quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Força do FMI



Acabei de saber que, mais uma vez, coisa que começou a seguir ao 15 de Setembro se a memória não me falha, Portugal se financiou nos mercados a juros muito baixos, menos de metade do que paga à troika. Juros inexplicavelmente baixos, muito inferiores ao que paga qualquer depósito a prazo.

Como entender isto?

Os nossos prolixos e esclarecidos comentadores económicos nem referem o assunto.

Uma hipótese é que estão com medo que Portugal mande a Europa às urtigas e apressam-se a "amaciar-nos" para que não entornemos o caldo que lhes tem sido tão proveitoso.

Outra é a de que estão a tentar convencer-nos a regressar rapidamente aos mercados, que estão tão apetitosos, para depois voltarem a subir os juros, porque isto da troika está a estragar-lhes as perspectivas de juros usuários

Mas há ainda uma terceira hipótese, para a qual me inclino: é a mão do FMI

Quem vir aqui o que diz a Lagarde, encontra um discurso completamente diferente. Afinal o problema são os bancos, o sector financeiro, as suas más práticas, que têm de ser corrigidas; é preciso cair em cima deles.

Quanto aos países, têm é de crescer, qual austeridade qual carapuça.

Os planos da Merkel vão por água abaixo. Afinal, quem manda é a Lagarde.

Mais uma sugestão para a recepção à Merkel: cartazes com a foto da Lagarde e do Hollande.

Nigel Ferage


domingo, 14 de outubro de 2012

República Socialista dos Açores

Obviamente que a região mais subsidiada do país tinha de votar novamente num socialista. O presidente do Governo Regional agora eleito continuará o trabalho do anterior: distribuir pela população local o dinheiro que parte dos seus eleitores nem sabe de onde vem. Num sistema destes é impossível a um não-socialista ganhar qualquer eleição, ainda para mais quando não há um único na corrida eleitoral.

Subscrevo!



(imagem obtida aqui)


Clicar aqui, para ler todo o texto (via Lisboa-Telaviv) :

"O que está em curso é uma guerra em todas as frentes, usando todas as armas, para derrubar o Governo, com pretextos inventados e criteriosamente plantados nos órgãos de comunicação social, quase todos eles ao serviço da estratégia restauracionista empreendida pelos privilegiados do regime que agora veem o chão a fugir debaixo dos pés. O mote dessa gente é apenas um: antes destruir de vez o país do que assistir ao fim dos privilégios incansavelmente acumulados pelos donos do regime ao longo dos últimos 38 anos."

Portugal é inconstitucional

No Portugal contemporâneo:

Cortar na saúde é inconstitucional
Cortar na educação é inconstitucional
Cortar na segurança social é inconstitucional
Aumentar os impostos, para não cortar na saúde, educação e SS, é inconstitucional

Saudade vai-te embora



O futuro? Está no prego. Basta pagá-lo. Mas já têm idade para saber quem tem a cautela.

Joel Costa: A última crise do sebastianismo português

A "revolução" das batatas fritas

Que me desculpe aqui a malta mas as conversas resultam como as cerejas e daí (17 de Fevereiro de 2011) ...

A propósito da leviandade com que "os portugueses" são hoje metidos em qualquer saco, e de como milhares se tornam centenas quando não passam de dezenas ...

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"Os" franceses, "os" egípcios, "os" alemães, "os" portugueses ...

Hoje foi "os" belgas. "Os" belgas manifestaram-se contra os políticos por não haver governo na Bélgica há uns 250 dias (incluindo a totalidade da presidência belga da UE).

Quem eram "os" belgas (RTP-1)? Meia dúzia de bezerros e bezerras que se despiram na via pública em "revolução". A estupidez militante chegou ao extremo da coisa ser candidamente veiculada como "revolução" das batatas fritas.

No Egipto, local de uma das "revoluções", "os" egípcios não esperaram pelas batatas fritas e trataram de despir uma jornalista. Se isto acontecesse em Portugal tratar-se-ia de uma horrenda investida de reaccionários machistas latinos. No Egipto, é coisa de cultura alternativa, naturalmente compreensível.

E de onde vêm "os"? Da comunicação social como um todo. A comunicação social está nas mãos de jornalistas aparvalhados, cretinos, esquerdalhos, burros, propagandistas, moços de recados, militantes do "activismo" e estúpidos (desculpem alguns pleonasmos mas tem que ser).

A RTP está a ser alimentada, anualmente, com 300.000.000 de Euros sugados ao bolso do contribuinte (quase 200.000 contos por dia).

....

Desculpem haver poucas fêmeas na imagem mas não encontrei outra. Em boa verdade parece haver apenas 1 fêmea. O resto parecem ser gajos ou híbridos.

Paródia com o 5dias

[A propósito de artísticas reclamações de artistas encartados em sugar o contribuinte, e sem licença do JC transcrevo ... (Outubro de 2007)]

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Em 1996, Alan Sokal, professor de Física na Universidade de Nova Iorque, fez publicar na respeitada revista Social Text, um artigo com o estranho título “Transgredir as fronteiras: para uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica”, uma paródia basicamente feita de citações disparatadas dos mais proeminentes filósofos franceses do pós-modernismo, nomeadamente Lacan, Kristeva, Irigaray, Latour, Baudrillard, Deleuze, Virilio, etc.
Nas revistas científicas de referência, nenhum artigo é publicado sem peer review, isto é, o artigo tem de ser validado pela comunidade científica, através da apreciação pelos pares, dois ou três especialistas que desempenham o papel de referees e que basicamente funcionam como advogados do diabo, analisando o artigo sob todos os pontos de vista, para detectar incorrecções e erros.
O hilariante artigo de Sokal, foi aceite à primeira.
O que caracteriza os textos dos filósofos citados, é a mistificação e a linguagem deliberadamente obscura e impenetrável, construída com rendilhados retóricos que exibem uma erudição superficial, lançando palavras eruditas e malabarismos de forma, à cara dos leitores.
O objectivo desta intoxicação é impressionar e intimidar, dissuadindo a crítica ao vazios dos conteúdos, pelo conhecido síndroma do "Rei vai nu".
A que propósito vem isto?
Como é sabido, o blogue 5 dias é um dos meus sacos de treino.
E um destes dias dei de caras com um personagem que se chama Ezequiel, fértil em pendantismos deleuzianos e que ali posta sob o alto patrocínio de Nuno Ramos de Almeida.
O poste Ezequiel-um-aspecto-do-liberalismo-contemporaneo, é um exemplo do tipo de linguagem deliberadamente obscura que Sokal denunciou.
Quem for lendo os comentários, há-de reparar na verdadeira orgia de absurdo que se espraia por ali abaixo, como se os comentaristas (sempre os mesmos cromos) se encorajassem um ao outro em apoteose masturbatória.
Os únicos textos escritos em linguagem clara, e que se entendem, são os de David Mestre, que tenta desesperadamente encontrar naquele abuso polvilhado de terminologia “sábia”, alguma consistência que possa ser discutida.
Em vão...

Resolvi então fazer uma experiência e intervim com o nick “Mostrengo”, debitando também frases completamente ocas, e apologéticas, algumas delas retiradas do artigo de Sokal.
Nada do que ali escrevi, faz qualquer sentido, é um mero amontoado de palavras e frases que parodiam a retórica do Ezequiel e do Ondevaisrio.Como exemplos do completo no sense, escrevi coisas como

O meu objectivo, ao citá-lo, é uma tentativa metodológica de prolongar a desconstrução derrideana, aplicando-a numa hermenêutica totalizante.”
"Na minha opinião, o movimento dialógico em direcção à redefinição dos sistemas, à visão do mundo não apenas como uma totalidade, mas também como uma série de sistemas (comunidades) em competição, um mundo unido pelas tensões entre os diversos interesses naturais do homem, oferece um relance sobre a contaminação liberal que condiciona o social, profundamente marcada ainda pela sua origem na crise das relações de produção do capitalismo tardio."
"Na verdade o real não é assombrado pela sua própria unidade, mas pelo plano de referência constituído por todos os limites ou fronteiras através das quais confronta o caos."

"Mas enfim, isto é apenas uma ideia minha, exploratória, e não me atrevo ainda sustentá-la para lá dos círculos virtuais da ideia."
Como eu previa, o Ezequiel, se bem que aqui e ali franzisse a sobrancelha (o que demonstra que não é estúpido) foi incapaz de perceber a paródia e reconhecer que não percebia patavina do que eu tinha escrito.
No fundo sucumbiu ao síndroma do "Rei vai nu".
Eis algumas das suas respostas:

"Mostrengo . Muito interessante. Acho que deves optar pelo atrevimento"

"Sim, um grande trabalho teórico. Monumental, diria eu. Comentários muito interessantes.
obrigado, ezequiel"

"O real reflecte e codifica as ideologias dominantes e as relações do poder da cultura, dizes tu, caro Mostrengo. E assim geraste uma inteligibilidade: Poder, cultura e ideologias… a fine construction! "
Em resumo uma pequena demonstração de que o nada, desde que devidamente enfarpelado em retórica, passa por inteligência em determinados círculos da esquerda. E eis como, tendo escrito um amontoado de bostadas completamente esféricas, sem ponta por onde se lhe pegue, gerei "uma inteligibilidade...uma fine construction".

À laia de moral da história, fiquemos então com um comentário de Richard Dawkins (o dos memes, do gene egoísta, do ateísmo militante), à paródia de Sokal:

“Existe linguagem concebida para ser ininteligível, de modo a ocultar a ausência de verdadeiro pensamento”
 
P.S. Como é evidente, desvendei a paródia no próprio blogue "5dias". Num hino à amplas liberdades de expressão, o comentário esteve lá durante algum tempo, mas foi pressurosamente apagado, quando se aperceberam do ridículo.
Esta malta detesta que lhe descubram a careca...
Posteriormente, a própria Fernanda Câncio explicou que o comentário tinha sido apagado "por engano" e, aquele tom enfastiado que adopta quando a conversa não lhe agrada, explicou que poderia colocá-lo novamente.
O que fiz.
À segunda ficou!

Dependência

[A propósito de me parecer que os novos condes andam nervosos, lembrei-me desta, saída de 2005.]

Uma das bandeiras da esquerda portuguesa dos anos 70 consistia na promoção da emancipação do homem (leia-se proletariado - homem do povo). Era um movimento que pretendia retirar à direita alguma base de sustentação, minando a tradicional relação entre senhor e servo.

Quando era criança lembro-me, que na zona onde vivia havia dois condes. Um deles ainda o avistava de vez em quando. O outro, nunca lhe pus a vista em cima.

O conde habitava uma casa enorme, tinha vastos terrenos, tinha vida de burguês. Os que para ele trabalhavam habitavam casas modestíssimas, trabalhavam de sol a sol, verão ou inverno, chovesse ou não, geasse ou não, e não recebiam se não trabalhassem. Caso ficassem durante algum tempo sem trabalho, valiam-lhes as galinhas, os perus, os coelhos que iam criando.

Eu vivia com avós reformados, e, por essa via, tinha uma vida de mais qualidade do que os meus colegas da primária. A maioria deles (6 a 10 anos), vindos da escola (que só ocupava umas 4 horas por dia), trabalhava nas fainas da casa apanhando erva, alimentando os animais, mudando a cama dos animais, etc. Um trabalho que hoje seria absolutamente inaceitável, mas que era o dia a dia há cerca de 40 anos. O meu caso não ia além da pastagem de perus. Tendo presente a fome do tempo da guerra que nos era relatado pelos mais velhos, o meu trabalho e o dos meus colegas não passavam de uma brincadeira face ao que os anciãos contavam.

A vasta maioria dos meus colegas da primaria não passou da 4ª classe. Eu pertenci a um pequeno grupo de meia dúzia de bafejados que fizemos os exames de admissão à escola técnica e liceu (que corresponderia hoje a um exame de admissão no segundo ciclo do ensino básico).

Voltando à carga inicial, sentia-se muito directamente o peso da instituição “condes”.

Os condes não seriam parvos de todo. Penso não estar longe da verdade se disser que haveria uma deferência respeitosa destes face aos trabalhadores. Essa deferência não chegava evidentemente ao ponto de os tornar plenamente sensíveis face às dificílimas condições de vida dos trabalhadores da zona, mas esses trabalhadores sentiam-se, de alguma forma, que eram tratados com alguma deferência pelos condes. Talvez o sentissem por se lembrarem dos idos ...

Com o 25 de Abril espalha-se o vírus da emancipação do homem. Penso que muita gente ficou em pânico de ambos os lados da barricada. Os condes por razões óbvias. Mas também muitos trabalhadores sentiam que as novas ideias de emancipação os deixariam órfãos ... mais vale o diabo que se conhece ...

Os tempos passaram e nalguns casos mais noutros menos, a emancipação teve lugar e a influência dos condes esbateu-se.

Eram tempos em que uma direita mais ou menos caceteira queria perpetuar esta relação paternalista/exploradora com o trabalhador.

A esquerda, regra geral, acabou, nesta matéria, sendo bem sucedida, e, em abono da verdade também muita direita, mais ou menos burguesa mas mais civilizada, acabou por alinhar numa relação mais bem nivelada com a generalidade dos proletários de então.

Evidentemente que o filme que acima recordo espelha, se as minhas faculdades de percepção não falham (ou falharam) uma realidade local, bastante limitada no espaço e no tempo.

Mas suponho que seja suficiente para abordar problemas relativos à dependência.

Sou capaz de não estar muito baralhado se afirmar que a maioria da população de Portugal desenvolve alguma espécie de mecanismo de dependência, face a alguém ou a algo. Não sei se não será, simplesmente, um mecanismo semelhante à dependência que, desde tenra idade, todos tendemos a manter, durante pelo menos a menoridade, com nossos pais. A verdade é que me intriga a dependência que a maioria dos portugueses parecem demonstrar, e que me parece doentia, a futebol, telenovelas, reality shows e outros programas de elevada toxicidade, música pimba, chunga, de encher pneus ou penicos, até dependência religiosa face a alguns comportamentos que suponho serem algo aberrantes.

Depois do sucesso que a esquerda obteve na dinamização da auto-emancipação do proletário, suponho que aquilo que então se esperava vir a ter lugar, a evolução no sentido do assumir de uma identidade de cidadão, veio a revelar-se um processo frouxo.

Enquanto por um lado a generalidade da população se foi emancipando face às dependências reinantes no panorama pré 25 de Abril, por outro foi aderindo aos vários tipos de dependências já antes referidas. Se muito embora as implicações dessas novas dependências tenham pouca relação às anteriores, elas têm fortíssimas implicações indirectas no nível cultural de todo o país.

Por nível cultural não entendo saber quantos cantos têm os Lusíadas, mas cultura em relação a todos os campos das letras e ciências.

Estando consciente de que, apesar de tudo, o nível global cultural (médio) sofreu uma melhoria, suponho que não terá sido suficiente para que tenhamos podido acompanhar o ritmo (para já não falar em aproximarmo-nos) dos restantes países da Europa.

Voltando à dependência, suponho que a globalidade da esquerda, não sei se consciente ou inconscientemente, se tenha deixado lentamente escorregar para a dinamização de um mecanismo em que passou a defender a elevação do estado à posição de tutor do cidadão comum.

Para alguma esquerda sindical, especialmente após a queda do muro de Berlim, este mecanismo revelou-se capaz de auto-sustentar a promessa de um estado de coisas em que, por um lado, um estado cada vez mais omnipresente e “zelador” passa a poder justificar a sua própria dimensão, e por outro, promete e ensaia um cada vez maior papel de tutor do cidadão comum. Este comportamento é particularmente notório no ensino, (elevado a educação, tal a fúria tutorizante), segurança social, e para com os cidadãos mais desprotegidos. Este comportamento para com o ensino não é inocente. Ele pretende garantir a “sustentabilidade” do estado de coisas.

Tudo isto conduziu o estado a assumir uma relação paternalista para com o cidadão ao arrepio de uma saudável relação adulta, de cidadão emancipado, a caminho do exercício de uma salutar cidadania.

Tal como fazem os adolescentes mal criados para com os progenitores, temos todo um país a insultar o estado e a exigir dele, simultaneamente, tudo e mais alguma coisa. E os governos, venham lá de onde vierem, mesmo que se apercebam do problema, nem sabem para onde se hão de virar.

Suponho que o estado de coisas em França tenha algum grau de paralelismo com o que escrevo porque é exactamente ali que parece morar a mais infinita fé no estado social “à moda da Europa” – dizem os seus defensores embora suponha que uma boa parte dela não alinhe pelo disparate.

Pelo saneamento básico nacional

 No Estado Sentido:


Portugal está podre. E está podre não só pela acção dos carrascos da nossa autonomia nacional, como pela omissão de todos os restantes. Em especial, de todos aqueles envolvidos na academia e na política, pilares fundamentais de qualquer democracia saudável. Já nem falo da qualidade do sistema de ensino. Refiro-me apenas à generalidade dos indivíduos que em maior ou menor grau controlam verdadeiramente estes dois círculos. Há académicos e políticos "bons", isto é, que independentemente do seu trabalho, são genuinamente boas pessoas, íntegras e honestas? Há, mas geralmente não são actores relevantes no controlo dos respectivos sistemas em que actuam. Os que verdadeiramente controlam, na sua generalidade são medíocres e mal formados. Portugal transformou-se num imenso esgoto onde a putrefacção tornou o ambiente irrespirável. Mas isto aconteceu não só pela acção destes ignóbeis indivíduos, mas também pela omissão dos restantes, e por estes compactuarem, ou melhor, compactuarmos, com aquilo que muitos de nós sabem que acontece, que é injusto, que é errado, mas contra o qual ninguém diz nem faz nada - sabendo-se que quem por aí envereda normalmente acaba em maus lençóis. E porque compactuámos e compactuamos com estas coisas, era apenas lógico que se tornassem dominantes e normais na sociedade portuguesa. Perdeu-se completamente o sentido de justiça em Portugal. O país é um enorme esgoto de corrupção, que começa no Governo e na Assembleia da República, qualquer Governo e qualquer Assembleia da República, e perpassa todo o aparelho estatal, o funcionalismo público, as autarquias e as universidades. A democracia portuguesa não se vai reformar, não só porque aos controladores do regime não interessa que se reforme, mas também porque nem sob protectorado, em estado de necessidade, se conseguiu reformar, já que o memorando de entendimento com a troika não tem sido cumprido no que à reforma do estado diz respeito. A III República já morreu, mas o seu óbito ainda não foi declarado. O regime vai implodir, mais cedo ou mais tarde. A quem eventualmente leia isto, digo apenas que não só não estou em Portugal, como provavelmente não estarei quando o regime implodir. Mas quando isto acontecer, se os portugueses e portuguesas, homens e mulheres livres e de boa fé, quiserem regenerar Portugal através de um regime assente nos princípios da liberdade e da justiça, que não compactue com aquilo que apodreceu a III República, contem comigo, naquilo que possa ser a minha parca contribuição para um futuro mais digno para todos os portugueses que aquele que actualmente enfrentamos. Tenham bem presente apenas isto: não se conseguirá empreender tal projecto se os senhores feudais que controlam actualmente o país forem mantidos no poder, nas estruturas que já referi. Sem um saneamento básico nacional, esta empresa estará falhada à partida.

sábado, 13 de outubro de 2012

Justiça vai sendo feita - Sobre o Poeta C.Ronald‏




Caras/os amigos/as e confrades

  Numa carta de 2007 endereçada ao autor de As Origens, livro com que em 1971 iniciou a sua Obra que hoje conta 16 títulos de primeira água, escrevi o seguinte: "C.Ronald é hoje por hoje um dos poetas que verdadeiramente contam a nível mundial.(...) é um dos poucos no Brasil a quem de facto assentaria bem o Nobel, entendendo-se por este galardão algo que seja muito alto e muito sério".

  Disse-o nessa altura numa carta e, depois, tive mesmo o ensejo de o publicar tanto no Brasil como em França, na Argentina, em Espanha, nos EUA e mesmo em Portugal. Numa dessas vezes recordei a ocasião em que, sendo um devotado leitor da biblioteca Calouste Gulbenkian, contactei pela primeira vez com alguns poemas seus - os únicos que durante muito tempo estiveram editados em Portugal - inseridos numa antologia de poetas brasileiros contemporâneos arrolada por autor luso.

  Ultimamente, pela mão da Bernúncia Editora (Florianópolis, Estado de Santa Catarina) saíu a colectânea Bichos procuram buracos em paredes brancas, tomo de quase 500 páginas abrangendo poesia, teatro e textos de grandes autores mundiais traduzidos por CR, que recebeu na Revista do TriploV nº 31 um magnífico ensaio de Maria Estela Guedes, sucedendo-se a um outro, também esclarecedor e certeiro, da autoria de Renato Suttana dado a lume no nº 17 da mesma e num dos números da Agulha, a justamente conceituada revista que recebeu o Prémio António Bento por ter sido num dos anos o mais importante veículo cultural do país irmão.

 Na colectânea, em apresentação inserida numa das badanas (orelhas), diz Ledo Ivo (outro nobelizável por razões justificadas e considerado autor "essencial" pela Academia Brasileira de Letras: "Caro amigo e poeta C.Ronald - Foi numa casa rodeada de florestas e montanhas que li o seu "Caro Rimbaud". Foi num espaço de silêncio, longe de qualquer rumor, que ouvi a sua voz, e mais uma vez aplaudi a sua poesia misteriosa, distanciada dos lirismos correntes, e que é como um estremecimento do Absoluto. Um grande abraço do seu amigo e leitor, Ledo Ivo".

 Ora, anteontem chegou-me do outro lado do mar um exemplar do catálogo da Exposição de escultura e pintura que o governo do Estado de Santa Catarina, por meio da secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte e da Fundação Catarinense de Cultura, em conjunto com o artista, levou a efeito no Museu de Arte de Santa Catarina.

 Dele extraio 3 quadros, além da introdução, e aqui os dou em anexo. E deixo igualmente dois poemas que retirei da sua vasta Obra.

 Por último, resta-me dizer: também no Catálogo é referido que, num arroubo de justa lucidez e justo apreço, um grupo de personalidades da cultura brasileira tem estado finalmente a propor C.Ronald para o Prémio Nobel. E este ficaria nobilitado - tal como ficou quando foi atribuído a Czeslaw Milosz, Juan Ramón Giménez, Jean Marie le Clézio, Thomas Mann ou Wieslawa Symborska, entre alguns outros mais.

 Que tenham um bom fim de semana, com muita paz e o comprazimento possível nestes tempos infaustos, é o que vos desejo com o proverbial abrqs.




Retrato de família

Pais e filhos agrupam-se para a pose. Tamanho
é o sentido da permanência que o que vem de trás
perde-se na rapidez do flash. Ali, o sorriso
não faz barulho nos olhos, o detalhe suficiente
do que vivemos dá nome igual ao perdido.

Nenhum destino aparece inteiro. O mundo força
a estátua sobre aquilo que perece. Flores e regatos
são anos de alegria própria e a história da casa aberta
fixa o termo do reconhecimento por tudo que já
passou. Eis a foto. A soma dos anónimos

para alguém distante. Um cachorro sem consciência
aos pés dessa criança é a pura imagem da afeição.
Ela houve. Continua ainda e pode ser mais que o homem.




Morrer imitando o teu jeito de morrer
é possível se no meu corpo trago o teu encanto
Horas oblíquas do fim que surge da sombra
familiar abaixo do anjo prematuro e veemente
Tudo pode voltar e dar nome ao que senti sempre
A solidão virá modificada e a ausência não será
a mesma nem as coisas dadas por engano
Morrer no teu silêncio amando essa conjunção
que não havia ainda dentro ou fora do tempo
A terra tornou-se outra vez o sentido diferente
do teu corpo submisso ao meu tormento
Que coragem para resistir e emboscar a existência
Afortunada representação do lado novo e antigo
dos sentidos com a inocência feita por si mesma
Mas haja memória na galeria humana dos descrentes
que tudo oferece de mal ou bem no pior silêncio.

in Ocasional Glup




Coisas do capitalismo


A Escola Socialista chegou a França

Se alguns alunos não têm apoio em casa para fazerem as tarefas propostas pelos professores, proíba-se os trabalhos de casa para todos. Se os alunos não estudam e reprovam, proíba-se os chumbos. E assim sucessivamente. Tudo em nome da igualdade educativa.
A França, através do seu presidente progressista, prepara-se para aplicar as façanhas que o sistema educativo português adotou nos consulados benaventista e lurdesrodrigusita. Os resultados já se adivinham e a ditadura nas escolas também: os professores que se atreverem a mandar tpc's e a chumbar alunos serão perseguidos e os pais que tiverem o topete de ajudar os filhos em casa serão denunciados.

Steve Jobs ficaria verde de inveja!

Quando o caso muda de figura...



... Erdogan faz a triste figura do costume dos dirigentes islâmicos - ou não fossem a hipocrisia e a dissimulação consideradas, por aquelas bandas, como virtudes gémeas da sabedoria e da prudência (no Insurgente, via Lisboa-Telaviv, via Fiel Inimigo). Clicar na imagem para a aumentar.

O país das televisões está sempre à beira de um ataque de nervos

No Blasfémias:
Quem segue com atenção o fluxo das notícias percebe como boa parte do que chega aos noticiários televisivos e radiofónicos são excitações sucessivas alimentadas por uma cacofonia de vozes que repete mais ou menos o mesmo, seja qual for o órgão de informação.