quarta-feira, 14 de novembro de 2012

De como a social-comunicação transforma uma operação militar de defesa num caso de assassínio


No Expresso (sublinhados meus):


Israel mata líder militar do Hamas

O assassinato de Ahmed Jabari, líder militar do Hamas, marca o início de uma nova operação israelita na Faixa de Gaza, designada Pilar de Defesa.

Margarida Mota (www.expresso.pt)
15:56 Quarta feira, 14 de novembro de 2012
Última atualização há 43 minutos
Carro onde seguia Ahmad Jabari ficou completamente destruído
Carro onde seguia Ahmad Jabari ficou completamente destruído
Ali Ali/EPA
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Israel acusava Ahmad Jabari de envolvimento no rapto do soldado Gilad Shalit, em 2006
Israel acusava Ahmad Jabari de envolvimento no rapto do soldado Gilad Shalit, em 2006
Hamas Media Office/EPA
Ahmed Jabari, chefe militar do Hamas, foi morto hoje na Faixa de Gaza quando o carro em que seguia foi alvo de um bombardeamento aéreo lançado pelas forças israelitas. 


Fontes médicas e de segurança palestinianas confirmaram à Al-Jazeera um total de quatro ataques sobre Gaza na tarde desta quarta-feira: dois na cidade de Gaza, um no norte do território e um quarto a sul, na cidade de Khan Yunis.


Segundo o diário israelita "Jerusalem Post", as forças israelitas atingiram 20 alvos, alguns situados em residências civis, que albergavam foguetes de longo alcance capazes de atingir Telavive.

Operação Pilar de Defesa


Avital Leibovich, porta-voz das Forças de Defesa de Israel para a imprensa internacional, afirmou, na sua conta no Twitter, que o ataque insere-se numa operação que visa atingir grupos armados em Gaza, "devido aos ataques contínuos contra civis israelitas".


Esta operação - batizada Pilar de Defesa - surge na sequência de dias de hostilidades entre Gaza e Israel. Entre sábado e terça-feira foram disparados mais de 100 foguetes desde a Faixa de Gaza na direção do sul de Israel. As ações de retaliação de Israel provocaram seis mortos entre os palestinianos.


Tudo isto, recorde-se, acontece a dois meses de Israel realizar eleições legislativas antecipadas, marcadas para 22 de janeiro de 2013.



Ainda Gilad Shalit


Ahmed Jabari foi o mais alto responsável da organização islamita palestiniana - que controla a Faixa de Gaza desde 2006 - a ser assassinado desde a operação israelita Chumbo Endurecido, em Gaza, há quatro anos.


Nascido em 1960, liderava as Brigadas Ezzedine al-Qassam - que funcionavam como braço armado do Hamas -, e foi o responsável pelo ataque em Kerem Shalom, junto à fronteira entre Israel e Gaza, a 25 de junho de 2006, que culminou no rapto de três soldados, entre os quais Gilad Shalit.


No ano passado, chefiou a delegação do Hamas nas negociações no Cairo, que culminaram na libertação de Shalit, a 18 de outubro de 2011. Shalit foi trocado por 1027 prisioneiros, na sua esmagadora maioria palestinianos e israelitas árabes.

Chamo, entretanto, a atenção para este post.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Tal filho, tal mãe!



(Lucília do Carmo cantando um poema de LinharesBarbosa, com música de Jaime Santos)

Novas da "Primavera" árabe



José Dirceu condenado




"A condenação de José Dirceu a dez anos e dez meses de prisão, juntamente com José Genoíno, é um marco na história da República brasileira. Definitivamente, o STF calou a boca dos críticos e provou que o Estado é maior do que o partido governante e que ninguém está acima da lei. A tentativa do PT de implantar o totalitarismo pela via rápida da compra de votos de parlamentares foi abortada e pudemos testemunhar o triunfo do Estado de direito."

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

"Jogos perigosos"



(imagem obtida aqui)


Este é o título do polémico editorial do Jornal de Angola, que transcrevo daqui, e que me fez recordar a quadra de António Aleixo: Para a mentira ser segura/e atingir profundidade/tem que trazer à mistura/qualquer coisa de verdade.

Não julgo necessário sublinhar o que quer que seja.


Camões, faminto de tudo, até de pão, na hora da partida desta vida, descontente, ainda foi capaz de um último grito de amor. Morreu sem nada, mas com a sua ditosa e amada pátria no coração. Ele que sofreu as agruras do exílio e foi emigrante nas sete partidas, escorraçado pelos que se enfeitavam com a glória de mandar e a vã cobiça, morreu no seu país.

O mais universal dos poetas de língua portuguesa deixou-nos uma obra que é o orgulho de todos os que falam a doce e bem-amada língua de Camões. Mas também deixou, seguramente por querer, a marca das elites nacionais que o desprezaram e atiraram para a mais humilhante pobreza. O seu poema épico acaba com a palavra Inveja. Desde então, mais do que uma palavra, esse é o estado de espírito das elites portuguesas que não são capazes de compreender a grandeza do seu povo e muito menos a dimensão da sua História. Nós em Angola aprendemos, desde sempre, o que quer dizer a palavra que fecha o poema épico, com chave de chumbo sobre a masmorra que guarda ciosamente a baixeza humana. A inveja moveu os primeiros portugueses que chegaram à foz do Rio Zaire e encontraram gente feliz, em comunhão com a natureza. Seres humanos que apenas se moviam para honrar a sua dimensão humana e nunca atrás de riquezas e honrarias.

A inveja fez mover os invasores estrangeiros nesta imensa terra angolana. Inveja foi o combustível que alimentou os beneficiários da guerra colonial. Inveja foi o estado de alma de Mário Soares quando entrou na reunião do Conselho da Revolução, que discutia o reconhecimento do novo país chamado Angola, na madrugada de 10 para 11 de Novembro de 1975. Roído de inveja e de cabeça perdida porque a CIA não conseguiu fazer com êxito o seu trabalho sujo contra Angola, disse aos conselheiros, Capitães de Abril: não vale a pena reconhecerem o regime de Agostinho Neto porque Holden Roberto e as suas tropas já entraram em Luanda. Uma mentira ditada pela inveja e a vã cobiça.

A inveja alimentou em Portugal o ódio contra Angola todos estes anos de Independência Nacional. E já lá vão 37! Os invejosos e ingratos para com quem os quer ajudar estão gastos de tanto odiar. Que o diga a chanceler Angela Merkel, que ajudou a salvar Portugal da bancarrota, mas é todos os dias insultada. Recusam aceitar que foram derrotados depois de alimentarem décadas de rebelião em Angola, de braço dado com as forças do apartheid de uma África do Sul zelosa guardiã da humilhação de África.

As elites políticas portuguesas odeiam Angola e são a inveja em figura de gente. Vivem rodeadas de matilhas que atacam cegamente os políticos angolanos democraticamente eleitos, com maiorias qualificadas. Esse banditismo político tem banca em jornais que são referência apenas por fazerem manchetes de notícias falsas ou simplesmente inventadas. E Mário Soares, Pinto Balsemão, Belmiro de Azevedo e outros amplificam o palavreado criminoso de um qualquer Rafael Marques, herdeiro do estilo de Savimbi.

Os angolanos estão em festa pela Independência Nacional. Em Portugal, a nova Procuradora-Geral da República foi a Belém onde deve ter explicado a Cavaco Silva as informações que no mesmo dia saíram na SIC Notícias e no Expresso, jornal oficial do PSD, que fizeram manchetes insultuosas e difamatórias visando o Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, que acaba de ser eleito com mais de 72 por cento dos votos dos angolanos. Militares angolanos com o estatuto de Heróis Nacionais e ministros democraticamente eleitos foram igualmente vítimas da inveja e do ódio do banditismo político que impera em Portugal, neste 11 de Novembro, o Dia da Independência Nacional. A PGR portuguesa é amplamente citada como a fonte da notícia. A campanha contra Angola partiu do poder ao mais alto nível. Mas como a PGR até agora ficou calada, consente o crime. As relações entre Angola e Portugal são prejudicadas quando se age com tamanha deslealdade. A cooperação é torpedeada quando um ramo mafioso da Maçonaria em Portugal, que amamentou Savimbi e acalenta o lixo político que existe entre nós, hoje determina publicamente o sentido das nossas relações, destilando ódio e inveja contra os angolanos de bem. Da boca para fora, são sempre amigos de Angola e dos angolanos, da Alemanha e dos alemães. Enchem os bornais de dinheiro, à custa de Angola, comem à custa da Alemanha. Sobrevivem à miséria, usando como último refúgio a antiga “jóia da coroa”, feliz expressão do capitão de Abril Pezarat Correia. Mas na hora da verdade, conspiram e ofendem angolanos e alemães, usando a sua máquina mediática.“De sorte que Alexandre em nós se veja,/ sem à dita de Aquiles ter inveja.” Estes são os dois últimos versos de Camões no seu poema épico. Os restos do império, que estrebucham na miséria moral, na corrupção e no embuste, deviam render-se à evidência. Angola não é um joguete! Nós somos Aquiles! Tão grandes e vulneráveis como ele. Mas não tenham Inveja do nosso êxito, porque fazemos tudo para merecê-lo.

Cinema: Good Bye Lenin!





Legendado em inglês:

Teremos sempre que ser tótós?

No Blasfémias, o lamentável vídeo do professor Marcelo:

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… também tem alguns erros. Assim de repente:
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1. A taxa de analfabetismo em 1974 não era 33%. A taxa de analfabetismo era de 33% em 1960. 15 anos depois já andaria abaixo dos 25%. (fonte).
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Taxa de Analfabetismo, 2008
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2. Portugal não está na média da Europa, ainda. Vejam a cor mais clara de Portugal no mapa acima.
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3. É preciso alguma lata para dizer que melhorámos ‘sem plano Marshall’. Os fundos que recebemos da Europa, foram o quê? Já agora, Portugal também recebeu fundos do plano Marshall. Claro que recebeu muito menos que a Alemanha (não estava destruído pela Guerra), mas a Alemanha também recebeu muito menos que a França ou a Inglaterra e mesmo assim, tornou-se mais rica que eles.
Ajuda do Plano Marshall à Europa, por país.
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4. Não temos um dos melhores parques automóveis da Europa, nem de perto nem de longe. Admito que o Prof. Marcelo esteja habituado a olhar ao seu redor e tire conclusões, mas Portugal não é a Quinta da Marinha. Não só temos uma frota de qualidade média bastante inferior à da generalidade da Europa, como temos menos carros.
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5. Esta é verdade. Instalámos uma das maiores redes de abastecimentos de carros eléctricos na Europa, sem termos carros eléctricos. Vamos contar esse disparate aos alemães? Querem que eles gozem connosco?
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6. Os consórcios para construção dos estádios incluíam “geralmente” empresas alemãs? Quais?
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7. As trocas comerciais entre Portugal e Alemanha não resultam num ‘lucro’ de 3000 milhões coisa nenhuma. Isso é um enorme disparate. As vendas de empresas alemãs para Portugal é que têm sido 3.000 milhões superiores às vendas de empresas portuguesas para a Alemanha. Chamem-lhe excedente comercial, se quiserem. Lucro é outra coisa.
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8. ‘Apesar disto’ entrámos em austeridade. Apesar de quê? Entramos em austeridade porque falimos, não ‘apesar’ de nada do que se tenha falado antes no video.
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9. A idade de reforma na Alemanha também é de 67 anos.
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10. A Alemanha tem 11 feriados oficiais, em 2012. A saber: Dia de Ano Novo, Sexta-Feira Santa, Domingo de Páscoa, Segunda-Feira de Páscoa, Primeiro de Maio, Ascensão, Domingo e Segunda-Feira de Pentecostes, o Dia da Unidade Nacional, dia de Natal e dia seguinte ao Natal. Dois são sempre ao Domingo e quatro correspondem quase a dias de ponte. Não é um tema em que a comparação nos saia bem.
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11. “Em 1990 a Alemanha declarou unilateralmente que a sua dívida externa havia caducado”. Estão a falar de quê? Podem elaborar melhor o que é que querem dizer com este… parágrafo?
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12. “Em 2005 a Alemanha infringiu os limites do défice e a União Europeia perdoou as sanções. Os portugueses não só não contestaram como apoiaram a decisão”. Podiam ter dito que Portugal infringiu antes, logo em 2001 e também não foi condenado por nada. Que grande caras de pau seríamos nós se tivéssemos protestado.

domingo, 11 de novembro de 2012

Curtas

A Alemanha e o velho dilema da energia.

E é este o vídeo que pretende demonstrar aos alemães que os portugueses são estúpidos? Parabéns, conseguiu.

"A Oeste nada de novo"



(imagem obtida aqui)


É este o título da crónica de Alberto Gonçalves, no DN, que transcrevo de seguida:


O extraordinário não é que António José Seguro se afirme "preparado para governar", nem que o faça sob o divertido argumento de que o "investimento" público garante o crescimento económico.


O extraordinário é que, se as eleições se realizassem hoje, o PS do dr. Seguro e os argumentos do dr. Seguro sairiam muito provavelmente vencedores. Já chega de culpar os políticos pela desgraça do País: o País desceu a isto por culpa do bom povo. Crise de representação? Nem vê-la. Feitas as contas, os nossos representantes representam-nos com esmero.

É preciso notar que o eleitorado, ou pelo menos a parte do eleitorado que pesa, não está descontente com os senhores da coligação do poder por estes terem demorado ano e meio a iniciar, segundo consta, um esboço de reforma estatal. O eleitorado anda irritado porque o Governo vem aumentando os impostos para evitar bulir no Estado. Quando, e se, bulir, o eleitorado andará irritadíssimo. Poucos são os que desejam reformas, "refundações" ou mudanças: milhões de criaturas sonham com a imobilidade absoluta, mesmo após constatarem que essa imobilidade possui um custo que, a pronto ou habitualmente a crédito, não poderemos continuar a pagar.

Paradoxal? Os paradoxos não nos atrapalham. É por isso que enquanto nos queixamos da crise estamos dispostos a legitimar nas urnas o exacto partido que apressou a crise e as exactas alucinações que tornaram a crise obrigatória. Como o maluquinho que volta a enfiar o dedo na tomada depois de cada choque, uma impressionante quantidade de portugueses não aprende. E é duvidoso que venha a aprender.

A verdade, que quase ninguém admite para não ferir susceptibilidades, é que não percebemos a razão de acontecer o que nos acontece. Descontados os casos de má-fé, as reacções à visita da sra. Merkel exibem o desnorte que por aí vai. Não falo dos arruaceiros, nitidamente empenhados em reinar sobre as ruínas. Falo dos bem-intencionados como Marcelo Rebelo de Sousa, que patrocinou um filmezinho destinado a mostrar aos alemães que do Minho ao Algarve há gente boa (parece que as autoridades berlinenses deitaram o filmezinho ao lixo). E falo da empresa de Marco de Canaveses que quer oferecer à chanceler um cabaz com azeite, vinho do Porto, enchidos, queijo e "outras iguarias" (suspeito que o cabaz não chegará ao destino).

Isto seria genial se o drama pátrio fosse a Alemanha supor que somos antipáticos e incapazes de produzir uma morcela decente. Sucede que o problema não é esse: o problema é precisarmos do dinheiro alemão para não nos afundarmos de vez à conta da estroinice indígena. E nada indica que o contribuinte de lá ceda à filantropia após provar um vintage da Ramos Pinto. No meio disto, sobra a sra. Merkel, suficientemente atenta aos perigos da implosão do Sul para nos amparar a austeridade e suficientemente atenta aos votantes dela para impedir que o amparo seja incondicional. E só. Se não respeitamos a realidade, é altamente duvidoso que a realidade venha a respeitar-nos. De qualquer modo, é enternecedor ver Portugal explicado por quem não o compreende.

Boatos, suspeitas, direitos e cortinas de fumo

Os blogs de professores esquerdalhos andam em calafrios porque na história da comparação do custo por aluno entre o sistema estatal e o privado de direito público resulta ter-se percebido que, nas contas, não entrava a infraestrutura.

Para esses "dignos" representantes da classe, quando o estado constrói uma escola, o dinheiro que nela gasta é "investimento", logo não relacionável com o custo por aluno. Para eles o "investimento", é uma coisa que se faz, e ... pronto.

Ando há meses a chamar a atenção para o facto de num estabelecimento escolar público de propriedade privada, o dinheiro gasto em infraestruturas (instalações, por exemplo) tem que ser amortizado, seja a médio seja a longo prazo, pelas receitas que são, regra geral, as verbas que o estado atribui a esse estabelecimento em função de várias variáveis. Essas verbas, recolhidas ao contribuinte e destinadas às despesas com o ensino desse aluno, devem ser suficientes para garantir a subsistência à instituição privada.

Evidentemente que os detractores do ensino por privados estão fartos de saber que nos vários cálculos de custo médio por aluno, no que se refere ao estado, nunca o custo das instalações da parte estatal é tido em conta. O estado gasta com as escolas estatais as despesas decorrentes do seu funcionamento (salários, etc.,) e as decorrentes do investimento nos edifícios, mas, para eles, o dinheiro gasto nos edifícios é "investimento", não imputável ao custo por aluno. Temos portanto uma "comparação" em que, do lado estatal um tal "investimento" em edifícios não é imputável à despesa por aluno, e do lado privado, uma verba semelhante tem que ser suficiente para pagar também o investimento em edifícios.

Evidentemente que a "festa" gerada na Parque Escolar e pela anterior Ministra da "Educação" não ajuda nada à festa que os professores esquerdalhos pretendem manter. O custo por aluno subiu, na máquina estatal, a valores estratosféricos.

Um boato sobre uma eventual correcção de um estudo qualquer no sentido de incluir o custo das instalações nas despesas por aluno, deixou, o blog A Educação do meu Umbigo em polvorosa. Bem se tenta por ali afirmar que o assunto-base não é o da despesa mas o "princípio" que norteia a alteração de um estudo incluindo novas variáveis, mas quando se afirma que:
Por fim e embora pareça óbvio, nem sempre é respeitado pelos decisores políticos o valor da qualidade do serviço público, seja gerido directamente pelo Estado ou contratualizado com os privados, e não meramente o princípio do menor encargo possível com algo que tem um valor que vai para além do simples materialismo contabilístico.
... pretende dar-se a entender (para além no inevitável híbrido eduquês - salto qualitativo) que o estado deve pagar o suficiente para que o ensino seja de qualidade mas, o "materialismo contabilístico", é a cortina de fumo para deixar de fora do lado estatal as despesas com infraestruturas. É o tal "investimento".

Entretanto há que chamar a atenção que o investimento estatal em estruturas relativamente novas mas recentemente demolidas para dar origem aos mastodontes "festivos", não faz desaparecer a despesa com o investimento anterior de nenhuma forma já amortizada.

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Entretanto, umas quantas comentadoras luminárias reclamam que o "dinheiro do estado" deve apenas ser gasto nele próprio e nunca em escolas privadas pretendendo fazer crer que não sabem que o dinheiro não é do estado mas do contribuinte e que se destina a pagar todas as despesas inerentes ao ensino do aluno e não em função do gáudio da máquina estatal. O estado deve gastar o dinheiro do contribuinte de forma a que mais alunos aprendam mais, independentemente de o ser num estabelecimento estatal ou público de propriedade privada, e independentemente de contabilidades criativas nas quais o investimento estatal é pago com dinheiro caído do céu aos trambulhões.


Sob ataque

No Lisboa - Tel Aviv:


O sul de Israel está outra vez sob o fogo dos mísseis disparados a partir da Faixa de Gaza.
Espero que os israelitas lhes respondam certeiramente.

Ameaça aos privilégios

Ameaça à pátria ou ameaça aos seus privilégios? A pergunta é meramente retórica, porque não é difícil  perceber o que move estes senhores militares. E só não é mais fácil porque a imprensa portuguesa anda entretida a instalar em Portugal uma psique revolucionária e não tem tempo para reportagens sobre as passagens à reserva e sistemas de saúde corporativos.

Os donos dos pobres

Bastou uma frase de Isabel Jonet sobre a pobreza para o Bloco de Esquerda finalmente revelar aquilo que pensa sobre o assunto, mas nunca tinha tido a coragem de dizer. Os bloquistas julgam-se donos dos pobres e qualquer iniciativa para os ajudar, que fuja à sua cartilha ideológica, é imediatamente rotulada de fascista. Foi o que Louçã fez hoje ao marcar Jonet com o autocolante do Movimento Nacional Feminino. Sem se dar conta o Bloco de Esquerda mostrou aquilo que é e sempre foi: um partido extremista, radical e intolerante.

sábado, 10 de novembro de 2012

O remoinho

Está a começar a formar-se um remoinho com a visita de Merkel a Portugal. A chanceler ainda não chegou mas as  televisões já estão a entrevistar indignados a queixar-se da austeridade alemã. A seguir virão as manifestações, as gritarias, os diretos intermináveis e as milhares de imagens no facebook, que irão colorir mais esta onda de histerismo e repulsa. Só é pena que os indignados não sintam o mesmo fastio pelo dinheiro alemão.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome



É extraordinário que seja a esquerda, hoje, a zenital defensora do "consumismo".

A Carta


Excelências

Venho comunicar-vos que a chanceler decidiu arrancar já com a 3ª fase do plano de mexicanização do Sul. A chanceler considerou existirem condições invulgarmente favoráveis em Portugal que é preciso aproveitar de imediato, tendo dado a 2ª fase do plano por concluída, atendendo a que o abaixamento dos custos laborais já conseguido é excelente e suficiente, conforme anunciou no seu discurso de ontem.

As condições em Portugal são actualmente ideais, pois o povo aceita tudo sem reagir, o PM é completamente submisso, o PR está isolado e nunca fará nada que belisque os seus interesses pessoais imediatos.

Ao abrigo do previsto para a 3ª fase, foi já acordado com o Ministro da Educação português o nosso controlo sobre o ensino público, que irá formar o pessoal necessário às nossas empresas, as quais beneficiarão de períodos longos de estágio suportados pelo ME português, ou seja, mão-de-obra paga pelo Estado Português. Habilidosamente, o ministro anunciou a adopção do plano de ensino “dual” alemão. Ninguém reagiu.

Segue-se a instalação de filiais de empresas alemãs em Portugal. Isto será apresentado como o esforço alemão para o desenvolvimento económico de Portugal e a primeira acção será a visita da Chanceler a Portugal acompanhada da equipa seleccionada para a ocupação. Garantirá mão-de-obra muito barata em Portugal, que começaremos a trazer para a Alemanha a título de “circulação de trabalhadores”, torneando a resistência dos nossos sindicatos. Actualmente estamos a importar especialistas de Portugal a metade do preço praticado na Alemanha mas por este processo vamos reduzir para 1/5 o seu custo. Recordo que o objectivo final é reduzir a 1/10 o custo do trabalho, que será atingido através do processo de redução progressiva de salários que se retomará na quarta fase, uma vez assegurado o fim de qualquer possibilidade de autonomia. Já lançamos um movimento a apelar à abstenção e isso dará o pretexto para ocuparmos politicamente o país, uma vez que os portugueses irão dessa forma declarar que não querem ser governados por portugueses.

Há um único aspecto que temos de manter controlado: o Ministro das Finanças português, Gaspar, é um agente do FMI e é muito mais perigoso do que pensávamos. Combinou com os chineses uma privatização fictícia da EDP que nos obrigou a suspender o plano de privatizações; só podemos retomar o plano depois de corrermos com ele, pois aplicará um golpe semelhante em todas as privatizações e nem uma virá para as nossas mãos. Já avisámos que as privatizações não vão contar para as contas do deficit, a fim de suspender o processo.

Além disso, há um movimento de bastidores que pretende que o PR nomeie um governo de iniciativa presidencial com o Gaspar em Primeiro-Ministro. Em caso algum podemos consentir nisso ou ele tornar-se-á um novo Salazar e boicotará todos os nossos planos. Não estamos muito preocupados porque o PR deles nunca faria isso, sabendo como nós o podemos prejudicar. À cautela, vamos aproveitar o próximo buraco orçamental para responsabilizar o Gaspar e propiciar a sua remodelação. Aproveitaremos para correr também com o Ministro da Saúde que parece ser competente demais e essas pessoas tendem a tornar-se perigosas.

Quanto à oposição política: como prevíamos, sem o Sócrates o PS não existe, limita-se a fingir que existe; e a esquerda é marginal. A direita está controlada, não representa qualquer ameaça.

Face a estes bons desenvolvimentos da situação, venho solicitar o pagamento acordado para a 2ª fase; é certo que esta ainda não está concluída nos outros países, mas Portugal irá funcionar como locomotiva e a instalação de empresas alemãs em Portugal irá levar os outros, face aos seus crescentes e insolúveis problemas de emprego, a aderir à 3ª fase.

Com os melhores cumprimentos,

Dr. Jordan

(publicado também aqui)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"A busca da chave"





(imagem obtida aqui)



Todos conhecem a anedota do homem que, perdendo à noite a chave à porta de casa, vai procurá-la debaixo do candeeiro da rua por aí ter luz. Os portugueses fazem isto há muito, insistindo numa solução nacional por sucessivos governos falhados, sem notar a realidade socioeconómica que passa ao lado.

Na recessão o pêndulo da popularidade anda mais depressa. O anterior Governo, que nos trouxe à crise, caiu em desgraça ao fim de uns anos. Foi substituído pelo actual que, após poucos meses de esperança, já o seguiu no descrédito. É espantoso, mas ainda há quem acredite que mudar o Executivo fará diferença. Há séculos que se repete o ciclo, sem que se aprenda. Continuamos fiéis adeptos do Estado mas violentos inimigos do Governo da altura. A política há-de ter a solução nacional, embora os políticos não prestem. O paradoxo merece reflexão, em especial no momento em que o Governo, de forma totalmente inesperada, conseguiu algo espantoso. E é violentamente zurzido por isso.

Em 2011, pela primeira vez desde 1950, o total da despesa pública desceu em termos nominais. Caso único nos últimos 60 anos, é fenómeno histórico que ninguém achava possível. A responsabilidade é partilhada, porque nesse ano o Ministério das Finanças foi dirigido por Teixeira dos Santos até 9 de Julho e Vítor Gaspar depois. Embora o maior esforço seja do segundo, a execução orçamental dos primeiros seis meses, de acordo com o Relatório do OE para 2012 (quadro II.2.1.), reduziu a despesa total em 1.9%, boa ajuda para a descida de 5,5% nominais no ano. Mais impressionante, o feito repetiu-se em 2012, em que haverá uma descida da despesa total em 10,2% nominais, algo a que ninguém vivo assistiu.

E não se prevê que volte a assistir, pois as contas para 2013 já dão uma subida nominal e real da despesa. Mas ao menos contaremos aos nossos netos que vimos o impossível: o Estado cortou a despesa duas vezes. Todos os Governos, em democracia ou ditadura, falam disso há décadas. Todos têm rigor e contenção, mas houve um que teve mesmo. E é considerado o pior Governo de sempre por causa disso. Não admira que ninguém o volte a fazer.

Governos criticados são a sina nacional pelo menos desde o Dr. João das Regras. Nunca se viu um executivo de quem a opinião pública tenha boa opinião e só será louvado anos depois, como argumento para atacar o sucessor. Mas há aqui algo errado. Ouvindo as opiniões comuns acerca da péssima qualidade das políticas e ministros, a única conclusão razoável é que Portugal está tão mal quanto o Zaire. Como constatamos que, mesmo com crise, somos mais ricos que a Coreia do Sul, alguma coisa falta na análise.

O motivo é que passamos a vida a procurar no lado errado. A capacidade da nossa sociedade e economia são espantosas e têm conseguido ao longo das décadas resultados únicos. Desta vez, perante o choque brutal da crise internacional e austeridade interna, de novo se estão a notar excelentes capacidade de ajustamento, flexibilidade e imaginação por parte das nossas famílias, empresas, trabalhadores e cidadãos. No meio dos sofrimentos fazemos maravilhas. Na taxa de poupança, balança externa, transformação sectorial, criatividade empresarial há efeitos rápidos e inesperados que, embora devidos ao choque e desespero, farão o País sair da crise. Só que ninguém nota por todos estarem fascinados com a dança nas cadeiras ministeriais.

Talvez o mais incompreensível seja encontrar tantos economistas que, esquecendo aquilo que aprenderam, se sentam à porta do Parlamento e ministérios, esperando daí o processo de desenvolvimento. Dado que o Estado tem de fazer dieta, é evidente para eles que a economia não poderá crescer, como se estivesse nas páginas do Orçamento a origem da dinâmica produtiva. Por isso boa parte das análises que ouvimos devem mais ao Conselheiro Acácio e Conde de Abranhos que a Adam Smith e Paul Samuelson. Os intelectuais portugueses continuarão a procurar a chave debaixo dos holofotes partidários. Felizmente a economia não espera por eles para arrumar a casa.

Aos 103 anos


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Bons princípios



Esta a notícia que pode ser lida no Diário Económico:


Universidades com cursos gratuitos para desempregados
Projecto piloto já arrancou na Universidade Nova. Vai ser alargado e visa a requalificação dos licenciados sem emprego.
As universidades portuguesas vão arrancar com cursos gratuitos de gestão para licenciados desempregados com o objectivo de os requalificar e facilitar a sua integração no mercado de trabalho. O  Governo escolheu a Nova School of Business and Economics para avançar com o projecto piloto, que arrancou na semana passada com uma turma de 50 alunos. E dentro de duas semanas começarão as aulas da próxima turma, igualmente de 50 alunos.
Pedro Silva Martins, secretário de Estado do Emprego, explicou ao Diário Económico que a iniciativa do Instituto de Emprego e Formação Profissional visa "dar maiores perspectivas de empregabilidade aos licenciados desempregados" e admitiu estar já em contacto com outras universidades para alargar a iniciativa. "Vão ter aulas sobre várias competências da gestão aplicada como negociação, marketing, contabilidade, etc. que lhes vai enriquecer o currículo", sublinha Pedro Silva Martins. E há aqui um outro aspecto muito importante, que é o de fazerem ‘networking'. "Numa situação de desemprego, é muito importante vencer o isolamento", diz ainda o secretário de Estado.
O curso dura duas semanas, em regime intensivo de oito, nove horas por dia. No final desse período, são seleccionados 25 alunos para fazerem mais uma semana dedicada ao empreendedorismo, onde farão um plano de negócio.
São candidatos a este tipo de curso todos os licenciados inscritos nos centros de emprego, neste caso da Região de Lisboa e Vale do Tejo, excepto os que têm formação em Gestão. E é dada particular atenção aos que tenham projectos de empreendedorismo, admite responsável do Governo.
Do lado da Nova SBE, o responsável pela formação de executivos, Nadim Habib, esclarece: "Vamos testar o ensino da gestão num segmento difícil. Os alunos são jovens e menos jovens, alguns desempregados há muito tempo, outros nem tanto, vêm de cursos tradicionalmente com mais desemprego: História, Antropologia, Filosofia, etc. Queremos ensiná-los a falar gestão, a entenderem como uma organização funciona, como o seu talento pode acrescentar valor, etc.".
A iniciativa insere-se na Medida Viva Activa na vertente de desempregados licenciados, que tem uma verba de quatro milhões de euros para requalificação de um universo até dez mil pessoas, que engloba não só estes cursos nas instituições de ensino superior como outras acções de formação nos centros de emprego.
"Vamos usar a nossa experiência na formação de executivos e tentar encontrar maneiras de activar o talento. Por vezes, aquilo que as pessoas são boas a fazer tem pouco a ver com a área de formação", frisa Nadim Habib.
Também o ISEG lançou, recentemente, um curso em parceria com o BNP Paribas para ajudar jovens à procura do primeiro emprego e desempregados a encontrar um lugar no mercado de trabalho no sector da banca.

domingo, 4 de novembro de 2012

Dois textos no DN e duas notas minhas






O primeiro, de João Marcelino:


A discussão que interessa

1- O Governo, apertado pela troika, vai ter de mexer finalmente na dimensão do Estado. Percebe-se então, assim, o desafio para o "refundar" do memorando, que Pedro Passos Coelho lançou a António José Seguro no final da semana passada. São os credores que querem o Governo a passar das palavras aos atos, a deixar-se de propaganda e, até, veja-se a ironia!, a cumprir aquilo que prometeu quando das eleições. É este o significado da "assessoria técnica" agora anunciada.

É preciso dizer ao "melhor Povo do mundo" que se não quer continuar a ser esmagado pelos impostos, ano após ano, e sem resultados que se vejam, cá dentro e lá fora, este é o movimento necessário: adequar o Estado à riqueza que geramos.

Está aberta, portanto, a única discussão política com interesse e significado: que Estado podemos ter? Que Estado queremos que a (frágil) economia (que temos) pague?

Este é mais um favor que devemos agradecer ao FMI e à Europa: que venham dizer-nos o que devemos fazer, como devemos fazer. Caso contrário, já o tínhamos percebido, acontece em todas as dimensões o mesmo que à reforma do mapa autárquico: não se faz. Infelizmente, pôr políticos portugueses a reformar o Estado, que eles - todos! - criaram com tanto esmero, é como pôr um assaltante a organizar a polícia... Ao menos disso o Governo está consciente e merece um "bravo" pela humildade com que aceita mais esta humilhação, a terceira em 35 anos.

2 - Só agora, movido pela necessidade, o Governo descobriu a importância de manter um diálogo aberto com o PS, que hostilizou de forma insensata nos últimos meses, desbaratando o consenso social e político que fazia de Portugal um caso diferente na Europa dos necessitados. Resta saber se pretende mesmo um entendimento (à volta da dimensão do Estado e dos serviços que os impostos podem pagar no âmbito do Estado social) ou se apenas pretende um pretexto para manter a luta política e partidária nos próximos tempos. Neste momento ainda não é possível perceber verdadeiramente qual destas hipóteses é a verdadeira.

E também não é ainda claro o que pretende o PS. Vai aproveitar o pretexto para se desvincular da austeridade que pactuou com a troika ou vai aceitar participar num alargado consenso quanto às funções do Estado para as próximas décadas?

Do que o País precisava, não se tenha qualquer dúvida, é que Governo e PS se entendessem quanto a esta notável e inadiável reforma. Que definissem os limites do Estado social (que, ouvindo-os falar tão bem, até parece às vezes ter sido uma criação dos radicais de esquerda, quando foi, por toda a Europa, uma criação da social-democracia, do socialismo democrático e, até, da democracia cristã. É bom que não se esqueça isso, sobretudo nesta hora em que o sistema precisa de ser reinventado).

O PSD e o CDS-PP estão perante uma necessidade inadiável do País que administram sob tutela estrangeira. O PS foi colocado perante um desafio complexo: como poderá continuar a criticar as sucessivas subidas de impostos se não quiser aceitar mexer verdadeiramente na despesa?

Há ainda uma aflição de fundo (para as pessoas que aqui habitam e foram esmagadas pelos impostos): se estas forças partidárias não forjarem um acordo mínimo, significará isso que um próximo governo poderá voltar a lavrar, como é triste costume, em cima das reformas que agora serão executadas?

Os deputados anteciparam a votação do Orçamento do Estado na generalidade para fugirem aos manifestantes. Pode ter sido uma solução expedita para evitar males maiores, mas fica como demonstração de cobardia política e institucional. Mais uma, depois das tristes celebrações da República, do Presidente a fugir de jovens e dos governantes a saírem por portas do fundo".

Nota: João Marcelino não terá tido conhecimento, mas já no ano passado, conforme fez notar Assunção Esteves aos deputados contestatários, a decisão de pôr o OE à votação antes da paragem para o almoço foi tomada sem que ninguém se opusesse.
O que este ano constituiu a cobardia de alguns era, em 2011, a conveniência de todos. Chama a oposição a isto combate político? Eu chamo a isto enganar os eleitores, negar a condição de deputado.



Quatro pontos da situação

1- O Governo "aceitou" a ajuda do FMI para reformar ou, na terminologia da casa, "refundar" o Estado. Má notícia? Para o Governo, que assim certifica a sua incompetência ou cobardia, sem dúvida. Para o país, nem tanto. Encontramo-nos hoje num processo de empobrecimento acelerado, inevitável e doloroso. Em vez de ficarmos apenas mais pobres, não será desaconselhável que, já agora, nos livremos de algumas das causas estruturais da penúria. Claro que teria sido preferível o exercício excluir a intervenção estrangeira, mas está abundantemente provado que a intervenção indígena nunca chegaria sequer a existir. O recurso a entidades externas demonstra a inutilidade dos senhores no poder; a reacção colérica às entidades externas demonstra a imobilidade dos senhores na oposição, que aceitam tudo, tudo, tudo excepto a mudança. Entregue a si próprio, Portugal é irreformável. Entregue a outros, veremos.

2- Há dias, o Governo era criticado por não cortar na despesa. Hoje, é criticado por preparar cortes na despesa em conluio com o FMI. Há dias, o Governo era criticado por aumentar os impostos. Hoje, é criticado por destruir o Estado dito "social". A divertida inabilidade governativa só é superada pela doçura dos que se lhe opõem, crentes de que as famosas "gorduras" estatais se eliminam com a abolição de meia dúzia de frotas automóveis e de que a caridade universal prescrita na Constituição se obtém mediante o selectivo saque dos "ricos" ou a invocação de energias positivas.

3- Não há dia em que os senhores do PCP e do BE não apareçam a exigir o sacrossanto respeitinho pela Constituição e a alertar para as ameaças a que a Constituição está sujeita. À primeira vista, é respeitável o institucionalismo da extrema-esquerda. À segunda vista, é esquisito que o documento formatador do regime seja defendido pelas forças políticas que o regime repetidamente derrotou. Nos melhores dias, os dois partidos comunistas não ultrapassam os vinte por cento das intenções de voto. Ainda assim, é principalmente essa pequenina minoria que berra em prol de uma observância constitucional que convém à minoria e, como é notório, nem sempre convirá aos restantes.

4- No simpático cerco de quarta-feira ao Parlamento, alguns manifestantes, citados na imprensa, interrogavam-se: onde está o milhão de desempregados? Onde estão os estudantes? Em casa, digo eu, que as dificuldades vigentes nem sempre convencem as respectivas vítimas a incendiar propriedade alheia e a colocar em perigo a integridade física dos deputados que o país em peso elegeu. Uma coisa é remoer a austeridade, outra é combatê-la às marradas contra a parede. Percebe-se que os exemplos dos delinquentes de Madrid, cuja fúria destrói estabelecimentos comerciais e provavelmente empregos, sejam apelativos para quem nunca conquistou o poder nas urnas e sonha consegui-lo nas ruas. Não se percebe que, ainda que fechem o punho ou o estendam ao jeito hitleriano (juro), as forças por detrás da violência à porta de S. Bento se julguem revolucionárias. Caríssimos: as revoluções começam pela contestação do status quo, não pela reacção desesperada à sua queda.

Nota: É fácil falar em incompetência ou cobardia por parte de Passos Coelho. Eu chamar-lhe-ia a competência e o arrojo possíveis num país dominado por máfias que  - como o próprio Alberto Gonçalves acaba por reconhecer mais à frente -  o sufocam, nada permitindo fazer em prol dos portugueses desde há quase dois séculos. Algo que os actualíssimos e sempre citados testemunhos de Eça e de Ramalho (Ortigão) atestam até ao desespero dos próprios.

Longe de constituir uma submissão ao "estrangeiro", a decisão do primeiro-ministro e da sua equipa revela, por isso, a meu ver, uma visão política lúcida bem como uma coragem e uma determinação raras contra aqueles que pretendem, da esquerda à direita, que Portugal continue a existir para os servir e lhes afagar as vaidades matarruanas de cacique de aldeia europeia.

sábado, 3 de novembro de 2012

"Gente fixe"

(foto obtida aqui)

Ainda Alberto Gonçalves, no DN:

Um daqueles grupinhos que passam a vida a brincar no Facebook e se queixam do desemprego instigou os adeptos da bola a entoarem Grândola, Vila Morena durante o jogo Portugal-Irlanda do Norte. Em prol do efeito cénico, a cantoria deveria acontecer aos 20 minutos e 12 segundos da partida (2012, percebem?) e, segundo os preponentes, visava exibir a "senha que nos uniu em lutas passadas", já que "ombro a ombro sabemos que outro caminho é possível e que iremos percorrê-lo". Bonito. Infelizmente, absurdo e pouco produtivo.

Por um lado, não se percebe porque é que se protestam salários mínimos de 500 euros e em simultâneo se recorre ao reportório do falecido "Zeca" Afonso, intérprete e autor inspirado por modelos de sociedade onde um trabalhador mataria a mãe a troco de um salário assim. Por outro lado, com a desertificação do Interior, a Grândola perdeu pertinência: quantos portugueses se estendem à sombra das azinheiras? Por fim, não se admite confiar tamanha responsabilidade a espectadores de futebol, os quais fatalmente se distraíram a contemplar linhas de passe e, aos 20.12 m, nem um pio se ouviu no estádio do Dragão. Não houve senha. Não houve luta. Não houve união. Não houve caminho alternativo. E, rezam as crónicas, até a selecção se arrastou no relvado.

Em matéria de resistência, nada como deixar o assunto ao cuidado das figuras da cultura. Em Portugal, "figura da cultura" significa algum indivíduo que alguma vez tenha recebido algum subsídio para produzir alguma coisa por que cidadão algum se interessa. São, pois, muitas figuras. Foram, pelo menos, as suficientes para compor as manifestações de sábado passado, ainda que, fora do Porto e de Lisboa, certas manifestações tivessem tanto público quanto os espectáculos regulares de muitas das figuras em causa.

O essencial, porém, é que tudo correu conforme o esperado. Na Praça de Espanha, Maria do Céu Guerra declamou aquilo que no Terceiro Mundo passa por poesia ("O que é preciso é gente/gente com dente/gente que tenha dente/que mostre o dente//Gente que não seja decente/nem docente/ /nem docemente/nem delicodocemente"). Uma menina que não conheço leu uma glosa do Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros (se não há um comunista à mão, arranja-se um "fascista": a "cultura" só não venera democratas). O marido de uma apresentadora de variedades que aufere 24 mil euros mensais na RTP desfilou preocupado com a pobreza. Os Deolinda tocaram Parva Que Sou. E principalmente brindou-se a multidão com a nova preciosidade saída da cabeça de Carlos Mendes: A Cultura Não Se Troi-ka, que serviu de hino e cartilha ideológica das festividades.

Por mim, levo sempre a sério um movimento fundamentado no pensamento filosófico do cançonetista que nos legou Siripipi de Benguela. Eis a filosofia: "Disparamos uma bala de ternura defendendo a cultura portuguesa/e outra bala mais acesa e mais dura contra a troika vai dizer não à tristeza." E o refrão acrescenta: "Somos mais gente fixe a dizer esta troika que se lixe." Por azar, nem o sr. Mendes nem a gente fixe em geral explica o que julgam restar do país depois de lixada a troika. Talvez imaginem uma folia permanente, na qual uma minoria convencida do seu esclarecimento usa o dinheiro da ralé para obter os privilégios que a ralé não alcança e não compreende. Ou seja, o costume. Não admira que a "cultura" à portuguesa viva agarrada ao Estado: no fundo, são igualzinhos.

(imagem obtida aqui)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Juízes: Corruptos? Porque não?

Ficámos agora a saber que se quem ganhar menos que os juízes for corrupto, a sua conduta fica automaticamente justificada:

O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) disse hoje que os magistrados judiciais temem que os cortes salariais constantes na proposta do Orçamento do Estado para 2013 podem "pôr em causa o princípio da independência".

Nivaldo Cordeiro: Os novos imbecis colectivos



Olavo de Carvalho cunhou a metáfora 'imbecil coletivo' para bem descrever os alienados esquerdistas gerados no Brasil sob o efeito da desgraçada revolução gramsciana, há mais de vinte anos. Nesta semana ele publicou novo artigo no Diário do Comércio (http://www.olavodecarvalho.org/semana/121030dc.html), mostrando a devastação que tem sido a 'reprodução ampliada' da imbecilização: os novos imbecis coletivos gerados pelos antigos. Não tente dizer para um imbecil coletivo que ele é: o ataque de fúria é instantâneo. Impossível o diálogo do sã com o louco.
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Em Portugal, infelizmente, nem os imbecis colectivistas do PCP desapareceram. Mais, apareceu outra organização paralela de imbecis, o BE, que contaminou o PS.

2016: Obama's America


2016: Obama's America (ver vídeo)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Não há pior "europeu" do que aquele que sempre se recusou a ver





Excerto de uma notícia no jornal SOL (sublinhados meus):

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“Segundo o livro This time is different, de Kenneth S. Rogoff e Carmen Reinhart, docentes da Universidade norte-americana de Harvard, que analisa as crises financeiras passadas, só nos últimos 200 anos existiram, pelo menos, 250 falências de países, alguns deles várias vezes.

A História revela sempre dados curiosos. Desde 1800 até aos dias de hoje, Portugal entrou em incumprimento seis vezes, Alemanha e França oito vezes e a Espanha 13 vezes. Os espanhóis, aliás, foram os que mais processos de falência perante os seus credores registaram em todo o Mundo. Já países como os EUA, Canadá, Reino Unido, Holanda ou Suécia cumpriram sempre as suas obrigações perante os seus credores internos e externos.

Os dois autores estudaram ainda a duração da falência de um país, ou seja o número de anos em que este não pagou aos seus credores. A Grécia aparece em destaque com uma história de incumprimento único: desde 1839 até hoje, mais de metade destes quase 200 anos foram passados em default, adianta o estudo. No top dos campeões dos incumprimentos, segue-se a maioria da América Latina (40% dos últimos dois séculos em falência).

(...)

Nivaldo Cordeiro: Admirável mundo novo fascista



Um leitor me perguntou o que eu penso sobre a destruição dos restaurantes tradicionais no Brasil, citando o caso do restaurante Tip Top de Belo Horizonte. A resposta: isso acontece pela revolução no varejo e pela oligopolização patrocinada pelo Estado. O processo está em curso e não tem como ser modificado. O desaparecimento do pequeno empresário destrói a própria base social da economia liberal.

President Obama Talks iPod on Radio as Hurricane Hits


Political Punch
As Hurricane Sandy barreled toward the Mid-Atlantic this morning, and the White House scrambled to get the commander in chief back to Washington, President Obama could be heard on the radio airwaves in battleground Ohio talking about his iPod.
“I’ve got a pretty good mix. I’ve got old school. Stevie Wonder and James Brown. I’ve got Rolling Stones. Bob Dylan. And then I’ve got everything from Jay-Z to Eminem to the Fugees to you name it,” Obama told DJ E.J. Greig of Cincinnati’s 101.1 The Wiz in a pre-taped interview.
Uuuuuiiii se fosse Bussssssshh!