisa e, se calhar, sem cuecas (passe a justa ironia) - é tempo de dizer BASTA, tendes de mudar de rumo!

  Temo-lo sugerido a bem. Seria grave que nos obrigassem a DIZÊ-LO A MAL! Depois não se queixem.

  Viva Portugal!

O povo e a barricada

No Combustões:

[...]

Algumas dezenas de milhares de portugueses saíram ontem às ruas. Tanto importa que fossem 10.000 como 100.000 ou dois milhões. Não tinham razão, pois foram cúmplices. O que ontem aconteceu foi o protesto da dita "classe média", a mesma que votou sempre pela "vida confortável", que aplaudiu Cavaco, Guterres, Ferro Rodrigues e as fantasias sem pensar nas consequências. Essas pessoas têm dores, passam por sofrimentos, angústias e até desespero, mas não é o povo. O povo, na acepção sociológica de classe de baixos rendimentos - isto é, o salário mínimo - nunca saiu à rua. Tem vivido do banco alimentar e da caridade das ONG's, de associações católicas e até da Jerónimo Martins, tão atacada por todos, mas que garante 60% do total de contribuições que assistem as vítimas da fome.
 
Ontem, cantaram a Vila Morena e o Povo Unido Jamais Será Vencido. Sei que custa perder o sentido da vida e os mitos, mas há que abrir os olhos e ter um mínimo de lucidez. Afinal, não se ouviu uma ideia. Não têm qualquer ideia de como sair da situação. O governo tem feito o que se deveria ter feito há vinte ou trinta anos. Mas não, ninguém quis saber. Queriam "viver bem", queriam ser "europeus". Isso acabou. A crise pode ser boa conselheira. O governo que comece a pensar num plano de resgate económico, não se atenha às finanças e dê exemplo, começando por atacar os vergonhosos privilégios da matulagem que vive do sistema. A "classe média" que pense, mas proponha saídas. Afinal, com tanto "intelectual" e tanto "quadro", só se limitam a pedir direitos. Os direitos estão na lei, mas mais importante que os direitos de cidadania são os deveres, que estão na ética. É só!

Empresários fracos e os Chibo Velho

Uma das acusações que em qualquer conversa com malta de esquerda vem à tona é a de que os nossos empresários são fracos e o estado tem que se lhes substituir.

...

Os empresários são como toda a gente. Procuram fixar-se onde são bem-vindos, onde lhes não infernizam a vida, onde podem criar projectos e destrui-los caso não tenha pés para andar (implicando despedimentos) para logo criar outros, onde a regulamentação lhes permita não só criatividade como criatividade aos trabalhadores, onde a sua actividade de empresário e de cidadão individual não sejam misturadas pelo estado, onde a justiça lhes permita cobrar a quem não paga (sendo cobrados caso façam o mesmo), onde a segurança os não faça alvo de "voluntários" protectores, onde não exista um tentáculo do estado a cada negócio, onde a concorrência seja leal (não haja empresas de regime ou monopólios), onde os lucros da actividade não sejam encarados como mais-valias a nacionalizar. Portugal não preenche nenhum destes requisitos e a "europa" não preenche a maioria deles. Um regime onde reinem estas características chama-se liberal.

Que sobra a Portugal? O empresário que tem que ganhar tudo num foguete e num foguete fazer 'desaparecer' esse lucro, o empresário que usa empresas para concentrar prejuízos fechando-a após um interminável processo de salários em atraso, misturar-se nas teias-de-aranha do estado onde, manobrando com mais flexibilidade, destrona a dona da teia, misturar-se com partidos, deputados, autarcas, etc, por forma a ancorar-se no regime e na generalidade dos portugueses sem que mais valia significativa daí advenha, manobrar, usar os 'bons contactos' para infernizar a vida a empresas que não joguem no baralho oficial, fazer 'aparecer' legislação (para que serviriam as âncoras ferradas no regime?) adequada ao seu caso e a cada um dos seus negócios. Chama-se a este regime, crroy-capitalism ou capitalismo doentio.

O capitalismo doentio, pode ser encarado de outra forma, e é esta outra forma que interessa ao ponto de vista do votante: o desastre de um regime que puxando os cordelinhos a interpostas empresas que supõe controlar sem ser controlado, pretende toda a sociedade indirectamente mas de rédea curta dirigir. Este controlo redunda num descontrolo porque os governos não conseguem ser tão competentes quanto as empresas a defender o que a cada um diz respeito. Trata-se de um regime socialista, socializante, nacionalizante, que mantêm a propriedade provada como fachada para o sistemático desbaratar do dinheiro do contribuinte em medidas timoneiras como quem deixa açúcar junto a um carreiro de formigas.

Ao povo, hoje dito "geração mais bem formada" soa bem! É o estado a fazer o seu papel, a fazer o que os ignorantes, incompetentes capitalistas de casino não sabem fazer por só pensarem neles.

Este segundo regime tropeça sistematicamente em dois percalços: nunca dá origem ao tipo de empresas que o sua mais aguerrida militância defensora reclama, a empresas que paguem adequadamente aos funcionários e a fornecedores, paguem impostos e progridam sem o adubo do contribuinte, e acaba a patinar afogado em dívidas.

Porque deve interessar ao votante a estirpe do comportamento do governo e não das empresas que dele tiram partido? Porque o cidadão não vota em empresas. A tentativa de deslocar a conversa, sob  forma de culpa, sistematicamente, para os empresários, é cortina de fumo que pretende não mais que desviara a atenção para as consequências da inevitável má governação de cariz socializante e nacionalizante, não para defesa da democracia mas para a menorizar e reclamar ainda mais controlo estatal, mais socialismo, mais nacionalização. A nacionalização não precisa ser da propriedade propriamente dita, basta regulamentar métodos e comportamentos e aturar às empresas 'recalcitrantes' os cães de fila (ASAEs) "fiscalizadores". As empresas de regime manobram na teia de aranha e as outras desaparecem ou afastam-se. Sobra a tralha, auto-coordenda em sessões de bruxas e aventais.


Não sei se o país não estará já irremediavelmente habituado a viver no reino das 400 bruxas que rejeite um governo capaz de mandar ao ar umas tantas caralhadas. Este, anda demasiado delicodoce e arrisca-se a ficar na história como mais um chibo velho a que seguirá mais uma Internacional de chibos velhos. Eles andem aí.

Nivaldo Cordeiro - Marcos Valério e seu advogado


"A matéria da revista Veja com a entrevista de Marcos Valério estava de forma estranha. Era entrevista mas não era, usando um formato indireto, com declarações de terceiros. Hoje fui ver a repercussão na imprensa e vi a reprodução de um release do PT, na Folha e no Estadão, desqualificando a revista. Só no final do dia a coisa ficou clara, quando Ricardo Noblat deu nota no seu blog dizendo que houve a entrevista, gravada, mas o advogado de Marcos Valerio, Marcelo Leonardo, vetou a divulgação. O abafa para livrar a cara de Lula foi total"

domingo, 16 de setembro de 2012

Onde estavam vocês?

No Blasfémias:


Perguntaram-me onde estava ontem e qual a razão de não ter ido à manifestação.

Onde estavam vocês quando, em quase quatro décadas de democracia, nenhum governo teve a decência moral de gastar apenas o que recebe em impostos? Onde estavam vocês quando, nos anos a seguir à Revolução de Abril, se confiscou centenas de empresas para empregar milhares de retornados e, mesmo assim, em 1977, o primeiro-ministro Mário Soares teve de pedir ajuda ao FMI para pagar as contas? Onde estavam vocês quando, em 1983, o primeiro-ministro Mário Soares pediu empréstimo ao FMI, aumentou impostos e desvalorizou o escudo sem fazer as necessárias reformas estruturais? Onde estavam vocês quando, depois da entrada na Comunidade Económica Europeia, mesmo recebendo milhões em fundos perdidos (sem necessidade de reembolso), o primeiro-ministro Cavaco Silva não conseguiu equilibrar as contas do Estado e “subornou” funcionários públicos com um sistema retributivo que veio a integrar o que hoje designamos de “Monstro”? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Guterres assumiu paixão pela Educação e fez crescer o número de cursos superiores inúteis? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Durão Barroso disse que “o país está de tanga” e as únicas soluções que encontrou para baixar o défice foram receitas extraordinárias? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Sócrates, tendo em mãos uma crise orçamental, decidiu gastar ainda mais? Onde estavam vocês quando se decidiu esbanjar centenas de milhões no Centro Cultural de Belém, Expo 98, Euro 2004, SCUT, TGV, aeroporto de Beja, metros de Lisboa e Porto, Casa da Música, computadores Magalhães, Rendimento Social de Inserção, Parque Escolar, etc. etc. etc. e etc? Onde estavam vocês quando, nas eleições do ano passado, nenhum partido político concretizou, nos seus programas eleitorais, as medidas necessárias para o Estado reduzir o défice e pagar o empréstimo da “troika”?

Durante décadas os governantes fizeram vida de país rico e – agora que chegou a factura – vocês querem mandar a “troika” às urtigas? Tudo bem! Mas discutam, primeiro, quais devem ser as medidas para, já no próximo ano, fazer reduzir o défice a zero. Sim ZERO, porque, fora a “troika”, mais ninguém empresta dinheiro ao Estado português.

E não venham apenas com medidazinhas de taxar mais os ricos ou cortar nos benefícios dos políticos! Para reduzir o défice de cerca de 8.000.000.000 euros é necessário aumentar impostos à classe média e/ou (a minha opção!) cortar drasticamente nas despesas do Estado. Ahhh, e ficam já avisados que a maior parte da Despesa Pública recai nos ministérios da Educação, Saúde e Segurança Social.

Nota: também têm a opção de sair do euro e desvalorizar rapidamente a nova moeda; tem o mesmo efeito que a actual redução real dos salários e continua-se a adiar as reformas…

Somos, em Portugal, a geração mais instruída de sempre? Então, antes de saírem à rua, tenham a necessária discência de fazer todas as contas de somar e subtrair.

Só à força do Botas?


No Fiel Inimigo:


FR:

"Uma tutela que não queira ser cúmplice manda fechar os cursos não vendáveis."

Lá vem outra vez o estado como solução. O estado-papá, o estado-mamã, o estado-social.

As pessoas que abram os olhos, olhem o mundo, assumam as suas responsabilidades e o seu próprio destino.

Mas, se bem pergunto, se nem milhares de professores, já encanunados, duplamente encanudados, foram capazes ou estiveram interessados em assumir as suas próprias responsabilidades e foram manifestar-se em ladainha de "oh tempo volta pr'a trás" reclamar pelo retorno de um passado que deu a bota que deu, haverá alguém capaz de lhes valer que não seja tão botas quanto eles foram? O Botas, talvez.

Vítor Bento - 15 de Setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

A nuvem amaricana




(vem aqui, no JN)

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, acusou os EUA de desviarem as nuvens que se dirigem para o país e de serem os responsáveis pela seca no Irão. Não é a primeira vez que Ahmadinejad acusa os EUA de conspirarem contra o seu pais mas desta vez, segundo analistas, pode ter ido longe de mais.

Mahmud Ahmadinejad acusou os EUA de desviarem as nuvens que se dirigem para o Irão. Aquele país tem um dos climas mais secos do planeta e, am algumas regiões, persiste uma seca endémica.

Para o presidente do Irão, os responsáveis por tudo isto são os norte-americanos que "estão a desenvolver um projeto sinistro para evitar que as nuvens de chuva cheguem ao nosso país e provocar, deste modo, a seca".

"O inimigo está a destruir as nuvens que avançam para o nosso país mas esta é uma guerra que ganharemos", afirmou Mahmud Ahmadinejad numa declaração que tem sido repercutida em vários orgãos de comunicação social no país.

Esta não é a primiera vez que o presidente iraniano acusa os EUA, com quem mantem uma relação hostil, de conspiração através de vários meios. Ainda assim, os analistas consideram que desta vez Mahmud Ahmadinejad pode ter ido longe de mais.

Também Hugo Chávez é exemplo de declarações semelhantes. Aquando do sismo que assolou o Haiti, em janeiro de 2010, o presidente venezuelano afirmou que este se devido "a uma arma experimental da Marinha norte-americana" que possibilitava provocar sismos. Segundo Chávez, esta arma seria usada para atacar o Irão.


Os ricos

É sobre os ricos que, em Portugal, se afiam, qual fio de catana, os mais finos ataques. E qual o motivo de tão viperina cacetada? Não há trabalho, não há dinheiro, há demasiada corrupção, demasiada gente pendurada directamente e indirectamente do Estado e, consequentemente, do contribuinte e demasiado poucas perspectivas de não ser assim, e os ricos têm dinheiro e, tendo-o, podem tapar o buraco.

As manifestações que têm ocorrido lembram as das "primaveras árabes". No médio oriente pedia-se liberdade mas acabou-se em regimes ainda mais duramente teocráticos. Nunca foi pedida a separação estado, igreja e justiça nem direito à livre informação e expressão nem à livre iniciativa. Feitas as contas, pedia-se dinheiro. Mais dinheiro sem se pretender saber de onde iria ele sair. Em Portugal reclama-se por mais dinheiro mas ninguém reclama que mais empresas apareçam instaladas nem que sejam removidos os obstáculos à instalação de empresas (não penduradas no Estado).

Em Portugal, 90% das empresas são minúsculas ou pequeninas, e nelas trabalha a maioria das pessoas. Nesta perspectiva, estas empresas dificilmente poderão ter a pedalada necessária para ir além do baixo salário porque o trabalho é essencialmente manual em consequência de curto investimento. Digamos, que os donos destas empresas são, em termos de 'rico', pelintras.

E os ricos, os realmente ricos?

Para os ricos, muito ricos, ter dinheiro ou 10 fábricas cheias da mais requintada tecnologia é indiferente desde que não brinquem com o dinheiro deles, como quem diz, não atentem contra o património seja em dinheiro seja em maquinaria. Para eles, destruir uma máquina que custa milhões de euros é tão grave quanto rapar-lhes igual quantia em impostos. Para eles o dinheiro (como para o pequeno empresário) não tem o mesmo significado que para o comum cidadão. Para eles o dinheiro é uma mercadoria que tão depressa existe sob a forma de uma maquina como em depósito num banco.

Portugal está de tanga e sobrevive sem fome generalizada e desemprego a raiar os 60-80% apenas porque uma tal troika, tendo tomado as rédeas dos destinos do país num velado e esquisito golpe de estado não apenas consentido como de nossa iniciativa (o que tem que ser tem muita força), obriga Portugal a fazer o mínimo que se impõe deixando escorrer uma quantos milhões para que o que se impõe posa ser executado com algum sossego. Já agora, reclamar insistentemente pela constituição de Portugal nas condições reais de distribuição de poder é, no mínimo, caricato.

Voltando às manifestações, ninguém pede ao governo que remova as encrencas burocráticas,a inoperância dos tribunais, as diatribes do fisco, etc, que assustam os ricos e que impedem que eles aqui invistam. Ninguém pede, também, que o ensino deixe de dar aos alunos 'assim umas quantas noções giras e pós modernas do que deve ser o mundo' e passe a ensinar matéria, pura e dura para que conveniente resposta possa ser dada a quem se apresentar como investidor. Ninguém exige que sejam sistematicamente tornados públicos todos os contratos assinados pelo estado (pelo menos a partir de determinado valor).

Até lá, convém não esquecer a resposta de uma aluno à razão por que os seres vivos precisam comer: "porque se não comerem só subsistem empalhados". As manifestações parecem respostas de bicho empalhado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quanto vale Portugal?

Não se trata de uma pergunta em termos patrimoniais históricos, culturais, etc, mas, quanto vale Portugal em termos de algo que é capaz de se suster a si próprio? Ninguém sabe.

No pós 25 de Abril, havia uma ideia de quanto valia o país. Menos com nacionalizações, mais com privatizações, havendo alguma indústria mais substancial noutros menos, havia uma ideia do que valia Portugal.

Valia pouco, a avaliar pela necessidade que então havia em reparar manualmente uma guarda-lamas em alternativa à pura substituição, demasiado cara, mas valia alguma coisa e, principalmente, havia uma noção do que valia.

Com a fluxo de dinheiro da então CEE, foi deixando de se perceber quanto valia o país. Passou a valer também por pertencer, mais ou menos formalmente à "europa". Traduzindo por miúdos, passo a valer também em função do dinheiro com que era alimentado: a chamada solidariedade "europeia". Passou a valer por ... acompanhar com ricos.

Percebeu-se finalmente que a solidariedade é uma estrada de dois sentido e, quem se solidariza, gosta de ver que algo concreto resulta dessa solidariedade. À falta de melhor, a solidariedade para com Portugal apenas gerou, numa primeira fase, necessidade de mais solidariedade, numa segunda, necessidade de dinheiro fosse como fosse o que quer dizer, em dívida até à raiz dos cabelos.

O valor (aparente) de Portugal aumentou mas não se teve em atenção que património construido com dinheiro alheio só seria do país quando estivesse pago. Também não se teve em atenção que a maioria desse património não geraria riqueza, apenas despesa, pelo que se tratava não só de investimento encravado como infectado. Todos os disparatados investimentos foram feitos (virtuosos, como se lhes chamava) que não só não geravam per si riqueza, mas a torravam (eólicas, PPPs, Parque Escolar etc).

Paralelamente o pais foi ficando empestado em regulamentação proveniente da "europa", sempre localmente levada às últimas consequências.Os reguladores, manifestamente incompetentes, tudo desregularam e tudo fazem parar, para além de próprias estruturas de inspecção do cumprimento da regulamentação que quanto mais actuam mas cacos espalha.

O país vai consumindo cada vez mais, cada vez mais pagando esse consumo com dinheiro injectado na economia pelas mais diversas vias mas todo proveniente de dívida, até chegar o momento em que os emprestadores desconfiam que o rei vai nu e que o país está absolutamente dependente não só de eterna dívida mas de endividamento galopante. Apertam ligeiramente a torneira e a reacção das "forças vivas" do pais é de tal ordem que fica estabelecida a certeza de que Portugal vivia basicamente à custa de dinheiro alheio.

Quanto vale Portugal agora? Ninguém sabe. Ninguém sabe mas todos sabemos ou devíamos saber que o valor é baixo e que teremos que nos começar a habituar a viver com aquilo que valemos e, já agora, em, matéria de investimento, que mais importante que gastar é ter um alto grau de certeza que o retorno desse investimento não tardará a surgir.

Há um valor de riqueza criado anualmente. Esse valor terá que chegar para se viver. Esse valor será distribuído pelos canais habituais, que vão dos impostos à peixaria, onde sardinha asada ou por assar, mais uns quantos nacos de carvão, transformarão a pouca riqueza criada em mais umas horas de energia no sistema circulatório humano. Se o dinheiro não chegar, há que distribuir menos, o que provocará um retracção do consumo com reflexos na criação de riqueza criada. E isto pode acabar no zero? Pode. Seria sinal de que nada valeríamos. E pode acabar abaixo de zero? Pode. Parece-me ser o caso da Grécia. E qual é o valor de Portugal incluindo a dívida na equação? Suponho que abaixo de zero. Daí a importância voltar aos mercados apenas para a manter estabilizada (pedir apenas para pagar dívidas antigas).

Na minha opinião, valemos ainda qualquer coisa, mas valeríamos mais se o estado deixasse de chatear, de estar em toda a parte e de meter o bedelho em tudo - soltem a malta e deixem de chatear. Se a "europa" deixa ou não, não sei. Eles gastaram connosco rios de dinheiro em solidariedade e são bem capazes de não gostar de coabitar com precedentes no extraordinário castelo nazi-socialista que, entretanto, têm vindo a montar, e que, aliás, também lhes está a deixar o couro pejado de carraças.

Zero

Seguro vai votar contra o Orçamento de Estado. Soluções é que não apresentou nenhumas. Zero. Ou melhor, apresentou a proposta de um imposto sobre as PPP impossível de aplicar porque o anterior governo socialista blindou os contratos. Os socialistas não têm emenda.