sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Entrevista ao Dr. Jagodes (recebido por e-mail)



Dr. José Marcolino, director do Notícias Diárias

Sr. Director

 De acordo com o prometido, aqui vimos cumprir a nossa palavra honrada e mais sete adjectivos apropriados, dando a Vexa. e concomitantemente aos seus leitores a entrevista do Doutor Jagodes, que...Mas vossência verá!

  Com os protestos da minha muita admiração e um pouquinho de inveja pelo seu espaço multifacetado, fica o atento, obrigado e quiçá venerador

 José Marcolino, esquire e director do Notícias Diárias



Dr. Jagodes com o seu new look




O TRIUNFO DO JAGODES (Jagodes’ best of)


“A sobriedade sempre foi uma das minhas características” -  declarou ao “Notícias Diárias” o Doutor José Jagodes antes de iniciarmos propriamente a entrevista que nos concedeu com foros de inquestionável quase exclusividade.

  (Um trabalho da jornalista freelancer Inês Bandarra, com a supervisão e apresentação de José Marcolino, esquire e director deste órgão de informação luso-universal).

   Ao entrarmos na aprazível vivenda de Linda-a-Velha, ladeados por dois espadaúdos apoiantes do Doutor (“apenas por causa das moscas”, para o citarmos correctamente) o que de imediato nos saltou aos olhos/ouvidos foi que da salinha onde costuma receber os mídias não se propagava como habitualmente nem o som do seu bem timbrado vozeirão, trocando frases com o seu braço-direito (ex-comandante assessor Tomás Figueira) nem o também sintomático riso cristalino da sua actual e cremos que totalmente futura companheira, a actriz-cantautora venezuelana Eládia Gonzalez que com o seu temperamento esfuziante abrilhanta as tardes, as manhãs e naturalmente as noites do grande pensador cada vez mais devotado à coisa pública desde que se iniciou o período central da Crise, que é como quem diz o provável espalhanço do actual premier Pedro Paulo Coelho.

  E quem poderá estranhar que a primeira pergunta que lhe dirigímos fosse precisamente para inquirir do porquê deste relativo silencio conceptual e, concomitantemente, gestual se assim nos podemos exprimir?

  E aduzimos também, outrossim, que a proverbial maneira-de-receber que ao Doutor exorna, já com o fornecimento de amêndoas torradas, caju, nozes sem casca e pastelinhos de nata, já com a competente pièce de resistance ou seja a garrafa ou garrafas se a conversa se prolonga, de uísque “Queen Margot 20 anos”, foi substituída por um sucinto “bagaço” de Vila Boím e um tímido pacotito de bolacha Araruta.  Ares dos tempos, diria eu com algum jornalístico senso de humor.

  E cedo então as operações a Inês Bandarra.

INÊS BANDARRA (IB) – Doutor Jagodes, sinto pairar no seu lar, neste seu ninho, um silêncio…uma contenção que não me parece habitual…

DOUTOR JOSÉ JAGODES (JJ) – Tem toda a razão, moçoila. Mas tranquilizo-a já. Como decerto sabe, apesar do que certas lendas maldosas tentam estabelecer, a sobriedade sempre foi uma das minhas características. Pode dizer-se, até, que sou do tipo proverbialmente em sério…excepto naturalmente quando me rio. Mas isso é comum a muitos de nós, incluindo membros do governo como o sincopado dr.Vitorino Baltazar, que parece sempre o austero Buster Keaton quando nos anuncia novas catástrofes financeiras. Será o físico do papel, digamos, pois a austeridade com que nos fulmina deve necessitar daquele tipo de colocação de rosto…de estilo comunicacional…

   Mas no meu caso é assim: a minha sobriedade, nomeadamente a que aqui se verifica, reflecte uma vivência, diria mesmo uma proposição de fraternidade psico-social, é uma forma integralmente patriótica de me solidarizar com os cidadãos identificando-me com o cada vez mais vincado ricto de tristeza que neles sinto, pois isso não se vê apenas no rosto que noto amargurado, ou eu muito me engano, do dr. Carlinhos Zorro ou mesmo no do nosso estimado presidente Prof. Silva que ostenta uma cada vez mais pronunciada aparência fúnebre mau grado os esforços cívicos que faz para parecer risonho.

IB – Percebo. Mas entrando agora no cerne da questão eu pergunto sem estar com circunlóquios: é verdade ou não que o Doutor teria tido umas reuniões de trabalho, vulgo conversas de bastidores, com o dr.Paulino Pontes, com o profissional-sindicalista Harmónio Carloto e, até, com o pró-líder António José Segundo que o teriam sondando sobre a sua disposição de, se fizesse falta e em vista das exigências do dr.Xicão Louceiro e do dirigente Gerânio de Souza, comandar uma equipa governamental de salvação, por assim dizer, nacional?

JJ – A Inês está a ver o que são os boatos nesta terra? Eu, com o risco de estilhaçar um certo suspense que tem navegado pelos mentideros, desminto formalmente. Fui sondado sim mas para eventual próximo candidato à presidência da coisa pública…!
                                              

Inês Bandarra, jornalista freelancer

IB – À…à presidência? Mas…mas isso é ainda mais mediaticamente sensacional! Mas como é que houve uma tal unanimidade…do Pontes, do Gerânio, do Harmónio e…e dos outros? Como é que…

JJ – É fácil…é compreensível. Senão veja: a não ser o pequeno mas dinâmico comentador Marcos Montes, na sua condição de ex-líder do PDS e de animador das hostes nas universidades de verão e, vamos lá, talvez os doutores Lima e Dias Louceiro mas esses por razões provavelmente muito diferentes um do outro, praticamente nenhum mangas da classe política vai à bola com o Prof. Silva. Desde o estoriador Prurido Valete, passando pela aguerrida deputada Luiza de Santa Apolónia, até ao coadjutor do Minibloc Hernando de Rojas e ao opinador-geral televisivo Marcial Ribeiro da Silva, que vai não vai lhe afinfa umas ferroadas, todos são unânimes na crítica que dirigem ao dito estadista: só sabe, quando não está caladinho, recomendar calma à malta, juízinho meninos e tal…Uma lengalenga que já não faz chispa. Mas, num país de brandos costumes como o nosso, em que o povinho quer é sopas e descanso e, como disse o ministro do Interior cujo nome não me vem de momento, aquele de cabelo branquinho e voz de galo capão, são mais as cigarras que as formigas, as maneiras do nosso  estimado Prof. Silva agradam a uma boa parte dos cidadãos…e se os tais não se precatam ainda ganha de novo as eleições.

 E quem, quando chegar a hora, o iria enfrentar com sucesso não me dirá? O António Câmara da Costa, com o seu sorriso de boneco de feira? O Lella, com aquele estilo de animador de bailes para a terceira idade? O Alegrete já está mais ou menos fanado e no sector militar, apesar de ser sempre giro sentir uma farda a chegar-se à frente, o homem da rua já não se revê nelas pois cheiram muito a quartel. Daí que…confesso…me sondaram,  mas…

IB - …mas não vai aceitar??!

JJ – Não sei! Tudo depende… Só se o Alexandre Pingodoce, o Belarmino de Azeredo, o Alberico Damorim me derem o seu apoio. Como sabe são eles que mandam efectivamente por cá, embora o Pedro Paulo Coelho faça as vezes… Ah, não esquecendo o José Temístocles, que apesar de estar em Montparnasse é quem mexe os cordelinhos da jigajoga mais progressista.



Coreto de Linda-a-Velha


IB – Mas a situação em que o país se encontra…não aconselharia que o Doutor avançasse mesmo sem os sustentáculos desses granjolas? Como o Doutor sabe o país real já não se anda a mirar em “habitués” da política…ganhou-lhes mesmo um certo pó! Não tem visto que onde quer que vão os ministros são apupados, até o venerando ex-chefe de Estado Marinho Suarez evita participar em gangadas públicas para não o xingarem e insultarem até às fezes? O povão quer é descomprometimento…naturalidade…diria mesmo verdade!

JJ – Bom, lá nisso terá razão…Mas não se esqueça, moça, que na realidade real se um manguelas que tenha de se submeter ao sufrágio popular não tiver um aparelho, ou seja os bolsos, bem areado, a breve trecho dá com os burrinhos na água. Veja por exemplo o grande Orbama, essa flor da democracia social americana e de vez em quando meu interlocutor, que apesar de ser do povo, pelo povo e para o povo, tem de andar a lamber os calcantes, passe a expressão, aos milionários de lá para eles se chegarem com as lecas que lhe permitam entrar de novo na ovalidade da conhecida sala…Senão o Rominey rapa-lhe a taça e é que nem ginjas, que além de ter melhor figura presidencial qual actor de Holywood, tem muito mais palheta que o nosso estimado afro-americano…Pois é!

IB – Ó Doutor, não me diga que não acredita na democracia directa, enfim, no querer popular sem intermediários que…que façam valer o seu poder de…

JJ – Acredito! Então não acredito?! Na directa, na indirecta, na transversal, na proto-metafísica…Em tudo isso! Mas como sabe e os nossos homens públicos bem se têm fartado de o proclamar, os lirismos não dão dinheiro, logo não são realistas e a coisa pública vive é de realidades excepto, é claro, quando se trata de pagar dívidas soberanas, porque aí…

IB – Veja que até altas figuras da Igreija têm posto a tónica na simplicidade que advém da união com o querer popular, da necessidade de voltar aos antigos valores da honra e da…

JJ – Siiim…Da simplicidade que se continua a notar lá p’rós lados de Roma…e não só…

IB – O Doutor agora está a ser irónico…

JJ – Eu??? Nem pense! Ironias e risos com a Igreija… tá quieto! Aliás, se há comunidade menos atreita à receptividade irónica, são precisamente os seus próceres. Falam sempre a sério! Ali não há fosquinhas. Dizem que aqui e ali poderá haver uma necessária pequena hipocrisia…sempre aliás condizente  com a boa condução dos esquemas da fé…mas nada mais. E eu aprecio-os muito e estou empenhado em os trazer para o meu projecto global. Sem eles não se faz quase nada! Se os curas põem um líder de lado, por mais que tente emendar…está frito. O que é natural, eles têm como se sabe a ajuda do Mais Alto e contra factos não há argumentos.

IB – Mas isso significa que o Doutor tem em mente convidar algum alto eclesiástico…

JJ – Ná! Não me interprete mal! Nisso eles nunca dão por assim dizer o corpinho ao manifesto e a cara à pública publicidade em termos laico-civis…Jogam mais na influência moral por fora. Uma palavrinha aqui…um comunicadozinho ali…a noticiazinha duma reuniãozita ali…Não! O que eu estou a pensar é criar uma secretaria de Estado, ou mesmo um ministério, para incrementar de novo o bom e razoável fideísmo, diria mesmo a religiosidade em termos cívicos porque se a prática do culto se perde…às tantas vai tudo por água abaixo!

IB – Mas isso é como se faz mais coisa menos coisa nos países islâ…

JJ – …E daí, moça, o que é que isso tem de mal? Primeiro não se esqueça que há o diálogo inter-civilizações, a tolerância inter-praticantes – que apesar de neste momento ser só num sentido, todos, incluindo o Suarez e o Jorge, esperam que um dia venha a dar frutos sendo nos dois sentidos, se acaso houver tempo. Depois, não se esqueça de novo que os países neste momento mais a fugirem para a frente do pelotão são apreciadores do tal diálogo favorecedor dos que você queria referir e eu, desculpe, interrompi: a Xina, o Brozil, o Hirão e a Koreia Dunorte e mesmo outros para os lados das Qaraíbas e do norte da Sulamérica…Se não houver um cimento agregador, seja a religião bem estimulada seja a pasta, e não me refiro a pasta de fígado, a coisa não anda!

IB – Não fico espantada porque a originalidade do Doutor é bem conhecida. Mas indo agora a aspectos mais pessoais, diria da privacidade humana: agora que está neste período de reflexão e em férias sabáticas da Sourbonne, que é que motiva o Doutor como particular?

JJ – Como é natural, o ténis de mesa e o tiro em fosso olímpico. Não viu que foram as disciplinas em que os esforçados membros da delegação lusa mais se distinguiram…se me não engano? E eu como patriota a cem ou mais por cento só me revejo em coisas muito nacionais. Aliás, como percebe estando de boa fé, não me podia neste momento rever na bola, dado o estado das equipas lusitanas que andam a perder sistematicamente. Só um detalhe as salva, é que são maioritariamente constituídas por estrangeiros…e assim digamos que são mais eles a perderem, sempre se safa assim um bocadinho a honra da casa

IB -  E as artes, as literaturas…

JJ – Nisso só tenho que dizer bem. Não viu o triunfo espantoso daquela senhora lá acho que em Verçailes, aquela que faz coisas abracadabrantes de maravilhosas com bricabraque de panelas e funis, acho eu? E outros…e outras…que não me vêm agora à memória mas é tudo do fino? E os livros que têm ultimamente saído, ora da pena de políticos e derivados ora de publicistas versando esse ramo da aventura de viver em comunidade alfabetizada? E as revistas como se costuma dizer de grande público com as movimentações talentosas e incontornáveis de candidatas a futuras actrizes, manequins, globe-troters e por aí? E na música nem falo, mas o panorama, tendo acabado há pouco a saison dos concertos de praia e de verão, com os e as vocalistas mais populares, foi de arromba se assim me exprimo e…

IB – Certo, Doutor, já percebi o seu ponto de vista, obrigado. Mas concluindo: quer então dizer que a Crise, apesar de tudo, não tem conseguido impedir o proverbial ambiente desenrascado nacional?

JJ – Não diria tanto. Mas acho que a malta se está a aguentar bem, e ainda se aguentará melhor se os prémios do Euromilhões começarem a vir sistematicamente para Portugal, digamos todas as semanas durante, vamos lá, até e após 2019. E, note, isto não é uma ideia desajustada ou filha da minha justíssima  sôfrega vontade de beneficiar o país. Não! Eu estou convencido que aí uns oitenta por cento dos nossos economistas pensarão o mesmo – só que por timidez e para não serem mal interpretados como o Antunes Burgesso, não o dizem descaradamente.

  Olhe, a ver vamos cara Inês. Alma até Almeida! (e não me refiro ao Santos dos Cantos, que já me parece estar um pouco demodée). Mas adiante e até sempre!

                                                                                                      IB/JM

(Edição a partir das cassettes gravadas pelo nosso técnico Favela Rodrigues)


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A luta e a denúncia



foto obtida aqui

Apoiei, através deste blogue, a mais recente batalha da luta mais que justa dos cidadãos deficientes deste país. E tal como eu previa, nesta resposta que dei aqui a um comentário do Manuel Graça, a quem parecia que o PCP tentava colocar o movimento sob o seu controlo e colher os louros:

O que me admira é que tenha dúvidas quanto a isso. Trata-se de um risco inevitável e de consequências que o são ainda mais. Sei que há lá quem esteja alerta no que respeita a esses "pormenores", mas sinceramente, tenho poucas esperanças de que não venham a ser engolidos ou simplesmente afastados a médio ou mesmo a curto prazo. É o costume, infelizmente.

aquilo que escrevi estava certo, conforme o sublinhado que fiz neste texto do Eduardo Jorge, hoje publicado no blogue Tetraplégicos (link aí ao lado). É que conviria acabar com a escandalosa farsa trágica que estas associações de deficientes são, pôr a claro as ligações e filiações partidárias dos seus "dirigentes", também eles responsáveis  - e não só os sucessivos governos -  pelo que até hoje se tem passado, prejudicando impunemente os deficientes. Alguém já reparou que o jornal Associação, da APD, é, descaradamente, uma espécie de suplemento do Avante? Que grande, senão a maior parte do "jornal" é, "pedagogicamente" composta por textos clara e acirradamente ideológicos? Que estamos perante um exemplo da clássica estratégia marxista?

Daqui vai um enorme abraço para o Eduardo e os seus amigos e companheiros. Em meu nome e, tenho a certeza, em nome de todos os cidadãos dignos deste país, para eles os nossos maiores agradecimentos.




Nem sei por onde começar. Uns mais de perto, outros um pouco mais de longe, todos acompanharam a minha/nossa luta a par passo, por isso quero agradecer-vos e contar como foi.


Foi complicado. Além das dificuldades que tenho sempre com o transporte quando faço alguma viagem, desta vez foi a dobrar devido às circunstâncias que conhecem. Transportar cama, roupa, alguns bens e o ficar no meio da rua foi uma novidade, e é difícil prever as dificuldades.

Mas quando sabemos para onde vamos e o que queremos, todos os eventuais problemas parece que desaparecem. Nem sequer ponderamos ou pensamos sequer que vão existir. Pensamento é somente a conquista de objectivos a que nos propomos e convição que nada nos impedirá de tudo fazer para os alcançar. Já o outro dizia que o sonho comanda a vida.



Mas tudo tem um preço e eu sabia disso. Estava pronto para o pagar. Começou logo na primeira noite. Nunca pensei que passar a noite ao relento fosse tão difícil. O ter que me virar de 3 em 3 horas, não poder sair da cama para fazer as minhas necessidades fisiológicas, fazer minha higiene, as dificuldades de estar vestido e com uma almofada no meio das pernas não é nada fácil. Mas pior dificuldade foi o frio. Há dezenas de anos que não fazia uma direta. Tinha trazido de casa um edredão que me amenizou esse frio, mas começou a ficar com a cobertura molhada devido á maresia. Não fazia ideia que isso acontecia. Houve uma altura que só com a cabeça coberta com o edredão pude suportar aquele frio.





Também foi difícil lidar com a exposição. Ser o alvo das atenções foi muito esquisito. Senti-me como um animal exótico dentro de uma jaula em exposição. É muito complicado expormos tudo que temos e somos. Havia momentos que me sentia desprotegido e frágil. Na hora de mudar de posição na cama era uma delas. Nunca sabia se câmaras e olhares estavam em ação. As entrevistas e imagens foram fundamentais para dar visibilidade á causa, mas para quem não está acostumado a esse circo, como é o meu caso, torna-se cansativo. Há momentos que já não sabes o que dizer. Linhas editoriais da comunicação social também têm um funcionamento muito próprio. Falas imenso e publicam muito pouca coisa, e na maioria das vezes não o que esperavas.



Mas todo o desconforto foi sendo amenizado através do nosso convívio pela noite fora. Ver meus colegas sentados nas cadeiras de rodas 24 horas seguidas impressionou-me e era um estimulo para mim. Arriscarem sua saúde por nós não tem preço, assim como gestos fantásticos e inesquecíveis de solidariedade que eram seguidos. A Jacinta e Maria, duas manas adolescentes que nos trouxeram chá ao raiar do dia, e o choro comovente e emocionado da Maria que nos contagiou a todos, jamais esquecerei. Pedro Homem de Gouveia também me proporcionou um momento inesquecível e simbólico. Foi marcante. Conhecer sua família também foi um prazer. Meus colegas da faculdade, a Maria Ramalho foi demais, a Beta Bandeira e outros voluntários, A Beatriz com seus 17 aninhos, mas maturidade e solidariedade enormes, Jorge Figueiredo Santos e Noêmia, Maria José e muitos outros, a todos um grande obrigado. Foram enormes.




Até a amabilidade dos policias me surpreendeu. Houve horas que tinha que estar virado durante algumas horas para a Assembleia da República. Foi uma mistura de emoções estar horas seguidas tendo como angulo de visão um órgão de soberania tão simbólico, policias a protege-lo não sei de quê, céu estrelado, grilos a cantar ao fundo…Tudo isso e as emoções á flor da pele atenuarem o desconforto da noite. Ah, e como esquecer o momento passado com a Manuela na minha cama, Jel deitado no chão da calçada mesmo ali ao lado...Foi ao mesmo tempo humilhante saber que tínhamos que chegar aquele ponto para sermos ouvidos. Muito triste.




Nada agradável foi saber que enquanto nós passávamos por estas dificuldades, a APD reunia com o Governo para decidir por nós. A mim não me representam. Nunca me apoiaram em nada. Para já não destacar que maioria das associações foram convidadas a juntarem-se a nós, e ninguém aceitou o convite. Porque será que cada um puxa para seu lado? Que legitimidade têm estas associações afirmarem que lutam pelos nossos direitos, se num momento destes nos ignoram? Agora vem seu presidente afirmar na imprensa que está satisfeito com o reforço das verbas para adquirirmos Produtos de Apoios. De certeza que não foi graças ao frio e desconforto que passou ao nosso lado que conseguiu a suposta vitória. Muito mau agirem desta maneira.



De qualquer maneira valeu a pena tanto sacrifício e não me arrependo. Faria e estou pronto a faze-lo outra vez. Cada um de nós deve agir quando sente que está a ser desrespeitado. Foi isso que fiz e não me arrependo. Felizmente tudo correu bem e Governo prometeu cumprir com nossas reivindicações. Vejam aqui, e mais informações no comunicado do nosso movimento que está abaixo.




Por fim, um obrigado muito especial pela ajuda que meu auxiliar Joaquim Silva me deu e a todos os artistas presentes, principalmente a Luísa Ortigoso e Jel dos Homens da Luta. Foram muito importantes para o sucesso alcançado.






COMUNICADO DO MOVIMENTO (d)EFICIENTES INDIGNADOS


A finalidade do Movimento (d)Eficientes Indignados é lutar pela qualidade de vida das pessoas com deficiência, não é fazer análise politica.

Não reclamamos louros nem declaramos a nossa insignificância. A importância da nossa acção cada um a avaliará.




Partimos para esta luta com dois objectivos concretos:

1. Garantir o cumprimento da legislação relativa à atribuição de produtos de apoio/ajudas técnicas numa questão essencial, o carácter UNIVERSAL e GRATUITO do Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio (SAPA) que estava a sujeito a atropelos diários. Conforme fizemos prova durante esta acção.

2. Reparar a injustiça feita pelo governo de José Sócrates quando eliminou os benefícios fiscais para os trabalhadores e pensionistas com deficiência.


Em relação ao primeiro ponto e na sequência da reunião com o Sr. Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, podemos informar as pessoas com deficiência e as suas famílias que nos foi garantido que todos os processos indeferidos por inexistência de verba serão reavaliados, que nenhum processo novo poderá ser indeferido por alegada falta de verba e que, ao nível dos hospitais ,não existem problemas orçamentais para aquisição de produtos de apoio.



Dadas estas garantias pelo Sr Secretario de Estado, apelamos às pessoas com deficiência e familiares para que façam valer os seu direitos e assegurem que estas garantias se verifiquem na prática e declaramos que podem contar com o nosso movimento, tal como até agora, na denúncia de qualquer atropelo ao que ficou estabelecido. Quem teve os seu processos indeferidos por inexistência de verba deve solicitar de imediato a sua aprovação.



Apelamos ainda aos técnicos da área da saúde que cumpram o seu papel e não se inibam de prescrever produtos de apoio, exigindo das administrações hospitalares os recursos que nos asseguraram que estão disponíveis. Segundo fomos informados bastará a administração apresentar as facturas que haverá reembolso da despesa.



Em relação ao segundo ponto, sobre a reintrodução dos benefícios fiscais, ficou estabelecido que o Sr. Secretário de Estado da Solidariedade comunicará ao Sr. Ministro das Finanças que aguardamos reposta até 2ª feira, dia 8, ao mail enviado dia 9 de Setembro que nunca teve resposta.



Posteriormente, em declarações à comunicação social o Sr. Secretario de Estado, que não achou oportuna a discussão desta matéria, dado o seu desconhecimento sobre a mesma e o facto não estar relacionada com a sua área de intervenção, anunciou que “será muito difícil repor os benefícios fiscais neste contexto, até porque muitos desses benefícios foram substituidos por deduções fiscais”.



Recordamos que o PSD sempre foi contra as deduções que agora invoca e sempre defendeu a reintrodução dos benefícios fiscais para os trabalhadores e pensionistas com deficiência, tendo apresentado propostas de alteração nesse sentido quando da discussão da Lei do Orçamento, nomeadamente quando da discussão do orçamento de 2009. 



Exigimos coerência. Nada mais. Não é admissível uma convicção na oposição e outra quando se exerce o poder. Aguardamos uma resposta do Sr. Ministro das Finanças.



Por fim, resta-nos agradecer todos os apoios de quem esteve connosco e de todos que declararam das mais diversas formas a sua solidariedade. Queremos, no entanto, deixar uma palavra especial a toda a comunidade das pessoas com deficiência. Por cada um de nós que esteve à frente da Assembleia da República, sabemos que há centenas que lá estariam e não não puderam porque não tiveram, nem têm condições, de se deslocar ou sequer sair de casa, ESTA LUTA FOI POR TODOS NÓS 



VALEU A PENA LUTAR. VALE SEMPRE A PENA LUTAR.



CONTEM CONNOSCO PARA O QUE DER E VIER

Um muito interessante texto...



Kandinsky, Outono na Baviera


... de António Justo, que também pode ser lido aqui.



As Comunas alemãs cultivam a Cidadania – Um Exemplo a seguir

Honrar os Idosos e as Famílias é Prática nacional
A RFA É FORTE PORQUE MODERNA E TRADICIONAL


Na semana passada, desloquei-me à Baviera, Bad Wörishofen  para festejar o aniversário (90 anos) do meu sogro. Até aqui tudo seria normal se não fosse o facto de o vice-presidente da Câmara se deslocar a sua casa, acompanhado de um jornalista dum jornal da região. O vice-presidente da Câmara trouxe uma oferta da cidade e o jornalista entrevistou o meu sogro e fotografou a família; além disso, o vice-presidente entregou um documento da Câmara Municipal e um documento de parabéns do Chefe de distrito!


Cada comarca alemã tem a sua maneira própria de honrar idosos e famílias. Neste caso o representante da edilidade trouxe como prenda da cidade um cesto com uma toalha fina com insígnia da câmara, um licor e produtos cosméticos biológicos (à base de plantas, dado Bad Wörishofen ser uma estância termal)! A minha sogra pôs à mesa cervejas, uma garrafa de champagne e salchichas brancas (uma especialidade da Baviera) e pão.

O que aqui mais me surpreendeu, como estrangeiro, foi a abertura e a maneira simpática como o representante comunal e o jornalista falaram connosco, durante duas horas, sobre os problemas internos comunais e da maneira como davam resposta aos problemas locais apresentados.

Os municípios alemães homenageiam, além dos aniversários pessoais (90, 95, 100 anos), também os seguintes aniversários de casamento: bodas de ouro (50 anos), bodas de diamante (60), bodas de Ferro (65), bodas de Vinho (70). Semanas antes do aniversário a Comarca telefona à família para saber se é bem-vinda a sua visita.

O Presidente da RFA também assume o apadrinhamento honorífico para os filhos do mesmo pai e da mesma mãe, a partir do 7° filho vivo. Crianças adotadas são tratadas como filhos biológicos. Neste caso tem de ser feito um requerimento formal, nos departamentos concelhios, pelos interessados.

Na Alemanha, toda a pessoa recebe uma carta de felicitações concelhias ao atingir os 18 anos (maioridade civil).

A cidade mostra-se reconhecida pelo contributo dos seus cidadãos estando consciente que não é nada sem eles.

Uma sociedade que não deita ao esquecimento os idosos é uma sociedade honrada porque reconhece já o que é e vai ser nos que a construíram.

O meu amigo Dr. Jorge Santos, de visita à Alemanha constatava “é uma outra cultura e diferente modo de cidadania. Há um sentir comunitário e gratidão à memória. Ainda bem porque assim vive-se mais feliz”. Sim, cria-se um sentimento de pertença e até de maior compreensão por defeitos e problemas políticos, numa sociedade não anónima!

Já o livro dos Provérbios (16:31) reconhece: " Os cabelos brancos são uma coroa de beleza quando se acham no caminho da justiça." Uma sociedade não envelhece se reconhece e honra os seus filhos e os seus pais!

Escrevo isto porque pode servir de exemplo, pelo menos a nível de paróquias, de Juntas de Freguesia e de Câmaras municipais, para a Lusofonia. Não chega homenagear publicamente só as pessoas da classe política e económica!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Veneno rasca Expresso


Estive a ouver o jornalista de Economia da SIC José Gomes Ferreira fazer alguns comentários às medidas hoje anunciadas pelo ministro Vítor Gaspar, no telejornal das 20h daquela estação. Há minutos, ao abrir o portal SAPO, deparo-me com o destaque da responsabilidade do (por assim dizer) jornal Expresso, com chamada de atenção para um video no qual, em 30s, José Gomes Ferreira resumiria o que pensa sobre essas medidas.

Devo dizer que, em muitos anos de vida, raramente me deparei com uma manipulação tão grosseira e nojenta. Quem assistiu, como eu, ao telejornal dar-se-á conta de que o excerto seleccionado inverte por completo o sentido desses comentários.

O Expresso continua a ser, desde há dezenas de anos, um local escuso e mal-frequentado, que nem à qualidade de pasquim chega. Um exemplo da social-comunicação em que o parolismo viperino ganha, pela condição cultural do país, foros de jornalismo de qualidade. A qualidade dos dirigentes e "pensadores" do Portugal contemporâneo que nos levaram a onde nos encontramos.

Que parvo que eu sou...!



Nunca me teria lembrado disto, que encontrei aqui:

O director do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB, FSB) da Rússia declarou que os incêndios florestais na União Europeia são obra da organização terrorista Al-Qaeda.

"Este método permite causar sérios prejuízos económicos e morais sem necessidade de preparação prévia de meios técnicos e sem despesas financeiras significativas", declarou Alexandre Bortnikov numa reunião internacional de chefes de serviços de espionagem, realizada na capital russa. 

A estratégia das "mil picaduras" consiste assim em realizar várias pequenas acções em vez de atentados de grande envergadura. 

“A probabilidade de os incendiários serem descobertos pelos serviços secretos é mínima", acrescentou. 

Bortnikov disse também entre as forças sírias, que combatem o regime de Bashar al-Assad, e no Afeganistão se encontram elementos originários de repúblicas do Cáucaso do Norte russo. "Eles são para aí enviados pela organização terrorista Emirato do Cáucaso para "estágio", frisou. 

O Emirato do Cáucaso é uma organização muçulmana radical que luta pela separação das repúblicas muçulmanas do Cáucaso do Norte da Federação da Rússia: Chechénia, Daguestão, Inguchétia, Daguestão, Cabardino-Balcária, Karachaevo-Cherkéssia.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Stuart Agnew: Best CAP Reform is to Scrap the CAP - (Common Agricultural Policy)



• Speaker: Stuart Agnew MEP, UKIP (Eastern Counties), Europe of Freedom and

Democracy (EFD) Group - http://www.stuartagnewmep.co.uk

• Seminar for journalists: Reform of the Common Agricultural Policy

Journalists put questions to Members of the Committee on Agriculture and Rural Development (AGRI):
Czesław Adam SIEKIERSKI MEP (Poland) - EPP group
Albert DESS MEP (Germany) - EPP group
George Lyon MEP (UK) - ALDE group
Martin HÄUSLING MEP (Germany) - Greens group
Jim Nicholson - ECR group
Stuart Agnew - EFD group

Recebido por e-mail



dr. José Marcolino 

Do dr. José Marcolino, director do Notícias Diárias, recebemos, com pedido de publicação, o seguinte documento:


COMUNICADO

Caro Doutor Simões

  Com os melhores cumprimentos, extensivos à laboriosa classe dos bloguistas e outros trabalhadores semi ou mesmo inteiramente intelectuais, informo que a entrevista concedida ao meu jornal pelo Prof. Doutor José Jagodes e que em seguida e concomitantemente será estendida a toda a comunidade culta ou para aí caminhando, só depois de amanhã será por Vexa. recebida, uma vez que o senhor Doutor foi chamado de urgência a Madrid e, num périplo suave e abrangente, a Barcelona.

  Como decerto, bem como os seus muitos leitores, Vexa. terá conhecimento, os ânimos andam esquentados para aqueles lugares da Península, pelo que o Monarca achou por bem convocar o Doutor uma vez que de acordo com as suas próprias palavras, "en este paso criptico para la españolidad, me creio que solo el gran Jagodes, con su perfecta caballerosidad, puede serenar los animos de la calle".

  Indo ao encontro de tão preclara posição, não quis deixar de cumprir o seu dever de cidadão ibérico. Por outras palavras, foi!

  Resta-me, senhor Doutor Simões, exprimir os meus protestos de apreço pelo seu bem frequentado espaço e, desta forma, despedir-me cordialmente até depois de amanhã, em que a peça que elaborei com a preciosa ajuda da freelancer dr.ª Inês Bandarra aterrará finalmente nos vossos entrepostos e, concomitantemente, no mundo culto em geral e até em particular.

  Atenciosamente,

    José Marcolino, director executivo

Espionagem no Vaticano

Por Joel Costa:

 I   -   II



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sem rodeios!

Amanhã há mais uma batalha de uma luta antiga e mais que justa (2)



(pode ler-se aqui)  - Desenvolvimentos de última hora, aqui

Porque estarei dia e noite a partir de amanhã em frente à Assembleia da República?

Para quem não viu ontem o Jornal da Noite da SIC e perdeu a nossa entrevista, pode vê-la aqui.

Irei estar afastado do TETRAPLÉGICOS, porque como sabem iremos iniciar uma vigília, este dia 2 de Outubro, em frente á Assembleia da República para exigirmos que não continuem a subjugarem-nos e discriminar ainda mais. Só desmobilizaremos quando tivermos a certeza que nossas exigências serão cumpridas.
Quanto a mim, e restantes organizadores doMovimento (d)Eficientes Indignados, ficaremos dia e noite. Seria muito bom se pudéssemos contar com todos aqueles que como eu se sentem excluídos. Sei que não será fácil, mas o que tem sido facilitado nas nossas vidas? Pensem bem se não existe uma maneira de se manifestarem? Não podem viajar até Lisboa? Manifeste-se na sua cidade ou aldeia. Haverá sempre uma alternativa. Sejam imaginativos. Juntos e unidos seremos mais fortes.

Junte-se a nós na página do Movimento (d)Eficientes Indignados e divulgue-nos. Vamos dar um BASTA a esta discriminação continua e repetida de todos os nossos Governos.

EU ESTAREI EM FRENTE Á ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PORQUE:

1º - Principalmente por DINGINIDADE e direitos iguais aos demais cidadãos, e não subsídios e esmolas;

2º - Para que não continuem a recusar-nos uma simples almofada antiescaras e por esse motivo ficarmos com úlceras de pressão/escaras, como é o caso lastimável que se encontra este amigo que foto documenta, e que não nos humilhem como o fazem com esta nossa amiga a quem recusam um sistema que lhe permita entrar na sua casa com dignidade;




3º - Para que ao nos deslocarmos a um serviço da Segurança Social na esperança de obtermos resposta sobre inserção, não nos respondam que solução é um lar de idosos;

4º - Para que o Centro de Reabilitação Profissional de Alcoitão não nos continue a excluir. Um centro totalmente acessível e criado para nos reabilitar profissionalmente, mas não nos aceitam porque segundo eles não têm dinheiro para contratar auxiliares;

5° - Para que não continuemos a ter direito a um apoio domiciliário incapaz de nos apoiar devidamente. Queremos muito mais que duas visitas diárias e com tempo contado ao cronómetro. Temos amigos acamados a ficarem noites sozinhos por falta de respostas condignas;

 6º - Para que seja pago o preço devido a quem nos auxilia, e não os míseros 0,49 cêntimos á hora actuais;




7º - Para deixarem de uma vez por todas de nos recusarem transportes a consultas, altas hospitalares, ida a exames de diagnóstico, fisioterapia e não acontecer como actualmente em que por exemplo CMR Alcoitão, após alta hospitalar nos despacha na estação de comboios de Santa Apolónia e cada um se "desenrasque", e ou como fez recentemente o hospital Amadora Sintra, que após a alta hospitalar informou nosso amigo tetraplégico que tratasse do transporte para voltar para a sua casa. Ao informar assistente social que não tinha dinheiro para o transporte, resolveram prolongar-lhe internamento por mais 15 dias;

8° - Para que ninguém mais passe pela mesma humilhação que eu passei;

9° - Para que nenhum de nós continue a ficar afastado do mundo, isolados e presos nos nossos próprios quartos por falta de acessibilidades;

10º - Para que um veiculo adaptado ás nossas necessidades deixe de custar o valor exorbitante de €85.000;

11° - Para que tenhamos direito a subsidio para frequentarmos cursos profissionais como a maioria;

12° - Para que deixem de impedir nossas famílias de concorrerem ao programa de famílias de acolhimento, e não como actualmente, em que pagam ao vizinho para nos acolher e assim tirarem-nos do nosso ambiente familiar;

13° - Para que os centros de reabilitação nos recebam e reabilitem adequadamente, e não como acontece actualmente que para se conseguir uma simples consulta com um especialista, é quase impossível;

14° - Pará que nossas reformas correspondam aos nossos reais gastos e não os €212 atuais mensais;




15° - Para que não nos retirem esses míseros €212 caso façamos vida em comum com alguém, e esse alguém tenha rendimentos superiores a €168;

16° - Para que existam transportes públicos acessíveis e não ter que avisar com 48 horas de antecedência sempre que desejamos viajar de comboio;

17º - Para que no lugar de atribuirem enormes valores a lares imundos para nos receberam, nos entreguem esse mesmo valor a cada um de nós, e assim sermos nós a gerir as nossas vidas;

Indigno-me porque minha deficiência não é o meu problema, mas sim o que me rodeia. 

Irei dando noticias. Fiquem bem e indignem-se também juntando-se a nós.

Amanhã há mais uma batalha de uma luta antiga e mais que justa (1)

O meu amigo Eduardo Jorge é, já aqui o disse, um homem admirável. À margem de organizações políticas, associações sindicais ou de grupos (as de deficientes incluídas) manipuladoras dos cidadãos, o Eduardo, com o seu blogue e a sua persistência agregadora de vontades e esforços, tem desenvolvido um trabalho mais do que notável, quer ao nível da informação quer da mobilização dos cidadãos que, com deficiências, tiveram o azar de, a esse nível, nascerem e viverem num dos mais imprevidentes e desumanos países da Europa. Amanhã, iniciar-se-á uma outra fase de luta pela dignidade dos portugueses, que não só a daqueles que nela estarão presentes. Aqui deixo a nota e o apoio ao Eduardo e a todos os restantes. Bem hajam.

Ingratos


O País dos Petralhas II

Por Reinaldo Azevedo.