terça-feira, 7 de maio de 2013

O fim do mundo em 'sim', 'não' ou 'talvez'

Quando por volta do ano 2000 os marxistas alarmistas do aquecimento global perceberam que a teoria estava furada, tentaram metamorfosear o "fenómeno" em "alterações climáticas" (posteriormente em rupturas climáticas e outros também alternativos disparates).

 Anteriormente, todos os "voluntaristas" estudos apontavam para aquecimento, mas posteriormente as coisas começaram a complicar-se sem que, aparentemente, tal tivesse sido antecipado. De facto, "alterações climáticas" nada quer dizer e o resultado foi o aparecimento de estudos contraditórios, todos devidamente propagandeados apontando o mesmo armagedão: o fim do mundo em "alterações". Chegou ao pondo de se anunciar que a maior e mais garantida prevista alteração climática seria a ...excessiva estabilidade.

Foi recentemente revelado mais um desses casos.


26 comentários:

Luís Dolhnikoff disse...

Caro Manuel Graça,

É verdade que o aquecimento global tem aspectos discutíveis, e que não se trata de um dogma inquestionável. Os climatologistas sérios inclusive tentam separar outros episódios antigos de aquecimento global e de extinção em massa por causas naturais (por exemplo, vulcanismo), dos dados atuais. Por outro lado, as mesmas dúvidas impedem a certeza de que se trata de mero mito. Por fim, a questão central sequer é o aquecimento em si, mas o aquecimento no contexto paralelo da devastação ambiental, da poluição generalizada e da extinção de espécies, tanto por destruição de seu hábitat quanto por poluição quanto por caça predatória (esta semana foi anunciada a extinção de uma subespécie de rinoceronte em Moçambique). Ninguém sabe se podemos sobreviver como civilização a um incremento indefinido dessas variáveis. E se acaso o pudermos, será com certeza num mundo mais pobre, mais duro e mais feio.

Ab, L

Manuel Graça disse...

Caro Luís Dolhnikoff,

Acontece que nunca como em períodos de calor ...

1. As plantas se desenvolveram tanto e com elas toda a vida

2. Nunca houve tanta floresta muito embora se tente divulgar o contrário (há zonas onde há mais outras onde há menos as em geral há mais)

3. Nunca houve, no passado recente, tão pouca poluição quanto hoje (apesar da China)

4. A caça predatória acontece em zonas onde o desenvolvimento é inexistente e onde paralelamente a floresta é mais atacada para queima em 'cozinhas' de regiões que são implicitamente impedidas de se desenvolver elos mesmos movimentos que pugnam pelas florestas.

Não há incremento indefinido dessas variáveis e onde a coisa está tremida (população aumentando galopantemente) é, justamente, onde há menos desenvolvimento e menos poluição industrial.

O "aquecimento global" é uma arma de arremesso para abater o desenvolvimento industrial e a civilização ocidental em geral.

Luís Dolhnikoff disse...

Caro Manuel,

Eu prefiro, neste caso, estar errado em todos os quesitos, e que você esteja certo. Infelizmente, não consigo crer nisto. Poderia listar uma série de exemplos, como a pesca predatória em escala industrial com redes de arrasto, que literalmente levam toda forma de vida, para a maioria ser descartada (e que já esgotou o bacalhau na costa canadense), a virtual extinção recente da Mata Atlântica brasileira, a grande floresta que cobria o Brasil ao longo da costa quando Cabral aqui aportou, a inquestionável poluição das águas, para onde tudo converge, de agentes químicos a lixo sólido, as faunas autóctones como as dos lêmures de Madagascar, que diminuem ao ritmo do consumo da floresta original (para queimar, como você bem diz, para vender a madeira e para abrir pastos para a população humana crescente etc.). Que existe no meio ambientalista uma parte ou mesmo uma boa parte de tardoesquerdofrênicos que, órfãos mentais com o fim do "socialismo real", voltaram-se para a adoração da "Mãe Terra", é indiscutível. Mas isto, infelizmente, não resume tudo. Infelizmente.

Ab, L

Jose Carmo disse...

Caro Luis, penso que deve tentar ver mais além. A súbita enfase nas chamadas questões globais (ambiente, por exemplo), inscreve-se numa tentativa kantiana de construção de uma identidade global, liberta de pertenças conflitivas, como a religião, o nacionalismo, ideologias, etc, etc. Kant preconizava a paz perpétua, se o homem se libertasse das identidades que compelem. No séc XX, a teoria crítica, desenvolvida por marxistas, postulou a desconstrução de todas estas identidades, vistas como meras construções sociais. Não é por acaso que tb chamam "marxismo cultural" à correcção política. O sec XX foi um seculo de violentos conflitos nacionalistas e ideológicos. "Nós" contra "eles". Se não houver "nós", se existir apenas uma pertença universal, então teremos realizado a utopia kantiana. A UE é um condomínio kantiano, ou pretende ser, uma construção onde as unicas pertenças deverão ser as que decorrem de direitos e deveres abstractos. A ideia de construir uma pertença universal, uma Humanidade, tem de ter catalizadores. Não pode ser um "outro", porque teria de ser o "outro" de toda a humanidade, ou seja uns extraterrestres. Assim tem de ser construida não contra o "outro", mas em redor de ameaças comuns. O ambiente, especialmente o aquecimento global, é o tema adequado. Suscita a velha questão da culpa, do pecado, e repare que as discussões passam sempre pela forma como se deve transferir dinheiro do norte para o sul, como se isso tivesse alguma importância no assunto em si.

Agora, claro que o clima está a mudar, Ninguém o contesta. Está sempre a mudar, se não mudasse ainda cá estavam os dinossauros e as florestas planetárias. O que se contesta é a compulsão para atribuir ao homem ( do Ocidente, claro), a culpa e pretender "resolver" o assunto com....transferencias de dinheiro para os Bokassas e Chavez deste mundo.

Luís Dolhnikoff disse...

Caro JC,

Sua longa premissa inicial é excelente. Mas isto não garante a correção do curto corolário. Enquanto Manuel Graça aponta, corretamente, para questões ideológicas que movem o comovem boa parte dos ambientalistas, deixando porém de fora a questão dos dados empíricos, sua síntese teórica, repito, excelente, converge para a mesma ausência. Permita-me recorrer a um pouco de história: o ambientalismo como problematização dos efeitos da poluição industrial sobre o meio ambiente natural não nasceu num acampamento de algum Fórum Social, mas sim de biólogos, e mais especificamente, de ornitólogos, que se depararam, nos anos 1950, com a surpreendente descoberta de um repentino enfraquecimento das cascas dos ovos de toda uma população de aves, o que fatores tradicionais, como os genéticos, não podiam explicar. As pesquisas, que não tinham de início nenhum alvo "ocidentalmente maléfico" na mira, pois não tinham mira alguma, descobriram afinal que a causa era o DDT usado para combater pragas agrícolas, que entrava na cadeia alimentar das aves justamente pelo consumo dos insetos dedetizados. Há evidências demais, evidentes demais, de que a civilização industrial tem um custo ambiental, com o perdão da rima pobre, e isto é apenas empirismo e racionalismo. Retirar milhões de toneladas de hidrocarbonetos que jaziam inertes no subsolo e queimá-los é uma interferência nada banal. A lista não pode ser sequer começada aqui. A questão, para resumir, sequer é o meio ambiente. Trata-se de um desvio de foco. Como você bem diz, ele sempre mudou, e sua mudança constante é a própria base da teoria darwiniana. A questão, na verdade, é a sobrevivência da própria civilização industrial em sua relação utilitarista dos recursos naturais. A vida na Terra, com seus 4 bilhões de anos (a vida; o planeta tem cerca de 4,5 bilhões) já demonstrou de maneira cabal sua capacidade de sobrevivência, mudança, mutação, recuperação, evolução. Repetindo, não é disso que se trata, mas da dependência unilateral da produção a partir de recursos naturais limitados. Dito de outra forma, o meio ambiente não depende da civilização industrial e de nenhuma civilização, sequer da presença da espécie humana. O contrário não é verdadeiro (sem falar no fato de que sou um apreciador talvez idiota da beleza natural; vivi quase 20 anos na encosta de um monte no extremo sul da ilha da Santa Catarina [Florianópolis], cercado de mata fechada e de descendentes de açorianos...).

Ab, L

Luís Dolhnikoff disse...

PS

Dois exemplos "gráficos" importantes: o mapeamento por satélite demonstra a diminuição das calotas polares e o aumento de áreas de desertificação, incluindo o Brasil, onde o semiárido do Cerrado nordestino está se tornando simplesmente árido. Duas consequências diretas: alterações na físico-química oceânica, com impactos inevitáveis na vida marítima, fonte importante de proteína alimentar humana, e diminuição da área agriculturável. Se isso se intensificar, e os dados apontam hoje nesta direção, não importa nada para o meio ambiente, que num futuro imponderável qualquer pode recuperar as calotas polares e reflorestar desertos por conta própria. Mas os tempos históricos são distintos, muitíssimo mais curtos, que os geobiológicos. O meio ambiente sempre tem o tempo a seu favor; a civilização industrial não. Como, aliás, toda civilização.

Lura do Grilo disse...

De facto medidas radiométricas de satélite mostram o decréscimo evidente da temperatura do planeta. O mecanismo de aquecimento que previa um aumento de temperatura sistemático na camada atmosférica a 1km não aparece. O perímetro das calotes polares não significa nada: o volume de gelo sim e esse tem subido pois o nível do mar não tem descido. Já se navegou bem mais a norte que agora.
Isto do aquecimento global é a nova Teologia da Libertação gerada pelo Komintern: falou-se muito mas deu em miséria desnecessária e esta bolha das renováveis também traz miséria. Dentro em breve vão dizer que as medidas tomadas inverteram o fenómeno que não existiu.

Luís Dolhnikoff disse...

Caro Lura do Grilo,

Desculpe, mas sua afirmação não é verdadeira. jamais se navegou tão ao norte. Pela primeira vez na história registrada, a "mítica" Passagem Noroeste, ligação ao norte entre o Atlântico e o Pacífico, buscada desde o século XVII e nunca encontrada, pois inexistente, em função do congelamento do mar, foi recentemente aberta pelo degelo, e pela primeira vez na história registrada, um navio a cruzou (apesar do feio nome de Belzebu II).

"O gelo do Ártico recuou para a menor extensão alguma vez registada, abrindo pela primeira vez a via à navegação entre o Atlântico e o Pacífico através do Estreito de McClure. O fenómeno foi detectado por um satélite da Agência Espacial Europeia. A área coberta de gelo caiu para três milhões de quilómetros quadrados, um milhão menos que os recordes de 2005 e 2006.As fotos de satélite mostram toda a via pelo norte do Canadá e do Alasca livre de gelo pela primeira vez". (http://pt.euronews.com/2007/09/15/recuo-do-gelo-no-artico-abre-passagem-do-noroeste-a-navegacao/).

Seu argumento também contém um equívoco geométrico: a área polar indica seu volume, uma vez que não há nenhum registro de concomitante aumento compensatório de sua altura.

Manuel Graça disse...

Luís Dolhnikoff:

[Desculpe a minha resposta não ser mais cuidada mas ando bastante apertado de tempo]

" mais especificamente, de ornitólogos, que se depararam, nos anos 1950, com a surpreendente descoberta de um repentino enfraquecimento das cascas dos ovos de toda uma população de aves, o que fatores tradicionais, como os genéticos, não podiam explicar"

O problema é que isso, na verdade, acontecia em muito poucas espécies de aves e o DDT foi reintroduzido, sem espalhafato, em 2003. Em África o problema das cascas nunca se colocou (nos EIA sim, nalguns casos) mas, entretanto, em África morreram 30 milhões de pessoas às garras da malária impossibilitadas de recorrer ao DDT, única arma eficaz para controlar o mosquito. E ninguém foi parar ao TPI sob acusação de genocídio.

Os custos ambientais da civilização industrial têm sido controlados recorrendo a ferramentas da própria civilização industrial.

"Retirar milhões de toneladas de hidrocarbonetos que jaziam inertes no subsolo e queimá-los é uma interferência nada banal."

Pois não. É tanto quanto a respiração dos insectos mas, entretanto, as colheitas crescem muito mais aceleradamente porque o CO2 é comida para as plantas. Este facto explica o rapidíssimo recrudescimento da floresta mundial e a sua densidade. Se se pretende mais floresta tem que se lhe permitir alimento.

"mas da dependência unilateral da produção a partir de recursos naturais limitados."

Podemos dizer isso até da luz do Sol. O problema é que os recursos disponíveis de hidrocarbonetos aumentaram de 20 anos nos anos 70 para mais de 500 hoje. Há expectativas de que durem para milhares de anos ...

Manuel Graça disse...

Caro Luís Dolhnikoff:

Há variadíssimas fotos de submarinos emergindo nos anos 50 no Polo Norte.

Os radares instalados no norte da Gronelândia nos anos 50 estão hoje praticamente enterrados em neve.

Há dados claríssimos que permitem ter-se a certeza de que há muito mais gelo nos pólos hoje do que há 50 anos (já lhos aponto). Mais, a quantidade de gelo pouco importa se não tivermos em conta a sua temperatura e as camadas mais recentes são mais frias que as anteriores. A quantidade de frio armazenada nos pólos aumentou extraordinariamente.

Entretanto, foca já aqui um panorama das temperaturas globais ao longo do tempo. Na época em que vivemos, estamos recuperando da mini-idade de gelo do Sec XVIII. Há 500 anos estava mais quente, há 1000 ainda mais, etc, etc ...

Manuel Graça disse...

http://fiel-inimigo.blogspot.pt/2009/12/o-monstro.html

Manuel Graça disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luís Dolhnikoff disse...

Caro Manuel,

O recente desenvolvimento da técnica de craqueamento por água pressurizada e bombeamento horizontal de óleo e gás de xisto nos EUA deve tornar o país exportador de hidrocarbonetos em duas décadas. Mas isto não é uma verdade automática para todos os recursos, incluindo a água potável. Claro, pode-se no limite criar enormes usinas dessalinizadoras, mas essa água será mais cara que a simplesmente captada. Etc. E eu não disse que o DDT é apenas deletério, mas me reportava à origem científica do debate ambientalista. Tampouco faz sentido comparar a produção de gases orgânicos por organismos vivos, e portanto integrados a mecanismos de feedback da biosfera, com uma produção livre de tais mecanismos, e externa a eles. Não sou um luddita, um antimodernista e sequer um ambientalista, mas me parece aqui haver um antiambientalismo ideologizado, que rechaça todo e qualquer argumento, desde que em um sentido, numa discussão cujos dados são mais complexos do que as discussões econômicas. Em suma, no limite não me parece verossímil que a civilização industrial possa garantir a priori resolver todo e qualquer problema que possa surgir de sua principal característica, a poderosa interferência humana no que uma vez foi o ambiente natural terrestre. Não cheguei nem perto, por exemplo, de discutir a criação laboratorial de armas biológicas. Há garantias de que se desenvolverão vacinas eficientes e a tempo e em quantidade suficiente, se houver uma disseminação proposital ou acidental de um agente tão virulento quanto a varíola modificada? Não faz sentido. Se a civilização industrial não envolvesse grandes riscos, ela não envolveria grandes poderes e grandes realizações.

Jose Carmo disse...

Luis, fora de dúvida que a nossa civilização tem impacto na natureza mas:

1- Nós tb somos natureza
2- Como espécie, temos consciência desses impactos, ou seja, a natureza "produziu" uma espécie que tem consciência dela mesmo, o que é notável
2- É falso que os recursos sejam limitados. À escala a que estamos a falar, a Terra é um sistema fechado, os recursos utilizados voltam à terra. O Luis consome recursos, pode até engordar 200 Kg, mas esses elementos voltarão um dia a entrar no processo sintrópico, seja você enterrado ou cremado.

3- As transformações ambientais são lentas, e por isso naturalmente absorvíveis. Como espécie já estamos muito para lá da dependência darwinista da natureza, já criámos maneiras de sobreviver e prosperar em condições extremas, seja no calor infernal do Rub Al Khali, seja nos gelos nórdicos.

4- Dito isto, nenhuma acção voluntarista, com teologias estranhas a servir-lhe de base, mudará o que quer que seja. Faremos melhor em adaptarmo-nos à mudança do que em tentar tolamente detê-la, coisa que não temos dimensão para fazer, sendo por isso estúpido gastar dinheiro nessa tentativa. Megalomania é megalomania, esteja ou não travestida de "ciência do consenso".

Manuel Graça disse...

Não consigo, neste momento, encontrar a estatística do volume de gelo porque os links estão partidos.

Voltarei posteriormente.

Luís Dolhnikoff disse...

Não há pressa, caro Manuel: o mundo não terminará amanhã. Mas permita-me com sinceridade e respeito apontar um exemplo de argumento falacioso: lembrar a presença de submarinos no Ártico nos aos 1950 para demonstrar que já se "navegou" mais ao norte antes na história não faz sentido aqui, pois submarinos avançam por sob o gelo, quando o caso da Passagem Noroeste, indiscutivelmente cruzada pela primeira vez na história neste ano, trata de navegação de superfície, historicamente por ali impedida pela presença de gelo, hoje ausente.

Ab, L

Jose Carmo disse...

Luis, gelo vem e gelo vai. Já houve várias glaciações e vários óptimos climatéricos, antes mesmo de o sapiens, andar por cá.

A que acha que se deveram?

Luís Dolhnikoff disse...

Caros,

Ocorreu-me que parte ao menos desta discussão tem a ver com diferenças de ponto de vista entre lados opostos do Atlântico lusófono. O ambientalismo na Europa é sem dúvida mais ideologizado e menos pragmático que no Brasil, pois enquanto aí se trata de energias alternativas e organismos modificados etc., aqui há questões mais antigas ainda irresolvidas, por exemplo, a queima (literalmente) de floresta virgem para a abertura de novos pastos, quando técnicas mais modernas de manejo permitiriam que a área já ocupada no Brasil para agricultura e pecuária (próxima a uma Europa) ainda fossem produtivas ou mesmo produzissem mais do que antes. Áreas crescentes da costa brasileira, estão se tornando insalubres. A Baía da Guanabara, coração do Rio de Janeiro, é um grande esgoto a céu aberto, e o mesmo se pode dizer de todos os rios que cortam todas as grandes cidades brasileiras. Etc. Tudo resolvível, mas apenas em tese, pois nada garante que o tipo de desenvolvimento predatório praticado historicamente no Brasil vá mudar no futuro. Pois também há a possibilidade de o Brasil se tornar um enorme Haiti, como prevê uma música famosa por aqui. Haiti que, aliás, é um exemplo cabal de miséria alimentada pela devastação ambiental. A ilha de Hispaniola, como se sabe, abriga o Haiti a oeste e a República Dominicana a leste. Esta é relativamente rica, em função do turismo, e abriga belas paisagens naturais florestadas. No leste, houve o quase completo desmatamento, levando a uma erosão que torna a produção de alimentos muito limitada. Os problemas do Haiti não são os terremotos, que aliás atingem a ilha sem ligar para fornteiras políticas, mas com certeza incluem a quase completa destruição da cobertura vegetal, que entre outras coisas leva à perda de recursos hídricos.

Manuel Graça disse...

Caro Luís,

"submarinos avançam por sob o gelo"

É verdade, mas as imagens mostram água até ao horizonte e o submarino à superfície.

Repare, entretanto, que este alarmismo se concentra nos dados dos últimos 200 anos. Em termos de história natural isto é ... agora.

O recuo dos glaciares da Gronelândia (o hemisfério Norte está mais quente o Sul mais frio) têm revelado aldeias Viking datadas do Sec XV.

Repare que já nem o IPCC esconde que todos os modelos precisam ser revistos. Entretanto, já ninguém sabe em que registos de temperatura pode confiar. Só há 150 anos de registos directos (desde que há termómetros) mas, mesmo assim, foram tão martelados que ninguém já sabe o que é original. A papelada original foi deitada fora sem ser digitalizada (fotografada) por que havia ... falta de espaço.

Registos directos fiáveis de temperatura já só há os dos satélites que têm apenas 30 anos.

Manuel Graça disse...

Caro Luís,

O seu comentário das 22:18 parece-me certeiro.

Nos andamos a ser sufocados com resolução de problemas que não existem.

Esta semana a "europa" resolveu proibir a troca directa de sementes entre agricultores. Passou a ser legal apenas a compra pelos canais apropriados. Não há pachorra.

Há um ano mandaram abater milhões de galinhas porque habitavam capoeiras que não eram dignas para elas!!!! (Parece que ninguém ligou (nenhuma).

No centro de Lisboa, uma capital de dimensão microscópica, não podem hoje circular carros com mais de 10 anos porque fazem ... muita "poeira".

Luís Dolhnikoff disse...

As glaciações e climatérios, caro JC, deveram-se ao que se deveram. Faço uma comparação com as grandes extinções: a extinção do Ordoviciano, ocorrida há 450 milhões de anos, vitimando o grande grupo dos trilobitas, deveu-se possivelmente a uma grande emissão de raios gama por um corpo estelar; a extinção Permo-Triássica, a 250 milhões de anos, que quase eliminou a vida terrestre, provavelmente se deveu a uma enorme atividade vulcânica na região da Sibéria; a extinção K-T, há 65 milhões de anos, que vitimou os dinossauros, deveu-se a um asteroide. A grande perda de espécies, atualmente, é antropogênica. Talvez isso não valha para o degelo, mas talvez valha. Mantenho-me, neste assunto, receptivo a novos dados e novas interpretações.

Ab, L

Jose Carmo disse...

Luis, as glaciações e óptimos climatéricos, foram/são, cíclicos e não coisas devidas a acontecimentos fortuitos.
O que significa, simplificando, que há mecanismos que não estão modelados nos modelos que servem aos catastrofistas para fazer as suas profecias. E note que se trata de profecias. Ninguém lhe diz que daqui a 10 anos, vai acontecer isto ou aquilo, aqui ou ali. Os modelos ( e eu até tenho alguma formação nesta área), são abstracções da realidade. MOdela-se o que se acredita ter influencia no fenómeno, o que se conhece, o que é possível modelar e como as iterações de algumas variáveis produzem caos, os modelos dão resultados que, em muitos casos, vão do 8 ao 80. O que fazem os catastrofistas? Sublinham o resultado extremo que lhes agrada e parangonam.
É uma questão ideológica, não tenha dúvida. Senão explique-me lá porque é que o que se discute nas cimeiras do clima é , essencialmente, a quantia que os países ocidentais devem transferir para os outros? O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Isto tem a ver com clima ( sobre o qual a nossa acção é mínima, olhe as vacas alargar metano têm, provavelmente, uma influência maior) ou com agendas? Leu o livro de Al Gore? E não viu ali uma clara influencia ( diria até plágio), das teses anti-tecnológicas de Heidegger, nos seus tempos nazis?

Luís Dolhnikoff disse...

Eu bem sei, JC, o que há de ideológico no ambientalismo, as visões obscurantistas envolvidas, as demandas por dinheiro etc. Não li o livro do Al Gore, nem pretendo ler, porém acredito em sua interpretaçaõ. Mas, entre outras coisas, não acho que se deva deixar a crítica ao que deva ser corrigido como monopólio dos ambientalistas. Nem creio que a "mão invisível" do mercado seja suficiente, infelizmente. Dou um exemplo muito prático. Minha irmã menor é vice-chefe do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP (onde também estudei, aliás). E ela é especialista em pulmão. E vê dia a dia pulmões enegrecidos pela poluição, em pacientes sem histórico de tabagismo. Também constata o aumento dos casos de câncer pulmonar. Por outro lado, a mesma medicina que ela pratica, mais as conquistas todas da modernidade, levaram o homem a triplicar sua expectativa de vida, passando dos miseráveis 35 anos medievais aos saudáveis 90 atuais. Mas, afinal, não tão saudáveis assim, porque o aumento de casos de Alzheimer e Parkinson, além do próprio incremento da longevidade, também pode estar ligado à prolongada exposição a poluentes, inluindo aditivos alimentares. Neste meu exemplo, podemos nos contentar com o espetacular aumento da expectativa de vida gerado pela modernidade, ou esperar da ciência que, além disso, também descubra a prevenção e a cura desses males demenciais, e da economia que não polua nossos pulmões. Eu acredito na segunda hipótese. Ao mesmo tempo em que acredito dever toda pessoa adulta poder fumar o que quiser, e enegrecer seus pulmões à vontade. Mas, justamente, por um ato de vontade e liberdade pessoal. Não é o caso da poluição ambiental, à qual somos sujeitados em massa passivamente, como cordeiros orwellianos. Isto para não falar de outro tópico que me toca pessoalmente, a extinção de espécies, que hoje ameaça, por exemplo, todos os grandes primatas africanos. E digo que me toca pessoalmente porque sou um darwiniano apaixonado, e quase fui fazer biologia em vez de medicina. Nada disso, e muita coisa mais, deveria, na minha opinião, poder ser monopolizado pelos ambientalistas, alijando desses temas gente racional e afins com a modernidade. Por isso, em suma, minha posição não é simplesmente rebater tudo o que dizem, mas achar algum caminho para lhes arrebatar uma boa parte desse debate. Por exemplo, não creio que os japoneses devam ter o direito de matar os mais magníficos animais hoje vivos, as grandes baleias, apenas para que, em algumas horas, eles virem merda de gente. E isso em nome de tradições arcaicas que associam o consumo da carne de baleia a essa ou aquela crença oriental, e não por necessidade premente de obter proteína. Repetindo-me, não consigo aceitar que toda essa agenda, a partir do trabalho laboratorial de minha irmã, seja monopólio de antimodernistas.

Ab, L

Jose Carmo disse...

"Nem creio que a "mão invisível" do mercado seja suficiente"

Talvez não seja suficiente, mas parece-me, neste caso, bem mais eficaz que a regulamentação bem intencionada.

Eu não sou ambientalista, na medida em que não estou ao serviço do ambiente, nem venero novos deuses, vestidos de verde, travestidos de Gaia. Pelo contrário, acho que a natureza está ao meu serviço. Serve-me como fonte de recursos e como fonte de prazer. Gosto de ver, de passear, de apreciar. Mantém-me vivo e propicia-me felicidade. É por isso que me preocupo em a manter. Por razões louvavelmente egoístas. Por mim. Se agarrar em 100 pessoas, certamente haverá muitos como eu, digamos, até mais de 50 %. É o que basta para a mão invisível funcionar. Procuramos os nossos interesses, eles passam por proteger algo que nos faz felizes e é por isso que, nos países desenvolvidos, o ambiente está bem mais protegido do que em impérios de regulação. É a mão invisível, caro LD.

Luís Dolhnikoff disse...

Não desgosto nada da "mão invisível" dos interesses pessoais, caro JC, e sou na verdade o mais individualista dos indivíduos. De fato, sou marxista, da linha groucho-marxista: não aceitaria ficar sócio de um clube que me aceitasse, e na verdade nem gosto de pertencer a "clube" algum. Mas às vezes penso que essa mão precisa, em algumas circunstâncias, vestir algum par de luvas... Não uma confeccionada por Hobbes, mas talvez por Locke.

Ab, L

Manuel Graça disse...

A propósito de pulmões enegrecidos e no pouco tempo que vou tendo, relembro que os "contratos" feitos entre o Ocidente desenvolvido e "preocupado" com a natureza com os países de África implicam a impossibilidade de eles se desenvolverem consumindo a energia barata proporcionada pelos hidrocarbonetos. Daí resulta a incontornável necessidade de queimar lenha e bosta de vaca cujo fumo alojado nos pulmões dizima mulheres mais que malária.

Regra geral, quando se diz que o fumo contemporâneo faz isto e aquilo, esquece-se que é uma benesse face ao contemporâneo de outrora.

O Presidente da Câmara (Perfeito no Brasil) de Lisboa mostra-se muito preocupado com a "poeira" de hoje e quer voltar aos "bons ares de outrora". Os tais bons ares incluíam, entre outras coisas "boas", dejectos de cavalo em toda a cidade, cavalariças por todo o lado e ratazanas em barda tirando partido do processo.