Do que também nós já aqui afirmámos muitas e muitas vezes.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
"Devias ter feito uma fundação, pá..." ou De convicções está o inferno cheio
(imagem obtida aqui)
Dias
atrás, nos telejornais da hora do almoço, pudemos ver um Mário Soares
envelhecido, de saúde claramente debilitada, alterado, destrambelhado tanto nos
modos como no discurso, à saída do Estabelecimento Prisional de Évora, afirmar fora
de qualquer dúvida a inocência de José Sócrates bem como a existência de uma
conspiração, apoiada no aparelho de Justiça e na Comunicação Social, que visa
destruir a reputação desse ex-“primeiro-ministro exemplar”, de cuja seriedade ninguém
duvidará. Hoje, um familiar meu mostrou-me a frase que dá título a este post, posta
na boca de Soares dirigindo-se a Sócrates na foto acima, a circular na
internet.
A
frase insinua e a insinuação é algo que me repugna, a não ser quando visa o
óbvio, assim se mudando em subtileza do humor. Aproveitei-a, porém, porque, se
relacionada com o que se seguirá, reforça a compreensão do que, quanto a mim, a
detenção e prisão preventiva de José Sócrates trouxeram à superfície do
Portugal profundo, de um Portugal mais esquecido do que a mais recôndita das
suas aldeias.
Alguns
amigos, militantes do PS, perguntaram-me o que achava eu do ex-ministro do
Ambiente de António Guterres, à época em que ele se candidatou pela primeira
vez a secretário-geral do partido. Respondi-lhes – e, desde então, tenho-os
lembrado disso várias vezes – que seria uma péssima escolha não só para os
socialistas como para o país, uma vez que não encontrava nele nem perfil nem
capacidade quer para desempenhar as funções a que se propunha quer, muito
menos, para o cargo de primeiro-ministro que, em breve, com certeza viria a
ocupar. Agressivo, prepotente e, o que é pior, o paradigma, no plano político,
de um mestre d’obras com a correspondente visão sobre o desenvolvimento de
Portugal e os meios para o concretizar. Um “caudillo” maquilhado de europeu que
nada traria de bom, era o que me davam a entender as suas tiradas e acções
governativas e públicas. Riram-se.
Foi,
afinal, muito mas mesmo muito pior do que eu poderia esperar. José Sócrates
governou Portugal como um velho regedor de aldeia: berrando do alto do varapau
da maioria; fazendo descer o debate de ideias (desde sempre escasso) ao nível
da ausência; reinando, vingativo, pela divisão de todos e deste modo inibindo
em todos, por ressentimento ou medo, a livre expressão; impondo, com meios à
toa, medidas avulsas a que pomposamente chamou reformas, com elas
esfrangalhando a eito a estrutura do Estado sem critério nem dó. A meu ver,
foi, depois de Salazar, a catástrofe que o país mais poderia ter temido.
Durante
o período em que mandou no país, tive no blog Portugal e outras touradas, que criei em Maio de 2007 e encerrei,
de facto, em Julho de 2011, o meio de aliviar um pouco o sufoco que senti nesse
atoleiro quotidiano. Nele fui falando de tudo isto, à medida dos despautérios e
desastres consecutivos. Não o apaguei, continua online, e qualquer um pode verificar que foi sempre nos planos
político e social que me referi a Sócrates e ao seu governo, tal como a quem o secundou,
de perto ou de longe. Mesmo tendo em conta, entre outras coisas, o que aqui diz José Gomes
Ferreira, atento, tal como eu e muitos outros, aos sinais equívocos que emergiam
sobre o carácter do primeiro-ministro.
A
prisão preventiva de José Sócrates continua a não permitir, por agora, desfazer
ou confirmar as suspeitas que o levaram ao Estabelecimento Prisional de Évora.
Aguarda-se o resultado das investigações e, até lá, ao contrário de muita
gente, demasiada gente, pelo respeito devido a qualquer ser humano não me
permito o luxo de ter convicções num sentido ou noutro. Mas, por isso mesmo,
gostaria de deixar um pouco do que venho a reflectir acerca aqueles que vivem
acima das suas possibilidades de crença e certeza, e do nível de ostentação que
disso se permitem. Bem como da possível origem desse seu capital lógico e
ético.
Em
particular, o dos que se revoltaram em público quer com a detenção de José
Sócrates quer com o modo como ela ocorreu. Pois confesso que as operações
mentais utilizadas nesse seu empreendimento de indignação edificante são para
mim um mistério. Parecem-me de todo obscuras e, por isso, carentes de uma
investigação impeditiva de que os seus eventuais reflexos causem maiores
prejuízos na frágil economia moral da nação.
Com
um aviso prévio, porém. Dizia Sartre que se o nosso objectivo for
consciencializar uma família burguesa do horror que a sua vida constituiu não
bastará simplesmente gravá-la ou filmá-la e mostrar-lhe o resultado, porque, como
é natural, continuaria a nada estranhar no que visse e ouvisse. Teremos que
ampliar, acentuar os pormenores decisivos que lhe escapam ou que contribuem
para o seu torpor, numa palavra: até certo ponto, caricaturar. Não gosto de
Sartre por aí além, mas dou-lhe razão quanto a isto. O mesmo farei, portanto,
em relação a esses meus compatriotas indignados, e as imagens que utilizar
seguidamente assim deverão ser entendidas.
Consideram
eles, em primeiro lugar, que nem a detenção nem o modo como foi realizada são
compatíveis com o cidadão que a sofreu; que constituiu um procedimento
vergonhoso, por humilhante, para quem ocupou o mais alto cargo governativo. Mas
imaginemos (e, relembro-o, irei exagerar, caricaturar para melhor me fazer
entender) que Al Capone, no intuito de lograr um maior enriquecimento e poder
pessoais, ao invés de enveredar pela actividade criminosa explicitamente
violenta, mas local, se propusesse alcançar a presidência dos Estados-Unidos,
deitando mão de influências. E que, havendo-o conseguido, reforçasse e cimentasse
a rede de corrupção, valendo-se de favorecimentos e promoção de obras e
políticas públicas, apresentando-as como fazendo parte de um plano
desenvolvimento dos USA, mas que, na realidade, visariam apenas concretizar os
seus intentos e alargar em definitivo a sua riqueza e esfera de acção pessoais.
E que não tivesse pejo nem escrúpulos de, para tal, levar o país à beira da
bancarrota. O facto de ter ocupado a mais alta posição do Estado reverteria na
dignificação do seu carácter? Ou, antes, isso sim, em perversidade acrescentada,
que o próprio Estado, enquanto instrumento do bem-comum, deveria repudiar e
banir com maior vigor ainda?
Porque estaríamos num
plano onde criminalidade e política não se distinguiriam uma da outra, e a
extensão do delito se estenderia não somente a todo o país como também a mais
de uma geração – acusação, aliás, infelizmente muito pouco inédita, tantas
vezes ouvimos fazê-la a muitos dos chefes de Estado africanos e da América
Central e do Sul…
Relembrando-o
de novo: ninguém sabe se é este o caso (mitigado) de José Sócrates. Ninguém se
pode arrogar a emitir juízos que lhe sejam favoráveis ou acusatórios antes de
se apurar a verdade. Mas também ninguém, muito menos os que enaltecem
constantemente a igualdade dos cidadãos perante a lei, pode invocar o argumento
de que, por o havermos tido como governante, a Justiça e a polícia procederam
mal (criminosamente, nas palavras subentendidas de alguns) não lhe atribuindo
um tratamento de excepção, ao invés de procederem com ele como o fizeram, isto
é, da mesma maneira como procederiam com qualquer outro suspeito de actividades
ilícitas.
Admitamos,
porém uma segunda hipótese, a de nos encontrarmos perente um caso de distúrbio
de personalidade do tipo romanceado por Robert Louis Stevenson em O médico e o monstro. O caso em que
teríamos, ao mesmo tempo, um Sócrates “primeiro-ministro exemplar” (para
retomar a expressão de Mário Soares) e um outro, meliante mafioso nas horas
livres da governação, embora para tal se aproveitando dos conhecimentos e
influências que o cargo ocupado lhe facultavam. Quem deveria então a polícia
escolher para a detenção: o dr. Jekyll com Mr. Hyde à perna; ou Mr. Hyde
trazendo a reboque o dr. Jekyll? Uma escolha impossível julgo eu, já que tal
exigiria das autoridades um prévio conhecimento da psique de José Sócrates,
produto do exame que, tanto quanto se saiba, nunca foi realizado.
Chamo,
a propósito, a atenção para que a argumentação dos responsáveis maiores do PS e
de alguns dos defensores de Sócrates segue em paralelo com esta linha de
raciocínio, ao afirmarem que não se pode nem deve confundir o Sócrates político
com um eventual Sócrates criminoso. De outro modo: que podem existir em
sincronia, numa só pessoa, um brilhante e patriótico primeiro-ministro e um
escroque de primeira linha, que age em proveito próprio suportado pelas funções
que desempenha. A hipótese, como disse anteriormente, não é menosprezável, mas
terá que ser provada; e a polícia não é, nem costuma ir, à bruxa. Limitou-se,
pois, a proceder segundo as regras do mais elementar bom-senso quando se trata
de prender um suspeito de crimes graves.
Donde
virá, então, aquilo que me parece ser uma espécie de incoerência toldada pelas
emoções (ou por quaisquer outros factores desconhecidos…) por parte de quem se
indignou com a prisão de um antigo primeiro-ministro? Esta a pergunta a que,
como já disse ao início, me propus responder a mim próprio, mas que achei
pertinente o bastante para dever partilhá-la.
É
que neste “não se prende nem se trata assim um antigo primeiro-ministro!” há
qualquer coisa de “ancien régime” com cheiro a peúga de ex-seminarista, algo
entre o bafio e o cheiro a beco escuso e escuro da vontade. Algo que cheira a
“argumento de autoridade” e a “você sabe com quem está a falar?” que me
assombrou em menino com voz roufenha.
Juro:
estremeci de apreensão e um arrepio percorreu-me a espinha quando ouvi,
repetido até por quem não esperaria, aquele “não se prende nem se trata assim
um antigo primeiro-ministro”! Parecia-me que, como num vulgar filme de terror,
um grupo de zombies fazia ecoar, no país, a voz de quem houvesse feito das suas
cabeças sepultura, assombrando os vivos com os restos que de si nelas
permanecessem, antes de se tornar para sempre em pó.
A
simples possibilidade de enunciar tudo isto de forma explícita me constrange e
enoja. Respondi, portanto, à pergunta metaforicamente. Mas julgo que fui
bastante claro sobre a identidade desse avesso de Lázaro, doentio e violento,
que tão fundo cravou as suas garras na mente de Portugal. Mesmo nos que são (ou
se dizem) paladinos da democracia.
Voltando
ao tom anterior, e antes de terminar quero ainda, contudo, acrescentar algo que
julgo oportuno e de certa importância para alguns militantes socialistas.
Começo
por recordar os elogios que Miguel Macedo recebeu de toda a oposição quando, há
pouco tempo, pediu a demissão das suas funções de ministro da Administração
Interna. Fê-lo devido à prisão do responsável máximo do Serviço de Estrangeiros
e Fronteiras e de outros funcionários envolvidos em casos de corrupção. Gente,
note-se, cuja nomeação para as posições que ocupavam não fora feita por ele,
mas por quem o antecedera como responsável do MAI – não me lembro se o director
do SEF foi nomeado logo no início do primeiro governo de José Sócrates ou no
final do de Durão Barroso. Não teria necessidade de sair, mas demitiu-se em
benefício da credibilidade do regime enquanto aguarda pelo apuramento da
investigação e pela consequente decisão judicial.
Os
ministros são-no por convite do primeiro-ministro indigitado após as eleições.
Seriam, assim, da confiança de José Sócrates aqueles que integraram os seus
governos e discutiram as diferentes políticas sectoriais e as medidas
destinadas a implementá-las. Não ignoravam as motivações e os objectivos
apresentados pelo chefe da equipa governamental de que decidiram fazer parte.
Não podem, assim, afirmar que desconheciam o alcance e as implicações do plano
que ajudaram a estruturar e a fazer cumprir. Se não se aperceberam, serão
incapazes para desempenhar devidamente funções a esse nível. Se se aperceberam,
das duas uma: ou não se deram conta de eventuais irregularidades; ou, se deram,
serão cúmplices passivos ou activos de Sócrates.
Ora
alguém duvida de que a incapacidade de detectar crimes de lesa-pátria é
incomparavelmente mais grave do que o desconhecimento de um ministro sobre
actividades criminosas de um conjunto de funcionários de um dos sectores de um
ministério? Sem falar já na possibilidade de se ser suspeito de conivência…
Daí
o meu apelo aos antigos militantes do PS que colaboraram com Sócrates, a
começar por António Costa: a bem do regime democrático, demitam-se de todas as
suas funções políticas partidárias. Sigam o exemplo que – tão justamente e a-propósito
– elogiaram de Miguel Macedo e esperem pelo apuramento da verdade para as
retomarem, rebrilhando de inocência e verticalidade cívica.
E
que não vociferem como o pobre “pai da nossa democracia”, cada vez mais
fragilizado, que “aquilo não se faz a um antigo primeiro-ministro!”. Para que
os portugueses, eles próprios alheios ao fantasma ainda habita em muitos dos
seus maiores, mas tendo em mente o velho provérbio “diz-me com quem andas,
dir-te-ei quem és”, não discorram de modo tão distorcido como a frase inscrita
na foto deixa transparecer.
sábado, 29 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Sócrates e a banalidade do Mal ou A volta do condottieri (2)
Sem título, gravura de Nicolau Saião
Não nos deixemos equivocar: o caso Sócrates
não é fundamentalmente um caso de polícia ou de justiça, mas sim eminentemente
e no mais alto e triste grau um caso de política.
De política especiosa ou, mesmo, especial?
Talvez… Mas claramente um caso onde o que emerge é a panorâmica de uma prática política
que pelos anos fora - nos lugares expressos em que este sedutor aventureiro
político pôde estribar a sua maneira de estar e de fazer estar – foi criando um
estilo entre a arrogância, a agressividade e o descaramento demagógico que não
só colocaram o País à beira da bancarrota mas, ainda pior, à beira da falência
ética e moral.
Basta termos acompanhado, com algum
pormenor, durante o par de anos transactos, os espaços públicos onde a
mentalidade do condottieri (pois não é verdadeiramente, nem nunca foi, um
líder, mas claramente um condottieri, com toda a carga ideológica e pessoal que
essa condição arrastava) extravasava no exemplo dos seus partidários e áulicos,
para se entender tudo: a agressividade compulsiva, a arrogância pesporrente, a
ausência de ética nos escritos e nos ataques aos oponentes, em suma: a sombra
extremamente perceptível de um posicionamento a que poderemos dar a
classificação de cripto-fascista típica, jogando no revanchismo, na postergação
de uma atitude tolerante, muitas vezes descendo ao enxovalho e à violência
verbal desbragada.
O indivíduo político em causa cifrou na sua
figura e no seu estilo tudo o que de pior tem existido no ambiente conceptual
da nação. Por isso não admira que tenha sido o chefe sonhado e amado pelos seus
asseclas, para quem os antónios josés seguros e os antónios costas não passam
de passageiros secundários para a ocupação provisória da barca em que apostavam
por não terem outro remédio, mas que os não fazia esquecer do “chefe” real onde
se concentravam as suas nostalgias e as suas esperanças de poderem voltar a
dominar intangivelmente, mas muito consistentemente, o País que ajudaram a
depredar.
Os elogios e as declarações sistemáticas de
reverência ao condottieri, propiciadas pelos seus partidários intransigentes,
seduzidos pelo seu carisma de “animal
feroz da política” (expressão que traz bem o selo de um discurso
cripto-fascista típico, pela brutalidade da frase) não traduz senão a captura
por um tipo de prática política contra os interesses do Povo e da nação.
Não podem portanto os membros do Partido
Socialista, que por excesso ou por diferença consentiram no domínio
interiorizado da mentalidade e da postura material socrática, virem agora
eximir-se a responsabilidades alegando que uma coisa é a política em que se
mergulham e, outra, as responsabilidades do foro judicial em que ele – o
político que sempre epigrafaram e desculpabilizaram – está metido.
O caso de Sócrates é directamente dependente
de um estilo e uma prática política evidente, muito própria e muito marcada.
Pretenderem convencer-nos do contrário é
apenas uma simulação mais que agora tentam para sacudirem do capote a água
pantanosa em que se deixaram ir existindo!
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
É José Sócrates que está em causa...
... ou o país que, preguiçosamente, estupidamente, se alheou de tudo o que é aqui referido ao longo destes anos, com responsabilidades acrescidas para os militantes do PS?
domingo, 23 de novembro de 2014
O “gémeo terrível da Terra”
Comentário que deixei aqui.
Essa história de ir a Vénus estudar os gases de efeito de estufa não lembra nem ao diabo mas serve na perfeição para obter financiamento.
A atmosfera de Vénus é muitíssimo mais densa que a da Terra e esse facto explica por si próprio as temperaturas à superfície. A atmosfera de Vénus, como a da Terra, é turbulenta, e quando as massas de gases descem aquecem, quando sobem arrefecem (lei dos gases ideais). A temperatura à superfície é muito alta apenas em resultado desse facto, nada a relacionando com qualquer espécie de efeito de estufa.
A atmosfera de Vénus, rica contém 96.5% de CO2 e nada, mas nada, permite relacionar esse facto com as altíssimas temperaturas à superfície para além da turbulência da atmosfera e do efeito compressão e descompressão.
Para que haja comparações entre os dois planetas têm que ser estudadas as temperaturas à mesma pressão atmosférica. A 1 atmosfera de pressão, a temperatura em Vénus é apenas ligeiramente mais alta que a da Terra ... o que não surpreende ficando Vénus mais próximo do Sol. Mais, tendo em atenção a pequena diferença de temperatura à mesma pressão e a gigantesca diferença de concentração de CO2 (0.04% para a Terra, 96.5% para Vénus) percebe-se que nada há de ciência no caso “CO2”, apenas muita propaganda.
Essa história de ir a Vénus estudar os gases de efeito de estufa não lembra nem ao diabo mas serve na perfeição para obter financiamento.
A atmosfera de Vénus é muitíssimo mais densa que a da Terra e esse facto explica por si próprio as temperaturas à superfície. A atmosfera de Vénus, como a da Terra, é turbulenta, e quando as massas de gases descem aquecem, quando sobem arrefecem (lei dos gases ideais). A temperatura à superfície é muito alta apenas em resultado desse facto, nada a relacionando com qualquer espécie de efeito de estufa.
A atmosfera de Vénus, rica contém 96.5% de CO2 e nada, mas nada, permite relacionar esse facto com as altíssimas temperaturas à superfície para além da turbulência da atmosfera e do efeito compressão e descompressão.
Para que haja comparações entre os dois planetas têm que ser estudadas as temperaturas à mesma pressão atmosférica. A 1 atmosfera de pressão, a temperatura em Vénus é apenas ligeiramente mais alta que a da Terra ... o que não surpreende ficando Vénus mais próximo do Sol. Mais, tendo em atenção a pequena diferença de temperatura à mesma pressão e a gigantesca diferença de concentração de CO2 (0.04% para a Terra, 96.5% para Vénus) percebe-se que nada há de ciência no caso “CO2”, apenas muita propaganda.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
O candidato presidencial que o PS deverá apoiar
(imagem recolhida aqui)
Eis um presidente verdadeiramente interventivo, ao modo e de cepa bem socialista (ver o vídeo com a cena total).
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Socialismo: "desenvolvimento" e morte
Vejamos a prática da teoria do PCP, do BE, do escarro "os verdes" e de uma boa parte do PS, particularmente do PS de "especislistas" em "as dívidas dos estados são eternas":
As organizações políticas acima referidas, não sé se entendem às mil maravilhas com os "desenvolvimentistas" e "progressistas" FARC, governo venezuelano e Partido dos Trabalhadores do Brasil, como pretendem exactamente o mesmo para Portugal.
Antevê-se que o culpado da zenital confusão que a seu tempo se instalar por aquelas paragens será do Pinochet que no poder se seguir quando os zenitais "desenvolvimentistas" e "progressistas" forem arreados do poder.
As organizações políticas acima referidas, não sé se entendem às mil maravilhas com os "desenvolvimentistas" e "progressistas" FARC, governo venezuelano e Partido dos Trabalhadores do Brasil, como pretendem exactamente o mesmo para Portugal.
Antevê-se que o culpado da zenital confusão que a seu tempo se instalar por aquelas paragens será do Pinochet que no poder se seguir quando os zenitais "desenvolvimentistas" e "progressistas" forem arreados do poder.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Em apoio a Jean Leonetti, maire de Antibes
Recebido por e-mail:
Soutien à Jean Leonetti, maire d'Antibes...
Des parents d'élèves
musulmans demandent la suppression de la viande de porc dans les cantines
des écoles d'Antibes. Le maire a totalement refusé, et la mairie a
envoyé une note à tous les parents pour s'en expliquer.
" Pour que les musulmans comprennent qu'ils doivent s'adapter à la France, à ses coutumes, à ses traditions, à son mode de vie, puisque c'est là qu'ils ont choisi d'immigrer.
Pour qu'ils comprennent qu'ils doivent s'intégrer et apprendre à bien vivre en France,
Pour qu'ils comprennent que c'est à eux de modifier leur mode de vie, et non aux Français qui les ont généreusement accueillis,
Qu'ils comprennent que les Français ne sont ni xénophobes ni racistes, qu'ils ont accepté de nombreux immigrés avant les musulmans, (alors que l'inverse n'est pas vrai: les musulmans n'acceptent pas d'étrangers non musulmans surleur sol).
" Pour que les musulmans comprennent qu'ils doivent s'adapter à la France, à ses coutumes, à ses traditions, à son mode de vie, puisque c'est là qu'ils ont choisi d'immigrer.
Pour qu'ils comprennent qu'ils doivent s'intégrer et apprendre à bien vivre en France,
Pour qu'ils comprennent que c'est à eux de modifier leur mode de vie, et non aux Français qui les ont généreusement accueillis,
Qu'ils comprennent que les Français ne sont ni xénophobes ni racistes, qu'ils ont accepté de nombreux immigrés avant les musulmans, (alors que l'inverse n'est pas vrai: les musulmans n'acceptent pas d'étrangers non musulmans surleur sol).
Que pas plus que les autres peuples, les Français
ne sont prêts à renoncer à leur identité, à leur culture, malgré les coups
bas des internationalistes,
Et que si la France est une terre d'accueil, ce n'est pas Aurélie Filippetti et la gauche bobo qui accueille les étrangers, mais le peuple Français dans son ensemble.
Qu'ils comprennent enfin qu'en France, avec, et non malgré, ses racines judéo-chrétiennes, ses sapins de noël, ses églises, et ses fêtes religieuses, la religion doit rester dans le domaine privé, la mairie a eu raison de refuser toute concession à l'islam et à la charia.
Aux musulmans que la laïcité dérange et qui ne se sentent pas bien en France, je rappelle qu'il existe 57 magnifiques pays musulmans dans le monde, la plupart sous-habités, et prêts à les recevoir les bras halal ouverts dans le respect de la charia.
Si vous avez quitté vos pays pour la France et non pour d'autres pays musulmans, c'est que vous avez considéré que la vie est meilleure en France qu'ailleurs.
Posez-vous la question, juste une fois: pourquoi est-ce mieux en France que de là où vous venez? La cantine avec du porc fait partie de la réponse.
A diffuser partout, merci.
Et que si la France est une terre d'accueil, ce n'est pas Aurélie Filippetti et la gauche bobo qui accueille les étrangers, mais le peuple Français dans son ensemble.
Qu'ils comprennent enfin qu'en France, avec, et non malgré, ses racines judéo-chrétiennes, ses sapins de noël, ses églises, et ses fêtes religieuses, la religion doit rester dans le domaine privé, la mairie a eu raison de refuser toute concession à l'islam et à la charia.
Aux musulmans que la laïcité dérange et qui ne se sentent pas bien en France, je rappelle qu'il existe 57 magnifiques pays musulmans dans le monde, la plupart sous-habités, et prêts à les recevoir les bras halal ouverts dans le respect de la charia.
Si vous avez quitté vos pays pour la France et non pour d'autres pays musulmans, c'est que vous avez considéré que la vie est meilleure en France qu'ailleurs.
Posez-vous la question, juste une fois: pourquoi est-ce mieux en France que de là où vous venez? La cantine avec du porc fait partie de la réponse.
A diffuser partout, merci.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
domingo, 10 de agosto de 2014
Islão em autofagia
Na "Palestina" como pelo resto do Médio Oriente onde há pancadaria, está apenas uma coisa em jogo: abater todo o que não segue o Islão. Israel é apenas o alvo que está presente por não ser possível atacarem longe dali. Em África, onde os poderes são fracos, o Islão ataca com o resultado que se conhece.
Não há "causa palestiniana" a não ser na cabeça de tótós. O Hamas está-se nas tintas para os palestinianos porque para eles tudo é carne para canhão ... desde que abatam o infiel e, o infiel, é todo aquele que não segue à risca os preceitos do Islão.
Todo e qualquer muçulmano que se afaste do islamismo radical é equiparado a cães e sofre o mesmo tratamento que os cães.
Entretanto, o Médio Oriente já não é fonte determinante de hidrocarbonetos porque fora dali foram descobertas gigantescas quantidades de reservas um pouco por toda a parte, ao ponto de haver hoje reservas para 500 anos. Já não podendo manipular o preço do petróleo, não há entrada suficiente de dinheiro para alimentar sociedades que se habituaram a viver, directa ou indirectamente, dos proventos da exploração (alheia porque não lhes passa pela cabeça trabalhar). Estão agora no terreno múltiplas guerras, guerrilhas e escaramuças em que cada grupo nata indiscriminadamente para conseguir deitar a mão ao dinheiro que ainda vai entrando.
Depois há os imbecis que debitam as catilinárias esquerdalhas e anti-semitas sem qualquer ligação à realidade. Uns são apenas estúpidos, outros idiotas úteis, outros vigaristas.
...
Não há "causa palestiniana" a não ser na cabeça de tótós. O Hamas está-se nas tintas para os palestinianos porque para eles tudo é carne para canhão ... desde que abatam o infiel e, o infiel, é todo aquele que não segue à risca os preceitos do Islão.
Todo e qualquer muçulmano que se afaste do islamismo radical é equiparado a cães e sofre o mesmo tratamento que os cães.
Entretanto, o Médio Oriente já não é fonte determinante de hidrocarbonetos porque fora dali foram descobertas gigantescas quantidades de reservas um pouco por toda a parte, ao ponto de haver hoje reservas para 500 anos. Já não podendo manipular o preço do petróleo, não há entrada suficiente de dinheiro para alimentar sociedades que se habituaram a viver, directa ou indirectamente, dos proventos da exploração (alheia porque não lhes passa pela cabeça trabalhar). Estão agora no terreno múltiplas guerras, guerrilhas e escaramuças em que cada grupo nata indiscriminadamente para conseguir deitar a mão ao dinheiro que ainda vai entrando.
Depois há os imbecis que debitam as catilinárias esquerdalhas e anti-semitas sem qualquer ligação à realidade. Uns são apenas estúpidos, outros idiotas úteis, outros vigaristas.
...
Continuo
com a forte impressão que o ocidente intervém no Médio Oriente apenas
para restabelecer o equilíbrio das forças em conflito de forma a
perpetuar as múltiplas guerras que, entre muçulmanos, vão estalando por
toda a parte.
Na Faixa de Gaza o ódio ao não muçulmano é corporizado agredindo a única sociedade livre, democrática, ocidental, multi-religiosa que por aquelas paragens existe: Israel.
Na Faixa de Gaza o ódio ao não muçulmano é corporizado agredindo a única sociedade livre, democrática, ocidental, multi-religiosa que por aquelas paragens existe: Israel.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
A tradição ainda é o que era
Por isso, mais uma vez deixo que Alberto Gonçalves fale por mim.
Um verão português
Para um
país cuja actualidade é tão pateta durante o ano inteiro, seria de esperar que
a silly season portuguesa não se distinguisse das temporadas restantes.
Gloriosamente, distingue-se: o nosso Verão consegue elevar o ridículo a níveis
desconhecidos para cá da Venezuela, onde "um passarinho" acaba de
contar ao Presidente Maduro que Hugo Chávez - o "grande profeta" - se
sente "feliz".
Ele é a
passagem à "clandestinidade revolucionária" do Partido da Nova
Democracia na Madeira, embora que se saiba ninguém, incluindo os cidadãos com
direito de voto, persiga a referida agremiação. Ele é a "praia
urbana" no centro de Lisboa. Ele é a "pipa de massa", o termo
técnico utilizado por Durão Barroso para explicar a próxima vaga de fundos
europeus. Ele é o "génio do Euromilhões" que descobriu que a
multiplicação das apostas aumenta a probabilidade de sucesso e nem assim
arranja 500 euros para ir aos EUA apresentar a boa-nova. E ele é o presidente
de uma Federação Portuguesa de Cicloturismo, que quer os automobilistas a pagar
os acidentes provocados pelos ciclistas (ou apenas os acidentes de autoria
duvidosa, as notícias não são claras).
O caso do
senhor José Caetano merece atenção redobrada. Segundo este repentino herói da
classe operária, quem anda de bicicleta fá-lo por falta de dinheiro para um
carro, um passe social ou, lá está, um vulgar seguro de responsabilidade civil
(cerca de 25 euros, pelas minhas pesquisas). Como é que semelhante desgraçado
foi capaz de comprar uma bicicleta é mistério que me escapa. Mas essa não é a
questão levantada pelo senhor José Caetano. A questão é a necessidade de
constatar com urgência que todos os condutores de automóveis são uns nababos
arrogantes e empenhados em estraçalhar os sucessores de Eddy Merckx que se lhes
atravessem à frente. A questão é a presunção da inocência dos que têm menos, ou
dos que aparentam ter menos.
Razão
tinha Enver Hoxha, que por via das dúvidas pôs os albaneses em peso a pedais.
Na falta de regime tão justo, Portugal debate-se com os ressentimentos
decorrentes da desigualdade, os quais levam o milionário do Hyundai a maltratar
o pobre que sprinta na contramão e, para cúmulo, a exigir o arranjo do
pára-choques. No fundo, é a lengalenga do Brecht, do rio e das margens
revisitada. E é a luta de classes em versão Código da Estrada. Certo, certo é
que as massas se agitam e a revolução não tarda. Só se atrasou um bocadinho
porque de bicicleta as massas demoram a chegar.
"Gays" pela Palestina: a sério?
Três mil
pessoas protestaram junto à embaixada de Israel contra a "ocupação
sionista", o "massacre da Palestina", o "genocídio de
Gaza" e o "estado terrorista" que "mata mulheres e
crianças".
Curioso.
Haverá em Lisboa dezenas de embaixadas de regimes de facto terroristas que
ocupam ilegalmente territórios, praticam massacres e arremedos de genocídio e
assassinam mulheres e crianças. Porém, nunca nenhum desses edifícios é
incomodado com aglomerações de ociosos aos gritos. À primeira vista, ou os
indignados profissionais só se preocupam com as vítimas árabes ou com os
"crimes" israelitas. À segunda vista, fica claro que, como as
matanças de sírios, líbios ou palestinianos "dissidentes" não merecem
um resmungo, o problema é apenas com Israel. Deixo à imaginação, ou às
recorrências da história, a tarefa de perceber porquê.
Mas não
falemos de coisas tristes. Na manifestação em causa, além dos lencinhos fedayin
e geral parafernália típica destas pândegas, exibiu-se pelo menos um sujeito
com a bandeira do arco-íris, marca do "orgulho gay". Não imagino nada
tão peculiar quanto a defesa do Hamas através de um símbolo que o Hamas pune
com prisão, tortura e, quando calha, execução. Já que os indignados
profissionais gostam de comparar a invasão de Gaza ao Holocausto, seria o mesmo
que um apoiante de Hitler ostentar a estrela de David nos comícios do
Deutschlandhalle. Seria, não: é.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
E aqui ficam mais 2...
... deste conjunto de 4 crónicas de Alberto Gonçalves:
Língua
geográfica
Em Díli,
Cavaco Silva garantiu que a CPLP se define através da língua e dos direitos
humanos. Nem de propósito, a CPLP estendeu-se à Guiné Equatorial, onde a
democracia é conceito discutível e onde se fala castelhano e dialectos. Mesmo
no site do Governo local o anúncio da adesão foi feito apenas em espanhol,
inglês e francês. Parece que o petróleo - e as pressões de Brasil e Angola -
pesou nesta história. É a economia, estúpidos? Se calhar é, o que significa que
pela primeira vez após anos de lirismo em redor das descobertas a CPLP
descobriu uma razão de existir: a conversa da "projecção do
português" era muito linda para juntar em cimeiras sujeitos que gostam de
se juntar em cimeiras. Mas só.
Por pueril que soe dizê-lo em 2014, nem uma língua se
"projecta" nem o seu peso depende de decisões políticas. O inglês não
se tornou a língua franca dos nossos dias por decreto, e sim por causa da
televisão e do cinema americanos, da música popular anglo-saxónica e da
concentração das grandes empresas de informática na costa oeste dos EUA, que
levam um fedelho a fazer search, download e convert antes de aprender a
escrever "o popó da titi". Adicione-se, para os eruditos, o domínio
do cânone literário contemporâneo, de Dickens ao "assimilado"
Nabokov, de Fitzgerald a Bellow, e tem-se tudo aquilo que o português não tem e
não terá. A pertinência dos escritores não aumenta ao enfiá-los no Panteão.
É grave? É assim. Os alemães, que em certo sentido (e apenas em
certo sentido) possuem uma língua mais "restrita" do que a nossa, não
se queixam. Os escandinavos, que comunicam em código cifrado, também não. E,
coitados, vão vivendo, ao contrário dos guardiões oficiosos do português, que
sofrem brutalmente com a respectiva insignificância. Em Setembro decorrerá em
Brasília o Simpósio Linguístico-Ortográfico da Língua. O presidente da Academia
de Letras lá do sítio publicou há dias um texto alusivo. O texto está repleto
de locuções de sacristia e de erros primários, que ainda ninguém corrigiu. Em
lugar de "projectar" o português, talvez fosse preferível escondê-lo.
Juventude inquieta
Com a excitação motivada pelos erros ortográficos de uma deputada
socialista num texto do Facebook, ninguém reparou na publicação, já lá vão uns
tempos, do novo romance de outra deputada socialista. Ninguém, ou quase
ninguém, que o atento blogue Malomil
fez há dias a indispensável recensão crítica de Apátrida, a obra com que Isabel Moreira demonstra aos escassos
cépticos restantes que um assento parlamentar não só não é incompatível com o
QI de Forest Gump como tal QI parece ser critério de admissão.
(imagem retirada de http://malomil.blogspot.pt)
Sobre o conteúdo de Apátrida,
encaminho os curiosos para o blogue citado, acrescentando apenas que não
consumo produtos alegadamente literários que incluam pérolas como:
"unilateralidade sem dolo", "esmurra o vomitado nas casas de
banho" e "fumei três ganzas e bebi uma garrafa de vinho tinto",
embora a combinação de estupefacientes com o álcool justifique plenamente que
se escreva assim. A mera frase "deus a mijar-se de medo pelas pernas
abaixo" (limito as citações às transcritas no Malomil) resume a essência da coisa: uma adolescente com corpo de
adulta e cérebro de criança convence-se de que, se enfileirar muitas letrinhas
num ecrã de computador, obtém algo similar a um pequeno livro. Se encher o
livro com o tipo de patetices usadas pelos petizes para maçar os parentes,
consagra-se junto de 12 semianalfabetos como autora "irreverente". Há
imensos irreverentes do género por aí, com sorte enclausurados nas EB 2/3. Com
azar, habitam os auditórios das Fnac e o Parlamento. Antes de escrever livros,
a Dra. Isabel devia experimentar ler pelo menos um.
domingo, 20 de julho de 2014
Das aventuras do Pato Donald
A cada semana, António Costa revoluciona a ciência económica.
Primeiro foi a tese de que a riqueza é preferível à austeridade, inovadora
aplicação na macroeconomia do princípio de Maria Antonieta. Depois, descobriu
que o problema não é o excesso de licenciados, mas a falta de empregos para
licenciados (criam-se os empregos e a chatice fica resolvida). Agora, explicou
a uma embevecida plateia de sindicalistas que "não há crescimento
sustentável com endividamento, mas também não há crescimento sustentável com
empobrecimento", sentença que se comenta sozinha.
Se
não se aproximassem as férias, o Dr. Costa ainda estaria a tempo de dizer que:
1) o investimento público é melhor do que o privado excepto nos casos em que o
investimento privado é melhor do que o público; 2) o Estado social é
sustentável desde que saia baratinho aos cidadãos; 3) Portugal não deve sair do
euro enquanto os euros entrarem em Portugal; 4) pelo menos na perspectiva dos
destinatários, os salários altos são preferíveis aos salários baixos; 5) o Pato
Donald é um boneco.
Brincadeiras
à parte, o que é isto? Não é de agora que Portugal não se pode queixar em
matéria de produção de políticos absurdos. Mas entre as nulidades sem uma ideia
na cabeça e o Dr. Costa, em cuja cabeça fervilham centenas de ideias
desconchavadas, vai uma diferença considerável. Já nem falo da tentativa de
vender o homem a título de salvador da pátria: falo do homem propriamente dito
e da deprimente comparação com aqueles a quem sonha suceder. Ao pé do Dr.
Costa, Passos Coelho passa por um modelo de estadista, Sócrates por um sujeito
quase ponderado, Santana por um governante responsável, Barroso por um gigante
do pensamento, Guterres por um paradigma da racionalidade financeira e Cavaco,
ele sim, pelo salvador da pátria que nunca foi. Perante o Dr. Costa, até o
jovem António José Seguro parece habitar o mesmo planeta que os restantes mortais.
Em
suma, o Dr. Costa é um embaraço ambulante. Logo, provavelmente será depois do
Verão o líder do PS e, se os amigos o mantiverem calado entretanto, hipotético
primeiro-ministro no ano que vem. Um pessimista vê à distância e, na lógica do
"depois de mim virá", tende a imaginar que espécie de calamidade pode
aparecer ao País após o Dr. Costa. Um optimista desconfia que, após o Dr.
Costa, é improvável haver País.
Em geral, tendemos a pensar no Bloco de Esquerda enquanto uma
agremiação divertida. Dispõe bem contemplar à distância os movimentos de
grupos, subgrupos e facções de um único indivíduo que diariamente abandonam
esse partido moribundo a caminho do PS e das carreiras com que o PS, sobretudo
o PS do Dr. Costa, lhes acena. O facto de todos os fugitivos se desculparem com
a necessidade de "contribuir para convergências à esquerda" torna a
brincadeira hilariante. O pormenor de todos se esconderem atrás de siglas,
organizações, princípios e estatutos solenes eleva a brincadeira ao nível da
grande comédia.
Ocasionalmente,
porém, um pedacinho da realidade irrompe para nos lembrar da natureza do BE, e
de que esta não é só galhofa. O Médio Oriente, por exemplo. Bastou Israel reagir
aos constantes ataques sofridos a partir de Gaza para o BE vir falar em
"banho de sangue" e propor as sanções económicas do costume. E o
costume inclui o desprezo do BE face a um Estado civilizado e a simpatia pela
barbárie mais à mão. O costume é o BE negar as "causas" que lhe
valeram 15 minutos de fama em favor do seu exacto reverso.
O
ódio aos ricos? Os líderes de Gaza passeiam-se em aviões de luxo e apascentam
fortunas em contas offshore. Os direitos LGBT? Em Gaza a homossexualidade é
punida por lei e os seus praticantes fogem da tortura rumo a uma certa nação
vizinha. A igualdade de género? A islamização do território reduz as mulheres a
um pechisbeque silencioso e reprodutivo. A violência doméstica? Calcula-se que
mais de metade das mulheres locais seja espancada pelos maridos pelo menos uma
vez por ano - tradicional e recatadamente. E há as restrições às artes e à
internet. O racismo oficial. A imposição violenta da "virtude". As
conversões forçadas de cristãos. E, numa prática que o BE lamentará não se usar
por cá, o fuzilamento de dissidentes.
Sob o
verniz da trupe burlesca e as mesuras progressistas para consumo dos simples, o
BE, o que parte e o que resta, é essencialmente isto: criaturas avessas à
democracia que usam o sistema democrático para ganhar a vida. Darmo-nos ao
trabalho de as distinguir é tão inútil quanto perguntar-lhes porque é que a
indignação que Gaza lhes suscita não se estende à Síria ou ao Egipto. Ou porque
é que só nas recentes implosões eleitorais descobriram intolerante um partido
que nunca foi outra coisa. Ou porque é que, em suma, se confere relevância
pública a declarados ou dissimulados inimigos do público.
Desde os 10 ou 11 anos que não leio banda desenhada, incluindo
aquelas de super-heróis. Se lesse, não as reconheceria. Ao que consta, Thor (o
semideus escandinavo com martelo de São João) é agora uma mulher. E o Capitão
América vai ser preto, perdão, afro-americano. Mas, informam os autores da
mudança, não será um afro-americano qualquer, e sim "um homem moderno em
contacto com os problemas do século XXI". Isto é, o novo Capitão América
"terá uma maior empatia com os mais desprivilegiados" já que, cito,
"foi assistente social". Apetecia-me deixar um comentário sobre a
terminal idiotia do nosso tempo. Porém, enquanto o Homem-Aranha não for
"transgénero" e Hulk não acumular as aventuras com a presidência de
um observatório, julgo ainda haver esperança.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Ventos político-financeiros
Não consigo perceber a insistência histérica do PCP em exigir a nacionalização do BES.
Ou será que percebo...?
terça-feira, 15 de julho de 2014
Portugal por...
... Alberto Gonçalves:
Contracultura
Não vou mentir: houve um momento em que quase
duvidei da capacidade de António Costa para regenerar o País. A culpa não é
minha. Sucede apenas que, de tanto se habituar a políticos medíocres, uma pessoa
sente dificuldade em distinguir a grandeza à primeira vista. Porém, à segunda
não falha.
A minha epifania com o Dr. Costa aconteceu no dia
em que li o manifesto "A Cultura apoia António Costa", e reforçou-se
no dia em que o Dr. Costa se reuniu com "centenas de intelectuais"
disposto a demolir convenções caducas. Em situação de crise, o populista comum
falaria do desemprego e prometeria trabalho, falaria da dívida e prometeria
crescimento, falaria dos pobres e prometeria compaixão. E melhor saúde e justiça
mais equitativa, e educação mais capaz. O Dr. Costa ignorou estas palermices,
foi directo ao que de facto importa e prometeu um Ministério da Cultura. A
casa, no caso o Mercado da Ribeira, em Lisboa, veio abaixo - felizmente em
sentido figurado.
Confesso que me rendi naquele momento. Não faz
sentido pensar em distribuir benesses aos pobres ou à classe média sem antes
assegurar que os intelectuais recebem a sua parte do bolo. Nas palavras, sempre
belas, da escritora Lídia Jorge, "o sector cultural é um pulmão do corpo
social", e ninguém de boa-fé deseja que Portugal sufoque. De que serviria
uma economia pujante (as pernas da sociedade) ou o equilíbrio das contas
públicas (os cotovelos) se a Cultura, com gigantesco C, agoniza com enfisema
por falta de intervenção estatal? Dito de outra maneira, de que nos vale uma
nação próspera em que a dona Lídia carece dos estímulos necessários à
respectiva obra?
E quem diz a dona Lídia diz qualquer um dos
intelectuais empenhados em consagrar o Dr. Costa, os quais, por definição,
sabem aquilo que nos convém a todos. Se Virgílio Castelo recomenda o Dr. Costa,
para mim chega. E se Luís Represas também o faz, para mim sobra. Eu quero estar
onde estão Paco Bandeira e Tomás Taveira, Io Apolloni e Maria do Céu Guerra,
Nicolau Breyner e Isabel Alçada, o Sr. Júlio do cavaquinho e António Mega
Ferreira, Diogo Infante e Júlio Pomar. Por que carga de água duvidaria da
superior percepção, face aos mortais, do realizador João Canijo e da fadista
Mísia? Haverá alguém suficientemente burgesso para questionar o caminho
apontado por Ana Zanatti e Alice Vieira?
Agora a sério. O ódio da "Cultura" à
independência e à liberdade, passe a redundância, talvez não seja tão grande
quanto o desprezo pela sociedade que diz ajudar a respirar. Ainda assim, não
sei o que é pior, se a desmesurada presunção dos vultos citados, se a
possibilidade de no eleitorado haver uma quantidade significativa de gente
influenciável pelos vultos. Caso a haja, merece tudo de mau, incluindo a
Cultura dos simples e o Dr. Costa.
O regresso das caravelas
Antes do jogo do Brasil com a Alemanha, um
colunista do jornal Globo acusou a Presidente indígena de usar o Mundial de
futebol como indicador do sucesso do seu Governo. Não sei quem vive mais fora
da realidade, se o colunista se a dona Dilma. Em matéria de
"projecção" internacional, realizar um evento daquelas dimensões no
Brasil foi uma ideia tão luminosa quanto fazer um filme promocional de Dresden
em 1945. Ao começar por chamar a atenção para a bola, o Mundial acabou a chamar
a atenção para o resto: a miséria, a violência, a repressão, o caos, o atraso,
a corrupção e uma economia que, há um par de meses, o responsável de um banco
dinamarquês considerou a pior entre as dezenas de países que visita anualmente.
Aparentemente, a ideia, típica dos populismos
latinos e de dois ou três regimes do hemisfério norte, era a de que o êxito
desportivo disfarçaria o desastre fora do desporto. Ao que consta, o Brasil
levou com sete golos e cada um ajudou a realidade a aproximar-se da superfície:
o campeão mundial dos fracassos (cito de novo o Sr. Steen Jakobsen) conquistou
mais um triunfo. E, se reeleger uma criatura com o esclarecimento e a seriedade
da dona Dilma, não ameaça perder o título nos próximos tempos. Os tumultos e as
lágrimas posteriores à goleada sugerem que a realidade local, submersa em doses
variáveis de ressentimento e sentimentalismo, continua a ser um mistério para
os autóctones.
E para muitos estrangeiros também. Numa daquelas
rajadas de inanidades que alegram o dia de qualquer um, o sociólogo Boaventura
de Sousa Santos apareceu a explicar que a União Europeia "morreu com a
crise grega" e que Portugal e a Europa devem procurar "alternativas,
olhando para o Sul global". Ao cuidado dos que já desataram a rir, informo
que o melhor ainda vem aí. Ei-lo: é urgente um "regresso das
caravelas", com uma "política renovadora de conhecimento", em
busca da "inovação e das experiências de luta e de resistência do
Sul".
Traduzido em português menos alucinado: a Grécia
(e Portugal) arruinou-se, logo há que encobrir as causas da ruína - em suma o
excesso de estatismo, a inépcia e a trafulhice - e proclamar a falência do
projecto europeu, que por sua vez abre as portas à aprendizagem com calamidades
em forma de nação, do Brasil à Venezuela, da Bolívia ao Uruguai. Num ápice, os
gregos (e os portugueses) ficariam com saudades da penúria vigente, mas
sofreriam uma penúria terminal arquitectada pelo Dr. Boaventura, obviamente um
consolo. No fundo, dado que o prestígio dos idiotas aumenta em função da
desgraça alheia, trata-se de convencer os alcoólicos a acrescentar ao currículo
os prazeres do jogo e da cocaína.
Em princípio, é improvável que um adulto diga
estas coisas a sério. Sucede que, no Sul das "alternativas", milhões
de adultos não só dizem coisas similares: pensam-nas e votam em conformidade.
Não admira que o Sul desperte a inveja da Terra. E não admira que, numa
prolongada vénia ao absurdo, o Dr. Boaventura arrisque um comentário sobre a
selecção portuguesa, que acha "o espelho do País: sem soberania e sem
aspirações". Miremo-nos, pois, no Brasil. As caravelas estão prontas?
O que é preciso é saudinha
Só um coração empedernido não se comoveria face à
greve dos médicos, sempre a zelar pelo bem-estar dos utentes. No Telejornal, um
utente particularmente felizardo explicava que fizera 70 quilómetros para uma
consulta que, afinal, não houve. Como ele, muitos viram as consultas adiadas ou
canceladas. Aos mais afortunados aconteceu o mesmo com as cirurgias.
Em Portugal, morrem por ano cerca de três mil
pessoas por negligência médica ou, para usar um termo brando, por "evento
adverso". A Deco calcula que 60% dos portugueses receiam ser vítimas de
erros médicos e que 58% já se queixaram formalmente dos ditos. Não é preciso
ser sobredotado para perceber que um simples dia de greve reduz em 1/365
semelhante flagelo, que um mês e pouco de greve reduziria o flagelo em 10% e
que uma greve permanente e ininterrupta acabaria com o flagelo de vez.
Quando se acusa a classe médica de
corporativismo, esquece-se que nenhuma outra corporação assumiria com tamanha
frontalidade as próprias limitações e falhas. E quando os médicos dizem que a
sua "luta" é em defesa da nossa saúde, não estão a brincar. Até porque,
é sabido, com a saúde não se brinca.
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